{"id":726,"date":"2007-11-01T16:26:35","date_gmt":"2007-11-01T16:26:35","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/supervisao-e-relacoes-supervisivas-a-importancia-na-construcao-da-identidade-do-enfermeiro\/"},"modified":"2021-05-04T10:09:04","modified_gmt":"2021-05-04T10:09:04","slug":"supervisao-e-relacoes-supervisivas-a-importancia-na-construcao-da-identidade-do-enfermeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/supervisao-e-relacoes-supervisivas-a-importancia-na-construcao-da-identidade-do-enfermeiro\/","title":{"rendered":"Supervis\u00e3o e Rela\u00e7\u00f5es Supervisivas &#8211; A import\u00e2ncia na constru\u00e7\u00e3o da identidade do enfermeiro"},"content":{"rendered":"<p>Uma situa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio emocional mais acentuada, associada a uma competitividade desleal n\u00e3o compreendida pode colocar em causa o desenvolvimento do processo formativo, com reflex\u00f5es silenciosas da pr\u00e1tica que n\u00e3o chegam a quem tem a responsabilidade de encerrar o processo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Sinais Vitais n\u00ba 72<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<p><strong>Dina Bernardino<\/strong><\/p>\n<p>Enfermeira Licenciada<\/p>\n<p>Centro de Sa\u00fade de Santar\u00e9m \u00a0&#8211; Unidade de Sa\u00fade Familiar de S. Domingos<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Supervis\u00e3o; Modelo Reflexivo de Supervis\u00e3o; Rela\u00e7\u00f5es Supervisivas; Identidade<\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A conjuntura actual tem vindo a devolver \u00e0 enfermagem desafios antigos que j\u00e1 julg\u00e1vamos vencidos. O debate actual acerca do Sistema de Desenvolvimento Profissional dos Enfermeiros e de Certifica\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancias, assim como, do acesso ao t\u00edtulo de enfermeiro ap\u00f3s a frequ\u00eancia, com aproveitamento, de um per\u00edodo de exerc\u00edcio profissional tutelado, remete a discuss\u00e3o para a Supervis\u00e3o dos jovens enfermeiros e os processos que dela ocorrem, assim como a sua influencia na constru\u00e7\u00e3o da identidade pessoal e profissional destes.<\/p>\n<p align=\"justify\">O presente artigo tem como objectivo tecer algumas considera\u00e7\u00f5es acerca da import\u00e2ncia da Supervis\u00e3o para a Enfermagem e reflectir acerca das rela\u00e7\u00f5es supervisivas que se desenvolvem durante o processo e a sua import\u00e2ncia na constru\u00e7\u00e3o de identidade do jovem\/futuro enfermeiro\u00a0profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">\u201cEnquanto caminhava em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 sua Lenda Pessoal, tinha aprendido tudo o que precisava, e tinha vivido tudo o que tinha sonhado viver. Mas chegara ao seu tesouro, e uma obra s\u00f3 est\u00e1 completa quando o objectivo \u00e9 atingido. (\u2026) ningu\u00e9m conseguiria ter uma pir\u00e2mide no seu quintal, mesmo que amontoasse pedras toda a vida.\u201d<\/p>\n<p align=\"right\">Paulo Coelho\n<\/p>\n<p align=\"justify\">O contexto actual da Sociedade e do Sistema Nacional de Sa\u00fade leva-nos, pelo seu questionamento constante, a tentar encontrar \u00e1reas de abrang\u00eancia que dignifiquem o Cuidar em Enfermagem e a satisfa\u00e7\u00e3o dos Enfermeiros. \u201cAs crescentes exig\u00eancias de desenvolvimento profissional cont\u00ednuo apontam claramente para a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias facilitadoras de uma adequada vincula\u00e7\u00e3o profissional e de uma forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida que promova a qualidade e a excel\u00eancia\u201d (Revista Ordem dos Enfermeiros, n\u00ba 22, p. 26).