{"id":817,"date":"2008-03-04T19:15:16","date_gmt":"2008-03-04T19:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/doenca-de-alzheimer-e-cuidadores-informais\/"},"modified":"2021-05-04T10:05:30","modified_gmt":"2021-05-04T10:05:30","slug":"doenca-de-alzheimer-e-cuidadores-informais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/doenca-de-alzheimer-e-cuidadores-informais\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a de Alzheimer e Cuidadores Informais"},"content":{"rendered":"<p>A dem\u00eancia mais frequente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, segundo Friedland et al. (1997), \u00e9 a doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>Sinais Vitais n\u00ba 75<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Com este artigo pretendo levar os enfermeiros a reflectir sobre a problem\u00e1tica do cuidar de um doente com Alzheimer.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando um indiv\u00edduo fica doente, a fam\u00edlia assume a responsabilidade de cuidar do seu membro. Com a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a de Alzheimer o familiar afectado torna-se cada vez mais dependente daqueles que o rodeiam. Esta situa\u00e7\u00e3o acarreta enormes esfor\u00e7os, quer a n\u00edvel f\u00edsico, quer a n\u00edvel psicol\u00f3gico, especialmente por parte do indiv\u00edduo que assume o papel de cuidador.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas temos registado uma transforma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e s\u00f3cio-econ\u00f3mica que conjuntamente com os avan\u00e7os na medicina e na farmacologia, deram origem a uma melhoria da qualidade de vida das pessoas. Esta melhoria conduziu ao aumento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida, sem precedentes na hist\u00f3ria da humanidade. Este facto fez com que actualmente muitos pa\u00edses enfrentem as dificuldades que adv\u00eam do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Com o aumento da idade m\u00e9dia de vida as patologias intimamente relacionadas com o envelhecimento assumiram uma import\u00e2ncia crescente. Entre elas podemos destacar o grupo das dem\u00eancias, pela sua difus\u00e3o e pelos problemas sociais que acarretam. A dem\u00eancia \u00e9 definida por Pruit (1997) como \u201c(&#8230;) um s\u00edndrome caracterizado por um decl\u00ednio generalizado e mantido da fun\u00e7\u00e3o intelectual (&#8230;). \u00c8 um dist\u00farbio caracteristicamente progressivo, mensur\u00e1vel em meses ou anos (&#8230;). O decl\u00ednio das capacidades mentais tem uma base alargada envolvendo habitualmente a mem\u00f3ria, as capacidades cognitivas (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A dem\u00eancia mais frequente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, segundo Friedland et al. (1997), \u00e9 a doen\u00e7a de Alzheimer. A n\u00edvel neuropatol\u00f3gico, esta caracteriza-se pela morte das c\u00e9lulas em determinadas \u00e1reas do c\u00e9rebro, formando tran\u00e7as neurofibrilares e placas senis (Gambert, 1998).<\/p>\n<p align=\"justify\">A doen\u00e7a afecta 20 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, isto segundo Phaneuf (1998). No que concerne ao nosso pa\u00eds, Pinto (2000) refere que, a doen\u00e7a de Alzheimer atinge cerca de 60 mil portugueses.<\/p>\n<p align=\"justify\">Geralmente quem assume a tarefa de cuidar destes doentes s\u00e3o os familiares. Durante o desempenho deste papel assistem de forma impotente ao decl\u00ednio mental e f\u00edsico de algu\u00e9m que amam, dado que, o doente passa da situa\u00e7\u00e3o de ser activo, respons\u00e1vel pelos seus actos, para um ser dependente dos que lhe s\u00e3o mais chegados, sem muitas vezes terem consci\u00eancia do que se passa ao redor. Tal facto \u00e9 gerador de muito sofrimento para os familiares, especialmente para o cuidador.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hay (1996) complementa desta ideia referindo que, quando surge a dem\u00eancia todos os membros da fam\u00edlia s\u00e3o afectados, uns mais intensamente do que outros. Esta situa\u00e7\u00e3o frequentemente \u201cobriga\u201d a altera\u00e7\u00f5es do comportamento, do estilo de vida, das rela\u00e7\u00f5es familiares e na distribui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is. Todas estas mudan\u00e7as conduzem ao aparecimento de emo\u00e7\u00f5es emocionais negativas. De acordo com a mesma autora, in\u00fameras vezes o familiar presta cuidados durante 24 h por dia, o que causa uma enorme press\u00e3o psicol\u00f3gica, surgindo deste modo sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o, raiva, inseguran\u00e7a, incerteza, medo, ansiedade, culpa, ressentimento e muitos outros. Para al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es emocionais o cuidador enfrenta ainda altera\u00e7\u00f5es a n\u00edvel financeiro e social. No entanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o stress a causa destes problemas. Burns et al (1997) mencionam que, estes ficam a dever-se igualmente ao facto de cuidarem de \u201c.. algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 capaz de expressar gratid\u00e3o, que habitualmente n\u00e3o coopera, \u00e9 teimoso, persistente, mal humorado e desconfiado.