{"id":728,"date":"2007-11-01T16:29:11","date_gmt":"2007-11-01T16:29:11","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/escolas-organizacoes-uma-breve-analise\/"},"modified":"2021-05-04T10:07:57","modified_gmt":"2021-05-04T10:07:57","slug":"escolas-organizacoes-uma-breve-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/escolas-organizacoes-uma-breve-analise\/","title":{"rendered":"Escolas Organiza\u00e7\u00f5es: Uma Breve An\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p>A escola passa a ser um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica e social, impulsionada pelas profundas modifica\u00e7\u00f5es no n\u00facleo familiar, que perde o controle total sobre o educar e como educar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\"><em>Nursing n\u00ba 226<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autora<\/strong><\/h4>\n<p>Patr\u00edcia Isabel Pedrosa Nunes &#8211; Enfermeira graduada<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>&#8220;Qual o papel da escola na sociedade actual?&#8221;<\/p>\n<p>Vivem-se per\u00edodos de mudan\u00e7a e o papel da escola transforma-se e adquire novas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>O modelo tradicional onde se ensinavam saberes da ci\u00eancia, da linguagem e da matem\u00e1tica entra em rotura no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>A escola passa a ser um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica e social, impulsionada pelas profundas modifica\u00e7\u00f5es no n\u00facleo familiar, que perde o controle total sobre o educar e como educar.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cWhat is the role of the school in the current society?\u201d<\/p>\n<p>Today\u2019s people are living in an increasingly changed society and the role of the school been acquiring new dimensions to face the new challenges. The traditional information-transmission model of teaching the facts of science, language and mathematics came into rupture in the 20<sup>th<\/sup> century. The new approach to teaching and learning emphasizes the school as a space of civic and social formation, filling the gap released by the profound changes at the nucleus of the family role level, which gave up of being in total control on educating and on how to educate.<\/p>\n<h4><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Vivem-se tempos de r\u00e1pidas mudan\u00e7as e o papel da escola transforma-se e ganha novas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>O modelo tradicional onde se ensinavam saberes da ci\u00eancia, da linguagem e da matem\u00e1tica entra em rotura no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>A escola passa a ser um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica e social, impulsionada pelas profundas modifica\u00e7\u00f5es no n\u00facleo familiar, que perde o controle total sobre o educar e como educar.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e o ritmo do imediato for\u00e7ado pelo crescimento social exigem r\u00e1pidas adequa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podendo a escola abarcar toda esta gama de responsabilidades.<\/p>\n<p>\u201cQual o papel da escola na sociedade actual?\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 um dos temas, dentro de muitos, que hoje se colocam e para os quais se procura obter respostas.<\/p>\n<p>Em 1948 a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos consagra, pela primeira vez, o direito a educa\u00e7\u00e3o a todo o ser Humano.<\/p>\n<p>Artigo 26:<\/p>\n<p>I) Todo o homem tem direito \u00e0 instru\u00e7\u00e3o. A instru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instru\u00e7\u00e3o elementar ser\u00e1 obrigat\u00f3ria. A instru\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico profissional ser\u00e1 acess\u00edvel a todos, bem como a instru\u00e7\u00e3o superior, esta baseada no m\u00e9rito.<\/p>\n<p>II) A instru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instru\u00e7\u00e3o promover\u00e1 a compreens\u00e3o, a toler\u00e2ncia e amizade entre todas as na\u00e7\u00f5es e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvar\u00e1 as actividades das Na\u00e7\u00f5es Unidas em prol da manuten\u00e7\u00e3o da paz.