{"id":772,"date":"2008-01-05T14:12:18","date_gmt":"2008-01-05T14:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/sera-possivel-alterar-a-cicatriz-como-resultado-final-de-um-tratamento-de-feridas\/"},"modified":"2021-04-28T15:50:26","modified_gmt":"2021-04-28T15:50:26","slug":"sera-possivel-alterar-a-cicatriz-como-resultado-final-de-um-tratamento-de-feridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/sera-possivel-alterar-a-cicatriz-como-resultado-final-de-um-tratamento-de-feridas\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 poss\u00edvel alterar a Cicatriz como resultado final de um Tratamento de Feridas?"},"content":{"rendered":"<p>Hoje em dia, j\u00e1 existem op\u00e7\u00f5es que podem reverter, com ganhos importantes a n\u00edvel cosm\u00e9tico e de for\u00e7a t\u00eansil, cicatrizes que resultaram de processos cicatriciais prolongados em alguma das fases de cicatriza\u00e7\u00e3o, ou mesmo que passaram por uma situa\u00e7\u00e3o de deisc\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Jo\u00e3o Gouveia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">C. S. Pampilhosa da Serra<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Cristina Migu\u00e9ns<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">C. S. Figueira da Foz<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<h4 style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A cicatriz sempre foi aceite como sendo o resultado final de um bom processo de cicatriza\u00e7\u00e3o, sendo que o bom era o encerramento total da ferida, a que custo fosse. Todavia, nem sempre o resultado cosm\u00e9tico correspondia aos anseios dos pacientes e profissionais de sa\u00fade, da\u00ed que fosse extremamente importante realizar-se uma avalia\u00e7\u00e3o das expectativas dos pacientes antes da alta definitiva. Hoje em dia, j\u00e1 existem op\u00e7\u00f5es que podem reverter, com ganhos importantes a n\u00edvel cosm\u00e9tico e de for\u00e7a t\u00eansil, cicatrizes que resultaram de processos cicatriciais prolongados em alguma das fases de cicatriza\u00e7\u00e3o, ou mesmo que passaram por uma situa\u00e7\u00e3o de deisc\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>ABSTRACT<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">The scar as always been accepted as the final result of a good healing process, been the gold outcome the total closing of the wound, whatever it took. Nevertheless, the cosmetic result didn\u2019t always correspond to the patient and healthcare professionals expectations, been then extremely important undergo an evaluation of the patient\u2019s expectation\u2019s regarding before it final discharge. Today, there are already options that can revert, with important profits at a cosmetic and strength level, scars that result from delayed healing processes, in any phase of the healing circuit, ou even undergo a dehiscence situation.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A pele \u00e9 considerada por muitos como o maior \u00f3rg\u00e3o do corpo humano, ocupando uma \u00e1rea total de 2m<sup>2<\/sup> e pesando cerca de 2,7 kg (mais do que o c\u00e9rebro). As suas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o, de acordo com Hess e Kirsner (2003):<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Protec\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Sensa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Termoregula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Excre\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Metabolismo<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Imagem corporal<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Imunol\u00f3gica<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Quando perante uma situa\u00e7\u00e3o de quebra da integridade cut\u00e2nea, assumindo esta uma forma aguda ou cr\u00f3nica, fica em causa um processo que se pretende seja o mais modelar poss\u00edvel e que permita o menor n\u00famero de interfer\u00eancias relacionadas com agress\u00f5es externas, muitas vezes ligadas a microorganismos sapr\u00f3fitas da pele. Assim, toda a ruptura cut\u00e2nea deve ser vista como uma amea\u00e7a s\u00e9ria ao bem-estar do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O processo cicatricial de feridas passa por v\u00e1rias fases, que podem variar de acordo com as fontes consultadas. De facto, Ayello e colegas (2004: 36), referem 4 fases do processo cicatricial (hemostase, inflama\u00e7\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o) todas elas diferentes entre si, no que respeita a actores envolvidos e tempos de dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">No que respeita \u00e0 fase de hemostase, esta inicia-se imediatamente ap\u00f3s a les\u00e3o e \u00e9 caracterizada pela forma\u00e7\u00e3o do co\u00e1gulo. Nesta fase, \u201ca c\u00e9lula chave s\u00e3o as plaquetas, que n\u00e3o 3\u00f3 formam o co\u00e1gulo para evitar perda sangu\u00ednea posterior, como tamb\u00e9m libertam citoquinas-chave\u201d (Hess e Kirsner, 2003: 249). Quanto \u00e0 fase inflamat\u00f3ria, inicia-se imediatamente ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do co\u00e1gulo, caracterizando-se por vasodilata\u00e7\u00e3o e permeabilidade capilar aumentada, assim como o surgimento de v\u00e1rias c\u00e9lulas especificias, como s\u00e3o leuc\u00f3citos polimorfonucleares e macr\u00f3fagos. A ter em conta que 5 dias ap\u00f3s a les\u00e3o, surgem fibroblastos, c\u00e9lulas epiteliais e c\u00e9lulas endoteliais vasculares com a miss\u00e3o de iniciar a forma\u00e7\u00e3o de tecido de granula\u00e7\u00e3o. Infelizmente, esta fase pode prolongar-se no tempo, levando ao aparecimento de situa\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis como sejam o exacerbar do tecido presente no leito da ferida, e numa situa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de infec\u00e7\u00e3o associada, deteriora\u00e7\u00e3o da ferida, com repercuss\u00f5es muito importantes a n\u00edvel da cicatriz final.<\/p>\n<p align=\"justify\">A 3\u00aa fase do processo de cicatriza\u00e7\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o, envolve um n\u00famero crescente de c\u00e9lulas diferenciadas, como factores de crescimento, fibroblastos, c\u00e9lulas endoteliais e queratin\u00f3citos (Ayello e colegas, 2004). \u00c0 medida que vai surgindo o tecido de granula\u00e7\u00e3o, os fibroblastos estimulam a produ\u00e7\u00e3o de colag\u00e9nio que por sua vez fornece ao tecido for\u00e7a t\u00eansil, e em \u00faltimo caso, a sua estrutura (Hess e Kirsner, 2003).<\/p>\n<p align=\"justify\">Finalmente, a \u00faltima fase, a de matura\u00e7\u00e3o, inicia-se a partir do 21\u00ba dia p\u00f3s-traumatismo e pode durar meses ou anos, sendo nesta fase que as fibras de colag\u00e9nio se reorganizam, remodelam e amadurecem, adquirindo assim for\u00e7a t\u00eansil (Hess e Kirsner, 2003). Nesta fase, o tecido da cicatriz \u00e9 reduzido e remodelado, atingindo 80% da sua for\u00e7a t\u00eansil original (Ayello e colegas, 2004).<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta \u00faltima fase espelha, na maioria dos casos, o decurso do processo de cicatriza\u00e7\u00e3o da ferida tratada. De facto, se a evolu\u00e7\u00e3o decorreu dentro dos prazos conhecidos, sem intercorr\u00eancias, a probabilidade de termos uma cicatriz de bom aspecto cosm\u00e9tico, com uma razo\u00e1vel for\u00e7a t\u00eansil, \u00e9 muito forte. Pelo contr\u00e1rio, se estivermos perante uma ferida que esteve durante muito tempo estagnada numa das fases anteriormente referidas, com intercorr\u00eancias como m\u00e1 escolha do material de penso a utilizar, epis\u00f3dio de infec\u00e7\u00e3o, fase inflamat\u00f3ria muito prolongada, ent\u00e3o por certos encontraremos uma cicatriz pobre, de mau resultado cosm\u00e9tico, n\u00e3o sendo de estranhar mesmo a presen\u00e7a de cicatrizes hipertr\u00f3ficas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, a cicatriz era sempre vista como o resultado final, em que j\u00e1 nada poderia ser alterado e por isso, bem ou mal, o indiv\u00edduo teria de viver com esse \u201csinal\u201d. As op\u00e7\u00f5es existentes passariam sempre por actua\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas e n\u00e3o cir\u00fargicas. Segundo Troot (2005), as op\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas incluem cirurgia em Z ou dermoabras\u00e3o, que demonstraram alterar a apar\u00eancia da cicatriz de forma favor\u00e1vel e efectiva. Em termos de medidas n\u00e3o cir\u00fargicas, o mesmo autor recomenda a crioterapia, pensos de compress\u00e3o, terapia de radia\u00e7\u00e3o e cortic\u00f3ides intralesionais e antimit\u00f3ticos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Todavia, surgiu no mercado um novo produto, modulador da cicatriz, que entendemos testar em alguns casos, recentes ou n\u00e3o, de cicatrizes cut\u00e2neas, usando para tal um protocolo de aplica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria 3 x dia, com massagem suave. Este produto j\u00e1 tinha provado ser eficaz em situa\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o de cicatrizes p\u00f3s-traum\u00e1ticas (Clarke colegas, 1999) e cicatrizes tor\u00e1xicas p\u00f3s-cirurgia (Maragakis, Willital, Michel e G\u00f6rtelmeyer, 1995). A avalia\u00e7\u00e3o do estado da cicatriz feita atrav\u00e9s de vari\u00e1veis existentes na Escala Patient and Observer Scar Assessment Scale (Draaijers e colegas, 2004), que apresenta bons resultados na sua consist\u00eancia e fiabilidade intraobservador (Truong e colegas, 2007), embora esta n\u00e3o tivesse sido utilizada na perspectiva do paciente, por quest\u00f5es de n\u00e3o valida\u00e7\u00e3o para a vers\u00e3o portuguesa. Assim, apenas se utilizaram as vari\u00e1veis definidas pela escala e a avalia\u00e7\u00e3o foi sempre realizada pelo mesmo observador, podendo ser acrescentadas observa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio utente como complemento da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, as vari\u00e1veis avaliadas foram vasculariza\u00e7\u00e3o, pigmenta\u00e7\u00e3o, espessura, al\u00edvio e elasticidade. Os valores variavam entre 1 (pele normal) e 10 (pior