{"id":623,"date":"2007-05-01T22:15:25","date_gmt":"2007-05-01T22:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/estudo-psicometrico-de-uma-escala-de-avaliacao-das-alteracoes-psico-emocionais-do-puerperio-eaapp\/"},"modified":"2021-05-04T10:11:19","modified_gmt":"2021-05-04T10:11:19","slug":"estudo-psicometrico-de-uma-escala-de-avaliacao-das-alteracoes-psico-emocionais-do-puerperio-eaapp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/estudo-psicometrico-de-uma-escala-de-avaliacao-das-alteracoes-psico-emocionais-do-puerperio-eaapp\/","title":{"rendered":"Estudo Psicom\u00e9trico de uma Escala de Avalia\u00e7\u00e3o das Altera\u00e7\u00f5es Psico-Emocionais do Puerp\u00e9rio (EAAPP)"},"content":{"rendered":"<p>O presente instrumento revelou qualidades psicom\u00e9tricas satisfat\u00f3rias, tornando-se num instrumento bastante fi\u00e1vel e consistente para detectar mulheres que vivem altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais severos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em> Nursing n\u00ba 220<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">As altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do p\u00f3s-parto resultam de um fen\u00f3meno reconhecido como Blues p\u00f3s-parto, que apesar de ser considerado um estado depressivo benigno e transit\u00f3rio pode, nalguns casos, apresentar formas mais gravosas que, de acordo com a literatura, sinalizam uma depress\u00e3o gravidica (Althusser; et al, 1989; Chung, et al, 2001) ou antecipam uma depress\u00e3o p\u00f3s-parto (Hensaw, 2003; Beck, Reynolds &amp; Rutowski, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Com o objectivo de detectar entre o 4.\u00ba e o 10.\u00ba dia estas formas mais severas, foi desenvolvida uma escala designada como de Avalia\u00e7\u00e3o das Altera\u00e7\u00f5es Psico-emocionais do Puerp\u00e9rio (EAAPP).<\/p>\n<p align=\"justify\">A Escala, inicialmente constitu\u00edda por 54 itens, foi administrada a 236 pu\u00e9rperas internadas na Unidade de Internamento de Obstetr\u00edcia do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio EPE no momento da alta hospitalar. A an\u00e1lise dos resultados incidiu no estudo da homogeneidade dos itens atrav\u00e9s do alpha de Cronbach, determina\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o item-total e na determina\u00e7\u00e3o das sub-escalas atrav\u00e9s da an\u00e1lise factorial de componentes principais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s tratamento estat\u00edstico destacaram-se tr\u00eas sub-escalas reconhecidas por ansiedade (8 itens), sentimentos depressivos (4 itens) e preocupa\u00e7\u00e3o (4 itens) perfazendo uma escala final constitu\u00edda por 16 itens com elevada consist\u00eancia interna com um alpha de 0,922 e com 50,434 % do total da vari\u00e2ncia explicada.<\/p>\n<p align=\"justify\">O presente instrumento revelou qualidades psicom\u00e9tricas satisfat\u00f3rias, tornando-se num instrumento bastante fi\u00e1vel e consistente para detectar mulheres que vivem altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais severos. \u00c9 constitu\u00eddo por quest\u00f5es de f\u00e1cil compreens\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o f\u00e1cil e r\u00e1pida, tornando-se num instrumento de Screening eficaz. Por conseguinte, esta escala reflecte a avalia\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais percepcionado pelas mulheres durante o puerp\u00e9rio, permitindo compreender melhor os seus sentimentos nesta fase do ciclo das suas vidas; tais informa\u00e7\u00f5es que podem ser de grande utilidade na pr\u00e1tica da enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s o parto a mulher depara-se com um conjunto de modifica\u00e7\u00f5es que operam a v\u00e1rios n\u00edveis &#8211; biol\u00f3gico, psicol\u00f3gico e social \u2013 que a confrontam com a necessidade de viver adapta\u00e7\u00f5es que a tornam mais vulner\u00e1vel ao equil\u00edbrio psicol\u00f3gico, mas que podem contribuir para a aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias psicol\u00f3gicas e sociais, caso a mulher resolver de forma positiva os desafios desta nova fase do seu ciclo de vida (Figueiredo, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com a autora supracitada, no que diz respeito aos aspectos biol\u00f3gicos, o corpo da mulher muda abruptamente ap\u00f3s o parto devido a altera\u00e7\u00f5es hormonais. A n\u00edvel psicol\u00f3gico, a mulher vive um conjunto de mudan\u00e7as que se observam no que se refere \u00e0 autonomia &#8211; a mulher passa a ter a seu cargo um beb\u00e9 &#8211; e \u00e0 identidade materna emergente no quadro da sua identidade pessoal. A n\u00edvel conjugal a mulher dever\u00e1 conciliar o novo papel parental com a vida de casal sexuado.