{"id":605,"date":"2007-04-04T14:02:29","date_gmt":"2007-04-04T14:02:29","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/tomada-de-decisao-de-enfermagem-em-emergencia\/"},"modified":"2021-05-04T10:11:36","modified_gmt":"2021-05-04T10:11:36","slug":"tomada-de-decisao-de-enfermagem-em-emergencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/tomada-de-decisao-de-enfermagem-em-emergencia\/","title":{"rendered":"Tomada de Decis\u00e3o de Enfermagem em Emerg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A tomada de decis\u00e3o baseada na evid\u00eancia \u00e9 um importante elemento na qualidade dos cuidados em todos os dom\u00ednios da interven\u00e7\u00e3o de enfermagem.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>Nursing n\u00ba 219<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Autor:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Fernando Manuel Ferreira Nunes,<\/p>\n<p align=\"justify\">Enf\u00ba Graduado,<\/p>\n<p align=\"justify\">UCIP \u2013 HGSA, Porto<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Dois temas bastantes actuais. Tomada de Decis\u00e3o do Enfermeiro e a presta\u00e7\u00e3o de Cuidados de Enfermagem em contexto de Emerg\u00eancia. At\u00e9 que ponto o ambiente da presta\u00e7\u00e3o de cuidados emergentes influencia as decis\u00f5es a interven\u00e7\u00f5es que o enfermeiro toma e quantas dessas decis\u00f5es ser\u00e3o aut\u00f3nomas, interdependentes, ou at\u00e9, nenhuma das duas. Qual o papel da forma\u00e7\u00e3o em contexto de trabalho para uma melhor efic\u00e1cia e sistematiza\u00e7\u00e3o dos cuidados. Estes s\u00e3o alguns dos aspectos que ir\u00e3o ser abordados neste pequeno trabalho e que pretende de algum modo ajudar a reflectir pr\u00e1ticas de quem diariamente tem de lidar e gerir estas quest\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Tomada de Decis\u00e3o de Enfermagem em Emerg\u00eancia\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u201cAgir r\u00e1pidamente, pensar lentamente\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0prov\u00e9rbio grego<\/p>\n<p align=\"justify\">A nova realidade social, caracterizada por altera\u00e7\u00f5es aceleradas e profundas e pela tomada de consci\u00eancia dos cidad\u00e3os sobre os seus direitos, tem conduzido a enfermagem, enquanto profiss\u00e3o, a reconstruir a sua actividade e a definir o seu papel perante a restante equipa de profissionais de sa\u00fade. Dos enfermeiros espera-se que sejam capazes de assumir a sua fun\u00e7\u00e3o cuidadora e que sejam capazes de forma aut\u00f3noma ou interdependente tomar as decis\u00f5es adequadas para as suas interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com a Ordem dos Enfermeiros (Conselho de Enfermagem \u2013 compet\u00eancias do enfermeiro de cuidados gerais, 2003), o exerc\u00edcio profissional de enfermagem requer que \u201ca tomada de decis\u00e3o do enfermeiro que orienta o exerc\u00edcio aut\u00f3nomo implique uma abordagem sist\u00e9mica e sistem\u00e1tica. Na tomada de decis\u00e3o, o enfermeiro identifica as necessidades de cuidados de enfermagem da pessoa individual ou do grupo (fam\u00edlia e comunidade)\u201d (p.6)<\/p>\n<p align=\"justify\">Decidir, tomar decis\u00f5es, pode ser definido como sendo a escolha entre duas ou mais alternativas de ac\u00e7\u00e3o que possibilitem atingir um determinado resultado esperado. Esta escolha deve ser feita com racionalidade, compet\u00eancia e consci\u00eancia para que se escolha a alternativa que resulte no objectivo esperado ou mais pr\u00f3ximo dele. A tomada de decis\u00e3o \u00e9 consistente com os valores culturais, sociais e ideol\u00f3gicos, com o n\u00edvel de conhecimento, com a informa\u00e7\u00e3o presente e com as pr\u00e1ticas experienciadas do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Gradualmente tem sido dado \u00eanfase \u00e0 necessidade dos profissionais da