{"id":812,"date":"2008-03-04T15:39:41","date_gmt":"2008-03-04T15:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/auto-conceito-implicacoes-no-desenvolvimento-de-estrategias-de-coping\/"},"modified":"2021-05-04T10:05:53","modified_gmt":"2021-05-04T10:05:53","slug":"auto-conceito-implicacoes-no-desenvolvimento-de-estrategias-de-coping","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/auto-conceito-implicacoes-no-desenvolvimento-de-estrategias-de-coping\/","title":{"rendered":"Auto-conceito: Implica\u00e7\u00f5es no desenvolvimento de estrat\u00e9gias de coping"},"content":{"rendered":"<p>Reconhece-se, cada vez mais, a urg\u00eancia de se desenvolverem estrat\u00e9gias e compet\u00eancias de forma a levar as pessoas a saberem lidar com o stress do dia-a-dia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba 230<\/em><\/p>\n<p><strong>R. C. C. P. Melo<\/strong><\/p>\n<p>Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra<\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A profiss\u00e3o de enfermagem, para al\u00e9m dos riscos que envolve, \u00e9 uma profiss\u00e3o de grande desgaste. Neste sentido, devem ser desenvolvidas estrat\u00e9gias de coping para evitar o esgotamento profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este artigo de revis\u00e3o tem como objectivo fazer uma an\u00e1lise e reflex\u00e3o sobre os estudos realizados no \u00e2mbito das implica\u00e7\u00f5es do auto-conceito no desenvolvimento de estrat\u00e9gias de coping.<\/p>\n<p align=\"justify\">Da pesquisa efectuada, conclu\u00edmos que quanto mais forte e abrangente for o auto-conceito, maior capacidade o indiv\u00edduo ter\u00e1 para lidar com as situa\u00e7\u00f5es stressantes e melhor apetrechado estar\u00e1 para lidar com as dificuldades e adversidades do dia-a-dia. Neste \u00e2mbito, consideramos extremamente importante optimizar as caracter\u00edsticas da personalidade do indiv\u00edduo, permitindo, assim, ajud\u00e1-lo a melhorar as suas estrat\u00e9gias de coping no sentido de uma melhor adapta\u00e7\u00e3o nas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, levando-o a ter uma melhor qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Auto-conceito, stress, estrat\u00e9gias de coping, esgotamento profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">The profession of nursing, besides the risks it involves, is a profession of great wear. In this sense, coping strategies should be developed to prevent the burnout.<\/p>\n<p align=\"justify\">The aim of this review article is to do an analysis and reflection on the studies undertaken within the implications of the self-concept in the development of coping strategies.<\/p>\n<p align=\"justify\">The search conducted concluded that the more powerful and comprehensive the self-concept is the greater capacity to deal with stressful situations; the individual will have and he will be better equipped to deal with everyday difficulties and adversities. Therefore, we consider extremely important to optimize the characteristics of the personality of the individual, thus helping him improve his coping strategies towards a better adjustment in difficult situations, leading him to have a better quality of life.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> Self-concept, stress, coping strategies, burnout.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Segundo Burns (1986)1, o auto-conceito \u00e9 composto por imagens acerca do que n\u00f3s pr\u00f3prios pensamos que somos, o que pensamos que conseguimos realizar e o que pensamos que os outros pensam de n\u00f3s e tamb\u00e9m de como gostar\u00edamos de ser.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se, por um lado, as rela\u00e7\u00f5es interpessoais que o indiv\u00edduo estabelece e o modo como se relaciona com os outros s\u00e3o influenciados pelo conceito que tem de si pr\u00f3prio, por outro, o auto-conceito tamb\u00e9m se pode modificar ao longo da vida, devido \u00e0s experi\u00eancias relacionais e aos contextos sociais em que vive (Serra, 1986 b)2.<\/p>\n<p align=\"justify\">A enfermagem \u00e9 uma profiss\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o, em que os enfermeiros lidam, diariamente, com doentes que sofrem de patologias graves, bem como com pessoas agressivas, desesperadas devido \u00e0s suas doen\u00e7as e \/ou problemas psicossociais. Por outro lado, os enfermeiros, tamb\u00e9m, trabalham em contextos em que a morte \u00e9 uma presen\u00e7a constante sendo extremamente dif\u00edcil e doloroso enfrentar essa realidade. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada porque a maior parte destes profissionais n\u00e3o s\u00e3o preparados para lidarem com estas exig\u00eancias emocionais contribuindo para aumentar o risco de esgotamento profissional (Velez, 2003)3.