<\/p>\n<p align=\"justify\">A investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre as altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio imediato (Maternity Blues) iniciou-se nos anos cinquenta (Henshaw, 2003). Este estado foi descrito como \u201ca trivial fleeting disorders (Pitt, 1973, p.431), \u201cbrief and benign and therefore not a serious problem in clinical pratice\u201d (Kennerley &amp; Gath, 1989, p.367) \u201cwithout pathological significance\u201d (Lucas, 1994, p.257). A primeira descri\u00e7\u00e3o detalhada do Blues p\u00f3s-parto foi fornecida por Moloney (1952) que a descreveu como uma reac\u00e7\u00e3o depressiva que envolve fadiga, receio e dificuldades cognitivas, denominando-a de \u201cthird day depression\u201d. Em 1962 Hamilton entrevistou dez enfermeiras com experi\u00eancia nos cuidados \u00e0s m\u00e3es na maternidade, que alegaram que se deparavam, frequentemente, com um s\u00edndrome que envolvia fadiga, choro, ansiedade, confus\u00e3o e cefaleias que afectavam a maioria das m\u00e3es (Henshaw, 2003).<\/p>\n<p align=\"justify\">O Blues p\u00f3s-parto \u00e9 um fen\u00f3meno inter-cultural e caracteriza-se por um estado depressivo transit\u00f3rio que ocorre entre o 3\u00ba e o 10\u00ba dia ap\u00f3s o parto que pode afectar entre 50 a 80% das mulheres que deram \u00e0 luz (Henshaw, 2003; Rond\u00f3n, 2003; Figueiredo, 2001; Nagata, et al, 2000; Sakumoto, Masamoto &amp; Kanazawa, 2002; Bobak, et al, 1999). Este estado engloba sentimentos de labilidade emocional, confus\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es cognitivas, ansiedade, tens\u00e3o (Henshaw, 2003; Nagata, et al, 2000), disforia, choro, irritabilidade, ins\u00f3nia, perda do apetite e fadiga (Rond\u00f3n, 2003; Sakumoto, Masamoto &amp; Kanazawa, 2002; Lana, 2001; Figueiredo, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">Estudos emp\u00edrico revelam que por volta do 3\u00ba ou 4\u00ba dia ap\u00f3s o parto, uma percentagem significativa de mulheres sentem-se mal f\u00edsica e psicologicamente, tanto exaltam de alegria e de energia, como de repente choram, aparentemente sem motivo, exibem elevada preocupa\u00e7\u00e3o com o beb\u00e9, podem ter dificuldade em amamentar e em cuidar do seu rec\u00e9m-nascido, mostram ansiedade e tens\u00e3o, que pode chegar \u00e0 irritabilidade e hostilidade para com os outros (Figueiredo, 2001; Lana, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">O fen\u00f3meno em quest\u00e3o resulta de altera\u00e7\u00f5es hormonais do p\u00f3s-parto e de factores psicossociais (Lana, 2001; Figueiredo, 2001; Glangeaud-Freudenthal, Crost &amp; Kaminski, 1999). A n\u00edvel hormonal sucede-se uma diminui\u00e7\u00e3o significativa nos valores de progesterona e de estrog\u00e9nio que foram, progressivamente, aumentando durante a gravidez, assim como verifica-se um aumento brusco nos valores de prolactina que permite a produ\u00e7\u00e3o do leite materno.<\/p>\n<p align=\"justify\">Est\u00e1 demonstrado, tamb\u00e9m, que as mulheres com hist\u00f3ria anterior de tens\u00e3o pr\u00e9-menstrual est\u00e3o em maior risco de desenvolver Blues p\u00f3s-parto, uma vez que apresentam maior vulnerabilidade emocional ao impacto decorrente das varia\u00e7\u00f5es hormonais, manifestando igual sintomatologia perante iguais varia\u00e7\u00f5es hormonais, como seja na sequ\u00eancia do parto ou durante a menopausa (Henshaw, 2003; Figueiredo, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">A n\u00edvel psicol\u00f3gico, estudos sugerem que certas caracter\u00edsticas da personalidade, como a ansiedade, neuroticismo e estrat\u00e9gias passivas de coping, assim como a presen\u00e7a de problemas emocionais durante a gravidez, reac\u00e7\u00f5es negativas \u00e0 apar\u00eancia f\u00edsica do beb\u00e9 e dificuldades emocionais em lidar com o rec\u00e9m-nascido, colocam as m\u00e3es em maior risco de desenvolver Blues p\u00f3s-parto (Figueiredo, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">No que concerne aos factores psicossociais, v\u00e1rios estudos t\u00eam revelado que n\u00e3o existe qualquer rela\u00e7\u00e3o entre o Blues p\u00f3s-parto com a classe social e com as vari\u00e1veis s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas (Henshaw, 2003; Glangeaud-Freudenthal, Crost &amp; Kaminski, 1999). No entanto investiga\u00e7\u00f5es provaram que o Blues p\u00f3s-parto \u00e9 mais comum nas mulheres que s\u00e3o m\u00e3es pela primeira vez, em situa\u00e7\u00f5es de partos dif\u00edceis, cesarianas, falta de experi\u00eancia nos cuidados ao rec\u00e9m-nascido e alimenta\u00e7\u00e3o dos beb\u00e9s com substitutos do leite materno (Henshaw, 2003).<\/p>\n<p align=\"justify\">Pitt (1973) encontrou uma associa\u00e7\u00e3o entre o Blues p\u00f3s-parto e a dificuldade em amamentar. As mulheres que apresentaram n\u00edveis de Blues p\u00f3s-parto mais elevados eram as que tinham maior tend\u00eancia para alimentar os seus beb\u00e9s com substitutos do leite materno, uma vez que demonstram mais dificuldades em amamentar. Em concord\u00e2ncia est\u00e3o as investiga\u00e7\u00f5es desenvolvidas por Glangeaud-Freudenthal, Crost e Kaminski (1999) que demonstraram que as mulheres que amamentavam manifestavam n\u00edveis de Blues p\u00f3s-parto mais elevados comparativamente com as mulheres que recusaram amamentar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Levy e B\u00e9rtolo (2002) explicam que sentimentos desagrad\u00e1veis como a dor, preocupa\u00e7\u00e3o, d\u00favidas, ansiedade e stress podem dificultar ou bloquear o reflexo da ocitocina, a hormona que \u00e9 respons\u00e1vel pela descida do leite durante a mamada.