{"id":598,"date":"2007-03-02T00:57:10","date_gmt":"2007-03-02T00:57:10","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/supervisao-de-alunos-em-ensino-clinico-uma-reflexao\/"},"modified":"2021-05-04T10:11:51","modified_gmt":"2021-05-04T10:11:51","slug":"supervisao-de-alunos-em-ensino-clinico-uma-reflexao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/supervisao-de-alunos-em-ensino-clinico-uma-reflexao\/","title":{"rendered":"Supervis\u00e3o de alunos em ensino cl\u00ednico. Uma reflex\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A forma\u00e7\u00e3o e a supervis\u00e3o cl\u00ednica dos alunos devem ser encaradas como um projecto conjunto incluindo m\u00faltiplos actores: alunos, docentes e supervisores cl\u00ednicos. Trata-se de um sistema complexo, envolvendo uma grande diversidade de Institui\u00e7\u00f5es e m\u00faltiplos actores.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba 218<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h4><strong>AUTORES:<\/strong><\/h4>\n<p>1\u00ba Autor: Ant\u00f3nio Fernando da Silva Garrido \u2013 Enfermeiro, Mestre em Supervis\u00e3o, Docente e Coordenador do Centro de Est\u00e1gios da Escola Superior de Sa\u00fade da Universidade de Aveiro. Membro da Unidade de Estudo e Investiga\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o e Cuidado em Enfermagem e Sa\u00fade da Universidade de Aveiro.<br \/>\n2\u00ba Autor: Jo\u00e3o Filipe Fernandes Lindo Sim\u00f5es \u2013 Enfermeiro, Mestre em Supervis\u00e3o, Docente e Vogal efectivo do Centro de Est\u00e1gios da Escola Superior de Sa\u00fade da Universidade de Aveiro. Membro da Unidade de Estudo e Investiga\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o e Cuidado em Enfermagem e Sa\u00fade da Universidade de Aveiro.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:\u00a0<\/strong>Ensino cl\u00ednico; Supervis\u00e3o; supervisor cl\u00ednico<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A forma\u00e7\u00e3o e a supervis\u00e3o cl\u00ednica dos alunos devem ser encaradas como um projecto conjunto incluindo m\u00faltiplos actores: alunos, docentes e supervisores cl\u00ednicos. Trata-se de um sistema complexo, envolvendo uma grande diversidade de Institui\u00e7\u00f5es e m\u00faltiplos actores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este artigo resulta das nossas experi\u00eancias formativas, enquanto elementos do Centro de Est\u00e1gios da ESSUA (Escola Superior de Sa\u00fade da Universidade de Aveiro) e dos estudos por n\u00f3s desenvolvidos nos \u00faltimos cinco anos. Com a sua elabora\u00e7\u00e3o, pretendemos, ainda que modestamente, contribuir para uma reflex\u00e3o necess\u00e1ria e urgente sobre a supervis\u00e3o dos alunos em ensino cl\u00ednico.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Os ensinos cl\u00ednicos e a supervis\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade deve prepar\u00e1-los para tomar decis\u00f5es e agir em contextos complexos, dif\u00edceis e mut\u00e1veis. Os programas de forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se devem situar exclusivamente no \u00e2mbito dos conceitos te\u00f3ricos, mas tamb\u00e9m nas compet\u00eancias individuais que devem desenvolver. Phaneuf (2003: 177), definiu compet\u00eancia como \u201cum conjunto integrado de conhecimentos, de adquiridos experienciais e de evolu\u00e7\u00e3o pessoal, pr\u00f3prio de um aspecto espec\u00edfico dos cuidados de enfermagem que, quando \u00e9 mobilizado em situa\u00e7\u00e3o concreta da vida real permite \u00e0 enfermeira fazer apelo \u00e0s suas habilidades cognitivas, psicomotoras, organizacionais e t\u00e9cnicas e manifestar comportamentos s\u00f3cio-afectivos adequados\u201d. Esta defini\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o v\u00e1lida para um enfermeiro como para outro profissional de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesse sentido a ESSUA definiu quatro dimens\u00f5es fundamentais de compet\u00eancia, a desenvolver pelos alunos no decurso dos ensinos cl\u00ednicos:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Cognitiva: aquisi\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de conhecimentos para a mobiliza\u00e7\u00e3o reflectida de saberes que antecipam e fundamentam a ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Comunicacional: comportamentos verbais e n\u00e3o verbais que, para al\u00e9m de meio de comunica\u00e7\u00e3o, estabelecem uma interac\u00e7\u00e3o que influencia o desempenho profissional.