{"id":802,"date":"2008-02-04T21:49:36","date_gmt":"2008-02-04T21:49:36","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/contacto-com-a-morte-e-sindrome-de-burnout\/"},"modified":"2021-05-04T10:06:32","modified_gmt":"2021-05-04T10:06:32","slug":"contacto-com-a-morte-e-sindrome-de-burnout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/contacto-com-a-morte-e-sindrome-de-burnout\/","title":{"rendered":"Contacto com a Morte e S\u00edndrome de Burnout"},"content":{"rendered":"<p>As situa\u00e7\u00f5es de contacto com a morte e o sofrimento poder\u00e3o amplificar as repercuss\u00f5es para o indiv\u00edduo e para a organiza\u00e7\u00e3o, sob a forma do que actualmente se designa por &#8220;burnout&#8221;.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p>Revista de Investiga\u00e7\u00e3o em Enfermagem (2000), n\u00ba1. Fev.: 17-23<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">CONTACTO COM A MORTE E S\u00cdNDROME DE BURNOUT: ESTUDO COMPARATIVO COM TR\u00caS GRUPOS DE ENFERMAGEM DE ONCOLOGIA<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Por Pedro Dinis Parreira<sup>1<\/sup>* e Fernando C. Sousa<sup>2<\/sup><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Mestre em Comportamento Organizacional, professor adjunto na Escola Superior de Enfermagem de Bissaya Barreto<\/p>\n<p align=\"justify\">Doutor em Psicologia Social e Organizacional, professor na Escola Superior de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">* Comunica\u00e7\u00e3o apresentada no \u201cI\u00ba SIMPOSIUM IB\u00c9RICO DO SINDROMA DE BURNOUT\u201d que decorreu na Universidade Lus\u00f3fona de Humanidades e Tecnologias , nos dias 19 e 20 de Novembro de 1999.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Este trabalho teve como finalidade estudar o s\u00edndroma de burnout em enfermeiros prestadores de cuidados na \u00e1rea de Oncologia, tendo-se efectuado a compara\u00e7\u00e3o de tr\u00eas servi\u00e7os do Centro Regional de Oncologia de Coimbra.\u00a0\u00a0 Pretendeu-se determinar at\u00e9 que ponto o contacto mais intenso com a doen\u00e7a terminal e com a morte se repercutia em n\u00edveis mais altos de burnout nos tr\u00eas Servi\u00e7os (Radioterapia, Cirurgia, e Oncologia M\u00e9dica) considerados.\u00a0 Dado que o Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica apresentou o maior n\u00famero de doentes terminais e maior \u00edndice de mortalidade no ano de 1997, perspectivou-se neste a ocorr\u00eancia de\u00a0 n\u00edveis mais elevados de burnout.<\/p>\n<p align=\"justify\">O question\u00e1rio &#8220;Maslach Burnout Inventory&#8221; foi aplicado \u00e0 totalidade dos enfermeiros dos Servi\u00e7os (n=64).\u00a0 Este question\u00e1rio conceptualiza o burnout em tr\u00eas dimens\u00f5es: Exaust\u00e3o Emocional, Despersonaliza\u00e7\u00e3o e Realiza\u00e7\u00e3o Pessoal, respectivamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os resultados obtidos confirmaram parcialmente a hip\u00f3tese formulada, verificando-se existirem n\u00edveis mais altos de burnout no Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica, com diferen\u00e7as significativas relativamente ao servi\u00e7o de Cirurgia, nas dimens\u00f5es \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d e \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0 A parcialidade referida, reporta-se \u00e0 n\u00e3o exist\u00eancia de diferen\u00e7as significativas entre o Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica e o Servi\u00e7o de Radioterapia na dimens\u00e3o \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Fez-se tamb\u00e9m a an\u00e1lise das vari\u00e1veis independentes, n\u00e3o tendo sido obtidas diferen\u00e7as significativas. No entanto, a vari\u00e1vel \u201cIdade\u201d apresentou uma tend\u00eancia explicativa para a dimens\u00e3o \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deste modo ficou provado que a intensidade no contacto com o doente terminal e com a morte constitui vari\u00e1vel organizacional importante, devendo ser tida em conta nas ac\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o de pessoal.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras chave:<\/strong> Burnout, Morte, Oncologia, Enfermeiros<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A sociedade onde operamos tem sofrido mudan\u00e7as estruturais\u00a0 importantes,\u00a0 sendo em parte consideradas como fontes de progresso material. No entanto, a significa\u00e7\u00e3o do trabalho tendeu para uma certa ambiguidade,\u00a0 sendo ao mesmo tempo causa de satisfa\u00e7\u00e3o e de sofrimento psicol\u00f3gico (Amiel 1985).<\/p>\n<p align=\"justify\">Os profissionais de sa\u00fade est\u00e3o submetidos ao um stress cr\u00f3nico, enfrentando enormes exig\u00eancias psicol\u00f3gicas devido \u00e0 especificidade do seu trabalho, para al\u00e9m dos riscos profissionais resultantes da exposi\u00e7\u00e3o aos factores ambientais.\u00a0\u00a0 As situa\u00e7\u00f5es de contacto com a morte e o sofrimento poder\u00e3o amplificar as repercuss\u00f5es para o indiv\u00edduo e para a organiza\u00e7\u00e3o, sob a forma do que actualmente se designa por &#8220;burnout&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, o s\u00edndroma de burnout revelou-se para n\u00f3s interessante, nomeadamente nas suas repercuss\u00f5es no indiv\u00edduo e na sua performance organizacional, j\u00e1 que o conhecimento do comportamento de algumas vari\u00e1veis relacionadas com este s\u00edndroma, poder\u00e1 contribuir para um diagnostico organizacional mais adequado, de modo a promover uma interven\u00e7\u00e3o eficaz na preven\u00e7\u00e3o e tratamento de situa\u00e7\u00f5es favorecedoras do s\u00edndroma.