{"id":979,"date":"2008-10-08T12:50:48","date_gmt":"2008-10-08T12:50:48","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ministra-da-saude-sobre-a-revisao-da-carreira-de-enfermagem\/"},"modified":"2021-05-04T09:06:02","modified_gmt":"2021-05-04T09:06:02","slug":"ministra-da-saude-sobre-a-revisao-da-carreira-de-enfermagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ministra-da-saude-sobre-a-revisao-da-carreira-de-enfermagem\/","title":{"rendered":"Ministra da Sa\u00fade sobre a revis\u00e3o da carreira de enfermagem"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 servi\u00e7os que poder\u00e3o ter um n\u00famero de enfermeiros inferior ao que poderia ser aconselh\u00e1vel, mas h\u00e1 muitos servi\u00e7os que ultrapassam os r\u00e1cios aconselh\u00e1veis.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong><em>Nursing n\u00ba 238<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Na opini\u00e3o da Ministra, \u00e9 aos enfermeiros directores que est\u00e3o nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o, que cabe a tarefa de definir o n\u00famero de enfermeiros necess\u00e1rio para os seus servi\u00e7os.\n<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-978\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/ministra_saude.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/ministra_saude.jpg 500w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/ministra_saude-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">\u201cTrabalho exclusivamente no SNS por op\u00e7\u00e3o porque acredito que o servi\u00e7o p\u00fablico tem que ter profissionais dedicados que permitam garantir cuidados de sa\u00fade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, como determina a Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 servi\u00e7os que poder\u00e3o ter um n\u00famero de enfermeiros inferior ao que poderia ser aconselh\u00e1vel, mas h\u00e1 muitos servi\u00e7os que ultrapassam os r\u00e1cios aconselh\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c\u2026 os cuidados de sa\u00fade em Portugal est\u00e3o muito centralizados na pessoa do m\u00e9dico, na necessidade do recurso ao m\u00e9dico e \u00e0 consulta m\u00e9dica.\u00a0&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Ministra da Sa\u00fade sobre a revis\u00e3o da carreira de enfermagem\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cPenso que \u00e9 poss\u00edvel sair com uma plataforma de entendimento\u201d\n<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 sete meses \u00e0 frente da pasta da Sa\u00fade e no dia em que aconteceu a primeira reuni\u00e3o para a revis\u00e3o da carreira de enfermagem, a ministra falou com a NURSING e fez um balan\u00e7o das perspectivas que tem para o modelo de desenvolvimento profissional dos enfermeiros. A titular falou ainda da reforma dos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios, da sustentabilidade do SNS e da reestrutura\u00e7\u00e3o das urg\u00eancias. Tudo em prol da manuten\u00e7\u00e3o do SNS.\n<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Texto<\/strong> Maria Fernandes Teixeira e Ana Saianda.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong> Violante Assude<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Fotos<\/strong> Andr\u00e9 Roque\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Apesar do perfil low profile que tem adoptado nos media, Ana Jorge est\u00e1 longe de estar desatenta aos problemas e \u00e0 realidade da Sa\u00fade em Portugal. Sem parecer querer entrar em rupturas, porque estas, diz, \u201ccausam instabilidade\u201d, Ana Jorge l\u00e1 vai levando a \u00e1gua ao seu moinho gra\u00e7as ao grande poder de di\u00e1logo que parece ter. Veja-se o sil\u00eancio medi\u00e1tico em torno do encerramento de algumas Urg\u00eancias, que continua a acontecer e sem contesta\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">Aconteceram hoje as primeiras reuni\u00f5es para a revis\u00e3o da carreira de enfermagem. Pode j\u00e1 dizer-nos como correram os primeiros encontros?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Acho que foram positivos. N\u00e3o houve acordo a cem por cento em todas as mat\u00e9rias, mas foram encontradas algumas plataformas de encontro.