{"id":852,"date":"2008-05-03T14:33:26","date_gmt":"2008-05-03T14:33:26","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/afasia\/"},"modified":"2021-05-04T10:04:35","modified_gmt":"2021-05-04T10:04:35","slug":"afasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/afasia\/","title":{"rendered":"Afasia"},"content":{"rendered":"<p>A afasia pode ocorrer conjuntamente com outros s\u00edndromes, podendo, particularmente nos estados agudos, ser de dif\u00edcil diferencia\u00e7\u00e3o de outros dist\u00farbios que envolvam a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>Nursing n\u00ba 232<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Carlos Alberto Machado Louren\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeiro Graduado no Hospital Infante D. Pedro, EPE, Aveiro. Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem de Reabilita\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Rosa Maria das Neves Mendes<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeira Graduada no Centro de Sa\u00fade de Oliveira do Bairro, Mestre em Administra\u00e7\u00e3o e Planifica\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem de Reabilita\u00e7\u00e3o. P\u00f3s graduada em Administra\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Sa\u00fade e em Enfermagem Oncol\u00f3gica<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Este documento aborda a afasia como um foco de aten\u00e7\u00e3o em enfermagem, privilegiando sobretudo a sua vertente ps\u00edquica, social e familiar. No entanto, outros aspectos ser\u00e3o tamb\u00e9m aqui tratados embora de forma sucinta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Come\u00e7ando pelo conceito de afasia segundo v\u00e1rios autores, passando pela classifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de afasia (Broca, Wernicke, Condu\u00e7\u00e3o, An\u00f3mica, Transcortical e Global), os meios auxiliares de diagn\u00f3stico (hist\u00f3ria cl\u00ednica, avalia\u00e7\u00e3o formal e informal) e factores determinantes no progn\u00f3stico (etiologia, local e extens\u00e3o da les\u00e3o, tipo de afasia, gravidade inicial e altera\u00e7\u00f5es associadas).<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, a matriz deste artigo situa-se no \u00faltimo ponto que se debru\u00e7a sobre as implica\u00e7\u00f5es psico-s\u00f3cio-familiares da afasia, tais como comunica\u00e7\u00e3o verbal ineficaz, d\u00e9fice de auto-estima, processos familiares alterados, d\u00e9fice de adapta\u00e7\u00e3o e isolamento social, que servem de linha orientadora para profissionais de sa\u00fade, fam\u00edlia e cuidadores na abordagem ao doente af\u00e1sico.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Afasia fluente, afasia n\u00e3o fluente, agnosia, apraxia e dem\u00eancia, bases neurol\u00f3gicas da linguagem<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">This document presents an approach to aphasia as a focus of attention in nursing, highlighting its psychic, social and familiar dimensions. Other aspects of aphasia will algo be briefly dealt with in this paper, such as the concept of aphasia according to different authors, the classification and the characterisation of different types of aphasia, auxiliary means of diagnosis and determinant factors in the prognosis.<\/p>\n<p align=\"justify\">However, the main focus of this paper lies on the last aspect, which focuses on the psychosocial, familiar implications of aphasia, such as ineffective verbal communication, low self-esteem, altered family processes, lack of adaptation and social isolation. All these serve as guidelines for health professionals, family members and carers in their approach to aphasic patients.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> fluent aphasia, non-fluent aphasia, agnosia, apraxia, dementia, neurological basis of language.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Interagir com os outros e com o mundo \u00e9 a nossa melhor aventura existencial. \u00c9 do conhecimento geral o lugar que a fala e a escrita ocupam nas in\u00fameras possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo em conta a crucial import\u00e2ncia que a linguagem possui em todas as actividades e dimens\u00f5es da nossa vida (social, afectiva, profissional, intelectual, etc.), n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil imaginar o impacto que a afasia provoca nas ac\u00e7\u00f5es comunicativas, interactivas e interpretativas com as quais lidamos quotidianamente e que nos conferem uma identidade e reconhecimento social.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de estatisticamente demonstrada a sua elevada incid\u00eancia entre as sequelas de doen\u00e7as neurol\u00f3gicas, na verdade, a falta de informa\u00e7\u00e3o relativamente \u00e0s afasias \u00e9 enorme. Talvez por isso, n\u00e3o raras vezes, nos deparamos com a pouca objectividade na conviv\u00eancia e atendimento ao doente af\u00e1sico.