{"id":842,"date":"2008-04-02T19:54:28","date_gmt":"2008-04-02T19:54:28","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/historia-dos-conceitos-de-saude-e-de-doenca\/"},"modified":"2021-05-04T10:04:53","modified_gmt":"2021-05-04T10:04:53","slug":"historia-dos-conceitos-de-saude-e-de-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/historia-dos-conceitos-de-saude-e-de-doenca\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria dos Conceitos de Sa\u00fade e de Doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>O que se entende hoje por sa\u00fade e doen\u00e7a foi surgindo do nada inicial, isto \u00e9, da incompreens\u00e3o do homem primitivo dos fen\u00f3menos que o envolviam, suas causas e seus efeitos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>Nursing n\u00ba 231<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Rosa Maria das Neves Mendes<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeira Graduada no Centro de Sa\u00fade de Oliveira do Bairro, Mestre em Administra\u00e7\u00e3o e Planifica\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem de Reabilita\u00e7\u00e3o. P\u00f3s graduada em Administra\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Sa\u00fade e em Enfermagem Oncol\u00f3gica<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O que se entende hoje por sa\u00fade e doen\u00e7a foi surgindo do nada inicial, isto \u00e9, da incompreens\u00e3o do homem primitivo dos fen\u00f3menos que o envolviam, suas causas e seus efeitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois de muitos mil\u00e9nios de estagna\u00e7\u00e3o, s\u00f3 recentemente se formaram alguns conceitos b\u00e1sicos coerentes e a sua interpreta\u00e7\u00e3o racional, passou a fazer parte das preocupa\u00e7\u00f5es que a mentalidade mais desenvolvida de alguns sectores da popula\u00e7\u00e3o, nos chamados pa\u00edses civilizados, soube criar e difundir.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> doen\u00e7a, sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">What is known today about health and illness has emerged from the initial nothingness, that is, from primitive man\u2019s incomprehension of the phenomena that surrounded him, as well as of their causes and effects. Only recently, after millennia of stagnation, have some consistent basic concepts been developed, and the rational analysis of these concepts has become part of the preoccupations that have been created and promoted by the more developed mentalities coming from some sectors of the population, in the so called civilised countries<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> health, illness<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Ao procurar compreender o homem contempor\u00e2neo ocidental, somos obrigados a questionar as pr\u00f3prias origens da cultura moderna.<\/p>\n<p align=\"justify\">Importa, pois, encontrar a unidade temporal, adequada \u00e0 observa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e epistemol\u00f3gica, na medida em que as civiliza\u00e7\u00f5es, as institui\u00e7\u00f5es, as mentalidades, as pol\u00edticas, os ciclos econ\u00f3micos, as t\u00e9cnicas e as ci\u00eancias t\u00eam um ritmo de vida e de crescimento particular.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste longo percurso de hominiza\u00e7\u00e3o podem destacar-se cinco per\u00edodos: a Pr\u00e9-hist\u00f3ria, a cultura Greco-romana, a Idade M\u00e9dia, o Renascimento e a Idade das Luzes (cfr. Trigo, 2000, p. 5-6).<\/p>\n<p align=\"justify\">A evolu\u00e7\u00e3o dos conceitos de sa\u00fade e de doen\u00e7a e da pr\u00e1tica de organiza\u00e7\u00e3o de meios concretos de apoio na luta em defesa da sa\u00fade, foi pouco eficiente at\u00e9 \u00e0 \u00e9poca da funda\u00e7\u00e3o da Nacionalidade Portuguesa. Constituindo por isso uma marcha muito demorada e de reduzida utilidade para a maioria das popula\u00e7\u00f5es. E, porqu\u00ea?<\/p>\n<p align=\"justify\">Porque o conhecimento que at\u00e9 a\u00ed se ia obtendo dos fen\u00f3menos da vida n\u00e3o criava uma imagem racional do que era a sa\u00fade e das causas da quebra ou falta desta &#8211; a doen\u00e7a, a incapacidade, a defici\u00eancia e a morte (cfr. Ferreira, 1990, p. 5).<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cOs povos primitivos come\u00e7aram por criar sistemas de cren\u00e7as, lendas, mitos e ritos m\u00e1gicos e m\u00e1gico-religiosos para explicarem o aparecimento das doen\u00e7as e da morte. Mas a influ\u00eancia destas formas de pensar foi t\u00e3o profunda e ficou t\u00e3o vincada n\u00e3o forma\u00e7\u00e3o cultural dos grupos humanos que continuou a fazer-se sentir gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d (Ferreira, 1990, p. 15).<\/p>\n<p align=\"justify\">No mundo contempor\u00e2neo, mesmo nos grupos mais evolu\u00eddos das popula\u00e7\u00f5es urbanas com frequ\u00eancia muitas pessoas as lembram e praticam.<\/p>\n<p align=\"justify\">As formas de pensamento m\u00e1gico-religiosas representaram a primeira fase de preocupa\u00e7\u00f5es imaginativas do homem primitivo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Parece ter sido o Homo Sapiens Sapiens, de h\u00e1 de uma dezena ou duas dezenas de milhares de anos, que a mente humana se aperfei\u00e7oou a conceber ideias mais complexas sobre as causas da morte e das doen\u00e7as.<\/p>\n<p align=\"justify\">Toda a evolu\u00e7\u00e3o que vem da magia \u00e0 pr\u00e1tica m\u00e9dica diferenciada e \u00e0s medidas sanit\u00e1rias faz-se sem progresso continuado, mas por avan\u00e7os e recuos dependentes do factor necessidade e da capacidade de iniciativa ou de interesse, condicionados pelas conting\u00eancias da vida das sociedades (guerras, lutas, fome, epidemias, crises pol\u00edtico-sociais, aproveitamento de novas descobertas, sentido de imita\u00e7\u00e3o) (Ferreira, 1990, p. 17).<\/p>\n<p align=\"justify\">O homem, assim como os outros seres vivos, esteve e continuar\u00e1 a estar, sempre, em luta permanente e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis ou de riscos e eventuais que o ambiente de vida lhe proporciona. Estas condi\u00e7\u00f5es implicam correntemente perigos para a sa\u00fade, se a adapta\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo ou o afastamento desses perigos n\u00e3o forem adequados na intensidade do ajustamento e oportunos no tempo. Isso \u00e9 consequ\u00eancia, da necessidade vital do indiv\u00edduo assegurar a sua sobreviv\u00eancia fisiol\u00f3gica pelo equil\u00edbrio adaptativo das fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas essenciais ao meio circundante em que procura ou \u00e9 for\u00e7ado a viver.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como salienta Ferreira, \u201cinventariar e tomar compreens\u00edveis as raz\u00f5es das conting\u00eancias m\u00faltiplas para a sa\u00fade e a pr\u00f3pria vida que o homem tem encontrado, desde a obten\u00e7\u00e3o dos alimentos indispens\u00e1veis, abrigos, vestu\u00e1rios e outros meios de protec\u00e7\u00e3o ou de luta contra as situa\u00e7\u00f5es adversas, as doen\u00e7as e os cataclismos, \u00e9 trabalho complexo que poucas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam empreendido com determina\u00e7\u00e3o\u201d (1990, p. 17).\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conceitos de Sa\u00fade e de Doen\u00e7a<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"right\">&#8220;A sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 uma qualidade absoluta. Tem o valor que lhe \u00e9 conferido pela cultura da sociedade&#8221;<\/p>\n<p align=\"right\">Brockington F.