{"id":679,"date":"2007-08-05T15:33:53","date_gmt":"2007-08-05T15:33:53","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-pai-no-parto-e-a-educacao-para-a-saude\/"},"modified":"2021-04-28T15:53:04","modified_gmt":"2021-04-28T15:53:04","slug":"o-pai-no-parto-e-a-educacao-para-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-pai-no-parto-e-a-educacao-para-a-saude\/","title":{"rendered":"O Pai no Parto e a Educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Um casal em que o companheiro est\u00e1 envolvido activamente ao longo de toda a gesta\u00e7\u00e3o e motivado para desenvolver compet\u00eancias cognitivas e relacionais sobre gravidez e parto, ter\u00e1 maiores probabilidades de vivenciar essa experi\u00eancia de forma positiva.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A\u00a0 import\u00e2ncia\u00a0 da presen\u00e7a do acompanhante no parto \u00e9 amplamente reconhecida entre as comunidades cient\u00edficas da sa\u00fade,\u00a0 mais concretamente nas \u00e1reas da obstetr\u00edcia e da psicologia da sa\u00fade, advindo da\u00ed vantagens para a sa\u00fade do casal e do beb\u00e9, contudo a sua efectividade\u00a0 em termos de benef\u00edcios para\u00a0 a tr\u00edade (m\u00e3e\/pai\/beb\u00e9), pode ser avaliada sob muitos aspectos nomeadamente a prepara\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o dos casais para a parentalidade. O papel do homem como acompanhante e fonte de apoio da parturiente \u00e9 relativamente recente na nossa sociedade,\u00a0 para o qual questionamos se a maioria dos homens estar\u00e3o devidamente preparados e motivados face \u00e0s expectativas das companheiras e das equipas de sa\u00fade. Apresentamos algumas perspectivas sobre os sentimentos dos pais a este respeito, com base em revis\u00e3o de alguns estudos que t\u00eam sido desenvolvidos nos \u00faltimos anos e apontamos a educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade como factor facilitador da prepara\u00e7\u00e3o dos homens para apoiar a companheira no trabalho de parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 neste \u00e2mbito que temos por objectivos no presente trabalho:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Referir a import\u00e2ncia da presen\u00e7a do companheiro no trabalho de parto como fonte de apoio para a parturiente.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Reflectir sobre os eventuais sentimentos dos homens em situa\u00e7\u00e3o de acompanhamento do parto relacionando-os\u00a0 com alguma falta de informa\u00e7\u00e3o e envolvimento por parte destes.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Apontar a educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade na transi\u00e7\u00e3o para a parentalidade, como\u00a0 factor de efectividade no acompanhamento das parturientes por parte dos homens.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Sobre as Viv\u00eancias Hist\u00f3ricas do Parto na Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Na nossa civiliza\u00e7\u00e3o , historicamente o parto foi vivenciado como um evento feminino, acompanhado por membros do grupo social da parturiente, como a m\u00e3e, parentes, vizinhas e a parteira, que a auxiliavam durante o trabalho de parto. Ainda actualmente em muitas civiliza\u00e7\u00f5es a presen\u00e7a do pai no parto n\u00e3o \u00e9 habitual, havendo uma regra estrita segundo a qual ele deve manter-se afastado do local do parto(Kitzinger,1996). Em estudos antropol\u00f3gicos realizados pela referida autora, verifica-se que muitas sociedades atribuem ao pai um papel definido no parto, embora ele n\u00e3o esteja presente fisicamente. Por exemplo segundo o Cor\u00e3o um pai deve oferecer preces no momento do parto e em algumas sociedades primitivas o homem concentra-se na realiza\u00e7\u00e3o de ritos m\u00e1gicos para o bem estar da crian\u00e7a (Kitzinger,1996). O papel do pai no momento do parto, \u00e9 por assim dizer pouco definido e tem sofrido altera\u00e7\u00f5es sobretudo em fun\u00e7\u00e3o de valores culturais de uma determinada sociedade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entretanto, na Europa Ocidental a partir do sec.XVIII, o parto sofreu um processo de medicaliza\u00e7\u00e3o significativa, que atingiu as massas populares dos centros urbanos em meados do sec.XX. Esse processo de medicaliza\u00e7\u00e3o do parto, implicou uma mudan\u00e7a de paradigma da experi\u00eancia do parto, que deixou de ser sobretudo um evento feminino, dom\u00e9stico e fisiol\u00f3gico. Uma das perdas significativas ao longo dessa mudan\u00e7a