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 actualmente, ainda poss\u00edvel afirmar que alguns preconceitos existentes na nossa sociedade s\u00e3o impeditivos de uma melhor compreens\u00e3o da afasia, quer sob o ponto de vista m\u00e9dico quer social. Se n\u00e3o vejamos alguns exemplos: \u00e9 hoje no meio cl\u00ednico aceite a ideia que \u201cuma vez atingido, o tecido cerebral n\u00e3o se regenera\u201d, em ambiente social \u00e9 lugar-comum encarar a pessoa af\u00e1sica como \u201cinapto para voltar ao trabalho ou aprender novo of\u00edcio\u201d, \u201cs\u00f3 pensa bem quem fala bem\u201d. Tendo em conta o exposto, a afasia n\u00e3o pode ser entendida apenas como uma altera\u00e7\u00e3o da linguagem, ela \u00e9 sobretudo uma quest\u00e3o social e com tal deve ser encarada. Acreditamos que a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e gerais bem como a reflex\u00e3o sobre estas quest\u00f5es, pode contribuir de forma decisiva para a constru\u00e7\u00e3o de bases de compreens\u00e3o, respeito e solidariedade para com os af\u00e1sicos e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com a realiza\u00e7\u00e3o deste artigo, pretendemos acima de tudo fornecer elementos e ferramentas que permitam a profissionais de sa\u00fade, af\u00e1sicos, fam\u00edlia e amigos, compreender melhor a afasia e enfrentar as dificuldades dela decorrentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, o doente af\u00e1sico espera de n\u00f3s, enfermeiros reabilitadores, um importante contributo para a obten\u00e7\u00e3o de ganhos em sa\u00fade num aspecto t\u00e3o prim\u00e1rio e por isso t\u00e3o importante, como \u00e9 a necessidade de comunicar.<\/p>\n<p align=\"justify\">No que concerne \u00e0 sua estrutura, este artigo tem a seguinte organiza\u00e7\u00e3o: um primeiro ponto onde \u00e9 feita uma breve descri\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica de aspectos relacionados com a afasia (bases neuro-fisiol\u00f3gicas, defini\u00e7\u00e3o, classifica\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico diferencial, avalia\u00e7\u00e3o e progn\u00f3stico), no segundo ponto \u00e9 feita refer\u00eancia \u00e0s principais implica\u00e7\u00f5es psico-s\u00f3cio-familiares enfrentadas pelo doente af\u00e1sico e sua fam\u00edlia, finalmente e suportado essencialmente pela Nursing Intervention Classification (NIC) 2004, s\u00e3o descritas as interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas de enfermagem consideradas mais adequadas para dar resposta aos problemas levantados por este foco de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es gerais sobre a afasia<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Historicamente, a refer\u00eancia mais antiga que se conhece relativa a esta quest\u00e3o, remonta a 3000 a.C., aludindo a indiv\u00edduos com d\u00e9fices ou les\u00f5es neurol\u00f3gicas e suas consequ\u00eancias na fenomenologia humana.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, os primeiros passos s\u00e9rios para compreender como se organiza a linguagem dentro do c\u00e9rebro, baseados no estudo de doentes af\u00e1sicos, s\u00e3o atribu\u00eddos a Brocca e Wernicke.<\/p>\n<p align=\"justify\">Broca conseguiu identificar as \u00e1reas envolvidas no controlo da linguagem, localizando uma les\u00e3o na circunvolu\u00e7\u00e3o frontal \u00e0 qual correspondia um grave dist\u00farbio motor da linguagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1973, o neurologista Carl Wernicke identificou um outro tipo de afasia caracterizada por uma dificuldade de compreens\u00e3o auditiva da linguagem oral.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Bases neurofisiologias da linguagem<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Actualmente, \u00e9 unanimemente aceite que os hemisf\u00e9rios cerebrais s\u00e3o anatomicamente e funcionalmente assim\u00e9tricos. Na fun\u00e7\u00e3o da linguagem, por exemplo, o hemisf\u00e9rio esquerdo \u00e9 considerado dominante na maioria dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O aumento do conhecimento acerca da rela\u00e7\u00e3o funcional cerebral e suas bases neurofisiol\u00f3gicas, permitem sustentar a ideia da exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o entre o hemisf\u00e9rio esquerdo e a utiliza\u00e7\u00e3o predominante da m\u00e3o direita. Sabe-se hoje, que em 96% dos dextros, o hemisf\u00e9rio dominante para a linguagem \u00e9 o esquerdo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar desta domin\u00e2ncia hemisf\u00e9rica, alguns autores como Stemmer (1999), apontam