{"id":889,"date":"2008-06-04T10:48:26","date_gmt":"2008-06-04T10:48:26","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/transplante-renal-condicionalismos-e-implicacoes\/"},"modified":"2021-05-04T09:44:45","modified_gmt":"2021-05-04T09:44:45","slug":"transplante-renal-condicionalismos-e-implicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/transplante-renal-condicionalismos-e-implicacoes\/","title":{"rendered":"Transplante Renal &#8211; Condicionalismos e implica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O enfermeiro desempenha um papel importante em todo o processo, apesar da sua actua\u00e7\u00e3o come\u00e7ar essencialmente no pr\u00e9-transplante imediato.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>Sinais Vitais n\u00ba 66<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p>Miguel Fernando Pereira Sousa (Licenciatura em Enfermagem<\/p>\n<p>Servi\u00e7o de Nefrologia Hospital Geral Snato Ant\u00f3nio e Cl\u00ednica Hemodi\u00e1lise do Bonfim)<\/p>\n<p align=\"justify\">Este artigo representa essencialmente uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica e a experi\u00eancia de um servi\u00e7o na \u00e1rea da transplanta\u00e7\u00e3o renal que data desde 1983, e que ao longo dos anos foi evoluindo no sentido de proporcionar aqueles cujos rins nativos n\u00e3o funcionam, uma esperan\u00e7a e qualidade de vida cada vez maiores. Apesar de ser considerado uma terap\u00eautica de elei\u00e7\u00e3o para a insufici\u00eancia renal cr\u00f3nica terminal, n\u00e3o est\u00e1 isento de alguns condicionalismos e implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este trabalho foi apresentado na XV Reuni\u00e3o APEDT ( Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Enfermeiros de Di\u00e1lise e Transplanta\u00e7\u00e3o ), realizada na Funda\u00e7\u00e3o Dr. Ant\u00f3nio Cupertino de Miranda no Porto em Junho de 2001.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>PALAVRAS CHAVE:<\/strong> Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica ;\u00a0 Transplante Renal ; Qualidade de\u00a0 Vida ; Imunossupress\u00e3o; Aspectos \u00c9tico Legais ; Complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Qualquer doen\u00e7a cr\u00f3nica tem implica\u00e7\u00f5es na vida di\u00e1ria que condicionam a esperan\u00e7a e qualidade de vida. Com a perda da fun\u00e7\u00e3o renal e o recurso indispens\u00e1vel a t\u00e9cnicas dial\u00edticas, a vida individual e colectiva do insuficiente renal cr\u00f3nico ( IRC ), qualquer que seja a sua idade, vulnerabiliza-se, sofre dist\u00farbios e desajustes relativamente a padr\u00f5es convencionais de vida em sociedade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A gest\u00e3o da cronicidade da doen\u00e7a passa acima de tudo por uma nova gest\u00e3o do quotidiano do doente, exigindo-lhe a reorganiza\u00e7\u00e3o de toda a vida social, familiar, escolar ou laboral ( Fonseca, 1997 ).<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos objectivos fundamentais na reabilita\u00e7\u00e3o do insuficiente renal cr\u00f3nico, passa pela melhoria da qualidade de vida relacionada com a sua sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado assistimos cada vez mais, \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o dos resultados de sa\u00fade efectuada pelo doente, tanto na forma como afectam a funcionalidade, o desempenho e o bem estar, como na forma em que satisfazem as suas necessidades e expectativas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para os IRC as necessidades e expectativas passam por :<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Estabiliza\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio emocional, procurando restabelecer a auto-imagem e auto-estima;<\/li>\n<li>Restabelecimento da autonomia e independ\u00eancia de m\u00e1quinas, procurando uma maior liberdade de tempo e espa\u00e7o;<\/li>\n<li>Liberta\u00e7\u00e3o de condicionalismos e restri\u00e7\u00f5es impostas pela di\u00e1lise, como a dieta que ter\u00e3o de respeitar;<\/li>\n<li>Resolu\u00e7\u00e3o de alguns transtornos f\u00edsicos, que influenciam o estilo de vida, como a uremia, a anemia e a doen\u00e7a ossea;<\/li>\n<li>Renova\u00e7\u00e3o do papel importante no seio da fam\u00edlia e comunidade, procurando restabelecer as rela\u00e7\u00f5es interpessoais;<\/li>\n<\/ul>\n<h4 align=\"justify\"><strong>O TRANSPLANTE RENAL COMO ALTERNATIVA TERAP\u00caUTICA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Como nos refere Welch ( 1994 ), qualquer modalidade de tratamento &#8211; hemodi\u00e1lise (HD), di\u00e1lise peritoneal (DP)ou transplante renal (TR), tem como objectivos, aliviar a sintomatologia cl\u00ednica, aumentar a expectativa de vida e se poss\u00edvel melhorar a qualidade da mesma, sem