{"id":9904,"date":"2025-07-26T05:33:23","date_gmt":"2025-07-26T05:33:23","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/costureiras-do-santa-maria-dao-nova-vida-a-pecas-que-iriam-para-o-lixo\/"},"modified":"2025-07-26T05:33:23","modified_gmt":"2025-07-26T05:33:23","slug":"costureiras-do-santa-maria-dao-nova-vida-a-pecas-que-iriam-para-o-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/costureiras-do-santa-maria-dao-nova-vida-a-pecas-que-iriam-para-o-lixo\/","title":{"rendered":"Costureiras do Santa Maria d\u00e3o nova vida a pe\u00e7as (que iriam para o lixo)"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O barulho das tradicionais m\u00e1quinas de costura ecoa numa sala discreta do piso zero do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Ali, as costureiras enfrentam o desafio di\u00e1rio de reparar, adaptar e reaproveitar o amontoado de roupa que chega todos os dias da lavandaria.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Diariamente, cerca de seis toneladas de roupa dos hospitais Santa Maria e Pulido Valente, que integram a Unidade Local de Sa\u00fade Santa Maria (ULSSM), s\u00e3o enviadas para lavagem, a maioria len\u00e7\u00f3is, pijamas dos doentes e vestu\u00e1rio cir\u00fargico.<\/p>\n<p>&#8220;Essa roupa sofre um processo de lavagem e de higieniza\u00e7\u00e3o na lavandaria, fora da unidade hospitalar&#8221;, onde \u00e9 feita a triagem das pe\u00e7as danificadas, rasgadas ou sem bot\u00f5es, que s\u00e3o separadas com &#8220;a etiqueta a identificar costura&#8221;, contou \u00e0 ag\u00eancia Lusa a coordenadora da Unidade de Gest\u00e3o Hoteleira da ULS Santa Maria, Teresa Silva.<\/p>\n<p>O desgaste natural e o processo de lavagem danificam muitas pe\u00e7as, mas h\u00e1 tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia em que \u00e9 necess\u00e1rio rasgar a roupa para salvar uma vida.<\/p>\n<p>Perante isto, restam duas op\u00e7\u00f5es: Destruir ou reaproveitar.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 isso que estas senhoras fazem aqui. Tentamos dar o m\u00e1ximo de vida \u00fatil aos artigos&#8221;, o que tamb\u00e9m evita gastos ao hospital com a compra de roupa nova, real\u00e7ou Teresa Silva.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia s\u00e3o recuperadas entre 3.000 e 3.500 pe\u00e7as por m\u00eas neste servi\u00e7o, que j\u00e1 chegou a ter 12 costureiras. Hoje s\u00e3o apenas cinco, reflexo da dificuldade de recrutamento por ser uma profiss\u00e3o em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seriam necess\u00e1rias mais profissionais para conseguir dar resposta a todas as solicita\u00e7\u00f5es, nomeadamente as fardas dos colaboradores, mas com cinco costureiras \u00e9 imposs\u00edvel: &#8220;Ent\u00e3o opt\u00e1mos por dar prioridade \u00e0 roupa do doente&#8221;, disse Teresa Silva.<\/p>\n<p>Para estas profissionais, &#8220;cada pe\u00e7a \u00e9 um desafio&#8221; e &#8220;s\u00f3 sabem o que t\u00eam de fazer quando a abrem&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 10 anos, Fernanda Santos, 61 anos, come\u00e7ou a trabalhar na sala de costura. Sabia coser \u00e0 m\u00e1quina porque aprendeu com m\u00e3e, tamb\u00e9m costureira, mas apenas fazia &#8220;coisas mais simples&#8221; como coser bainhas.<\/p>\n<p>Com o tempo, foi aperfei\u00e7oando a t\u00e9cnica. As pe\u00e7as nas suas m\u00e3os ganham agora uma vida nova, como contou \u00e0 Lusa enquanto retirava da pilha de roupa umas cal\u00e7as de pijama, cortadas na ortopedia por causa de gessos, para transformar em cal\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Camisas rasgadas ganham novos decotes, len\u00e7\u00f3is com grandes estragos s\u00e3o reaproveitados como resguardos e, se ainda em bom estado, transformados em len\u00e7\u00f3is para os ber\u00e7os dos beb\u00e9s.<\/p>\n<p>&#8220;Se o len\u00e7ol j\u00e1 for muito usado, muito gasto, n\u00e3o vale a pena estar a gastar a linha&#8221;, disse Fernanda, com um sorriso.<\/p>\n<p>A costureira recordou com emo\u00e7\u00e3o o per\u00edodo da pandemia, quando esteve na linha da frente a confecionar cogulas (gorros de prote\u00e7\u00e3o facial e cervical), perneiras e cotoveleiras para os profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Numa altura em que o mundo enfrentava escassez de equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, Fernanda e as colegas trabalharam sem parar.<\/p>\n<p>&#8220;Eram muitas horas de trabalho, mas fazia com gosto, porque sabia que era preciso&#8221;, disse emocionada. Fernanda pensava na filha, que \u00e9 enfermeira e tamb\u00e9m podia vir a precisar daquele material.<\/p>\n<p>Apesar das horas infind\u00e1veis a costurar, Fernanda sentiu que fez parte de Hist\u00f3ria: &#8220;Estava na primeira linha porque ajudava quem estava na linha da frente. Se n\u00e3o f\u00f4ssemos n\u00f3s, eles tamb\u00e9m estariam um bocadinho mais aflitos&#8221;.<\/p>\n<p>Maria de Lurdes Isidoro est\u00e1 apenas h\u00e1 sete meses no servi\u00e7o de costura, apesar de j\u00e1 trabalhar no hospital h\u00e1 v\u00e1rios anos. Motivos de sa\u00fade levaram-na a mudar de fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 Lusa contou que, at\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 sabia &#8220;pregar bot\u00f5es e fazer umas bainhas&#8221;. &#8220;No princ\u00edpio ia ajudar as minhas colegas. Elas ajudavam-me, diziam o que tinha que fazer e adaptei-me&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo o que sei aprendi aqui, e estou a gostar. Estou sempre ocupada, que \u00e9 o que eu quero&#8221;, disse Maria de Lurdes, rematando com humor: &#8220;Agora \u00e9 coser para a frente at\u00e9 haver roupa, que n\u00e3o acaba&#8221;.<\/p>\n<p>Marisa Pereira, 57 anos, \u00e9 a costureira mais antiga do hospital. Trabalha ali h\u00e1 38 anos e j\u00e1 perdeu a conta \u00e0s pe\u00e7as de roupa que reciclou.<\/p>\n<p>O facto de ser surda n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo para as suas colegas. &#8220;Para mim n\u00e3o \u00e9 desafio nenhum, eu entendo bem. \u00c0s vezes, ela quase que fala&#8221;, salientou Fernanda, sorrindo para Marisa.<\/p>\n<p>Segundo Fernanda, Marisa \u00e9 reconhecida pelo seu trabalho minucioso e eficaz: &#8220;Seja dif\u00edcil, seja f\u00e1cil, ela consegue&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/pais\/2828279\/costureiras-do-santa-maria-dao-nova-vida-a-pecas-que-iriam-para-o-lixo#utm_source=rss-ultima-hora&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=rssfeed\" class=\"info\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Leia na \u00edntegra em <b>Not\u00edcias ao Minuto<b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O barulho das tradicionais m\u00e1quinas de costura ecoa numa sala discreta do piso zero do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. 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