{"id":860,"date":"2008-05-03T14:41:55","date_gmt":"2008-05-03T14:41:55","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-de-mas-noticias-e-gestao-do-luto\/"},"modified":"2021-04-28T18:48:36","modified_gmt":"2021-04-28T18:48:36","slug":"comunicacao-de-mas-noticias-e-gestao-do-luto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-de-mas-noticias-e-gestao-do-luto\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o de M\u00e1s Not\u00edcias e Gest\u00e3o do Luto"},"content":{"rendered":"<p>Qualquer que seja a situa\u00e7\u00e3o, o car\u00e1cter de uma not\u00edcia \u2013 bom ou mau &#8211; est\u00e1 sempre relacionado com a interpreta\u00e7\u00e3o que presumimos que aquele a quem a damos lhe poder\u00e1 atribuir, presun\u00e7\u00e3o que se baseia \u00a0no conhecimento que temos do outro, dos efeitos que a not\u00edcia provocar\u00e1 na sua vida ou no seu sentir, mas tamb\u00e9m do que pensamos que aconteceria connosco se a mesma not\u00edcia nos fosse dada.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-859\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/05\/mas_noticias.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"144\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p>Autor: Maria Aurora Gon\u00e7alves Pereira<br \/>\nEditora: Formasau<br \/>\nAno de edi\u00e7\u00e3o: 2008<\/p>\n<p align=\"justify\">Nota Biogr\u00e1fica<\/p>\n<p>Maria Aurora Gon\u00e7alves Pereira, nasceu em Ponte do Lima a 5 de Janeiro de 1959.<\/p>\n<p align=\"justify\">Terminou o curso de enfermagem em 1980, na Escola Superior de Enfermagem de Viana do Castelo. \u00c8 licenciada em Enfermagem Medico-Cir\u00fargica pela Escola Superior de Enfermagem Cidade do Porto, Mestre em Ci\u00eancias de Enfermagem pelo Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas Abel Salazar (ICBAS) e Doutora em Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o pela Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Exerceu a sua actividade profissional na \u00e1rea dos cuidados diferenciados no Hospital de Viana do Castelo e no Instituto Portugu\u00eas de Oncologia do Porto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Membro do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Interven\u00e7\u00e3o Educativa (CIIE), n\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o, Curr\u00edculo, Forma\u00e7\u00e3o e Identidades (ECFI) FPCE-UP.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 professora coordenadora da Escola Superior de Enfermagem de Viana do Castelo onde exerce fun\u00e7\u00f5es desde 1989.<\/p>\n<p>Pref\u00e1cio<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora n\u00e3o seja ainda muito comum a reflex\u00e3o sobre o acto de noticiar na interac\u00e7\u00e3o humana quotidiana (para al\u00e9m dos chamados \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social), \u00e9 um facto que se trata de um dom\u00ednio de estudo que se reveste da maior import\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00f3 por vivermos na era da informa\u00e7\u00e3o \u2013 que, em certo sentido, \u00e9 sempre trocar not\u00edcias -, mas tamb\u00e9m porque a an\u00e1lise desse acto nos permite ver melhor grande parte dos processos envolvidos na comunica\u00e7\u00e3o considerando a iniciativa daquele que d\u00e1 a not\u00edcia e, portanto, permitindo aprofundar as rela\u00e7\u00f5es existentes entre os modos de comunicar a not\u00edcia e os efeitos assim provocados.<\/p>\n<p align=\"justify\">O facto de a interac\u00e7\u00e3o social \u2013 o que se passa entre duas pessoas que comunicam e que n\u00e3o coincide com o que um e\/ou outro comunica exactamente \u2013 ser o \u201clugar\u201d da comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quer dizer que os actores estejam dispensados de iniciativas interaccionais de modo a provocarem no outro o efeito que desejam. Antes pelo contr\u00e1rio, atrav\u00e9s do conhecimento do car\u00e1cter interaccional da comunica\u00e7\u00e3o, visa-se promover essa tomada de iniciativa de forma competente, controlando as reac\u00e7\u00f5es pretendidas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando se fala em terceiriza\u00e7\u00e3o e do seu impacto na mudan\u00e7a social, do trabalho e da forma\u00e7\u00e3o, frisando-se ali\u00e1s a import\u00e2ncia assumida pelos processos de comunica\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com os \u201cclientes\u201d, \u00e9 desta compet\u00eancia comunicativa que se fala.