sa\u00fade, e neste caso, dos enfermeiros, justificarem e serem responsabilizados pelas decis\u00f5es que tomam para com e em nome dos seus doentes\/clientes. A m\u00e1 pr\u00e1tica e as decis\u00f5es que conduziram a essa m\u00e1 pr\u00e1tica ser\u00e3o cada vez mais questionadas e menos aceites, quer pelas estruturas respons\u00e1veis onde se prestam os cuidados, quer pelos pr\u00f3prios utentes dos servi\u00e7os. A pr\u00e1tica baseada na evid\u00eancia e o desenvolvimento de decis\u00f5es claras, racionais e sedimentadas no conhecimento s\u00e3o obriga\u00e7\u00e3o de todos os profissionais ao servi\u00e7o da sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A rela\u00e7\u00e3o entre um corpo de conhecimentos e a tomada de decis\u00e3o permanece como um dos elementos essenciais para aumentar e proporcionar um estatuto profissional. Macdonald (1955), Millerson (1964), Freidson (1970), referem a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de um corpo de conhecimentos como base para a pr\u00e1tica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A tomada de decis\u00e3o baseada na evid\u00eancia \u00e9 um importante elemento na qualidade dos cuidados em todos os dom\u00ednios da interven\u00e7\u00e3o de enfermagem. \u00c9 essencial para optimizar os resultados para e com os doentes, melhorar a pr\u00e1tica cl\u00ednica, melhorar os custos e assegurar transpar\u00eancia na tomada de decis\u00e3o. Um corpo de conhecimentos reconhecido traduz-se na liberdade para a pr\u00e1tica aut\u00f3noma que \u00e9 acompanhada pela responsabiliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es tomadas e pela autoregula\u00e7\u00e3o profissional \u2013 a Ordem dos Enfermeiros.<\/p>\n<p align=\"justify\">A tomada de decis\u00e3o em Enfermagem, sendo a nomenclatura mais comum, Tomada de Decis\u00e3o Cl\u00ednica (Field, 1987; Ford, 1979; Luker e Kenrick, 1992), envolve diversos aspectos: colheita de dados, elabora\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico, selec\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o, progn\u00f3stico da ac\u00e7\u00e3o ou interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na tomada de decis\u00e3o v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00e3o contribuem para a escolha da alternativa adequada: a experi\u00eancia, o saber cognitivo, os dados e informa\u00e7\u00f5es recolhidos, o conselho e experi\u00eancia dos outros e ainda a pesquisa.<\/p>\n<p align=\"justify\">O processo de comunica\u00e7\u00e3o na recolha de dados \u00e9 muito importante no contexto da tomada de decis\u00e3o. O enfermeiro tem de ser capaz de contextualizar a informa\u00e7\u00e3o para que a possa interpretar e processar retirando os dados realmente importantes minimizando as interfer\u00eancias individuais. Nomeadamente, a forma como a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 transmitida pode ser desvirtuada, pois existem diferen\u00e7as entre o que se quer dizer e o que realmente se diz, entre o que se lembra e que se retransmite, entre o que se escutou e se retransmite alterado pelos pr\u00e9-juizos, entre o que se v\u00ea e realmente \u00e9 percepcionado e at\u00e9 pelo pr\u00f3prio estado de esp\u00edrito do momento. Como muitas vezes a informa\u00e7\u00e3o encontra-se dispersa, fragmentada e sujeita \u00e0s diversas interfer\u00eancias, o processo de tomada de decis\u00e3o pode ser mais efectivo quando ocorre o trabalho em equipa em que todas as opini\u00f5es s\u00e3o escutadas e analisadas em conjunto sendo poss\u00edvel obter um consenso em que se toma a melhor op\u00e7\u00e3o fruto n\u00e3o s\u00f3 dos recursos materiais e humanos, mas tamb\u00e9m como do tipo de doente, do progn\u00f3stico e das diferentes interven\u00e7\u00f5es e das diferentes experi\u00eancias vivenciadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tomar a decis\u00e3o mais adequada na presen\u00e7a de situa\u00e7\u00f5es complexas nem sempre \u00e9 f\u00e1cil Mais dif\u00edcil \u00e9 saber quais as probabilidades de obter um resultado satisfat\u00f3rio. A falta de dados e o tempo dispon\u00edvel s\u00e3o dois dos factores que interferem na tomada de decis\u00e3o cl\u00ednica. Dependendo da falta de um ou de outro, ou ainda dos dois, a decis\u00e3o pode ser suportada por uma das tr\u00eas poss\u00edveis formas de abordagem do processo de tomada de decis\u00e3o: Informa\u00e7\u00e3o; Intui\u00e7\u00e3o e Continuum Cognitivo.