para o facto de uma les\u00e3o do hemisf\u00e9rio direito poder afectar a linguagem a v\u00e1rios n\u00edveis, nomeadamente na compreens\u00e3o de hist\u00f3rias e f\u00e1bulas, assim como frases com sentido metaf\u00f3rico. Com base nisto, Carlson (2002) e outros autores consideram um erro pensar que o hemisf\u00e9rio direito n\u00e3o desempenha fun\u00e7\u00f5es no controlo da linguagem. Segundo Fonseca (2001), nenhuma \u00e1rea cerebral se pode assumir como \u00fanica respons\u00e1vel por qualquer comportamento humano volunt\u00e1rio ou superior, exactamente porque o desempenho ou a realiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es se fundamenta numa interac\u00e7\u00e3o din\u00e2mica e sist\u00e9mica de muitas \u00e1reas do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, com base nas concep\u00e7\u00f5es mais cl\u00e1ssicas das estruturas anat\u00f3micas envolvidas na linguagem, sugere-se a exist\u00eancia de tr\u00eas \u00e1reas bem definidas no hemisf\u00e9rio esquerdo: \u00e1rea de Broca no lobo frontal inferior, a \u00e1rea de Wernicke na jun\u00e7\u00e3o do lobo parieto-temporal superior e o giro angular. N\u00e3o obstante, s\u00e3o de considerar outras estruturas cerebrais implicadas na linguagem, como sejam, os g\u00e2nglios da base do hemisf\u00e9rio esquerdo, o t\u00e1lamo, as c\u00e1psulas interna, externa e extrema e os fasc\u00edculos inter e intra hemisf\u00e9ricos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Afasia<\/strong><\/h4>\n<p>A afasia tem sido descrita como uma perturba\u00e7\u00e3o ou dist\u00farbio da linguagem que resulta de uma disfun\u00e7\u00e3o ou les\u00e3o cerebral, localizada nas estruturas que se sup\u00f5em estarem envolvidas no processamento da linguagem (cfr. Caldas 2000). Ainda segundo este autor, aponta-se como causas mais frequentes da afasia os acidentes vasculares cerebrais, tumores e doen\u00e7as degenerativas.<\/p>\n<p>Segundo Maria Irm\u00e3 Hadler Coudry (1988), afasia \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o da linguagem em que h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o de mecanismos lingu\u00edsticos em todos os n\u00edveis, quer produtivo, quer interpretativo, causada por les\u00e3o estrutural do sistema nervoso central em virtude de acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cr\u00e2neo-encef\u00e1licos (TCE) ou tumores.<\/p>\n<p>De acordo com a CIPE (Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a Pr\u00e1tica de Enfermagem),<\/p>\n<p>(\u2026) \u201ca afasia \u00e9 um tipo de fala com caracter\u00edsticas espec\u00edficas: defeito ou aus\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o da linguagem no aspecto de usar e compreender as palavras; associada a les\u00e3o de determinadas \u00e1reas do c\u00e9rebro, por exemplo por traumatismo craniano grave, AVC, hipoxia prolongada ou acidentes cardiovasculares\u201d (2003, p. 35).<\/p>\n<p>Em suma, a afasia pode ser definida como um dist\u00farbio na capacidade de interpretar e formular est\u00edmulos de linguagem, secund\u00e1rio a les\u00e3o cerebral.<\/p>\n<p align=\"justify\">A express\u00e3o e compreens\u00e3o escrita est\u00e3o em regra mais afectadas que a sua componente oral, no entanto, ambas as modalidades est\u00e3o envolvidas em graus vari\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"justify\">A causa mais comum de afasia \u00e9 o AVC esquerdo (85%). Traduz uma doen\u00e7a focal, geralmente localizada no hemisf\u00e9rio esquerdo, embora possa surgir associada a outros dist\u00farbios em les\u00f5es cerebrais difusas. Apesar de traduzir primariamente les\u00e3o cortical, a sua presen\u00e7a est\u00e1 bem documentada em les\u00f5es sub-corticais.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Classifica\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">T\u00eam havido m\u00faltiplas tentativas de classifica\u00e7\u00e3o das afasias em grupos espec\u00edficos, deparando-se muitas vezes com alguma dificuldades quando se tenta compartimentar d\u00e9fices que envolvem a integra\u00e7\u00e3o de sistemas complexos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Cummings (1985), Goodglass e Kaplan (1983) distinguem as s\u00edndromes af\u00e1sicas pelo padr\u00e3o de atingimento ao n\u00edvel de crit\u00e9rios espec\u00edficos de linguagem, nomeadamente: flu\u00eancia, compreens\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o e nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa tentativa de padronizar a terminologia, o sistema de classifica\u00e7\u00e3o de Boston come\u00e7a por classificar os dist\u00farbios de acordo com as suas habilidades expressivas em termos de d\u00e9bito como: fluentes e n\u00e3o fluentes (considera-se normal para um adulto um discurso com 160 a 180 palavras\/min, considerando-se n\u00e3o fluido um discurso com &lt;50 palavras\/min e fluido &gt;100 palavras\/min).