do espa\u00e7o dom\u00e9stico para o espa\u00e7o institucional foi o acompanhamento familiar (Mota &amp; Crepaldi, 2005). Deste modo, muitas mulheres, em meados do sec.XX e at\u00e9 h\u00e1 relativamente pouco tempo atr\u00e1s, eram deixadas nas maternidades, entregues a si pr\u00f3prias e aos cuidados de equipas m\u00e9dicas e de enfermagem, num ambiente que lhes era completamente desconhecido e por vezes hostil, no decorrer de todo o trabalho de parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas mais recentemente e de forma progressiva, ap\u00f3s pesquisas de v\u00e1rios autores que se t\u00eam debru\u00e7ado sobre esta tem\u00e1tica, foi-se verificando que havia necessidade de acompanhamento e aten\u00e7\u00e3o por parte de uma pessoa significativa para a gr\u00e1vida,\u00a0 sendo frequente que essa pessoa actualmente seja o companheiro e pai do beb\u00e9.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>A Import\u00e2ncia do Acompanhamento da Parturiente e Sentimentos Paternos<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Para Costa, Figueiredo e Pacheco(2002) h\u00e1 estudos que evidenciam a import\u00e2ncia de uma pessoa significativa que proporcione apoio emocional, como um dos factores suscept\u00edveis de influenciar a experi\u00eancia de parto de uma mulher e consequentemente o seu funcionamento global como m\u00e3e e interac\u00e7\u00e3o com o beb\u00e9.<\/p>\n<p align=\"justify\">Klaus e Kennell (1992; cit. In Crepaldi e Mota,2005) referem que os benef\u00edcios do apoio dado \u00e0 mulher em trabalho de parto, v\u00eam sendo comprovados em pesquisas ao longo dos \u00faltimos trinta anos, as quais demonstram que parturientes que recebem apoio emocional apresentam resultados perinatais mais positivos. E ainda com base em v\u00e1rios estudos e em dados emp\u00edricos resultantes da nossa pr\u00e1tica, verificamos que para as mulheres a participa\u00e7\u00e3o do pai do b\u00e9b\u00e9 durante o parto significa fonte de apoio importante e que as parturientes avaliam a companhia dele de forma positiva, pois traz sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e conforto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado,\u00a0\u00a0 a legisla\u00e7\u00e3o vigente garante \u00e0 parturiente a possibilidade de permanecer acompanhada no trabalho de parto por algu\u00e9m da sua escolha, sendo na maioria das vezes o seu companheiro. Por tudo o que anteriormente referimos, sabemos que a parturiente considera a presen\u00e7a do seu companheiro uma importante refer\u00eancia emocional, mas torna-se necess\u00e1rio investigar o que pensam e sentem os homens sobre isso, porque o apoio emocional fornecido pelo companheiro, pode ser influenciado pela sua disponibilidade, motiva\u00e7\u00e3o e conhecimentos acerca do parto. \u00c9 necess\u00e1rio perceber que a integra\u00e7\u00e3o do homem no trabalho de parto com o objectivo de confortar e acompanhar a mulher, na nossa sociedade, constitu\u00ed um papel relativamente recente para ele,\u00a0 o que leva a questionarmos se ser\u00e1 claro para os homens\u00a0 o que a sua companheira e a pr\u00f3pria equipa de sa\u00fade espera deles no momento do parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com Davim e Menezes(2001) o parto constitu\u00ed para o homem um momento de intensas emo\u00e7\u00f5es, possibilitando a primeira aproxima\u00e7\u00e3o directa do pai com o filho sem intermedia\u00e7\u00f5es da mulher, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria durante a gesta\u00e7\u00e3o onde o feto est\u00e1 incorporado ao esquema corporal da m\u00e3e. No entanto, Abreu e Souza(1999; cit. in Davim &amp; Menezes, 2001) referem-nos que na nossa cultura pouco sabemos a respeito do pai, como tamb\u00e9m de seus sentimentos em rela\u00e7\u00e3o ao ciclo grav\u00eddico-puerperal da companheira. Esta opini\u00e3o vai de encontro ao que observamos na nossa pr\u00e1tica com casais em situa\u00e7\u00e3o de trabalho de parto, pois verifica-se que os comportamentos e sentimentos espressos\u00a0 por parte dos homens que acompanham o parto de suas companheiras \u00e9 muito diverso e por vezes evidencia muito desconhecimento sobre o trabalho de parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Num estudo levado a cabo num hospital de Londres em 2002 com cerca de 120 pais em que se tentou investigar os sentimentos dos pais durante a experi\u00eancia de trabalho de parto e parto comparando os seus sentimentos nos diferentes tipos de parto, concluiu-se que de uma forma geral estes pais tiveram uma experi\u00eancia