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Analisando os \u00faltimos s\u00e9culos da nossa hist\u00f3ria, especialmente o per\u00edodo de cem anos, verificamos como tem variado o conceito de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 ao s\u00e9culo XIX, quando se desconheciam as causas de muitas patologias, quando os m\u00e9dicos dispunham de meios bastante limitados para curar as doen\u00e7as ou, mesmo, para combater o sofrimento, quando o desespero se instalava perante a impot\u00eancia para impedir o agravamento das situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o admira que a sa\u00fade e a doen\u00e7a fossem aceites em fun\u00e7\u00e3o de boa ou m\u00e1 sorte, numa atitude fatalista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os servi\u00e7os de sa\u00fade, p\u00fablicos e privados, estavam estruturados para atender os doentes e responder \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o em termos de doen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Primeiramente, a \u201csa\u00fade\u201d era entendida como \u201caus\u00eancia de doen\u00e7a\u201d, tendo o m\u00e9dico, como agente.<\/p>\n<p align=\"justify\">O centro das aten\u00e7\u00f5es era a patologia em si, o controle da sua evolu\u00e7\u00e3o e o retorno ao estado de n\u00e3o doen\u00e7a eram os objectivos de todas as actividades (Goldim, 2002). A doen\u00e7a era inversamente, conceituada como \u201cfalta ou perturba\u00e7\u00e3o da sa\u00fade\u201d, embora sendo conceitos simplistas, eles s\u00e3o muito usados.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>As grandes inova\u00e7\u00f5es no p\u00f3s-guerra<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A partir dos anos 20 deste s\u00e9culo, e muito especialmente depois da segunda guerra mundial, \u00e0 medida que aumentavam os conhecimentos cient\u00edficos e se tinha acesso a t\u00e9cnicas e tecnologias cada vez mais sofisticadas, foi poss\u00edvel identificar novos agentes causais de doen\u00e7as, fazer melhores diagn\u00f3sticos, utilizar novos medicamentos e usar t\u00e9cnicas cir\u00fargicas mais seguras e com melhores n\u00edveis de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este desenvolvimento, n\u00e3o afectou apenas a \u00e1rea de sa\u00fade, mas toda a sociedade no seu conjunto.<\/p>\n<p align=\"justify\">As tecnologias, que n\u00e3o pararam de evoluir, vieram permitir que o acesso das pessoas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o fosse cada vez mais f\u00e1cil, aumentando os seus conhecimentos em v\u00e1rios dom\u00ednios. O mundo tornou-se mais acess\u00edvel e pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Conhecer outros povos, outros costumes e outras culturas deixou, pouco a pouco, de ser apan\u00e1gio exclusivo dos que dispunham de muito dinheiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">A possibilidade de usufruir dos benef\u00edcios que as novas tecnologias punham ao servi\u00e7o das popula\u00e7\u00f5es, na sua vida quotidiana, tornou-se uma realidade para um n\u00famero cada vez maior de pessoas. As compara\u00e7\u00f5es entre sociedades eram inevit\u00e1veis. Os anseios de as pessoas terem uma vida melhor, quer a n\u00edvel individual quer familiar, eram leg\u00edtimos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os aspectos f\u00edsicos ou biol\u00f3gicos, foram sendo agregados os psicol\u00f3gicos e os sociais, igualmente reconhecidos como causas de doen\u00e7as. A medicina social que j\u00e1 come\u00e7ava no s\u00e9culo anterior, adquire um valor cada vez mais importante. A doen\u00e7a \u00e9 estudada numa perspectiva global, ao analisar-se e estudar-se as situa\u00e7\u00f5es, considerando quer o ambiente familiar, quer o meio onde as pessoas vivem e trabalham.<\/p>\n<p align=\"justify\">A metodologia epidemiol\u00f3gica, at\u00e9 ent\u00e3o quase exclusivamente aplicada ao estudo das doen\u00e7as transmiss\u00edveis, passa a ser tamb\u00e9m utilizada noutras situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Surgem os primeiros resultados dos estudos sobre a hist\u00f3ria natural das doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis, de evolu\u00e7\u00e3o prolongada. Os factores que favorecem o aparecimento de certas patologias s\u00e3o identificados.<\/p>\n<p align=\"justify\">O saneamento b\u00e1sico (\u00e1gua, esgotos, lixos), adquire import\u00e2ncia primordial (cfr. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 1997, p. 18-19). Cria-se a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Foi em 1946 (h\u00e1 50 anos), que a OMS lan\u00e7ou uma primeira defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade (revolucion\u00e1ria para a \u00e9poca: \u201csa\u00fade \u00e9 um estado de completo bem-estar f\u00edsico, mental e social e n\u00e3o apenas a aus\u00eancia de doen\u00e7a ou enfermidade\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Reis \u201cera o abandonar do conceito de sa\u00fade pela negativa, em vigor at\u00e9 \u00e0 data: \u201caus\u00eancia de doen\u00e7a\u201d. Era o abandonar do modelo biom\u00e9dico de causalidade da doen\u00e7a (&#8230;)\u201d (2002, p. 2).<\/p>\n<p align=\"justify\">A defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, inclui expressamente no mesmo conceito a sa\u00fade f\u00edsica ou corporal e a sa\u00fade mental ou ps\u00edquica e refere de maneira precisa o tipo novo de sa\u00fade social, por um lado, est\u00e1 mais pr\u00f3xima da realidade e, por outro, acrescenta \u201cconsider\u00e1veis dificuldades \u00e0 mensura\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno a que se refere, em face da necessidade de definir o que se entende por bem estar, conceito para o qual n\u00e3o h\u00e1 unanimidade de opini\u00f5es e cuja quantifica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito problem\u00e1tica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta defini\u00e7\u00e3o baseia-se ainda num crit\u00e9rio subjectivo (o de bem estar), que \u00e9 dif\u00edcil de traduzir em termos de observa\u00e7\u00e3o ou em dados fisiol\u00f3gicos ou bioqu\u00edmicos precisos, mensur\u00e1veis; mas sobrep\u00f5e este estado definido, de car\u00e1cter positivo e especificamente considerado em todos os aspectos (f\u00edsicos, mentais, sociais) que ligam o Homem ao meio, ao estado negativo, de aus\u00eancia de doen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ferreira (1990 b), considera que este aspecto positivo da defini\u00e7\u00e3o da OMS precisa de ser concretizado, na pr\u00e1tica, em esquemas de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, por meios efectivos de vigil\u00e2ncia m\u00e9dica e param\u00e9dica e da aplica\u00e7\u00e3o de cuidados e conhecimentos que s\u00e3o do dom\u00ednio da hereditariedade, da higiene do indiv\u00edduo e do meio, da medicina preventiva e da educa\u00e7\u00e3o. Tais tarefas exigem, naturalmente a organiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os apropriados e de diversa especializa\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 um esfor\u00e7o colectivo da sociedade pode realizar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A segunda parte da defini\u00e7\u00e3o, que implica a aus\u00eancia de doen\u00e7a ou enfermidade, significa, por seu lado, que, a n\u00e3o poderem ser evitados estes estados anormais, torna-se indispens\u00e1vel trat\u00e1-los, domin\u00e1-los para restabelecer o estado normal de sa\u00fade. Tratar a doen\u00e7a e recuperar a sa\u00fade \u00e9 outra tarefa essencial que completa as anteriores e exige diferentes tipos de servi\u00e7os especializados na sociedade moderna.