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesta perspectiva, e devido aos poucos estudos realizados em Portugal, o presente artigo prop\u00f5e-se dar a conhecer a dimens\u00e3o do s\u00edndroma na \u00e1rea de Oncologia, no grupo profissional dos enfermeiros ao n\u00edvel de tr\u00eas servi\u00e7os de oncologia (Oncologia M\u00e9dica, Cirurgia e Radioterapia), e sua rela\u00e7\u00e3o com a presta\u00e7\u00e3o de cuidados onde o contacto com o doente terminal \u00e9 mais intenso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de alguns autores privilegiarem a abordagem social, outros d\u00e3o \u00eanfase a aspectos relacionais como o empenhamento,\u00a0 envolvimento, devo\u00e7\u00e3o a uma causa e especificidade do s\u00edndroma, sendo referidos em v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es. Por exemplo, Freudenberger &amp; Richelson (1980) definem burnout como \u201cestado de fadiga ou frustra\u00e7\u00e3o causado pela devo\u00e7\u00e3o a uma causa, modo de vida ou relacionamento que falhou na produ\u00e7\u00e3o da recompensa esperada\u201d. Pines &amp; Aronson\u00a0 (1988) acentuam o envolvimento, definindo-o\u00a0 como\u00a0 \u201c(&#8230;) estado de exaust\u00e3o f\u00edsica, emocional e mental causado por um grande per\u00edodo de envolvimento em situa\u00e7\u00f5es emocionalmente exigentes\u201d, caracterizando ainda a exaust\u00e3o f\u00edsica como uma \u201cquebra de energia, fadiga cr\u00f3nica e fraqueza\u201d. Esta exaust\u00e3o emocional envolve sentimentos de abandono, desespero, beco sem sa\u00edda, e \u00e9 caracterizada pelo desenvolvimento de atitudes negativas sobre si pr\u00f3prio e sobre a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m Pines (1993) apresenta uma defini\u00e7\u00e3o vocacionada para a significa\u00e7\u00e3o do trabalho &#8220;(&#8230;) quando uma pessoa tenta encontrar um significado na sua vida atrav\u00e9s do trabalho e sente que falhou, estar\u00e1 mais provavelmente mais exposta ao burnout.&#8221; Esta perspectiva existencial, considera que as pessoas necessitam de dar um significado \u00e0s suas vidas e a falha nesse processo causa burnout. N\u00e3o \u00e9 a falha objectiva que causa o burnout mas sim o sentimento de que esse esfor\u00e7o \u00e9 insignificante.\u00a0 Assim, a origem do burnout reside no insucesso em encontrar um significado existencial; raz\u00e3o pela qual o burnout atinge pessoas com grandes objectivos e expectativas, tais como enfermeiros, gestores, professores do ensino prim\u00e1rio, trabalhadores sociais e de sa\u00fade mental, etc. Todas estas profiss\u00f5es sugerem que quando os profissionais altamente motivados, vivenciam o trabalho como fonte de significado existencial e este falha, n\u00e3o atingindo os seus\u00a0 objectivos, tornam-se mais suscept\u00edveis ao burnout.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m Gagon (1985) refere que os mais idealistas e os mais ambiciosos se encontram entre os sujeitos de alto risco, indicando alto risco para as profiss\u00f5es ditas \u201cde ajuda\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pines (1993) resume da seguinte forma estes aspectos relacionados com o envolvimento, significa\u00e7\u00e3o e motiva\u00e7\u00e3o: &#8221; se eu n\u00e3o me sinto devotado a uma causa, se trabalho com pessoas mas n\u00e3o me preocupo com elas, se n\u00e3o estou emocionalmente envolvido no trabalho, provavelmente n\u00e3o serei alvo de burnout; mas se, pelo contr\u00e1rio, estou empenhado no meu trabalho, emocionalmente envolvido e espero obter dele uma resposta existencial e sinto que falhei, serei provavelmente candidato ao burnout. O autor refor\u00e7a ainda, com a seguinte frase ilustrativa do problema \u201cN\u00e3o \u00e9 o trabalho actual com pessoas que me desgasta, pois esta foi a raz\u00e3o principal da escolha do meu trabalho, \u00e9 a minha incapacidade de os ajudar que me causa burnout.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Shirom (1989) considera que o interesse inicial pelo burnout ocorreu nas profiss\u00f5es de ajuda, como a enfermagem e os trabalhadores sociais. Estas profiss\u00f5es, em que o n\u00facleo central do trabalho se situa nas rela\u00e7\u00f5es humanas estabelecidas, conduzem a um aumento da tens\u00e3o emocional cr\u00f3nica e esfor\u00e7o excessivo, devido ao contacto cont\u00ednuo e exaustivo com outras pessoas.\u00a0 Maslach (1993) na \u00e1rea da sa\u00fade, refere algumas situa\u00e7\u00f5es bastantes stressantes, tais como trabalhar com doentes ditos \u201cdif\u00edceis\u201d, dar m\u00e1s not\u00edcias aos doentes ou \u00e0 fam\u00edlia, lidar com a morte; Gomes (1996), McIntyre (1994), e Vives (1994), constituem outros exemplos de investiga\u00e7\u00f5es que resultam em conclus\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">K\u00fcbler-Ross (1969) refere-nos que a equipa de enfermagem enfrenta alguns problemas, nomeadamente no car\u00e1cter \u201ccontagioso\u201d que podem ter algumas emo\u00e7\u00f5es dos doentes terminais.\u00a0 Al\u00e9m disso, em Oncologia, este problema encontra-se amplificado pelo grande n\u00famero de doentes terminais, despertando sentimentos do tipo \u201cj\u00e1 n\u00e3o se pode fazer nada\u201d, e originando grande stress.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ren\u00e9e Sebag-Lanoe (1986) cita-nos um aspecto que revela bem o problema do contacto com o doente terminal: &#8220;(..) \u00c9 o entrar pela manh\u00e3 nas enfermarias e verificar nos seus rostos e olhares um sentimento de incerteza e ang\u00fastia associado a uma esperan\u00e7a (\u2026). Este confronto sistem\u00e1tico com a morte real gera um sentimento de insucesso e fracasso (Beth, 1985). Al\u00e9m disso, o profissional de enfermagem enfrenta a situa\u00e7\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o f\u00edsica progressiva do doente com altera\u00e7\u00f5es da imagem corporal, que \u00e9 geradora de grande sofrimento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m num estudo realizado em 1994 por Vieitas et al. (1995) na unidade de cuidados Paliativos\/Radioterapia, no Instituto Portugu\u00eas de Oncologia Francisco Gentil do Porto, as autoras puderam comprovar alguns dos dados enumerados por K\u00fcbler-Ross (1969) constatando que a morte n\u00e3o \u00e9 bem aceite pelos profissionais, j\u00e1 que o seu desempenho \u00e9 essencialmente vocacionado para prolongar a vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em face destas constata\u00e7\u00f5es entendeu-se como \u00fatil realizar uma investiga\u00e7\u00e3o (Parreira, 1998) em que se pretendeu verificar se os enfermeiros que trabalham em servi\u00e7os onde o contacto com o doente terminal \u00e9 mais intenso e o \u00edndice de mortalidade \u00e9 maior, apresentavam n\u00edveis de burnout mais elevados.