{"id":699,"date":"2007-09-29T08:46:51","date_gmt":"2007-09-29T08:46:51","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/cuidador-familiar-um-personagem-muitas-vezes-esquecido\/"},"modified":"2021-04-28T15:52:24","modified_gmt":"2021-04-28T15:52:24","slug":"cuidador-familiar-um-personagem-muitas-vezes-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/cuidador-familiar-um-personagem-muitas-vezes-esquecido\/","title":{"rendered":"Cuidador Familiar: um personagem muitas vezes esquecido"},"content":{"rendered":"<p>Quando fala-se de cuidador familiar faz-se referencia a uma pessoa adulta, que realiza e proporciona as actividades de vida di\u00e1ria procurando minorar ou at\u00e9 mesmo suprir o deficit de auto cuidado da pessoa que cuida.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"left\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Este artigo procedente de uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, evidencia o cuidador familiar como o principal respons\u00e1vel pelo cuidado ao n\u00edvel domicili\u00e1rio. Tra\u00e7a o perfil do cuidador e aborda os principais motivos que normalmente fazem com que uma pessoa assuma tal papel. Descreve sentimentos e necessidades experimentadas pelos cuidadores familiares consoante os estudos realizados. Finalmente faz uma an\u00e1lisecr\u00edtica do sistema formal de sa\u00fade e conclui com algumas recomenda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Cuidador familiar; invisibilidade; descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Resumen<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Este art\u00edculo procedente de una estudio bibliogr\u00e1fico revela al cuidador familiar como siendo el principal responsable del cuidado a nivel domiciliario. Hace una identificaci\u00f3n del cuidador y describe los principales motivos que normalmente hacen que una persona asuma tal papes. Describe sentimientos y necesidades vivenciadas por los cuidadores familiares de acuerdo con estudios realizados. Finalmente, hace un an\u00e1lisis del sistema formal de salud y concluye con algunas sugerencias.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palabra-clave:<\/strong> Cuidador familiar; invisibilidad; descris\u00f3n.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> Abstract<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">This article, that comes from a bibliographic study, describes the family caregiver as the main responsible for the home care. If describes the carer profile, and the main motives that normally take the person to assume sucli position. It describes feelings and needs that carers live, counting on the studies performed. Finally, it makes a critical reflection on the formal system, and concludes with some recommendations.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Key words:<\/strong> Informal care; invisibility; discretion.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong> Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais caracter\u00edsticas deste in\u00edcio de s\u00e9culo \u00e9 o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, fruto de um aumento significativo da esperan\u00e7a de vida. Esse facto \u00a0torna-se relevante na medida que causa um aumento das demandas sociais e econ\u00f3micas devido esta popula\u00e7\u00e3o necessitar de uma maior aten\u00e7\u00e3o por parte n\u00e3o s\u00f3 das autoridades de sa\u00fade, como tamb\u00e9m de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p align=\"justify\">A ONU estima para os pr\u00f3ximos 20 anos um aumento de 300% nas necessidades em cuidados de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o idosa. Paralelamente a este facto espera-se um aumento acentuado da preval\u00eancia de doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis e de evolu\u00e7\u00e3o prolongada, que dever\u00e3o reclamar por pol\u00edticas de sa\u00fade que prestigiem mais apoios \u00e0 assist\u00eancia domicili\u00e1ria.