cicatriz imagin\u00e1vel), sendo realizado um somat\u00f3rio final. Em todos os casos foi obtido consentimento informado e esclarecido por parte dos pacientes envolvidos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>ESTUDOS DE CASO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O primeiro estudo de caso diz respeito a uma paciente de 26 anos, portadora de uma cicatriz na face externa da m\u00e3o direita, com uma dura\u00e7\u00e3o de 3 anos. Iniciou aplica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria 3 x dia a 26\/9\/07 (foto n\u00ba1), apresentando um comprimento de 1,5 cm, com bordos ligeiramente elevados. A avalia\u00e7\u00e3o da sua cicatriz, no inicio do tratamento e na sua 1\u00ba avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-inicio do tratamento, de acordo com os crit\u00e9rios estabelecidos encontra-se expressa na Tabela n\u00ba1. No dia 29\/10\/07 (foto n\u00ba 2), verificou-se uma diminui\u00e7\u00e3o do comprimento da cicatriz (1 cm), assim como uma melhoria de alguns crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o, especialmente a n\u00edvel da pigmenta\u00e7\u00e3o, espessura e elasticidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela n\u00ba 1- Crit\u00e9rios da cicatriz avaliados na paciente n\u00ba 1<\/p>\n<div align=\"left\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"35%\">VARI\u00c1VEL<\/td>\n<td width=\"36%\">PONTUA\u00c7\u00c3O (data de inicio do tratamento)<\/td>\n<td width=\"28%\">PONTUA\u00c7\u00c3O (data da 1\u00aa avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s inicio do tratamento)<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Vasculariza\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>4<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Pigmenta\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>6<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Espessura<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Alivio<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>4<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Elasticidade<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>4<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>TOTAL<\/td>\n<td>28<\/td>\n<td>18<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">O caso n\u00ba 2 diz respeito a uma pu\u00e9rpera, 28 anos, 1\u00ba gesta\u00e7\u00e3o, sujeita a cesariana, com deisc\u00eancia da sutura e encerramento secund\u00e1rio da mesma. A paciente apresentava como complica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para o tratamento a presen\u00e7a de pregas cut\u00e2neas adiposas que comprimiam os bordos da ferida, n\u00e3o permitindo um encerramento correcto. Ap\u00f3s encerramento total da ferida, iniciou imediatamente aplica\u00e7\u00e3o do produto modelador, a 26\/9\/07 (foto n\u00ba 3), com aplica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria 3 x dia. Nesta data, apresentava uma cicatriz com um comprimento de cerca de 13 cm, sendo que a n\u00edvel das 3 horas apresentava uma zona com mau aspecto cosm\u00e9tico. A 31\/10\/07 (foto n\u00ba 4), verifica-se uma melhoria muito substancial de toda a zona envolvida, com esbatimento muito acentuado da vasculariza\u00e7\u00e3o e pigmenta\u00e7\u00e3o \u00e0s 9 horas e 3 horas, assim como uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e1s caracter\u00edsticas da pele normal na zona central da cicatriz. Podemos avaliar melhor a evolu\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros na Tabela n\u00ba 2.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela n\u00ba 2- Crit\u00e9rios da cicatriz avaliados na paciente n\u00ba 2<\/p>\n<div align=\"left\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"35%\">VARI\u00c1VEL<\/td>\n<td width=\"36%\">PONTUA\u00c7\u00c3O (data de inicio do tratamento)<\/td>\n<td width=\"28%\">PONTUA\u00c7\u00c3O (data da 1\u00aa avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s inicio do tratamento)<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Vasculariza\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>4<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Pigmenta\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Espessura<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Alivio<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Elasticidade<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>TOTAL<\/td>\n<td>44<\/td>\n<td>23<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">O caso n\u00ba 3 diz respeito a uma paciente de 53 anos, sujeita a abdominoplastia, com deisc\u00eancia da sutura operat\u00f3ria. O encerramento das feridas abertas entretanto foi realizado por segunda inten\u00e7\u00e3o, tendo iniciado aplica\u00e7\u00e3o do produto modulador a 21\/9\/07 (foto n\u00ba 5). Inicialmente os bordos apresentavam-se elevados, com baixa elasticidade e hipopigmenta\u00e7\u00e3o relativamente \u00e0 pele normal. A 9\/11\/07 (foto n\u00ba 6), os locais de aplica\u00e7\u00e3o apresentavam bordos praticamente inexistentes, com pigmenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima da normal da pele, tecido bem vascularizado, redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de cicatriz e um resultado cosm\u00e9tico impressionante. Na Tabela n\u00ba 3 podemos verificar a evolu\u00e7\u00e3o do processo cicatricial final.