{"id":952,"date":"2008-09-04T09:22:48","date_gmt":"2008-09-04T09:22:48","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ansiedade-no-doente-cirurgico\/"},"modified":"2021-04-28T15:47:00","modified_gmt":"2021-04-28T15:47:00","slug":"ansiedade-no-doente-cirurgico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ansiedade-no-doente-cirurgico\/","title":{"rendered":"Ansiedade no Doente Cir\u00fargico"},"content":{"rendered":"<p>A explica\u00e7\u00e3o das rotinas do servi\u00e7o e dos procedimentos que envolvem a cirurgia, n\u00e3o deve de modo algum ser descurada, pois serve para eliminar o medo do desconhecido.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\"><strong>V\u00edtor Ant\u00f3nio Soares Santos <\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeiro do Bloco Operat\u00f3rio do Hospital S\u00e3o Pedro Gon\u00e7alves Telmo<\/p>\n<p align=\"justify\">Formador na \u00e1rea da enfermagem Perioperat\u00f3ria na FORMASAU , Forma\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade Lda.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Actualmente ningu\u00e9m coloca em quest\u00e3o, que interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica \u00e9 uma experi\u00eancia geradora de ansiedade para o utente, tanto a n\u00edvel psicol\u00f3gico, como fisiol\u00f3gico, na medida em que o utente tem pouco controlo sobre a situa\u00e7\u00e3o. Esta ansiedade \u00e9 vari\u00e1vel de utente para utente e s\u00e3o v\u00e1rios os factores que est\u00e3o na sua origem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, s\u00e3o frequentes os sentimentos relacionados com a ansiedade, medo do desconhecido e impot\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Ansiedade<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">De acordo com KAPLAN, SADOCK e GREBB (1997:545), a ansiedade \u00e9 \u201c\u2026uma viv\u00eancia comum de virtualmente qualquer ser humano.\u201d, \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o que se caracteriza por \u201c\u2026um sentimento difuso desagrad\u00e1vel e vago de apreens\u00e3o, frequentemente, acompanhado por sintomas auton\u00f3micos como cefaleia, perspira\u00e7\u00e3o, palpita\u00e7\u00f5es, (\u2026) inquieta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta defini\u00e7\u00e3o est\u00e1 de acordo com STUART e LARAIA (2001:306), que afirmam tratar-se de \u201c\u2026uma emo\u00e7\u00e3o e uma experi\u00eancia individual subjectiva.\u201d De acordo com estes mesmos autores o termo ansiedade, deriva da palavra latina \u201cangere\u201d, que significa \u201cestrangular\u201d e \u201ccausar sofrimento\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">DAVIDOFF (1983:440), por seu lado surge com o conceito de ansiedade como \u201c\u2026 uma emo\u00e7\u00e3o caracterizada por sentimentos de previs\u00e3o de perigo, tens\u00e3o e afli\u00e7\u00e3o e pela vigil\u00e2ncia do sistema nervoso simp\u00e1tico.\u201d Esta defini\u00e7\u00e3o lembra-nos a parte fisiol\u00f3gica da ansiedade, o stress. De acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:130), \u201ca ansiedade \u00e9 uma reac\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica a factores de stress, com componentes fisiol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta ideia \u00e9 refor\u00e7ada por NEEB (1997:185), que afirma \u201co stress provoca ansiedade\u201d, este na maioria dos casos \u00e9 associado a situa\u00e7\u00f5es negativas, embora as coisas positivas da vida tamb\u00e9m produzam stress. De acordo com a mesma autora, \u201ceste stress resultante de experi\u00eancias positivas \u00e9 denominado de eustress.\u201d (NEEB, 1997:185), este eustress pode produzir tanta ansiedade quanto os factores de stress negativos.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:122), \u201ca reac\u00e7\u00e3o ao stress inclui componentes de car\u00e1cter intelectual, comportamental e emocional, como actos de tomada de decis\u00e3o, recusa e raiva, bem como componentes fisiol\u00f3gicas.