<\/p>\n<p align=\"justify\">No processo de tomada de decis\u00e3o por Informa\u00e7\u00e3o (Newell &amp; Simon, 1972), a decis\u00e3o \u00e9 racional, baseada na colheita de dados, na formula\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses, na interpreta\u00e7\u00e3o adequada dos dados, na avalia\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses e da escolha da mais adequada.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Processo por Intui\u00e7\u00e3o (Patr\u00edcia Benner, 1984), a decis\u00e3o simplesmente acontece, sendo resultado de um ju\u00edzo, n\u00e3o sendo portanto racional, estando, no entanto, relacionada muitas vezes com o grau de experi\u00eancia. Por vezes, \u00e9 esta forma de tomada de decis\u00e3o que separa o novato do experiente.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Processo de Continuum Cognitivo (Philips e Rempushki, 1985), o julgamento profissional \u00e9 a comunh\u00e3o do racional e anal\u00edtico com o intuitivo, na medida em que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em fun\u00e7\u00e3o dos dados dispon\u00edveis (ainda que sejam poucos), do tempo para a tomada de decis\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o ser visual ou transmitida. Pode-se quase afirmar que muitas das decis\u00f5es cl\u00ednicas recaem neste tipo de processo de decis\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, para al\u00e9m dos j\u00e1 referidos factores, tempo e dados, influentes na tomada de decis\u00e3o cl\u00ednica, existem outros que podem tamb\u00e9m eles influenciar a decis\u00e3o ou simplesmente impedir a tomada de decis\u00e3o. Esses factores incluem as vari\u00e1veis individuais, como a experi\u00eancia e o corpo de conhecimentos (Benner,1984; Benner &amp; Tanner, 1987); pensamento criativo (Berger, 1984), educa\u00e7\u00e3o (Pardue, 1987), dom\u00ednio do exerc\u00edcio (Crow 1995); o auto-conceito (Joseph 1985), o ambiente e stress situacional (Cleland, 1967; Evans, 1990)<\/p>\n<p align=\"justify\">A experi\u00eancia e a mobiliza\u00e7\u00e3o adequada do saber s\u00e3o sem d\u00favida, dois dos factores que mais contribuem para a tomada de decis\u00e3o consciente e com melhores resultados. Segundo Tanner (1987) que estudou as diferentes estrat\u00e9gias de diagn\u00f3stico elaboradas por estudantes de enfermagem e profissionais experientes, os segundos conseguiam uma aquisi\u00e7\u00e3o de dados mais sistem\u00e1tica, rapidamente identificavam os factos mais importantes, limitavam o n\u00famero de alternativas e obtinham um diagn\u00f3stico mais adequado. A diferen\u00e7a na elabora\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico mais adequado traduzia-se em decis\u00f5es para ac\u00e7\u00e3o mais eficazes. Naturalmente esta forma de decis\u00e3o intuitiva e experiente \u00e9 tamb\u00e9m fonte de conflitos, pois segundo alguns autores (Correnti, 1992) pode ser confundida com \u201co deitar a adivinhar\u201d e por isso n\u00e3o corresponder a um corpo de conhecimentos cient\u00edficos com base na evid\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O pensamento criativo, depende n\u00e3o s\u00f3 do indiv\u00edduo, da sua criatividade pessoal, mas \u00e9 tamb\u00e9m fruto do ambiente de aprendizagem e\/ou do ambiente onde trabalha. Para Berger (1984), o encorajamento para a discuss\u00e3o cr\u00edtica com