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Atitudinal: manifesta\u00e7\u00f5es de comportamentos coerentes e congruentes para com a pessoa e os outros, bem como respeito pelas regras de organiza\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">T\u00e9cnica:aplica\u00e7\u00e3o de conhecimentos cient\u00edficos no dom\u00ednio da realiza\u00e7\u00e3o de actividades instrumentais, mobilizando saberes relativos \u00e0 efic\u00e1cia e efici\u00eancia dos cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\u00c9 no contacto directo com os utentes que os futuros profissionais de sa\u00fade mobilizam os conhecimentos, pelo que acreditamos que \u00e9 nos ensinos cl\u00ednicos que melhor podem aprender a mobilizar e transferir conceitos abstractos para situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e reais.<\/p>\n<p align=\"justify\">O ensino cl\u00ednico, de acordo com Longarito (1999), assume-se como a melhor forma de organizar as actividades pr\u00e1ticas, que desenvolvidas em ambiente profissional, permitem aos estudantes, al\u00e9m de aprenderem a executar t\u00e9cnicas, desenvolver outras compet\u00eancias, nomeadamente: rela\u00e7\u00e3o interpessoal e de ajuda, pensamento cr\u00edtico, capacidade para avaliar e decidir e utilizar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, para que estas compet\u00eancias se desenvolvam \u00e9 necess\u00e1rio, como referem Silva e Batoca (2004) que exista colabora\u00e7\u00e3o\/articula\u00e7\u00e3o entre os dois locais de forma\u00e7\u00e3o (escolas e organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade) de modo a que a teoria tenha repercuss\u00f5es na pr\u00e1tica e as pr\u00e1ticas influenciem e actualizam o processo de ensino\/aprendizagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, de acordo com Sim\u00f5es (2004), apesar do di\u00e1logo e apoio entre docentes e enfermeiros cooperantes proporcionarem satisfa\u00e7\u00e3o, nem sempre se verifica comunica\u00e7\u00e3o e concord\u00e2ncia entre os enfermeiros cooperantes e docentes, pelo que a comunica\u00e7\u00e3o entre os actores e institui\u00e7\u00f5es intervenientes no ensino cl\u00ednico deve ser melhorada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ainda de acordo com Sim\u00f5es (2004), a comunica\u00e7\u00e3o entre Escola e Institui\u00e7\u00f5es de Sa\u00fade deveria ser, na opini\u00e3o dos enfermeiros cooperantes, de maior partilha de conhecimentos e metodologias, deveria permitir estabelecer um v\u00ednculo mais profundo com os alunos, com articula\u00e7\u00e3o efectiva entre ambos, formativa e comunicativa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de tudo, a Supervis\u00e3o em Ensino Cl\u00ednico constitui um momento privilegiado de reflex\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o, devendo ser cont\u00ednua e orientada para o desenvolvimento pessoal, o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento da sociedade humana.<\/p>\n<p align=\"justify\">O conceito de supervis\u00e3o cl\u00ednica por n\u00f3s adoptado no \u00e2mbito deste artigo foi proposto por Alarc\u00e3o e Tavares (1987: 197) para quem a supervis\u00e3o \u00e9 o \u201cprocesso em que uma pessoa experiente e bem informada, orienta o aluno no desenvolvimento humano, educacional e profissional, numa atitude de monitoriza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de pr\u00e1tica sobretudo atrav\u00e9s de procedimentos de reflex\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o\u201d. A supervis\u00e3o visa o desenvolvimento de compet\u00eancias no aluno e deve promover neste uma atitude de confian\u00e7a e de responsabilidade pela qualidade do ensino.