<\/p>\n<p align=\"justify\">De um ponto de vista mais realista e din\u00e2mico a sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um estado mas um processo que adapta o indiv\u00edduo ao meio ambiente n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsico mas tamb\u00e9m social.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Goldim, \u201ca introdu\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de que a sa\u00fade \u00e9 um processo continuado e interdependente de preserva\u00e7\u00e3o de vida, criou uma nova dimens\u00e3o social. A sa\u00fade passou a ser, tamb\u00e9m, um crit\u00e9rio de cidadania\u201d (2002, p. l). Assim podemos afirmar que todos os cidad\u00e3os s\u00e3o respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da sua sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Isto n\u00e3o exclui, o Estado, o m\u00e9dico e outros profissionais de sa\u00fade das suas responsabilidades, mas \u201cagrega uma vari\u00e1vel fundamental de respeito ao indiv\u00edduo, doente ou sadio, atrav\u00e9s do compromisso social solid\u00e1rio na consecu\u00e7\u00e3o do objectivo maior de garantir condi\u00e7\u00f5es dignas de vida a cada ser humano\u201d (ibidem).<\/p>\n<p align=\"justify\">Deste modo, a sa\u00fade abrange aspectos individuais e colectivos, envolvendo quest\u00f5es ambientais e sociais.<\/p>\n<p align=\"justify\">A OMS (1986) expandiu e tornou mais objectivo o conceito de sa\u00fade definindo-a como \u201ca extens\u00e3o em que um indiv\u00edduo ou grupo \u00e9, por um lado, capaz de realizar as suas aspira\u00e7\u00f5es e satisfazer as sua necessidades e por outro lado, de modificar ou lidar com o meio que o envolve. Sa\u00fade \u00e9, dizem, vista como um recurso para a vida de todos os dias, uma dimens\u00e3o da nossa qualidade de vida e n\u00e3o o objectivo de vida\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estas defini\u00e7\u00f5es formais de sa\u00fade exprimem uma evolu\u00e7\u00e3o da operacionaliza\u00e7\u00e3o do conceito. Em geral, a sa\u00fade define-se pela positiva, no sentido em que afirma que se caracteriza pela presen\u00e7a de determinadas caracter\u00edsticas ao inv\u00e9s de pela aus\u00eancia de outras.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ferreira, define a sa\u00fade positiva, como sendo \u201co estado do organismo que se aproxima da situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o sofre de doen\u00e7a ou de perturba\u00e7\u00e3o n\u00e3o sintom\u00e1tica que conduza \u00e0 doen\u00e7a\u201d (1990a, p. 284). No presente n\u00e3o se avalia a sa\u00fade positiva das pessoas, mas procura-se conhecer a extens\u00e3o e os efeitos da doen\u00e7a, avaliando a mortalidade e morbilidade, ainda que com diferen\u00e7as acentuadas na efici\u00eancia da colheita de dados e da sua an\u00e1lise.<\/p>\n<p align=\"justify\">A no\u00e7\u00e3o de sa\u00fade implicando o aumento da longevidade, de maior quantidade de vida, implica, acima de tudo, melhor qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 quem defenda que a sa\u00fade abrange cinco dimens\u00f5es, cada uma delas incluindo v\u00e1rias \u00e1reas que podem coexistir equilibradamente, a saber: sa\u00fade emocional que inclui a gest\u00e3o do stress, e os cuidados com as crises emocionais; a sa\u00fade social abrangendo rela\u00e7\u00f5es com amigos, fam\u00edlia e comunidade; sa\u00fade intelectual que abrange a educa\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento da carreira e a realiza\u00e7\u00e3o intelectual; a sa\u00fade espiritual que abrange aspectos como o amor, a esperan\u00e7a, a caridade e os objectivos de vida; a sa\u00fade f\u00edsica que abrange a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, a alimenta\u00e7\u00e3o, os cuidados m\u00e9dicos e o controlo do abuso de subst\u00e2ncias (Ribeiro, 1998).<\/p>\n<p align=\"justify\">A identifica\u00e7\u00e3o, defini\u00e7\u00e3o e clarifica\u00e7\u00e3o do conceito de sa\u00fade ajudou a organizar e conceptualizar o conceito de doen\u00e7a. Dentro da concep\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a podem-se identificar v\u00e1rios quadros que a l\u00edngua portuguesa n\u00e3o diferencia. Contudo a l\u00edngua inglesa utiliza tr\u00eas termos &#8211; disease, ilness e sickness &#8211; para identificar os diferentes quadros, que em portugu\u00eas se poderiam expressar como, ter uma doen\u00e7a, sentir-se doente e comportar-se como doente.<\/p>\n<p align=\"justify\">A precis\u00e3o destas diferen\u00e7as que frequentemente n\u00e3o s\u00e3o consideradas tem implica\u00e7\u00f5es para a defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade (1998).<\/p>\n<p align=\"justify\">Com efeito a defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade implica a no\u00e7\u00e3o de bem-estar incompat\u00edvel com a no\u00e7\u00e3o de mal-estar. Dado ser poss\u00edvel um indiv\u00edduo ter um bom \u00edndice de sa\u00fade e estar bastante doente (disease), \u00e9, tamb\u00e9m, poss\u00edvel conceber e intervir, simultaneamente na sa\u00fade e na doen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Reis (2002, p. l) considera a sa\u00fade como sendo:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201co mais alto n\u00edvel de bem estar, de capacidade funcional, e de capacidade de interven\u00e7\u00e3o conseguido por cada um de n\u00f3s, e pela comunidade, valorizando ao m\u00e1ximo as nossas pr\u00f3prias potencialidades e enfrentando, esclarecidamente, as nossas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e condicionalismos pessoais (psicol\u00f3gicos e biol\u00f3gicos), e tamb\u00e9m as limita\u00e7\u00f5es e condicionalismos ambienciais (comunit\u00e1rios e ecol\u00f3gicos), do ecossistema que nos rodeia\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este conceito de sa\u00fade implica a responsabilidade de cada um pela sua pr\u00f3pria sa\u00fade, mas tamb\u00e9m, a responsabilidade da comunidade como j\u00e1 atr\u00e1s referimos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os servi\u00e7os de sa\u00fade em Portugal s\u00e3o reorganizados em 1971, pelo Decreto-Lei n\u00b0 413\/71, tendo por base uma filosofia inovadora, pois consideram-se priorit\u00e1rias as actividades de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Criam-se programas de vigil\u00e2ncia de sa\u00fade (sa\u00fade materna, infantil, escolar, dos adultos, etc.). Muito do que foi debatido e adoptado, sete anos depois, na Conferencia de Alma Ata, j\u00e1 se encontra contemplado no texto deste Decreto-Lei. A pol\u00edtica de sa\u00fade consagrada neste diploma visa garantir o direito \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na Constitui\u00e7\u00e3o de Portugal (de 1976 revista em 1982, 1989, 1992 e 1997 \u2013 4\u00aa revis\u00e3o) no seu artigo 64\u00ba l\u00ea-se que, \u201ctodos t\u00eam direito \u00e0 protec\u00e7\u00e3o da sua sa\u00fade e o dever de a defender e promover. A sa\u00fade passa a ser considerada como um bem a atingir e a preservar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, este \u201cdireito \u00e0 protec\u00e7\u00e3o da sa\u00fade\u201d deve ser garantido:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">\u201catrav\u00e9s de um servi\u00e7o nacional de sa\u00fade universal\u201d, prestador de assist\u00eancia com equidade, e \u201ctendencialmente gratuito\u201d;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">atrav\u00e9s da \u201ccria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protec\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, da juventude e da velhice&#8221;;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">e tamb\u00e9m, atrav\u00e9s da \u201cpromo\u00e7\u00e3o da cultura f\u00edsica e desportiva\u201d, atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o \u201cda educa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria\u201d das pessoas, e pela promo\u00e7\u00e3o de \u201cpr\u00e1ticas de vida saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">No desenrolar das pol\u00edticas de sa\u00fade dos \u00faltimos anos desempenharam papel fundamental alguns acontecimentos a n\u00edvel internacional, n\u00e3o s\u00f3 pelas tem\u00e1ticas abordadas mas pelas consequ\u00eancias que tiveram.