{"id":808,"date":"2008-02-04T21:56:34","date_gmt":"2008-02-04T21:56:34","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/actividade-fisica-no-doente-hipertenso\/"},"modified":"2021-05-04T10:06:13","modified_gmt":"2021-05-04T10:06:13","slug":"actividade-fisica-no-doente-hipertenso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/actividade-fisica-no-doente-hipertenso\/","title":{"rendered":"Actividade F\u00edsica no Doente Hipertenso"},"content":{"rendered":"<p>O papel do enfermeiro de reabilita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de centralizador, facilitador e de recurso de apoio, procurando que o doente se torne o principal gestor da sua doen\u00e7a. A pr\u00e1tica regular de actividade f\u00edsica pode ser uma estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o efectiva para melhorar o equil\u00edbrio em doentes hipertensos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba 229<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<p align=\"justify\"><strong>Rosa Maria Neves Mendes<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeira Graduada no Centro de Sa\u00fade de Oliveira do Bairro, Mestre em Administra\u00e7\u00e3o e Planifica\u00e7\u00e3o da \u00a0\u00a0Educa\u00e7\u00e3o, Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem de Reabilita\u00e7\u00e3o. P\u00f3s graduada em Administra\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de \u00a0\u00a0Sa\u00fade e em Enfermagem Oncol\u00f3gica<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Carlos Alberto Machado Louren\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeiro Graduado no Hospital Infante D. Pedro, EPE, Aveiro. Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem de Reabilita\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 algumas d\u00e9cadas que se procuram explica\u00e7\u00f5es sobre os prov\u00e1veis efeitos hipotensores arteriais decorrentes da pr\u00e1tica de actividade f\u00edsica din\u00e2mica em animais e seres humanos. A maioria dos estudos refere que a pr\u00e1tica regular da actividade f\u00edsica reduz o risco de desenvolvimento de hipertens\u00e3o arterial e, nas pessoas hipertensas, auxilia na redu\u00e7\u00e3o dos seus valores. V\u00e1rios estudos t\u00eam demonstrado que a realiza\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios regulares e de intensidade moderada, leva a uma redu\u00e7\u00e3o significativa e duradoura da press\u00e3o arterial, tanto sist\u00f3lica como diast\u00f3lica (Pinto, 2000).<\/p>\n<p align=\"justify\">A adop\u00e7\u00e3o de um estilo de vida saud\u00e1vel pode prevenir, pelo menos em parte, o aparecimento da HTA e reduzir a incid\u00eancia da doen\u00e7a e morte.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Hipertens\u00e3o arterial, actividade f\u00edsica, exerc\u00edcio, desporto, aptid\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Some decades ago, an attempt was made to find explanations about the possible hypotensive arterial effects of dynamic physical activity in animals and human beings. The majority of studies report that regular physical activity reduces the risk of developing arterial hypertension and helps to reduce blood pressure in people with hypertension. Several studies have shown that moderate-intensity regular exercise leads to a significant, lasting reduction in both systolic and diastolic blood pressures.<\/p>\n<p align=\"justify\">Adopting a healthy lifestyle can help prevent high blood pressure and reduce the risk of heart disease and death.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> Arterial hypertension, physical activity, exercise, sport, physical fitness.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p align=\"right\">\u201cN\u00e3o pare nunca de come\u00e7ar<\/p>\n<p align=\"right\">\u00a0\u00a0e n\u00e3o comece nunca a parar\u201d<\/p>\n<p align=\"right\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (antigo prov\u00e9rbio chin\u00eas)\n<\/p>\n<p align=\"right\">\n<p align=\"justify\">Devido ao sucesso das ci\u00eancias m\u00e9dicas, as grandes causas de morbilidade e mortalidade do in\u00edcio do s\u00e9culo, as doen\u00e7as infecciosas, passaram para lugares modestos enquanto causas de morbilidade e mortalidade, sendo substitu\u00eddas por doen\u00e7as cuja etiologia \u00e9, em grande parte, comportamental. Assim, o desenvolvimento da medicina em particular (maior controlo de doen\u00e7as transmiss\u00edveis e agudas) e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida em geral levaram a um aumento da esperan\u00e7a de vida, dando origem a uma maior preval\u00eancia das doen\u00e7as cr\u00f3nicas que, na sua maioria, podem ser amenizadas mas n\u00e3o curadas. Tamb\u00e9m as altera\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas verificadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas nomeadamente o crescente envelhecimento das popula\u00e7\u00f5es trouxeram um consequente aumento da cronicidade e dos problemas de incapacidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A este respeito Cardoso (2002, p. 371) diz-nos que &#8220;n\u00e3o podemos esquecer que aquilo que fazemos no nosso dia a dia \u00e9 adiar a morte, porque como todos sabem esta n\u00e3o \u00e9 preven\u00edvel!