{"id":782,"date":"2008-01-05T14:26:10","date_gmt":"2008-01-05T14:26:10","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/dispareunia-em-mulheres-portadoras-de-estoma-de-eliminacao-intestinal\/"},"modified":"2021-05-04T10:07:07","modified_gmt":"2021-05-04T10:07:07","slug":"dispareunia-em-mulheres-portadoras-de-estoma-de-eliminacao-intestinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/dispareunia-em-mulheres-portadoras-de-estoma-de-eliminacao-intestinal\/","title":{"rendered":"Dispareunia em mulheres portadoras de estoma de elimina\u00e7\u00e3o intestinal"},"content":{"rendered":"<p>Uma das disfun\u00e7\u00f5es sexuais que pode afectar as mulheres portadoras de estomas de elimina\u00e7\u00e3o intestinal, \u00e9 a dispareunia que \u00e9 normalmente caracterizada como uma dor genital que ocorre antes, durante ou ap\u00f3s a rela\u00e7\u00e3o sexual, na aus\u00eancia de vaginismo<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba 228<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<p align=\"justify\"><strong>Liliana Veloso Chaves<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Licenciada em Enfermagem<\/p>\n<p align=\"justify\">P\u00f3s-Graduada em Enfermagem de Estomaterapia<\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeira do Servi\u00e7o de Cirurgia Mulheres do Centro Hospitalar do M\u00e9dio-Ave, EPE \u2013 Unidade de Famalic\u00e3o<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A sexualidade \u00e9 uma tem\u00e1tica que ao longo dos anos foi relegada e preterida, mas imp\u00f5e-se cada vez mais que esta seja alvo de investiga\u00e7\u00e3o e de reflex\u00e3o. Tratando-se de uma necessidade humana essencial, os enfermeiros t\u00eam de conhecer esta tem\u00e1tica e ser capazes de abord\u00e1-la com os seus clientes de forma natural.<\/p>\n<p align=\"justify\">No que se refere \u00e0 enfermagem de estomaterapia, \u00e9 impreter\u00edvel reconhecer e valorizar a sa\u00fade sexual dos clientes, nomeadamente das mulheres portadoras de estoma, que podem padecer de disfun\u00e7\u00f5es sexuais, designadamente a dispareunia, que \u00e9 um fen\u00f3meno de enfermagem da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a Pr\u00e1tica de Enfermagem, que raramente \u00e9 abordado.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Summary<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">The sexuality is a thematic that for all longer the years was relegated and passed over, but more and more it imposes to become a target of reflection and research. Since it is an essential human need, nurses have to recognize this thematic and be able to approach it in a natural way with their clients.<\/p>\n<p align=\"justify\">In what refers to stoma therapy nursing, its unavoidable to recognize and value the client\u2019s sexual health, specially the women stoma bearers, which may suffer from sexual dysfunctions, namely dyspareunia, that is a nursing phenomenon from the International Classification for the Nursing Practice, which is rarely boarded.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Ao contr\u00e1rio do que sucede com outros animais, para o Homem a sexualidade n\u00e3o se restringe \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o reprodutiva, \u00e9 muito mais complexa e abrangente, inserindo-se num processo superior de \u201c&#8230;busca da gratifica\u00e7\u00e3o sexual como parte integrante da qualidade de vida.\u201d (Paulo Abrantes, 2003, p. 515).<\/p>\n<p align=\"justify\">Ali\u00e1s, porque a sexualidade no homem \u00e9 t\u00e3o at\u00edpica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos outros seres, pensa-se que esta, tal como a postura erecta, ter\u00e1 efectivamente contribu\u00eddo para que o ser humano adquirisse caracter\u00edsticas \u00fanicas entre os organismos vivos que habitam o planeta Terra (M\u00e1rio Louren\u00e7o, 2002).