<\/p>\n<p align=\"justify\">Destacam-se, a Confer\u00eancia de Alma Ata (1978), as estrat\u00e9gias e as metas de sa\u00fade para todos (OMS) e a Confer\u00eancia de Otawa (1986). Os ganhos em sa\u00fade t\u00eam sido importantes nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, para o que, sem d\u00favida, muito contribuiu a adop\u00e7\u00e3o das Declara\u00e7\u00f5es resultantes destas confer\u00eancias e o compromisso assumido com a \u201csa\u00fade para todos\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na Carta de Otawa l\u00ea-se que, \u201cuma boa sa\u00fade \u00e9 um dos maiores recursos para o desenvolvimento social, econ\u00f3mico e pessoal e uma dimens\u00e3o importante da qualidade de vida\u201d (citado por Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 1997, p. 19).<\/p>\n<p align=\"justify\">Desse modo, a sa\u00fade deve ser entendida em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida. Assim, n\u00e3o \u00e9 um \u201cbem de troca\u201d, mas um \u201cbem comum\u201d, um bem e um direito social, em que cada um e todos possam ter assegurados o exerc\u00edcio e a pr\u00e1tica do direito \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sa\u00fade de um indiv\u00edduo resulta da interac\u00e7\u00e3o entre a carga gen\u00e9tica, os seus comportamentos, o ambiente f\u00edsico e a sociedade em que vive. Ela est\u00e1 na qualidade da rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o seu meio.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cSe esta \u00e9 boa, as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia, os comportamentos e a auto-estima, refor\u00e7am-se mutuamente e produzem efeitos positivos sobre todos os elemento que comp\u00f5em este micro-ambiente&#8221; (ibidem, p. 21).<\/p>\n<p align=\"justify\">Os servi\u00e7os de sa\u00fade tamb\u00e9m contribuem para a sa\u00fade de uma forma directa na medida em que refor\u00e7am a auto-estima, valorizam a autonomia e as capacidades do indiv\u00edduo, aprofundam o la\u00e7o da perten\u00e7a com a comunidade e as suas institui\u00e7\u00f5es (local de trabalho, escola, etc&#8230;).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>A actualidade<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Neste contexto, \u00e9 particularmente importante abordar algumas caracter\u00edsticas objectivas e subjectivas (percep\u00e7\u00e3o) da popula\u00e7\u00e3o portuguesa, relacionadas com a sa\u00fade:<\/p>\n<p align=\"justify\">O aumento da vida m\u00e9dia, que se tem verificado em todos os pa\u00edses \u00e9, em grande parte, resultante da descida da mortalidade nos primeiros anos de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dada a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de mortalidade infantil, prev\u00ea-se que o seu valor atinja os 5 \u00f3bitos\u00a0\/\u00a01000 nados vivos no ano 2020.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estima-se, nestas circunst\u00e2ncias, que a esperan\u00e7a de vida \u00e0 nascen\u00e7a seja de 73,3 anos para os homens e 80,1 anos para as mulheres (cfr. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 1997, p. 22).<\/p>\n<p align=\"justify\">A considerar nos \u00faltimos anos \u00e9 a melhoria acentuada das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e sociais da popula\u00e7\u00e3o portuguesa, como se pode inferir da an\u00e1lise de alguns dados produzidos pelo INE. Nota-se maior poder econ\u00f3mico por parte das fam\u00edlias, que se reflecte nos gastos em alimenta\u00e7\u00e3o, transportes, vestu\u00e1rio, actividades de lazer, condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o esquecer a franja da popula\u00e7\u00e3o que vive em pobreza e em exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com a tend\u00eancia demogr\u00e1fica esperada, verificar-se-\u00e1, entre 1995 e 2020, um decr\u00e9scimo dos jovens de &lt; 15 de anos e um acr\u00e9scimo da popula\u00e7\u00e3o de 65 e mais anos. Esta evolu\u00e7\u00e3o p\u00f5e problemas conhecidos, de v\u00e1ria ordem (econ\u00f3mica, familiar, social e cultural).<\/p>\n<p align=\"justify\">O aumento da esperan\u00e7a de vida \u00e9 normalmente utilizado para reflectir um melhor n\u00edvel social e de sa\u00fade de uma popula\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio que se criem estruturas para que os idosos sejam acolhidos eficazmente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um ter\u00e7o das mulheres considera a sua sa\u00fade como m\u00e1 ou muito m\u00e1, o que se afigura um n\u00famero bastante elevado, quando comparado com os homens, em que a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 23%.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma explica\u00e7\u00e3o para estes dados pode decorrer do facto de a mulher portuguesa estar demasiado sobrecarregada com as actividades familiares e de emprego, mais as tarefas dom\u00e9sticas, usufruindo escassos apoios sociais (cfr. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 1997, p. 26).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>A sa\u00fade e a doen\u00e7a como processo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Houve a teoria m\u00edstica sobre a doen\u00e7a, que os antepassados julgavam como um fen\u00f3meno sobrenatural, ou seja, ela estava al\u00e9m da sua compreens\u00e3o do mundo, superada posteriormente pela teoria de que a doen\u00e7a era um facto decorrente das altera\u00e7\u00f5es ambientais no meio f\u00edsico e concreto em que o homem vivia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em seguida, surge a teoria dos miasmos (gazes) que vai predominar por muito tempo.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 que, com os estudos de Louis Pasteur na Fran\u00e7a, vem a prevalecer a \u201cteoria da unicausalidade\u201d com a descoberta dos micr\u00f3bios (v\u00edrus e bact\u00e9rias) e portanto, do agente etiol\u00f3gico, ou seja, aquele que causa a doen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Devido \u00e0 incapacidade desta teoria para explicar outros agravos \u00e0 sa\u00fade do homem, essa teoria \u00e9 complementada pelos conhecimentos da epidemiologia, que demonstra a multicausalidade como determinante da doen\u00e7a e n\u00e3o apenas a presen\u00e7a exclusiva de um agente (cfr. Distritos Sanit\u00e1rios, 2002, p. 12).<\/p>\n<p align=\"justify\">A epidemiologia social dos meados deste s\u00e9culo esclarece com maior precis\u00e3o a determina\u00e7\u00e3o e a ocorr\u00eancia das doen\u00e7as em termos individuais e colectivos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sa\u00fade e a doen\u00e7a passam a ser consideradas como estados de um mesmo processo, composto por factores biol\u00f3gicos, econ\u00f3micos, culturais e sociais.