&#8221; e n\u00e3o morrer de doen\u00e7a x &#8220;&#8230;\u00e9 aumentar as possibilidades de morrermos por outras causas&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">De facto, o sucesso da medicina curativa evita que as pessoas morram em idades precoces do ciclo vital, mas tem como consequ\u00eancia o aumento das doen\u00e7as cr\u00f3nicas (ex: hipertens\u00e3o arterial, diabetes) de tal modo que a segunda metade do s\u00e9culo XX viu as doen\u00e7as cr\u00f3nicas assumirem o lugar principal no sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">No que se refere \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as cr\u00f3nicas, esta n\u00e3o \u00e9 un\u00edvoca, mas de um modo geral aceita-se que, s\u00e3o doen\u00e7as sem cura ou de tratamento muito prolongado que imp\u00f5em ao sujeito doente mudan\u00e7as importantes no estilo de vida de modo a poder conviver diariamente, minuto a minuto, com a doen\u00e7a mantendo uma qualidade de vida elevada (Ribeiro et al, 2003).<\/p>\n<p align=\"justify\">Em suma, pode dizer-se que, a mudan\u00e7a dos problemas de sa\u00fade tornou alguns dos indicadores tradicionais desadequados e passou a ser dada \u00eanfase na necessidade de prevenir a doen\u00e7a e de promover a sa\u00fade. Assim, a import\u00e2ncia cada vez maior da doen\u00e7a associada ao estilo de vida e o aumento da esperan\u00e7a de vida da popula\u00e7\u00e3o, tornaram claro aos profissionais da sa\u00fade que os cuidados podem n\u00e3o s\u00f3 salvar vidas mas, quando t\u00eam sucesso, podem prolongar o tempo de vida e melhorar a sua qualidade. De facto, a percep\u00e7\u00e3o que a pessoa tem do seu estado de sa\u00fade, vem sendo considerada como coadjuvante de indicadores tradicionais na avalia\u00e7\u00e3o de necessidades em sa\u00fade, considerando-se que as complexas interac\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, emocionais e sociais est\u00e3o implicadas no desenvolvimento das doen\u00e7as e influenciam os resultados obtidos com tratamentos.<\/p>\n<p align=\"justify\">De facto, prevenir (englobando os tr\u00eas n\u00edveis de preven\u00e7\u00e3o) constitui a \u201cforma mais elegante de lutar contra a doen\u00e7a. Ser-se saud\u00e1vel e manter-se nesta situa\u00e7\u00e3o o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel, constitui o denominador comum a qualquer habitante deste planeta, independentemente das suas caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas e culturais&#8221; (Cardoso, 2002, p. 361).<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas para atingir este grande objectivo, que \u00e9 o de doente ser capaz de prevenir as complica\u00e7\u00f5es da hipertens\u00e3o arterial, h\u00e1 que primeiro capacit\u00e1-lo, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, para essa nova fun\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante que \u00e9 a de gest\u00e3o do pr\u00f3prio processo terap\u00eautico tendo obviamente, na sua retaguarda, como orientadores permanentes os profissionais da sa\u00fade. Foi a pensar neste objectivo t\u00e3o unanimemente aceite que se partiu para a realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">Existe uma \u00faltima rela\u00e7\u00e3o entre hipertens\u00e3o arterial e os chamados h\u00e1bitos modernos de vida, entendidos como aqueles incorporados \u00e0 rotina do homem \u201ccivilizado\u201d, ocidental do s\u00e9culo XIX para c\u00e1. Considerando-se que o homem n\u00e3o \u00e9, constitucionalmente, animal sedent\u00e1rio, que evolui em constante actividade f\u00edsica, \u00e9 compreens\u00edvel que a adop\u00e7\u00e3o do sedentarismo como norma de vida, na medida em que \u00e9 antinatural e n\u00e3o fisiol\u00f3gico resulte em danos para a sa\u00fade (Silva, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">A aus\u00eancia de uma actividade f\u00edsica regular \u2013 sedentarismo \u2013 \u00e9, em conjun\u00e7\u00e3o com uma alimenta\u00e7\u00e3o desadequada, um dos factores predisponentes \u00e0 obesidade e para uma s\u00e9rie de doen\u00e7as caracter\u00edsticas das sociedades desenvolvidas, conhecidas por doen\u00e7as cr\u00f3nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis, das quais a HTA faz parte. A actividade f\u00edsica \u00e9 fundamental para o bom controlo da hipertens\u00e3o arterial (Barata, 2005).<\/p>\n<p align=\"justify\">A hipertens\u00e3o arterial \u00e9 a doen\u00e7a cardiovascular que afecta o maior n\u00famero de pessoas a n\u00edvel mundial e a principal causa de morte e incapacidade em Portugal, verificando-se que um em cada quatro adultos \u00e9 hipertenso (Gouveia, 2000).<\/p>\n<p align=\"justify\">V\u00e1rios estudos evidenciaram a utilidade das interven\u00e7\u00f5es na mudan\u00e7a dos estilos de vida, particularmente, a diminui\u00e7\u00e3o do peso e o exerc\u00edcio f\u00edsico, na redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial. A diminui\u00e7\u00e3o de 5 a 6 mmHg na press\u00e3o arterial diast\u00f3lica leva a uma redu\u00e7\u00e3o de 15% no risco de eventos de doen\u00e7a coron\u00e1ria (Gaziano et al, 2003). A preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as cardiovasculares baseia-se na no\u00e7\u00e3o do conceito de risco e dos factores de risco\u00a0<sup>(1)<\/sup>, isto \u00e9, de caracter\u00edsticas que as pessoas saud\u00e1veis (ou n\u00e3o) podem apresentar que predisp\u00f5em ao aparecimento da patologia coron\u00e1ria. Os factores de risco podem estar ligados a estilos de vida como: o tabagismo, a dieta rica em l\u00edpidos ou calorias e a inactividade f\u00edsica <sup>(2)<\/sup> (Andr\u00e9, 2005).