<\/p>\n<p align=\"justify\">As mulheres que manifestam aspectos positivos das suas vidas nos \u00faltimos tr\u00eas anos est\u00e3o em menor risco de desenvolver Blues p\u00f3s-parto. Contudo as mulheres que apresentam Blues p\u00f3s-parto severos podem ser mais sens\u00edveis aos acontecimentos negativos das suas experi\u00eancias de vida, e menos atentas aos aspectos positivos das suas vidas (Glangeaud-Freudenthal, Crost &amp; Kaminski, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Estudos realizados por Glangeaud-Freudenthal, Crost e Kaminski (1999) e por Murata, et al (1998) revelaram que as mulheres que apresentaram n\u00edveis de Blues p\u00f3s-parto mais elevados, apresentam menos apoio social e suporte por parte da fam\u00edlia (c\u00f4njuges e m\u00e3es) na primeira semana ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Torna-se importante considerar que, apesar de estudos emp\u00edricos apontarem que as mulheres que manifestam Blues p\u00f3s-parto mais severos ou mais prolongados encontram-se em maior risco de desenvolver depress\u00e3o p\u00f3s-parto (Henshaw, 2003; Beck, Reynolds &amp; Rutowski, 1992; May, et al, 2000; Figueiredo, 2001; Glangeaud-Freudenthal, Crost &amp; Kaminski, 1999), estas altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais t\u00eam, marcadamente, um car\u00e1cter benigno e transit\u00f3rio, ocorrendo em mulheres saud\u00e1veis tanto a n\u00edvel f\u00edsico como psicol\u00f3gico. De acordo com Figueiredo (2001) o Blues p\u00f3s-parto, pode ser, ali\u00e1s, uma resposta emocional adequada, facilitando a aproxima\u00e7\u00e3o da m\u00e3e ao beb\u00e9 ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sabendo que este \u00e9 um fen\u00f3meno inter-cultural com preval\u00eancia elevada, torna-se imprescind\u00edvel apostar na investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica dentro desta tem\u00e1tica com o objectivo de intervir de encontro \u00e0s necessidades das mulheres que se encontram em maior risco de desenvolver ou que apresentam Blues p\u00f3s-parto, contribuindo para o bem-estar e sa\u00fade mental das mulheres, beb\u00e9, c\u00f4njuge e fam\u00edlia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os profissionais de enfermagem estabelecem uma importante rela\u00e7\u00e3o com as mulheres no p\u00f3s-parto, possuindo, assim, importantes \u201cferramentas\u201d para estabelecer rela\u00e7\u00f5es de ajuda com as mulheres que manifestam mais necessidades de informa\u00e7\u00e3o, no que concerne aos cuidados e exig\u00eancias do rec\u00e9m-nascido, e que necessitam de maior apoio psicol\u00f3gico e emocional neste momento de suas vidas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>APRESENTA\u00c7\u00c3O DO INSTRUMENTO DE AVALIA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Constru\u00e7\u00e3o da escala<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A Escala de Avalia\u00e7\u00e3o das Altera\u00e7\u00f5es Psico-emocionais do Puerp\u00e9rio (EAAPP) foi constru\u00edda depois de uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica saturada do construto Blues p\u00f3s-parto e, depois de definidas as suas dimens\u00f5es constitutivas (sub-escalas), permitindo a formula\u00e7\u00e3o dos diferentes itens que as avaliavam.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o do instrumento<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O instrumento que se apresenta foi constru\u00eddo com o objectivo de avaliar as altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio percepcionadas pelas pu\u00e9rperas de modo a despertar os profissionais de sa\u00fade para uma interven\u00e7\u00e3o mais personalizada no que diz respeito \u00e0s necessidades das utentes detectadas, proporcionando-lhes um maior apoio psico-emocional e ajudando-as a adaptar-se ao processo da maternidade com sucesso.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Popula\u00e7\u00e3o e Amostra<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Sabendo que a popula\u00e7\u00e3o alvo s\u00e3o as pu\u00e9rperas e tendo como objectivo validar o instrumento constru\u00eddo, procedemos \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da escala a uma amostra de pu\u00e9rperas internadas na Unidade de Internamento de Obstetr\u00edcia do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio EPE no momento da alta hospitalar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A amostra foi constitu\u00edda por 236 pu\u00e9rperas com idades compreendidas entre os 15 e os 46 anos, em que a m\u00e9dia de idades \u00e9 de 29,7.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Procedimentos \u00e9ticos<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Para aplica\u00e7\u00e3o do instrumento foi realizado um requerimento com pedido de autoriza\u00e7\u00e3o por escrito \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o para aplica\u00e7\u00e3o do instrumento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aquando da entrega do instrumento para colheita de dados as participantes de estudo foram devidamente informadas sobre o objectivo da investiga\u00e7\u00e3o e participaram apenas as que se demonstraram interessadas em cooperar no estudo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O estudo da homogeneidade dos itens foi realizado atrav\u00e9s dos seguintes passos:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Determina\u00e7\u00e3o do coeficiente de alpha de Cronbach;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Determina\u00e7\u00e3o do coeficiente de alpha de Cronbach para o conjunto da escala ap\u00f3s irem sendo extra\u00eddos, um a um, os diferentes itens;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Determina\u00e7\u00e3o de correla\u00e7\u00f5es para o conjunto da escala ap\u00f3s irem sendo extra\u00eddos, um a um, os v\u00e1rios itens.