\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo a linha de pensamento dos mesmos autores, cuidar de um adulto provoca n\u00edveis elevados de stress, que consequentemente elevam o risco de aparecimento de v\u00e1rios problemas, que podem ser de ordem f\u00edsica e emocional. Este facto toma contornos mais acentuados quando o cuidador tenta ao mesmo tempo manter o emprego e educar a fam\u00edlia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os autores supracitados referem que, a consequ\u00eancia mais comum \u00e9 a depress\u00e3o, que normalmente surge ap\u00f3s um ano. Mas podem ocorrer outros dist\u00farbios como as perturba\u00e7\u00f5es do sono, a ansiedade, o isolamento, a fadiga cr\u00f3nica, a hipertens\u00e3o e a doen\u00e7a cardiovascular. Num estudo realizado por Choen e Eisdorfer citados por Luders e Storani (1986) verificou-se que, 55% dos familiares dos doentes com a doen\u00e7a de Alzheimer, preencheram os crit\u00e9rios de depress\u00e3o cl\u00ednica. George e Guryther citados pelos mesmos autores, descrevem um maior \u00edndice de stress, assim como, um consumo significativo de psicotr\u00f3picos entre estes cuidadores. Estes cuidadores s\u00e3o habitualmente designados como as v\u00edtimas ocultas da doen\u00e7a, na perspectiva de Burns et al (1997), isto porque, o familiar passa a viver a vida do doente ignorando as suas pr\u00f3prias necessidades.<\/p>\n<p align=\"justify\">Perante este quadro todos n\u00f3s percebemos a exig\u00eancia subjacente ao cuidar de um doente com Alzheimer. Facilmente compreendemos que o desempenho do papel de prestador de cuidados informal, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o emocionalmente perturbadora e cansativa. As viv\u00eancias dos familiares cuidadores durante o processo de cuidar influenciam de forma determinante a presta\u00e7\u00e3o dos cuidados ao doente. Deste modo, surge a necessidade do enfermeiro e restantes profissionais de sa\u00fade estarem sensibilizados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 problem\u00e1tica dos cuidadores de um doente com Alzheimer. Se estivermos despertos para o aparecimento dos sentimentos negativos, as dificuldades e necessidades sentidas e se mostrarmos disponibilidade para escutar estes cuidadores poderemos ajuda-los a lidarem com estas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deveremos tentar envolver toda a fam\u00edlia na presta\u00e7\u00e3o de cuidados, com o intuito de proporcionar ao cuidador per\u00edodos de repouso, distrac\u00e7\u00e3o e a possibilidade de \u201crecuperarem\u201d as suas rela\u00e7\u00f5es sociais fora do contexto familiar, que se foram perdendo. Estou convicto que se os cuidadores se sentirem mais apoiados ter\u00e3o uma maior qualidade de vida, o que se vai repercutir nos cuidados que prestam ao seu familiar.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>BURNS, Robert et al \u2013 Aconselhamentos das pessoas que cuidam dos doentes. Pacient Care, edi\u00e7\u00e3o portuguesa. Lisboa,<\/li>\n<li>ISSN:0873-2167, Setembro, 1997.<\/li>\n<li>FRIENDLAND, Robert et al. \u2013 Dem\u00eancia no idoso : ser\u00e1 uma doen\u00e7a de Alzheimer ?. Pacient Care, edi\u00e7\u00e3o portuguesa. Lisboa, ISSN: 0873-2167, Setembro, 1997.<\/li>\n<li>GAMBERT, Steven R. \u2013 \u00c9 doen\u00e7a de Alzheimer?. Postgraduate Medicine. Mem Martins, ISSN: 0872-6590, vol. 9, n.\u00ba 1, Janeiro, 1998.<\/li>\n<li>HAY, Jennifer \u2013 Doen\u00e7a de Alzheimer e dem\u00eancia. Lisboa: Pl\u00e1tano Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas, 1996.<\/li>\n<li>LUDERS, Selenita Lia Afonso e STORANI, Maria Silva Barros. Dem\u00eancias: Impacto para a Fam\u00edlia e a Sociedade. In: NETTO,<\/li>\n<li>Matheus Papolio \u2013 Gerontologia, a Velhice e o Envelhecimento em vis\u00e3o globalizada. S\u00e3o Paulo: Athneu. 1994.<\/li>\n<li>PHANEUF, Margot \u2013 D\u00e9marche de soins au vieillissement perturb\u00e9 \u2013 D\u00e9mences et maladie d\u2019Alzheimer. Paris : Masson, 1998.<\/li>\n<li>PINTO, Jorge \u2013 Actualidades. Geriartria. Lisboa, ISSN: 0871- 5386, vol. 3\u00ba, n\u00ba123, Mar\u00e7o, 2000.<\/li>\n<li>PRUIT, Amy A. \u2013 a abordagem da dem\u00eancia. In: GOROLL, Alle H. et al \u2013 Cuidados Primarios em Medicina. 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Alfragide: Mcgraw-Hill, 1997.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dem\u00eancia mais frequente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, segundo Friedland et al. 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