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">Quais considera serem as \u00e1reas mais cr\u00edticas de discuss\u00e3o?<\/h4>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o os temas relacionados com a carreira de enfermagem. Uma das quest\u00f5es proposta pelos sindicatos foi que houvesse um grau de carreira que permitisse que todos os profissionais pudessem chegar ao topo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro processo relevante \u00e9 o exerc\u00edcio de um tempo tutelado na enfermagem ap\u00f3s o t\u00e9rmino do curso. Este \u00e9 um assunto complexo, que precisa de muito aprofundamento e discuss\u00e3o, na qual que a Ordem tem um papel fundamental. Trata-se de uma quest\u00e3o de pr\u00e9-carreira, ou grau zero, mas essa \u00e9 uma \u00e1rea que precisa de uma grande reflex\u00e3o, mais o que uma discuss\u00e3o. Igualmente pertinente \u00e9 a quest\u00e3o das 40 horas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">\u00c9 exactamente essa quest\u00e3o das 40 horas que mais desagrada aos enfermeiros. Ela vai ser repensada por parte do Minist\u00e9rio?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Tem que ser analisada. Durante muito tempo os sindicatos reivindicaram o hor\u00e1rio de 35 horas, na defesa de que a enfermagem \u00e9 um trabalho muito desgastante, uma vez que \u00e9 um trabalho por turnos, o que passados alguns anos se torna desgastante. A forma de pagamento de horas extra \u00e9 outra das discuss\u00f5es propostas. Este \u00e9 um processo que n\u00e3o est\u00e1 consensualizado, que est\u00e1 em cima da mesa e que tem que ser reflectido por ambas as partes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois deste primeiro encontro achei que h\u00e1 boas possibilidades de encaminhamento. Se calhar n\u00e3o vamos estar todos de acordo, mas penso que \u00e9 poss\u00edvel sair com uma plataforma de entendimento.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">O desemprego na enfermagem atinge hoje milhares de enfermeiros, apesar disso ouvimos recentemente num jornal que o pr\u00f3prio minist\u00e9rio teria contabilizado car\u00eancia de enfermeiros nos servi\u00e7os do SNS. Como justifica esta quest\u00e3o?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Naturalmente haver\u00e1 aqui f\u00f3rmulas e contabilidades que poder\u00e3o n\u00e3o estar com r\u00e1cios e realidades actualizados, no fundo s\u00e3o pressupostos. Penso que esta situa\u00e7\u00e3o merece um estudo mais aprofundado por parte do Minist\u00e9rio, porque no fundo os r\u00e1cios de enfermagem s\u00e3o feitos por graus de depend\u00eancia dos doentes. Esses s\u00e3o feitos por servi\u00e7o e por n\u00famero de camas do servi\u00e7o. Ora, o n\u00famero de camas \u00e9 muito vari\u00e1vel e hoje n\u00e3o pode ser o \u00fanico valor a ser considerado, at\u00e9 porque cada vez mais fazemos processos de hospital de dia ou \u00e1reas de ambulat\u00f3rio. Portanto tudo isto tem que ser repensado e formulado de outro modo.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 servi\u00e7os que poder\u00e3o ter um n\u00famero de enfermeiros inferior ao que poderia ser aconselh\u00e1vel, mas h\u00e1 muitos servi\u00e7os que ultrapassam os r\u00e1cios aconselh\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o os enfermeiros directores que est\u00e3o nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o, quem deve definir o n\u00famero de enfermeiros precisos para os seus servi\u00e7os e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">A reforma dos Cuidados de Sa\u00fade Prim\u00e1rios (CSP) j\u00e1 foi apelidada \u201ca mais importante reforma social da actualidade em Portugal\u201d. No entanto, denota-se algum atraso, j\u00e1 que os Agrupamentos de Centros de Sa\u00fade (Aces) deveriam estar no terreno at\u00e9 ao final do Ver\u00e3o. J\u00e1 iniciaram os convites para os lugares de direc\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p align=\"justify\">(risos) Ainda n\u00e3o foram formalizados convites. \u00c9 evidente que h\u00e1 todo um processo de identifica\u00e7\u00e3o de profissionais que possam assumir esses lugares, por terem dado provas das suas compet\u00eancias e isso tem vindo a ser feito.