<\/p>\n<p align=\"justify\">A emerg\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias em sa\u00fade enquanto problema a estudar e aprofundar integra-se nesta mudan\u00e7a mais lata, mas tamb\u00e9m num movimento pr\u00f3prio do campo da sa\u00fade que h\u00e1 j\u00e1 algumas d\u00e9cadas se aproxima progressivamente da comunica\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o humana como saber e afazer inerente \u00e0s profiss\u00f5es que lhe s\u00e3o mais espec\u00edficas, respondendo a novas concep\u00e7\u00f5es e compreens\u00f5es do que est\u00e1 implicado na sa\u00fade e na doen\u00e7a, e tamb\u00e9m a orienta\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e pol\u00edticas que elegem a dignidade humana e os direitos da pessoa, enquanto tal, como princ\u00edpios norteadores das pr\u00e1ticas e da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento profissional e cient\u00edfico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este livro, \u201cComunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias em sa\u00fade e gest\u00e3o do luto\u201d, da autoria de Aurora Pereira, integra-se nesse movimento, abordando de frente um dos mais dif\u00edceis problemas que se colocam aos profissionais da sa\u00fade e, por isso, um importante analisador das principais dimens\u00f5es em causa nos processos de comunica\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o humana nesse dom\u00ednio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ocupando um lugar ainda por preencher adequadamente na investiga\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o cient\u00edficas portuguesas sobre o assunto, este livro descreve os sistemas de interac\u00e7\u00e3o que subjazem \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias e aos processos de gest\u00e3o do luto, atrav\u00e9s dos resultados de um estudo etnogr\u00e1fico que teve por foco o percurso hospitalar de catorze mulheres com cancro da mama. Fornece-nos, assim, uma vis\u00e3o de como se organiza a comunica\u00e7\u00e3o quotidiana em contexto hospitalar, dos seus pontos fortes e dos seus pontos fracos, das insist\u00eancias, resist\u00eancias e desist\u00eancias dos profissionais e das esperan\u00e7as e desesperan\u00e7as das utentes e familiares, vis\u00e3o em que se pressentem o estado dos cuidados de sa\u00fade em Portugal, a qualidade dos profissionais que temos e as condi\u00e7\u00f5es de vida \u2013 social e emocional &#8211; dos homens e das mulheres portuguesas. A partir da conviv\u00eancia avisada com esse mundo real, da convoca\u00e7\u00e3o dos conhecimentos dispon\u00edveis a prop\u00f3sito na comunidade cient\u00edfica, do contacto com pr\u00e1ticas comunicacionais e modos de organiza\u00e7\u00e3o de hospitais de refer\u00eancia a n\u00edvel internacional e das sugest\u00f5es dos participantes no estudo, a autora faz tamb\u00e9m recomenda\u00e7\u00f5es claras relativamente \u00e0s vias para a melhoria da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O livro organiza-se em duas partes. A primeira diz respeito \u00e0 defini\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica em estudo e sua fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Se na fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica se convocam estudos e reflex\u00f5es relativas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias como compet\u00eancia profissional e aos processos de gest\u00e3o do luto, que permitem situar e fundamentar teoricamente o problema e os resultados, importa destacar que a defini\u00e7\u00e3o do problema se constitui, ela pr\u00f3pria, num trabalho de investiga\u00e7\u00e3o em que se indagou sobre as percep\u00e7\u00f5es de m\u00e1 not\u00edcia em sa\u00fade, junto de pessoas comuns, de profissionais da sa\u00fade e de estudantes de enfermagem. Constituindo a segunda parte do livro, a delinea\u00e7\u00e3o, a fundamenta\u00e7\u00e3o e a apresenta\u00e7\u00e3o do estudo de investiga\u00e7\u00e3o realizado \u2013 ao n\u00edvel da recolha de dados, da sua an\u00e1lise e da apresenta\u00e7\u00e3o de resultados &#8211; fazem deste \u00a0livro uma leitura obrigat\u00f3ria, pelo que conclui e recomenda, mas tamb\u00e9m pelo modo como explicita e demonstra o uso dos crit\u00e9rios de rigor inerentes \u00e0 metodologia utilizada nos seus diversos passos \u2013 fundamenta\u00e7\u00e3o, recolha e an\u00e1lise dos dados e apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados. Os discursos dos profissionais e das utentes que acompanham as descri\u00e7\u00f5es qualitativas dos resultados, de forma concordante com a natureza da investiga\u00e7\u00e3o fazem com que o leitor n\u00e3o possa deixar de imergir na ambi\u00eancia emocional que atravessa a comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias e os processos