<\/p>\n<p align=\"justify\">Actualmente devido a \u00a0sobrecarga do sistema de sa\u00fade, observa-se uma tend\u00eancia para se diminuir o m\u00e1ximo poss\u00edvel o tempo de perman\u00eancia dos indiv\u00edduos nas \u00a0unidades de sa\u00fade e para transferir muitos cuidados, que antes eram tidos como hospitalares, para os servi\u00e7os de apoio a comunidade e com isso para as fam\u00edlias. COLLI\u00c9R\u00c8 (1999), no que refere a fam\u00edlia coloca que esta \u00e9 o eixo dos cuidados &#8220;(&#8230;) que det\u00e9m em si pr\u00f3prio um valor terap\u00eautico&#8221;. Por ser uma unidade viva \u00e9 nesta que se encontra o maior n\u00famero de cuidadores informais, destacando-se as mulheres, pois \u00a0desenvolvem este of\u00edcio desde o in\u00edcio da humanidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A insist\u00eancia por um modelo biom\u00e9dico centrado na doen\u00e7a deixa de lado aquele que assiste ao doente &#8220;o cuidador&#8221; e n\u00e3o permite que o seu trabalho tenha a visibilidade merecida e com isso todo o apoio necess\u00e1rio. Cabe a Enfermagem, neste sentido, a responsabilidade pelo aprimoramento e desenvolvimento de ac\u00e7\u00f5es que sejam verdadeiramente centradas na fam\u00edlia, tendo em conta o contexto em que a mesma esta inserida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo \u00a0o cuidador familiar como o principal respons\u00e1vel pela assist\u00eancia ao n\u00edvel domicili\u00e1rio \u00a0este trabalho tra\u00e7a o seu perfil, descreve sentimentos, dificuldades e necessidades e recomenda algumas ac\u00e7\u00f5es por parte do sistema formal de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Perfil e os motivos que levam a ser um cuidador<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Os cuidadores familiares desempenham um papel crucial pois assumem a responsabilidade do cuidar do familiar. A maioria s\u00e3o do sexo feminino, \u00a0normalmente s\u00e3o as esposas, as filhas ou filhos que desempenham o papel preponderante no resgate do cuidar do seu familiar. Na generalidade tem n\u00edvel educacional baixo e se situam na idade activa em faixas et\u00e1rias pr\u00f3ximas das pessoas que cuidam, o que explica o facto que uma grande parte dos cuidadores serem as c\u00f4njuges.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando fala-se de cuidador familiar faz-se referencia a uma pessoa adulta, que realiza e proporciona as actividades de vida di\u00e1ria procurando minorar ou at\u00e9 mesmo suprir o deficit de auto cuidado da pessoa que cuida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os motivos que levam com que o familiar seja o cuidador principal s\u00e3o na generalidade a disponibilidade de tempo para o fazer, o sentimento de obriga\u00e7\u00e3o e de dever e a solidariedade. CALDAS (1995), acrescenta e coloca que entre os factores que influenciam o familiar a assumir a responsabilidade do cuidar se destacam: a influencia hist\u00f3rica, os imperativos culturais e os preceitos religiosos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Algumas vezes acontece da pessoa ter que assumir de forma s\u00fabita e inesperada o papel de cuidador, sem que para isso tenha se preparado, ou pensado seriamente sobre o assunto. Outras vezes observa-se que a pessoa em um acto espont\u00e2neo e impulsivo assume o cuidar ou, sem perceber, vai assumindo pequenos cuidados e quando percebe j\u00e1 \u00e9 o cuidador principal, estando completamente comprometido. FERNANDES (2002), comenta que na maioria das vezes a pessoa assume um papel que lhe \u00e9 imposto pelas circunst\u00e2ncias e n\u00e3o por escolha pr\u00f3pria, apesar de reconhecer que esta miss\u00e3o naturalmente seja sua.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Sentimentos \/ Dificuldades<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O planeamento de alta \u00e9 extremamente importante e deve ser aplicado a todos os cuidadores. Porem, infelizmente observa-se situa\u00e7\u00f5es em que este instrumento \u00e9 mal aplicado ou simplesmente inexiste, o que gera dificuldades e sentimentos de incerteza no cuidador. CONNEL e BAKER (2004), coloca que esses cuidadores acabam por experimentar um elevado grau de incerteza quanto ao pr\u00f3prio planeamento dos cuidados e por isso utilizam algumas estrat\u00e9gias de coping na tentativa de ultrapassar os obst\u00e1culos. Entre estas estrat\u00e9gias citam: 1) manuten\u00e7\u00e3o de uma atitude positiva; 2) adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a; 3) compara\u00e7\u00e3o com os outros; 4) mudan\u00e7as no trabalho; 5) o humor; 6) o suporte de familiares e amigos pr\u00f3ximos. J\u00e1 RODRIGUES; et al., (1999), em seu estudo com cuidadores familiares de idosos com sequelas de AVC, identificou uma diversidade de sentimentos experimentados pelos cuidadores no decorrer do processo de cuidar como o carinho, amor, indigna\u00e7\u00e3o pela situa\u00e7\u00e3o, o prazer, a pena, a tristeza entre outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">O cuidador familiar tende a valorizar em primeiro lugar as necessidades da pessoa que cuida deixando para um segundo plano as suas pr\u00f3prias necessidades. Muitas vezes ap\u00f3s assumir a responsabilidade do cuidar eles experimentam algumas dificuldades\/necessidades como: a pouca ou nenhuma informa\u00e7\u00e3o a cerca da doen\u00e7a, d\u00favidas quanto a presta\u00e7\u00e3o de cuidados, necessidades proveniente da falta de recursos e de apoio econ\u00f3mico e por \u00faltimo aquelas centradas no suporte emocional.