<\/p>\n<p>III) Os pais t\u00eam prioridade de direito na escolha do g\u00e9nero de instru\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 ministrada a seus filhos.<\/p>\n<p>Esta nova consci\u00eancia, pr\u00f3pria das sociedades modernas, acarreta enormes transforma\u00e7\u00f5es sociais e politicas, que impelem a contextos de r\u00e1pidas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Durante as d\u00e9cadas seguintes acompanhamos diferentes ideologias que modelaram o sistema de ensino e definiram diferentes formas de Educar.<\/p>\n<p>Apresentam-se anos ricos de igualdade de oportunidades, de acesso livre a todos os que querem aprender, em detrimento das tradicionais elites que detinham o acesso a educa\u00e7\u00e3o, sustentadas pelo poder econ\u00f3mico que caracterizou longas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Recuando no tempo \u00e9 claro o papel da escola como crucial na estrutura da sociedade e no desenvolvimento do Homem.<\/p>\n<p>Apesar das r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es que o s\u00e9culo XX sofreu, o s\u00e9culo XXI evidencia uma profunda crise de valores e princ\u00edpios tanto na estrutura desta unidade escolar, como nos resultados apresentados por ela.<\/p>\n<p>Pergunto, como Lobo Antunes (2002), \u201cSer\u00e1 que a educa\u00e7\u00e3o leva ao conhecimento, ser\u00e1 que o conhecimento leva \u00e0 educa\u00e7\u00e3o? (\u2026) Qual a diferen\u00e7a entre educa\u00e7\u00e3o e conhecimento? E depois, anos mais tarde, qual a diferen\u00e7a entre ensino e educa\u00e7\u00e3o?\u201d. Muitas quest\u00f5es foram sendo colocadas e apesar do vasto conhecimento que a sociedade det\u00eam, estas perguntas de h\u00e1 50,40 ou menos anos atr\u00e1s, mant\u00e9m-se actuais e de dif\u00edcil esclarecimento.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as perspectivas te\u00f3ricas sobre as organiza\u00e7\u00f5es: das abordagens cl\u00e1ssicas \u00e1s abordagens macro-sociais e cr\u00edticas das organiza\u00e7\u00f5es, verificamos que os distintos modelos assentam na maximiza\u00e7\u00e3o da produtividade e efic\u00e1cia do trabalho.<\/p>\n<p>Taylor (1841-1915) acentua a produtividade, Fayol (1841-1925) acrescenta a no\u00e7\u00e3o de administra\u00e7\u00e3o e Weber (1864-1920) defende a administra\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estas teorias baseavam-se em estudos emp\u00edricos, no entanto, actualmente dispomos de conhecimentos que nos permitem olhar as organiza\u00e7\u00f5es tendo em conta uma multiplicidade de factores que eram alheios a estas teorias cl\u00e1ssicas.<\/p>\n<p>O conceito de burocracia profissional \u00e9 actual e preconiza o m\u00e1ximo de efici\u00eancia para as organiza\u00e7\u00f5es, baseada em leis e regulamentos, fomentando a disciplina e os comportamentos padronizados.<\/p>\n<p>Segundo Mitzeberg (1982), as organiza\u00e7\u00f5es podem ser de diferentes tipos; estrutura simples, burocr\u00e1tica mec\u00e2nica, burocr\u00e1tica profissional e adhocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>As estruturas burocr\u00e1ticas profissionais apresentam uma estrutura achatada, linha hier\u00e1rquica estreita, pequena tecno-estrutura e pessoal de apoio muito desenvolvido, caracterizando-se pela coordena\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o das qualifica\u00e7\u00f5es, enquadrada na elevada autonomia individual.<\/p>\n<p>Neste modelo cada profissional controla o seu pr\u00f3prio trabalho, independente em fun\u00e7\u00e3o da sua especializa\u00e7\u00e3o; na elabora\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico das necessidades dos clientes e na aplica\u00e7\u00e3o do programa padr\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma padroniza\u00e7\u00e3o das actividades que \u00e9 determinada pela elevada especializa\u00e7\u00e3o profissional assente na coordena\u00e7\u00e3o de todo o trabalho.<\/p>\n<p>Estas normas, elaboradas no topo da estrutura hier\u00e1rquica, reportam compet\u00eancias de auto regula\u00e7\u00e3o e autogest\u00e3o, cabendo ao profissional o dom\u00ednio do seu pr\u00f3prio trabalho e o controlo efectivo das decis\u00f5es globais administrativas que o regem.<\/p>\n<p>As escolas pertencem a este tipo de estrutura organizacional.