positiva, embora os que acompanharam um parto normal (eut\u00f3cico) tivessem expressado mais sentimento de felicidade e menos ansiedade e considerassem a experi\u00eancia menos traum\u00e1tica do que os que acompanharam um parto dist\u00f3cico ou cesriana(Chan &amp; Paterson-Brown, 2002).No entanto, gostar\u00edamos de clarificar que estes resultados podem n\u00e3o traduzir a nossa realidade, uma vez que como veremos adiante isso pode estar relacionado com a prepara\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o dos pais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outros estudos evidenciam serem ainda muitos os homens que se sentem pouco \u00e0 vontade durante o trabalho de parto da sua companheira. De acordo com uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica efectuada por Crepaldi e Mota(2005) os homens tamb\u00e9m podem experimentar sensa\u00e7\u00e3o de medo, desconforto, frustra\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia diante da dor da sua companheira, e alguns relataram ainda que o trabalho de parto foi mais dific\u00edl e cansativo do que haviam imaginado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pesquisas de Chandler e Field(1997, cit. in Crepaldi Mota) mostraram que os homens sentem-se exclu\u00eddos do processo de nascimento, servindo apenas como provedores de apoio moral e de conforto. E os homens mencionam ainda haver falta de informa\u00e7\u00e3o por parte da equipa de sa\u00fade sobre o desenvolvimento do trabalho de parto, especificamente sobre o que acontece com a parturiente, bem como orienta\u00e7\u00f5es sobre como eles deveriam proceder. Os resultados obtidos t\u00eam vindo a confirmar o entendimento de que os homens t\u00eam que lidar com processos emocionais e psicol\u00f3gicos com o conhecimento (ou falta dele) sobre\u00a0 o parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Perante\u00a0 a evidencia de que o apoio do companheiro\/pai do beb\u00e9 \u00e9 extremamente importante para a parturiente e em ultima an\u00e1lise para a vincula\u00e7\u00e3o da tr\u00edade m\u00e3e\/pai\/rec\u00e9m-nascido, mas por outro lado haver a consci\u00eancia de que conhecemos pouco sobre as necessidades dos homens a esse respeito, consideramos muito importante a an\u00e1lise conjunta destes dois aspectos. Isto significa que devemos avaliar os sentimentos e as necessidades de informa\u00e7\u00e3o dos casais e concretamente\u00a0 dos homens sobre este assunto.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>A Educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade no Processo de Transi\u00e7\u00e3o Para a Parentalidade<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">De facto, a gravidez e o parto constituem um per\u00edodo na vida da mulher e do casal caracterizado por m\u00faltiplas altera\u00e7\u00f5es a n\u00edvel f\u00edsico, psico-emocional e social, que variam de pessoa para pessoa e de casal para casal,\u00a0 de acordo com uma multiplicidade de factores\u00a0 de car\u00e1cter social e familiar, psicol\u00f3gicos, culturais e outros, requerendo alguma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e implicando necessidade de apoio por parte da equipa de sa\u00fade, constituindo por isso um momento crucial em termos de necessidades de educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Redman(2003), idealmente a educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade pr\u00e9-natal deveria come\u00e7ar antes da gravidez, com aulas formais que se iniciariam antes da concep\u00e7\u00e3o estendendo-se at\u00e9 cerca de tr\u00eas meses ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 necess\u00e1rio informar e educar para uma mudan\u00e7a de paradigma em que o casal\u00a0 seja o principal protagonista da experi\u00eancia de parto, realizando escolhas cada vez mais conscientes. A op\u00e7\u00e3o de ter ou n\u00e3o acompanhamento por parte do companheiro no trabalho de parto, \u00e9 em primeira inst\u00e2ncia da parturiente sendo um direito da mesma, mas por outro lado, .n\u00e3o podemos pressionar os homens no momento do parto sem que estes estejam envolvidos ou preparados para tal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em pa\u00edses n\u00f3rdicos como a Su\u00e9cia as parteiras encorajam os pais a participar activamente\u00a0 no que acontece antes, durante e ap\u00f3s o nascimento (Hallgren, Kihlgren, Forslin &amp; Norberg, 1999), sendo mesmo algo enfatizado pela legisla\u00e7\u00e3o governamental sueca. Num estudo realizado nesse pa\u00eds Hallgren et al.