<\/p>\n<p align=\"justify\">O planeamento de alta permite que o familiar participe activamente dos cuidados ao doente durante o processo de hospitaliza\u00e7\u00e3o, possibilitando planificar melhor o regresso ao domicilio facilitando todo o processo de transi\u00e7\u00e3o. Porem deve-se ter aten\u00e7\u00e3o alguns pontos como DRISCOLL, A (2000), coloca bem: 1\u00ba) a percep\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o por parte do cuidador; 2\u00ba) a sufici\u00eancia dessa informa\u00e7\u00e3o; 3\u00ba) a devida utiliza\u00e7\u00e3o dessa informa\u00e7\u00e3o. Quanto ao primeiro ponto \u00e9 importante a realiza\u00e7\u00e3o de um planeamento de alta adequado a cada situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e de acordo com as necessidades sentidas. No que diz respeito ao segundo ponto \u00e9 imprescind\u00edvel que os cuidadores recebam informa\u00e7\u00e3o suficiente para que se diminua a ansiedade e a probabilidade de complica\u00e7\u00f5es domiciliares. E finalmente quanto a utiliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o esta quando chega de forma positiva ao cuidador proporciona uma redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de readmiss\u00f5es e uma diminui\u00e7\u00e3o no tempo de perman\u00eancia do doente a n\u00edvel hospitalar, o que representa a exist\u00eancia de cuidados domiciliares mais eficazes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um outro ponto a ter em conta \u00e9 a sobrecarga que o cuidador vive devido os factores geradores de stress e ansiedade. Esta sobrecarga pode estar ligada a uma dimens\u00e3o objectiva como \u00e9 o caso dos acontecimentos e actividades concretas como a depend\u00eancia econ\u00f3mica , mudan\u00e7a na sua rotina, a falta de tempo para si mesmo, entre outros ou a uma dimens\u00e3o subjectiva que inclui os sentimentos de culpa, de vergonha, a baixa auto-estima \u00a0e \u00a0a \u00a0preocupa\u00e7\u00e3o excessiva com o familiar doente.<\/p>\n<p align=\"justify\">O cuidador que se dedica ao cuidar de uma pessoa totalmente dependente sem qualquer tipo de apoio formal, tende a vir a sofrer desgastes f\u00edsicos e emocionais consider\u00e1veis provenientes da sobrecarga imposta, principalmente quando o doente assistido apresenta al\u00e9m de incapacidade f\u00edsica deficit cognitivo. MAROTE; et al (2005), no que diz respeito aos sinais de desgaste f\u00edsico referenciado pelos cuidadores destacam: as lombalgias no topo das refer\u00eancias, seguido pelo cansa\u00e7o f\u00edsico, hipertens\u00e3o, \u00a0anorexia, cefaleias, entre outras. Refere tamb\u00e9m a ocorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es no sistema imunol\u00f3gico, para al\u00e9m dos problemas sono, fadiga cr\u00f3nica, altera\u00e7\u00f5es cardiovasculares e depress\u00e3o e ansiedade superiores aos da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> Sistema Formal \/ Informal<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O aparecimento do cuidador nas unidades de sa\u00fade, faz-se na maioria das vezes em situa\u00e7\u00f5es de crise, e \u00e9 o reflexo da sobrecarga que o mesmo teve que sustentar e que naquele momento n\u00e3o se encontra com condi\u00e7\u00f5es mais de suportar. O modelo biom\u00e9dico existente impede que seja detectado a verdadeira raz\u00e3o da sua \u00a0procura e o seu real estado de sa\u00fade limitando-se simplesmente ao tratamento sintom\u00e1tico do problema, visto que a pr\u00f3pria vis\u00e3o de sa\u00fade ser estreitada em muitos profissionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">A inefic\u00e1cia dos programas p\u00fablicos de sa\u00fade de aten\u00e7\u00e3o ao domic\u00edlio, n\u00e3o s\u00f3 tr\u00e1s graves preju\u00edzos em todo o sistema, como tamb\u00e9m na grande massa de cuidadores. \u00a0MONIS; et al., (2005), relata que o cuidado formal de sa\u00fade prestado no domic\u00edlio, &#8220;n\u00e3o \u00e9 mais de que a ponta do iceberg no qual o sistema informal constitui um verdadeiro sistema invis\u00edvel de cuidados de sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">O enfermeiro deve observar a fam\u00edlia como uma unidade, um grupo e n\u00e3o como uma simples soma de pessoas. Deve entender que qualquer altera\u00e7\u00e3o em um de seus membros pode causar repercuss\u00e3o no funcionamento do grupo como um todo. Durante a visita domiciliar dever\u00e1 conhecer n\u00e3o s\u00f3 o doente como tamb\u00e9m o seu cuidador ambos inseridos em seu contexto, como suas rela\u00e7\u00f5es sociais e afectivas.