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste artigo de revis\u00e3o come\u00e7aremos por fazer uma pequena resenha hist\u00f3rica sobre as origens do interesse pelo auto-conceito e tentaremos clarificar alguns aspectos relevantes para a sua defini\u00e7\u00e3o e dimens\u00f5es. Destacaremos alguns estudos realizados no \u00e2mbito das implica\u00e7\u00f5es do auto-conceito no desenvolvimento de estrat\u00e9gias de coping. Finalmente faremos uma breve abordagem sobre o stress nos profissionais de sa\u00fade, especialmente nos enfermeiros, e as estrat\u00e9gias de coping a adoptar para diminuir o risco de esgotamento profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Defini\u00e7\u00e3o e dimens\u00f5es do auto-conceito<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A conceptualiza\u00e7\u00e3o do auto-conceito tem variado em fun\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios autores que se t\u00eam debru\u00e7ado sobre esta tem\u00e1tica, verificando-se uma grande imprecis\u00e3o da terminologia e discord\u00e2ncia das defini\u00e7\u00f5es. Contudo, Faria e Fontaine (1992, p.42)4 referem que, apesar da literatura n\u00e3o revelar uma defini\u00e7\u00e3o operacional clara, concisa e universalmente aceite, existe uma certa concord\u00e2ncia em torno da defini\u00e7\u00e3o geral do auto-conceito como sendo \u201ca percep\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo tem de si pr\u00f3prio, das suas capacidades e compet\u00eancias em v\u00e1rios dom\u00ednios da exist\u00eancia como, por exemplo, o social, o f\u00edsico, o cognitivo e o emocional\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com Serra (1986b)2, essas percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o formadas a partir das experi\u00eancias vivenciadas pelo sujeito e das interpreta\u00e7\u00f5es que faz sobre o meio envolvente. Para este autor, os refor\u00e7os que o sujeito recebe e o significado que o indiv\u00edduo faz relativamente aos seus comportamentos s\u00e3o factores preponderantes na constru\u00e7\u00e3o do auto-conceito.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Serra (1988a, 1988b)5,6, existem quatro tipos de influ\u00eancias que determinam o desenvolvimento do auto-conceito. S\u00e3o elas:<\/p>\n<p align=\"justify\">1 \u2013 A forma como os outros observam um indiv\u00edduo e o consequente feedback que lhe transmitem;<\/p>\n<p align=\"justify\">2 \u2013 A percep\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo tem do seu desempenho nas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p align=\"justify\">3 &#8211; A compara\u00e7\u00e3o que faz do seu comportamento numa dada situa\u00e7\u00e3o, com a dos seus pares sociais;<\/p>\n<p align=\"justify\">4 &#8211; A avalia\u00e7\u00e3o que faz de um determinado comportamento relativamente aos valores aceites pelo seu grupo de refer\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Segundo Serra (1986b)2, o auto-conceito \u00e9 um constructo psicol\u00f3gico que \u00e9 influenciado por v\u00e1rios factores, tais como: aceita\u00e7\u00e3o\/rejei\u00e7\u00e3o social, auto efic\u00e1cia, maturidade psicol\u00f3gica e impulsividade &#8211; actividade. Este autor acrescenta que este constructo:<\/p>\n<p align=\"justify\">a) Esclarece-nos sobre a forma como um indiv\u00edduo interage com os outros e lida com \u00e1reas respeitantes \u00e0s suas necessidades e motiva\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p align=\"justify\">b) Leva-nos a perceber aspectos do autocontrolo, porque certas emo\u00e7\u00f5es surgem em determinados contextos ou porque \u00e9 que uma pessoa inibe ou desenvolve determinado comportamento;<\/p>\n<p align=\"justify\">c) Permite-nos, ainda, compreender a continuidade e a coer\u00eancia do comportamento humano ao longo do tempo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O auto-conceito, tamb\u00e9m, pode ser definido atrav\u00e9s das caracter\u00edsticas apresentadas por Shavelson e Bolus (1982)7 que, na opini\u00e3o destes mesmos autores, s\u00e3o fundamentais para uma defini\u00e7\u00e3o mais precisa. Assim, para estes autores, o auto-conceito possui m\u00faltiplas facetas, \u00e9 est\u00e1vel, avaliativo, diferenci\u00e1vel, e tem capacidade para se desenvolver e se organizar hierarquicamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Serra (1986b)2 refere igualmente que um indiv\u00edduo, ao poder descrever e avaliar os seus comportamentos, leva a que consideremos tamb\u00e9m como caracter\u00edstica do auto-conceito a sua dimens\u00e3o descritiva e avaliativa.<\/p>\n<p align=\"justify\">As percep\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es de situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas permitem influ\u00eancias que se v\u00e3o progressivamente organizando, da\u00ed falar-se em auto-conceito hierarquizado. Num sentido amplo, o auto-conceito global apresenta-se como est\u00e1vel, diminuindo essa estabilidade \u00e0 medida que vai descendo na hierarquia (Shavelson e Bolus, 1982)7. Paralelamente ao fen\u00f3meno de socializa\u00e7\u00e3o que vai evoluindo desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 \u00e0 idade adulta, tamb\u00e9m o auto-conceito com a evolu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento humano se vai tornando cada vez mais multifacetado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Serra (1988b) (6) refere que no constructo do auto-conceito, h\u00e1 que salientar como seus constituintes: a auto-estima; as auto-imagens; a auto-efic\u00e1cia; as identidades; o auto-conceito real e o auto-conceito ideal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para este autor, a auto-estima \u00e9 um dos constituintes do auto-conceito mais importantes e com grande impacto na pr\u00e1tica cl\u00ednica. Acrescenta, ainda, que este conceito \u00e9 entendido como o processo avaliativo que o indiv\u00edduo faz das suas qualidades ou dos seus desempenhos. \u00c9, segundo este autor, o constituinte efectivo do auto-conceito, em que o indiv\u00edduo faz julgamentos de si pr\u00f3prio, associando \u00e0 sua identidade sentimentos valorativos do &#8220;bom&#8221; e do &#8220;mau&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro constituinte do auto-conceito \u00e9 a auto-efic\u00e1cia. Esta, segundo Mischel (1977), refere-se \u00e0s auto-percep\u00e7\u00f5es em que o indiv\u00edduo acredita e confia na sua capacidade e efic\u00e1cia para enfrentar o meio ambiente com efectividade e \u00eaxito, levando, assim, a consequ\u00eancias desejadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m, Mischel (1977)8 no seu estudo da personalidade refere-se \u00e0 auto-efic\u00e1cia percebida como sendo um constructo motivacional cognitivo em que o indiv\u00edduo se auto-avalia como eficaz, para enfrentar o meio ambiente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Serra (1988b)6, outro constituinte do auto-conceito \u00e9 a identidade, que na opini\u00e3o deste autor, se pode afirmar que qualquer pessoa pode ter, dentro de si, v\u00e1rias identidades, aquela a que dedicar mais tempo e aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a que se encontra na posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica mais elevada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Referindo-nos, agora, aos restantes constituintes do auto-conceito, para o mesmo autor, o auto-conceito real corresponde \u00e0 maneira como um indiv\u00edduo se considera, percebe e se avalia, tal como \u00e9, na realidade, enquanto que o auto-conceito ideal refere-se \u00e0 maneira como uma pessoa sente que deveria ou gostaria de ser e n\u00e3o como se percebe ou avalia na realidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste \u00e2mbito, Serra (1986b, 1988b)2,6 salienta que \u00e9 importante considerarmos a diferen\u00e7a entre o auto-conceito real e o auto-conceito ideal, com vista \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de dados de auto-aceita\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Por outro lado, \u201cesta discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda importante porque se admite que o auto-conceito ideal representa as qualidades humanas que s\u00e3o valorizadas pelo meio s\u00f3cio-cultural\u201d (Serra, 1986b, p.60)2. Para este autor, uma diferen\u00e7a pequena poder\u00e1 ser um bom indicador de que o indiv\u00edduo se aceita como \u00e9, traduzindo-se tal facto por uma maior aceita\u00e7\u00e3o e ajustamento pessoal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Investiga\u00e7\u00f5es realizadas em Portugal com o Invent\u00e1rio Cl\u00ednico do Auto-conceito (ICAC) demonstraram que existe uma associa\u00e7\u00e3o positiva entre as rela\u00e7\u00f5es com os pais e o auto-conceito. Assim, um bom ambiente familiar, com rela\u00e7\u00f5es positivas com os pais, com base na toler\u00e2ncia, na compreens\u00e3o e na capacidade de incentivo aos filhos, ajudando-os a ultrapassarem as dificuldades, s\u00e3o factores importantes no desenvolvimento de um bom auto-conceito (Serra, 1988a,1988b)5,6.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste contexto, Serra (1986a)9 \u00e9 de opini\u00e3o que, na constru\u00e7\u00e3o do elevado ou baixo auto-conceito interv\u00eam v\u00e1rios factores, como: os julgamentos feitos pelos outros \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do sujeito, os coment\u00e1rios depreciativos feitos \u00e0 identidade do sujeito, as observa\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es que o sujeito faz do seu pr\u00f3prio desempenho em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e as compara\u00e7\u00f5es entre o seu comportamento e o dos outros. Para este autor, o auto-conceito permite esclarecer a forma como a pessoa interage com as outras e lida com \u00e1reas respeitantes \u00e0s necessidades e motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">A abordagem do auto-conceito atrav\u00e9s da an\u00e1lise na sua globalidade, e dos factores que o comp\u00f5em, apresentados por Serra (1986a)9, como aceita\u00e7\u00e3o\/rejei\u00e7\u00e3o social, auto-efic\u00e1cia, maturidade psicol\u00f3gica e impulsividade-actividade, permite uma maior compreens\u00e3o do mesmo e a interac\u00e7\u00e3o de outras dimens\u00f5es da personalidade, bem como o desenvolvimento de estrat\u00e9gias de coping.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Auto-conceito: implica\u00e7\u00f5es no desenvolvimento de estrat\u00e9gias de coping<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A import\u00e2ncia fundamental do auto-conceito, para Serra (1986b)2, tem a ver com a percep\u00e7\u00e3o que cada um tem de si pr\u00f3prio, em termos de actor social em interac\u00e7\u00e3o, influenciando, assim, o seu relacionamento interpessoal. Ainda de acordo com o mesmo autor (1986a, 1986b)9,2, o auto-conceito esclarece-nos sobre a forma como uma pessoa se relaciona com as outras e lida com os seus sentimentos e motiva\u00e7\u00f5es. Explica-nos o porqu\u00ea de um indiv\u00edduo desenvolver determinado comportamento ou apresentar determinadas emo\u00e7\u00f5es em diferentes contextos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Serra, citando Wells e Marwell (1976), \u00e9 de opini\u00e3o de que \u201ca maneira como uma pessoa se percebe e se avalia pode ditar a forma como se relaciona com os outros, as tarefas que tenta, as tens\u00f5es emocionais que experimenta e o modo como subsequentemente se percebe\u201d (1986b, p.58)2.