os tutores, o desafio lan\u00e7ado para promover novas ideias e novas formas de ac\u00e7\u00e3o, pertencer a um grupo onde as compet\u00eancias e os competentes s\u00e3o a regra e n\u00e3o a excep\u00e7\u00e3o, promove a habilidade para o pensamento criativo. Segundo Crow (1995), nos v\u00e1rios dom\u00ednios, disciplinas e especialidades da Enfermagem, as decis\u00f5es para a ac\u00e7\u00e3o pass\u00edveis de serem tomadas s\u00e3o de certa forma limitadas a um n\u00famero de hip\u00f3teses mais adequadas ou fi\u00e1veis, fruto da experi\u00eancia e da evid\u00eancia. Por exemplo, um enfermeiro que trabalha na Urg\u00eancia consegue tomar as decis\u00f5es mais adequadas e mais rapidamente perante um doente vitima de acidente de via\u00e7\u00e3o e em choque do que um enfermeiro que trabalha, ainda que h\u00e1 o dobro de anos do primeiro, mas sempre num ambiente de Medicina. Assim se deduz, que n\u00e3o \u00e9 a idade que d\u00e1 experi\u00eancia, mas sim o ambiente e as experi\u00eancias anteriores apreendidas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O auto-conceito, segundo Joseph (1985), pode interferir na tomada de decis\u00e3o, na medida em que o indiv\u00edduo por se julgar menos inteligente, menos competente e menos conhecedor se coloca num papel secund\u00e1rio, esperando que sejam outros a tomar as decis\u00f5es. Este auto-conceito \u00e9 fundamental para a percep\u00e7\u00e3o do stress. O stress surge quando o indiv\u00edduo percebe que o ambiente est\u00e1 a exigir demasiado dele (Lazarus &amp; Folkman, 1984). No entanto, se para uns estas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o fonte de ansiedade e interferem na tomada de decis\u00e3o, retardando-a ou at\u00e9 mesmo impedindo-a (Neaves, 1989), para outros poder\u00e1 ser fonte de desafios a superar e incentiva-os a enfrentar as situa\u00e7\u00f5es, minimizando o stress. Para Cleland (1967) um n\u00edvel moderado de stress ser\u00e1 sempre necess\u00e1rio, pois o risco de desmotiva\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo de displic\u00eancia poder\u00e1 interferir nas decis\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo o stress pode ser resultado n\u00e3o apenas de tarefas demasiados exigentes e complexas, mas tamb\u00e9m de factores que se tornam cada vez mais actuais. A ac\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o t\u00eam tend\u00eancia a ser influenciadas pelos ciclos circadianos. Desde logo, a actividade de enfermagem est\u00e1 sujeita a esta influ\u00eancia devido ao trabalho por turnos, resultando em altera\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o, na efic\u00e1cia do julgamento profissional e at\u00e9 da seguran\u00e7a das decis\u00f5es (Siebenaler &amp; McCovern, 1991). Outro factor importante relaciona-se com os recursos humanos (Huchabay e Jagla, 1979). Estes autores sugerem que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ratio enfermeiro\/doente que pode aumentar o stress, devido \u00e0 multiplicidade de tarefas a realizar em menos tempo, mas tamb\u00e9m o grau de menor experi\u00eancia dos colegas que se encontram no turno que obrigam a redobrada aten\u00e7\u00e3o nas m\u00faltiplas decis\u00f5es\/ac\u00e7\u00f5es e ainda o esfor\u00e7o adicional de acompanhamento e ensino de colegas mais novos ou alunos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Factor tamb\u00e9m importante e que constitui, sem d\u00favida, uma barreira \u00e0 tomada de decis\u00e3o cl\u00ednica, s\u00e3o os conflitos interpessoais. A tomada de decis\u00e3o cl\u00ednica \u00e9 uma actividade social que envolve diversos elementos da equipa de sa\u00fade, e o doente. Em geral o doente coloca-se nas m\u00e3os dos profissionais e espera que em seu favor sejam tomadas as melhores decis\u00f5es. A maior fonte de conflitos interpessoais e de influ\u00eancia na tomada de decis\u00f5es \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-enfermeiro (Haddad, 1991). A actividade de enfermagem tem ac\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas e ac\u00e7\u00f5es interdependentes. Estas ac\u00e7\u00f5es que para os enfermeiros s\u00e3o fruto de uma aproxima\u00e7\u00e3o hol\u00edstica, enquanto que para os m\u00e9dicos \u00e9 mais vocacionada para a patologia, s\u00e3o fonte de discuss\u00e3o entre os dois grupos profissionais. O fundamental, segundo Haddad (1991), \u00e9 que no jogo m\u00e9dico-enfermeiro n\u00e3o ocorra um desacordo aberto, pelo que muitas vezes o enfermeiro n\u00e3o toma as decis\u00f5es simplesmente as recomenda, sem contudo, dar a entender que o est\u00e1 a fazer.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pelo exposto, a tomada de decis\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o complexa e que, sem d\u00favida, est\u00e1 sujeita a todos estes m\u00faltiplos factores de interfer\u00eancia. Em Emerg\u00eancia a abordagem de um doente cr\u00edtico \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o potenciadora de stress, em que as decis\u00f5es devem ser tomadas de forma sistem\u00e1tica e sistematizada, rapidamente e numa sequencia de prioridades. O dom\u00ednio cognitivo, do saber-saber e do saber-fazer, da experi\u00eancia e da pr\u00e1tica s\u00e3o factores de extrema import\u00e2ncia para reduzir o stress da decis\u00e3o e da ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de tudo, na verdade, temos de reconhecer que, para o enfermeiro da emerg\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 uma verdadeira tomada de decis\u00e3o. Igualmente, os ganhos sens\u00edveis para a sa\u00fade dos cuidados prestados pelos enfermeiros na emerg\u00eancia s\u00e3o escassos, pois a maioria das interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o interdependentes, responsabilizando-se o enfermeiro pela implementa\u00e7\u00e3o das prescri\u00e7\u00f5es de outros. Contudo e observando atentamente, nas situa\u00e7\u00f5es de risco de vida imediato, tamb\u00e9m para os restantes profissionais da equipa n\u00e3o existe uma verdadeira tomada de decis\u00e3o. Porqu\u00ea? Porque actualmente as decis\u00f5es a serem tomadas nas situa\u00e7\u00f5es emergentes e life-saving que encontramos na Sala de Emerg\u00eancia est\u00e3o, e de uma forma gradual e crescente, a serem colocadas em guidelines, ou se preferirem, algoritmos de decis\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">No dicion\u00e1rio, algoritmo define-se como conjunto de etapas bem definidas necess\u00e1rias para chegar \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de um problema. A aplica\u00e7\u00e3o de algoritmos de decis\u00e3o pretende, ent\u00e3o, definir um determinado n\u00famero de alternativas e op\u00e7\u00f5es a observar perante os dados presentes para tomar a melhor decis\u00e3o. Consegue-se assim que o decisor tome a decis\u00e3o mais r\u00e1pida, com menor risco e com mais probabilidade de sucesso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os algoritmos de decis\u00e3o foram definidos em consenso por diversos peritos, baseados na pesquisa, na evid\u00eancia pr\u00e1tica e nos melhores resultados obtidos e s\u00e3o elaborados para que o decisor no terreno rapidamente siga uma decis\u00e3o\/ac\u00e7\u00e3o que foi pr\u00e9-determinada como a mais adequada para uma determinada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como um exemplo t\u00edpico de algoritmos de decis\u00e3o temos o Sistema de Triagem de Manchester, que atrav\u00e9s da recolha de dados sint\u00e9ticos e simples estabelece uma prioridade de atendimento, bem como define qual o servi\u00e7o que atender\u00e1 o doente quando ele acorre ao Servi\u00e7o de Urg\u00eancia. Mas em emerg\u00eancia os algoritmos mais usuais s\u00e3os os do Suporte B\u00e1sico de Vida (SBV), Suporte Imediato de Vida (SIV), Suporte