<\/p>\n<p align=\"justify\">CRESPO e LOPEZ (2007), ressaltam que \u00e9 importante que os profissionais, inclusive o enfermeiro, \u00a0desenvolvam e incentivem v\u00e1rios tipos de interven\u00e7\u00f5es com a finalidade de salvaguardar a integridade f\u00edsica e emocional dos cuidadores, entre estas \u00a0citam: 1\u00ba) apoios formais mediante servi\u00e7os comunit\u00e1rios de al\u00edvio; 2\u00ba) programas psicoeducativos; 3\u00ba) forma\u00e7\u00e3o de grupos de ajuda m\u00fatua; 4\u00ba) interven\u00e7\u00f5es psicoterapeutas; 5\u00ba) combina\u00e7\u00f5es das anteriores. J\u00e1 PERA (2000), sugere outras medidas que tamb\u00e9m devem ser incentivadas como: 1\u00aa) proporcionar forma\u00e7\u00e3o adequada dos cuidadores objectivando a melhoria dos cuidados prestados, preven\u00e7\u00e3o de les\u00f5es e redu\u00e7\u00e3o do stress; 2\u00aa) fornecer informa\u00e7\u00e3o sobre t\u00e9cnicas \u00a0de planeamento com a finalidade de gerir melhor o tempo: 3\u00aa) identifica\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento imediatos de problemas por parte dos profissionais; 4\u00aa) proporcionar op\u00e7\u00f5es de escolha (sistemas de apoio) para que em momentos de dificuldade o cuidador possa recorrer e buscar a ajuda necess\u00e1ria e sem demora.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 importante adequar a aplica\u00e7\u00e3o de qualquer programa as necessidades dos cuidadores. Uma das estrat\u00e9gia \u00e9 a de envolver as fam\u00edlias nos cuidados prestados ao n\u00edvel hospitalar, numa tentativa de capacita-las para a futura transfer\u00eancia do doente para o domic\u00edlio, facto j\u00e1 observado em muitas unidades de sa\u00fade. Porem \u00e9 imprescind\u00edvel tamb\u00e9m investimentos em pol\u00edticas de interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria onde os profissionais possam desenvolver planos de sa\u00fade de interesse das fam\u00edlias, onde o conjunto de ac\u00e7\u00f5es n\u00e3o foquem somente a pessoa dependente mais tamb\u00e9m o seu cuidador.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O cuidador familiar representa a base do cuidar no domic\u00edlio, pois apesar da pouca visibilidade \u00e9 ele que assegura a grande parte da assist\u00eancia a esse n\u00edvel. Estudos mostram que a grande maioria tem n\u00edvel educacional baixo, s\u00e3o do sexo feminino e que n\u00e3o recebem qualquer tipo de remunera\u00e7\u00e3o pelo que fazem. Os motivos que levam as pessoas a serem cuidadores familiares s\u00e3o o sentimento de obriga\u00e7\u00e3o e solidariedade, os factores hist\u00f3ricos e culturais \u00a0e o simples facto de n\u00e3o existir uma outra op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Existe uma tend\u00eancia cada vez maior para se transferir o cuidar para o domic\u00edlio responsabilizando assim as fam\u00edlias. Verifica-se que, em muitas ocasi\u00f5es, essa transfer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 acompanhada com a devida avalia\u00e7\u00e3o quanto as condi\u00e7\u00f5es dos familiares para que o recebimento do doente dependente \u00a0seja feito sem qualquer tipo de risco. Alguns estudos destacam a import\u00e2ncia das unidades hospitalares e outras \u00e0 n\u00edvel comunit\u00e1rio se organizarem no sentido de \u00a0planear melhor a transfer\u00eancia do doente para o domic\u00edlio e para o desenvolvimento de programas de forma\u00e7\u00e3o para cuidadores em diversas \u00e1reas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quanto aos apoios que devem ser disponibilizados pelas institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os sociais e de sa\u00fade para com os cuidadores destaca-se a necessidade de investimento em pol\u00edticas de interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria que garantam \u00a0a integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica dos cuidadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dentre as estrat\u00e9gias sugeridas verificou-se a forma\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o comunit\u00e1rio de al\u00edvio, onde o cuidador possa fazer pausas de descanso sempre que necessitar, o fornecimento de forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o suficiente e envolvimento dos familiares nos cuidados prestados a n\u00edvel hospitalar como medidas eficazes.