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>M\u00e9todo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Sujeitos e Procedimento<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Realizou-se um estudo comparativo, utilizando a escala de Maslach Burnout Inventory (Maslach &amp; Jackson, 1981a), e tendo como sujeitos a totalidade dos profissionais dos servi\u00e7os (n=88) do Centro Regional de Oncologia de Coimbra, nos servi\u00e7os de Oncologia M\u00e9dica, Cirurgia e Radioterapia.\u00a0\u00a0 Estes servi\u00e7os podem-se caracterizar da seguinte forma:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>O Servi\u00e7o de Cirurgia perspectiva a execu\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero de cirurgias, com o objectivo de eliminar a les\u00e3o tumoral, diminuindo dentro do poss\u00edvel todas as complica\u00e7\u00f5es resultantes do tempo de espera a que os doentes est\u00e3o sujeitos.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Os utentes apresentam-se em geral confiantes,\u00a0 com uma vis\u00e3o positiva em termos de futuro, bom aspecto geral e auto suficientes nas suas actividades de vida di\u00e1ria.\u00a0 De um modo geral n\u00e3o existem doentes terminais e o n\u00famero de falecidos no ano de 1997 foi de 14.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este Servi\u00e7o apresenta o valor mais elevado no numero de doentes tratados, com uma demora m\u00e9dia de 7.3 dias e uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o destacada de 92.9% para uma lota\u00e7\u00e3o de 37 camas.<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>O Servi\u00e7o de Radioterapia apresenta caracter\u00edsticas diferentes do anterior, j\u00e1 que as radia\u00e7\u00f5es funcionam aqui como arma terap\u00eautica de primeira linha, podendo anteceder uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica ou, noutros casos, apenas promovendo a melhoria da qualidade de vida.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Neste Servi\u00e7o, existe uma maior variedade\u00a0 de estadios da doen\u00e7a, apresentando os doentes grande variedade de \u201cestados emocionais\u201d. As exig\u00eancias psicol\u00f3gicas para quem presta cuidados a estes doentes parece ser superior \u00e0s do servi\u00e7o de Cirurgia, devido \u00e0 debilidade e deteriora\u00e7\u00e3o apresentada por alguns doentes, tendo o n\u00famero de falecidos em 1997 sido de 11.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os internamentos s\u00e3o bastante longos e programados com bastante anteced\u00eancia, apresentando a maior demora m\u00e9dia dos tr\u00eas Servi\u00e7os, com 20.2 dias e uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de 66.5% para a lota\u00e7\u00e3o mais elevada de 49 camas.<\/p>\n<h5 align=\"justify\"><\/h5>\n<p align=\"justify\">* O Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica \u00e9 constitu\u00eddo pelo servi\u00e7os de Quimioterapia e Medicina Interna, com equipas m\u00e9dicas diferentes que ocupam, no entanto, o mesmo espa\u00e7o f\u00edsico.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O Servi\u00e7o de Medicina Interna recebe doentes que apresentam uma situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica oncol\u00f3gica e perspectivam o diagn\u00f3stico cl\u00ednico, de modo a proceder-se \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de um tratamento, n\u00e3o raramente quimioter\u00e1pico.\u00a0 S\u00e3o doentes frequentemente debilitados, necessitando de ajuda total. Este servi\u00e7o apresentou, em 1997, uma demora m\u00e9dia de 13.5 dias e\u00a0 uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de 81.5%, para uma lota\u00e7\u00e3o de 6 camas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Servi\u00e7o de Quimioterapia est\u00e1 vocacionado para o tratamento quimioter\u00e1pico, em situa\u00e7\u00f5es perfeitamente definidas em termos oncol\u00f3gicos, sendo realizado em regime de internamento devido \u00e0 agressividade e riscos do tratamento, em termos de poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es.\u00a0 Os doentes deste Servi\u00e7o realizam os seus tratamentos de quimioterapia com o objectivo de diminuir a les\u00e3o existente, melhorando a sua qualidade de vida.\u00a0 Na sua grande maioria s\u00e3o utentes que j\u00e1 foram operados, apresentando recidivas frequentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">De uma maneira geral parecem estar\u00a0 bastante mais consciencializados da sua situa\u00e7\u00e3o, apresentando-se menos comunicativos, mais deprimidos e com um aspecto geral bastante mais debilitado. Verificou-se neste Servi\u00e7o, em 1997, uma demora\u00a0 m\u00e9dia de 3.5 e com uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de 66%, para uma lota\u00e7\u00e3o de 27 camas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O n\u00famero de \u00f3bitos nestes dois servi\u00e7os, em 1997, foi de 38.