<\/p>\n<p align=\"justify\">O modo como o indiv\u00edduo reage perante os acontecimentos \u00e9 determinado pelo significado que atribui \u00e0 sua ocorr\u00eancia. Por sua vez, o significado atribu\u00eddo a esses acontecimentos \u00e9 influenciado pelas experi\u00eancias do passado do indiv\u00edduo que o levam a ser sens\u00edvel e a perceber de uma maneira espec\u00edfica os acontecimentos com que se confronta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste contexto, o auto-conceito do indiv\u00edduo e as estrat\u00e9gias de coping que usualmente utiliza na resolu\u00e7\u00e3o dos seus problemas t\u00eam grande import\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o que tem do mundo \u00e0 sua volta como no \u00eaxito e fracasso que obt\u00e9m para enfrentar as situa\u00e7\u00f5es stressantes (Serra e Pocinho, 2001)10.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os dados emp\u00edricos de diversos estudos (Serra, 1986b; Faria e Fontaine, 1992; Serra e Pocinho, 2001; Melo, 2005; Melo, 2007)2,4,10,11,12 apoiam a ideia de que um auto-conceito positivo ajuda a pessoa a ter uma percep\u00e7\u00e3o positiva de si pr\u00f3prio, a perceber o mundo de forma menos amea\u00e7adora, a ter estrat\u00e9gias de coping mais adequadas, a desenvolver melhor as compet\u00eancias relacionais de ajuda e a sentir-se bem consigo e com os outros. Pelo contr\u00e1rio, o fracasso escolar, as dificuldades nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais (Serra, 1986b)2, perturba\u00e7\u00f5es emocionais, ansiedade social elevada, desenvolvimento de sintomatologia devido ao stress e outras altera\u00e7\u00f5es t\u00eam sido relacionados com um auto-conceito pobre (Serra, 1986a)9.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estudos realizados, utilizando a escala para avaliar estrat\u00e9gias de coping (Invent\u00e1rio de Resolu\u00e7\u00e3o de Problemas) de Serra (1987)13, t\u00eam revelado que:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Os indiv\u00edduos com um bom auto-conceito e bom sentido de auto-efic\u00e1cia tendem a apresentar mecanismos adequados de coping (Serra, Firmino e Ramalheira, 1988)14;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">As pessoas com transtornos emocionais tendem a evitar o confronto activo dos problemas, pressupondo que a sua resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende do seu esfor\u00e7o directo, abandonam-se passivamente perante as ocorr\u00eancias e, em stress, utilizam sobretudo estrat\u00e9gias para controlo das emo\u00e7\u00f5es (Serra, Firmino e Ramalheira, 1988)14;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Os seres humanos com mecanismos de coping pobres sentem na vida maior n\u00famero de problemas (Serra, Firmino, Pocinho e Figueiredo, 1991)15;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">As pessoas extrovertidas e emocionalmente est\u00e1veis tendem a revelar melhores estrat\u00e9gias de coping (Alves, 1995)16;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Num estudo sobre para-suicidas foi comprovado que estes t\u00eam estrat\u00e9gias de coping significativamente mais pobres e inadequadas do que indiv\u00edduos da popula\u00e7\u00e3o em geral, sem transtornos psicopatol\u00f3gicos (Saraiva, 1997)17.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Ribeiro (2005, p.301) (18), citando Holahan e Moos (1987), defende que \u201cos factores sociodemogr\u00e1ficos, tais como a educa\u00e7\u00e3o, n\u00edvel socioecon\u00f3mico, caracter\u00edsticas de personalidade e factores contextuais, influenciam o coping\u201d. Tamb\u00e9m, Santos (2006) (19), referenciando Compas (1987), \u00e9 de opini\u00e3o que as estrat\u00e9gias de coping adoptadas pela pessoa para lidar com as situa\u00e7\u00f5es de stress s\u00e3o influenciadas por alguns aspectos como o auto-conceito, auto-efic\u00e1cia, auto controlo, auto percep\u00e7\u00f5es entre outros. Para esta autora a aprendizagem das estrat\u00e9gias de coping faz-se atrav\u00e9s da socializa\u00e7\u00e3o e pela hist\u00f3ria pessoal estando associadas as caracter\u00edsticas da sua personalidade como o auto-conceito, auto-efic\u00e1cia e o suporte social.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste \u00e2mbito, Serra e Pocinho (2001, p.16)10 referem que \u201ch\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o positiva e altamente significativa entre o auto-conceito e as estrat\u00e9gias de coping\u201d. Salientam, ainda que \u201cos indiv\u00edduos com um bom auto-conceito tendem a resolver melhor os seus problemas\u201d. Referem ainda, que \u201cum bom auto-conceito e estrat\u00e9gias de coping adequadas s\u00e3o preditoras de uma boa sa\u00fade mental\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A este prop\u00f3sito, Ribeiro (2005, p.295)18, citando Lazarus, Delongis, Folkman e Gruen (1985), diz-nos que \u201cum coping adequado a dada situa\u00e7\u00e3o conduz a um ajustamento adequado. Como evid\u00eancia da adapta\u00e7\u00e3o (ou ajustamento) encontra-se o \u00abbem-estar, o funcionamento social, e a sa\u00fade som\u00e1tica\u00bb\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Monteiro (2000, p.46)20 refere que nos doentes portadores de doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas o refor\u00e7o do auto-conceito permite, a longo prazo, \u201cmelhor capacidade de mentaliza\u00e7\u00e3o e de tradu\u00e7\u00e3o ps\u00edquica de viv\u00eancias dolorosas e experi\u00eancias relacionais desilus\u00f3rias; menor recurso \u00e0 somatiza\u00e7\u00e3o; uma leitura mais adequada do corpo e progressiva desdramatiza\u00e7\u00e3o e coping eficaz com a dor\u201d.Relativamente \u00e0 propens\u00e3o para desenvolver