{"id":916,"date":"2008-07-11T16:19:08","date_gmt":"2008-07-11T16:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/para-suicidio-o-que-dizem-as-familias\/"},"modified":"2021-04-28T18:48:02","modified_gmt":"2021-04-28T18:48:02","slug":"para-suicidio-o-que-dizem-as-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/para-suicidio-o-que-dizem-as-familias\/","title":{"rendered":"Para-Suic\u00eddio &#8211; O que dizem as fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<p>Desde a d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX que se conhecem factores neurobiol\u00f3gicos relacionados com os comportamentos suicid\u00e1rios, a agress\u00e3o e a impulsividade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-915\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/livro_para_suicidio.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"144\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p>Autor: Jos\u00e9 Carlos Santos<br \/>\nEditora: Formasau<br \/>\nAno de edi\u00e7\u00e3o: 2007<\/p>\n<p align=\"justify\">Pref\u00e1cio<\/p>\n<p align=\"justify\">Os comportamentos suicid\u00e1rios despertam estranheza e perplexidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 uma amargura que percorre quer o protagonista quer as pessoas do meio envolvente. Aqui se incluem a fam\u00edlia, os amigos, os colegas de estudo ou trabalho. Frequentemente evita-se falar do assunto. \u00c0 espera que o Sol, ou seja, a passagem do tempo, cure todas as feridas. Mesmo as da alma. \u00c9 conhecido o pacto de sil\u00eancio transgeracional das fam\u00edlias sobre os seus suicidas. Ou, em alternativa, de que tudo n\u00e3o foi mais do que um acidente infeliz ou t\u00e3o s\u00f3 uma ren\u00fancia \u00e0 vida\u2026 Mas que dizer daqueles outros que exibem as suas tristezas pela linguagem de um corpo mutilado? Que atacam o pr\u00f3prio corpo, que se cortam repetidamente? Ou que se intoxicam com medicamentos ou mesmo venenos? Ser\u00e1 que querem significar que n\u00e3o toleram mais o sofrimento? Muito se tem falado desses para-suicidas \u2013 \u00e0 falta de melhor denomina\u00e7\u00e3o \u2013 e dos n\u00fameros epidemiol\u00f3gicos dos Servi\u00e7os de Urg\u00eancia. Pelo menos 250 por 100 mil habitantes \/ ano, em Portugal. Ou 600 por 100 mil habitantes \/ ano se considerarmos as mulheres dos 15 aos 24 anos. E estes dados s\u00e3o tanto ou mais inquietantes quando se sabe que mostram apenas uma parte da realidade. Muitos outros para-suicidas n\u00e3o chegam \u00a0\u00a0 ser observados por t\u00e9cnicos de sa\u00fade. Desvalorizados ou ignorados que s\u00e3o. Esperam na solid\u00e3o que a m\u00e1goa passe depois de uma apressada ingest\u00e3o de uma caixa de psicof\u00e1rmacos ou mais uns cortes no antebra\u00e7o at\u00e9 sangrar&#8230; Ser\u00e1 que eles est\u00e3o doentes ou todos n\u00f3s?<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 esta perspectiva sist\u00e9mica que o autor explora ao penetrar naquilo que as fam\u00edlias dizem, naturalmente a partir daquilo que sentem, face a um familiar para-suicida, numa investiga\u00e7\u00e3o pioneira na Europa, a partir da Teoria da Emo\u00e7\u00e3o Expressa de George Brown, Julian Leff e Christine Vaughn. Desse \u201coutro lado\u201d da hist\u00f3ria, o autor retira n\u00e3o s\u00f3 a import\u00e2ncia da emo\u00e7\u00e3o expressa da fam\u00edlia mas tamb\u00e9m da depress\u00e3o, neuroticismo e externalidade do para-suicida como facilitadores desse comportamento. Ao contr\u00e1rio, factores protectores seriam um coping adequado, melhor autoconceito e bom suporte social, retrat\u00e1vel, por exemplo, em menos coment\u00e1rios cr\u00edticos e menos sobreenvolvimento emocional dos pais. Desde a d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX que se conhecem factores neurobiol\u00f3gicos relacionados com os comportamentos suicid\u00e1rios, a agress\u00e3o e a impulsividade. Mais \u00e0 volta do neurotransmissor serotonina e das suas repercuss\u00f5es sobre certas estruturas cerebrais, como o hipocampo, a am\u00edgdala, o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, a mera confina\u00e7\u00e3o a um modelo explicativo neurobioqu\u00edmico excluiria muito injustamente a for\u00e7a das vari\u00e1veis familiares e sociais. Ousemos uma hip\u00f3tese acad\u00e9mica: um homem numa ilha deserta manifestaria o mesmo comportamento suicid\u00e1rio, cerceado que estava no seu \u201cinstinto de plateia\u201d? Sem que pudesse representar os pap\u00e9is de desamparo e desespero em fun\u00e7\u00e3o de terceiros? Ou ainda exerc\u00edcios de manipula\u00e7\u00e3o ou esquemas cognitivos que se articulem com estratagemas da an\u00e1lise transaccional? Estas e outras quest\u00f5es correlacionadas mais estimulam \u00e0 presente leitura. Do empirismo cl\u00ednico \u00e9 reconhecido que as fam\u00edlias dos para-suicidas aparentam se r\u00edgidas e conflituosas, embora esses contornos sejam dif\u00edceis de perceber e mensurar. \u00c9 precisamente por tudo isso que o livro \u201c\u2026 \u2026.\u201d do Professor Jos\u00e9 Carlos Santos representa uma obra imprescind\u00edvel para os estudiosos do para-suic\u00eddio e para o leitor \u00e1vido de conhecimentos na \u00e1rea da suicidologia, na medida em que faz uma incurs\u00e3o ao \u201coutro lado\u201d, porque as pessoas n\u00e3o habitam ilhas desertas\u2026<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">CARLOS BRAZ SARAIVA<\/p>\n<p align=\"justify\">Professor de Psiquiatria da FMUC,<br \/>\nChefe de Servi\u00e7o de Psiquiatria dos HUC,<br \/>\nCoordenador da Consulta de Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio dos HUC<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX que se conhecem factores neurobiol\u00f3gicos relacionados com os comportamentos suicid\u00e1rios, a agress\u00e3o e a impulsividade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":914,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-formasau"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2527,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/916\/revisions\/2527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}