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Fisiologia da Ansiedade<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">As componentes fisiol\u00f3gicas e suas secre\u00e7\u00f5es, as hormonas e catecolaminas, s\u00e3o respons\u00e1veis pela resposta neuroend\u00f3crina aos factores de stress. Segundo CASSMEYER e MARANTIDES (2003:122), \u201co hipot\u00e1lamo estimula a hip\u00f3fise anterior, libertando hormonas\u2026\u201d, que v\u00e3o estimular a liberta\u00e7\u00e3o de catecolaminas, cortisol, aldosterona e hormona antidiur\u00e9tica. A adrenalina e a noradrenalina, s\u00e3o catecolaminas associadas \u00e0 excita\u00e7\u00e3o dos receptores \u03b1 e \u03b2 adren\u00e9rgicos. A estimula\u00e7\u00e3o destes receptores influencia, por exemplo o aumento da actividade card\u00edaca e a broncodilata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 o cortisol \u00e9 libertado pelo c\u00f3rtex supra-renal, sob controlo hormonal, e de acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:124), \u201ctem os seus efeitos principais no metabolismo da glucose, no metabolismo proteico e lipidico e no equil\u00edbrio hidroelectrolitico; tem tamb\u00e9m efeitos anti-inflamat\u00f3rios e imunossupressores.\u201d Segundo as mesmas autoras, o cortisol aumenta tamb\u00e9m os efeitos de outras hormonas e catecolaminas na manuten\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito card\u00edaco e da press\u00e3o arterial. CASSMEYER e MARANTIDES (2003:124), voltam a refor\u00e7ar esta ideia, explicando que:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO efeito do cortisol no metabolismo, nos l\u00edquidos e nos electr\u00f3litos, para al\u00e9m da sua ac\u00e7\u00e3o permissiva noutras hormonas, parece l\u00f3gico como reac\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades do organismo em presen\u00e7a de factores de stress. No entanto, os efeitos anti-inflamat\u00f3rios e imunossupressores parecem il\u00f3gicos, na medida em que poder\u00e3o ser mais nocivos do que \u00fateis.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Por seu lado a aldosterona \u00e9 libertada no c\u00f3rtex supra-renal, e vai provocar a reabsor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e s\u00f3dio, e a excre\u00e7\u00e3o de pot\u00e1ssio e i\u00f5es de hidrog\u00e9nio. Segundo CASSMEYER e MARANTIDES (2003:124), este efeito fisiol\u00f3gico tem como fim, \u201c\u2026 manter o volume vascular e a press\u00e3o arterial.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Quanto \u00e0 hormona antidiur\u00e9tica, tamb\u00e9m conhecida como vasopressina, esta \u00e9 libertada pela hip\u00f3fise posterior, ap\u00f3s estimula\u00e7\u00e3o do hipot\u00e1lamo. Esta hormona tamb\u00e9m actua nos tubulos distais e canais colectores renais, provocando reabsor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, embora \u201cem concentra\u00e7\u00e3o elevada, pode resultar em vasoconstri\u00e7\u00e3o das arteriolas e pode ajudar a aumentar a press\u00e3o arterial.\u201d (CASSMEYER e MARANTIDES, 2003:126).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Ansiedade vs Medo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A ansiedade e o medo s\u00e3o dois conceitos distintos. De acordo com CASSMEYER e MARANTIDES (2003:130), \u201ca ansiedade \u00e9 um sentimento de apreens\u00e3o ou desconforto, com origem n\u00e3o reconhecida.\u201d, que difere do medo, na medida em que este \u201c\u00e9 um sentimento de apreens\u00e3o focalizado numa fonte reconhecida.\u201d O objecto do medo \u00e9 f\u00e1cil de especificar, enquanto que o objecto da ansiedade n\u00e3o \u00e9 claro, tal como refere KAPLAN, SADOCK e GREBB (1997:545), \u201ca ansiedade \u00e9 uma resposta a uma amea\u00e7a desconhecida, interna, vaga ou de origem conflituosa.\u201d Por seu lado DAVIDOFF (1983:441), acrescenta que em termos de intensidade, a intensidade do medo \u00e9 proporcional \u00e0 magnitude do perigo, enquanto que na ansiedade, a sua intensidade \u201c\u2026tem a probabilidade de ser maior do que o medo objectivo (se for conhecido).\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Intensidade da Ansiedade<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">No que concerne \u00e0 intensidade da ansiedade, PEPLAU, citado por STUART e LARAIA (2001:306,307), identificou 4 n\u00edveis de ansiedade:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">\u201cA ansiedade leve est\u00e1 associada com a tens\u00e3o da vida quotidiana. Durante esse est\u00e1gio o indiv\u00edduo est\u00e1 alerta e o campo de percep\u00e7\u00e3o aumentado. A pessoa v\u00ea ouve e apreende mais que antes.