<\/p>\n<p>\u201cMas estar\u00e3o os profissionais enquadrados nesta estrutura?\u201d \u201cQue falhas encontramos nesta aplica\u00e7\u00e3o?\u201d \u201cEst\u00e1 este modelo adaptado as necessidades sociais actuais?\u201d<\/p>\n<p>Quest\u00f5es como \u201cQual o futuro das escolas?\u201d, \u201cComo estamos a educar?\u201d, colocam-se sistematicamente, tendo impulsionado de forma decisiva o investimento por parte dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis ao desenvolvimento de estudos no \u00e2mbito da an\u00e1lise e avalia\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es escolares.<\/p>\n<p>Isto leva-nos a novas fontes de saber, a novos enquadramentos que permitem compreender a din\u00e2mica actual do ensino: \u201cComo est\u00e3o estruturadas as nossas escolas?\u201d<\/p>\n<p>Podemos identificar a unidade escola como uma organiza\u00e7\u00e3o dotada de autonomia, englobada num contexto social envolvente.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a leitura de diferentes autores, percebemos inequivocamente que existe uma vontade funcional em criar melhores escolas; qualidade na forma\u00e7\u00e3o, escolas mais eficientes\/eficazes, melhoria nos resultados apresentados, maior participa\u00e7\u00e3o social e c\u00edvica, s\u00e3o pontos que ganham \u00eanfase em todas as an\u00e1lises.<\/p>\n<p>Esta vontade assenta, n\u00e3o s\u00f3 nas estruturas politicas actuais, mas tamb\u00e9m numa consci\u00eancia de unifica\u00e7\u00e3o social, incluindo a escola como fundamental a constru\u00e7\u00e3o de um projecto mais amplo a abrangente, a de responsabiliza\u00e7\u00e3o de Educar mais que Formar pessoas.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio N\u00f3voa (1991) diz-nos que \u00e9 imposs\u00edvel dissociar a ac\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica dos universos sociais envolventes, sendo primordial a percep\u00e7\u00e3o do meio envolvente para a constru\u00e7\u00e3o de uma escola melhor e consequente\u00a0 melhor sociedade.<\/p>\n<p>\u201cQue escolas temos?\u201d, \u201cQue escolas queremos?\u201d, s\u00e3o quest\u00f5es necess\u00e1rias para centrar o olhar sobre a escola organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Barroso (1991), ao analisar a evolu\u00e7\u00e3o do modelo escolar em Portugal, introduz a ideia da entidade escolar detentora de mecanismos de auto-regula\u00e7\u00e3o, que lhe conferem capacidades adaptativas ao meio envolvente: a escola \u00e9 vista como um sistema aberto, absorvendo os est\u00edmulos externos e construindo-se a par como que a rodeia, em detrimento do conceito global da escola como estrutura limitada e r\u00edgida, imposta ao meio com par\u00e2metros, leis e normas definidas.<\/p>\n<p>Este car\u00e1cter adaptativo est\u00e1 assente na ideologia de uma moderna administra\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, segundo Carvalho (1994) (citando Tribucio, 1985) que perspectiva a descentraliza\u00e7\u00e3o (pedag\u00f3gica e administrativa) com o aumento da autonomia ao n\u00edvel local da participa\u00e7\u00e3o de todos os intervenientes no processo educativo e na moderniza\u00e7\u00e3o das estruturas e das pr\u00e1ticas administrativas do tipo empresarial, na \u00f3ptica da melhoria e aperfei\u00e7oamento dos processos educativos (tornar as escolas mais eficazes em contexto empresarial).<\/p>\n<p>Pela sua import\u00e2ncia, a educa\u00e7\u00e3o apenas poder\u00e1 ser regulada e dirigida pelo estado, cabendo a este assegurar as condi\u00e7\u00f5es (de car\u00e1cter essencialmente gratuito), para a presta\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>O conceito de gest\u00e3o empresarial, em oposi\u00e7\u00e3o ao conceito de gest\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o se pretende numa l\u00f3gica direccionada para o lucro e auto financiamento, mas \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios e instrumentos complementares, utilizados no \u00e2mbito da gest\u00e3o privada, que permitam sem o aumento de custos, uma maior utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos, sendo apontando o facto de que as escolas englobam variados contextos multiculturais, que n\u00e3o permitem a unifica\u00e7\u00e3o de objectivos e contextos; as escolas s\u00e3o espa\u00e7os humanos antag\u00f3nicos aos espa\u00e7os catalogados de objectos ou coisas.