de gest\u00e3o do luto, apreendendo simultaneamente as suas configura\u00e7\u00f5es cognitiva e emocional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora realizado sob o olhar da enfermagem, dadas as caracter\u00edsticas da investiga\u00e7\u00e3o realizada, este livro diz respeito a todos os profissionais que, em contexto hospitalar se relacionam, em diversos momentos mas de forma quase constante, com os seus utentes, segundo regras organizacionais pr\u00e9vias, mas tamb\u00e9m de acordo com a sua sensibilidade, a sua viv\u00eancia, a sua forma\u00e7\u00e3o, a sua capacidade de integrar o sofrimento e a morte na vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Qualquer que seja a situa\u00e7\u00e3o, o car\u00e1cter de uma not\u00edcia \u2013 bom ou mau &#8211; est\u00e1 sempre relacionado com a interpreta\u00e7\u00e3o que presumimos que aquele a quem a damos lhe poder\u00e1 atribuir, presun\u00e7\u00e3o que se baseia \u00a0no conhecimento que temos do outro, dos efeitos que a not\u00edcia provocar\u00e1 na sua vida ou no seu sentir, mas tamb\u00e9m do que pensamos que aconteceria connosco se a mesma not\u00edcia nos fosse dada. De acordo com essas interpreta\u00e7\u00f5es (ou metapercep\u00e7\u00f5es) organizamos os nossos comportamentos comunicativos de modo a controlar a reac\u00e7\u00e3o (o sofrimento) do outro, mas tamb\u00e9m a nossa (o nosso). Entretanto, a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz num vazio cultural nem \u00e9 independente dos contextos. No que pensamos que podemos fazer est\u00e3o presentes fortes heran\u00e7as culturais, padr\u00f5es persistentes e sedimentados, e tamb\u00e9m projectos, inten\u00e7\u00f5es e vontades de transforma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m elas com enraizamento cultural. Por seu turno, o que efectivamente podemos fazer depende das nossas inten\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas e das suas justifica\u00e7\u00f5es na organiza\u00e7\u00e3o, que funciona como amplificadora ou inibidora dessas inten\u00e7\u00f5es ou vontades.<\/p>\n<p align=\"justify\">A rela\u00e7\u00e3o entre a comunica\u00e7\u00e3o de uma m\u00e1 not\u00edcia e os processos de luto \u00e9 uma caracter\u00edstica que define o car\u00e1cter dram\u00e1tico da not\u00edcia, pois toda a m\u00e1 not\u00edcia est\u00e1 associada a percep\u00e7\u00f5es e sentimentos de perda, qualquer que seja o seu tipo. Por essa raz\u00e3o, como no livro se defende teoricamente e se constata empiricamente, de forma concordante com outros autores e estudos, a comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias refere-se a um processo e n\u00e3o a um momento, embora nesse processo todos os momentos sejam importantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Das in\u00fameras mensagens do livro \u2013 que s\u00f3 a sua leitura mi\u00fada e atenta permitir\u00e1 atingir \u2013 parece-me importante destacar tr\u00eas: o desenho da interven\u00e7\u00e3o diferencial dos diferentes profissionais de sa\u00fade ao longo do percurso hospitalar de mulheres com cancro da mama; a identifica\u00e7\u00e3o, por um lado, das categorias comportamentais e comunicacionais mais presentes nesse percurso e, por outro, dos processos de gest\u00e3o do luto nele mais frequentes; e a rela\u00e7\u00e3o existente entre o padr\u00e3o comunicacional subjacente \u00e0 estrutura organizacional que acolhe as utentes e as defesas individuais dos pr\u00f3prios profissionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Se a primeira destas mensagens permite identificar que profissionais est\u00e3o mais presentes em cada etapa do percurso e do processo de luto (os m\u00e9dicos no in\u00edcio e no fim e os enfermeiros durante o processo) \u2013 permitindo relacion\u00e1-las com interven\u00e7\u00f5es e profissionais espec\u00edficos e, portanto, clarificar pap\u00e9is particulares, mas tamb\u00e9m as suas necess\u00e1rias inter-rela\u00e7\u00f5es -, a segunda sistematiza os comportamentos comunicacionais usados e os processos de luto. O sistema categorial emergente da an\u00e1lise \u00e9, ele pr\u00f3prio, a exposi\u00e7\u00e3o da rede e do patrim\u00f3nio comunicacional em que se embebe o percurso das utentes e da gama emocional que acompanhou os seus processos de luto. Na descri\u00e7\u00e3o d\u00e1-se conte\u00fado concreto a essa rede e a esse patrim\u00f3nio, indicam-se os seus pontos fortes \u2013 o que se faz bem \u2013 e os seus pontos fracos \u2013 de que se destaca a conjuga\u00e7\u00e3o de um excesso de informa\u00e7\u00f5es e informantes com uma informa\u00e7\u00e3o quase sempre incompleta e evasiva.