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela n\u00ba 3- Crit\u00e9rios da cicatriz avaliados na paciente n\u00ba 3<\/p>\n<div align=\"left\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"35%\">VARI\u00c1VEL<\/td>\n<td width=\"36%\">PONTUA\u00c7\u00c3O (data de inicio do tratamento)<\/td>\n<td width=\"28%\">PONTUA\u00c7\u00c3O (data da 1\u00aa avalia\u00e7\u00e3o p\u00f3s inicio do tratamento)<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Vasculariza\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Pigmenta\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>9<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Espessura<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Alivio<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>4<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Elasticidade<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>2<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>TOTAL<\/td>\n<td>43<\/td>\n<td>15<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<h4 align=\"justify\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">\u00c9 aceite de forma pac\u00edfica que uma boa cicatriz final, com um bom resultado cosm\u00e9tico, \u00e9 o espelho de um bom processo cicatricial, ou que aparentemente, a ferida original atravessou as fases do processo cicatricial de forma ordeira, sem interfer\u00eancias de terceiros. Hoje em dia, tal poder\u00e1 j\u00e1 n\u00e3o corresponder \u00e0 verdade, em virtude de termos ao nosso dispor produtos que permitem a correc\u00e7\u00e3o final da cicatriz, remodelando-a ou moldando-a de acordo com o resultado desej\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora ainda exista um per\u00edodo relativamente curto entre as v\u00e1rias avalia\u00e7\u00f5es efectuadas, o produto revelou-se bastante eficaz, com uma redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea longitudinal das cicatrizes avaliadas, assim como uma melhoria muito substancial da pigmenta\u00e7\u00e3o da pele afectada. Os resultados s\u00e3o tanto melhores quanto mais precocemente for aplicado este produto modelador, tendo como exemplo a ferida resultante da abdominoplastia. De facto, parece-nos ser muito interessante a perspectiva de poder aplicar este produto, em conjunto com outros produtos de tratamento de feridas, visto que desta forma poderia ser potencializado todo um processo de cicatriza\u00e7\u00e3o. Estes estudos encontram-se ainda em fase de avalia\u00e7\u00e3o, e por isso os resultados finais s\u00e3o esperados para daqui a 3 meses.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, n\u00e3o podemos deixar de referir que os resultados actuais nos permitem afirmar que este tipo de material abre novas perspectivas na melhoria do resultado cosm\u00e9tico final, podendo revestir-se de particular significado para situa\u00e7\u00f5es como cesarianas, cirurgias tor\u00e1xicas, deisc\u00eancias de suturas (p\u00f3s-encerramento secund\u00e1rio), para al\u00e9m de qualquer outro tipo de feridas, incluindo cicatrizes hipertr\u00f3ficas ou quel\u00f3ides de queimaduras.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Ayello e colegas (2004) \u2013 TIME: heal all wounds, Nursing2004, Vol. 34 (4): 36-41.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Clarke e colegas (1999) \u2013 A prospective double-blind study of Mederma Skin Care Vs Placebo for post-traumatic scar reduction, Cosmetic Dermatology,Mar\u00e7o, 1999.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Draaijers, L e colegas (2004) \u2013 The Patient and Observer Scar Assessment Scale: A reliable and Feasible Toll for Scar Evaluation, Plastic and Reconstrutive Surgery, Vol 113 (7): 1960-65.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Hess, C., Kirsner, R. (2003) &#8211; Orchestrating wound Healing: Assessing and preparating the wound bed, Advances in Skin and Wound Care, Vol. 16 (5): 246-257.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Maragakis, M., Willital, G., Michel, G., G\u00f6rtelmeyer R. (1995)- Possibilities of scar treatment after thoracic surgery, Drugs Experimental Clinical Research, Vol XXI (5): 199-206.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Trott, A (2005) \u2013 Wounds and lacerations: Emergency Care and Closure, Mosby, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Truong, PT e colegas (2007) \u2013 Reliability and validity testing of the Patient and Observer Scar Assessment Scale in evaluating linear scars after breast surgery, Plastic Reconstrutive Surgery, Vol. 119 (2): 487-94.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">FOTO N\u00ba 1<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-767\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/01\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/01\/1.jpg 600w, 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