sintomas devido ao stress, Andrade (1997)21 refere que esta \u00e9 menor quanto melhor \u00e9 o auto-conceito do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa investiga\u00e7\u00e3o que pretendia determinar se algumas caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas como o auto-conceito se associavam \u00e0 sa\u00fade, em estudantes do ensino superior, Albuquerque (1999)22 verificou que existem ind\u00edcios de forte associa\u00e7\u00e3o entre as vari\u00e1veis de sa\u00fade e as vari\u00e1veis psicol\u00f3gicas estudadas. Os estudantes cujas vari\u00e1veis psicol\u00f3gicas apresentavam valores mais positivos expressaram, tamb\u00e9m, n\u00edveis de sa\u00fade mais positivos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo (Serra, Firmino e Ramalheira, 1988, p.317)14, \u201cas pessoas nervosas tendem a sentir que os problemas est\u00e3o fora do seu controlo, t\u00eam emo\u00e7\u00f5es que ultrapassam os limites da sua conten\u00e7\u00e3o, tornam-se mais agressivas contra si\/ou contra os outros e tendem a adoptar atitudes de abandono passivo perante as situa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, \u201cum individuo com estrat\u00e9gias de coping adequadas costuma sentir que tem um bom controlo das situa\u00e7\u00f5es com que se depara, gosta de confrontar e resolver activamente os problemas, utiliza mecanismos redutores de estados de tens\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o lesivos da sua sa\u00fade e da sua pessoa&#8230;\u201d (Serra e Pocinho, 2001, p.16)10.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Stress e os profissionais de enfermagem<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Os hospitais constituem um dos ambientes de trabalho mais stressantes e a profiss\u00e3o de enfermagem, para al\u00e9m dos riscos que envolve, \u00e9 uma profiss\u00e3o de grande desgaste devido ao contacto com o doente\/fam\u00edlia em sofrimento e morte; \u00e0 sobrecarga mental, devido \u00e0 complexidade de actividades e de exig\u00eancias espec\u00edficas dos servi\u00e7os (Regueiras, 2001)23.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Phaneuf (2005, p.600)24 o pessoal de enfermagem convive \u201ccom situa\u00e7\u00f5es penosas, frequentemente urgentes, em que deve fazer prova tanto de auto-controlo como de abertura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es dos outros e \u00e0s suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A este prop\u00f3sito Queir\u00f3s (2005, p. 4)25, citando Maslach e Jackson (1981), refere que \u201c\u00e0s profiss\u00f5es de assist\u00eancia pede-se que tenham um tempo consider\u00e1vel de rela\u00e7\u00e3o intensa, com pessoas, que n\u00e3o poucas vezes se encontram em situa\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas, com as quais as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o carregadas de sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o, medo ou desespero\u201d. Esta situa\u00e7\u00e3o pode ter um efeito de predisposi\u00e7\u00e3o para o esgotamento profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Phaneuf (2005, p.601)24 define esgotamento profissional como \u201c um estado de esgotamento de energia f\u00edsica, intelectual e afectiva resultante, nas enfermeiras, da press\u00e3o emocional associada a um empenhamento intenso, mal compensado, junto de pessoas em sofrimento\u201d. Para esta autora esta situa\u00e7\u00e3o conduz a um \u201cestado depressivo, a dificuldades importantes de adapta\u00e7\u00e3o, a um sentimento de isolamento, a uma baixa da produtividade, a problemas f\u00edsicos de sa\u00fade e de absentismo\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta situa\u00e7\u00e3o muitas vezes \u00e9 agravada porque \u201ca maior parte dos cursos ligados \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o deficit\u00e1rios a abordar este tipo de problemas\u201d contribuindo para o aumento do stress neste profissionais, dado que t\u00eam de \u201ctentar solucionar situa\u00e7\u00f5es para as quais n\u00e3o tiveram forma\u00e7\u00e3o adequada\u201d (Velez, 2003, p.10)3. Esta autora \u00e9 de opini\u00e3o que \u201catendendo ao impacto crescente do stress na sa\u00fade, qualidade de vida, e economia em geral, torna-se imperioso intervir na sua gest\u00e3o (2003, p.13)\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste \u00e2mbito, Phaneuf (2005, p.619)24 refere que o desenvolvimento da auto-estima e do auto-respeito, s\u00e3o fundamentais para que a pessoa consiga utilizar \u201cestrat\u00e9gias de controlo de stress e de preven\u00e7\u00e3o do esgotamento profissional\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Estrat\u00e9gias de coping na redu\u00e7\u00e3o do stress<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Segundo Santos (2006)19, Coping pode ser definido como o conjunto de esfor\u00e7os cognitivos, emocionais e comportamentais realizados para lidar com as exig\u00eancias internas ou externas e que s\u00e3o avaliados como excedendo os recursos pessoais para lhes fazer face. Estes esfor\u00e7os, para (Serra, 1999)26, podem ser de natureza variada e nem sempre implicam a resolu\u00e7\u00e3o do problema, pois a efic\u00e1cia depende n\u00e3o s\u00f3 dos recursos da pessoa, como tamb\u00e9m do tipo de situa\u00e7\u00e3o indutora de stress. Podem ainda ser orientados para a resolu\u00e7\u00e3o directa do problema ou para a atenua\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es sentidas, ou para busca de apoio social<\/p>\n<p align=\"justify\">Coping pode ser, tamb\u00e9m, entendido como a \u201c\u2026disposi\u00e7\u00e3o para gerir o stress, que constitui um desafio aos recursos que o individuo tem para satisfazer as exig\u00eancias da vida e padr\u00f5es de papel autoprotectores que o defendem contra amea\u00e7as percebidas como amea\u00e7adoras da auto-estima positiva; acompanhado por um sentimento de controlo, diminui\u00e7\u00e3o do stress, verbaliza\u00e7\u00e3o de aceita\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, aumento do conforto psicol\u00f3gico\u201d (CIP\/ICNP, 2006, p.80)27.