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os Aces, do ponto de vista geogr\u00e1fico, j\u00e1 est\u00e3o definidos. H\u00e1 apenas pequenos acertos na zona Centro.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">Os Aces n\u00e3o ter\u00e3o autonomia financeira. Esse aspecto foi retirado do diploma\u2026<\/h4>\n<p align=\"justify\">Foi, permanece na administra\u00e7\u00e3o regional de sa\u00fade (ARS). Mas os Aces t\u00eam fun\u00e7\u00f5es delegadas. Por exemplo, o processo de contratualiza\u00e7\u00e3o com os centros de sa\u00fade e com as USF, a partir do momento em que o plano est\u00e1 aprovado, faz parte do Or\u00e7amento da ARS e tem de ser assumido como tal. Esta \u00e9 a grande diferen\u00e7a. As unidades passam a ter um contrato-programa efectivo, uma carteira de servi\u00e7os para cumprir, para o qual existe financiamento, enquanto antes era um pouco pedag\u00f3gico. A equipa ser\u00e1 responsabilizada pelo seu cumprimento e poder\u00e1 ser penalizada, nomeadamente no vencimento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s USF, o n\u00famero de candidaturas ultrapassou as 180 e est\u00e3o j\u00e1 141 em funcionamento, muito perto da meta assumida pela tutela at\u00e9 ao final do ano. Fica-se, no entanto, com a ideia que os que eram favor\u00e1veis \u00e0 transi\u00e7\u00e3o j\u00e1 o fizeram e os restantes (a grande maioria, mais de 3.500 cl\u00ednicos) est\u00e3o reticentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a\u2026<\/p>\n<p align=\"justify\">Muitos profissionais dos centros de sa\u00fade j\u00e1 trabalhavam nos moldes das USF, mas n\u00e3o s\u00e3o formalmente USF porque se encontram no interior, em zonas menos populosas e n\u00e3o disp\u00f5em de um n\u00famero suficiente de profissionais para se candidatar. Para os centros de sa\u00fade tradicionais, tem de haver um modelo diferente que possa reconhecer o trabalho que t\u00eam vindo a fazer.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">Est\u00e1 a dizer que \u00e9 preciso converter os centros de sa\u00fade tradicionais num modelo id\u00eantico ao das USF?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Exacto. Ap\u00f3s termos conseguido mais de 150 USF \u00e9 altura de dedicar tempo aos centros de sa\u00fade tradicionais. Vamos cham\u00e1-los e ver como podem ser integrados na reforma, mantendo a sua pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">A sustentabilidade do SNS \u00e9 um problema a curto prazo. \u00c9 sabido que entrar\u00e1 em ruptura por falta de verba dentro de alguns anos\u2026<\/h4>\n<p align=\"justify\">O problema do SNS n\u00e3o \u00e9 dinheiro, \u00e9 organiza\u00e7\u00e3o e boa gest\u00e3o. Temos de ter capacidade de gerir bem e tratar os doentes com aquilo de que necessitam.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 preciso que existam orienta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, que se prescreva apenas o que \u00e9 necess\u00e1rio e n\u00e3o ir atr\u00e1s da \u00faltima moda nem do que \u201cnos vendem\u201d como o melhor. \u00c9 preciso que haja um combate muito rigoroso ao desperd\u00edcio e quem anda nos servi\u00e7os sabe que ele existe. \u00c9 preciso apagar a luz do servi\u00e7o quando ela n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, e isso n\u00e3o \u00e9 feito.<\/p>\n<p align=\"justify\">Houve um estudo de sustentabilidade feito pela equipa anterior que apontou que mesmo os servi\u00e7os melhor geridos ainda tinham condi\u00e7\u00f5es para melhorar o desperd\u00edcio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O rigor nas contas da Sa\u00fade, a mudan\u00e7a da gest\u00e3o dos hospitais para EPE tem vindo a melhorar a efici\u00eancia do SNS, o que permitiu que n\u00e3o tenhamos tido nos \u00faltimos anos or\u00e7amentos rectificativos, que era uma pr\u00e1tica de sempre.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">D\u00ea-nos alguns exemplos de inefici\u00eancia nos servi\u00e7os\u2026<\/h4>\n<p align=\"justify\">A prescri\u00e7\u00e3o de alguns medicamentos, nomeadamente antibi\u00f3ticos, tem de ser muito rigorosa. N\u00e3o s\u00f3 porque se trata de medicamentos caros, mas porque se corre o risco de criar resist\u00eancias aos antibi\u00f3ticos. O uso de alguns antibi\u00f3ticos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, quando existem f\u00e1rmacos mais simples e baratos, \u00e9 grav\u00edssimo para o SNS.