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa de enfermagem, durante o internamento, mant\u00e9m tamb\u00e9m um contacto bastante pr\u00f3ximo e quase cont\u00ednuo com estes doentes, pois o tipo de tratamento quimioter\u00e1pico a que estes doentes est\u00e3o sujeitos, conduz a uma perman\u00eancia constante junto do doente. A permiss\u00e3o por parte do Servi\u00e7o na perman\u00eancia por per\u00edodos mais largos da fam\u00edlia junto do doente, conduz tamb\u00e9m a uma maior solicita\u00e7\u00e3o destes profissionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Instrumento\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O instrumento utilizado foi constitu\u00eddo por tr\u00eas partes: a primeira visava a caracteriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em termos de vari\u00e1veis demogr\u00e1ficas; a segunda, constitu\u00edda por duas quest\u00f5es, foi apresentada numa escala tipo Likert, reportando-se acerca da satisfa\u00e7\u00e3o com o trabalho e a percep\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es na equipa.<\/p>\n<p align=\"justify\">A terceira parte foi constitu\u00edda pelo question\u00e1rio M.B.I. \u2013 Maslach Burnout Inventory (Maslach &amp; Jackson, 1981a),\u00a0 possibilitando a avalia\u00e7\u00e3o do burnout experimentado, atrav\u00e9s da avalia\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas factores ali considerados: Exaust\u00e3o Emocional (estar emocionalmente esgotado e exausto com o trabalho), Despersonaliza\u00e7\u00e3o (respostas impessoais e frieza para com os utentes) e Realiza\u00e7\u00e3o Pessoal (sentimentos a n\u00edvel da compet\u00eancia e sucesso atingidos).<\/p>\n<p align=\"justify\">O\u00a0 burnout foi conceptualizado como vari\u00e1vel cont\u00ednua, variando entre o n\u00edvel baixo, m\u00e9dio e alto, de acordo com o normativo Norte-Americano. A escala \u00e9 do tipo Likert, apresentando 7 op\u00e7\u00f5es de escolha.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Resultados\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo a escala revelado boa consist\u00eancia interna global (.816), procedeu-se \u00e0 sua an\u00e1lise factorial.\u00a0 Esta revelou-se de especial import\u00e2ncia neste estudo, na medida em que se pode comprovar em que medida os factores te\u00f3ricos estavam em concord\u00e2ncia com os factores observados no estudo. Permitiu tamb\u00e9m evidenciar algumas das baixas correla\u00e7\u00f5es verificadas entre alguns itens da escala, o que abona em favor da validade de constructo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Conforme indica a Tabela 1, o conjunto de factores (extra\u00eddos segundo o m\u00e9todo dos componentes principais com pr\u00e9-defini\u00e7\u00e3o do n\u00famero de factores (3), seguido de rota\u00e7\u00e3o varimax) explica 47% da vari\u00e2ncia.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela 1- Pesos (loadings) de cada item em cada factores, e respectiva percentagem de vari\u00e2ncia explicada<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<table cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\"><\/td>\n<td colspan=\"3\" width=\"73%\">Factores(% de vari\u00e2ncia explicada)<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">Itens<\/td>\n<td width=\"24%\">E.E.(16.2)<\/td>\n<td width=\"24%\">D.P.(15,7)<\/td>\n<td width=\"24%\">R.P.(15.2)<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">1<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.82<\/td>\n<td width=\"24%\">.272<\/td>\n<td width=\"24%\">.025<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">2<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.72<\/td>\n<td width=\"24%\">.172<\/td>\n<td width=\"24%\">.132<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">3<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.74<\/td>\n<td width=\"24%\">.081<\/td>\n<td width=\"24%\">.039<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">6<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.54<\/td>\n<td width=\"24%\">.426<\/td>\n<td width=\"24%\">-.178<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">8<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.79<\/td>\n<td width=\"24%\">.250<\/td>\n<td width=\"24%\">-.199<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">20<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.51<\/td>\n<td width=\"24%\">..33<\/td>\n<td width=\"24%\">-.04<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">5<\/td>\n<td width=\"24%\">.20<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.51<\/td>\n<td width=\"24%\">.00<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">10<\/td>\n<td width=\"24%\">-.13<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.64<\/td>\n<td width=\"24%\">.01<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">11<\/td>\n<td width=\"24%\">.35<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.60<\/td>\n<td width=\"24%\">.07<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">13<\/td>\n<td width=\"24%\">.30<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.64<\/td>\n<td width=\"24%\">.10<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">14<\/td>\n<td width=\"24%\">.24<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.61<\/td>\n<td width=\"24%\">.05<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">16<\/td>\n<td width=\"24%\">.30<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.64<\/td>\n<td width=\"24%\">.04<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">22<\/td>\n<td width=\"24%\">.30<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.61<\/td>\n<td width=\"24%\">-.16<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">4<\/td>\n<td width=\"24%\">.00<\/td>\n<td width=\"24%\">-.14<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.64<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">7<\/td>\n<td width=\"24%\">-.02<\/td>\n<td width=\"24%\">-.09<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.59<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">9<\/td>\n<td width=\"24%\">.27<\/td>\n<td width=\"24%\">.24<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.44<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">12<\/td>\n<td