{"id":931,"date":"2008-09-04T09:07:17","date_gmt":"2008-09-04T09:07:17","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/a-complexidade-dos-cuidados-de-enfermagem-na-comunidade\/"},"modified":"2021-05-04T09:47:34","modified_gmt":"2021-05-04T09:47:34","slug":"a-complexidade-dos-cuidados-de-enfermagem-na-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/a-complexidade-dos-cuidados-de-enfermagem-na-comunidade\/","title":{"rendered":"A Complexidade dos Cuidados de Enfermagem na Comunidade"},"content":{"rendered":"<p>O processo de enfermagem \u00e9 um elemento fundamental que orienta a pr\u00e1tica dos cuidados de enfermagem ao cliente\/fam\u00edlia, de forma a assisti-lo no desempenho de actividades que contribuam para promover, proteger e recuperar a sa\u00fade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>Sinais Vitais n\u00ba 51<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Carmen Gaud\u00eancio<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0(Enfermeira \u2013 Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa)<\/p>\n<p align=\"justify\">Matilde Santos<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0(Enfermeira \u2013 ARS de Lisboa e Vale do Tejo)<\/p>\n<p align=\"justify\">Gra\u00e7a Moraes Rocha<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0(Enfermeira Docente \u2013 Escola Superior de Enfermagem da Cruz Vermelha Portuguesa)\n<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>PALAVRAS-CHAVE :\u00a0<\/strong>Comunidade; Cliente\/Fam\u00edlia; Ensino; Processo de Enfermagem<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O processo de enfermagem \u00e9 um elemento fundamental que orienta a pr\u00e1tica dos cuidados de enfermagem ao cliente\/fam\u00edlia, de forma a assisti-lo no desempenho de actividades que contribuam para promover, proteger e recuperar a sa\u00fade. Neste contexto, apresentamos um processo de enfermagem de uma fam\u00edlia cuidada em experi\u00eancia cl\u00ednica, com o objectivo de melhor compreender a import\u00e2ncia do enfermeiro de fam\u00edlia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>NOTA PR\u00c9VIA<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">&#8221; A did\u00e1ctica dos cuidados de enfermagem tem um papel fundamental no processo de forma\u00e7\u00e3o pelo que os estudantes necessitam de orientadores que estejam comprometidos com o Cuidar, onde os papeis que lhe est\u00e3o inerentes s\u00e3o os de inspirar nos estudantes de enfermagem uma atitude cuidativa e o prazer de aprender.\u201d (Rosa Carvalhal, p.XI, 2002)\n<\/p>\n<p align=\"justify\">Este trabalho surge no contexto do Ano Complementar de Forma\u00e7\u00e3o em Enfermagem, na fase de pr\u00e1tica correspondente ao Ensino Cl\u00ednico, realizado no ano de 2002.<\/p>\n<p align=\"justify\">Integrada numa Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC)\u00a0 de um Centro de Sa\u00fade da \u00e1rea de Lisboa, realizei um trabalho na comunidade, desenvolvido em parceria com a enfermeira docente da Escola Superior de Enfermagem da Cruz Vermelha Portuguesa e enfermeira orientadora do Centro de Sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Acreditando que os saberes e compet\u00eancias desenvolvidos s\u00e3o fundamentais numa forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida, pretende-se com o presente artigo transmitir a envolvente complexa dos cuidados na comunidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A pr\u00e1tica dos cuidados no \u00e2mbito da sa\u00fade comunit\u00e1ria pretende convergir para o caminhar de um profissional que \u00e9 capaz de justificar as suas decis\u00f5es e assumir responsabilidades, gra\u00e7as aos seus conhecimentos e compet\u00eancias humanas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sendo\u00a0 o enfermeiro de fam\u00edlia aquele que tem como responsabilidade cuidar de um grupo de fam\u00edlias, devendo trabalhar em conjunto com estas para manter e\/ou melhorar o equil\u00edbrio a n\u00edvel de sa\u00fade, ajudando-as a encontrar estrat\u00e9gias para lidar com agentes stressores. Consideramos que a proximidade e continuidade de cuidados com o mesmo profissional uma mais valia, para o caminhar do cliente no sentido da sua autonomia e responsabiliza\u00e7\u00e3o pelo seu estado de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao realizar um Processo de Enfermagem \u00e9 necess\u00e1rio mobilizar adequadamente recursos, n\u00e3o s\u00f3 do pr\u00f3prio meio familiar como tamb\u00e9m da comunidade, a fim de que a fam\u00edlia se encontre motivada para a autonomia, no sentido de promover a vida com o m\u00e1ximo de qualidade.