que qualquer uma delas seja um tratamento curativo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Bradley ( 1994 ), as investiga\u00e7\u00f5es a partir dos anos oitenta, procuraram explorar a adapta\u00e7\u00e3o dos IRC \u00e0s diferentes modalidades de tratamento, atrav\u00e9s de estudos comparativos, que melhor justificassem os objectivos atr\u00e1s referenciados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estudos desenvolvidos por v\u00e1rios autores, referem que os melhores indicadores de qualidade de vida, colocam o transplante renal como terapia de elei\u00e7\u00e3o, seguido da hemodi\u00e1lise domicili\u00e1ria, depois a di\u00e1lise peritoneal e finalmente a hemodi\u00e1lise efectuada no hospital ou cl\u00ednica privada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado temos vindo a assistir ao longo dos anos a uma frequ\u00eancia cada vez maior nesta pr\u00e1tica, com resultados cl\u00ednicos que demonstram uma melhoria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sobreviv\u00eancia do doente e enxerto, baixando assim as taxas de mortalidade e morbilidade. Os indices de sobrevida do enxerto e do doente no primeiro ano s\u00e3o superiores a 85 % e 90 % respectivamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para toda esta evolu\u00e7\u00e3o houve uma contribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios factores:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>novas t\u00e9cnicas com aperfei\u00e7oamento cir\u00fargico ;<\/li>\n<li>a melhoria da conserva\u00e7\u00e3o e extrac\u00e7\u00e3o de org\u00e3os ;<\/li>\n<li>o desenvolvimento da imunologia cl\u00ednica com o aparecimento de novos programas de imunossupress\u00e3o com menor risco e maior efic\u00e1cia ;<\/li>\n<li>progressos cont\u00ednuos no conhecimento, preven\u00e7\u00e3o e tratamento de complica\u00e7\u00f5es como a rejei\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">De real\u00e7ar ainda, e segundo Dutton ( 1988 ), a longo prazo a transplanta\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma de tratamento da IRC terminal que permite a melhor rela\u00e7\u00e3o custo benef\u00edcio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O TR com \u00eaxito, torna-se assim a alternativa mais fisiol\u00f3gica de tratamento, permitindo a reposi\u00e7\u00e3o integral das fun\u00e7\u00f5es renais e uma melhor reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, muitas pessoas que se sujeitam ao TR, trocam um programa de di\u00e1lise cr\u00f3nica com as suas limita\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias, por um novo programa terap\u00eautico com novos condicionalismos e implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>ASPECTOS \u00c9TICO \u2013 LEGAIS NO TRANSPLANTE<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Nesta \u00e1rea \u00e9 necess\u00e1rio uma abordagem multidisciplinar, capaz de evitar situa\u00e7\u00f5es de conflito, devendo existir um consenso generalizado. Existem aspectos relacionados com o dador vivo ( \u00e9ticos, morais e religiosos ), sendo necess\u00e1rio um consentimento livre, informado e esclarecido. Al\u00e9m disso existem algumas contraindica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que impedem o TR de dador vivo, como:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>protein\u00faria e\/ou hemat\u00faria<\/li>\n<li>fun\u00e7\u00e3o renal alterada<\/li>\n<li>infec\u00e7\u00e3o activa<\/li>\n<li>doen\u00e7a maligna ou coron\u00e1ria<\/li>\n<li>psicose e uso de drogas<\/li>\n<li>gravidez<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Os aspectos relacionados com o dador cad\u00e1ver, devem levar em linha de conta os princ\u00edpios \u00e9ticos da autonomia, da beneficiencia e da veracidade, sem esquecer algumas contraindica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em rela\u00e7\u00e3o ao receptor \u00e9 indispens\u00e1vel que existam condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas para se efectuar o TR, al\u00e9m disso ser\u00e3o importantes :<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>a probabilidade e dura\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio para o doente<\/li>\n<li>o impacto do tratamento na qualidade de vida<\/li>\n<li>a condi\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia e a quantidade de recursos requeridos para se efectuar um tratamento com \u00eaxito<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Todos estes aspectos assim como os princ\u00edpios subjacentes \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o dos org\u00e3os (equidade e justi\u00e7a), dever\u00e3o funcionar como crit\u00e9rios p\u00fablicos e suscept\u00edveis de serem verificados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de toda uma