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Ribeiro (2005)18, stress e coping s\u00e3o dois conceitos que fazem parte da vida de todos os dias. Numas situa\u00e7\u00f5es, o stress \u00e9 mais intenso, noutras o coping \u00e9 mais complicado ou inadequado, mas em todas as situa\u00e7\u00f5es eles jogam um papel importante na vida das pessoas. Para este autor, os agentes stressores s\u00e3o suscept\u00edveis de provocar reac\u00e7\u00f5es tais como medo, ansiedade, zanga e hostilidade. A maioria dos estudos realizados procuram avaliar as consequ\u00eancias negativas do stress no trabalho, bem como a rela\u00e7\u00e3o do stress com o aparecimento de doen\u00e7as gastrointestinais, acidentes, suic\u00eddios, aumento do rico de doen\u00e7as cardiovasculares e musculo-esquel\u00e9ticas (Pereira, 2003; Mota-Cardoso, et al, 2002; Queir\u00f3s, 2005)28,29,25.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, as potenciais situa\u00e7\u00f5es de stress s\u00f3 constituir\u00e3o um problema se a pessoa n\u00e3o conseguir lidar adequadamente com elas, ou seja, n\u00e3o se mostrar capaz de utilizar estrat\u00e9gias de coping capazes de desenvolver compet\u00eancias para enfrentar essas situa\u00e7\u00f5es (Lazarus e Folkman, 1984)30. O coping poder-se-\u00e1, ent\u00e3o, considerar instrumental\/focalizado no problema (quando aponta para a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas) e apelativo\/focalizado na emo\u00e7\u00e3o, quando pretende aliviar ou minimizar as consequ\u00eancias de uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser alterada mantendo as situa\u00e7\u00f5es indutoras de stress (Pereira, 1991)31.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na opini\u00e3o de Serra (1987)13, lidar com o stress depende essencialmente dos recursos espec\u00edficos, pessoais e sociais, de cada um e das estrat\u00e9gias de coping utilizadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Alguns autores, (Calhoun, 1980; McCue, 1987) citados por Mcintryre (1994)32, t\u00eam apresentado como estrat\u00e9gias de coping a disponibiliza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os privados para os profissionais de sa\u00fade se retirarem; o treino de t\u00e9cnicas de redu\u00e7\u00e3o de stress, como as t\u00e9cnicas de relaxamento, a disponibiliza\u00e7\u00e3o de grupos de discuss\u00e3o sobre mortalidade e morbilidade; e o aconselhamento individual ou familiar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta autora \u00e9 de opini\u00e3o que a n\u00edvel dos hospitais se deveria utilizar interven\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter preventivo que devem envolver a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade para a compreens\u00e3o dos aspectos psicol\u00f3gicos da doen\u00e7a e do comportamento do doente; o treino em compet\u00eancias de atendimento e de comunica\u00e7\u00e3o com o doente e fam\u00edlia; o treino em compet\u00eancias de lideran\u00e7a de uma equipa de trabalho; a aprendizagem de m\u00e9todos de identificar os sintomas de stress e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos para o profissional poder procurar ajuda para lidar com o stress.<\/p>\n<p align=\"justify\">As actividades de lazer s\u00e3o, tamb\u00e9m, consideradas como uma das medidas para minimizar o desgaste pessoal e profissional dado que, segundo Regueiras (2001)23, permitem a altera\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos e rotinas, criam bom ambiente de trabalho, fomentam a comunica\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito de grupo, a motiva\u00e7\u00e3o e a satisfa\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, segundo Santos (2006, p.26)19 \u201ca aprendizagem das estrat\u00e9gias de coping faz-se por socializa\u00e7\u00e3o e pela hist\u00f3ria pessoal de aprendizagem do indiv\u00edduo, ao que se associam as caracter\u00edsticas da sua personalidade, ou recursos pessoais (auto-conceito, auto-efic\u00e1cia, suporte social)\u201d. Neste sentido, pensamos que os pais, a sociedade em geral e as escolas t\u00eam um papel importante no desenvolvimento das estrat\u00e9gias de coping.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Reflex\u00e3o final<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Ao terminarmos a elabora\u00e7\u00e3o deste artigo de revis\u00e3o consideramos digno de realce o consenso verificado, ao longo do tempo, em torno da import\u00e2ncia do auto-conceito para o funcionamento e bem-estar do indiv\u00edduo, enquanto regulador e mediador do comportamento humano.