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>PROCESSO DE ENFERMAGEM DA SRA A<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A Sra A nasceu em 1982, e foi admitida numa UCC\u00a0 da \u00e1rea de Lisboa em Maio de 2000. Tem como diagn\u00f3stico cl\u00ednico Distrofia Muscular Progressiva.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Sra A vive numa casa com quatro assoalhadas, de divis\u00f5es espa\u00e7osas. A habita\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro piso de um pr\u00e9dio de tr\u00eas andares sem elevador do tipo loca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, localiza-se em zona salubre, tem electricidade, \u00e1gua de distribui\u00e7\u00e3o domicili\u00e1ria e saneamento b\u00e1sico de rede p\u00fablica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Sra A apresenta traqueostomia (desde Maio de 2000) que auto-cuida, necessitando apenas de supervis\u00e3o per\u00edodica. Necessita de aspira\u00e7\u00e3o de secre\u00e7\u00f5es frequente pelo que tem aspirador em casa e \u00e9 independente nesta actividade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Necessita tamb\u00e9m de realizar oxigenoterapia, pelo que tem no domic\u00edlio uma bala de oxig\u00e9nio e realiza actualmente oxigenoterapia cont\u00ednua a 2l\/m.<\/p>\n<p align=\"justify\">Durante a noite depende de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica\u00a0 de press\u00e3o positiva que realiza segundo os par\u00e2metros ventilat\u00f3rios definidos pelo m\u00e9dico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tem d\u00e9fices de aporte h\u00eddrico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Controla os esf\u00edncteres vesical e intestinal, todavia necessita de ajuda para se deslocar ao wc e satisfazer esta necessidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Verifica-se agravamento da distrofia muscular, pelo que a Sra A actualmente apenas mobiliza os antebra\u00e7os e m\u00e3os, necessitando de apoio para manter a postura corporal correcta. Desloca-se em cadeira de rodas el\u00e9ctrica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Refere n\u00e3o conseguir dormir e repousar durante a noite, pelo que toma medica\u00e7\u00e3o que muitas vezes n\u00e3o surte efeito dada a sua grande ansiedade e medo relativamente \u00e0 noite (SiC.).<\/p>\n<p align=\"justify\">Apresenta per\u00edodicamente febre que tenta resolver ao automedicar-se com antipir\u00e9ticos e antibi\u00f3ticos. A febre deve-se \u00e0s infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias frequentes implicando sucessivos internamentos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Relativamente \u00e0 higiene pessoal, \u00e9 a fam\u00edlia que a realiza, sendo a Sra A\u00a0 totalmente dependente nesta actividade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Sra A n\u00e3o tem qualquer actividade l\u00fadica manifestando desinteresse em realiz\u00e1-las, pelo que se apresenta aparentemente depressiva referindo em todas as visitas que tem medo e que pensa muito na sua situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e na solid\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O facto de agir segundo as suas cren\u00e7as, nomeadamente a n\u00edvel socio-cultural dificulta muitas vezes a aceita\u00e7\u00e3o de ensinos. Assim como o analfabetismo quer da Sra A quer da fam\u00edlia \u00e9 um factor que acresce a dificuldade na apreens\u00e3o dos ensinos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em Junho de 2002 a Sra A foi novamente internada, segundo a fam\u00edlia para ajuste e adapta\u00e7\u00e3o aos par\u00e2metros ventilat\u00f3rios e tamb\u00e9m por pneumonia e anemia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em Julho de 2002 a Sra A tem alta cl\u00ednica, traz carta de articula\u00e7\u00e3o de cuidados de enfermagem e bibliografia referente ao novo ventilador que a acompanha.<\/p>\n<p align=\"justify\">Todo o planeamento dos cuidados termina neste trabalho a 12\/07\/02, todavia este \u00e9 um trabalho que ir\u00e1 ser continuado pela enfermeira de fam\u00edlia da Sra A.