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">As dimens\u00f5es da EAAPP foram detectadas atrav\u00e9s da determina\u00e7\u00e3o de uma an\u00e1lise factorial de componentes principais, seguida de uma rota\u00e7\u00e3o ortogonal de tipo varimax com normaliza\u00e7\u00e3o de Kaiser.<\/p>\n<p align=\"justify\">Atrav\u00e9s da determina\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o item-total e da an\u00e1lise factorial de componentes principais foi exclu\u00eddo um n\u00famero significativo de itens (38 itens), ficando a escala final com 16 itens.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>DADOS PSICOM\u00c9TRICOS<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>An\u00e1lise dos itens<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">No processo de selec\u00e7\u00e3o dos itens para a constru\u00e7\u00e3o da escala final determinamos a correla\u00e7\u00e3o item-total com o objectivo de permitir uma melhor avalia\u00e7\u00e3o da vari\u00e1vel em estudo e seguimos os princ\u00edpios de Hill e Hill (2002) que alegam que dever\u00e1 existir uma correla\u00e7\u00e3o relativamente forte, compreendida entre 0.4 e 0.7, entre cada item e o total e esta correla\u00e7\u00e3o deve ser estatisticamente significativa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sendo assim e sabendo que uma correla\u00e7\u00e3o superior a 0.5 \u00e9 considerado j\u00e1 bastante elevada e significativa, procedemos \u00e0 selec\u00e7\u00e3o dos itens com valores correlacionais superiores a 0.5.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em conformidade est\u00e3o os dados que em seguida se apresentam e que dizem respeito \u00e0 escala j\u00e1 com os 16 itens (ver Quadro 1).<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Estudos relativos \u00e0 validade<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Antes de proceder \u00e0 an\u00e1lise factorial seguimos a linha de Pestana e Gageiro (2003) que alegam que para se poder aplicar o modelo factorial deve de existir uma correla\u00e7\u00e3o entre as vari\u00e1veis. Para tal conhecimento \u00e9 essencial aplicar o teste KMO que se apresentar um valor superior a 0.3 mostra que existe uma correla\u00e7\u00e3o entre vari\u00e1veis e quanto maior a aproxima\u00e7\u00e3o a 1, maior a correla\u00e7\u00e3o. Este estudo, por sua vez, revela que tem uma correla\u00e7\u00e3o muito boa entre as vari\u00e1veis, por apresentar um valor de KMO de 0,919, sendo, assim, poss\u00edvel realizar-se a an\u00e1lise factorial.<\/p>\n<p align=\"justify\">A realiza\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise factorial \u00e9 importante para analisar se as estruturas factoriais, na avalia\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es em estudo, apresentam agrupamentos que nos permitam seleccionar os itens que possam constituir o instrumento de medida das vari\u00e1veis em estudo, ou seja, a an\u00e1lise factorial analisa as correla\u00e7\u00f5es entre os itens para verificar se esses itens medem uma ou mais vari\u00e1veis latentes (Pestana &amp; Gageiro, 2003; Hill &amp; Hill, 2002).<\/p>\n<p align=\"justify\">Posto isto realiz\u00e1mos a an\u00e1lise factorial de componentes principais, seguida de uma rota\u00e7\u00e3o ortogonal de tipo varimax, onde se destacaram 3 dimens\u00f5es que constituem 50.4% do total de percentagem de vari\u00e2ncia explicada obtida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os tr\u00eas factores podem ser observadas no quadro 2 onde \u00e9 analisada a estrutura factorial da EAAPP.<\/p>\n<p align=\"justify\">O factor 1, reconhecido como a dimens\u00e3o Ansiedadesatura 8 itens (6, 7, 13, 20, 28, 40, 41, 46) e apresenta um alpha de 0,876.<\/p>\n<p align=\"justify\">O factor 2 reconhecido como a sub-escala Sentimentos depressivos satura 4 itens (11, 25, 36, 37) e apresenta um alpha de 0,836, contudo apesar de o item 25 apresentar uma correla\u00e7\u00e3o de 0,431 acabou por ser inclu\u00eddo, uma vez que melhora a consist\u00eancia interna desta dimens\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O factor 3 denominado por Preocupa\u00e7\u00e3o engloba 4 itens (14, 29, 30, 39) e revela um alpha de 0,831.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os restantes itens foram eliminados, uma vez que saturavam factores que demonstraram pouco destaque e interesse na valida\u00e7\u00e3o final da escala.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Estudos no \u00e2mbito da precis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com Jesus (1996) para se estimar a consist\u00eancia interna recorre-se ao alpha de Cronbach que \u00e9 o m\u00e9todo mais adequado da an\u00e1lise das escalas do tipo Likert, sendo poss\u00edvel verificar-se qual o grau de homogeneidade existente entre as respostas dos diversos itens que comp\u00f5em a escala.