Avan\u00e7ado de Vida (SAV), Advanced Trauma Life Support (ATLS). Qualquer um deles pressup\u00f5e o seguimento de uma linha de racioc\u00ednio que conduz a decis\u00f5es e respectivas ac\u00e7\u00f5es que se pretendem r\u00e1pidas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se a actua\u00e7\u00e3o na Sala de Emerg\u00eancia \u00e9 decorrente, muitas vezes, do seguimento de determinados algoritmos de decis\u00e3o, pressup\u00f5e-se, sem d\u00favida, que os enfermeiros que ali trabalham t\u00eam de possuir forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para estas e outras \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o. Na forma\u00e7\u00e3o de base, ainda que abordadas e discutidas, n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddas compet\u00eancias espec\u00edficas na \u00e1rea da emerg\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ser dada nas escolas (com excep\u00e7\u00e3o do SBV que se pretende massificar por toda a popula\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o gestos simples que salvam vidas). \u00c9 uma forma\u00e7\u00e3o que deve ser dada em contexto de trabalho, a profissionais com alguma experi\u00eancia, preferencialmente nos dom\u00ednios da urg\u00eancia e cuidados intensivos, pois na emerg\u00eancia estes dois dom\u00ednios do saber est\u00e3o intimamente relacionados. Mais ainda, a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser apenas te\u00f3rica, mas deve ser te\u00f3rico-pr\u00e1tica tentando colocar os profissionais em contexto de forma\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3ximo do real. Segundo Gaeth e Shanteau (1984) que compararam os dois tipos de forma\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o em sala foi capaz de reduzir de facto a influ\u00eancia dos dados irrelevantes e que n\u00e3o trazem qualquer tipo de influ\u00eancia na tomada de decis\u00e3o. No entanto, a grande mudan\u00e7a ocorre na forma\u00e7\u00e3o activa, em que a pr\u00e1tica faz parte do plano do curso. O adulto necessita de motiva\u00e7\u00e3o para aprender, mas tamb\u00e9m aprende melhor fazendo. O treino interactivo melhorou substancialmente a efic\u00e1cia da ac\u00e7\u00e3o e da decis\u00e3o, n\u00e3o apenas em termos de rapidez, mas tamb\u00e9m em resultados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi referido que na Sala de Emerg\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 tomada de decis\u00e3o por parte do enfermeiro. Mas ser\u00e1 mesmo assim? Na abordagem do traumatizado \u00e9 ensinado no curso que no C de Circula\u00e7\u00e3o com controlo de hemorragias, deve-se colocar dois acessos venosos de largo calibre, preferencialmente G14 e nunca abaixo de G16 e que no segundo se colhem an\u00e1lises. No entanto, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel: o choque, a temperatura da v\u00edtima, a idade, s\u00e3o alguns os factores que podem impedir de cumprir eficazmente este ponto. Nesta altura, o enfermeiro dever\u00e1 tomar uma decis\u00e3o r\u00e1pida: \u201carrisco colocar um G14 onde j\u00e1 ser\u00e1 dif\u00edcil colocar um G18 e perco o acesso, ou decido imediatamente por colocar o G18, at\u00e9 estabilizar o doente, nem que para isso coloque mais acessos posteriormente?\u201d. Este tipo de decis\u00e3o s\u00f3 pode ser tomada rapidamente se associarmos ao conhecimento cognitivo, a experi\u00eancia, a pr\u00e1tica e porque n\u00e3o a intui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta forma\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser incentivada e fomentada pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o prestadora de cuidados. N\u00e3o dever\u00e1 ser fruto apenas da motiva\u00e7\u00e3o pessoal do enfermeiro. Ser\u00e1 a institui\u00e7\u00e3o a principal financiadora da forma\u00e7\u00e3o, pois que, sem d\u00favida, o enfermeiro beneficia a n\u00edvel pessoal e profissional