<\/p>\n<p align=\"justify\">De facto, a sexualidade afigura-se como um fen\u00f3meno central no ser humano que \u00e9 simultaneamente complexo e rico, sendo influenciado por aspectos psicol\u00f3gicos, sociais, religiosos, culturais e fisiol\u00f3gicos. N\u00e3o se limita \u00e0s uni\u00f5es familiares, n\u00e3o \u00e9 exclusiva dos casais de sexos opostos, ultrapassando largamente o acto sexual em si, e n\u00e3o se circunscrevendo de forma alguma, \u00e0 pr\u00e1tica sexual centrada no aparelho genital do adulto (Jaime Milheiro, 2001, p. 38).<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o obstante a sua extraordin\u00e1ria relev\u00e2ncia, a sexualidade envolve quest\u00f5es \u00edntimas e pessoais, pelo que a sua reflex\u00e3o e discuss\u00e3o podem gerar receios e embara\u00e7os, que limitam o seu conhecimento(Joan Junkin et al., 2005), e dificultam a sua abordagem por parte dos enfermeiros e dos seus clientes, o que pode constituir um obst\u00e1culo para o cuidar em enfermagem, nomeadamente em enfermagem de estomaterapia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>SEXUALIDADE FEMININA: UM ENIGMA A DESVENDAR<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A sexualidade \u00e9 considerada uma \u201c&#8230;mat\u00e9ria iludente, de estudo dif\u00edcil.\u201d (Catarina Soares, 2003, p. 53) E apesar de t\u00e3o presente no nosso dia-a-dia, \u00e9 ainda enigm\u00e1tica, sobretudo a sexualidade feminina que foi alvo de menor n\u00famero de investiga\u00e7\u00f5es, em compara\u00e7\u00e3o com a sexualidade masculina (Id., Ibid.).<\/p>\n<p align=\"justify\">Tal poder\u00e1 ter sido motivado n\u00e3o s\u00f3 pela maior complexidade da resposta sexual na mulher, na qual se suspeita que por influ\u00eancia hormonal, as emo\u00e7\u00f5es e afectos t\u00eam um papel ainda mais evidente do que no homem, uma vez que a motiva\u00e7\u00e3o sexual feminina ultrapassa largamente o simples desejo sexual (Rosemary Basson, 2005); mas tamb\u00e9m devido a factores s\u00f3cio-econ\u00f3micos e culturais (Catarina Soares, op. Cit., p. 54).<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, at\u00e9 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, a sexualidade feminina era praticamente ignorada e ostracizada, a mulher n\u00e3o tinha qualquer papel a desempenhar no \u00e2mbito da sexualidade, sendo mesmo il\u00edcito que obtivesse prazer com a actividade sexual (Id., Ibid.).<\/p>\n<p align=\"justify\">A igreja proclamava que a sexualidade se devia restringir \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o reprodutiva e que o prazer era pecaminoso, censurando por isso a utiliza\u00e7\u00e3o de qualquer m\u00e9todo anticoncepcional, ou a utiliza\u00e7\u00e3o de qualquer outra posi\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o a de \u201cmission\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, os investigadores eram essencialmente homens, interessando-se sobretudo pelo estudo das disfun\u00e7\u00f5es sexuais masculinas, que ao contr\u00e1rio das femininas, s\u00e3o frequentemente evidentes e impeditivas da actividade sexual. Assim, do ponto de vista econ\u00f3mico, as solu\u00e7\u00f5es para as disfun\u00e7\u00f5es sexuais masculinas eram consideradas mais rent\u00e1veis, n\u00e3o s\u00f3 pelos resultados vis\u00edveis, mas tamb\u00e9m porque eram os homens que detinham um maior poder de compra (Id., Ibid.).