<\/p>\n<p align=\"justify\">Este sistema define oito principais tipos de afasia:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Afasia fluente \u2013 Wernicke, transcortical sensitiva, de condu\u00e7\u00e3o e an\u00f3mica,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Afasia n\u00e3o fluente \u2013 Broca, transcortical motora, transcortical mista e global.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro n.\u00ba 1 &#8211; Principais s\u00edndromes af\u00e1sicos \u2013 Formas cl\u00e1ssicas<\/p>\n<div align=\"left\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"14%\">\nS. Af\u00e1sico<\/td>\n<td width=\"13%\">\nFlu\u00eancia<\/td>\n<td width=\"18%\">\nCompreens\u00e3o<\/td>\n<td width=\"14%\">\nRepeti\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td width=\"14%\">\nNomea\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td width=\"24%\">\nDisfun\u00e7\u00e3o regi\u00e3o c\u00e9rebro<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Broca<\/td>\n<td align=\"center\">N\u00e3o fluente<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Operculum frontal esq., c\u00f3rtex insula esq., subs. branca adjacente<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Motora transcortical<\/td>\n<td align=\"center\">N\u00e3o fluente<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">\u00c1rea motora suplementar<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Sensitiva transcortical<\/td>\n<td align=\"center\">Fluente<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lobo parietal inferior esquerdo<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Global<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Extensa \u00e1rea da convexidade do hemisf\u00e9rio esquerdo<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Mista<\/p>\n<p>transcortical<\/td>\n<td align=\"center\">N\u00e3o fluente<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Wernicke<\/td>\n<td align=\"center\">Fluente<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lobo parietal esquerdo, posterior e superior, lobo parietal inferior esquerdo<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Condu\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td align=\"center\">Fluente<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Fasc\u00edculo arqueado esquerdo ou insula e subst\u00e2ncia branca adjacente esquerda<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>An\u00f3mica<\/td>\n<td align=\"center\">Fluente<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Intacta<\/td>\n<td align=\"center\">Lesada<\/td>\n<td align=\"center\">Girus angular esquerdo ou giro temporal medial posterior esquerdo<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">Fonte: COELHO, Manuela (1997) \u2013 Afasia ap\u00f3s acidente vascular cerebral. Boletim do Hospital de S. Marcos. Braga. N\u00ba 2, p. 87\n<\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A afasia pode ocorrer conjuntamente com outros s\u00edndromes, podendo, particularmente nos estados agudos, ser de dif\u00edcil diferencia\u00e7\u00e3o de outros dist\u00farbios que envolvam a comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso necess\u00e1rio diagn\u00f3stico diferencial preciso, j\u00e1 que cada dist\u00farbio da comunica\u00e7\u00e3o requer tratamentos e estrat\u00e9gias de abordagem diferentes. Assim, em seguida s\u00e3o apresentados alguns diagn\u00f3sticos diferenciais importantes:<\/p>\n<p align=\"justify\">Agnosia &#8211; \u00c9 a incapacidade de reconhecer ou interpretar informa\u00e7\u00f5es numa dada modalidade sensorial, quando o \u00f3rg\u00e3o final est\u00e1 intacto. Doentes com agnosia podem ser diferenciados daqueles com afasia porque est\u00e3o comprometidos somente numa modalidade sensorial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apraxia \u2013 Caracteriza-se pela capacidade prejudicada em programar o posicionamento da musculatura da fala e sequenciar os movimentos para a produ\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da fala, quando os \u00f3rg\u00e3os efectores est\u00e3o intactos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dem\u00eancia \u2013 O doente af\u00e1sico raramente evidencia outros d\u00e9fices cognitivos, vistos na les\u00e3o difusa, como altera\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria, incapacidade para aprender, mau julgamento, desorienta\u00e7\u00e3o e desaten\u00e7\u00e3o aos cuidados pessoais. O doente com dem\u00eancia possui frequentemente afasia associada a outros d\u00e9fices, sendo o progn\u00f3stico para readquirir habilidades, mais favor\u00e1vel no af\u00e1sico.