<\/p>\n<p align=\"justify\">Para minimizar o impacte da hipertens\u00e3o arterial sobre a sociedade moderna, s\u00e3o aventadas possibilidades de terapias n\u00e3o farmacol\u00f3gicas que poderiam ser aplicadas com sucesso a pacientes com hipertens\u00e3o arterial essencial leve. Entre elas, destaca-se a realiza\u00e7\u00e3o de actividade f\u00edsica din\u00e2mica, tamb\u00e9m chamada de actividade f\u00edsica aer\u00f3bica. Um n\u00famero elevado de estudos indica que este tipo de actividade realizada sistematicamente poderia promover a redu\u00e7\u00e3o de 10\u00a0mmHg, em m\u00e9dia, tanto na PA sist\u00f3lica como na PA diast\u00f3lica, nos indiv\u00edduos hipertensos leves, al\u00e9m de poder induzir o desenvolvimento de modifica\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas relacionadas a outros factores de risco cardiovascular presentes no hipertenso (Paschoal et al, 2004).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Hipertens\u00e3o arterial<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A hipertens\u00e3o arterial (HTA) trata-se de uma doen\u00e7a que atingiu propor\u00e7\u00f5es de epidemia nos adultos do mundo industrializado, est\u00e1 associada ao aumento do risco de desenvolvimento de numerosas doen\u00e7as e constitui um dos principais factores de morbi-mortalidade como tamb\u00e9m pela maneira silenciosa como se manifesta (Paschool et al, 2004).<\/p>\n<p align=\"justify\">A hipertens\u00e3o \u00e9 a for\u00e7a exercida pelo sangue circulante nas paredes dos vasos do cora\u00e7\u00e3o e das circula\u00e7\u00f5es sist\u00e9mica e pulmonar, em que h\u00e1 bombagem do sangue atrav\u00e9s dos vasos sangu\u00edneos com press\u00e3o superior \u00e0 normal (CIPE\/ICNP, 2003). Os valores ou n\u00edveis da tens\u00e3o arterial aceites como \u201cnormais\u201d variam, dentro de certos limites, na depend\u00eancia de in\u00fameros factores, como a idade, o estado emocional ou a actividade f\u00edsica. O valor obtido em estado de repouso \u00e9 considerado como sendo a tens\u00e3o arterial basal do indiv\u00edduo. Na pr\u00e1tica di\u00e1ria tens\u00e3o arterial \u00e9 medida de forma indirecta atrav\u00e9s de uma manga acoplada a um man\u00f3metro e posicionado ao redor do bra\u00e7o do indiv\u00edduo sob exame. Desta forma, obt\u00e9m-se o valor da press\u00e3o no momento da s\u00edstole ou contrac\u00e7\u00e3o ventricular, chamada tens\u00e3o sist\u00f3lica ou m\u00e1xima e tamb\u00e9m por ocasi\u00e3o da di\u00e1stole ventricular, a tens\u00e3o diast\u00f3lica ou m\u00ednima.<\/p>\n<p align=\"justify\">O valor obtido \u00e9 expresso em mil\u00edmetros de merc\u00fario ou abreviadamente mmHg (Silva, 2001). Segundo a Circular Normativa da Direc\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade de 31\/03\/2004 os valores definidos para a hipertens\u00e3o arterial s\u00e3o:<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Figura 1 \u2013 Actividade f\u00edsica e hipertens\u00e3o<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\"><center><\/p>\n<table border=\"2\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"33%\">Categoria<\/td>\n<td width=\"28%\">Tens\u00e3o arterial sist\u00f3lica<\/td>\n<td width=\"6%\"><\/td>\n<td width=\"32%\">Tens\u00e3o arterial diast\u00f3lica<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Normal<\/td>\n<td>120-129 mmHg<\/td>\n<td>e<\/td>\n<td>80-84 mmHg<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Normal alto<\/td>\n<td>130-139 mmHg<\/td>\n<td>ou<\/td>\n<td>85-89 mmHg<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Hipertens\u00e3o Est\u00e1dio 1<\/td>\n<td>140-159 mmHg<\/td>\n<td>ou<\/td>\n<td>90-99 mmHg<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Hipertens\u00e3o Est\u00e1dio 2<\/td>\n<td>&gt; = 160 mmHg<\/td>\n<td>ou<\/td>\n<td>&gt; = 100 mmHg<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/div>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Fonte: Adaptado de DGS, n\u00ba 2\/DGCG, 31\/03\/2004 in Cruz e Nunes (2005)<\/p>\n<p align=\"center\">\u2013 Sa\u00fade, desporto e enfermagem. Coimbra: Formasau, p. 73.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p>As consequ\u00eancias potenciais da hipertens\u00e3o arterial n\u00e3o controlada s\u00e3o m\u00faltiplas. Considera-se a hipertens\u00e3o arterial como factor de risco da doen\u00e7a coron\u00e1ria, uma vez que provoca danos no endot\u00e9lio vascular e quebra da barreira perme\u00e1vel e anti-trombog\u00e9nica (Thelan et al, 1996, p. 294.<br \/>\n<strong>Actividade f\u00edsica<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u201cO ser humano foi concebido para a ac\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para a inactividade\u201d<\/p>\n<p align=\"right\">(Bailey, 1997)<\/p>\n<p align=\"justify\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade sublinha a import\u00e2ncia da actividade f\u00edsica para a preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as cardiovasculares e de outras doen\u00e7as como a diabetes e a obesidade. Sendo o sedentarismo reconhecido como um importante factor de risco para a sa\u00fade, constituindo um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, uma das metas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em Portugal foi a de criar h\u00e1bitos de actividade f\u00edsica a iniciarem-se nas crian\u00e7as (Ribeiro, 2005).