<\/p>\n<p align=\"justify\">V\u00e1rios modelos de explica\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o da sa\u00fade, da doen\u00e7a e do processo sa\u00fade-doen\u00e7a surgiram como o modelo epidemiol\u00f3gico baseado nos tr\u00eas componentes &#8211; agente, hospedeiro e meio, considerados como factores causais, que evolui para modelos mais abrangentes, como o do campo de sa\u00fade, com o envolvimento do ambiente, estilo de vida, biologia humana e sistema &#8211; servi\u00e7os de sa\u00fade, numa permanente inter-rela\u00e7\u00e3o e interdepend\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Daqui deve ressaltar-se que, \u201co importante \u00e9 saber e reconhecer essa abrang\u00eancia e complexidade causal: sa\u00fade e doen\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o estados estanques, isolados, de causa\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria &#8211; n\u00e3o se est\u00e1 com sa\u00fade ou doen\u00e7a por acaso. H\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o permanente, um processo causal, que se identifica com o modo de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d (Distritos Sanit\u00e1rios, 2002, p. 12).<\/p>\n<p align=\"justify\">Em rela\u00e7\u00e3o ao processo sa\u00fade-doen\u00e7a \u00e9 \u00fatil questionarmo-nos sobre o conceito do que \u00e9 ser ou estar saud\u00e1vel. A discuss\u00e3o sobre este tema tem por refer\u00eancias as \u201crepresenta\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos\u201d e a \u201crepresenta\u00e7\u00e3o dos profissionais\u201d ou mesmos das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. \u201cEm toda a popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 indiv\u00edduos sujeitos a factores de risco para adoecer com maior ou menos frequ\u00eancia e com maior ou menos gravidade. Al\u00e9m do que, h\u00e1 diferen\u00e7as de possibilidades entre eles de \u201cproduzir condi\u00e7\u00f5es para a sua sa\u00fade\u201d e ter acesso aos cuidados no estado da doen\u00e7a. H\u00e1, portanto grupos que exigem ac\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os de natureza e complexidade variada\u201d (ibidem).<\/p>\n<p align=\"justify\">Portanto, o saber e o fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o mediante um sistema de sa\u00fade \u00e9 uma tarefa que implica a concorr\u00eancia de v\u00e1rias disciplinas do conhecimento humano e a ac\u00e7\u00e3o, das diversas profiss\u00f5es da \u00e1rea de sa\u00fade, bem como ac\u00e7\u00e3o articulada entre os diversos sectores que \u00e9 requerimento para a produ\u00e7\u00e3o de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Outros saberes de sa\u00fade e de doen\u00e7a<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A sa\u00fade e a doen\u00e7a s\u00e3o uma parte da cultura dos povos. O homem aprende e incorpora conhecimentos, habilidades e experi\u00eancias sobre a sa\u00fade, a doen\u00e7a, a forma de se auto cuidar atrav\u00e9s de mensagens emitidas por diferentes fontes: tradi\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias pessoais ou estranhas, dos profissionais de sa\u00fade, dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, mensagens que incorpora a n\u00edvel individual e colectivo, na fam\u00edlia, grupo social, comunidade, onde vive e se relaciona (cfr. Duarte, 1998, p. 11-13).<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, o \u201csaber da sa\u00fade\u201d n\u00e3o se encontra exclusivamente ligado ao saber da medicina. Os profissionais de sa\u00fade possuem uma parte do saber, mas n\u00e3o o \u00fanico, j\u00e1 que os factores que condicionam o bem-estar das pessoas s\u00e3o de diversa \u00edndole: econ\u00f3mica, educativa, pol\u00edtica, ambiental, e todos eles configuram determinada forma de pensar e de actuar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sendo assim, \u00e9 fundamental que se identifiquem os saberes partilhados pelo grupo social.<\/p>\n<p align=\"justify\">E, como afirma, Pereira (1987), para o tratamento da doen\u00e7a, bem como para a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade \u00e9 importante considerar todos \u201cos determinantes\u201d envolvidos na sa\u00fade como na doen\u00e7a, determinantes esses que s\u00e3o, entre outros, as cren\u00e7as, preconceitos e saberes que cada cultura aceita e transmite.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, a atitude de cada um face \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 doen\u00e7a resulta em grande parte de concep\u00e7\u00f5es de origem individual e social que adv\u00e9m das experi\u00eancias pr\u00e9vias e da no\u00e7\u00e3o de bem-estar corporal. De acordo com Herzlich (1969), a linguagem da sa\u00fade e da doen\u00e7a \u00e9 estruturada pela rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com os outros e com a sociedade, estabelecendo-se assim a rela\u00e7\u00e3o e os ajustamentos do indiv\u00edduo \u00e0quela.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se a sa\u00fade constitui um elo para a conformidade social, na imagem da doen\u00e7a, pelo contr\u00e1rio, reflecte-se a coexist\u00eancia de doen\u00e7a exterior ao indiv\u00edduo, isto \u00e9, produto e imposi\u00e7\u00e3o, derivada do seu modo de vida e ao mesmo tempo de um conjunto de normas que lhe s\u00e3o impostas: express\u00e3o do papel de doente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deste modo, at\u00e9 certo ponto, a sa\u00fade e a doen\u00e7a constituem a forma como o indiv\u00edduo interpreta e se relaciona com a sociedade.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que se pode considerar como doen\u00e7a \u00e9 culturalmente relativo, o termo doen\u00e7a pode n\u00e3o significar nenhuma refer\u00eancia a um estado biol\u00f3gico ou fisiol\u00f3gico, mas t\u00e3o-somente um sinal indicador de um estado de incapacidade ou de desajustamento pessoal que pode ou n\u00e3o ter fundamento biol\u00f3gico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Todos os indiv\u00edduos det\u00eam uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, no seu sistema cultural, para a doen\u00e7a e para a sa\u00fade. Da mesma forma que a representa\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is dos profissionais de sa\u00fade, a concep\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a, a explana\u00e7\u00e3o das suas causas e as propostas de tratamento, variam de cultura para cultura.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cPara a maior parte das pessoas, o estar doente representa uma situa\u00e7\u00e3o nova e contingente e, consequentemente, tentam adaptar-se e compreender o que se passa numa tentativa de obter o controlo da situa\u00e7\u00e3o\u201d (Duarte, 1998, p. 20).<\/p>\n<p align=\"justify\">O conceito de doen\u00e7a, para al\u00e9m da presen\u00e7a de sinais e sintomas, centra-se sobretudo na viv\u00eancia subjectiva de \u201cmal-estar\u201d e na incapacidade para continuar a realizar as actividades do dia-a-dia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Relativamente \u00e0s origens da doen\u00e7a ressalta a desculpabiliza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 vista como exterior aos sujeitos e fundamentalmente provocada pelo ambiente, contamina\u00e7\u00e3o ou algo que mesmo proveniente do pr\u00f3prio n\u00e3o lhe \u00e9 poss\u00edvel controlar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Soutelo \u201ca sa\u00fade tem m\u00faltiplas dimens\u00f5es, ela n\u00e3o \u00e9 propriedade do indiv\u00edduo, mas o reflexo da interac\u00e7\u00e3o do homem com o seu ambiente, e constitui parte do processo da sua vida do dia-a-dia\u201d (citado por Duarte, 1998, p. 13).<\/p>\n<p align=\"justify\">As concep\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e de doen\u00e7a que presidem \u00e0s pol\u00edticas de sa\u00fade assentam no paradigma positivista da medicina ocidental, tamb\u00e9m denominado como modelo biom\u00e9dico de sa\u00fade e de doen\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este modelo exprime-se no paradigma da modernidade em alguns tra\u00e7os importantes que s\u00e3o: o considerar a doen\u00e7a como disfun\u00e7\u00e3o do corpo humano, conceptualizado como uma \u201cm\u00e1quina bioqu\u00edmica\u201d, o assumir de que todas as disfun\u00e7\u00f5es humanas podem eventualmente ser explicadas atrav\u00e9s de mecanismos de causa-efeito no organismo, estendendo-se tamb\u00e9m, esta vis\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a mental (Turner, 1988).