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">De acordo com Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a pr\u00e1tica de Enfermagem (CIPE\/ICNP, Vers\u00e3o Beta2, 2003)<\/p>\n<p align=\"justify\">(\u2026) \u201cUm diagn\u00f3stico de enfermagem \u00e9 uma designa\u00e7\u00e3o atribu\u00edda por uma enfermeira \u00e0 decis\u00e3o sobre um fen\u00f3meno que representa o foco das interven\u00e7\u00f5es de enfermagem.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Seguindo ainda, as orienta\u00e7\u00f5es fornecidas pela CIPE\/ICNP um diagn\u00f3stico de enfermagem \u00e9 composto por conceitos contidos nos eixos da Classifica\u00e7\u00e3o dos Fen\u00f3menos de Enfermagem. Assim, deve incluir:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Um termo do Eixo do Foco da Pr\u00e1tica de Enfermagem (Eixo A),<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Um termo do Eixo do Ju\u00edzo (Eixo B) ou do Eixo da Probabilidade (Eixo G),<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">O uso de termos contidos em outros eixos para refor\u00e7ar o diagn\u00f3stico \u00e9 opcional,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Para a constru\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico de enfermagem apenas pode ser usado um termo de cada eixo.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A t\u00edtulo de exemplo, reportando ao foco de aten\u00e7\u00e3o deste artigo, baseado nos dados colhidos atrav\u00e9s da hist\u00f3ria cl\u00ednica, avalia\u00e7\u00e3o informal e avalia\u00e7\u00e3o formal (recorrendo aos resultados provenientes da aplica\u00e7\u00e3o de testes de quantifica\u00e7\u00e3o da afasia), podemos chegar a um diagn\u00f3stico de enfermagem do tipo &#8211; Afasia sensorial em grau moderado.<\/p>\n<p align=\"justify\">A elabora\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico de enfermagem deve assentar numa rigorosa an\u00e1lise de dados obtidos atrav\u00e9s de:<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Hist\u00f3ria cl\u00ednica<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Idade \u2013 isoladamente n\u00e3o possui grande significado, no entanto a associa\u00e7\u00e3o de patologias mais comuns em idades avan\u00e7adas pode ter influ\u00eancia;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Sexo \u2013 embora este aspecto n\u00e3o seja consensual, as mulheres t\u00eam uma representa\u00e7\u00e3o mais bilateral da linguagem, o que implica um progn\u00f3stico mais favor\u00e1vel nestas;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Lateralidade \u2013 mais de 95% dos dextros t\u00eam como hemisf\u00e9rio dominante o esquerdo, o que acontece em apenas 70% dos canhotos, sendo 15% os indiv\u00edduos com representa\u00e7\u00e3o bilateral, pelo que uma eventual les\u00e3o cerebral se repercutiria com menor probabilidade nestes que nos dextros;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Etiologia \u2013 geralmente perturba\u00e7\u00f5es de origem traum\u00e1tica t\u00eam melhor progn\u00f3stico e est\u00e3o associadas a outros d\u00e9fices (aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria);<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Tempo de evolu\u00e7\u00e3o \u2013 uma afasia evolui espontaneamente durante os tr\u00eas a seis primeiros meses. Se ap\u00f3s este per\u00edodo se mantiver sem evolu\u00e7\u00e3o ter\u00e1 pior progn\u00f3stico;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Personalidade pr\u00e9via e transtornos psiqui\u00e1tricos;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Meio social;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Escolaridade.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Os principais objectivos da avalia\u00e7\u00e3o de uma afasia s\u00e3o fazer um diagn\u00f3stico diferencial, medir a gravidade do dist\u00farbio, estabelecer um progn\u00f3stico e definir interven\u00e7\u00f5es. Pode ser formal ou informal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Avalia\u00e7\u00e3o informal &#8211; \u00c9 um outro recurso ao alcance do enfermeiro e que explora quatro \u00e1reas fundamentais da linguagem: discurso espont\u00e2neo, compreens\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o e nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol type=\"a\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Discurso espont\u00e2neo \u2013 avalia-se dando temas ao doente com doen\u00e7a, profiss\u00e3o, idade, estado civil.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"justify\">Permite diferenciar afasia de disartria, por exemplo:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Teste da fona\u00e7\u00e3o e resson\u00e2ncia &#8211; (aaaah),<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Fun\u00e7\u00e3o dos l\u00e1bios \u2013 pa pa pa,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Fun\u00e7\u00e3o da l\u00edngua \u2013 ta ta ta,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Fun\u00e7\u00e3o laringe posterior \u2013 ca ca ca.