<\/p>\n<p align=\"justify\">Portugal \u00e9 o pa\u00eds mais sedent\u00e1rio da Uni\u00e3o Europeia em todas as faixas et\u00e1rias, como o demonstram numerosos estudos, ou seja, somos o povo fisicamente menos activo da Europa. Considerando-se que o homem n\u00e3o \u00e9, constitucionalmente, animal sedent\u00e1rio, que evolui em constante actividade f\u00edsica, \u00e9 compreens\u00edvel que a adop\u00e7\u00e3o do sedentarismo como norma de vida, na medida em que \u00e9 antinatural e n\u00e3o fisiol\u00f3gico resulte em danos para a sa\u00fade (Silva, 2000). Assim, para al\u00e9m de ultrapassar o problema do sedentarismo, a actividade f\u00edsica, diminui a hipertens\u00e3o arterial, combate a dislipid\u00e9mia perif\u00e9rica \u00e0 insulina, diminuindo a hiperglic\u00e9mia e ajudando a combater a diabetes mellitus tipo 2 (ibidem).<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste sentido, a educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade s\u00f3 tem sentido quando existe uma combina\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os e experi\u00eancias de aprendizagem, que proporcionam uma mudan\u00e7a volunt\u00e1ria de comportamentos individuais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"justify\">Actividade f\u00edsica, exerc\u00edcio, desporto, aptid\u00e3o f\u00edsica s\u00e3o conceitos diferentes para caracterizar uma pessoa fisicamente activa. No entanto estes termos est\u00e3o relacionados como o esquematiza a figura 1.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Figura 1 \u2013 Rela\u00e7\u00f5es e distin\u00e7\u00e3o entre actividade f\u00edsica, exerc\u00edcio e desporto e entre sa\u00fade e condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-807\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/02\/image001.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"233\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/02\/image001.jpg 400w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/02\/image001-300x175.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Fonte: Barata, J. L. Th (2005) \u2013 Mexa-se pela sua sa\u00fade. Lisboa: D. Quixote, p. 23\n<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">A actividade f\u00edsica para Barata, \u201c\u00e9 toda a actividade muscular ou motora que um ser assume, ou seja, tudo aquilo que implique movimento, for\u00e7a ou manuten\u00e7\u00e3o da postura\u201d (2005, p. 24). Os principais factores que contribuem para a actividade f\u00edsica s\u00e3o as actividades di\u00e1rias que envolvem movimentos do corpo, tais como caminhar, andar de bicicleta, subir as escadas, ir \u00e0s compras; ou seja, as actividades de vida di\u00e1ria. Por outro lado, os exerc\u00edcios s\u00e3o \u201cactividades f\u00edsicas repetidas, estereotipadas, que visam a obten\u00e7\u00e3o de um objectivo concreto; assim, falamos de exerc\u00edcios abdominais, (\u2026), exerc\u00edcios de prepara\u00e7\u00e3o para o parto, exerc\u00edcios de fortalecimento dum joelho operado, etc.\u201d (ibidem, p. 27-28).<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 o desporto \u00e9 uma actividade f\u00edsica envolvendo competi\u00e7\u00e3o regulamentada. Segundo Barata, \u201cno desporto h\u00e1 sempre regras e h\u00e1 sempre objectivos a alcan\u00e7ar: h\u00e1 vit\u00f3rias, empates por vezes, ou derrotas\u201d (2005, p. 28). Muitas vezes o problema n\u00e3o est\u00e1 na actividade f\u00edsica em si, mas nos excessos e respectivos riscos que a competi\u00e7\u00e3o motiva. A aptid\u00e3o f\u00edsica \u00e9 em grande parte o resultado dos nossos n\u00edveis de actividade f\u00edsica; no entanto certos factores gen\u00e9ticos tamb\u00e9m podem intervir. No entanto, o ponto mais importante \u00e9 o facto de que estudos cient\u00edficos mostram que a pr\u00e1tica regular de actividade f\u00edsica, quaisquer que sejam as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do indiv\u00edduo se encontra relacionada com uma boa sa\u00fade. Os benef\u00edcios de se ser fisicamente activo s\u00e3o numerosos e variam de uma redu\u00e7\u00e3o do risco de certas doen\u00e7as e condi\u00e7\u00f5es at\u00e9 \u00e0 melhoria da sa\u00fade mental.<\/p>\n<p align=\"justify\">A actividade f\u00edsica varia no tipo e na intensidade, melhora v\u00e1rios componentes da sa\u00fade e da aptid\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p align=\"justify\">O sedentarismo constitui um dos factores predisponentes ao aparecimento de algumas doen\u00e7as, entre as quais a hipertens\u00e3o arterial e, do mesmo modo, \u00e9 um dos factores que condicionam o equil\u00edbrio e o bem-estar do doente hipertenso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os benef\u00edcios da actividade f\u00edsica para a popula\u00e7\u00e3o hipertensa est\u00e3o j\u00e1 largamente documentados e incluem benef\u00edcios gerais (um aumento de bem estar f\u00edsico e mental, uma ac\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica sobre o stress, uma promo\u00e7\u00e3o da actividade social, um tempo de descanso das preocupa\u00e7\u00f5es habituais, um aumento a percep\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia, uma melhoria da percep\u00e7\u00e3o da imagem do corpo).