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> Referenciais Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">MAROTE, A; CARMEM, M; LEODORO, S; PESTANA, V; &#8211; Realidade dos Cuidadores Informais de Idosos Dependentes da Regi\u00e3o Aut\u00f3noma da Madeira. Revista de Investiga\u00e7\u00e3o Sinais Vitais, n\u00ba 61, \u00a0Julho, Coimbra (2005) p.19-24 \u00a0ISSN 0872-0844.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">CONNEL, B e BAKER, L &#8211; Managing as carers of stroke survivors: strategies from the field. Journal of Nursing Practice. Oxford. 10, (2004) p. 121-126.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">CRESPO, M ; L\u00d3PEZ, J &#8211; Intervenciones \u00a0con cuidadores de familiares mayores dependientes: una revisi\u00f3n. Psicothema, vol 19 (2007). \u00a0AN 24805796, disponivel em <a href=\"http:\/\/web.ebscohost.com\/ehost\/results\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/web.ebscohost.com\/ehost\/results<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">RODRIGUES, P; APARECIDA, R; ANDRADE, O.G &#8211; Representaciones del cuidador familiar : Ante el anciano com ACV. Revista de Enfermaria, vol 22 n\u00ba6 (1999). ISSN : 0210-5020.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">CALDAS, C.P &#8211; Contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o da rede de cuidados: trabalhando com a fam\u00edlia do idoso portador de sindrome demencial. Revista de Enfermagem. UERJ, Rio de Janeiro, Vol 3, n\u00ba 2 (1995) dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.unati.uerj.br\/tse\/scielo.php?script\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.unati.uerj.br\/tse\/scielo.php?script<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">O.M.S- Declara\u00e7\u00e3o elaborada pelo Grupo de Trabalho da Qualidade de Vida \u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade. Dispon\u00edvel em URL: http:\/\/ <a href=\"http:\/\/www.ops.org.br\/publicacl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.ops.org.br\/publicacl<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PERA, I.P &#8211; El cuidador Familiar. Una Revisi\u00f3n sobre la necesidad del cuidado dom\u00e9stico y sus repercusiones en la familia. Revista de Enfermaria y Humanidades. Ed. Consejo de Enfermeria de la Comunidad Valenciana. (2000). Dep.Legal: A-3.210-2000.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MONIS, C; LOPES, G; CARVALHAS, J; MACHADO, S &#8211; Sobrecarga do Cuidador Informal. Revista de Forma\u00e7\u00e3o continuada de Enfermagem &#8211; Informar. Ano XI, n\u00ba 35, (2005) \u00a0Dep. legal n\u00ba 86 748\/95.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">COLLI\u00c9R\u00c8, Marie-Fran\u00e7oise &#8211; Promover a vida: da pr\u00e1tica das mulheres de virtude aos cuidados de enfermagem. 2\u00ba edi\u00e7\u00e3o Lisboa, Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas (1999).<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MARTINS, M.M.F.P.S &#8211; Uma crise Acidental na Fam\u00edlia. O Doente com AVC. Coimbra, edi\u00e7\u00e3o Formasau (2002). ISBN 972-8485-30-1.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">DRISCOLL. A &#8211; Managing post-discharge care at home: na analysis of patients&#8217; and \u00a0their carers&#8217; perceptions of information receiced during their stay in hospital. Journal of Advanced Nursing. (2000) Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/web.ebscohost.com\/ehost\/detail?vid\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/web.ebscohost.com\/ehost\/detail?vid<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MARTINS, M.M.S; &#8211; A Fam\u00edlia, um Suporte ao Cuidar. Revista sinais Vitais. 50, p.52 a 56. Coimbra (2003) ISSN 08728844.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando fala-se de cuidador familiar faz-se referencia a uma pessoa adulta, que realiza e proporciona as actividades de vida di\u00e1ria procurando minorar ou at\u00e9 mesmo suprir o deficit de auto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[394,396,397,395],"class_list":["post-699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-cuidador","tag-descricao","tag-familia","tag-invisibilidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=699"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2452,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/699\/revisions\/2452"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}