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Permite avaliar:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Linguagem autom\u00e1tica (dias da semana, meses do ano, contar at\u00e9 20),<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Denomina\u00e7\u00e3o \u2013 mostrando imagens objectos e partes do corpo,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Repeti\u00e7\u00e3o \u2013 s\u00edlabas, palavras frases, n\u00fameros.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"2\" type=\"a\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Compreens\u00e3o \u2013 \u00e9 a \u00e1rea mais dif\u00edcil de avaliar. Explora-se solicitando ao doente que:<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Siga comandos simples num s\u00f3 passo e depois aumente progressivamente o n\u00famero de passos,<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ex. 1\u00ba tire os \u00f3culos. 2\u00ba abra o livro. 3\u00ba toque o nariz.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se acertar em dois dos comandos, passar para comandos em duas etapas,<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ex. toque a minha m\u00e3o e depois o joelho.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E assim sucessivamente\u2026<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Seguir comandos usando objectos,<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ex. toque na caneta e depois no clipe.<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Di\u00e1logo simples pedindo respostas sim\/n\u00e3o,<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ex. uma pedra flutua na \u00e1gua?<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Leitura de texto pelo examinador, fazendo perguntas sobre ele,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Compreens\u00e3o de ordens escritas (importante se houver d\u00e9fices auditivos),<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Identifica\u00e7\u00e3o de imagens simples passando para imagens mais complexas,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Correspond\u00eancia entre imagens e frases.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"3\" type=\"a\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Leitura \u2013 \u00e9 importante saber com lia antes. Avalia-se solicitando:<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Leitura de s\u00edlabas, palavras, frases,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Identifica\u00e7\u00e3o de letras e palavras escritas dentro de outras,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Leitura do texto pelo doente com perguntas sobre o texto pelo examinador,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Legendar uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"4\" type=\"a\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Linguagem elaborada \u2013 explora-se solicitando ao doente:<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Defini\u00e7\u00e3o de palavras,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Explica\u00e7\u00e3o de prov\u00e9rbios,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Similitudes (c\u00e3o\/gato, chap\u00e9u\/casaco, bicicleta\/comboio),<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Sin\u00f3nimos ant\u00f3nimos,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Resolu\u00e7\u00e3o de problemas que impliquem racioc\u00ednio l\u00f3gico.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0 ex. O Jo\u00e3o tem 4 ma\u00e7\u00e3s e o Pedro tem 2, quantas t\u00eam os dois juntos?<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Avalia\u00e7\u00e3o formal \u2013 As baterias de testes existentes permitem para al\u00e9m de identificar o tipo de afasia, quantificar o grau de afec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">As mais conhecidas s\u00e3o:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Exame Diagn\u00f3stico da Afasia de Boston \u2013 vinte e sete subtestes n\u00e3o baseados em linguagem. O examinador avalia a fala do paciente em conversas e a compreens\u00e3o auditiva numa escala de sete pontos. Esta escala \u00e9 usada para classificar os doentes,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Bateria de Afasia Western \u2013 \u00e9 uma modifica\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do Exame Diagn\u00f3stico da Afasia de Boston. Os pontos nas modalidades auditivas e expressivas produzem um quociente de afasia (QA). Uma pontua\u00e7\u00e3o do QA inferior a 93,8 \u00e9 consistente com afasia,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Teste Minnesota para Diagn\u00f3stico Diferencial da Afasia \u2013 \u00e9 constitu\u00eddo por quarenta e sete sub-testes, sendo particularmente \u00fatil para reconhecer e classificar d\u00e9fices de compreens\u00e3o auditiva,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Teste Frenchay da Afasia \u2013 permite a distin\u00e7\u00e3o entre af\u00e1sico e n\u00e3o af\u00e1sico mediante o n\u00famero de elementos identificados em duas l\u00e2minas, uma com uma cena campestre, outra com figuras geom\u00e9tricas.