<\/p>\n<p align=\"justify\">A actividade f\u00edsica efectuada de modo suficiente e adequada permite: aumento da capacidade f\u00edsica aer\u00f3bica; aumento da capacidade f\u00edsica anaer\u00f3bica (aumenta a for\u00e7a muscular e a velocidade); o aumento da flexibilidade; melhora o desempenho cardiocirculat\u00f3rio, hematol\u00f3gico e imunit\u00e1rio; melhora as trocas gasosas; melhora a composi\u00e7\u00e3o corporal, (menos massa gorda e mais massa magra); refor\u00e7a a homeostasia t\u00e9rmica; controla a dor; diminui a ansiedade e a depress\u00e3o e melhora a capacidade cognitiva; diminui a preval\u00eancia de outros factores de risco\u201d (Ribeiro, 2005).<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Weineck a falta de actividade f\u00edsica consiste num \u201cn\u00edvel de exig\u00eancia muscular que se encontra abaixo de um determinado limiar de estimula\u00e7\u00e3o por um longo per\u00edodo, ou seja, os m\u00fasculos s\u00e3o pouco estimulados (2003, p. 35).<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, o exerc\u00edcio f\u00edsico deve ser entendido como um adjuvante no tratamento da hipertens\u00e3o arterial e n\u00e3o um substituto de qualquer terap\u00eautica, mas quando bem realizado, leva mesmo \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de gastos pelo menor consumo de f\u00e1rmacos e terap\u00eauticas de reabilita\u00e7\u00e3o (Henriques e Aroso, 2003).<\/p>\n<p align=\"justify\">A realiza\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio f\u00edsico de forma regular e moderada \u00e9 uma excelente maneira de ajudar a controlar a doen\u00e7a. No entanto, antes da sua pr\u00e1tica o doente hipertenso deve consultar o m\u00e9dico para verifica\u00e7\u00e3o do estado cardio-circulat\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Hipertens\u00e3o arterial e actividade f\u00edsica<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">\u00c9 prov\u00e1vel que os benef\u00edcios \u2013 indiscut\u00edveis \u2013 da actividade f\u00edsica regular para o bem-estar f\u00edsico e mental das pessoas se devam, em parte, \u00e0s atitudes geralmente adoptadas pelos que aderem aos programas de exerc\u00edcios f\u00edsicos, em menor grau, pelos que desenvolvem esfor\u00e7o f\u00edsico regular no curso da actividade profissional. \u00c9 poss\u00edvel que a menor preval\u00eancia de doen\u00e7as coron\u00e1rias e a maior longevidade das pessoas activas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s sedent\u00e1rias se devam tanto a efeitos directos e intr\u00ednsecos da actividade f\u00edsica como a outros indirectos. Entre os efeitos directos incluem-se:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Melhoria da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u2013 o indiv\u00edduo \u00e9 capaz de fazer determinado esfor\u00e7o, gastando menos energia e com menor sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o do que se n\u00e3o estivesse acostumado ou condicionado \u00e0 pr\u00e1tica de actividade e\/ou exerc\u00edcios f\u00edsicos. A melhor condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 resultado do aumento da capacidade funcional dos pulm\u00f5es, maior efici\u00eancia mec\u00e2nica dos m\u00fasculos, melhor transporte de oxig\u00e9nio e diminui\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia oposta pelas art\u00e9rias ao esvaziamento do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Diminui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia card\u00edaca em repouso, consumindo-se portanto menos oxig\u00e9nio.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">\u201cQueima\u201d de gorduras \u2013 na pessoa fisicamente activa a energia dispendida adv\u00e9m mais das gorduras do que dos carbo-hidratos, ao contr\u00e1rio dos pouco activos.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Poss\u00edvel e n\u00e3o comprovada a eleva\u00e7\u00e3o da frac\u00e7\u00e3o HDL do colestrol, o colestrol \u201cbom\u201d.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Os benef\u00edcios indirectos relacionam-se com os aspectos psicossociais. O al\u00edvio da tens\u00e3o e da ansiedade obtido pela actividade f\u00edsica regular resultante numa sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar ben\u00e9fica e resultar\u00e1 em maior capacidade de trabalho e melhoria da qualidade de sono e apetite (Silva, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">O esquema de programa do doente hipertenso deve ser personalizado em fun\u00e7\u00e3o das suas necessidades e estar de acordo com o seu contexto f\u00edsico. Antes de come\u00e7ar qualquer tipo de actividade \u00e9 necess\u00e1rio um exame cl\u00ednico, no qual o m\u00e9dico verificar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade para a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O exerc\u00edcio f\u00edsico regular \u00e9 uma excelente arma terap\u00eautica anti-hipertensiva, n\u00e3o farmacol\u00f3gica e um factor de ades\u00e3o ao tratamento, sendo as recomenda\u00e7\u00f5es da sua pr\u00e1tica nos doentes com hipertens\u00e3o arterial:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">Doentes com HTA moderada, controlada pelo medicamento, sem atingir \u00f3rg\u00e3os alvo: desporto autorizado, praticamente sem restri\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HTA bordeleine \u2013 medidas terap\u00eauticas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas (desporto autorizado);<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HTA n\u00e3o controlada pelo tratamento: autorizados desportos de fraca intensidade;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HTA controlada pelo tratamento mas com atingimento de \u00f3rg\u00e3o alvo: autorizado desporto de fraca intensidade;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HTA secund\u00e1ria (ex.: rim poliqu\u00edstico\u00a0\/\u00a0rim \u00fanico), evitar desportos de contacto (Coutinho, 2000).