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Com efeito, um dos principais contributos deste trabalho para informar as interven\u00e7\u00f5es em sa\u00fade em situa\u00e7\u00f5es de perda maior, reside no modo como evidencia a articula\u00e7\u00e3o existente entre a organiza\u00e7\u00e3o hospitalar (ou outros espa\u00e7os de atendimento) e os medos mais fundos dos pr\u00f3prios profissionais, levando-nos a poder falar de uma organiza\u00e7\u00e3o defensiva, mais estruturada em fun\u00e7\u00e3o das necessidades de sobreviv\u00eancia psicol\u00f3gica dos que nela trabalham que em fun\u00e7\u00e3o das necessidades daqueles que pretende servir.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O facto n\u00e3o \u00e9 espantoso. Como fica bem claro no estudo pr\u00e9vio apresentado no in\u00edcio do livro, uma m\u00e1 not\u00edcia em sa\u00fade refere-se \u00e0 morte ou a uma doen\u00e7a fatal, mais concretamente ao cancro. Num caso ou noutro, \u00e9 a morte que se faz presente. E o medo da morte, como dizia Alfred Schutz, \u00e9 sempre o medo da nossa pr\u00f3pria morte. Por isso, conviver com a morte ou o seu pren\u00fancio (ainda que long\u00ednqua e cheia de esperan\u00e7a l\u00facida de vida) \u00e9 estar perante o nosso medo maior. Independentemente das tonalidades com que este medo se possa apresentar, \u00e9 ineg\u00e1vel que, para com ele podermos conviver, necessitamos de compet\u00eancias de elevada exig\u00eancia, dif\u00edceis de fundar, construir, desenvolver e desempenhar de forma sustentada, porque associadas ao pr\u00f3prio desenvolvimento humano no que ele tem de mais humano.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Se as transforma\u00e7\u00f5es sociais normalmente designadas pelo termo de modernidade tardia permitem abrir um espa\u00e7o de reflex\u00e3o sobre estas pr\u00e1ticas enquanto pr\u00e1ticas profissionais, antes nem sequer enunciado, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que essas mesmas transforma\u00e7\u00f5es, na sua via mais instrumental e estrat\u00e9gica, convidam \u00e0 fuga, \u00e0 evas\u00e3o e \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o. O vislumbre da plenitude do sujeito acompanha-se, em igual medida, da sua anula\u00e7\u00e3o. Se esta situa\u00e7\u00e3o paradoxal \u00e9 o quadro problem\u00e1tico por rela\u00e7\u00e3o com o qual todos os esfor\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da rela\u00e7\u00e3o devem ser enunciados, repensados e organizados \u2013 entrela\u00e7ando componentes relacionais, desenvolvimentais e t\u00e9cnicas no saber profissional que, em uso, \u00e9 um s\u00f3 -, \u00e9 um facto que, no campo da sa\u00fade, o desafio \u00e9 exponencial. Os apontamentos que neste livro se fazem a respeito da forma\u00e7\u00e3o dos profissionais s\u00e3o, por isso, tamb\u00e9m, um dos seus importantes contributos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Para finalizar, e enquanto orientadora do trabalho que agora se publica, n\u00e3o posso deixar de destacar \u2013 porque menos vis\u00edveis na leitura &#8211; as capacidades t\u00e9cnicas, relacionais e pessoais da autora enquanto investigadora, a bra\u00e7os com uma metodologia e um problema de investiga\u00e7\u00e3o t\u00e3o complexos, sens\u00edveis e exigentes. Perante esta dif\u00edcil tarefa, a autora adoptou sempre uma postura, simultaneamente serena e determinada, aberta ao novo e informada, intelectualmente rigorosa e afectivamente compadecida. Nunca me esquecerei daquelas sess\u00f5es de trabalho em que \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de rigor cient\u00edfico e da compreens\u00e3o das problem\u00e1ticas t\u00e3o naturalmente se juntavam as nossas l\u00e1grimas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"right\">Am\u00e9lia Lopes<\/p>\n<p align=\"right\">\n<p style=\"margin-top: 0; margin-bottom: 0;\" align=\"right\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qualquer que seja a situa\u00e7\u00e3o, o car\u00e1cter de uma not\u00edcia \u2013 bom ou mau &#8211; est\u00e1 sempre relacionado com a interpreta\u00e7\u00e3o que presumimos que aquele a quem a damos lhe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":858,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-860","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-formasau"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=860"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/860\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2531,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/860\/revisions\/2531"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}