(\u2026)<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">A ansiedade moderada, na qual o indiv\u00edduo concentra-se apenas em suas preocupa\u00e7\u00f5es imediatas, envolve o estreitamento do campo de percep\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a pessoa v\u00ea, escuta e apreende menos. (\u2026)<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">A ansiedade intensa \u00e9 marcada por uma redu\u00e7\u00e3o significativa no campo da percep\u00e7\u00e3o. O indiv\u00edduo tende a focalizar um detalhe espec\u00edfico e a n\u00e3o pensar em qualquer outra coisa. (\u2026)<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">O p\u00e2nico est\u00e1 associado com perplexidade, temor e terror. (\u2026) O indiv\u00edduo n\u00e3o consegue funcionar mais como um ser humano organizado. (\u2026) A pessoa em p\u00e2nico \u00e9 incapaz de comunicar ou de funcionar efectivamente. Esse n\u00edvel de p\u00e2nico n\u00e3o pode persistir indefinidamente, pois \u00e9 incompat\u00edvel com a vida.\u201d<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Assim, facilmente se depreende que podemos ir desde um estadio que pode motivar aprendizagem e produzir desenvolvimento (ansiedade leve), passando por outro estadio em que o ind\u00edviduo se abst\u00e9m de determinados aspectos e foca-se num aspecto em particular (ansiedade moderada), passando por outro em que se direcciona toda a aten\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o para o alivio da ansiedade, com grande diminui\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o (ansiedade intensa) e eventualmente atingir um estadio extremo em que exista maior actividade motora, menor capacidade de se relacionar com os outros, percep\u00e7\u00f5es distorcidas e perda do pensamento racional (p\u00e2nico).<\/p>\n<p align=\"justify\">A ansiedade pode tamb\u00e9m afectar a aprendizagem, pois, de acordo com DAVIDOFF (1983:444), \u201cem termos do nosso modelo de mem\u00f3ria (\u2026), a ansiedade pode influenciar a codifica\u00e7\u00e3o, armazenamento e\/ou recupera\u00e7\u00e3o.\u201d De acordo com a mesma autora, as pessoas ansiosas podem sentir problemas de codifica\u00e7\u00e3o que interferem na coloca\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Causas da Ansiedade<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Na g\u00e9nese da ansiedade, est\u00e3o v\u00e1rios factores. FREUD citado por DAVIDOFF (1983:442), refere dois grupos de factores desencadeantes do estado ansioso: \u201c\u2026 perigos do mundo real e (\u2026) previs\u00e3o de puni\u00e7\u00e3o por expressar impulsos sexuais agressivos ou outras formas proibidas (\u2026) comportamento imoral.\u201d No primeiro grupo temos, o facto da ansiedade ser causada por situa\u00e7\u00f5es reais que levam ao sofrimento f\u00edsico, enquanto que no segundo grupo a ansiedade \u00e9 causada por cogni\u00e7\u00f5es. De acordo com DAVIDOFF (1983:442), \u201c\u2026tanto os conflitos cognitivos, como as situa\u00e7\u00f5es potencialmente perigosas parecem capazes de excitar ansiedade.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Cirurgia como causa de Ansiedade<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Mesmo que para os profissionais de sa\u00fade, algumas interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas sejam consideradas como pouco complexas, a cirurgia \u00e9 sempre um processo marcante para o utente e fam\u00edlia. De acordo com LONG (1999:456), \u201ca cirurgia \u00e9 um desencadeador de stress, tanto psicol\u00f3gico (\u2026) como fisiol\u00f3gico (\u2026).\u201d Assim a cirurgia \u00e9 portanto, uma amea\u00e7a potencial ou mesmo real para a integridade corporal do indiv\u00edduo, enquadrando-se perfeitamente no grupo dos factores desencadeantes de stress, do mundo real.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com NETO e NETO (1995:63), como factores geradores de stress pr\u00e9-operat\u00f3rio mais comuns, temos o modo como o doente \u00e9 admitido, a mudan\u00e7a de estatuto, o conceito de anestesia\/interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica e a rotura com o quotidiano. Como outros factores, que produzem stress tanto no doente cir\u00fargico, como no doente do foro m\u00e9dico em contexto hospitalar, temos a perda da independ\u00eancia, a presen\u00e7a de circunst\u00e2ncias n\u00e3o familiares, separa\u00e7\u00e3o do conjugue, problemas econ\u00f3micos, isolamento de outras pessoas, separa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, falta de informa\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a de doen\u00e7a grave.