<\/p>\n<p align=\"justify\">A doen\u00e7a \u00e9 definida em fun\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros biol\u00f3gicos, enquanto os aspectos psicossociais s\u00e3o pouco considerados.<\/p>\n<p align=\"justify\">A aten\u00e7\u00e3o desvia-se do doente para a doen\u00e7a, assiste-se \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o dos problemas referenciados como \u201cda vida\u201d, e a experi\u00eancia subjectiva da doen\u00e7a, \u00e9, igualmente menosprezada. Ser\u00e1, ent\u00e3o, o paradigma biom\u00e9dico suficiente para abordar toda a problem\u00e1tica da doen\u00e7a e para a solucionar?<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 um facto que \u00e0 margem da medicina institu\u00edda se mant\u00eam com grande vitalidade pr\u00e1ticas de abordagem da doen\u00e7a e promo\u00e7\u00e3o da cura, pelo que chamam medicina popular e, por vezes medicinas alternativas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cAnalisando o conte\u00fado destas categorias aplicadas \u00e0s pr\u00e1ticas m\u00e9dicas, verificamos que o que h\u00e1 de comum entre herb\u00e1rios, ervan\u00e1rios, mezinhas, bruxos, adivinhos, esp\u00edritos, endireitas, acupuntores, iridologistas, cromoterapeutas, quiromantes (&#8230;) n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o facto de existirem \u00e0 margem da medicina oficial, de n\u00e3o constarem dos comp\u00eandios, de n\u00e3o estarem inclu\u00eddos nas consultas dos m\u00e9dicos da Ordem\u201d (Bastos e Levy, 1987, p. 223).<\/p>\n<p align=\"justify\">As v\u00e1rias pr\u00e1ticas curativas que coexistem com os servi\u00e7os oficiais de sa\u00fade, despertam igualmente o seu interesse.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c\u00c9 assim que tamb\u00e9m os processos da medicina institucionalizada podem ser questionados e objectos de uma reflex\u00e3o que os conjugue com as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas populares e alternativas. Tal reflex\u00e3o geral deve debru\u00e7ar-se, antes de mais, sobre as categorias omnipresentes de doen\u00e7a e de cura\u201d (ibidem, p. 227-228).<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Douglas, \u201cos sentimentos de mal-estar remetidos para a categoria de doen\u00e7a t\u00eam como fundo um sentimento de desordem, de algo estar fora do s\u00edtio, desarrumado (&#8230;).<\/p>\n<p align=\"justify\">A cura \u00e9, correlativamente, o processo de repor a ordem, uma esp\u00e9cie de arruma\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 desordenado\u201d (citado por Bastos e Levy, 1987, p. 228).<\/p>\n<p align=\"justify\">Os meios para promover a cura, parecem ser sempre um esfor\u00e7o para colocar as coisas no seu devido lugar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A diversidade das pr\u00e1ticas m\u00e9dicas passa pela pluralidade de formas concretas que assumem a percep\u00e7\u00e3o da desordem que se traduz em doen\u00e7a e a promo\u00e7\u00e3o da ordem que consiste na cura (Bastos e Levy, 1987, p. 228).<\/p>\n<p align=\"justify\">A anatomia e a fisiologia que sustentam a medicina ocidental, dividem o corpo em partes, \u00f3rg\u00e3os, aparelhos, sistemas. \u00c9 nelas que incide a proposta de cura que trazem os m\u00e9dicos, os rem\u00e9dios, a qu\u00edmica. Assim os pr\u00f3prios doentes esfor\u00e7am-se em localizar o seu mal-estar num \u00f3rg\u00e3o ou num aparelho.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao m\u00e9dico, rodeado de um saber inating\u00edvel, s\u00e3o atribu\u00eddos poderes extraordin\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO investimento feito em torno do ritual e dos instrumentos usados na consulta e na terap\u00eautica \u00e9 em grande parte o eixo do sucesso na reposi\u00e7\u00e3o do bem-estar\u201d, (&#8230;) \u00e9 tamb\u00e9m \u201cem grande parte devido \u00e0s capacidades de partilhar as categorias do doente e sobretudo a unidade em que sentem o mal-estar que certos m\u00e9dicos s\u00e3o mais eficazes que outros\u201d (ibidem, p. 229).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>O estado de sa\u00fade de uma popula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O estado de sa\u00fade de uma qualquer popula\u00e7\u00e3o releva de uma multiplicidade de factores, que correspondem a \u00e1reas diversas da vida colectiva e individual.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sob um ponto de vista reducionista ou, se se preferir m\u00e9dico-tradicional, uma popula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 tanto mais sa\u00fade quanto menos situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a apresentar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta vis\u00e3o simplista, em que a sa\u00fade de uma comunidade \u00e9 apenas a mera soma do estado de sa\u00fade dos seus membros individuais, por um lado, ignora a dimens\u00e3o sanit\u00e1ria dos fen\u00f3menos ou factores n\u00e3o directamente associados a sa\u00fade biol\u00f3gica e, por outro lado, \u00e9 materialmente inexequ\u00edvel, uma vez que pressup\u00f5e, quer a monitoriza\u00e7\u00e3o individual, quer a defini\u00e7\u00e3o da relev\u00e2ncia relativa de cada uma dos milhares de entidades patol\u00f3gicas hoje identificados (cfr. Vaz et al, 1994, p. 5-7).<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma aproxima\u00e7\u00e3o baseada nos conceitos de necessidade e satisfa\u00e7\u00e3o poderia afirmar-se que \u201co estado de sa\u00fade de uma popula\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cbom\u201d sempre que se verifique a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades dessa popula\u00e7\u00e3o em cuidados de sa\u00fade. Mas n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o l\u00edquidos os conceitos de necessidade e satisfa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m n\u00e3o resulta o estado de sa\u00fade exclusivamente de meros factores de equival\u00eancia entre a procura e a oferta de servi\u00e7os prestadores desses cuidados\u201d (Vaz et al, 1994, p. 6).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Na abordagem dos actuais conceitos de doen\u00e7a e sa\u00fade importa dirigir um olhar em profundidade sobre os seus contornos e trajectos. \u00c9 esta observa\u00e7\u00e3o que pode informar-nos acerca de um sentido mais pleno das pr\u00e1ticas e discursos a seu respeito.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na verdade, ao longo dos s\u00e9culos a natureza humana tem-se mantido inalterada, muito embora se reconhe\u00e7am concep\u00e7\u00f5es, culturas e modos adaptativos totalmente diversos e at\u00e9 estranhos \u00e0 racionaliza\u00e7\u00e3o moderna.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ser\u00e1 que o homem da Antiguidade, possu\u00eddo pelas for\u00e7as sobrenaturais, \u00e9 o mesmo, na sua ess\u00eancia, que o louco da Idade M\u00e9dia, ou o doente mental do iluminismo?<\/p>\n<p align=\"justify\">Estas quest\u00f5es, que trazem \u00e0 luz os diversos paradigmas do processo civilizacional, parecem ilustrativas das estrat\u00e9gias e princ\u00edpios que serviram de base \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o social, econ\u00f3mica, cultural, pol\u00edtica e, finalmente, cient\u00edfica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em definitivo, fica a convic\u00e7\u00e3o de que a linha de coer\u00eancia em todo o percurso da hist\u00f3ria humana est\u00e1 intimamente relacionada com mecanismos ideol\u00f3gicos e simb\u00f3licos de acultura\u00e7\u00e3o, socializa\u00e7\u00e3o, normaliza\u00e7\u00e3o e condicionamento.