<\/p>\n<p align=\"justify\">A maioria dos estudos realizados procuram avaliar as consequ\u00eancias negativas do stress no trabalho, bem como a rela\u00e7\u00e3o do stress com o aparecimento de doen\u00e7as, tais como o surgimento de doen\u00e7as gastrointestinais, acidentes, suic\u00eddios, aumento do risco de doen\u00e7a cardiovascular, de cancro e de doen\u00e7as m\u00fasculo-esquel\u00e9ticas. Este mal-estar frequente pode conduzir a reac\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas (dores de cabe\u00e7a frequentes, perda de peso, ins\u00f3nias altera\u00e7\u00f5es intestinais, etc.), cognitivas (absentismo, abuso de \u00e1lcool, tabaco ou de drogas, falta de empenhamento, entre outras) e comportamentais (diminui\u00e7\u00e3o da auto-estima, dificuldade na tomada de decis\u00f5es, altera\u00e7\u00f5es da percep\u00e7\u00e3o) que impedem, ainda mais, de lidar eficazmente com os desafios que se colocam (Queir\u00f3s, 1998; Francisco e Pereira, 2002; Queir\u00f3s, 2005)33,34,25.<\/p>\n<p align=\"justify\">Reconhece-se, cada vez mais, a urg\u00eancia de se desenvolverem estrat\u00e9gias e compet\u00eancias de forma a levar as pessoas a saberem lidar com o stress do dia-a-dia. Dado que, as potenciais situa\u00e7\u00f5es de stress s\u00f3 constituir\u00e3o um problema se a pessoa n\u00e3o conseguir lidar adequadamente com elas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste sentido, pensamos que se torna imprescind\u00edvel ter em considera\u00e7\u00e3o a necessidade de desenvolver as capacidades individuais de controlo do stress, nomeadamente o desenvolvimento de compet\u00eancias para lidar com situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis (conversar, procurar apoio, criar grupos de partilha) para que a pessoa possa ser mais resiliente quando enfrenta as situa\u00e7\u00f5es stressantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os estudos apontam para a necessidade de intervir nos sistemas de forma\u00e7\u00e3o, quer inicial, quer cont\u00ednua, numa perspectiva multifacetada e multidisciplinar valorizando a dimens\u00e3o relacional e social, no sentido dos mecanismos de lidar com situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis sejam mais eficazes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Da pesquisa efectuada \u00e9 de supor que quanto mais forte e abrangente for o auto-conceito do indiv\u00edduo, maior capacidade ter\u00e1 de lidar com as situa\u00e7\u00f5es stressantes e melhor apetrechado estar\u00e1 para lidar com as dificuldades. Neste sentido, consideramos extremamente importante optimizar as caracter\u00edsticas da personalidade do indiv\u00edduo permitindo, assim, ajud\u00e1-lo a melhorar as suas estrat\u00e9gias de coping no sentido de uma melhor adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s adversidades do dia-a-dia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Biobliografia<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">1 &#8211; BURNS, R.B., The Self-Concept (4rd ed.). London: Longman, 1986.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">2 &#8211; SERRA, Adriano Vaz, A import\u00e2ncia do auto-conceito. Psiquiatria Cl\u00ednica.1986b, Vol.7 n\u00ba2, p.57-66.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">3 &#8211; VELEZ, Cl\u00e1udia Godinho, Gest\u00e3o do stress nos profissionais de sa\u00fade. Nursing, 2003, n\u00ba 179, p.10-13.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">4 &#8211; FARIA, L.; FONTAINE, A. M., Estudo de adapta\u00e7\u00e3o do self description Questionnaire III (SDQ III) a estudantes universit\u00e1rios. Psycol\u00f3gica, 1992, n\u00ba8, p.41-49.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">5 &#8211; SERRA, Adriano Vaz, Atribui\u00e7\u00e3o e auto-conceito. Psychologica, 1988\u00aa, n\u00ba1, p.127-141.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">6 &#8211; SERRA, Adriano Vaz, O auto-conceito. An\u00e1lise Psicol\u00f3gica, 1988b, Vol. 2, n\u00ba 6, p.101-110.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">7 &#8211; SHAVELSON, R.J.; BOLUS, R., Self-concept: the interplay of theory and methods. Journal of Educational Psycology, 1982, Vol.74 , n\u00ba1, p.3-17.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">8 &#8211; MISCHEL, W., On the future of personality measurement. American Psychologist, 1977, Vol.32, n\u00ba4, p.242-254.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">9 &#8211; SERRA, Adriano Vaz, O invent\u00e1rio cl\u00ednico do auto-conceito.Psiquiatria Cl\u00ednica, 1986\u00aa, Vol.7, n\u00ba2, p.67-84.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">10 &#8211; SERRA, Adriano Vaz; POCINHO, Auto-conceito, coping e ideias de suic\u00eddio. Psiquiatria cl\u00ednica, 2001, Vol. 22, n\u00ba1, p.9-21.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">11 &#8211; MELO, Rosa C. C. P., Auto-conceito e desenvolvimento de compet\u00eancias relacionais de ajuda. Revista Refer\u00eancia, 2005, N\u00ba1, p.63-71.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">12 &#8211; MELO, Rosa C. C. P., Desenvolvimento de compet\u00eancias relacionais de ajuda \u2013 estudo com estudantes de enfermagem. Revista Portuguesa de Pedagogia, 2007, N\u00ba 41, p.189-210.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">13 &#8211; SERRA, Adriano Vaz, Um estudo sobre coping: O invent\u00e1rio de resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Psiquiatria Cl\u00ednica, 2007,Vol.9, n\u00ba4, p.301-316.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">14 &#8211; SERRA, Adriano Vaz; FIRMINO, H.; RAMALHEIRA, A. C., Estrat\u00e9gias de Coping e Auto-Conceito. Psiquiatria Cl\u00ednica, 1988, Vol. 9, n\u00ba4, p.317-322.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">15 &#8211; SERRA, Adriano. Vaz; FIRMINO, H.; POCINHO, F.; FIGUEIREDO, A. M., Coping Mechanisms and stressful life events, Acta Psychiatrica portuguesa, 1991, n\u00ba37, p.5-12.