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Hill e Hill (2002) e Pestana e Gageiro (2003) o coeficiente de alpha s\u00f3 \u00e9 aceit\u00e1vel acima de 0.6. A EAAPP revelou um alpha muito bom de 0,922 para o total da escala alterada com 16 itens seleccionados.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Contextos, tempo de aplica\u00e7\u00e3o e procedimentos de cota\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A EAAPP foi constru\u00edda para ser aplicada individualmente, necessitando apenas de cerca de 10 minutos no m\u00e1ximo para finalizar o seu preenchimento, dependendo do ano de escolaridade das pu\u00e9rperas. O melhor momento para aplicar o instrumento para recolha de dados \u00e9 entre o 4.\u00ba e o 10.\u00ba dia do p\u00f3s-parto, per\u00edodo em que o blues p\u00f3s-parto se desenvolve mais frequentemente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Cada item \u00e9 cotado numa escala de tipo Likert de 1 a 6 pontos, sendo a varia\u00e7\u00e3o total entre 16 e 96 pontos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Par\u00e2metros poss\u00edveis de interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com Snyder et al (1996) a extrac\u00e7\u00e3o de vari\u00e2ncias de 40 a 50% reflectem uma estrutura de factor do impacto substancial das escalas de auto-resposta, logo dever-se-\u00e3o considerar importantes as informa\u00e7\u00f5es recolhidas pela EAAPP porque apresenta 50.4% do total de percentagem de vari\u00e2ncia explicada.<\/p>\n<p align=\"justify\">A interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados deve ir no sentido de que quanto maior a pontua\u00e7\u00e3o, mais elevados s\u00e3o os n\u00edveis de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio percepcionados pelas pu\u00e9rperas (ver Quadro 3).<\/p>\n<p align=\"justify\">O presente estudo permitiu-nos verificar que apenas 8% das participantes revelaram n\u00edveis de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais moderados e que 92%, a grande maioria, n\u00e3o revelam n\u00edveis de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais significativos. Estes resultados v\u00eam demonstrar que o momento de aplica\u00e7\u00e3o da escala n\u00e3o \u00e9 o mais adequado, uma vez que esta foi administrada, maioritariamente entre o 2.\u00ba e o 4.\u00ba dia do p\u00f3s-parto, e tendo em conta que o blues p\u00f3s-parto desenvolve-se, principalmente, entre o 3.\u00ba e o 10.\u00ba dia ap\u00f3s o parto e ap\u00f3s a alta hospitalar em que as mulheres sentem-se, muitas vezes desapoiadas e com excesso de fadiga devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do seu padr\u00e3o do sono e dos diversos cuidados que um rec\u00e9m-nascido necessita vinte e quatro horas por dia, torna-se evidente que o momento ideal para aplicar a escala em quest\u00e3o seria durante as visitas domicili\u00e1rias da equipa de enfermagem no p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, o facto de a maternidade ser culturalmente aceite como um momento positivo e agrad\u00e1vel, muitas das mulheres acabam por se sentirem culpadas caso sintam estas altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais, uma vez que para as mesmas n\u00e3o existem motivos para que se sintam assim, uma vez que o parto correu bem e que t\u00eam um beb\u00e9 lindo e saud\u00e1vel, situa\u00e7\u00e3o esta que acaba por condicionar as suas respostas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>AN\u00c1LISE CR\u00cdTICA<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A investiga\u00e7\u00e3o que aqui se apresenta permite-nos verificar que a EAAPP constitui um instrumento adequado para avaliar as altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio, uma vez que possui uma elevada consist\u00eancia interna e apresenta caracter\u00edsticas psicom\u00e9tricas satisfat\u00f3rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">As quest\u00f5es s\u00e3o de f\u00e1cil compreens\u00e3o e as op\u00e7\u00f5es de resposta adequadas. A sua administra\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e r\u00e1pida, necessitando-se apenas de um l\u00e1pis e respectiva folha para a sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, durante a valida\u00e7\u00e3o deste instrumento, confrontamo-nos com uma limita\u00e7\u00e3o no que concerne ao momento de aplica\u00e7\u00e3o da escala em que se verificou atrav\u00e9s dos resultados obtidos que o momento ideal para aplicar a escala em quest\u00e3o ser\u00e1 durante as visitas domicili\u00e1rias da equipa de enfermagem no p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Constatou-se que a EAAPP revelou ser um instrumento de Screening eficaz para a detec\u00e7\u00e3o de n\u00edveis elevados de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio numa popula\u00e7\u00e3o de pu\u00e9rperas que necessitem de mais apoio e de uma maior disponibilidade por parte dos profissionais de sa\u00fade, nomeadamente, os profissionais de enfermagem que s\u00e3o, por excel\u00eancia, os profissionais que se encontram mais directamente confrontados com as necessidades de informa\u00e7\u00e3o, apoio e rela\u00e7\u00e3o ajuda das utentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sabendo que est\u00e1 demonstrado, empiricamente, que n\u00edveis severos de blues p\u00f3s-parto poder\u00e3o ser um factor de risco para o desenvolvimento da depress\u00e3o