(1999) referem-nos que os homens que estiveram\u00a0 envolvidos activamente na gesta\u00e7\u00e3o, com conhecimentos sobre prepara\u00e7\u00e3o para o parto orientados por parteiras, sentem que isso os ajudou a experimentar novas formas de cuidado \u00e0s suas companheiras e compreende-las melhor. Por isso torna-se muito importante desenvolver ac\u00e7\u00f5es com vista\u00a0 \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade neste aspecto, avaliando as necessidades das popula\u00e7\u00f5es e desenvolvendo programas de educa\u00e7\u00e3o e aconselhamento.<\/p>\n<p align=\"justify\">O envolvimento paterno pode variar ao longo da gesta\u00e7\u00e3o, de acordo com o desenvolvimento do feto, bem como as caractr\u00edsticas de cada pai. Contudo, e para Piccini, Silva, Gon\u00e7alves, , Lopes e Tudge(2004), \u201cnuma \u00faltima fase os homens vivenciam a gesta\u00e7\u00e3o como real e importante em suas vidas, conseguindo definir-se como pais (\u2026), isso normalmente ocorre no 3\u00ba trimestre de gravidez, quando o nascimento est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d(p.304).<\/p>\n<p align=\"justify\">Por isso, embora n\u00e3o seja s\u00f3 importante a prepara\u00e7\u00e3o para o nascimento de um filho no 3\u00ba trimestre de gravidez, \u00e9 contudo o que se torna mais frequente na nossa realidade e o per\u00edodo de maior receptividade sobretudo para os homens, pelo que devemos\u00a0 aproveitar esse momento de excel\u00eancia para trabalhar com o casal, no processo de educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade que normalmente designamos como prepara\u00e7\u00e3o para o parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">A prepara\u00e7\u00e3o para o parto \u00e9 definida como um programa de sess\u00f5es educacionais para mulheres gr\u00e1vidas e seus companheiros que encoraja a participa\u00e7\u00e3o activa no processo de parto Bobak( 1999, cit. in Couto, 2006).<\/p>\n<p align=\"justify\">Couto(2006),\u00a0 refere-nos que \u201ca prepara\u00e7\u00e3o para o parto com a ajuda de t\u00e9cnicas respirat\u00f3rias e outras, ajuda a reduzir e controlar a dor e o desconforto. Origina tamb\u00e9m, ao casal , uma oportunidade para o marido\/companheiro ajudar a sua mulher nessa experi\u00eancia \u00fanica. Por outro lado os benef\u00edcios para a sa\u00fade s\u00e3o imensos, indo desde partos mais breves, diminui\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o de medica\u00e7\u00e3o e anestesia at\u00e9 utiliza\u00e7\u00e3o diminuta ou abolida de instrumenta\u00e7\u00e3o no parto\u201d(p.196).<\/p>\n<p align=\"justify\">Seria no entanto interessante lembrar a prop\u00f3sito dos programas de prepara\u00e7\u00e3o para\u00a0 o parto, que embora esteja h\u00e1 bastante tempo prevista a sua exist\u00eancia no \u00e2mbito dos servi\u00e7os\u00a0 p\u00fablicos de sa\u00fade portugueses (Legisla\u00e7\u00e3o de protec\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade e paternidade, Lei n\u00ba 4\/84 de 5 de Abril, art.\u00ba7 ponto 4), na grande maioria das vezes n\u00e3o est\u00e3o devidamente implementados e por outro lado a legisla\u00e7\u00e3o vigente apenas prev\u00ea a dispensa da gr\u00e1vida para frequ\u00eancia da prepara\u00e7\u00e3o para o parto, n\u00e3o referindo nada sobre o direito de acompanhamento por parte do marido\/companheiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, podemos salientar que face \u00e0s evid\u00eancias da import\u00e2ncia de uma pessoa significativa para a parturiente, no decurso do trabalho de parto, hoje em dia s\u00e3o inquestion\u00e1veis os benef\u00edcios que da\u00ed poder\u00e3o advir para\u00a0 a sa\u00fade da mulher, do rec\u00e9m-nascido e em \u00faltima an\u00e1lise de toda a fam\u00edlia, mas existem na pr\u00e1tica muitas quest\u00f5es a ser trabalhadas, come\u00e7ando pela aplica\u00e7\u00e3o da nossa legisla\u00e7\u00e3o em vigor em mat\u00e9ria de cuidados de sa\u00fade!