<\/p>\n<p align=\"justify\">O debate actual acerca do Sistema de Desenvolvimento Profissional dos Enfermeiros e de Certifica\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancias, assim como, do acesso ao t\u00edtulo de enfermeiro ap\u00f3s a frequ\u00eancia, com aproveitamento, de um per\u00edodo de exerc\u00edcio profissional tutelado, traz \u00e0 luz do debate novos conceitos e responsabilidades aos quais n\u00e3o podemos estar alheios. O desenvolvimento de forma\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Graduada no \u00e2mbito da Forma\u00e7\u00e3o e Supervis\u00e3o Pedag\u00f3gica, permitiu-nos a reflex\u00e3o e o questionamento acerca da import\u00e2ncia da coopera\u00e7\u00e3o que os enfermeiros da pr\u00e1tica desenvolvem com as Escolas Superiores de Enfermagem, no que se refere \u00e0 Supervis\u00e3o de alunos em ensino cl\u00ednico, sendo sobre esta problem\u00e1tica que vamos tecer algumas considera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>CONCEITOS DE SUPERVIS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Para come\u00e7ar ser\u00e1 necess\u00e1rio caracterizar o conceito de Supervis\u00e3o e em que medida este pode ser aplicado \u00e0 realidade da forma\u00e7\u00e3o em Enfermagem. Franco (2000, p. 32) define Supervis\u00e3o como \u201co processo em que uma pessoa experiente e bem informada presta ajuda aos alunos para alcan\u00e7arem a plena maturidade no seu desenvolvimento humano, educacional e profissional, numa actua\u00e7\u00e3o de monitoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da pr\u00e1tica, sobretudo atrav\u00e9s do acompanhamento cont\u00ednuo e de procedimentos de reflex\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o\u201d. Viera (1993, p.28) define, tamb\u00e9m, Supervis\u00e3o como \u201cuma actua\u00e7\u00e3o de monitoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, sobretudo atrav\u00e9s de procedimentos de reflex\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tal como uma \u201cm\u00e3e\u201d desenvolve os processos de compreens\u00e3o dos seus filhos, para que sejam aut\u00f3nomos, tamb\u00e9m o processo supervisivo \u00e9 salientado, por alguns autores, pela evid\u00eancia no desenvolvimento de capacidades que permite, naqueles que s\u00e3o alvo do processo, caracterizados como estando em \u201cmetamorfose\u201d. Desta forma, a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento,que adv\u00e9m do processo supervisivo, comoexerc\u00edcio plurimetodol\u00f3gico e intercontextual, ondea import\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es intra e inter pessoais estabelecidas na aprendizagem \u00e9 fundamental, porquet\u00eam em conta a intercontextualidade, a transgeracionalidadedo processo (S\u00e1-Chaves, 1999, p.22).As defini\u00e7\u00f5es, na sua ess\u00eancia, n\u00e3o diferem muito. Existem,no entanto, v\u00e1rios modelos que podem ser adoptados aquando do desenvolvimento de um processosupervisivo desde uma abordagem mais prescritiva at\u00e9uma abordagem mais reflexiva, dependendo grandementeda forma\u00e7\u00e3o do supervisor, do objectivo do processoe, logicamente, do cen\u00e1rio em que ocorre.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>MODELO REFLEXIVO DE SUPERVIS\u00c3O EM ENFERMAGEM<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Debru\u00e7amo-nos aqui um pouco sobre o Modelo Reflexivo em Supervis\u00e3o, por considerarmos que este se enquadra naquilo que deve ser desenvolvido como processo supervisivo em enfermagem. \u201c\u2026O modelo reflexivo entende as situa\u00e7\u00f5es educativas como \u00fanicas, caracterizadas pela sua particularidade, estando intrinsecamente associadas aos contextos espec\u00edficos em que ocorrem. Daqui decorre que os quadros te\u00f3ricos da educa\u00e7\u00e3o, (\u2026) constituem, nestes modelos, apenas referenciais, (\u2026) na an\u00e1lise\/reflex\u00e3o do acto educativo a nas decis\u00f5es pedag\u00f3gicas, e n\u00e3o normas ou modelos a aplicar\u2026\u201d (Oliveira, s.d., p.15)<\/p>\n<p align=\"justify\">Este modelo de supervis\u00e3o tem como subjacente as teorias construtivistas e desenvolvimentistas, centrando-se na