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Requisitos para uma eficaz e correcta implementa\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da supervis\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A supervis\u00e3o cl\u00ednica em contextos formativos na \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 um processo baseado no relacionamento pessoal e profissional, entre um profissional que exerce pr\u00e1ticas cl\u00ednicas de sa\u00fade e um aluno em forma\u00e7\u00e3o. \u00c9 um processo de colabora\u00e7\u00e3o formal estruturado que ajuda o aluno a desenvolver compet\u00eancias pessoais e profissionais, conhecimento e valores de humanidade durante o seu percurso profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">O acompanhamento profissional permite ao supervisado desenvolver uma compreens\u00e3o mais profunda do que \u00e9 ser profissional de sa\u00fade, da responsabilidade que lhe \u00e9 intr\u00ednseca e desenvolver conhecimento a partir da realidade das pr\u00e1ticas cl\u00ednicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como referem Butterworth e Woods (1999), a supervis\u00e3o cl\u00ednica em enfermagem exige: a) prepara\u00e7\u00e3o correcta e id\u00f3nea dos supervisores cl\u00ednicos; b) disponibilidade de tempo; c) avalia\u00e7\u00e3o regular da orienta\u00e7\u00e3o e do produto da supervis\u00e3o e; d) estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a entre supervisores e supervisados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Num estudo realizado por Garrido (2003) com enfermeiros, os inquiridos consideraram que a supervis\u00e3o contribuiu para a sua efici\u00eancia e efic\u00e1cia profissional, referindo como contributos fundamentais por ordem decrescente: orienta\u00e7\u00e3o profissional, reflex\u00e3o sobre pr\u00e1ticas e orienta\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise cr\u00edtica construtiva sobre as pr\u00e1ticas, o supervisor como refer\u00eancia e exemplo profissional, conhecimentos cient\u00edficos profissionais do supervisor, refor\u00e7os positivos e contribui\u00e7\u00e3o para autonomia e seguran\u00e7a.<\/p>\n<h4><strong>Intervenientes no processo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O est\u00e1gio cl\u00ednico envolve diversos actores, alunos, docentes e profissionais da pr\u00e1tica, dos quais, cada um desenvolve, no processo, diferentes papeis de acordo com o modelo de acompanhamento\/supervis\u00e3o de alunos em est\u00e1gio, interagindo entre si por forma a atingir os objectivos propostos. Todos aqueles que participam no processo de supervis\u00e3o devem ser competentes profissionalmente e ver o aluno hol\u00edsticamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio entender que a forma\u00e7\u00e3o e a orienta\u00e7\u00e3o em est\u00e1gio cl\u00ednico s\u00f3 fazem sentido tendo por base uma rela\u00e7\u00e3o de parceria. S\u00f3 no respeito pelos diferentes saberes, pela abertura \u00e0 diversidade de concep\u00e7\u00f5es, se permite a participa\u00e7\u00e3o de todos sem constrangimentos nos debates, partilha de experi\u00eancias e colabora\u00e7\u00e3o na orienta\u00e7\u00e3o dos alunos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O docente passa por diversos servi\u00e7os e n\u00e3o pode ser um expert em cada uma das especialidades e os profissionais especializados que existem nos diversos servi\u00e7os podem ajudar o aluno a melhorar os seus conhecimentos e experi\u00eancias anteriores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os profissionais dos servi\u00e7os constituem, assim, um recurso-chave da aprendizagem necessitando, por\u00e9m, de serem motivados e orientados nos m\u00e9todos de ensino a serem utilizados para os utilizarem e implicarem de forma efectiva no processo de ensino\/aprendizagem \u2013 McCarthy (1987);\u00a0Oliveira e Neves (1985).