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com a avalia\u00e7\u00e3o realizada, desenvolveu-se um plano de cuidados, com o intuito de deixar um fundamento para uma continuidade de cuidados, individualizados e\u00a0 humanizados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os s\u00edmbolos * e ** significam respectivamente, data da identifica\u00e7\u00e3o do problema e data das avalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>REFLEX\u00c3O FINAL<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Ao reflectir sobre o trabalho desenvolvido no Ensino Cl\u00ednico, apercebo-me que superei as expectativas iniciais.<\/p>\n<p align=\"justify\">O facto de entrar no espa\u00e7o da fam\u00edlia a priori conquistado pelo enfermeiro de fam\u00edlia n\u00e3o foi tarefa f\u00e1cil, mas com disponibilidade e dedica\u00e7\u00e3o, consegui e a recompensa que adquiri ao faz\u00ea-lo, foi sem d\u00favida impressionante.<\/p>\n<p align=\"justify\">As familias embora car\u00eanciadas a todos os n\u00edveis, abriram portas ao desenvolver de uma rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, reconhecendo o meu desempenho.<\/p>\n<p align=\"justify\">O trabalho em campo foi bastante produtivo, uma vez que acompanhei clientes desde a admiss\u00e3o at\u00e9 \u00e0 alta, articulei cuidados com outros profissionais, desenvolvendo deste modo o trabalho em equipa pluridisciplinar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesta perspectiva o desafio que se coloca aos enfermeiros imp\u00f5e que estes sejam capazes de dar visibilidade \u00e0 sua actua\u00e7\u00e3o, que saibam definir claramente os seus papeis para que se sintam e sejam reconhecidos como elementos aut\u00f3nomos nas equipas que integram.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em suma, todas estas oportunidades foram motivadoras do meu trabalho, estimulando o gosto que tive em realizar este Ensino Cl\u00ednico e enriquecendo todo o meu desenvolvimento acad\u00e9mico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao realizar este processo de enfermagem tive a oportunidade de rever e mobilizar conhecimentos te\u00f3ricos para a pr\u00e1tica, tentando realizar um cuidado rigoroso e personalizado, o que foi importante para a continuidade dos cuidados na minha aus\u00eancia de forma adaptada e humanizada.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u201c(&#8230;) O desafio que \u00e9, assim, lan\u00e7ado aos formadores n\u00e3o \u00e9 o de esculpir c\u00e9rebros bem moldados mas o de contribuir para a plasticidade destes c\u00e9rebros, para a sua permeabilidade, a fim de lhes permitir uma abertura constante \u00e0s \u201ccoisas da vida\u201d, \u00e0 singularidade dos outros.\u201d (Walter Hesbeen, p.67, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/h4>\n<ul type=\"disc\">\n<li>CARVALHAL, Rosa \u2013 Parcerias na Forma\u00e7\u00e3o. Papel dos Orientadores Cl\u00ednicos Perspectivas dos Actores, Loures: Lusoci\u00eancia, 186pp. ISBN:972-8383-40-1<\/li>\n<li>GRONDIN, Louise, et al \u2013 Planifica\u00e7\u00e3o dos Cuidados de Enfermagem, Lisboa: Instituto Piaget, 345pp. ISBN: 972-9295-18-2<\/li>\n<li>HESBEEN, Walter \u2013 QUALIDADE EM ENFERMAGEM \u2013 Pensamento e ac\u00e7\u00e3o na perspectiva do cuidar, Loures: Lusoci\u00eancia, 2001, 220 pp. ISBN 972-8383-20-7.<\/li>\n<li>PAULINO, Cristina, et al \u2013 T\u00e9cnicas e Procedimentos em Enfermagem \u2013 Coimbra: FORMASAU, Forma\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade Lda, 1998, 291pp. ISBN: 972-8485-00-X<\/li>\n<li>SINAIS VITAIS \u2013 \u201cVentila\u00e7\u00e3o N\u00e3o Invasiva\u201d \u2013 N\u00ba42, Maio de 2002, pp.66<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O processo de enfermagem \u00e9 um elemento fundamental que orienta a pr\u00e1tica dos cuidados de enfermagem ao cliente\/fam\u00edlia, de forma a assisti-lo no desempenho de actividades que contribuam para promover, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[541,542,540,282,215,397,543],"class_list":["post-931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinais-vitais","tag-cliente","tag-complexidade","tag-comunidade","tag-cuidados","tag-ensino","tag-familia","tag-processo-de-enfermagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=931"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2777,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931\/revisions\/2777"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}