width=\"24%\">.17<\/td>\n<td width=\"24%\">.33<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.60<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">17<\/td>\n<td width=\"24%\">-.10<\/td>\n<td width=\"24%\">.30<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.65<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">18<\/td>\n<td width=\"24%\">-.06<\/td>\n<td width=\"24%\">.31<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.77<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">19<\/td>\n<td width=\"24%\">-.18<\/td>\n<td width=\"24%\">.08<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.74<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">21<\/td>\n<td width=\"24%\">.12<\/td>\n<td width=\"24%\">-.05<\/td>\n<td bgcolor=\"#bfbfbf\" width=\"24%\">.53<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"26%\" height=\"12\">15<\/td>\n<td width=\"24%\">-.03<\/td>\n<td width=\"24%\">.12<\/td>\n<td width=\"24%\">-.25<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">Em face desta an\u00e1lise, procedeu-se ao ajustamento da escala, n\u00e3o considerando o item 15 na constitui\u00e7\u00e3o dos factores e passando os itens 13, 14 e 16 para o factor Despersonaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o alterando no entanto a designa\u00e7\u00e3o desse factor.<\/p>\n<p align=\"justify\">Comparativamente com a escala original, verifica-se assim uma passagem dos itens 13 (\u201cSinto-me frustrado com o trabalho que realizo\u201d), 14 (\u201cSinto que estou a trabalhar com demasiada press\u00e3o no meu trabalho\u201d) e 16\u00a0 (\u201cTrabalhar directamente com pessoas faz-me sentir demasiado em stress\u201d) do factor Exaust\u00e3o Emocional para o factor Despersonaliza\u00e7\u00e3o. Esta altera\u00e7\u00e3o poder-se-\u00e1 ficar a dever ao conte\u00fado das tr\u00eas quest\u00f5es que abordam aspectos relacionados com frustra\u00e7\u00e3o, press\u00e3o e stress, referindo-se essencialmente a aspectos relacionados com despersonaliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tanto \u00e0 exaust\u00e3o emocional. O factor despersonaliza\u00e7\u00e3o, comparativamente com o original proposto por Maslach (1986), sofre uma altera\u00e7\u00e3o devida ao abandono do item 15, como j\u00e1 foi anteriormente explicado, e pela entrada dos itens 13, 14 e 16.\u00a0 O factor Realiza\u00e7\u00e3o Pessoal n\u00e3o sofre nenhuma altera\u00e7\u00e3o, pois revelou boas satura\u00e7\u00f5es na an\u00e1lise factorial, sendo o seu valor mais baixo de .44.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s a elimina\u00e7\u00e3o do item 15, verificou-se uma ligeira subida da\u00a0 consist\u00eancia interna da escala para .83,\u00a0 com valores na dimens\u00e3o Exaust\u00e3o Emocional de .83; Despersonaliza\u00e7\u00e3o, .79; e\u00a0 Realiza\u00e7\u00e3o Pessoal, .78.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com o intuito de avaliar a signific\u00e2ncia das diferen\u00e7as entre os tr\u00eas servi\u00e7os nos Factores Exaust\u00e3o Emocional, Despersonaliza\u00e7\u00e3o e Realiza\u00e7\u00e3o Pessoal, procedeu-se \u00e0 an\u00e1lise dos dados, mostrando-se os resultados na Tabela 2.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela 2 &#8211; An\u00e1lise de vari\u00e2ncia (ANOVA) com apresenta\u00e7\u00e3o das m\u00e9dias nos factores por Servi\u00e7o e no total, e respectiva signific\u00e2ncia da diferen\u00e7a. (n= 64).<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<table cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"22%\"><\/td>\n<td width=\"26%\"><\/td>\n<td width=\"25%\">FACTORES<\/td>\n<td width=\"25%\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Servi\u00e7os<\/td>\n<td>Exaust\u00e3o Emocional<\/td>\n<td>Despersonaliza\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>Realiza\u00e7\u00e3o Pessoal<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>ONC. M\u00c9DICA<\/td>\n<td>4.26<\/td>\n<td>3.18<\/td>\n<td>2.91<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>CIRURGIA<\/td>\n<td>2.53<\/td>\n<td>1.92<\/td>\n<td>2.66<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>RADIOTERAPIA<\/td>\n<td>3.98<\/td>\n<td>2.42<\/td>\n<td>2.47<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>TOTAL<\/td>\n<td>3.66<\/td>\n<td>2.58<\/td>\n<td>2.71<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Sig.<\/td>\n<td>.00<\/td>\n<td>.00<\/td>\n<td>.38<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Teste de Scheff\u00e9:<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">No factor 1 \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d<\/p>\n<ul>\n<li>O servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica difere do servi\u00e7o de\u00a0 Cirurgia para p &lt; .00<\/li>\n<\/ul>\n<ul type=\"disc\">\n<li>O servi\u00e7o de Radioterapia. Difere do servi\u00e7o de Cirurgia para p\u00a0 &lt; .00<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">No factor\u00a0 2 \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>O servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica difere do servi\u00e7o de\u00a0 Cirurgia para p &lt; .00<\/li>\n<li>O servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica difere do servi\u00e7o Radioterapia para p &lt; .04<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Conforme mostra a tabela, verificou-se existirem diferen\u00e7as significativas para o factor Exaust\u00e3o Emocional e Despersonaliza\u00e7\u00e3o, para um n\u00edvel de signific\u00e2ncia de p&lt;.00.\u00a0 Assim, para o factor 1 &#8211; Exaust\u00e3o Emocional, verificaram-se existir diferen\u00e7as significativas entre o Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica e o Servi\u00e7o de Cirurgia, assim como do Servi\u00e7o de Radioterapia e o de Cirurgia, para um n\u00edvel de signific\u00e2ncia de p&lt;.00.\u00a0 No factor 2 &#8211; Despersonaliza\u00e7\u00e3o, constataram-se diferen\u00e7as significativas entre Oncologia M\u00e9dica e Cirurgia, e entre Oncologia M\u00e9dica e Radioterapia.