<\/p>\n<p align=\"justify\">Gostar\u00edamos de concluir que embora ao longo dos tempos sempre se tenha verificado a exist\u00eancia de fontes de apoio \u00e0 parturiente, actualmente face \u00e0s altera\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais na estrutura das fam\u00edlias esse apoio prov\u00e9m fundamentalmente dos homens (maridos\/companheiros). Desta altera\u00e7\u00e3o no papel do homem no processo de transi\u00e7\u00e3o para a parentalidade, resulta a necessidade de adapta\u00e7\u00f5es intra e interpessoais para as quais o homem e o casal necessitam de orienta\u00e7\u00e3o e apoio por parte da equipa de sa\u00fade. \u00c9 neste sentido que deveremos ser agentes dinamizadores de aprendizagens indo de encontro \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es e necessidades dos indiv\u00edduos , fam\u00edlias e comunidades atrav\u00e9s de programas de educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade pr\u00e9-natal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um casal em que o companheiro est\u00e1 envolvido activamente ao longo de toda a gesta\u00e7\u00e3o e motivado para desenvolver compet\u00eancias cognitivas e relacionais sobre gravidez e parto, ter\u00e1 maiores probabilidades de vivenciar essa experi\u00eancia de forma positiva. No entanto, relativamente aos pais que ainda est\u00e3o pouco envolvidos na gesta\u00e7\u00e3o de suas companheiras ou que estando envolvidos e motivados, revelam necessidade de conhecimentos sobre o assunto, os profissionais de sa\u00fade (m\u00e9dicos, enfermeiros, psic\u00f3logos e terapeutas) t\u00eam um papel crucial em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, tal como refere Redman(2003) \u201ca educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade \u00e9 uma pr\u00e1tica essencial de todos os profissionais de sa\u00fade\u201d(p. 3). Esse processo de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-natal deve iniciar-se preferencialmente desde a concep\u00e7\u00e3o, mas se tal n\u00e3o for poss\u00edvel, deveremos aproveitar o \u00faltimo trimestre (como per\u00edodo de grande receptividade) para trabalhar com os casais neste sentido, nos denominados programas de prepara\u00e7\u00e3o para o parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Chan, K. K. L. &amp; Paterson-Brown, S.(2002). How do fathers feel after accompanying their partners in labour and delivery?. Journal of Obstetrics and Gynaecology, vol22(1), 11-15.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Couto, G. R.(2006). Conceptualiza\u00e7\u00e3o pelas enfermeiras de prepara\u00e7\u00e3o para o parto:\u00a0 extra\u00eddo de tese de doutoramento em ci\u00eancias de enfermagem da Universidade do Porto. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 9(6), 62-68. Consultado em 9 de Dezembro de 2006, em <a href=\"http:\/\/www.eerp.usp.br\/riae\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.eerp.usp.br\/riae<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Costa, R., Figueiredo, B. &amp; Pacheco, A.(2002). Experi\u00eancia de Parto:\u00a0 Alguns factores e consequ\u00eancias associadas. An\u00e1lise Psicol\u00f3gica, 2(XX), 203-217.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Crepaldi, M. A. &amp; Mota, C. C. L. (2005). O pai no Parto e o Apoio Emocional. Paid\u00e9ia Cadernos de psicologia e Educa\u00e7\u00e3o, vol.15(30), 2-16.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Davin, R. M. B. &amp; Menezes, R. M. P.(2001) Assist\u00eancia ao parto normal no domic\u00edlio. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 9(6), 62-68.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Hallgren, A., Kihlgren, M., Forslin, L. &amp; Norberg, A.(1999). Swedish father\u2019s involvement in an experiences of childbirth preparation and childbirth. Midwifery, vol.15, Issue 1, 6-15.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Piccnini, C. A., Silva, M. R. , Gon\u00e7alves, R.T., Lopes, R. S. &amp; Tudge, J.(2004), O envolvimento paterno durante a gesta\u00e7\u00e3o. Psicologia, Reflex\u00e3o e Cr\u00edtica, vol.17(003), 303-314.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Redman, B. K. (2003). A Pr\u00e1tica da Educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade. Loures: Lusoci\u00eancia p.171<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Kitzinger, S.(1996), M\u00e3es: Um Estudo Antropol\u00f3gico da Maternidade. Lisboa: Editorial Presen\u00e7a, 2\u00aa ed.,\u00a0 pp.107-108.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um casal em que o companheiro est\u00e1 envolvido activamente ao longo de toda a gesta\u00e7\u00e3o e motivado para desenvolver compet\u00eancias cognitivas e relacionais sobre gravidez e parto, ter\u00e1 maiores probabilidades [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[377,376,374,231,375],"class_list":["post-679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-acompanhante","tag-educacao-saude","tag-pai","tag-parto","tag-paternidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=679"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2455,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/679\/revisions\/2455"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}