<\/p>\n<p align=\"justify\">Por\u00e9m, a sexualidade feminina, nos \u00faltimos anos tem vindo a ser alvo de maior interesse, o que poder\u00e1 dever-se \u201c&#8230;n\u00e3o s\u00f3, \u00e0 luta constante pela igualdade de direitos, igualdade econ\u00f3mica ou, pelo menos, independ\u00eancia econ\u00f3mica, como tamb\u00e9m por altera\u00e7\u00f5es socioculturais e por novos conceitos de sa\u00fade, de par com a constata\u00e7\u00e3o de que as disfun\u00e7\u00f5es sexuais tinham uma preval\u00eancia maior na mulher que no homem&#8230;\u201d (Santinho Martins, 2003, p. 73).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>O CICLO DE RESPOSTA SEXUAL HUMANA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Apesar de a sexualidade n\u00e3o se resumir ao acto sexual, este \u00e9 muito importante, e tem sido cada vez mais alvo de investiga\u00e7\u00f5es. Desta forma, a partir dos ainda escassos estudos, \u00e9 j\u00e1 poss\u00edvel referir que do ponto de vista anatomo-fisiol\u00f3gico, durante a actividade sexual ocorrem modifica\u00e7\u00f5es que seguem um padr\u00e3o aproximado nos homens e nas mulheres. Trata-se do Ciclo de Resposta Sexual Humana, que actualmente se comp\u00f5e de tr\u00eas fases: desejo, excita\u00e7\u00e3o e orgasmo (Luciana Parisotto, 2006).<\/p>\n<p align=\"justify\">A primeira fase \u00e9 a do desejo sexual, do qual ainda se sabe muito pouco. Os investigadores apontam o sistema nervoso central (l\u00edmbico, hipot\u00e1lamo, e regi\u00e3o pr\u00e9-\u00f3ptica), as hormonas (testosterona, estrog\u00e9nio, progesterona e prolactina), os neurotransmissores (serotonina, dopamina e outros), bem como os est\u00edmulos sexuais positivos (audi\u00e7\u00e3o, paladar, vis\u00e3o, tacto, olfacto e fantasias), cuja influ\u00eancia parece variar de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, como intervenientes neste processo de ensejo sexual (Leonardo Nascimento et al, 2000, p. 41).<\/p>\n<p align=\"justify\">Segue-se a fase de excita\u00e7\u00e3o, caracterizada pela ocorr\u00eancia de dois fen\u00f3menos: a vasocongest\u00e3o, que pode ser superficial ou profunda, e a miotonia que pode ser generalizada ou espec\u00edfica. A terceira fase \u00e9 a fase org\u00e1smica, em que a excita\u00e7\u00e3o se encontra no seu exponencial.<\/p>\n<p align=\"justify\">A descoberta do padr\u00e3o designado por Ciclo de Resposta Sexual Humana e o aprofundamento dos conhecimentos da neurofisiologia sexual feminina, foram muito importantes para o desenvolvimento da sexologia, todavia centram-se muito nos factores fisiol\u00f3gicos, e n\u00e3o clarificam a influ\u00eancia psicol\u00f3gica, social e afectiva j\u00e1 referida. Isto \u00e9 corroborado por Catarina Soares (op. Cit., p. 59) quando refere que \u201c&#8230;as explica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, por si s\u00f3, tamb\u00e9m nunca poder\u00e3o fornecer uma explica\u00e7\u00e3o completa, porque n\u00e3o obstante a sua base biol\u00f3gica, a sexualidade \u00e9 possivelmente a caracter\u00edstica humana mais perme\u00e1vel \u00e0 moldagem s\u00f3cio-cultural.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>O C\u00cdRCULO PSICOSSOM\u00c1TICO DA RESPOSTA SEXUAL<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Assim, sem negar a incontest\u00e1vel relev\u00e2ncia dos fen\u00f3menos biol\u00f3gicos que decorrem no acto sexual, actualmente com o maior n\u00famero de estudos realizados nesta \u00e1rea, tem-se investido em modelos que contemplem e expliquem a interface entre o fisiol\u00f3gico e o psicol\u00f3gico, do qual \u00e9 exemplo o modelo designado por C\u00edrculo psicossom\u00e1tico da resposta sexual. Segundo este modelo, os medos, atitudes e expectativas que integram as cogni\u00e7\u00f5es ou pensamentos individuais, s\u00e3o moldados pelas influ\u00eancias s\u00f3cio-culturais (Id., Ibid.).