<\/p>\n<p align=\"justify\">No que concerne ao modo de admiss\u00e3o, \u00e9 determinante \u201c\u2026a familiariza\u00e7\u00e3o com o hospital, com o servi\u00e7o onde ir\u00e1 ficar internado, com o cirurgi\u00e3o que o ir\u00e1 operar, com a equipe de enfermagem que o vai cuidar.\u201d (NETO e NETO, 1995:63). De modo a minimizar o desencadeamento de stress, o doente tamb\u00e9m dever\u00e1 ficar ao corrente da sua situa\u00e7\u00e3o e de como ir\u00e1 decorrer a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. Deve-se ter em conta, que apesar de toda a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, h\u00e1 sempre uma certa ansiedade, quanto mais n\u00e3o seja, relacionada com a entrada num meio novo e desconhecido. Assim a mudan\u00e7a de estatuto, provocada pela hospitaliza\u00e7\u00e3o, faz com que a pessoa se sinta doente mesmo que n\u00e3o esteja. De acordo com NETO e NETO (1995:64), trata-se de \u201c\u2026um fen\u00f3meno pr\u00f3prio do meio hospitalar, onde o conceito de doente predomina.\u201d Assim \u00e9 induzido um comportamento de estar doente, com todas as suas implica\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas. A hospitaliza\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a de estatuto, v\u00e3o originar por sua vez a rotura com o quotidiano, pois de acordo com NETO e NETO (1995:65), \u201cA vida familiar, o trabalho, os projectos, o ritmo de vida, as actividades de lazer\u2026todas as refer\u00eancias que organizam a vida quotidiana ficam \u00e0 porta do hospital.\u201d De facto um novo ritmo \u00e9 imposto ao utente, que inclui novo hor\u00e1rio para despertar, novo hor\u00e1rio de refei\u00e7\u00f5es e uma s\u00e9rie de novas normas para cumprir. A inactividade for\u00e7ada e a depend\u00eancia verificada em algumas situa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o duramente ressentidas pela maioria dos utentes, o que se justifica pelo facto da sociedade atribuir ao trabalho um valor essencial. Ainda que o seu peso seja relativo nesta mat\u00e9ria, \u201cAs visitas s\u00e3o um aspecto importante, pois com a sua presen\u00e7a podem ser compartilhadas as preocupa\u00e7\u00f5es e as inquieta\u00e7\u00f5es.\u201d (NETO e NETO, 1995:65). Assim, deste modo, o utente apesar de se encontrar internado, pode ter acesso a uma pequena parte do seu quotidiano.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por seu lado, tanto a anestesia como a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica s\u00e3o factores geradores de ansiedade\/stress. De acordo com NETO e NETO (1995:64), \u201ca anestesia, provocando a perda de consci\u00eancia, na maior parte dos doentes poder\u00e1 significar meio caminho andado para a morte.\u201d A interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica causa inquietude, n\u00e3o por si pr\u00f3pria, mas pelo mist\u00e9rio que envolve a sala de opera\u00e7\u00f5es. Segundo NETO e NETO (1995:65), a sala de opera\u00e7\u00f5es \u00e9 um meio misterioso, \u201c\u2026por ser o local onde se exerce um poder, \u2013 o poder sobre a vida e sobre a morte.\u201d Esta percep\u00e7\u00e3o de anestesia e cirurgia, varia, de acordo com as eventuais experi\u00eancias anteriores, sejam elas positivas ou negativas, dos utentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Papel do Enfermeiro<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">\u00c9 fundamental que o Enfermeiro desenvolva a sua actividade no sentido de reduzir a ansiedade do utente, tendo como pedra angular de todo o processo as seguintes premissas:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Abordagem calma, simples e concisa da situa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Proporcionar um ambiente calmo<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Promover a an\u00e1lise de sentimentos<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Promover a utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos de coping, que ajudem a diminuir a intensidade da ansiedade para n\u00edveis que proporcionem ao utente um maior controlo sobre a situa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Este trabalho pode ser desenvolvido na admiss\u00e3o do utente e durante o seu internamento, se for o caso, assim como durante a Visita Pr\u00e9-Operat\u00f3ria de Enfermagem, que assume grande import\u00e2ncia na medida em que vai ser nesta ocasi\u00e3o que o utente vai ter o primeiro contacto com o Bloco Operat\u00f3rio, nomeadamente