p\u00f3s-parto, este instrumento poder\u00e1 ter um importante papel na preven\u00e7\u00e3o e na detec\u00e7\u00e3o precoce da patologia em quest\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, e tendo em conta que v\u00e1rios estudos t\u00eam demonstrado que o sucesso da amamenta\u00e7\u00e3o poder\u00e1 estar relacionado negativamente com o desenvolvimento de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio, esta escala poder\u00e1 ser importante para que o enfermeiro tenha em conta este facto com o objectivo de promover o sucesso do aleitamento materno nas mulheres que revelam n\u00edveis de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais mais elevados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deste modo pretendemos desenvolver, no futuro, um estudo transversal, em que se pretende compreender a rela\u00e7\u00e3o entre o sucesso do aleitamento e as altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio e a rela\u00e7\u00e3o do suporte social com estas duas vari\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">ALTSHULER, L.; HENDRICK, V. &amp; COHEN, L. &#8211; \u201cCourse of mood and anxiety disorders during pregnancy and the postpartum period\u201d. Journal of Clinical Psychiatry. 1998. 59, 29-33.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">BECK, C.; REYNOLDS, M. &amp; RUTOWSKI, P. &#8211; \u201cMaternity Blues and Postpartum Depression\u201d. Journal of Obstetric, Gynecologic and Neonatal Nursing, 1992 (n.\u00ba 21, vol.4), p. 287-293.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">BOBAK, I., et al. &#8211; Enfermagem na Maternidade. Loures: Lusoci\u00eancia, 1999.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">CHUNG, T.; LAU, T.; YIP, A.; CHIU, H. &amp; LEE, D. \u2013 \u201cAntepartum depressive symptomatology is associated with adverse obstetric and neonatal outcomes\u201d. Psychosomatic Medicine. 2001. 63, 830-834.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">FIGUEIREDO, B. &#8211; \u201cPerturba\u00e7\u00f5es Psicopatol\u00f3gicas do Puerp\u00e9rio\u201d. In CANAVARRO, M. Psicologia da Gravidez e da Maternidade. Coimbra: Quarteto, 2001.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">GLANGEAUD-FREUDENTHAL, C.; CROST, M. &amp; KAMINSKI, M. &#8211; \u201cSevere post-delivery blues: associated factors\u201d. Archives of Women\u2019s Mental Health., 1999,(n.\u00ba 2), p. 37-44.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HENSHAW, C. \u2013 \u201cMood disturbance in the early puerperium: a review\u201d. Archives of Women\u2019s Mental Health, 2003, (n.\u00ba 6), p. 33-42.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HILL, A. &amp; HILL, M. \u2013 Investiga\u00e7\u00e3o por question\u00e1rio. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es Silabo, 2002.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">JESUS, S. \u2013 \u201cA motiva\u00e7\u00e3o para a profiss\u00e3o docente\u201d. Colec\u00e7\u00e3o Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Humano. Aveiro: Estante Editora, 1996.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">KENNERLEY, H. &amp; GATH, D. \u2013 \u201cMaternity Blues III: associations with obstetric, psychological and psychiatric factors\u201d. Br. Journal of Psychiaty. 1989. 155, 367-373.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">LEVY L. &amp; B\u00c9RTOLO M. &#8211; Manual de Aleitamento Materno. Comit\u00e9 Portugu\u00eas para a UNICEF\/Comiss\u00e3o Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Beb\u00e9s, 2002.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">LUCAS, R. \u2013 \u201cPuerperal Psychosis: vulnerability and aftermath\u201d. Psychoanalytic Psychotherapy. 1994. 8, 257-272.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MAY, et al (2000). &#8211; \u201cMaternity Blues and Postnatal in Low Risk Mothers\u201d. Hong Kong Journal of Gynaecology Obstetrics and Midwifery. 2000 (n.\u00ba 1), p. 40-46.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MURATA, A.; NADAOKA, T.; MORIOKA, Y.; OIJI, A.; SAITO, H. \u2013 \u201cPrevalence and background factors of maternity blues.\u201d Gynaecologic and Obstetric Investigation. 1998. 46, 99-104.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">NAGATA, M.; NAGAI, Y.; SOBAJIMA, H.; ANDO, T.; NISHIDE, Y &amp; HONJO, S. \u2013 \u201cMaternity blues and attachment to children in mothers of full-term normal infants\u201d. Acta Psychiatrica Scandinavia. 2000, (n.\u00ba 101), p. 209-217.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PESTANA &amp; GAGEIRO \u2013 An\u00e1lise de dados para ci\u00eancias sociais: a complementaridade o SPSS. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es S\u00edlabo, 2003.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PITT, B. &#8211; \u201cMaternity Blues\u201d. Br Journal of Psychiatry. 1973, (n.\u00ba 122), p. 431-433.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">ROND\u00d3N, M. \u2013 \u201cMaternity Blues Cross-Cultural Variations and Emotional Changes\u201d. Psychiatry Update. 2003, (n.\u00ba 10, vol. 4), p. 167-171.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">SAKUMOTO, K.; MASAMOTO, H. &amp; KANAZAWA, K. &#8211; \u201cPost-partum maternity blues as a reflection of newborn nursing care in Japan\u201d. International Journal of Gynecology &amp; Obstetrics. 