<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta forma, as cogni\u00e7\u00f5es, indubitavelmente exercem influ\u00eancia na forma como os est\u00edmulos t\u00e1cteis, as respostas genitais e todas as demais sensa\u00e7\u00f5es de excita\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o percepcionadas. Este processo \u00e9 din\u00e2mico, pois as cogni\u00e7\u00f5es e pensamentos podem ser alterados conforme as percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o positivas ou negativas. Constatando-se inclusivamente que a percep\u00e7\u00e3o negativa da excita\u00e7\u00e3o sexual inibe a resposta org\u00e1stica (Idem, p. 60).<\/p>\n<p align=\"justify\">Atrav\u00e9s de estudos de investiga\u00e7\u00e3o, foi ainda poss\u00edvel comprovar que os factores sociais, tais como o n\u00edvel educacional, a classe social, a actividade e a religi\u00e3o, exercem influ\u00eancia no comportamento sexual de cada indiv\u00edduo (Id., Ibid.).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>DISPAREUNIA COMO FOCO DA PR\u00c1TICA DE ENFERMAGEM DE ESTOMATERAPIA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Do exposto se depreende, que para o acto sexual decorrer de forma satisfat\u00f3ria para ambos os sexos, \u00e9 necess\u00e1rio sucederem-se uma s\u00e9rie de etapas complexas, que no entanto, ultrapassam claramente o ponto de vista fisiol\u00f3gico, envolvendo cada indiv\u00edduo na sua totalidade, e de forma \u00fanica e individual para cada um.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por este facto, apesar de a sexualidade ser um fen\u00f3meno fascinante, \u00e9 tamb\u00e9m fr\u00e1gil e delicado, pois pode ser facilmente perturbado. Neste sentido, um enfermeiro que tem como refer\u00eancia cuidar de forma hol\u00edstica, n\u00e3o pode olvidar a sexualidade, que tamb\u00e9m tem de ser considerada na sua globalidade. Todavia, diversas investiga\u00e7\u00f5es t\u00eam demonstrado que os enfermeiros n\u00e3o abordam a sexualidade e o funcionamento sexual, a menos que os clientes formulem quest\u00f5es espec\u00edficas sobre a mesma (Joan Junkin et al., op. Cit.).<\/p>\n<p align=\"justify\">Na estomaterapia, esta omiss\u00e3o tem obviamente um impacto negativo na vida do indiv\u00edduo portador de estoma, uma vez que \u00e9 hoje consensual que as cirurgias abdomino-p\u00e9lvicas, podem ocasionar perturba\u00e7\u00f5es no funcionamento sexual, e por conseguinte na qualidade de vida dos indiv\u00edduos que dela s\u00e3o alvo. Tal como \u00e9 validado por Mara Lucia (2005, p. 345) que refere que \u201cO que mant\u00e9m a integridade do eu e do corpo \u2013 e que na experi\u00eancia da amputa\u00e7\u00e3o e de cria\u00e7\u00e3o do estoma \u00e9 desestabilizada \u2013 \u00e9 a sexualidade.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo em considera\u00e7\u00e3o os variados factores que concorrem para a sexualidade humana, sobretudo no que diz respeito \u00e0 mulher, \u00e9 \u00f3bvio que qualquer doen\u00e7a, pelo impacto que tem em todos os aspectos da vida de um indiv\u00edduo, pode gerar ou agravar as disfun\u00e7\u00f5es sexuais (Paulo Abrantes, op. Cit., p. 516).<\/p>\n<p align=\"justify\">O cancro que \u00e9 uma das principais doen\u00e7as que conduzem \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de estomas de elimina\u00e7\u00e3o intestinal \u00e9 um exemplo manifesto de uma doen\u00e7a potencialmente perturbadora da sexualidade. Ali\u00e1s, segundo Leslie Schover (2006) as mulheres acometidas por doen\u00e7as oncol\u00f3gicas podem experimentar alguns sinais de disfun\u00e7\u00e3o sexual, entre os quais:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Perda de desejo sexual;<\/li>\n<li>Sentimentos e pensamentos negativos durante o acto sexual;<\/li>\n<li>Dificuldade em atingir o cl\u00edmax sexual (orgasmo);<\/li>\n<li>Constri\u00e7\u00e3o e secura da mucosa vaginal;<\/li>\n<li>Dor aquando do acto sexual ou quando a \u00e1rea genital \u00e9 tocada;<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Assim, porque se trata de uma doen\u00e7a potencialmente fatal, pode provocar medo de morte, da dor, dos efeitos secund\u00e1rios da quimioterapia e radioterapia, e ainda receios de discrimina\u00e7\u00e3o social. (Joan Junkin et al., op. Cit.) Tendo em considera\u00e7\u00e3o o C\u00edrculo psicossom\u00e1tico da resposta sexual j\u00e1 mencionado, todas estas condicionantes podem ser delet\u00e9rias para a fase do desejo sexual, comprometendo o acto sexual e consequentemente a sa\u00fade sexual.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para al\u00e9m disto, a realiza\u00e7\u00e3o de um estoma de elimina\u00e7\u00e3o intestinal pode gerar na mulher inseguran\u00e7a relativamente \u00e0 sua atractividade sexual, receio da apar\u00eancia do estoma e do dispositivo para o parceiro, medo de se produzirem sons desagrad\u00e1veis pelo saco, receio de poss\u00edveis fugas de fezes ou gases, e que o consequente mau odor possa conduzir a rejei\u00e7\u00e3o por parte do parceiro sexual (Id., Ibid.).<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, as cirurgias para tratamento do cancro colorrectal s\u00e3o habitualmente cirurgias \u201calargadas\u201d, ou seja, por se tratar de uma doen\u00e7a oncol\u00f3gica \u00e9 necess\u00e1rio extrair tecidos com alguma margem de seguran\u00e7a, a fim de evitar recidivas, sendo por vezes necess\u00e1rio ressecar partes da vagina. O tecido cicatricial resultante pode diminuir as secre\u00e7\u00f5es vaginais que s\u00e3o essenciais para a lubrifica\u00e7\u00e3o vaginal da fase de excita\u00e7\u00e3o do Ciclo de Resposta Sexual Humana, o que pode contribuir significativamente para o surgimento de dor durante o acto sexual.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para al\u00e9m disso, na tentativa de extirpar todo o tumor, durante a cirurgia podem ser lesadas estruturas nervosas e vasculares importantes para a resposta sexual. Pois embora actualmente j\u00e1 se realizem cirurgias p\u00e9lvicas no homem com a separa\u00e7\u00e3o de estruturas nervosas fundamentais para a erec\u00e7\u00e3o, nas mulheres este tipo de cirurgia ainda n\u00e3o \u00e9 recomendada, pois o conhecimento sobre a localiza\u00e7\u00e3o exacta dos nervos e vasos vitais para a fun\u00e7\u00e3o sexual normal na mulher, ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente esclarecido, e por outro lado a importante influ\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es e afectos, \u00e9 um factor que pode condicionar o sucesso desta medida (Yoram Vardi, op. Cit.).<\/p>\n<p align=\"justify\">De forma concludente, a combina\u00e7\u00e3o entre a pan\u00f3plia de factores influenciadores da sexualidade, a delicada neurofisiologia sexual feminina, e a conjuntura potencialmente lesiva e traumatizante de uma cirurgia por cancro colorrectal, pode favorecer o surgimento ou agravamento de alguns dist\u00farbios sexuais. Estes \u00faltimos s\u00e3o obviamente uma amea\u00e7a \u00e0 qualidade de vida da mulher portadora de estoma de elimina\u00e7\u00e3o intestinal tornando-se alvo de preocupa\u00e7\u00e3o destas, sobretudo ap\u00f3s o internamento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma das disfun\u00e7\u00f5es sexuais que pode afectar as mulheres portadoras de estomas de elimina\u00e7\u00e3o intestinal, \u00e9 a dispareunia que \u00e9 normalmente caracterizada como uma dor genital que ocorre antes, durante ou ap\u00f3s a rela\u00e7\u00e3o sexual, na aus\u00eancia de vaginismo (Jonathan S. Berek, 2002, p. 308).