evolu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel o TR encontra- se potencialmente associado a algumas complica\u00e7\u00f5es, podendo ser cl\u00ednicas ou cir\u00fargicas, e que poder\u00e3o condicionar de certa forma a recupera\u00e7\u00e3o ou mesmo a viabilidade do enxerto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Vou apenas referenciar algumas delas que pela sua frequ\u00eancia ou import\u00e2ncia cl\u00ednica\u00a0 merecem bastante aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>COMPLICA\u00c7\u00d5ES DO TRANSPLANTE<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A rejei\u00e7\u00e3o do enxerto apresenta-se mais frequente nos primeiros tr\u00eas meses, sob a forma de rejei\u00e7\u00e3o aguda. A disparidade antig\u00e9nica dador \/ receptor funciona como uma barreira biol\u00f3gica e como obst\u00e1culo cl\u00ednico, n\u00e3o permitindo por vezes, que o organismo aceite o enxerto. A sua frequ\u00eancia e tempo de ocorr\u00eancia est\u00e3o relacionadas com a compatibilidade do sistema antig\u00e9nio leucocit\u00e1rio humano ( HLA ), e com os esquemas de imunossupress\u00e3o usados. A origem do enxerto tambem influ\u00eancia a sobrevida do TR, consoante seja um dador cad\u00e1ver ou dador vivo. Estudos realizados referem que um TR de cad\u00e1ver sem incompatibilidades, tem uma sobrevida do enxerto no primeiro ano superior a 88 % e uma vida m\u00e9dia de 15 anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na rejei\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica existe uma deteriora\u00e7\u00e3o lenta e progressiva da fun\u00e7\u00e3o renal, sem resposta ao tratamento imunossupressor, levando \u00e0 IRC terminal.<\/p>\n<p align=\"justify\">A infec\u00e7\u00e3o apresenta-se como a causa mais frequente de morbilidade e mortalidade (70% a 80% dos receptores), podendo ser v\u00edrica (50%), bacteriana (30%), f\u00fangica (5%) ou mesmo ter v\u00e1rios agentes implicados (15%). A etiologia \u00e9 variada sendo muito importantes o diagn\u00f3stico e tratamento precoces. Poder\u00e1 ser necess\u00e1rio considerar a diminui\u00e7\u00e3o da imunossupress\u00e3o. O periodo de ocorr\u00eancia revela-se importante para se saber o tipo de infec\u00e7\u00e3o em causa. No primeiro m\u00eas aparecem mais frequentemente as complica\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas e as infec\u00e7\u00f5es nosocomiais, do segundo ao sexto m\u00eas \u00e9 o periodo de m\u00e1xima imunossupress\u00e3o, logo aparecem com mais frequ\u00eancia os germens oportunistas. Ap\u00f3s o sexto m\u00eas o que geralmente aparece s\u00e3o as infec\u00e7\u00f5es comuns e\/ou relacionadas com a pr\u00f3pria imunossupress\u00e3o. Por tudo isto \u00e9 importante que os profissionais de sa\u00fade tenham sempre presente que est\u00e3o a tratar de doentes com a sua imunidade comprometida, logo todo o cuidado \u00e9 pouco!<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>IMPORT\u00c2NCIA DA IMUNOSSUPRESS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A imunossupress\u00e3o desempenha aqui um papel importante uma vez que por um lado visa prevenir a rejei\u00e7\u00e3o aguda e cr\u00f3nica, mas deve levar-se em linha de conta a possibilidade da morbilidade infecciosa e\/ou neopl\u00e1sica. \u00c9 indispens\u00e1vel evitar-se a sobreimunossupress\u00e3o e procurar-se a especificidade, dado que poder\u00e3o ter efeitos adversos sobre v\u00e1rios org\u00e3os e sistemas. A imunossupress\u00e3o ideal ter\u00e1 como objectivos:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>prevenir ou minimizar a reac\u00e7\u00e3o aos antig\u00e9nios transplantados<\/li>\n<li>respeitar a restante resposta imunol\u00f3gica<\/li>\n<li>proporcionar melhor fun\u00e7\u00e3o e maior dura\u00e7\u00e3o do enxerto<\/li>\n<li>ser bem tolerada pelo doente e sem efeitos secund\u00e1rios<\/li>\n<li>ser de f\u00e1cil administra\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Tem existido uma inova\u00e7\u00e3o progressiva nesta terap\u00eautica, com uma evolu\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica da utiliza\u00e7\u00e3o dos medicamentos que melhor garantam aqueles objectivos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\">ENSINO E ORIENTA\u00c7\u00c3O AO TRANSPLANTADO<\/h4>\n<p align=\"justify\">O estabelecimento de um programa de ensino e orienta\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar logo no pr\u00e9-transplante. \u00c9 indispens\u00e1vel que os doentes sejam bem informados e que a sua decis\u00e3o seja isenta de d\u00favidas ou incertezas, mantendo sempre presentes os riscos e complica\u00e7\u00f5es que eventualmente possam surgir (consentimento livre e informado).