reflex\u00e3o sobre a ac\u00e7\u00e3o educativa tendo em vista a resolu\u00e7\u00e3o de problemas concretos da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica. Prev\u00ea o desenvolvimento de compet\u00eancias pessoais e profissionais a partir da dial\u00e9ctica teoria\/ pr\u00e1tica. O formando desempenha, neste contexto o papel central e activo do seu desenvolvimento e da sua aprendizagem, sendo o supervisor, aquele que ajuda o formando no seu desenvolvimento atrav\u00e9s da procura de significados para as suas actua\u00e7\u00f5es. A centralidade n\u00e3o est\u00e1 na avalia\u00e7\u00e3o mas sim no processo desenvolvido durante o percurso formativo.<\/p>\n<p align=\"justify\">No \u00e2mbito da Enfermagem este referencial de supervis\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica comum. No entanto, n\u00e3o podemos deixar de encontrar, neste contexto, alguns pontos de reflex\u00e3o. A pr\u00e1tica reflexiva sistem\u00e1tica, naquilo que perspectiva Sh\u00f6n, como sendo o conhecimento na ac\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o na ac\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o sobre a ac\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o na e sobre a ac\u00e7\u00e3o, revelam-nos, sem d\u00favida a import\u00e2ncia do contexto da pr\u00e1tica para o desenvolvimento profissional do enfermeiro. No contexto da presta\u00e7\u00e3o de cuidados e dos per\u00edodos de ensino cl\u00ednico que o estudante de enfermagem realiza ao longo do seu percurso de forma\u00e7\u00e3o iniciasse um processo de matura\u00e7\u00e3o individual que, quando trabalhado num contexto reflexivo, pode auxiliar o estudante a desenvolver compet\u00eancias de questionamento da sua pr\u00e1tica, no sentido em que tamb\u00e9m, enquanto enfermeiro, dever\u00e1 questionar diariamente a sua interven\u00e7\u00e3o e ter flexibilidade e humildade para reconhecer as suas oportunidades de melhoria e de crescimento. Mas sabemos que isto n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica comum. Muitas vezes os processos reflexivos iniciados durante os per\u00edodos de ensino cl\u00ednico, pelo professor, s\u00e3o unicamente um momento acad\u00e9mico, sem repercuss\u00e3o pr\u00e1tica. Contudo, interrogamos se, sendo este um processo constru\u00eddo a partir da pr\u00e1tica do formando interveniente, e onde interv\u00eam o enfermeiro cooperante e o enfermeiro professor, n\u00e3o esquecendo o contexto de cuidados, se n\u00e3o estiverem todos numa perspectiva de crescimento pessoal e profissional, ser\u00e1 eficaz? Queremos com isto dizer que, por muito que a abordagem do professor respons\u00e1vel pela supervis\u00e3o do processo pedag\u00f3gico de ensino cl\u00ednico seja a reflexiva, se o enfermeiro cooperante n\u00e3o seguir o mesmo referencial, cria-se no estudante um conflito. Que associado \u00e0 sua \u201cfragilidade\u201d de auto-exposi\u00e7\u00e3o da sua pr\u00e1tica, de \u201cnudez\u201d pessoal e profissional, j\u00e1 por si conflituosa, pode gerar um desequilibro desnecess\u00e1rio no percurso formativo do estudante e na constru\u00e7\u00e3o da sua identidade profissional. Ser\u00e1 importante que, na nossa opini\u00e3o, se uniformizem abordagens e se minimize a dicotomia entre a escola e o contexto da pr\u00e1tica, s\u00f3 poss\u00edvel atrav\u00e9s de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na \u00e1rea da Supervis\u00e3o para os enfermeiros cooperantes nestes processos formativos. Pois n\u00e3o s\u00f3 fundamental \u00e9 o tipo de rela\u00e7\u00e3o interpessoal que \u00e9 estabelecido entre todos os intervenientes no processo, e a uniformiza\u00e7\u00e3o de conceitos, como come\u00e7a directamente a interferir neste contexto a competitividade entre estudantes. Uma situa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio emocional mais acentuada, associada a uma competitividade desleal n\u00e3o compreendida pode colocar em causa o desenvolvimento