com os Enfermeiros deste servi\u00e7o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, \u00e9 portanto fundamental, que na admiss\u00e3o, o doente seja abordado calmamente, procurando perceber que representa\u00e7\u00f5es \u00e9 que este tem acerca da situa\u00e7\u00e3o e esclarecer eventuais d\u00favidas. \u00c9 importante que o doente sinta algum controlo sobre a situa\u00e7\u00e3o, sendo que uma forma simples de lhe transmitir essa sensa\u00e7\u00e3o, passa por exemplo, por apresentar o servi\u00e7o de internamento (estrutura fisica, pessoal). A explica\u00e7\u00e3o das rotinas do servi\u00e7o e dos procedimentos que envolvem a cirurgia, n\u00e3o deve de modo algum ser descurada, pois serve para eliminar o medo do desconhecido. Mas o cuidar n\u00e3o \u00e9 feito apenas de transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Durante todo este processo, \u00e9 fundamental escutar o doente atenta e pacientemente, assim como fazer uso do toque, no sentido de comunicar atrav\u00e9s do contacto t\u00e1ctil, transmitindo a seguran\u00e7a que por vezes as palavras n\u00e3o conseguem transmitir. Por \u00faltimo, n\u00e3o devemos esquecer o papel da fam\u00edlia em todo o processo, que deve ser incluida desde o inicio nos ensinos e utilizada como recurso, no refor\u00e7o dos mecanismos de coping do doente.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A hospitaliza\u00e7\u00e3o, implica uma mudan\u00e7a de estatuto, para o individuo, particularmente quando o seu estado de sa\u00fade \u00e9 grave, ou envolve um procedimento invasivo, como a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. O desconhecimento acerca do que o espera, potencia bastante a intensidade da ansiedade experimentada pelo utente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Qualquer um de n\u00f3s pode ter de ser submetido a uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, sendo que \u00e9 certo o aumento da intensidade da ansiedade, independentemente do suporte e representa\u00e7\u00f5es que tenhamos acerca do acontecimento cir\u00fargico. Os Enfermeiros, devem portanto incluir a psicologia e a espiritualidade na abordagem ao utente e suas fam\u00edlias, de modo a proporcionarem cuidados verdadeiramente holisticos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Bibliografia\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>CASSMEYER, V.; MARANTIDES, D.- \u201cStress, Factores de Stress e Gest\u00e3o do Stress\u201d, In: PHIPPS, W. et al \u2013 Enfermagem M\u00e9dico-Cir\u00fargica: Conceitos e Pr\u00e1tica cl\u00ednica. 6\u00aa ed., Loures, Lusoci\u00eancia, 2003, ISBN: 972-8383-65-7<\/li>\n<li>DAVIDOFF, L. L.- \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Psicologia\u201d, S\u00e3o Paulo, Mc Graw-Hill, 1983.<\/li>\n<li>KAPLAN, H.; SADOCK, B.; GREBB, J.- \u201cComp\u00eandio de Psiquiatria: Ci\u00eancias do comportamento e Psiquiatria\u201d, Porto Alegre, Artes M\u00e9dicas, 1997\u00a0 ISBN: 85 \u2013 7307 \u2013 211 &#8211; 3<\/li>\n<li>LONG, B. \u2013 \u201cEnfermagem Pr\u00e9-Operat\u00f3ria\u201d, In: PHIPPS, W. et al \u2013 Enfermagem M\u00e9dico-Cir\u00fargica: Conceitos e Pr\u00e1tica cl\u00ednica. 4\u00aa ed., Lisboa, Lusodidacta, 1999\u00a0 ISBN: 972-96610-0-6<\/li>\n<li>NEEB, K.\u2013 \u201cFundamentos de Enfermagem de Sa\u00fade Mental\u201d, Loures, Lusoci\u00eancia, 1997\u00a0 ISBN: 972-8383-14-2<\/li>\n<li>NETO, H.; NETO, A.- \u201cFactores Geradores de Stress Pr\u00e9-operat\u00f3rio\u201d, in Servir, Lisboa, vol. 43, n\u00ba 2, Mar\u00e7o\/Abril, 1995<\/li>\n<li>STUART, G.; LARAIA, M.\u2013 \u201cEnfermagem Psiqui\u00e1trica: Princ\u00edpios e Pr\u00e1tica\u201d, 6\u00aa ed., Porto Alegre, Artmed Editora, 2001 ISBN: 0-8151-2603-4<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A explica\u00e7\u00e3o das rotinas do servi\u00e7o e dos procedimentos que envolvem a cirurgia, n\u00e3o deve de modo algum ser descurada, pois serve para eliminar o medo do desconhecido.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[120,547,78,123,548],"class_list":["post-952","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-anestesia","tag-ansiedade","tag-cirurgia","tag-doente-cirurgico","tag-medo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=952"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2438,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/952\/revisions\/2438"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}