<\/p>\n<p align=\"justify\">Este dist\u00farbio sexual constitui um fen\u00f3meno de enfermagem, e define-se como \u201cum tipo de Dor Visceral com as caracter\u00edsticas espec\u00edficas: rela\u00e7\u00e3o sexual dolorosa associada a coito for\u00e7ado, excita\u00e7\u00e3o sexual incompleta ou les\u00e3o genital associada a doen\u00e7as, ulcera\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os genitais ou tecidos adjacentes, por parto ou por mutila\u00e7\u00e3o genital feminina.\u201d (CIPE, op. Cit., p. 38).<\/p>\n<p align=\"justify\">Pode ser classificada como dispareunia prim\u00e1ria se esteve sempre presente na vida sexual, ou dispareunia secund\u00e1ria se surgiu ap\u00f3s algum evento ou condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u00c9 ainda poss\u00edvel que ocorra apenas de forma ocasional, como em determinadas posi\u00e7\u00f5es sexuais ou com determinados parceiros (Kenneth Griffis, 2002, p. 146).<\/p>\n<p align=\"justify\">A dispareunia \u00e9 assim uma perturba\u00e7\u00e3o complexa, que combina aspectos fisiol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos (Jonathan S. Berek, op. Cit., p. 308). Esta condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser restringida ao seu aspecto sensorial, ou seja \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de dor, sendo necess\u00e1rio analis\u00e1-la de um ponto de vista muito mais amplo, inserindo-a na complexidade da rec\u00f4ndita sexualidade feminina, pois \u201cA persist\u00eancia ou recorr\u00eancia da dor durante a actividade sexual, na maioria dos casos acaba interferindo com a resposta sexual\u201d (Gra\u00e7a dos Santos, 2003, p. 106).<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora, n\u00e3o esteja plenamente estabelecida a rela\u00e7\u00e3o entre a dispareunia e a lubrifica\u00e7\u00e3o vaginal insuficiente ou ausente, acredita-se que esta \u00e9 real. Tal pode suceder n\u00e3o s\u00f3 porque a dor durante a actividade sexual interfere negativamente na fase de excita\u00e7\u00e3o, na qual ocorre a lubrifica\u00e7\u00e3o vaginal, mas tamb\u00e9m porque a penetra\u00e7\u00e3o vaginal em condi\u00e7\u00f5es de escassa lubrifica\u00e7\u00e3o, pode gerar dor (Id., Ibid.).<\/p>\n<p align=\"justify\">A lubrifica\u00e7\u00e3o vaginal pode ser insuficiente por v\u00e1rias raz\u00f5es, que se podem relacionar com as consequ\u00eancias do cancro rectal, j\u00e1 mencionadas. Assim, a presen\u00e7a de tecido cicatricial, ou as les\u00f5es neurol\u00f3gicas e vasculares ap\u00f3s a cirurgia podem diminuir as secre\u00e7\u00f5es vaginais, por outro lado os tratamentos de radioterapia e quimioterapia podem lesar a mucosa vaginal e produzir o mesmo efeito. N\u00e3o se podem omitir os aspectos psico-afectivos, tais como os receios e medos referentes \u00e0 colostomia, bem como todos os aspectos culturais e sociais, que atrav\u00e9s de estere\u00f3tipos sobre o cancro e ostomias, podem afectar o desejo sexual, induzindo uma estimula\u00e7\u00e3o ineficaz.<\/p>\n<p align=\"justify\">A dispareunia tal como muitas outras perturba\u00e7\u00f5es sexuais, segue frequentemente a l\u00f3gica de um ciclo vicioso, uma vez que ao condicionar uma rela\u00e7\u00e3o sexual dolorosa, interfere obviamente com a satisfa\u00e7\u00e3o sexual, que cerceia a express\u00e3o afectiva, influenciando negativamente as cogni\u00e7\u00f5es, que podem estar impregnadas por factores sociais e culturais, que v\u00e3o gerar ansiedade relativamente a uma nova rela\u00e7\u00e3o sexual. Quando esta ocorrer, tender\u00e1 a ser novamente dolorosa, n\u00e3o s\u00f3 porque pode existir uma causa org\u00e2nica subjacente, mas porque sob influ\u00eancia da ansiedade, activa-se o sistema nervoso simp\u00e1tico, que atrav\u00e9s da liberta\u00e7\u00e3o de adrenalina, impede a vasodilata\u00e7\u00e3o, causando uma lubrifica\u00e7\u00e3o ineficaz.