do processo formativo, com reflex\u00f5es silenciosas da pr\u00e1tica que n\u00e3o chegam a quem tem a responsabilidade de encerrar o processo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>RELA\u00c7\u00d5ES SUPERVISIVAS E CONSTRU\u00c7\u00c3O DE IDENTIDADE DO JOVEM ENFERMEIRO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Como j\u00e1 referimos, \u00e9 fundamental o processo relacional que se desenvolve entre quem supervisiona e quem \u00e9 supervisionado. Salientarmos, as caracter\u00edsticas que definem o processo supervisivo: promover a socializa\u00e7\u00e3o de quem vai entrar, ou j\u00e1 esta, na profiss\u00e3o; acompanhar e orientar o processo. Sendo que ao formando compete desenvolver uma leitura compreensiva da realidade, integrar-se progressivamente nas actividades, desenvolvendo compet\u00eancias e processos de autoavalia\u00e7\u00e3o. Do supervisor \u00e9 esperado que facilite e incentive a leitura da realidade, promova a integra\u00e7\u00e3o na vida profissional e desenvolva o processo de avalia\u00e7\u00e3o. A este respeito Silva e Silva (sd., p.103) afirmam que \u201c\u00e9 integrados na equipa de enfermagem que os alunos estabelecem rela\u00e7\u00f5es mais equitativas e pr\u00f3ximas entre os enfermeiros do exerc\u00edcio, aprendendo com eles a \u201cenfermagem pr\u00e1tica\u201d e a facilitar a inser\u00e7\u00e3o futura no mundo do trabalho atrav\u00e9s regras de funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta forma, a concep\u00e7\u00e3o do processo relacional que \u00e9 estabelecido entre quem supervisiona e quem \u00e9 supervisionado, independentemente do estilo de supervis\u00e3o adoptado, torna-se central. A ideia de distanciamento versus aproxima\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do supervisor em rela\u00e7\u00e3o ao supervisionado, no processo relacional estabelecido, \u201cpermite o alargamento do campo de an\u00e1lise e a possibilidade da sua compreens\u00e3o sist\u00e9mica e contextualizada\u201d (S\u00e1-Chaves, 1999, p.12), do mesmo modo que, a supervis\u00e3o e a atitude supervisiva, pressup\u00f5em um inst\u00e1vel equil\u00edbrio no exerc\u00edcio da consci\u00eancia informada, da reflex\u00e3o cr\u00edtica e da amizade consentida, entre quem supervisiona e quem \u00e9 supervisionado. Questionamos assim, se em qualquer contexto da pr\u00e1tica de cuidados o enfermeiro n\u00e3o desenvolve um processo supervisivo? N\u00e3o ser\u00e1 aqui que reside uma das concep\u00e7\u00f5es fundamentais da disciplina de enfermagem e uma das suas formas de afirma\u00e7\u00e3o? Centrar o processo supervisivo, partindo de um processo relacional que \u201cinstaure a possibilidade de afecto (\u2026) e com ele, a qualidade da ambi\u00eancia nos sistemas de forma\u00e7\u00e3o\u201d (S\u00e1-Chaves, 1999, p.16) parece-nos que seria, para a Enfermagem, Ouro sobre Azul.<\/p>\n<p align=\"justify\">O desenvolvimento da pr\u00e1tica reflexiva e do conhecimento emergente da pr\u00f3pria ac\u00e7\u00e3o s\u00e3o para a enfermagem, tal como para o processo de Supervis\u00e3o condi\u00e7\u00e3o sinequanon. Num contexto cada vez mais economicista, o desafio est\u00e1 na melhoria do capital intelectual individual e colectivo. Ou seja, a melhoria do desempenho nas estrat\u00e9gias de gest\u00e3o, e da compet\u00eancia supervisiva como dimens\u00e3o fundamental e reguladora dos processos formativos, sendo vertente fundamental da realidade da Enfermagem. Num estudo publicado recentemente, no \u00e2mbito da Supervis\u00e3o de alunos de Enfermagem em Ensino Cl\u00ednico, revelou-se que a supervis\u00e3o \u00e9 \u201cpromotora de compet\u00eancias nos alunos, sobretudo as de natureza relacional e atitudional. Este desenvolvimento \u00e9 reconhecido pelos pr\u00f3prios alunos\u201d (Sim\u00f5es, Belo e tal, 2006, p.14).