{"id":829,"date":"2008-03-25T17:50:27","date_gmt":"2008-03-25T17:50:27","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/congresso-de-reabilitacao-da-escola-superior-de-enfermagem-do-porto\/"},"modified":"2021-05-04T09:07:50","modified_gmt":"2021-05-04T09:07:50","slug":"congresso-de-reabilitacao-da-escola-superior-de-enfermagem-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/congresso-de-reabilitacao-da-escola-superior-de-enfermagem-do-porto\/","title":{"rendered":"Congresso de Reabilita\u00e7\u00e3o da Escola Superior de Enfermagem do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Por vezes o simples dizer a uma crian\u00e7a que se pode sentar na perna pl\u00e9gica do av\u00f4 pode ser uma interven\u00e7\u00e3o que faz face a uma enorme complexidade diagn\u00f3stica de identifica\u00e7\u00e3o do problema.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Reabilidades: Um Percurso Transdisciplinar<\/p>\n<p align=\"center\">Congresso de Reabilita\u00e7\u00e3o da Escola Superior de Enfermagem do Porto<\/p>\n<p align=\"center\">25 e 26 de Janeiro de 2008\n<\/p>\n<p align=\"justify\">Decorreu no Edif\u00edcio S. Jo\u00e3o da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP), em 25 e 26 de Janeiro de 2008, o REABILIDADES: Um Percurso transdisciplinar \u2013 Congresso de Reabilita\u00e7\u00e3o da ESEP.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<div align=\"center\"><center><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"213\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-828\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/cartaz-reabilidades.gif\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"250\" border=\"0\" \/><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"646\">\n<p align=\"justify\">Quis este Congresso abordar o processo de reabilita\u00e7\u00e3o sob o ponto de vista da interac\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is dos diferentes profissionais de sa\u00fade nele envolvidos. E a prova dessa inten\u00e7\u00e3o ficou bem patente no discurso proferido na sess\u00e3o de encerramento, onde se resume o desenrolar do Congresso e cujo conte\u00fado se transcreve de seguida:<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\u201cDurante estes 2 dias tent\u00e1mos abordar a Reabilita\u00e7\u00e3o como um processo que abrange v\u00e1rios actores profissionais, onde cada um deles d\u00e1 seu contributo, contributo esse que pode ser mais ou menos espec\u00edfico ou mais ou menos sobrepon\u00edvel.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">E foi precisamente neste ponto que tent\u00e1mos real\u00e7ar neste Congresso: se queremos um \u00f3ptimo processo de Reabilita\u00e7\u00e3o, temos que ter a perfeita no\u00e7\u00e3o do nosso lugar dentro da equipa que reabilita e que se quer transdisciplinar.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/div>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">[25 de Janeiro de 2008]<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Come\u00e7amos assim com a quest\u00e3o delicada das compet\u00eancias dos Enfermeiros de Reabilita\u00e7\u00e3o e o seu Enquadramento (ou desenquadramento) legal. Ficou ainda um conceito-chave: n\u00e3o podemos estar \u00e0 espera da legisla\u00e7\u00e3o para contribuir com tudo o que podemos contribuir para o processo de reabilita\u00e7\u00e3o de determinada pessoa.<\/p>\n<p align=\"justify\">E isso levou-nos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de que a transdisciplinaridade entre 2 grupos profissionais com uma \u00e1rea de actua\u00e7\u00e3o com clara sobreposi\u00e7\u00e3o de algumas compet\u00eancias (enfermeiro de reab e FT) \u00e9 poss\u00edvel e mais!: resulta e optimiza o processo de reabilita\u00e7\u00e3o. Contudo, ficou claro algo fundamental: um funcionamento transdisciplinar de uma equipa de sa\u00fade n\u00e3o se faz de um dia para o outro e s\u00f3 se atinge se houver um esfor\u00e7o efectivo por parte dos actores que dela fazem parte.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deix\u00e1mos depois a no\u00e7\u00e3o de que os cuidados que actualmente se prestam \u00e0 fam\u00edlia est\u00e3o ainda muito longe de atingir o seu real potencial . E n\u00e3o deixa de ser incr\u00edvel que por vezes o simples dizer a uma crian\u00e7a que se pode sentar na perna pl\u00e9gica do av\u00f4 pode ser uma interven\u00e7\u00e3o que faz face a uma enorme complexidade diagn\u00f3stica de identifica\u00e7\u00e3o do problema. E \u00e9 para este n\u00edvel de cuidados que queremos evoluir.