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o se trata aqui de negar a exist\u00eancia da doen\u00e7a, da perturba\u00e7\u00e3o, do desajustamento, da delinqu\u00eancia ou at\u00e9 do bem-estar e da qualidade de vida. Trata-se sim de alertar para a necessidade de relativizar e contextualizar as explica\u00e7\u00f5es que cada paradigma dominante prop\u00f5e para as grandes quest\u00f5es que se colocam, as quais se regem sempre por um c\u00f3digo de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o que obedece a regras impl\u00edcitas determinadas pelos valores vigentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar do penoso caminho, \u00e9 evidente que a abordagem dos fen\u00f3menos humanos, gradualmente, passou de um est\u00e1dio sens\u00edvel, baseado no senso comum, para um outro intelig\u00edvel e de base reflexiva.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Sa\u00fade e a protec\u00e7\u00e3o contra as doen\u00e7as e a morte s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es sempre presentes no discurso e no quotidiano das pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\">As doen\u00e7as de conhecidos e vizinhos, os v\u00e1rios pormenores da sua evolu\u00e7\u00e3o, tratamento e seus resultados, com uma avalia\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia dos mesmos e as causas prov\u00e1veis ou poss\u00edveis da doen\u00e7a em an\u00e1lise, ocupam grande parte das conversas do ser humano (Nunes, 1989, p. 145-148).<\/p>\n<p align=\"justify\">De qualquer modo, o facto de n\u00e3o haver uma consci\u00eancia colectiva de sa\u00fade\/doen\u00e7a ter\u00e1 a ver, antes de mais, com o n\u00edvel de conhecimento sobre a etiologia (ou a causalidade) das doen\u00e7as humanas.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o bacteriol\u00f3gica de meados do s\u00e9culo XIX as doen\u00e7as infecciosas eram atribu\u00eddas a miasmas. Quanto \u00e0s doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis, essas continuavam a ser, ainda at\u00e9 h\u00e1 relativamente pouco tempo, um &#8220;mist\u00e9rio&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">De facto, s\u00f3 a partir dos anos 60 foi poss\u00edvel tentar uma interpreta\u00e7\u00e3o global das rela\u00e7\u00f5es existentes entre as condi\u00e7\u00f5es de vida, a sa\u00fade e o crescimento da popula\u00e7\u00e3o (cfr. Gra\u00e7a, 2000, p. 13-14). Foi preciso esperar pelo s\u00e9culo XIX para que se fizesse luz sobre a natureza das doen\u00e7as transmiss\u00edveis.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em contrapartida, s\u00f3 na segunda metade do s\u00e9culo XX \u00e9 que foi posta em evid\u00eancia a etiologia multifactorial de doen\u00e7as cr\u00f3nicas como o cancro, a diabetes ou a cardiopatia isqu\u00e9mica, e o peso que esse tipo de doen\u00e7as tinham (e t\u00eam) os factores ambientais e comportamentais, e n\u00e3o apenas biol\u00f3gicos. Para McKeown, citado por Gra\u00e7a (2000f, p. 16) no complexo puzzle das teorias explicativas da sa\u00fade\/doen\u00e7a \u00e9 importante considerar:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">A melhoria da envolvente socioecon\u00f3mica (alimenta\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico, higiene ambiental e pessoal, n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o e de informa\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica, etc.);<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">A descoberta, pelas ci\u00eancias biom\u00e9dicas, da natureza das doen\u00e7as infecciosas e da possibilidade da sua preven\u00e7\u00e3o pela dupla via do aumento da resist\u00eancia do organismo humano e da redu\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o aos agentes transmissores;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">O reconhecimento de que a maior parte das doen\u00e7as n\u00e3o pode ser apenas imput\u00e1vel \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, mas tamb\u00e9m ao sistema socioecol\u00f3gico em que vive o homem moderno; nessa medida, podem ser objecto de preven\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da elimina\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o ou controlo dos factores de risco quer ambientais quer comportamentais.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">A este prop\u00f3sito, Capron refere que \u201con connait avec plus ou moins de pr\u00e9cision des m\u00e9canismes (&#8230;) des maladies, mais beaucoup restent sans cause efficiente (premiere): la plupart des cancers, des affections cardiovasculaires, endocrines, mentales ou rhumatismales, pour ne citerque les plus fr\u00e9quents. Avons-nous fait le plein de notre escarcelle \u00e9tiologique avec nos principes de l&#8217;inn\u00e9 (g\u00e8nes) et des acquis (microbes, poisons et carences)?Les causes premieres des maladies que nous ne comprenons pas encore ne sont-elles que des variantes ou des combinaisons de ces explications fondamentales ?\u201d (2001, p. 2048).<\/p>\n<p align=\"justify\">Isto conduz-nos \u00e0 interroga\u00e7\u00e3o sobre a validade do nosso conceito actual de doen\u00e7a e de sa\u00fade. Ao considerar o seu passado, o seu futuro reserva-se-nos como surpresa.<\/p>\n<p align=\"justify\">A hist\u00f3ria ensina-nos generosamente que n\u00e3o h\u00e1 pior erro, que aderir cegamente aos dogmas, e acreditar que n\u00f3s possu\u00edmos a pura e definitiva verdade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sa\u00fade na \u00faltima d\u00e9cada para al\u00e9m de envolver a maior responsabiliza\u00e7\u00e3o de prestadores e cidad\u00e3os, prev\u00ea a necessidade de defini\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios n\u00edveis de interven\u00e7\u00e3o, melhor alternativa em pol\u00edtica de sa\u00fade, nas din\u00e2micas de administra\u00e7\u00e3o e direc\u00e7\u00e3o, m\u00e9todos de financiamento adequados, m\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, entre outros, sobre efectividade, efici\u00eancia e a qualidade dos cuidados prestados. Logo os prestadores precisam de recorrer \u00e0 informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel produzindo saberes e melhorando as pr\u00e1ticas para participar na mudan\u00e7a estrutural da sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">BASTOS, C.; LEVY, T., (1987) &#8211; Aspirinas, palavras e cruzes. Revista Critica de Ci\u00eancias Sociais. N\u00ba 23, p. 221-232.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">CAPRON, L. (2001) &#8211; Pour la m\u00e9moire: histoire du concept de maladie. La Revue du Praticien. N\u00ba 18 ( Novembre), p. 2045-2048.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">DISTRITOS SANIT\u00c1RIOS (2002) &#8211; Distritos sanit\u00e1rios: concep\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/www.Google.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.Google.com<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">DUARTE, S. F. C. (1998) &#8211; Outros saberes de sa\u00fade e de doen\u00e7a. Refer\u00eancia. N\u00ba l, (Setembro), p. 11-21.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">FERREIRA, F. A. G., (1990a) &#8211; Hist\u00f3ria da sa\u00fade e dos servi\u00e7os de sa\u00fade em Portugal. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">FERREIRA, F. A. G., (1990b) &#8211; Moderna sa\u00fade p\u00fablica. 6\u00aa ed. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GOLDIM, I. R. (1997) \u2013 Sa\u00fade. <a href=\"http:\/\/www.uirgs.br\/RCPNgppg\/saude.