<\/p>\n<p align=\"justify\">O enfermeiro desempenha um papel importante em todo o processo, apesar da sua actua\u00e7\u00e3o come\u00e7ar essencialmente no pr\u00e9-transplante imediato.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim \u00e9 necess\u00e1rio que o doente e fam\u00edlia compreendam os resultados previstos e os cuidados de acompanhamento necess\u00e1rios. Dever\u00e1 ser explicada a natureza cir\u00fargica e o local de implanta\u00e7\u00e3o do enxerto.Os doentes devem estar preparados para a hip\u00f3tese de o rim n\u00e3o funcionar de imediato e para a necessidade de efectuarem algumas sess\u00f5es de di\u00e1lise. A rejei\u00e7\u00e3o aguda \u00e9 sempre um aspecto que ter\u00e3o de levar em linha de conta, principalmente nos primeiros meses.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste periodo importa identificar todas as preocupa\u00e7\u00f5es e ansiedade do doente e fam\u00edlia, procurando efectuar apoio psicol\u00f3gico a ambos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O plano de ensino e orienta\u00e7\u00e3o deve continuar no p\u00f3s-transplante, focando essencialmente os seguintes aspectos:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>H\u00e1bitos saud\u00e1veis de vida<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">A dieta alimentar tem a sua importancia na medida em que ap\u00f3s o TR verifica-se um aumento de apetite devido \u00e0 medica\u00e7\u00e3o imunossupressora e devido \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de liberdade e bem estar. Este aumento de apetite deve ser controlado para evitar\u00a0 aumentos de peso excessivo com consequente obesidade, hipertens\u00e3o etc&#8230;<\/p>\n<p align=\"justify\">A pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico deve ser incentivada e deve haver um refor\u00e7o de medidas de higiene para que se evitem as infec\u00e7\u00f5es devido \u00e0 imunossupress\u00e3o nestes doentes.<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Planeamento de terap\u00eautica e consultas<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Importa que os doentes conhe\u00e7am o nome, as dosagens, a frequ\u00eancia e efeitos secund\u00e1rios da medica\u00e7\u00e3o. \u00c9 dado relevo \u00e0 imunossupress\u00e3o e estes doentes fazem-se acompanhar de um cart\u00e3o da medica\u00e7\u00e3o imunossupressora que tomam quando recorrem \u00e0 urg\u00eancia ou \u00e0s consultas. As consultas s\u00e3o planeadas com intervalos mais curtos no inicio para maior vigil\u00e2ncia e posteriormente s\u00e3o marcadas com intervalos maiores.<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Programa de vigil\u00e2ncia cont\u00ednua<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Este programa deve ser incutido ao doente, fornecendo alguns sinais de alerta que requerem aten\u00e7\u00e3o imediata. Importa explicar a necessidade de leitura e registo di\u00e1rio da temperatura, peso e d\u00e9bito urin\u00e1rio. Os sinais ou sintomas que o transplantado ter\u00e1 de estar atento tem a ver com a diminui\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito urin\u00e1rio, a febre, o aumento s\u00fabito de peso, a hipertens\u00e3o, o edema, a dor ou sensibilidade sobre o enxerto. Estes factores tem de ser levados em considera\u00e7\u00e3o, pois poder\u00e3o traduzir uma infec\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Recursos dispon\u00edveis de assist\u00eancia<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Estes doentes assim que tem alta ficam com os contactos do servi\u00e7o para qualquer esclarecimento imediato. S\u00e3o referenciadas as associa\u00e7\u00f5es de apoio na reabilita\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e reintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>EXPERI\u00caNCIA DO SERVI\u00c7O DE NEFROLOGIA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">No servi\u00e7o de Nefrologia \u2013 Unidade de Transplanta\u00e7\u00e3o Renal \u2013 do Hospital Geral de Santo Ant\u00f3nio no Porto, foram transplantados at\u00e9 ao final do ano 2000, um total de 1038 doentes, dos quais 941 ainda se encontram vivos e 742 mant\u00e9m o rim funcionante. O transplante renal nesta unidade iniciou-se em 1983, com 7 doentes e desde essa altura n\u00e3o tem parado de crescer.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">No ano 2000 efectuaram-se 82 transplantes em que 73 constitu\u00edram o primeiro transplante e 9 representam o segundo transplante. Do total transplantado 80 foram realizados com rim de cad\u00e1ver e 2 com rim de dador vivo ( figura 1 ).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Figura 1<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-886\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"291\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S1.jpg 500w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S1-300x175.