<\/p>\n<p align=\"justify\">Nos actuais modelos de supervis\u00e3o o supervisor cl\u00ednico assume um papel preponderante. Num estudo realizado por Sim\u00f5es (2004), com enfermeiros cooperantes de Escolas Superiores de Enfermagem, podemos verificar que s\u00e3o os pr\u00f3prios supervisores quem refere que, a responsabilidade pelo processo de supervis\u00e3o \u00e9, ou deveria ser, dos enfermeiros cooperantes (Supervisores), embora alguns reconhe\u00e7am que a responsabilidade no processo de Supervis\u00e3o deve ser partilhada entre Docente, Alunos, Enfermeiros Cooperantes e Equipa de Enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Papel do supervisor<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Os supervisores cl\u00ednicos devem ser profissionais experientes, que ap\u00f3s terem sido submetidos a programas de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edficos t\u00eam a responsabilidade de supervisionar futuros profissionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um estudo realizado por Franco (2000), destaca como qualidades fundamentais dos supervisores: boa forma\u00e7\u00e3o, motiva\u00e7\u00e3o, conhecimentos, compet\u00eancia, bom relacionamento interpessoal, experi\u00eancia profissional e disponibilidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">As caracter\u00edsticas pessoais do supervisor s\u00e3o um factor determinante no \u00eaxito da forma\u00e7\u00e3o dos futuros profissionais de sa\u00fade. A nossa experi\u00eancia, que adv\u00e9m fundamentalmente das reflex\u00f5es de grupos de trabalho realizadas em ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o para supervisores cl\u00ednicos, que temos vindo a realizado em diversas institui\u00e7\u00f5es, verificamos que tem sido apontado um leque alargado de qualidades que os supervisores devem possuir:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Caracter\u00edsticas pessoais \u2013 empatia; auto-estima positiva; facilidade no relacionamento interpessoal; saber ouvir; capacidade de observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise e boa comunica\u00e7\u00e3o (feedback).<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Caracter\u00edsticas profissionais \u2013 compet\u00eancia t\u00e9cnica; responsabilidade; lideran\u00e7a; planeamento e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Estas caracter\u00edsticas, referidas pelos supervisores no decurso das ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o desenvolvidas, corroboram os dados obtidos no estudo de Garrido (2003) em que s\u00e3o referidas como caracter\u00edsticas que os profissionais de enfermagem apreciam nos seus supervisores: a compet\u00eancia profissional, a organiza\u00e7\u00e3o, a capacidade de lideran\u00e7a e gest\u00e3o de conflitos, a imparcialidade, o dinamismo e esp\u00edrito de equipa, mas tamb\u00e9m, a disponibilidade para estar com os colegas e ouvir, a capacidade de di\u00e1logo, a compreens\u00e3o e a simpatia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os resultados obtidos espelham no essencial estas ideias e confirmam o papel fundamental e insubstitu\u00edvel do supervisor cl\u00ednico e a import\u00e2ncia das suas qualidades t\u00e9cnicas e humanas, confirmando as caracter\u00edsticas fundamentais do supervisor, na rela\u00e7\u00e3o supervisiva apontadas por Hagler (1991), citado por Cottrell (2002): a empatia, ser positivo e paciente, e ao promover a mudan\u00e7a positiva, educa, monitoriza, recomenda, desafia, sustenta e pesquisa.