\u00a0 No factor 3 &#8211;\u00a0 Realiza\u00e7\u00e3o Pessoal, n\u00e3o se verificaram diferen\u00e7as significativas entre Servi\u00e7os.<\/p>\n<p align=\"justify\">A influ\u00eancia das vari\u00e1veis Idade, Tempo de Servi\u00e7o e Tempo de Profiss\u00e3o foi tamb\u00e9m analisada, tendo-se efectuado uma regress\u00e3o m\u00faltipla da \u201cIdade\u201d, \u201cTempo no Servi\u00e7o\u201d e \u201cTempo de Profiss\u00e3o\u201d para o factor Exaust\u00e3o Emocional, e para o\u00a0 factor Despersonaliza\u00e7\u00e3o, possibilitando a obten\u00e7\u00e3o da signific\u00e2ncia dos incrementos da vari\u00e2ncia explicada (R<sup>2<\/sup>), conforme expresso na Tabela 3.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Tabela 3. Valores dos coeficientes de regress\u00e3o (B\/ Beta) e da percentagem de vari\u00e2ncia explicada (R<sup>2<\/sup>) pelos preditores, \u201cIdade\u201d, \u201cTempo de Profiss\u00e3o\u201d e \u201cTempo no \u201cServi\u00e7o\u201d, em cada factor.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<div align=\"center\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<table cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"28%\">Factor<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"20%\">Idade<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"24%\">Tempo profiss\u00e3o<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"26%\">Tempo no servi\u00e7o<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"28%\"><\/td>\n<td width=\"12%\">R<sup>2<\/sup><\/td>\n<td width=\"8%\">B<\/td>\n<td width=\"13%\">R<sup>2<\/sup><\/td>\n<td width=\"10%\">B<\/td>\n<td width=\"10%\">R<sup>2<\/sup><\/td>\n<td width=\"16%\">B<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"28%\">Exaust\u00e3o Emocional<\/td>\n<td width=\"12%\">.00<\/td>\n<td width=\"8%\">-.05<\/td>\n<td width=\"13%\">.00<\/td>\n<td width=\"10%\">-.04<\/td>\n<td width=\"10%\">.01**<\/td>\n<td width=\"16%\">.12<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"28%\">Despersonaliza\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td width=\"12%\">.08*<\/td>\n<td width=\"8%\">-.29<\/td>\n<td width=\"13%\">.06<\/td>\n<td width=\"10%\">-.24<\/td>\n<td width=\"10%\">.02<\/td>\n<td width=\"16%\">-.15<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">* valores significativos para p &lt; .03\u00a0 ** valores significativos para p&lt; .01\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Constata-se na tabela, que a \u201cIdade\u201d \u00e9 respons\u00e1vel por 8% da vari\u00e2ncia explicada para o factor \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d, assim como o \u201cTempo no servi\u00e7o\u201d explica 1% da vari\u00e2ncia para o factor \u201cExaust\u00e3o emocional\u201d.\u00a0 A vari\u00e1vel \u201cTempo de Profiss\u00e3o\u201d n\u00e3o parece ser significativamente respons\u00e1vel pela vari\u00e2ncia dos factores referidos.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela 4 &#8211;\u00a0 Incrementos da vari\u00e2ncia explicada (R<sup>2<\/sup>) pela \u201cIdade\u201d, por \u201cServi\u00e7o\u201d, no factor \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d, e respectivos valores do coeficiente de regress\u00e3o standartizados\u00a0 (B).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<div align=\"center\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"27%\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"27%\">Oncologia Medica<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"21%\">Cirurgia<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"23%\">Radioterapia<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"27%\">Factor<\/td>\n<td width=\"14%\">R<sup>2<\/sup><\/td>\n<td width=\"12%\">B<\/td>\n<td width=\"10%\">R<sup>2<\/sup><\/td>\n<td width=\"10%\">B<\/td>\n<td width=\"12%\">R<sup>2<\/sup><\/td>\n<td width=\"10%\">B<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"27%\">Despersonaliza\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td width=\"14%\">.27<\/td>\n<td width=\"12%\">-.52<\/td>\n<td width=\"10%\">.16<\/td>\n<td width=\"10%\">.40<\/td>\n<td width=\"12%\">.05<\/td>\n<td width=\"10%\">-.22<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"27%\">Sig.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"27%\">.01<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"21%\">.09<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"23%\">.37<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">Verifica-se na tabela, que no Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica a vari\u00e1vel \u201cIdade\u201d explica 27% da vari\u00e2ncia no factor \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d, sendo significativo para um n\u00edvel de signific\u00e2ncia de (.01) o mesmo n\u00e3o acontecendo nos outros Servi\u00e7os.<\/p>\n<p align=\"justify\">A vari\u00e1vel \u201cFilhos\u201d tamb\u00e9m foi analisada, verificando-se existirem diferen\u00e7as significativas no factor \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d, consoante terem ou n\u00e3o filhos, para um n\u00edvel de signific\u00e2ncia de .03. Os respondentes que t\u00eam filhos apresentaram valores m\u00e9dios mais baixos do que aqueles que n\u00e3o t\u00eam.\u00a0 Os indiv\u00edduos casados apresentam valores mais baixos no factor \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d, relativamente aos solteiros, mantendo-se esta tend\u00eancia nos outros dois factores; no entanto, essas diferen\u00e7as n\u00e3o se revelaram significativas, assim como relativamente \u00e0 categoria profissional, tamb\u00e9m analisada.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Discuss\u00e3o e Conclus\u00f5es\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Pretendia-se com este estudo, analisar em que medida o contacto mais intenso com o doente terminal e a morte influenciavam o desenvolvimento de n\u00edveis mais elevados de burnout.