dos conhecimentos adquiridos, mas a institui\u00e7\u00e3o beneficia do melhor profissionalismo e compet\u00eancia que se traduz numa melhor presta\u00e7\u00e3o de cuidados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Cabe tamb\u00e9m \u00e0 institui\u00e7\u00e3o o papel de proporcionar as melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para a redu\u00e7\u00e3o de stress situacional. Como? Promovendo e proporcionando as condi\u00e7\u00f5es para uma organiza\u00e7\u00e3o interna em que a emerg\u00eancia n\u00e3o seja responsabilidade de todos, e consequentemente de ningu\u00e9m, mas de um grupo ou servi\u00e7o especifico, com o n\u00famero de profissionais adequado, com algum grau de experi\u00eancia, que depois de devidamente formado e treinado seja capaz de trabalhar em equipa, falando uma mesma linguagem e em que cada um saiba qual o seu papel no seio da equipa e quais as suas compet\u00eancias. A institui\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ainda proporcionar adequadas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, nomeadamente, ao n\u00edvel do espa\u00e7o f\u00edsico, dos recursos materiais dispon\u00edveis e da colabora\u00e7\u00e3o e relacionamento com as outras \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o directa e indirecta (laborat\u00f3rios, radiologia, etc.)<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA reconceptualiza\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, a par com o desenvolvimento cientifico e tecnol\u00f3gico nesta a\u00e9rea, e na sociedade em geral, tem implicado profundas altera\u00e7\u00f5es a v\u00e1rios n\u00edveis que, por um lado contribuem para a resolu\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos problemas, por outro p\u00f5e em evid\u00eancia novos problemas que requerem dos profissionais uma capacidade de constante reconstru\u00e7\u00e3o da sua actividade.\u201d (Grupo de Trabalho de Implementa\u00e7\u00e3o do Processo de Bolonha).<\/p>\n<p align=\"justify\">Um artigo recente (Abril 2005) do National Council for the Professional Development of Nursing and Midwifery, foca a sua aten\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de novas compet\u00eancias na \u00e1reas da urg\u00eancia e emerg\u00eancia para os enfermeiros a adquirir segundo diferentes graus acad\u00e9micos. Esta vis\u00e3o de altera\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e espectro de ac\u00e7\u00e3o \u00e9 decorrente do crescente desenvolvimento dos servi\u00e7os de sa\u00fade e do contexto socio-pol\u00edtico actual, bem como das crescentes necessidades em sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es. Este Conselho prop\u00f5e compet\u00eancias a diferentes n\u00edveis consoante o grau de experi\u00eancia e grau acad\u00e9mico (p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e master). O seu objectivo \u00e9 o desenvolvimento da Clinical Nurse Specialist (CNS) e a Advanced Nurse Practitioner (ANP). Diferentes graus de especializa\u00e7\u00e3o que permitem no ambiente da urg\u00eancia\/emerg\u00eancia a tomada de decis\u00e3o aut\u00f3noma, ainda que por vezes guiada por protocolos e algoritmos de decis\u00e3o. As compet\u00eancias de ambas s\u00e3o em quase tudo id\u00eanticas, diferem, contudo num aspecto muito importante. Enquanto que a CNS recolhe dados, avalia, faz diagn\u00f3stico e prescreve interven\u00e7\u00f5es em cuidados de enfermagem, e refere o doente ao especialista adequado, a ANP pode ser a \u00fanica respons\u00e1vel por toda a tomada de decis\u00e3o cl\u00ednica relativa ao doente, incluindo a prescri\u00e7\u00e3o de tratamentos e terap\u00eauticas e a avalia\u00e7\u00e3o dos resultados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ser\u00e1 este tamb\u00e9m o nosso futuro? N\u00e3o sabemos. O que sabemos \u00e9 que com a autonomia vem a responsabilidade. O que sabemos \u00e9 que queremos uma enfermagem que n\u00e3o ande a reboque das outras disciplinas, mas que seja ela capaz de criar conhecimento numa perspectiva de cuidados de enfermagem na procura da melhoria da qualidade de vida e bem-estar das pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Para terminar, um pensamento para reflectir\u2026.