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Posto isto, \u00e9 importante sublinhar que n\u00e3o se pode compartimentar ou espartilhar a influ\u00eancia de qualquer componente na sexualidade humana, pois como foi poss\u00edvel verificar, as suas implica\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 psicol\u00f3gicas, sociais ou f\u00edsicas, assim como a dispareunia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma dor. A sexualidade humana \u00e9 complexa, assim como o ser humano tamb\u00e9m o \u00e9. Existem tantas sexualidades como seres humanos, uma vez que cada um \u00e9 \u00fanico e irrepet\u00edvel, e mais que a soma de suas partes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A satisfa\u00e7\u00e3o da necessidade sexual \u00e9 deveras importante para a sensa\u00e7\u00e3o de integridade e totalidade do indiv\u00edduo. Por outro lado, a sua insatisfa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser indutora de stress e diminui\u00e7\u00e3o de auto-estima, interferindo mesmo com a satisfa\u00e7\u00e3o de outras necessidades humanas b\u00e1sicas (Jean Watson, 1985, p. 171).<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, torna-se essencial que se reflicta cada vez mais sobre as quest\u00f5es sexuais, nomeadamente as femininas. Sobretudo \u00e9 importante que os enfermeiros sejam capazes de valorizar e abordar estas quest\u00f5es com os seus clientes, designadamente com as mulheres portadoras de estoma de elimina\u00e7\u00e3o intestinal e com os seus indiv\u00edduos significativos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Abrantes, Paulo. \u201cSexualidade e Doen\u00e7a Cr\u00f3nica\u201d, In A Sexologia: Perspectiva Multidisciplinar, vol. 1, n\u00ba 18, coords. L\u00edgia Fonseca, Catarina Soares e J\u00falio Machado Vaz, Coimbra: Quarteto Editora, 2003, 513-530. ISBN 989-558-015-0.<\/p>\n<p align=\"justify\">Basson, Rosemary. Women`s Sexual Dysfunction: Revised and Expanded Definitions. 2005. [<a href=\"http:\/\/www.pubmedcentral.gov\/articlender.fgci?tool=pmcentrez&amp;artid=557105\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.pubmedcentral.gov\/articlender.fgci?tool=pmcentrez&amp;artid=557105<\/a> a 2006.07.11].<\/p>\n<p align=\"justify\">Berek, Jonathan S. Novak`s Gynecology. Thirteenth Edition, Philadelphia: Lippincott Williams &amp; Wilkins, 2002. ISBN 0-7817-3262-X.<\/p>\n<p align=\"justify\">CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIRAS. Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a Pr\u00e1tica de Enfermagem (CIPE\/ICNP). Vers\u00e3o \u03b2eta 2, Trad. Adelaide Madeira, Leonor Abecasis e Teresa Leal, Lisboa: Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Enfermeiros, 2002. ISBN 972-98149-5-3.<\/p>\n<p align=\"justify\">Griffis, Kenneth. \u201cDyspareunia and Chronic Pelvic Pain\u201d, In Manual of Outpatient Gynecology, Fourth Edition, ed. por Carol S. Havens e Nancy D. Sullivan, Filad\u00e9lfia: Lippincott Williams &amp; Wilkins, 2002, 146-152. ISBN 0-7817-3278-6.<\/p>\n<p>Junkin, Joan; Beitz, Janice M. Sexuality and the Person With a Stoma: Implications for Comprehensive WOC Nursing Practice. 2005. [<a href=\"http:\/\/www.nursingcenter.com\/\/prodev\/ce_article.asp?tid=577857\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.nursingcenter.com\/\/prodev\/ce_article.asp?tid=577857<\/a> a 2006.07.09].<\/p>\n<p align=\"justify\">Louren\u00e7o, M\u00e1rio. Afectos, Sexualidade e Desenvolvimento Humano. 