<\/p>\n<p align=\"justify\">A an\u00e1lise de vari\u00e2ncia evidenciou a exist\u00eancia de diferen\u00e7as significativas entre os Servi\u00e7os, para o factor\u00a0 \u201cExaust\u00e3o emocional\u201d e \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d, o mesmo n\u00e3o se verificando para o factor \u201cRealiza\u00e7\u00e3o pessoal\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica evidenciou-se, apresentando o valor mais elevado para o factor \u201cExaust\u00e3o emocional\u201d.\u00a0 No entanto, essas diferen\u00e7as n\u00e3o foram significativas relativamente ao servi\u00e7o de Radioterapia. Novamente, o Servi\u00e7o de Oncologia voltou a evidenciar-se, apresentando o valor mais elevado para o factor\u00a0 \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d, denotando diferen\u00e7as significativas com os outros dois Servi\u00e7os &#8211; Cirurgia e Radioterapia &#8211; respectivamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pela apresenta\u00e7\u00e3o destes resultados, o Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica foi aquele que experimentou mais burnout, como formulado inicialmente na hip\u00f3tese de trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">As evid\u00eancias demonstradas\u00a0 nos valores obtidos, conjugados com os \u00edndices de mortalidade nos tr\u00eas servi\u00e7os, respectivamente, Oncologia M\u00e9dica &#8211; 38 \u00f3bitos (60% do total); Cirurgia -14 \u00f3bitos ( 22% do total) e Radioterapia -11 \u00f3bitos (17% do total); assim como a maior incid\u00eancia de doentes terminais no Servi\u00e7o de\u00a0 Oncologia M\u00e9dica, est\u00e3o de acordo com Gomes (1996). Este autor\u00a0\u00a0 refere-se \u00e0 alta morbilidade e mortalidade assim como o ter de lidar com situa\u00e7\u00f5es desfigurantes e\/ou debilitantes e situa\u00e7\u00f5es terminais, como sendo aspectos muito espec\u00edficos, considerados bastante agressivos para a equipa terap\u00eautica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, os valores altos no n\u00edvel de burnout no Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica, parecem dever-se ao contacto mais intenso com a doen\u00e7a terminal e morte.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de se terem constatado demoras m\u00e9dias de internamento bastante mais baixas do que nos outros Servi\u00e7os, estabelece-se no entanto um conhecimento e relacionamento frequente e intenso com os doentes, causado pelos variad\u00edssimos internamentos e acompanhamento destes por v\u00e1rios meses e por vezes anos, propiciando o contacto directo com o sofrimento, morte e\u00a0 degrada\u00e7\u00e3o do ser humano.\u00a0 Esta descri\u00e7\u00e3o, vivida diariamente pelos enfermeiros do Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica, \u00e9 concordante com os resultados mais expressivos nos valores dos tr\u00eas factores, respectivamente \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d, \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d e\u00a0 baixa\u00a0 na \u201cRealiza\u00e7\u00e3o Pessoal\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Servi\u00e7o de Radioterapia tamb\u00e9m se observaram valores elevados nos factores \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d , \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d e baixa \u201cRealiza\u00e7\u00e3o Pessoal\u201d.\u00a0 Apesar dos \u00edndices de mortalidade serem menos elevados que no Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica, existe tamb\u00e9m um contacto com diferentes estadios da doen\u00e7a Oncol\u00f3gica e doen\u00e7a terminal, podendo explicar o facto de n\u00e3o se terem encontrado diferen\u00e7as significativas no factor \u201cExaust\u00e3o emocional\u201d entre o Servi\u00e7o de Oncologia M\u00e9dica e o Servi\u00e7o de Radioterapia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os valores elevados nos factores \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d e \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d,\u00a0 tamb\u00e9m poder\u00e3o ser explicados pela maior demora m\u00e9dia de internamento observada, relativamente aos outros dois Servi\u00e7os, conduzindo a uma maior perman\u00eancia dos doentes no Servi\u00e7o, propiciando o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o temporal mais intensa com os profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Servi\u00e7o de Cirurgia, foi aquele que apresentou valores mais baixos nos factores \u201cExaust\u00e3o Emocional\u201d e \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0 Apesar de apresentar caracter\u00edsticas bastante diferentes dos anteriores, j\u00e1 que os doentes apresentam um bom estado geral, ocorrem naturalmente situa\u00e7\u00f5es geradoras de ansiedade por parte do doente e fam\u00edlia, nomeadamente na solicita\u00e7\u00e3o constante dos t\u00e9cnicos de sa\u00fade para a presta\u00e7\u00e3o de esclarecimentos, relativos ao diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico da doen\u00e7a, repercutindo-se inevitavelmente na equipa de enfermagem.