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Aphasia Language Perfomance Scale \u2013 permite uma pontua\u00e7\u00e3o de zero a dez nas \u00e1reas da compreens\u00e3o, conversa\u00e7\u00e3o, leitura e escrita.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Progn\u00f3stico<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Estudos levados a cabo em af\u00e1sicos permitem concluir que 25% recuperam uma linguagem pr\u00f3xima da anterior, 50% mant\u00eam altera\u00e7\u00f5es marcadas nomeadamente no d\u00e9bito, nomea\u00e7\u00e3o e escrita, 25% ficam com sequelas graves n\u00e3o beneficiando da reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Davies, alguns factores devem ser considerados na predi\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Etiologia \u2013 formas traum\u00e1ticas t\u00eam recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida que os AVCs,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Local da les\u00e3o \u2013 les\u00f5es em \u00e1reas marginais t\u00eam melhor recupera\u00e7\u00e3o que em \u00e1reas nobres da linguagem.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Tipo de afasia \u2013 afasia de Broca e de Condu\u00e7\u00e3o apresentam melhor \u00edndice de recupera\u00e7\u00e3o, a afasia an\u00f3mica tem o melhor resultado, a afasia de Wernicke alterna bons com maus resultados, a afasia Global geralmente tem maus resultados em particular se persiste para al\u00e9m das duas a quatro semanas.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Gravidade inicial \u2013 isoladamente \u00e9 a forma mais fi\u00e1vel para determina\u00e7\u00e3o do progn\u00f3stico.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Extens\u00e3o da les\u00e3o \u2013 a Tomografia Axial Computorizada (TAC) tem sido \u00fatil na revela\u00e7\u00e3o do n\u00famero de cortes em que se v\u00ea a les\u00e3o e a extens\u00e3o da les\u00e3o em cada corte.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Altera\u00e7\u00f5es associadas \u2013 a apraxia bucofacial que frequentemente acompanha a afasia de Broca, transcortical motora e de condu\u00e7\u00e3o geralmente piora o seu progn\u00f3stico. A presen\u00e7a de hemineglig\u00eancias e agnosias dificultam a reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Implica\u00e7\u00f5es psico-s\u00f3cio-familiares da afasia<\/p>\n<p align=\"justify\">Como j\u00e1 foi anteriormente referenciado, \u00e9 errado considerar a afasia apenas como uma afec\u00e7\u00e3o da linguagem, pois isso implicaria um tipo de abordagem para reabilita\u00e7\u00e3o do doente af\u00e1sico logo \u00e0 partida condenada ao fracasso. A afasia tem um efeito lesivo muito mais abrangente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pressup\u00f5e desde logo graves danos na integridade ps\u00edquica do indiv\u00edduo, altera\u00e7\u00f5es profundas na sua actividade ocupacional e social, conduzindo invariavelmente \u00e0 descrimina\u00e7\u00e3o no trabalho e por vezes \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o envergonhada dos amigos, a desequil\u00edbrios severos do seu relacionamento afectivo e familiar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por aqui se pode constatar que, deste foco de aten\u00e7\u00e3o em enfermagem emergem v\u00e1rios outros n\u00e3o menos importantes, em rela\u00e7\u00e3o aos quais, o enfermeiro se encontra em posi\u00e7\u00e3o privilegiada para intervir.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, a pessoa af\u00e1sica enfrenta sobretudo problemas de:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Comunica\u00e7\u00e3o verbal ineficaz, por possuir uma habilidade diminu\u00edda, retardada ou ausente para receber, processar, transmitir e usar um sistema de s\u00edmbolos,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Auto-estima, pois a opini\u00e3o que tem de si, a vis\u00e3o do seu m\u00e9rito e capacidades, assim como a auto-confian\u00e7a ser\u00e3o seriamente abalados. Existe uma marcada atitude de auto-limita\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Processos familiares alterados, devido \u00e0 ruptura ou inadequa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre os membros do agregado familiar,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Adapta\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 sua inabilidade para gerir esta nova situa\u00e7\u00e3o\/desafio e incapacidade de modificar o seu estilo de vida\/comportamento de forma consistente relativamente \u00e0 mudan\u00e7a no seu estado de sa\u00fade,<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Isolamento social, devido aos processos de socializa\u00e7\u00e3o inadequada que o af\u00e1sico desenvolve e que o coloca distante dos outros, diminuindo os seus contactos.