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O exerc\u00edcio f\u00edsico regular permite uma redu\u00e7\u00e3o da dose dos f\u00e1rmacos utilizados na hipertens\u00e3o arterial, bem como melhora a qualidade de vida (ex.: cardiopatias cong\u00e9nitas) (ibidem).<\/p>\n<p align=\"justify\">Os principais objectivos em doentes com este tipo de patologia, com uma determinada prescri\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio f\u00edsico, s\u00e3o um recondicionamento ao esfor\u00e7o com um \u00f3bvio intuito de ganho funcional. Os par\u00e2metros que estabelecem os limites est\u00e3o relacionados com a frequ\u00eancia card\u00edaca, a frequ\u00eancia respirat\u00f3ria e a tens\u00e3o arterial. Deve optar-se pelo exerc\u00edcio aer\u00f3bico, que envolva a contrac\u00e7\u00e3o r\u00edtmica de diversos grupos musculares \u2013 marcha, corrida, nata\u00e7\u00e3o, ciclismo, etc. \u2013 evitando os desportos de elevado impacto. Se a finalidade da pr\u00e1tica do exerc\u00edcio \u00e9 obter ou melhorar a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, \u00e9 prefer\u00edvel que seja isot\u00f3nico e aer\u00f3bico. Quanto a ser cont\u00ednuo ou descont\u00ednuo, ambos podem ser \u00fateis para melhorar a prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica. O descont\u00ednuo, dependendo do tipo de exerc\u00edcio que se pratique, poder\u00e1 ser mais bem tolerado.<\/p>\n<p align=\"justify\">A intensidade do exerc\u00edcio deve ser suficiente para, num dado tempo, levar ao aumento da frequ\u00eancia card\u00edaca e produzir sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o.<\/p>\n<p align=\"justify\">A intensidade deve, pois, equilibrar-se com a dura\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio e adaptar-se \u00e0 aptid\u00e3o e estado da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica da pessoa. A dura\u00e7\u00e3o de cada sess\u00e3o ter\u00e1 como limites dois referenciais: um subjectivo, que \u00e9 o surgimento da sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o e outro mais objectivo, que \u00e9 a frequ\u00eancia card\u00edaca atingida. A frequ\u00eancia card\u00edaca deve alcan\u00e7ar, no m\u00e1ximo, cerca de 85 por cento da frequ\u00eancia m\u00e1xima recomendada para a idade, o que se denomina de \u00absubm\u00e1xima\u00bb (ver tabela 1).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela 1 \u2013 Frequ\u00eancias card\u00edacas m\u00e1ximas e sub-m\u00e1ximas segundo a idade e o sexo<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"3\" width=\"15%\">\nIdade<\/td>\n<td colspan=\"4\" width=\"84%\">Frequ\u00eancia Card\u00edaca<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"2\" width=\"40%\">Homens<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"43%\">Mulheres<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"18%\">M\u00e1xima<\/td>\n<td width=\"22%\">Subm\u00e1xima<\/td>\n<td width=\"15%\">M\u00e1xima<\/td>\n<td width=\"27%\">Subm\u00e1xima<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"15%\">20<\/p>\n<p>25<\/p>\n<p>30<\/p>\n<p>35<\/p>\n<p>40<\/p>\n<p>45<\/p>\n<p>50<\/p>\n<p>55<\/p>\n<p>60<\/p>\n<p>65<\/p>\n<p>70<\/td>\n<td width=\"18%\">200<\/p>\n<p>195<\/p>\n<p>190<\/p>\n<p>186<\/p>\n<p>182<\/p>\n<p>179<\/p>\n<p>175<\/p>\n<p>171<\/p>\n<p>168<\/p>\n<p>164<\/p>\n<p>160<\/td>\n<td width=\"22%\">170<\/p>\n<p>166<\/p>\n<p>162<\/p>\n<p>158<\/p>\n<p>155<\/p>\n<p>152<\/p>\n<p>149<\/p>\n<p>145<\/p>\n<p>143<\/p>\n<p>139<\/p>\n<p>136<\/td>\n<td width=\"15%\">190<\/p>\n<p>185<\/p>\n<p>180<\/p>\n<p>176<\/p>\n<p>172<\/p>\n<p>169<\/p>\n<p>165<\/p>\n<p>161<\/p>\n<p>158<\/p>\n<p>154<\/p>\n<p>150<\/td>\n<td width=\"27%\">160<\/p>\n<p>156<\/p>\n<p>152<\/p>\n<p>148<\/p>\n<p>145<\/p>\n<p>142<\/p>\n<p>139<\/p>\n<p>135<\/p>\n<p>133<\/p>\n<p>129<\/p>\n<p>126<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">Fonte: Silva, M.A.D. (2001) \u2013 Bate cora\u00e7\u00e3o. Cascais: Pergaminho, p. 125.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">A frequ\u00eancia card\u00edaca m\u00e1xima corresponde \u00e0 m\u00e1xima capacidade de capta\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio, limite a partir do qual o exerc\u00edcio passaria a ser anaer\u00f3bico, portanto, nocivo. Alcan\u00e7ada esta frequ\u00eancia subm\u00e1xima deve o exerc\u00edcio ser gradualmente interrompido.