<\/p>\n<p align=\"justify\">A prescri\u00e7\u00e3o de determinadas subst\u00e2ncias de marca muito dispendiosas, quando existe gen\u00e9rico, \u00e9 outro exemplo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">O financiamento do SNS dever\u00e1 manter-se exclusivamente por via dos impostos?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Qual \u00e9 a outra hip\u00f3tese? Seguros de sa\u00fade? Quem quer ter um seguro de sa\u00fade \u00e9 livre de o fazer, mas a popula\u00e7\u00e3o em geral deste pa\u00eds n\u00e3o tem capacidade para pagar um seguro de sa\u00fade que lhe permita ter servi\u00e7os de sa\u00fade quando precisa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se se descapitalizar o SNS, corre-se o risco de ter um servi\u00e7o nacional dos pobres e, portanto, n\u00e3o ter capacidade de desenvolvimento para tratar esses mesmos pobres, e os ricos que t\u00eam situa\u00e7\u00f5es graves que n\u00e3o s\u00e3o tratadas pelos seguros.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">O mapa das Urg\u00eancias j\u00e1 est\u00e1 completamente operacional?<\/h4>\n<p align=\"justify\">O mapa das urg\u00eancias tem vindo a ser paulatinamente afinado e implementado o que faltava.<\/p>\n<p align=\"justify\">Temos vindo a abrir urg\u00eancias b\u00e1sicas, \u00e0 medida que se v\u00e3o organizando. A mais recente abertura foi em Mon\u00e7\u00e3o. Nesse local, as obras v\u00e3o durar cerca de um ano e como v\u00e3o levar tempo montaram-se contentores para a urg\u00eancia. S\u00e3o contentores excelentes com ar condicionado. A urg\u00eancia do Hospital de S. Jo\u00e3o, no Porto, tem vivido com contentores, funciona muito bem, de tal maneira que \u00e9 muito melhor estar no contentor do que na urg\u00eancia velha, quer para os profissionais e para os utentes que tinham uma boa sala de espera, boas condi\u00e7\u00f5es de isolamento e privacidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Algumas urg\u00eancias b\u00e1sicas de que falei est\u00e3o a abrir em hospitais de n\u00edvel 1, outras em centros de sa\u00fade, mas a presta\u00e7\u00e3o de cuidados \u00e9 id\u00eantica.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">E nas urg\u00eancias m\u00e9dico-cir\u00fargicas\u2026<\/h4>\n<p align=\"justify\">Nessas unidades que funcionam habitualmente em hospitais distritais, a Triagem de Manchester, por exemplo, que pode ser uma grande melhoria no atendimento dos doentes. Isso \u00e9 feito tamb\u00e9m nas urg\u00eancias b\u00e1sicas, de modo a que o doente espere de acordo com a sua gravidade, ou n\u00e3o espere e entre imediatamente. Temos feito forma\u00e7\u00e3o dos profissionais em triagem e obras em in\u00fameros servi\u00e7os de urg\u00eancia para que as condi\u00e7\u00f5es de atendimento dos utentes sejam melhores.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">A reestrutura\u00e7\u00e3o das urg\u00eancias est\u00e1, ent\u00e3o, a avan\u00e7ar, ainda que a comunica\u00e7\u00e3o social fale pouco dela\u2026<\/h4>\n<p align=\"justify\">Exacto. Temos vindo a refor\u00e7ar a liga\u00e7\u00e3o com os bombeiros e o INEM em determinados locais, de modo a melhorar o socorro \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 acordos estabelecidos em dois ou tr\u00eas locais, em zonas do interior, em que est\u00e1 a funcionar muito bem. As ambul\u00e2ncias t\u00eam melhorado muito a capacidade de socorro \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">\u00c9 isso que tem feito com que n\u00e3o se tenha visto contesta\u00e7\u00e3o popular, apesar da reestrutura\u00e7\u00e3o estar em marcha\u2026<\/h4>\n<p align=\"justify\">Provavelmente.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">Os encerramentos que estavam previstos n\u00e3o deixaram nem deixar\u00e3o, ent\u00e3o, de ser feitos\u2026<\/h4>\n<p align=\"justify\">T\u00eam vindo a ser feitos, lentamente e discutindo com as pessoas. Nunca nenhum encerramento tem sido feito sem sentar todas as pessoas \u00e0 volta da mesa e dizer j\u00e1 est\u00e1 c\u00e1 isto, est\u00e1 a funcionar. O que se tem criado \u00e9 aquilo que \u00e9 preciso para o local.