<\/p>\n<p>\u00c9 vis\u00edvel a resist\u00eancia de professores e alguns autores relativamente a este tipo de abordagem, gest\u00e3o empresarial, no entanto o acr\u00e9scimo de saberes de outras \u00e1reas distintas poder\u00e1 ser um bem precioso a n\u00e3o dispensar, assumindo um car\u00e1cter urgente a adapta\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos e pr\u00e1ticas voltadas para conceito de escola organiza\u00e7\u00e3o, na cria\u00e7\u00e3o de novas estrat\u00e9gias, mais adaptadas \u00e1s necessidades escolares e pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Ao acentuar a import\u00e2ncia da introdu\u00e7\u00e3o de novos saberes (especificamente do tipo empresarial), n\u00e3o podemos esquecer o papel dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o presentes em cada escola.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Barroso (1993) apresenta o \u201cmodelo da gest\u00e3o escolar colaborativa\u201d, onde identifica duas fases na administra\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de uma escola e dois grupos (o pol\u00edtico e as equipas de programa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Este modelo pretende colocar a avalia\u00e7\u00e3o como chave central da articula\u00e7\u00e3o entre os grupos, garantindo a participa\u00e7\u00e3o de todos os intervenientes na execu\u00e7\u00e3o dos programas globais e espec\u00edficos de cada unidade escolar, permitindo a determina\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica global da escola onde se cruzam determina\u00e7\u00f5es gerais (centrais) e particulares (de cada escola).<\/p>\n<p>De todos os autores consultados, destaca-se a no\u00e7\u00e3o da necess\u00e1ria participa\u00e7\u00e3o de todos os intervenientes para a constru\u00e7\u00e3o de um projecto comum.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma identidade pr\u00f3pria (escola adaptada ao meio envolvente, como um sistema aberto), \u00e9 fundamental para que se torne v\u00e1lida (a escola \u00e9 vista como uma constru\u00e7\u00e3o social) e possuidora de autonomia que lhe confere caracter\u00edsticas especificas (escola como espa\u00e7o micro pol\u00edtico) capaz de se auto regular e autoavaliar.<\/p>\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o (disposi\u00e7\u00e3o que permite uso ou funcionando eficiente), s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o e coer\u00eancia entre os diferentes elementos que formam o todo.<\/p>\n<p>Das barreiras a este conceito, apontam-se as dificuldades t\u00e9cnicas, humanas (com especificidade de forma\u00e7\u00e3o), financeiras e estruturais que permitam a participa\u00e7\u00e3o do todo e a determina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas demasiado ambiciosas.<\/p>\n<p>O des\u00e2nimo \u00e9 apontado como crucial quando se avaliam os resultados obtidos em oposi\u00e7\u00e3o aos resultados esperados, levando a que o investimento de cada interveniente seja, na sua grande generalidade, reduzido e carregado de hesita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tiller (1992) diz-nos que \u201cnecessitamos de um professor que investigue e de uma escola que pense\u201d.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio N\u00f3voa (1992) diz-nos que \u201ca escola tem de ser encarada como uma comunidade educativa, permitindo mobilizar o conjunto dos actores sociais e dos grupos profissionais em torno de um projecto comum.\u201d<\/p>\n<p>Alguns autores marcam o interesse e relev\u00e2ncia do conceito \u201cAvalia\u00e7\u00e3o da escola\u201d em dois pontos: o modo de proceder a recolha de informa\u00e7\u00e3o e ao objectivo dessa recolha (cria\u00e7\u00e3o de um ju\u00edzo de valor), Lu\u00eds Carvalho (1994).<\/p>\n<p>Deste modo, ao avaliar, baseando-nos na exist\u00eancia de indicadores de qualidade pr\u00e9 formados que poder\u00e3o ser facilitadores para a compreens\u00e3o do trabalho produzido, mas paradoxalmente poder\u00e3o n\u00e3o englobar factores pr\u00f3prios de cada organiza\u00e7\u00e3o, criando limita\u00e7\u00f5es que longe de oferecerem dados reais, poder\u00e3o induzir a avalia\u00e7\u00f5es erradas.