\n<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8220;Somos aquilo que fazemos consistentemente.<\/p>\n<p>Assim, a excel\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um acto, mas sim um h\u00e1bito\u201d<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p>A Lexicon of Decision Making. Dispon\u00edvel em <a href=\"faculty.fuqua.duke.edu\/daweb\/lexicon.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> faculty.fuqua.duke.edu\/daweb\/lexicon.htm<\/a><\/p>\n<p>Angeloni, Maria Teresa &#8211; Elementos intervenientes na tomada de decis\u00e3o. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.ibict.br\/cienciadainformacao\/include\/getdoc.php?id=438&amp;article=153&amp;mode=pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.ibict.br\/cienciadainformacao\/include\/getdoc.php?id=438&amp;article=153&amp;mode=pdf<\/a><\/p>\n<p>Canadian Nurses Association &#8211; evidence-based decision making and nurse practice. Disponivel em<a href=\"www.cna-nurses.ca\/CNA\/documents\/pdf\/publications\/%20PS63_Evidence_based_Decision_making_Nursing_Practice_e.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.cna-nurses.ca\/CNA\/documents\/pdf\/publications\/ PS63_Evidence_based_Decision_making_Nursing_Practice_e.pdf\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Centre for Evidence Based Nursing \u2013 Disponivel em <a href=\"http:\/\/www.york.ac.uk\/healthsciences\/%20centres\/evidence\/decrpt.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.york.ac.uk\/healthsciences\/ centres\/evidence\/decrpt.pdf<\/a>, p.14-29<\/p>\n<p>Clinical Nurse Specialist and Advanced Nurse Practitioner roles in emergency departments. Disponivel em <a href=\"http:\/\/www.ncnm.ie\/files\/%20CNS%20and%20ANP%20roles%20in%20AandE05.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.ncnm.ie\/files\/ CNS%20and%20ANP%20roles%20in%20AandE05.pdf\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Conselho de Enfermagem \u2013 Compet\u00eancias do enfermeiro de cuidados gerais. Lisboa. Ordem dos Enfermeiros. 2003.<\/p>\n<p>Introduction to decision making. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.virtualsalt.com\/crebook5.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.virtualsalt.com\/crebook5.htm<\/a><\/p>\n<p>O\u2019Reilly, Phillipa \u2013 Barriers to effective clinical decision making in nursing. Disponivel em <a href=\"http:\/\/www.clininfo.health.nsw.gov.au\/%20hospolic\/stvincents\/1993\/a04.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.clininfo.health.nsw.gov.au\/ hospolic\/stvincents\/1993\/a04.html\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Processo de Bolonha \u2013 in Enfermagem em Foco. Ano XIV, n\u00ba 59, Abril\/Junho 2005 &#8211; Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.<\/p>\n<p>Thompson, Carl; Dowding, Dawn \u2013 Clinical decision making and judgement in nursing. Churchill Livingstone. 2002<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tomada de decis\u00e3o baseada na evid\u00eancia \u00e9 um importante elemento na qualidade dos cuidados em todos os dom\u00ednios da interven\u00e7\u00e3o de enfermagem.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[320,319,81,117,321],"class_list":["post-605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-decidir","tag-decisao","tag-emergencia","tag-evidencia","tag-stress"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=605"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2808,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605\/revisions\/2808"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}