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.uirgs.br\/RCPNgppg\/saude.htm<\/a>, 14-03-2002, p. 1-2.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (1999) &#8211; Higia e panaceia: da arte de curar a doen\u00e7a \u00e0 arte de conservar a Sa\u00fade. http:\/\/www:terravista.pt\/meco\/5531\/textos2.html, 03-04-2002, p. 1-10.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000a) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: hist\u00f3ria da sa\u00fade no trabalho: 2.1 A reforma da sa\u00fade p\u00fablica no virar do S\u00e9culo XIX. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos16.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos16.html<\/a>, 07-03-2002, p.1-9.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000b) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: estilos de vida e sa\u00fade nos prov\u00e9rbios da l\u00edngua portuguesa. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos21.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos21.html<\/a>, 03-04-2002, p. 1-15.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000c) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: sa\u00fade e terror no antigo regime. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos33.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos33.html<\/a>, 22-04-2002, p. 1-17.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000d) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: hist\u00f3ria das miseric\u00f3rdias portuguesas. Parte I. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos58.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos58.html<\/a>, 21-03-2002, p. 1-22.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000e) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: hist\u00f3ria das miseric\u00f3rdias portuguesas. Parte II. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos70.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos70.html<\/a>, 21-03-2002, p. 1-16.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000f) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: representa\u00e7\u00f5es sociais da sa\u00fade, da doen\u00e7a e dos praticantes da arte m\u00e9dica nos prov\u00e9rbios em l\u00edngua portuguesa. Parte I: Muita sa\u00fade, pouca vida, porque Deus n\u00e3o d\u00e1 tudo. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos73.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos73.html<\/a>, 14-03-2002, p. 1-18.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000g) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: representa\u00e7\u00f5es sociais da sa\u00fade, da doen\u00e7a e dos praticantes da arte m\u00e9dica nos prov\u00e9rbios em l\u00edngua portuguesa. Parte III: Em Lisboa nem sangria m\u00e1, nem purga boa. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos75.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos75.html<\/a>, 14-03-2002. p. 1-24<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000h) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: evolu\u00e7\u00e3o do sistema hospitalar: uma perspectiva sociol\u00f3gica (IV Parte). Portugal: o sistema profissional liberal (1867-1971). <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos89.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos89.html<\/a>, 21-03-2002, p. 1-8.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000i) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: a medicina pr\u00e9-industrial: o acto m\u00e9dico indivis\u00edvel. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos98.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos98.html<\/a>, 29-04-2002, p. 1-5.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GRA\u00c7A, L. (2000j) &#8211; Textos sobre sa\u00fade e trabalho: sa\u00fade para todos osportugueses. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos116.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/meco\/5531\/textos116.html<\/a>, 22-04-2002, p. 1-10.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HERZLICH, C. (1969) &#8211; Sant\u00e9 et maladie. Paris: EHESS, p.13-22.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">JACQUART, D. (2001) &#8211; La maladie dans Ia m\u00e9decine m\u00e9di\u00e9vale. La Revue du Praticien. N\u00b0 18 ( Novembre) p. 2003-2007.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">JOUANNA, J. (2001) &#8211; La notion de maladie chez Hippocrate. La Revue du Praticien. N\u00ba 18 (Novembre), p. 1985-1995.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">NUNES, B. (1989) &#8211; O saber m\u00e9dico do povo. Coimbra: Fim De S\u00e9culo.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PEREIRA, J. M. (1987) &#8211; Ser\u00e1 poss\u00edvel uma nova medicina?. Revista Cr\u00edtica de Ci\u00eancias Sociais. N\u00ba 23, p. 185-193.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PORTUGAL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Direc\u00e7\u00e3o-Geral da Sa\u00fade (1997) &#8211; A sa\u00fade dos portugueses. Lisboa: Direc\u00e7\u00e3o-Geral da Sa\u00fade.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PORTUGAL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (1998) &#8211; Sa\u00fade em Portugal: uma estrat\u00e9gia para o virar do s\u00e9culo (1998-2002). Orienta\u00e7\u00f5es para 1998. Lisboa: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PORTUGAL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (1999) &#8211; Sa\u00fade: um compromisso: a estrat\u00e9gia de sa\u00fade para o virar do s\u00e9culo (1998-2002). Revis\u00e3o de 1999. Lisboa: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">REIS, M (2000) &#8211; Sa\u00fade e desenvolvimento do indiv\u00edduo \/ da Comunidade. <a href=\"http:\/\/www.terravista.pt\/Bilene\/l+032\/Saudesenvolvimento.htmlI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.terravista.pt\/Bilene\/l 032\/Saudesenvolvimento.htmlI<\/a>, 13-03-2002, p. 1-9<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">RIBEIRO, J. L. P. (1998) &#8211; Psicologia e sa\u00fade. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">TRIGO, M. (2000) &#8211; Modelos em sa\u00fade: perspectiva critica sobre as origens e a hist\u00f3ria. Revista Portuguesa de Sa\u00fade Publica. Vol. 18, n\u00b0 2 (Julho\/Dezembro), p. 5-21.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">TURNER, B. S. (1988) &#8211; Medical power and social knowledge. Calif\u00f3rnia: Sage Publications.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">VAZ, A. [et al] (1994) &#8211; Desenvolvimento de um modelo de avalia\u00e7\u00e3o do estado de sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es. Revista Portuguesa de Sa\u00fade Publica. Vol. 12, n\u00b0 2 (Abril\/Junho), p. 5-24.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">VIGARELLO, G. (2001) &#8211; Hist\u00f3ria das pr\u00e1ticas de sa\u00fade: a sa\u00fade e a doen\u00e7a desde a Idade M\u00e9dia. Lisboa: Not\u00edcias Editorial.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que se entende hoje por sa\u00fade e doen\u00e7a foi surgindo do nada inicial, isto \u00e9, da incompreens\u00e3o do homem primitivo dos fen\u00f3menos que o envolviam, suas causas e seus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[485,486,484,172,358],"class_list":["post-842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-conceitos","tag-cultura","tag-doenca","tag-historia","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=842"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/842\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2785,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/842\/revisions\/2785"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}