<\/p>\n<p>Uma das formas de ultrapassar este obst\u00e1culo pode passar pela cria\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios avaliadores espec\u00edficos a cada organiza\u00e7\u00e3o, de modo que a produtividade da escola ganhe visibilidade.<\/p>\n<p>O ponto a avalia\u00e7\u00e3o da escola e a sua import\u00e2ncia na quest\u00e3o \u201cAvaliar para qu\u00ea?\u201d, d\u00e1 relevo ao facto de apenas atrav\u00e9s de uma concreta avalia\u00e7\u00e3o se poder\u00e3o reformular projectos e produzir melhores resultados, e neste contexto, a escola organiza\u00e7\u00e3o apresenta-se como um modelo em continua adapta\u00e7\u00e3o, reestrutura\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em resumo: olhamos sumariamente para a organiza\u00e7\u00e3o das escolas, reportando-nos \u00e0 escola de instru\u00e7\u00e3o elementar e nova consci\u00eancia social da import\u00e2ncia da instru\u00e7\u00e3o (da exclusiva responsabilidade do estado), \u00e0s novas dimens\u00f5es do ensino e complexidade dos valores que exigem a adapta\u00e7\u00e3o da escola \u00e0 sociedade de forma continua.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que os profissionais conhecem bem o lugar que ocupam na organiza\u00e7\u00e3o a que pertencem?\u201d, \u201cTer\u00e1 a escola visibilidade social?\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo de todas as leituras destaca-se a necessidade de compreens\u00e3o dos mecanismos que regem a actividade de cada profissional.<\/p>\n<p>A atribui\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, na medida da especializa\u00e7\u00e3o, traz enumeros benef\u00edcios dependendo de cada um a optimiza\u00e7\u00e3o da sua presta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs escolas somos todos n\u00f3s\u201d \u00e9 uma frase a considerar, pertencendo ao executor a capacidade de mudan\u00e7a, de crescimento e de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O investimento individual a cada acto, tarefa ou ac\u00e7\u00e3o \u00e9 elementar para o funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n<p>A este projecto, o investimento pessoal de cada um bem como essa consci\u00eancia torna-se numa pe\u00e7a essencial na conquista de escolas melhores e escolas maiores, formando gente grande em saberes e fazeres.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta s\u00f3 a vontade, mas esta, como inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>ANTUNES, Ant\u00f3nio Lobo (Novembro 2001). Facas, Garfos e Colheres. Comunica\u00e7\u00e3o apresentada na Conferencia Internacional espa\u00e7os de Educa\u00e7\u00e3o: Tempos de Forma\u00e7\u00e3o, Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, Lisboa.<\/p>\n<p>CARVALHO, Lu\u00eds Miguel (1994). Para uma an\u00e1lise da avalia\u00e7\u00e3o da escola. Boletim SPEF10\/11 (pp.33-51).<\/p>\n<p>COSTA, Jorge Adelino (1996). Imagens Organizacionais das Escolas. Porto: ASA.<\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, consultada a 20 de Janeiro de 2001,12.30h, em <a href=\"http:\/\/www.dhnet.org.br\/dieitos\/deconu\/textos\/integra.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.dhnet.org.br\/dieitos\/deconu\/textos\/integra.htm<\/a>.<\/p>\n<p>MINTZBERG, Henry (1995). Estrutura e Din\u00e2mica das Organiza\u00e7\u00f5es. Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote.<\/p>\n<p>MORGAN, Gareth (1996). Imagens das Organiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Atlas.<\/p>\n<p>N\u00d3VOA, Ant\u00f3nio (1992). As Organiza\u00e7\u00f5es Escolares em An\u00e1lise (pp.15-42). Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola passa a ser um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica e social, impulsionada pelas profundas modifica\u00e7\u00f5es no n\u00facleo familiar, que perde o controle total sobre o educar e como educar.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[296,215,242,316,99,420],"class_list":["post-728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-analise","tag-ensino","tag-escola","tag-modelo","tag-organizacao","tag-padronizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=728"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2797,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions\/2797"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}