2002 [<a href=\"http:\/\/www.saudemental.net\/pdf\/vol4_rev2_artigo2.pdf#search=%22afectos%2Bsexualidade%2Bhumana%2Brela%C3%A7%C3%B5es%C3%A7%C3%B5es%22\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.saudemental.net\/pdf\/vol4_rev2_artigo2.pdf#search=%22afectos%2Bsexualidade%2Bhumana%2Brela\u00e7\u00f5es%C3%A7%C3%B5es%22<\/a> a 2006.07.07]<\/p>\n<p align=\"justify\">L\u00daCIA, Mara Cristina. \u201cSexualidade do Ostomizado\u201d, In Assist\u00eancia em Estomaterapia: Cuidando do Ostomizado, ed. por Vera L\u00facia Santos e Isabel Umbelina Cesaretti, S\u00e3o Paulo: Editora Atheneu, 2005, 335-353. ISBN 85-7379-318-X.<\/p>\n<p align=\"justify\">Martins, Santinho. \u201cAnatomia e Fisiologia Feminina\u201d, In A Sexologia: Perspectiva Multidisciplinar, vol. 1, n\u00ba 18, coords. L\u00edgia Fonseca, Catarina Soares e J\u00falio Machado Vaz, Coimbra: Quarteto Editora, 2003, 70-93. ISBN 989-558-015-0.<\/p>\n<p align=\"justify\">Milheiro, Jaime. Sexualidade e Psicossom\u00e1tica. Coimbra: Livraria Almedina, 2001. ISBN 972-40-1597-1.<\/p>\n<p align=\"justify\">NASCIMENTO, Leonardo; LOPES, Gerson. \u201cFisiologia e Patologia Sexual\u201d, In Ginecologia &amp; Obstetr\u00edcia, 2\u00aa ed., Rio de Janeiro: Medsi \u2013 Editora M\u00e9dica e Cient\u00edfica, Lda, 2000, 40-42. ISBN 85-7199-234-7.<\/p>\n<p>PARISOTTO, Luciana. Resposta Sexual Feminina. 2006. [<a href=\"http:\/\/www.abcdasaude.com.br\/artigo.php?194\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.abcdasaude.com.br\/artigo.php?194<\/a> a 2006.07.11].<\/p>\n<p align=\"justify\">Santos, Gra\u00e7a dos. \u201cVaginismo e Dispareunia\u201d, In A Sexologia: Perspectiva Multidisciplinar, vol. 1, n\u00ba 18, coords. L\u00edgia Fonseca, Catarina Soares e J\u00falio Machado Vaz, Coimbra: Quarteto Editora, 2003, 95-109. ISBN 989-558-015-0.<\/p>\n<p>Schover, Leslie. Female Sexual Dysfunction. 2006. [<a href=\"http:\/\/www.livestrong.org\/atf\/ef\/{FB6FFD43-OE4C-4414-8B37-0D001EFBDC49}\/Female_Sexual_Dysfunction.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.livestrong.org\/atf\/ef\/{FB6FFD43-OE4C-4414-8B37-0D001EFBDC49}\/Female_Sexual_Dysfunction.pdf<\/a> a 2006.07.07]<\/p>\n<p align=\"justify\">Soares, Catarina. \u201cDisfun\u00e7\u00f5es Sexuais Femininas\u201d, In A Sexologia: Perspectiva Multidisciplinar, vol. 1, n\u00ba 18, coords. L\u00edgia Fonseca, Catarina Soares e J\u00falio Machado Vaz, Coimbra: Quarteto Editora, 2003, 51-70. ISBN 989-558-015-0.<\/p>\n<p>Vardi, Yoram. Female Sexual Dysfunction after Pelvic Surgery: Is there a Place for Nerve Sparing Surgery? 2006. [<a href=\"http:\/\/www.urotoday.com\/370\/european_urology\/july_2006_editorials\/female_sexual_dysfunction_after_pelvic_surgery_is_there_a_place_for_nervesparing_surgery.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.urotoday.com\/370\/european_urology\/july_2006_editorials\/female_sexual_dysfunction_after_pelvic_surgery_is_there_a_place_for_nervesparing_surgery.html<\/a> a 2006.07.25].<\/p>\n<p align=\"justify\">Watson, Jean. Nursing: The Philosophy and Science of Caring. Estados Unidos da America: University Press of Colorado, 1985. ISBN 0-87081-154-1.<\/p>\n<p align=\"center\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das disfun\u00e7\u00f5es sexuais que pode afectar as mulheres portadoras de estomas de elimina\u00e7\u00e3o intestinal, \u00e9 a dispareunia que \u00e9 normalmente caracterizada como uma dor genital que ocorre antes, durante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[450,452,448,449,451,349],"class_list":["post-782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-colostomia","tag-desejo-sexual","tag-dispareunia","tag-estoma","tag-ileostomia","tag-sexualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=782"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2792,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions\/2792"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}