2002, .(n.\u00ba 78), p. 25-30.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">SNYDER, C. R. ; SYMPSON, C. S.; YBASCO, F. C.; BORDERS, T. F. ; BABY, M. A.; HIGGINS, R. L. \u2013 \u201cDevelopment and variations of state Hope Scale\u201d. Journal of Personality and Social Personality. 1996. 70(2), 321-335.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">QUADRO 1 &#8211; Estudo dos itens (16 itens)<\/p>\n<div align=\"left\">\n<div align=\"center\"><center><\/p>\n<table border=\"2\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\" width=\"19%\">Itens<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"20%\">M\u00e9dia<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"19%\">DP<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"20%\">R item total<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"20%\">\u03b1<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\nP6<\/p>\n<p align=\"center\">P7<\/p>\n<p align=\"center\">P11<\/p>\n<p align=\"center\">P13<\/p>\n<p align=\"center\">P14<\/p>\n<p align=\"center\">P20<\/p>\n<p align=\"center\">P25<\/p>\n<p align=\"center\">P28<\/p>\n<p align=\"center\">P29<\/p>\n<p align=\"center\">P30<\/p>\n<p align=\"center\">P36<\/p>\n<p align=\"center\">P37<\/p>\n<p align=\"center\">P39<\/p>\n<p align=\"center\">P40<\/p>\n<p align=\"center\">P41<\/p>\n<p align=\"center\">P46<\/p>\n<\/td>\n<td>2,06<\/p>\n<p align=\"center\">1,76<\/p>\n<p align=\"center\">1,54<\/p>\n<p align=\"center\">1,78<\/p>\n<p align=\"center\">1,45<\/p>\n<p align=\"center\">2,09<\/p>\n<p align=\"center\">1,42<\/p>\n<p align=\"center\">2,11<\/p>\n<p align=\"center\">1,25<\/p>\n<p align=\"center\">1,53<\/p>\n<p align=\"center\">1,51<\/p>\n<p align=\"center\">1,44<\/p>\n<p align=\"center\">1,39<\/p>\n<p align=\"center\">2,00<\/p>\n<p align=\"center\">1,99<\/p>\n<p align=\"center\">1,84<\/p>\n<\/td>\n<td>\n1,068<\/p>\n<p align=\"center\">0,944<\/p>\n<p align=\"center\">0,882<\/p>\n<p align=\"center\">0,987<\/p>\n<p align=\"center\">0,821<\/p>\n<p align=\"center\">1,238<\/p>\n<p align=\"center\">0,829<\/p>\n<p align=\"center\">1,235<\/p>\n<p align=\"center\">0,683<\/p>\n<p align=\"center\">0,862<\/p>\n<p align=\"center\">1,101<\/p>\n<p align=\"center\">0,946<\/p>\n<p align=\"center\">0,810<\/p>\n<p align=\"center\">1,105<\/p>\n<p align=\"center\">1,362<\/p>\n<p align=\"center\">1,021<\/p>\n<\/td>\n<td>0,604<\/p>\n<p align=\"center\">0,546<\/p>\n<p align=\"center\">0,556<\/p>\n<p align=\"center\">0,595<\/p>\n<p align=\"center\">0,659<\/p>\n<p align=\"center\">0,613<\/p>\n<p align=\"center\">0,653<\/p>\n<p align=\"center\">0,668<\/p>\n<p align=\"center\">0,582<\/p>\n<p align=\"center\">0,686<\/p>\n<p align=\"center\">0,582<\/p>\n<p align=\"center\">0,561<\/p>\n<p align=\"center\">0,575<\/p>\n<p align=\"center\">0,732<\/p>\n<p align=\"center\">0,618<\/p>\n<p align=\"center\">0,590<\/p>\n<\/td>\n<td>0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,953<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<p align=\"center\">0,954<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/div>\n<\/div>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">QUADRO 2 \u2013 Estrutura factorial da EAAPP ap\u00f3s rota\u00e7\u00e3o varimax (50,434% do total da vari\u00e2ncia explicada)\n<\/p>\n<div align=\"left\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"2\" align=\"center\" width=\"8%\">Dimens\u00e3o<\/td>\n<td rowspan=\"2\" align=\"center\" width=\"52%\">Item<\/td>\n<td colspan=\"3\" align=\"center\" width=\"28%\">Factores<\/td>\n<td rowspan=\"5\" width=\"10%\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\" width=\"9%\">F1<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"10%\">F2<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"8%\">F3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"8%\" height=\"133\">ANSIEDADE<\/td>\n<td width=\"52%\">\n6 \u2013 Senti-me insegura ao prestar cuidados ao meu beb\u00e9.<\/p>\n<p>20 \u2013Senti-me esgotada.<\/p>\n<p>13 \u2013 Senti medo de n\u00e3o conseguir prestar os cuidados ao beb\u00e9 que n\u00e3o estou familiarizada.<\/p>\n<p>40 \u2013Senti dificuldade em relaxar.<\/p>\n<p>7 \u2013 Sinto que n\u00e3o domino os cuidados que presto ao meu beb\u00e9.<\/p>\n<p>28 \u2013 Fiquei ansiosa, facilmente, em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados do beb\u00e9.<\/p>\n<p>41 \u2013Senti cansa\u00e7o mental.<\/p>\n<p>46 \u2013Senti-me cansada e\/ou fraquejar.<\/td>\n<td width=\"9%\">\n0,697<\/p>\n<p align=\"center\">0,683<\/p>\n<p align=\"center\">0,646\n<\/p>\n<p align=\"center\">0,618<\/p>\n<p align=\"center\">0,612<\/p>\n<p align=\"center\">0,602<\/p>\n<p align=\"center\">0,553<\/p>\n<p align=\"center\">0,469<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"10%\"><\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"8%\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"8%\" height=\"76\">SENTIMENTOS DEPRESSIVOS<\/td>\n<td width=\"52%\">\n37 \u2013 Senti-me sozinha.<\/p>\n<p>11 \u2013 Senti-me triste e deprimida.<\/p>\n<p>36 \u2013 Tive crises de choro.<\/p>\n<p>25 \u2013 Senti-me melanc\u00f3lica e desanimada.<\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"9%\"><\/td>\n<td width=\"10%\">\n0,733<\/p>\n<p align=\"center\">0,693<\/p>\n<p align=\"center\">0,548<\/p>\n<p align=\"center\">0,431<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"8%\" height=\"88\">PREOCUPA\u00c7\u00c3O<\/td>\n<td width=\"52%\">\n<p>29 \u2013 Senti-me aterrorizada.