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Nesse ano, a faixa et\u00e1ria com maior numero de transplantes situa-se dos 30 aos 45 anos, com 35 transplantes, sendo a m\u00e9dia de idade de 39,97 anos e aquela onde ocorreu menor numero foi at\u00e9 aos 15 anos com 4 transplantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A incid\u00eancia de rejei\u00e7\u00e3o aguda no \u00faltimo tri\u00e9nio, oscilou entre valores de19,4 % no ano 1998, subindo para 23 % no ano de 1999, e em 2000, tiveram pelo menos um epis\u00f3dio de rejei\u00e7\u00e3o aguda apenas 17,5 % dos doentes.( figura 2 )\n<\/p>\n<p align=\"center\">Figura 2<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-887\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"359\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S2.jpg 500w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S2-300x215.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Os resultados globais em termos de sobrevida do doente e enxerto, s\u00e3o sobrepon\u00edveis aos valores de outros pa\u00edses, verificando-se valores aproximados de 90% e superiores a 95% para as taxas de sobrevida do doente e enxerto respectivamente no primeiro ano.<\/p>\n<p align=\"justify\">( figura 3 )<\/p>\n<p align=\"center\">Figura 3<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-888\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"382\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S3.jpg 500w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S3-300x229.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S3-80x60.jpg 80w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/S3-100x75.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O TR continua a ser o tratamento de elei\u00e7\u00e3o, para aqueles cuja alternativa para a insufici\u00eancia renal, passa basicamente por tr\u00eas tipos de solu\u00e7\u00f5es. No entanto e apesar de uma grande evolu\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea, este programa terap\u00eautico apresenta-se com limita\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias. \u00c9 importante que o doente que se submeta a TR esteja consciente dos riscos e complica\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o advir, sem esquecer que o transplante poder\u00e1 falhar, obrigando a optar por outras alternativas.Doar e receber um org\u00e3o dever\u00e3o ser actos conscientes e volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">BRADLEY, C.; McGee, H. \u2013 Quality of Life Following Renal Failure \u2013 Psychosocial Challenges Accompanying High Technology Medicine \u2013 Harwood Academic Publishers London ; 1994.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">DAUGIRDAS, J.; ING, T. \u2013 Handbook of Dialysis \u2013 2\u00aa edition ; London ; Little Brow ; 1994.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">DUTTON, Mary \u2013 Transplanta\u00e7\u00e3o \u2013 Nursing ; Lisboa ; Ferreira &amp; Bento ; Ano 1 ; n\u00ba 3 ; 1988 ; p. 28 \u2013 32.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">LLACH, F.; VALDERR\u00c1BANO, F. \u2013 Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica \u2013 Di\u00e1lisis y Trasplante Renal \u2013 2\u00aa edici\u00f3n ; Ediciones Norma ; Madrid ; 1997 ; pag.1397 \u2013 1873.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MOLZAHN, A. E. \u2013 Quality of Life after Organ Transplantation \u2013 Journal of Advanced Nursing ; n\u00ba 16 ; 1991 ; p. 1042 \u2013 1047.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MOTA, P. G. M.; et al. \u2013 Calidad de Vida Relacionada con la Salud en Pacientes con Trasplante Renal y Hemodi\u00e1lisis \u2013 Enfermeria Cl\u00ednica ; Madrid ; vol. 6 ; n\u00ba 4 ; 1993.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">RIBEIRO, F. ; et al. \u2013 Manual de Hemodi\u00e1lise \u2013 Edi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica Doen\u00e7as Renais ; Lisboa ; 1997 ; p.37 \u2013 42 e p.251 \u2013 266.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enfermeiro desempenha um papel importante em todo o processo, apesar da sua actua\u00e7\u00e3o come\u00e7ar essencialmente no pr\u00e9-transplante imediato.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[517,516,515,514,266,512,513],"class_list":["post-889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinais-vitais","tag-complicacoes","tag-etica","tag-imunossupressao","tag-insuficiencia-renal-cronica","tag-qualidade-de-vida","tag-transplante","tag-transplante-renal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=889"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2768,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/889\/revisions\/2768"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}