<\/p>\n<p align=\"justify\">Isto remete-nos para a complexidade que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o em contexto de trabalho. Porque implica, por um lado o desenvolvimento de compet\u00eancias com refer\u00eancias emp\u00edricas ou saber em ac\u00e7\u00e3o, por outro a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o como um processo de transforma\u00e7\u00e3o de saberes, de comportamentos, levando, por isso mesmo, \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do colectivo de trabalho como espa\u00e7o de crescimento e transforma\u00e7\u00e3o pessoal, em que as representa\u00e7\u00f5es devem ser partilhadas e reflectidas em atitudes sobre a ac\u00e7\u00e3o. Neste contexto, aos profissionais \u201csolicita-se a capacidade de contribuir para o desenvolvimento da profiss\u00e3o e de trabalhar os fundamentos da mesma, tornando-os mais s\u00f3lidos e consistentes; solicita-se a abertura para a aprendizagem ao longo da vida, a motiva\u00e7\u00e3o para a autoavalia\u00e7\u00e3o e a formula\u00e7\u00e3o de contributos para as ci\u00eancias da enfermagem\u201d (Abreu, 2003, p.22).<\/p>\n<p align=\"justify\">Cheg\u00e1mos ao ponto de uni\u00e3o entre as tr\u00eas vertentes que constituem a abordagem deste artigo, ou seja a Supervis\u00e3o, e as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre os intervenientes nela constantes e a import\u00e2ncia deste processo na constru\u00e7\u00e3o da identidade dos jovens enfermeiros. Todos temos de ter no\u00e7\u00e3o de que neste processo n\u00e3o podemos ser modelos mas sim ve\u00edculos promotores da reflex\u00e3o e do questionamento, actuando como promotores de uma pedagogia centrada no aluno e conducendente \u00e0 sua automatiza\u00e7\u00e3o. \u201cO papel do supervisor torna-se assim mais exigente, n\u00e3o se podendo cingir a uma \u201corienta\u00e7\u00e3o\u201d tradicional do estagi\u00e1rio, assente em modelos de mestria ou de racionalidade t\u00e9cnica da forma\u00e7\u00e3o\u201d (Moreira, s.d., p.141).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Estamos convictos que esta tem\u00e1tica \u00e9 abrangente e pol\u00e9mica. No entanto, o objectivo deste artigo foi simplesmente problematizar algumas das quest\u00f5es que o processo supervisivo levanta. Pela pertin\u00eancia do cen\u00e1rio actual da sa\u00fade, consideramos que os enfermeiros n\u00e3o podem mais uma vez deixar aliciar-se com a \u201cgalinha dos ovos de ouro\u201d deixando para tr\u00e1s a sua ess\u00eancia que \u00e9 Cuidar e Cuidar bem com tudo aquilo que disp\u00f5em em si e no contexto em que est\u00e3o inseridos. Sendo que o processo de supervis\u00e3o de jovens enfermeiros ou estudantes de enfermagem faz parte desse Cuidar, n\u00e3o podendo ser apenas mais um momento de \u201cpolidez let\u00e1rgica\u201d em que se contam os minutos para a reuni\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o final\u2026<\/p>\n<p align=\"justify\">Desse momento pode depender a vida de algu\u00e9m, mas depende profundamente o respeito pela profiss\u00e3o da qual fazemos parte e a imagem da Enfermagem. E s\u00f3 depende de cada um de n\u00f3s: Enfermeiros\u2026 \u00c9 o nosso tesouro, o nosso objectivo a atingir!!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma situa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio emocional mais acentuada, associada a uma competitividade desleal n\u00e3o compreendida pode colocar em causa o desenvolvimento do processo formativo, com reflex\u00f5es silenciosas da pr\u00e1tica que n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[415,416,414,417,418,303,419],"class_list":["post-726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinais-vitais","tag-competitividade","tag-deslealdade","tag-identidade","tag-lealdade","tag-relacoes","tag-supervisao","tag-teorias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=726"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2798,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/726\/revisions\/2798"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}