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">No fundo, \u00e9 esta a matriz onde o enfermeiro r%abilitador pode desenvolver o seu trabalho no \u00e2mbito de uma vasta equipa pluridisciplinar. \u00c9 precisamente esse aspecto que ser\u00e1 desenvolvido no ponto que se segue.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Na realiza\u00e7\u00e3o deste artigo n\u00e3o foi nossa pretens\u00e3o fazer uma abordagem exaustiva do tema. Contudo, esperamos ter conseguido despertar o leitor para as m\u00faltiplas implica\u00e7\u00f5es que a afasia tem na pessoa portadora deste tipo de limita\u00e7\u00e3o, bem como em todas as outras estruturas envolventes, fam\u00edlia, amigos, emprego e sociedade em geral.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mais do que fornecer ao leitor informa\u00e7\u00f5es acerca do conceito, classifica\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico da afasia, que embora importantes facilmente poderiam ser encontradas em in\u00fameras outras obras, foi finalidade deste artigo fragmentar este foco de aten\u00e7\u00e3o nas diversas vertentes com significado para a enfermagem, a partir da\u00ed seleccionar e agrupar diversas interven\u00e7\u00f5es que lhes conferem objectiva\u00e7\u00e3o e permitem a sua concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esperamos por isso que este documento seja \u00fatil, n\u00e3o s\u00f3 para uma melhor compreens\u00e3o da afasia, mas tamb\u00e9m para que uma nova postura face ao doente af\u00e1sico surja por parte de profissionais de sa\u00fade, fam\u00edlia, amigos e cuidadores, podendo deste modo cumprir os seus objectivos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">CALDAS, Alexandre Castro et al \u2013 T\u00e9cnicas de reabilita\u00e7\u00e3o usadas em doentes af\u00e1sicos. Integrar. Lisboa. ISSN 0872- 4865, n.\u00ba 6 (1995), p.14-19.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">COELHO, Manuela M\u00farias de Mira et al \u2013 Afasia ap\u00f3s acidente vascular cerebral. Boletim do Hospital de S\u00e3o Marcos. Braga. ISSN 0871-6579. N.\u00ba 2(1997), p.83-91.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIRAS \u2013 Classifica\u00e7\u00e3o internacional para a pr\u00e1tica de enfermagem. 2.\u00aa ed. Lisboa: Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Enfermeiras, Vers\u00e3o Beta 2, 2003.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">CORREIA, Carina et al \u2013 Bases neurofisiol\u00f3gicas da linguagem: uma revis\u00e3o a partir de dados hist\u00f3ricos e cl\u00ednicos. Psiquiatria Cl\u00ednica. Figueira da Foz. Vol. 25, n.\u00ba 2 (2004), p. 115 \u2013 126.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">DELISA, Joel A. et al \u2013 Tratado de medicina de reabilita\u00e7\u00e3o: princ\u00edpios e pr\u00e1tica. 3.\u00aa ed. Barueri: Manole, 2002. ISBN 85-204-1052-9.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">LOUISE Grondin et al \u2013 Planifica\u00e7\u00e3o dos cuidados de enfermagem. Lisboa: Instituto Piaget, 1992. ISBN 972-9295-18-2<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MCCLOSKEY, Joanne C.; BULECHEK, Gloria M. \u2013 Nursing intervention classification (NIC). 3.\u00aa ed. Porto Alegre: Artemed Editora 2004.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">WIROTIUS, JM; G\u00c9RARD CI et PLASSIARD-CHOISAT C. R\u00e9\u00e9ducation du langage. Enciclop\u00e9die M\u00e9dico-Chirurgicale. Elsevier, Paris. 26-437-A-10, 1997, p. 1-11.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A afasia pode ocorrer conjuntamente com outros s\u00edndromes, podendo, particularmente nos estados agudos, ser de dif\u00edcil diferencia\u00e7\u00e3o de outros dist\u00farbios que envolvam a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[497,498,499,201,468,404,131],"class_list":["post-852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-afasia","tag-agosia","tag-apraxia","tag-comunicacao","tag-demencia","tag-linguagem","tag-reabilitacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=852"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2783,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/852\/revisions\/2783"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}