\u00a0 Esta, por vezes, n\u00e3o tem respostas concretas para as v\u00e1rias quest\u00f5es apresentadas,\u00a0 exibindo tamb\u00e9m dificuldade em lidar com as fam\u00edlias &#8211; facto este que pode explicar parcialmente o n\u00edvel alto de burnout experienciado. Gray-Toft &amp; Anderson (1981) evidenciam estes aspectos, referindo-se ao sentimento de prepara\u00e7\u00e3o inadequada para lidar com as exig\u00eancias emocionais dos doentes e suas fam\u00edlias (citado por McIntyre 1994), como fonte de stress ocupacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar do Servi\u00e7o de Cirurgia apresentar igual n\u00famero de enfermeiros, a maior taxa de ocupa\u00e7\u00e3o, o maior n\u00famero de dias de internamento e valores interm\u00e9dios na lota\u00e7\u00e3o,\u00a0 taxas de mortalidade e nas demoras m\u00e9dias de internamento, relativamente aos outros dois Servi\u00e7os, os resultados n\u00e3o parecem ser condicionados por estas vari\u00e1veis. Tamb\u00e9m apesar das demoras m\u00e9dias de internamento serem interm\u00e9dias relativamente aos outros dois Servi\u00e7os, propiciando o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es interpessoais com os doentes, este facto n\u00e3o parece ter relev\u00e2ncia na tradu\u00e7\u00e3o de valores t\u00e3o elevados como nos outros Servi\u00e7os relativamente aos factores. O menor n\u00edvel de burnout parece sim dever-se ao facto de n\u00e3o se encontrarem neste Servi\u00e7o doentes terminais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estes dados conduzem a ilac\u00e7\u00f5es significativas na \u00e1rea da gest\u00e3o de pessoal, tendo em considera\u00e7\u00e3o os n\u00edveis de burnout experienciado pelos profissionais de presta\u00e7\u00e3o de ajuda.<\/p>\n<p align=\"justify\">Paralelamente \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, ficam em aberto alguns aspectos importantes no que respeita \u00e0 escala de M.B.I.\u00a0 Relativamente \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o dos factores, abrem-se perspectivas futuras de investiga\u00e7\u00e3o, de modo a possibilitar a adapta\u00e7\u00e3o da escala da Maslach Burnout Inventory \u00e0 popula\u00e7\u00e3o Portuguesa. Tamb\u00e9m a\u00a0 diferencia\u00e7\u00e3o do comportamento do factor \u201cRealiza\u00e7\u00e3o pessoal\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao factor\u00a0 \u201cExaust\u00e3o emocional\u201d e\u00a0 \u201cDespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d, abre novas perspectivas\u00a0 na\u00a0 abordagem da\u00a0 conceptualiza\u00e7\u00e3o e mensura\u00e7\u00e3o do burnout como fen\u00f3meno essencialmente representado pelas suas dimens\u00f5es principais: exaust\u00e3o emocional e despersonaliza\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 no entanto necess\u00e1rio efectuar mais estudos na \u00e1rea Oncol\u00f3gica, de modo a verificar a import\u00e2ncia do factor \u201cRealiza\u00e7\u00e3o pessoal\u201d no fen\u00f3meno de burnout.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Amiel, (1985) Psychopathologie du malmenage professionnel et consid\u00e9rations sur la pr\u00e9vention des maladaptations. Annales M\u00e9dico &#8211; Psychologiques, 143 (8),729-751.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Beth, B. (1985) . L\u2019Accompagnement du mourant en milieu hospitalier, pr\u00e9face du zitoun, R. Paris: Doin.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Freudenberguer, H. J., &amp; Richelson, G. (1980). Burnout: The high cost of high achivement. Garden City, NY: Doubleday.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Gagon, A. (1985). Burn-out institutionnel. Annales M\u00e9dico Psychologiques, 143 (7), 646 &#8211; 651.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Gomes, A. M. J. C. (1996). Os profissionais de sa\u00fade perante a doen\u00e7a grave. Psiquiatria cl\u00ednica, 17 (3), 209-211.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">K\u00fcbler-Ross, E. (1969). On death and dying. New york: Macmillan.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Maslach, C. (1993). Burnout: A Multidimensional Perspective. In W. B. Schaufeli, C. Maslach, &amp; T. Marck (Eds.), Professional Burnout: Recent Developments in Theory and Research (pp. 19-32). Washington: Taylor &amp; Francis.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Maslach, C., &amp; Jackson, S. E. (1981 a). Maslach Burnout Inventory. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Mcintyre, T. M. (1994). Stress e os Profissionais de Sa\u00fade: Os que tratam Tamb\u00e9m Sofrem. An\u00e1lise Psicol\u00f3gica, 2-3 (XII), 193-200.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Pines, A. M. (1993). In W. B. Schaufeli, C. Maslach, &amp; T. Marck (Eds.), Professional Burnout: Recent Developments in Theory and Research (pp. 33-51). Washington: Taylor &amp; Francis.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Pines, A. M., &amp; Aronson, E. (1988) Career burnout: Causes and cures. New York: Free Press.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Sebag -Lanoe, R., et al (1986). Mourir accompagn\u00e9. Descl\u00e9e de Brouwer.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Shirom, A. (1989). Burnout in\u00a0 work organizations. In C. Cooper &amp; I. Robertson (Eds), International Review of Industrial and Organizational Psychology (pp. 25-48). New York: John Willey &amp; Sons.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Vieitas, M. P., et al (1995). Interven\u00e7\u00e3o Psicol\u00f3gica num Servi\u00e7o de Oncologia. In Mcintyre, T. M.; Vila-ch\u00e3, C.,\u00a0 O sofrimento do doente: Leituras Multidisciplinares: editores Associa\u00e7\u00e3o dos Psic\u00f3logos Portugueses.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Vives, J. F. (1994). Respuesta Emocional al Estr\u00e9s Laboral. Revista Rol De Enfermer\u00eda, 186, 31-39.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As situa\u00e7\u00f5es de contacto com a morte e o sofrimento poder\u00e3o amplificar as repercuss\u00f5es para o indiv\u00edduo e para a organiza\u00e7\u00e3o, sob a forma do que actualmente se designa por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2224,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[345,199,264,456,457],"class_list":["post-802","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-de-investigacao-em-enfermagem","tag-burnout","tag-morte","tag-oncologia","tag-profissional","tag-sofrimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=802"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2790,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/802\/revisions\/2790"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}