<\/p>\n<p>39 \u2013 Senti-me assustada sem ter tido uma raz\u00e3o para isso.<\/p>\n<p>14 \u2013Tive dificuldade em me acalmar.<\/p>\n<p>30 -Dei por mim a ficar agitada.<\/td>\n<td width=\"10%\"><\/td>\n<td width=\"8%\">\n<p>0,763<\/p>\n<p align=\"center\">0,705<\/p>\n<p align=\"center\">0,522<\/p>\n<p align=\"center\">0,517<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"2\" width=\"8%\" height=\"28\"><\/td>\n<td align=\"right\" width=\"52%\">\u03b1<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"9%\">0,876<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"10%\">0,836<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"8%\">0,831<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"10%\">0,922<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"right\" width=\"52%\" height=\"30\">% Vari\u00e2ncia<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"9%\">40,541%<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"10%\">6,039%<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"8%\">3,854%<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"10%\">50,434%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">QUADRO 3 \u2013 Tratamento estat\u00edstico da escala\n<\/p>\n<div align=\"center\"><center><\/p>\n<table border=\"2\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\" width=\"23%\" height=\"16\">Cota\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"76%\" height=\"16\">Par\u00e2metros de interpreta\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\" height=\"17\">[1 &#8211; 3[<\/td>\n<td height=\"17\">Aus\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio significativos<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\" height=\"16\">[3 \u2013 4[<\/td>\n<td height=\"16\">Presen\u00e7a de n\u00edveis de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio moderados<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\" height=\"16\">[4 \u2013 6]<\/td>\n<td height=\"16\">Presen\u00e7a de n\u00edveis de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rioseveros<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/div>\n<p align=\"justify\">PONTOS A RETER\n<\/p>\n<div align=\"center\"><center><\/p>\n<table border=\"2\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td width=\"100%\">\n<ul>\n<li>As altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio (Blues p\u00f3s-parto) \u00e9 um fen\u00f3meno que ocorre entre 50 a 80 % das pu\u00e9rperas e que tem um car\u00e1cter benigno e transit\u00f3rio, ocorrendo em mulheres saud\u00e1veis tanto a n\u00edvel f\u00edsico como psicol\u00f3gico, que facilita a aproxima\u00e7\u00e3o da m\u00e3e ao beb\u00e9 ap\u00f3s o parto;<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">A Escala de Avalia\u00e7\u00e3o das Altera\u00e7\u00f5es Psico-emocionais do Puerp\u00e9rio (EAAPP) constitui um instrumento adequado para avaliar as altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio percepcionado pelas pu\u00e9rperas, uma vez que possui elevada consist\u00eancia interna com um alpha de Cronbach de 0,922;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">A EAAPP \u00e9 constitu\u00edda por tr\u00eas sub-escalas: Ansiedade, Sentimentos depressivos e Preocupa\u00e7\u00e3o que perfazem um total de 16 itens, sendo quest\u00f5es de f\u00e1cil compreens\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o r\u00e1pida;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">O momento ideal para a sua aplica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 durante as visitas domicili\u00e1rias ap\u00f3s a alta hospitalar entre 5.\u00ba e o 10.\u00ba dia do p\u00f3s-parto, momento em que se verificam n\u00edveis mais elevados de Blues p\u00f3s-parto;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">O presente instrumento revelou ser um instrumento de Screening eficaz para a detec\u00e7\u00e3o de n\u00edveis elevados de altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais do puerp\u00e9rio numa popula\u00e7\u00e3o de pu\u00e9rperas que necessitem de mais apoio e de uma maior disponibilidade por parte dos profissionais de enfermagem que s\u00e3o os profissionais que se encontram mais directamente relacionados com as necessidades de informa\u00e7\u00e3o, apoio e rela\u00e7\u00e3o de ajuda das utentes.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/div>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente instrumento revelou qualidades psicom\u00e9tricas satisfat\u00f3rias, tornando-se num instrumento bastante fi\u00e1vel e consistente para detectar mulheres que vivem altera\u00e7\u00f5es psico-emocionais severos.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[331,209,332,329,334,72,333,330],"class_list":["post-623","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-amamentacao","tag-avaliacao","tag-eaapp","tag-escala","tag-estudo","tag-gravidez","tag-psicometrico","tag-puerperio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=623"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2807,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623\/revisions\/2807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}