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">16 &#8211; ALVES, M. R. Stress na vida escolar dos estudantes. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Instituto Superior de servi\u00e7o Social: Coimbra, 1995.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">17 &#8211; SARAIVA, C. M. B., Para-suicidio: contributo para uma compreens\u00e3o cl\u00ednica dos comportamentos suicid\u00e1rios recorrentes. Tese de Doutoramento apresentada \u00e0 faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, 1997.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">18 &#8211; RIBEIRO, J. L. P. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 psicologia da sa\u00fade. Colec\u00e7\u00e3o Psicologias; s\u00e9rie psicologia e sa\u00fade. Lisboa: Quarteto, 2005.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">19 &#8211; SANTOS, C\u00e9lia S. B., Coping no processo de adpta\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade\/doen\u00e7a \u2013 Foco da pr\u00e1tica de enfermagem. Semin\u00e1rio sobre coping e adapta\u00e7\u00e3o aos processos de sa\u00fade e doen\u00e7a. Texto de apoio. Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, 2006.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">20 &#8211; MONTEIRO, L\u00facia, Consulta de psicossom\u00e1tica em reumatologia \u2013 uma experi\u00eancia de liga\u00e7\u00e3o no Instituto Portugu\u00eas de Reumatologia. Revista Portuguesa de Psicossom\u00e1tica, 2000, Vol. 2, n\u00ba1.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">21 &#8211; ANDRADE, M. C., Abordagem psicossocial dos Comportamentos Orientados para a sa\u00fade. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Universidade do Porto, 1997.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">22 &#8211; ALBUQUERQUE, C. M., Caracter\u00edsticas Psicol\u00f3gicas associadas \u00e0 Sa\u00fade em Estudantes do Ensino Superior. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Escola Superior de Altos Estudos, Instituto Superior Miguel Torga: Coimbra, 1999.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">23 &#8211; REGUEIRAS, Berta, Actividades de lazer como forma de aliviar o stress nos grupos de enfermeiros. Nursing, 2001, n\u00ba155, p.18-21.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">24 &#8211; PHANEUF, Margot, Comunica\u00e7\u00e3o, entrevista, rela\u00e7\u00e3o de ajuda e valida\u00e7\u00e3o. Loures: Lusoci\u00eancia, 2005.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">25 &#8211; QUEIR\u00d3S, Paulo J. P., Burnout no trabalho e conjugal nos enfermeiros e o clima organizacional. Revista Investiga\u00e7\u00e3o em Enfermagem, 2005, n\u00ba 11, p.1-15.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">26 &#8211; SERRA, Adriano V., O stress na vida de todos os dias. Coimbra: Edi\u00e7\u00f5es do autor, 1999.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">27 &#8211; CIP\/ICNP, Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a Pr\u00e1tica de Enfermagem (vers\u00e3o 1.0). Conselho Internacional de Enfermagem. Lisboa: Ordem dos Enfermeiros, 2006.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">28 &#8211; PEREIRA, A. M.S., O stress na vida acad\u00e9mica in semin\u00e1rio sucesso acad\u00e9mico no ensino Superior: Contributos da investiga\u00e7\u00e3o. Aveiro: Universidade de Aveiro, 2003.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">29 &#8211; MOTA-CARDOSO, R; ARA\u00daJO, A; RAMOS, R. C.; GON\u00c7ALVES, G. e RAMOS, M., O Stress nos professores portugueses &#8211; estudo IPSSO 2000. Porto:\u00a0 Porto Editora, 2002.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">30 &#8211; LAZARUS, R.S.; FOLKMAN, S., Stress, appraisal, and coping. New York: Spriger Publishing company, 1984.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">31 &#8211; PEREIRA, A. M. S., Coping, auto-conceito e ansiedade social: sua rela\u00e7\u00e3o com o rendimento escolar. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1991.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">32 &#8211; MCINTYRE, Teresa M., Stress e os profissionais de sa\u00fade: os que tratam tamb\u00e9m sofrem. An\u00e1lise Psicol\u00f3gica, 1994, 2-3, p.193-200.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">33 &#8211; QUEIR\u00d3S, Paulo J. P., Burnout em Enfermeiros: Compara\u00e7\u00e3o de tr\u00eas grupos. Sinais Vitais, 1998, N\u00ba 16, p.17-21.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">34 &#8211; FRANCISCO, C. M.; PEREIRA, A.M.S. , Uma forma de desenvolvimento de capacidades do aluno estagi\u00e1rio em educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Revista Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, 2002, n\u00ba 1 e 2, p.21-28.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"center\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhece-se, cada vez mais, a urg\u00eancia de se desenvolverem estrat\u00e9gias e compet\u00eancias de forma a levar as pessoas a saberem lidar com o stress do dia-a-dia.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[463,465,379,466,464,321],"class_list":["post-812","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-auto-conceito","tag-coping","tag-desenvolvimento","tag-esgotamento","tag-estrategias","tag-stress"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2788,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/812\/revisions\/2788"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}