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m da intensidade e da dura\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 relevante a quest\u00e3o da frequ\u00eancia e da regularidade da pr\u00e1tica do exerc\u00edcio. O exerc\u00edcio, mesmo intenso, realizado apenas esporadicamente (uma vez por semana) n\u00e3o produz condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e pode ser perigoso. Recomendam-se tr\u00eas a quatro sess\u00f5es semanais com cerca de vinte e trinta minutos de dura\u00e7\u00e3o, como o m\u00ednimo necess\u00e1rio para se obter algum grau de condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica. De forma simplificada, caminhadas a passo r\u00e1pido, com cerca de 30 minutos de dura\u00e7\u00e3o, tr\u00eas vezes por semana, acompanhadas de uma sess\u00e3o semanal de 30 minutos de exerc\u00edcio r\u00edtmico e din\u00e2mico mas intenso, s\u00e3o suficientes para prevenir arterosclerose.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pequenas modifica\u00e7\u00f5es na rotina di\u00e1ria s\u00e3o tamb\u00e9m \u00fateis e devem ser adoptadas: usar escadas e n\u00e3o elevadores, fazer trajectos a p\u00e9 sempre que poss\u00edvel e, no fim-de-semana, dedicar-se a alguma forma de lazer que implique movimentos f\u00edsicos, como \u00e9 o caso da nata\u00e7\u00e3o, do t\u00e9nis e do ciclismo, por exemplo (cfr. Cruz e Oliveira, 2005, p. 75; Silva, 2001, p. 119).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Tipos de exerc\u00edcio<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O exerc\u00edcio pode ser isom\u00e9trico, aer\u00f3bico ou anaer\u00f3bico, cont\u00ednuo ou descont\u00ednuo. O exerc\u00edcio isot\u00f3nico \u00e9 din\u00e2mico, ou seja, h\u00e1 movimento e s\u00e3o exercitados simultaneamente v\u00e1rios grupos de m\u00fasculos. Implica melhor e maior utiliza\u00e7\u00e3o e transporte de oxig\u00e9nio e resulta em melhor condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, embora aumente pouco a for\u00e7a muscular. \u00c9 o exerc\u00edcio dos corredores, dos ciclistas, dos nadadores, dos que se exercitam andando.<\/p>\n<p align=\"justify\">O exerc\u00edcio isom\u00e9trico \u00e9 est\u00e1tico, parado e apenas s\u00e3o accionados grupos musculares isolados. O halterofilismo \u00e9 o exemplo cl\u00e1ssico. Enquanto o exerc\u00edcio isot\u00f3nico (din\u00e2mico) adequa o cora\u00e7\u00e3o a trabalhar como uma m\u00e1quina rent\u00e1vel, executando determinado trabalho gastando menos energia, o est\u00e1tico, parado, proporciona m\u00fasculos e for\u00e7a ao indiv\u00edduo, mas n\u00e3o lhe d\u00e1 resist\u00eancia nem o beneficia quanto ao aparelho cardiocirculat\u00f3rio. Tanto o exerc\u00edcio isot\u00f3nico como o isom\u00e9trico podem ser aer\u00f3bicos ou anaer\u00f3bicos. \u00c9 aer\u00f3bico quando a energia dispendida para execut\u00e1-lo prov\u00e9m, predominantemente, de reac\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas envolvendo o oxig\u00e9nio. \u00c9 anaer\u00f3bico quando o organismo, por n\u00e3o dispor de volume adequado de oxig\u00e9nio, procura vias alternativas para a obten\u00e7\u00e3o da energia necess\u00e1ria. A falta de quantidade adequada de oxig\u00e9nio pode ocorrer quando: o exerc\u00edcio \u00e9 r\u00e1pido e intenso, ou quando a intensidade e dura\u00e7\u00e3o implicam gastar a energia que ultrapassa a capacidade de capta\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio do indiv\u00edduo. Quanto a ser cont\u00ednuo ou descont\u00ednuo, ambos podem ser \u00fateis para melhorar a prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica. O descont\u00ednuo, por\u00e9m, dependendo do tipo de exerc\u00edcio que se pratique, poder\u00e1 ser mais bem tolerado (Silva, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Prescri\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A prescri\u00e7\u00e3o de actividade f\u00edsica em pacientes portadores de hipertens\u00e3o arterial deve seguir algumas caracter\u00edsticas, tais como:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Frequ\u00eancia: todos os dias ou 3 a 4 vezes por semana<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Dura\u00e7\u00e3o: 20 a 30 minutos di\u00e1rios ou 45 a 60 minutos quando 3 a 4 vezes por semana.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Intensidade: Moderada, de 50% a 80% da frequ\u00eancia card\u00edaca m\u00e1xima segundo a condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, idade e o grau de treinamento da pessoa.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Todas as sess\u00f5es de actividade f\u00edsica devem come\u00e7ar e terminar com um per\u00edodo de 10 minutos de exerc\u00edcios aer\u00f3bicos de baixa intensidade, alongamento e mobilidade articular, reduzindo-se assim os riscos de complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas e les\u00f5es m\u00fasculo-esquel\u00e9ticas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Alongamentos b\u00e1sicos<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Antes e depois de caminhar ou fazer qualquer actividade f\u00edsica, \u00e9 preciso realizar alguns movimentos simples de alongamento que melhoram o rendimento dos exerc\u00edcios, beneficiam os resultados e previnem distens\u00f5es e les\u00f5es musculares. Veja como se faz os alongamentos:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Apoie a ponta do p\u00e9 na guia da cal\u00e7ada e mantenha o calcanhar no ch\u00e3o, projectando o quadril para frente. Neste caso, ocorre o alongamento da perna. Fa\u00e7a este alongamento durante 30 segundos em cada perna.