<\/p>\n<p align=\"justify\">Continuando na \u00e1rea da reflex\u00e3o sobre a fam\u00edlia e os estere\u00f3tipos de cuidados de sa\u00fade e de cuidados de enfermagem fal\u00e1mos da interven\u00e7\u00e3o do Enfermeiro de Reabilita\u00e7\u00e3o nos Cuidados de Sa\u00fade Prim\u00e1rios. E ficou o exemplo e a li\u00e7\u00e3o de que um verdadeiro processo de reabilita\u00e7\u00e3o adequado \u00e0 pessoa reabilitada passa pela inser\u00e7\u00e3o e contextualiza\u00e7\u00e3o do primeiro no ambiente familiar e domiciliar do segundo. E isto \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p align=\"justify\">Fundamental at\u00e9 pelo facto de ser imposs\u00edvel identificar as barreiras arquitect\u00f3nicas que existem no domic\u00edlio da pessoa reabilitada sem ir l\u00e1 ver quais s\u00e3o! Por outro lado, e concomitantemente \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o dessas mesmas barreiras, h\u00e1 que ter sempre o cuidado de n\u00e3o ter a prepot\u00eancia de pensar que n\u00f3s, profissionais de sa\u00fade, sabemos o que a pessoa reabilitada quer ou que ela nos deve obedi\u00eancia por sermos profissionais de sa\u00fade. Foi deixado este o testemunho.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi tamb\u00e9m aqui dito e muito bem dito que a interven\u00e7\u00e3o domicili\u00e1ria integrada no processo de reabilita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 compet\u00eancia exclusiva dos profissionais ligados aos denominados Cuidados de Sa\u00fade Prim\u00e1rios. Tamb\u00e9m em ambiente de cuidados hospitalares a avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es habitacionais e sociais da pessoa reabilitada \u00e9 um dever dos profissionais de sa\u00fade. E para quem est\u00e1 neste momento a pensar \u201cNo meu hospital n\u00e3o deixam fazer isso\u201d, ficou o exemplo de uma unidade de internamento, onde os profissionais batalharam at\u00e9 conseguirem evidenciar a extrema import\u00e2ncia da visita domicili\u00e1ria para a qualidade dos cuidados prestados. N\u00e3o o conseguiram da noite para o dia, mas n\u00e3o baixaram os bra\u00e7os face \u00e0s dificuldades que tiveram de enfrentar.<\/p>\n<p align=\"justify\">E por falar em dificuldades, assistimos \u00e0 firmeza e sabedoria de colocar o processo de reabilita\u00e7\u00e3o \u00e0 frente de imperativos legais por vezes descabidos e auto-limitativos. No entanto, que fique a no\u00e7\u00e3o clara que este tipo de ousadia teve por base um profundo conhecimento da lei contestada e esta \u00e9 mais uma li\u00e7\u00e3o que fica: para criticar algo \u00e9 preciso primeiro conhecer bem o que estamos a criticar.<\/p>\n<p align=\"justify\">E por falar em criticar sem conhecer, presenci\u00e1mos a liga\u00e7\u00e3o entre as denominadas terapias alternativas e o processo de Reabilita\u00e7\u00e3o, de onde evidencio uma no\u00e7\u00e3o que deve ficar muito clara: \u00e9 preciso saber para inovar e \u00e9 preciso ter a humildade de reconhecer quando n\u00e3o temos capacidade para resolver algo. Se encararmos desta forma as terapias alternativas, conseguiremos sem d\u00favida ver nelas um recurso poderoso na consecu\u00e7\u00e3o de um processo de reabilita\u00e7\u00e3o eficiente.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">[26 de Janeiro de 2008]<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">J\u00e1 hoje de manh\u00e3, ouvimos o testemunho de algu\u00e9m que vivenciou uma altera\u00e7\u00e3o corporal cuja magnitude s\u00f3 pode ser compreendida por quem a experi\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">E tal como foi dito no testemunho, foi nessas pessoas que uma profissional de sa\u00fade que supostamente dominava a patologia neopl\u00e1sica mam\u00e1ria procurou informa\u00e7\u00e3o acerca de como lidar com a sua nova condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Fica a mensagem de que n\u00e3o \u00e9 apenas o conhecimento que habilita para o cuidar e este facto merece sem d\u00favida que a investiga\u00e7\u00e3o lhe d\u00ea total aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Investiga\u00e7\u00e3o essa que viu a sua pertin\u00eancia, utilidade e, porque n\u00e3o, beleza ser evidenciada num estudo com 50 alunos onde se esbo\u00e7ou algo h\u00e1 muito desejado: tentar identificar o que fazem, como fazem e porque fazem os enfermeiros de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">E ser\u00e1 atrav\u00e9s deste conhecimento trazido pela investiga\u00e7\u00e3o que conseguiremos adequar os actuais sistemas de informa\u00e7\u00e3o que invadem os nossos espa\u00e7os profissionais ao que necessitamos para conseguir evidenciar os ganhos em sa\u00fade que s\u00e3o directamente produzidos pelos cuidados de enfermagem \/ cuidados de reabilita\u00e7\u00e3o transdisciplinares. E esta n\u00e3o \u00e9 uma tarefa dos chamados te\u00f3ricos da enfermagem mas sim de todos n\u00f3s, porque somos n\u00f3s que cuidamos das pessoas, ou seja, somos n\u00f3s que produzimos esses ganhos em sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">E para produzir ganhos em sa\u00fade h\u00e1 que adequar as estruturas prestadoras de cuidados \u00e0s necessidades espec\u00edficas da pessoa que \u00e9 cuidada. \u00c9 isto que, em potencial, \u00e9 a rede e cuidados continuados. Digo em potencial porque as coisas ainda n\u00e3o funcionam bem e sabemos disso\u2026 mas \u00e9 tamb\u00e9m nossa fun\u00e7\u00e3o fazer com que melhorem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assistimos ainda \u00e0 abordagem de uma actividade de vida que \u00e9 muito falada pelos enfermeiros mas por vezes pouco cuidada: a elimina\u00e7\u00e3o, mais especificamente a elimina\u00e7\u00e3o vesical. Ficou bem patente que \u00e9 poss\u00edvel optimizar a autonomia da pessoa com disfun\u00e7\u00e3o vesical, numa clara afirma\u00e7\u00e3o de que a reabilita\u00e7\u00e3o vale a pena, mesmo que seja em aspectos que por vezes nos pare\u00e7am secund\u00e1rios \u2013 pelo menos \u00e9 isso que por vezes os cuidados de sa\u00fade deixam transparecer.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro perfeito exemplo de que o processo de reabilita\u00e7\u00e3o n\u00e3o se evidencia apenas pela recupera\u00e7\u00e3o das plegias ou pelos ensinos de transfer\u00eancias, foi a evid\u00eancia cl\u00ednica de que as altera\u00e7\u00f5es que induzem perturba\u00e7\u00f5es a n\u00edvel sexual podem ser tratadas, ou seja, tamb\u00e9m neste aspecto a pessoa pode ser reabilitada \u2013 ali\u00e1s, j\u00e1 ontem t\u00ednhamos tido testemunho disso.<\/p>\n<p align=\"justify\">E na continua\u00e7\u00e3o da quebra de estere\u00f3tipos, afirm\u00e1mos que uma perturba\u00e7\u00e3o card\u00edaca mais ou menos grave n\u00e3o implica a redu\u00e7\u00e3o da actividade funcional para um n\u00edvel quase basal\u2026 Atrav\u00e9s de reabilita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, \u00e9 poss\u00edvel avaliar e contornar as defici\u00eancias card\u00edacas, de forma a que a pessoa recupere o m\u00e1ximo do seu potencial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por fim tivemos uma breve abordagem da terapia floral.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Reabilidades foi ainda complementado com 6 workshops, os quais abordaram as \u00e1reas da cinesiterapia, AVC, ventila\u00e7\u00e3o n\u00e3o-invasiva, orto-traumatologia, estudos urodin\u00e2mcos e bexigas neurig\u00e9nicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este Congresso contou com 35 palestrantes e 203 pessoas inscritas.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por vezes o simples dizer a uma crian\u00e7a que se pode sentar na perna pl\u00e9gica do av\u00f4 pode ser uma interven\u00e7\u00e3o que faz face a uma enorme complexidade diagn\u00f3stica de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":827,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[477,476,131,478],"class_list":["post-829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estive-la","tag-percurso","tag-reabilidades","tag-reabilitacao","tag-transdisciplinar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=829"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/829\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2647,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/829\/revisions\/2647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}