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os encerramentos que houve foram encerramentos nocturnos que n\u00e3o eram necess\u00e1rios do ponto de vista pr\u00e1tico e te\u00f3rico, mas em que a popula\u00e7\u00e3o tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que lhes era importante e isso percebe-se. Tenho que garantir que se ela precisar de atendimento tem quem o fa\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">A senhora ministra foi a primeira governante da Sa\u00fade dos \u00faltimos tempos a assumir que existe falta de m\u00e9dicos em Portugal e, sobretudo, que \u00e9 preciso encontrar formas de fixar os m\u00e9dicos no SNS\u2026 Em termos concretos, como pretende faz\u00ea-lo?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Talvez no todo nacional, o r\u00e1cio de m\u00e9dicos face \u00e0 nossa popula\u00e7\u00e3o poder\u00edamos dizer eventualmente que ter\u00edamos um r\u00e1cio suficiente. H\u00e1 \u00e9 uma grande assimetria na distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos m\u00e9dicos e uma grande car\u00eancia em algumas especialidades, como a Medicina Geral de Familiar e algumas especialidades generalistas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro problema \u00e9 que os cuidados de sa\u00fade em Portugal est\u00e3o muito centralizados na pessoa do m\u00e9dico, na necessidade do recurso ao m\u00e9dico e \u00e0 consulta m\u00e9dica. Temos de ter equipas de sa\u00fade multidisciplinares, com m\u00e9dicos e outros profissionais, para que possa haver uma presta\u00e7\u00e3o de cuidados integrada, em que o papel do m\u00e9dico \u00e9 central mas em que muitos cuidados podem ser feitos por outros elementos desta equipa alargada. Obviamente n\u00e3o estamos a falar de diagn\u00f3stico e de prescri\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, mas em cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">Est\u00e1 dispon\u00edvel para continuar \u00e0 frente da Pasta da Sa\u00fade ap\u00f3s das elei\u00e7\u00f5es legislativas do pr\u00f3ximo ano?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Sei l\u00e1 (risos)! Falta um ano, n\u00e3o sei o que me vai acontecer este ano.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">Que compromissos\/bandeiras gostaria que o PS assumisse para estas elei\u00e7\u00f5es, no que diz respeito \u00e0 Sa\u00fade?<\/h4>\n<p align=\"justify\">Toda a gente que me conhece sabe que sou uma defensora ac\u00e9rrima do servi\u00e7o p\u00fablico. Sou m\u00e9dica e sempre trabalhei no SNS em dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. Tive uma experi\u00eancia no privado, de dois a tr\u00eas anos no m\u00e1ximo. E trabalho exclusivamente no SNS por op\u00e7\u00e3o porque acredito que o servi\u00e7o p\u00fablico tem que ter profissionais dedicados que permitam garantir cuidados de sa\u00fade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, como determina a Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"right\"><strong>Entrevista em parceria com revista especializada SEMANA M\u00c9DICA<\/strong>\n<\/p>\n<p align=\"right\">\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 servi\u00e7os que poder\u00e3o ter um n\u00famero de enfermeiros inferior ao que poderia ser aconselh\u00e1vel, mas h\u00e1 muitos servi\u00e7os que ultrapassam os r\u00e1cios aconselh\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":977,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[562,564,323,563,561],"class_list":["post-979","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-carreira-de-enfermagem","tag-ministerio","tag-racios","tag-revisao","tag-urgencias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/979","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=979"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/979\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2638,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/979\/revisions\/2638"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}