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Apoie-se numa parede e puxe um dos p\u00e9s para tr\u00e1s (30 segundos em cada perna). Isso serve para alongar o m\u00fasculo da coxa, o quadr\u00edceps.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Entrelace as m\u00e3os atr\u00e1s do corpo, alongue os bra\u00e7os e projecte o peito para frente.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Cruze um dos bra\u00e7os \u00e0 frente do peito e puxe-o pelo cotovelo com o outro bra\u00e7o. Inverta a posi\u00e7\u00e3o dos bra\u00e7os e fa\u00e7a novamente.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Por fim, estique a coluna: cruze as m\u00e3os acima da cabe\u00e7a, estique o bra\u00e7o e as costas, erguendo-se na ponta dos p\u00e9s. Cada um destes alongamentos deve ser feito de forma bem lenta. Se sentir algum desconforto ou dor, interrompa o exerc\u00edcio.\n<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O objectivo geral deste trabalho foi o de perceber at\u00e9 que ponto os indiv\u00edduos com diagn\u00f3stico de hipertens\u00e3o arterial, podem beneficiar, ap\u00f3s altera\u00e7\u00f5es dos seus h\u00e1bitos de actividade f\u00edsica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A educa\u00e7\u00e3o pode contribuir para que as pessoas vivam os seus anos de vida de maneira mais saud\u00e1vel e com maior qualidade. Para isso, torna-se necess\u00e1rio muitas vezes modificar estilos e h\u00e1bitos de vida, ou seja, comportamentos. Com base no conhecimento actual, os aspectos b\u00e1sicos para um envelhecimento dia-a-dia bem sucedido, continuam a ser os h\u00e1bitos de vida f\u00edsica e psicol\u00f3gica saud\u00e1veis, indicando a dieta alimentar, a actividade f\u00edsica, os est\u00edmulos intelectuais e o envolvimento social.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pensamos que as interven\u00e7\u00f5es do enfermeiro especiali3ta em reabilita\u00e7\u00e3o ao doente hipertenso s\u00e3o um processo cuja meta final \u00e9 a de conseguir que estes pacientes atinjam a melhor qualidade de vida poss\u00edvel. Estas interven\u00e7\u00f5es permitem tamb\u00e9m devolver ao paciente uma vida dentro da \u201cnormalidade\u201d permitindo o maior n\u00edvel de autonomia e independ\u00eancia poss\u00edveis.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por conseguinte, \u00e9 necess\u00e1rio adquirir um maior conhecimento acerca das medidas directas que valorizam o impacto das interven\u00e7\u00f5es sobre a independ\u00eancia funcional e a adapta\u00e7\u00e3o emocional e psicossocial destes pacientes.<\/p>\n<p align=\"justify\">O papel do enfermeiro de reabilita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de centralizador, facilitador e de recurso de apoio, procurando que o doente se torne o principal gestor da sua doen\u00e7a. A pr\u00e1tica regular de actividade f\u00edsica pode ser uma estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o efectiva para melhorar o equil\u00edbrio em doentes hipertensos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Silva, amar o seu cora\u00e7\u00e3o e viver mais e bem com ele ser\u00e1, necessariamente, fruto de mudan\u00e7as no modo de viver e de se posicionar diante da vida e de si pr\u00f3prio. Esta receita de protec\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o, e de viver mais e melhor, passa pela adop\u00e7\u00e3o de medidas, atitudes e decis\u00f5es bem objectivas e claras: mexer-se mais do ponto de vista f\u00edsico (2001, p. 103-104).<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 o historiador H\u00e9lio Silva escreveu que \u201cn\u00f3s morremos da vida que levamos\u201d. Assim, a melhor forma de prevenir uma doen\u00e7a \u00e9 evitar e controlar os factores de risco e a melhor forma de evit\u00e1-los \u00e9 actuar sobre os factores primordiais que os determinam.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9, no entanto, fundamental esclarecer a forma como cada pessoa pode escolher, adoptar e assumir, as op\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis e desej\u00e1veis dentro do seu pr\u00f3prio estilo de vida. Tendo em conta os ganhos de sa\u00fade, a estrat\u00e9gia a desenvolver deve centrar-se na educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, atrav\u00e9s de uma sensibiliza\u00e7\u00e3o permanente para a adop\u00e7\u00e3o de estilos de vida mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">ANDR\u00c9, Carlos (2005) \u2013 Qualidade de vida e doen\u00e7a coron\u00e1ria. Coimbra: Formasau. 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ISBN 85-204-1689-6.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nota: O desenho da capa foi adaptado a partir de uma gravura da capa do livro:<\/p>\n<ul>\n<li>SILVA, Marco Aur\u00e9lio Dias \u2013 Quem ama n\u00e3o adoece: o papel das emo\u00e7\u00f5es na preven\u00e7\u00e3o e cura das doen\u00e7as. Cascais: Pergaminho, 2001. ISBN 972-711-387-7.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papel do enfermeiro de reabilita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de centralizador, facilitador e de recurso de apoio, procurando que o doente se torne o principal gestor da sua doen\u00e7a. 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