<\/p>\n<p align=\"justify\">No estudo de Garrido (2003), anteriormente citado, a maioria dos inquiridos referiram que n\u00e3o apreciam que os seus supervisores sejam demasiado flex\u00edveis ou permissivos, desorganizados, revelem pouca capacidade de lideran\u00e7a e tenham baixo n\u00edvel de exig\u00eancia. Menos referidos mas, tamb\u00e9m pouco apreciados pelos supervisados \u00e9 a falta de di\u00e1logo, a parcialidade na avalia\u00e7\u00e3o, a incapacidade para gerir conflitos e realizar a supervis\u00e3o, a incompet\u00eancia t\u00e9cnica e a falta de objectividade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, muitos profissionais assumem o papel de supervisor cl\u00ednico sem estarem conscientes da responsabilidade que assumem e dos requisitos exigidos. De acordo com Munson (2002), deveriam possuir ou estarem dispon\u00edveis para desenvolver certas caracter\u00edsticas, como sejam:<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"justify\">a) gostar de ensinar os outros;<\/p>\n<p align=\"justify\">b) ter paci\u00eancia quando os outros n\u00e3o entenderem;<\/p>\n<p align=\"justify\">c) saber fazer sugest\u00f5es indirectas;<\/p>\n<p align=\"justify\">d) saber planear de uma forma efectiva;<\/p>\n<p align=\"justify\">e) ter uma atitude positiva quando esperam respostas a quest\u00f5es ou explicita\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p align=\"justify\">f) saber discutir os problemas de modo construtivo;<\/p>\n<p align=\"justify\">g) saber tolerar quando outros cometem erros;<\/p>\n<p align=\"justify\">h) saber criticar e aceitar cr\u00edticas;<\/p>\n<p align=\"justify\">i) gostar de decidir e fazer;<\/p>\n<p align=\"justify\">j) poder trabalhar em equipa e gerir efectivamente o processo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Das nossas experi\u00eancias formativas, enquanto elementos do Centro de Est\u00e1gios da ESSUA, atrav\u00e9s de din\u00e2micas de grupo em contexto de forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de Supervisores ressaltam as seguintes atribui\u00e7\u00f5es do papel do supervisor<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Estabelecer ambiente afectivo \u2013 relacional:<\/li>\n<li>Criar condi\u00e7\u00f5es de trabalho favor\u00e1veis;<\/li>\n<li>Desenvolver capacidades de reflex\u00e3o, auto-conhecimento, inova\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Identificar problemas\/dificuldades;<\/li>\n<li>Desenvolver formas de socializa\u00e7\u00e3o profissional;<\/li>\n<li>Refor\u00e7ar positivamente (reconhecer, aceitar, encorajar,\u2026);<\/li>\n<li>Planear, orientar, supervisionar, motivar e avaliar as actividades do aluno;<\/li>\n<li>Integrar o aluno na Institui\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o e equipa;<\/li>\n<li>Proporcionar suporte t\u00e9cnico, emocional e cognitivo que permita desenvolver compet\u00eancias t\u00e9cnicas, comunicacionais, atitudinais e cognitivas.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Dificuldades sentidas pelos supervisores<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Os servi\u00e7os\/campos de est\u00e1gio devem apresentar uma equipa de profissionais din\u00e2micos, actualizados e empenhados no processo ensino\/aprendizagem dos alunos de modo a que sejam um referencial para o formando, mas devem ser reconhecidas as capacidades dos enfermeiros cooperantes para a supervis\u00e3o dos futuros profissionais de enfermagem. A sua participa\u00e7\u00e3o na supervis\u00e3o em ensino cl\u00ednico deve ser mais activa e mais valorizada, o que frequentemente n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p align=\"justify\">Da\u00ed que seja frequente em ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de supervisores sermos confrontados com in\u00fameras dificuldades dos colaboradores, como sejam:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>Falta de conhecimento sobre processos supervisivos.<\/li>\n<li>Exig\u00eancia das Escolas de origem dos formandos.<\/li>\n<li>Desconhecimento dos conte\u00fados leccionados.<\/li>\n<li>Dificuldade de assimila\u00e7\u00e3o, por parte das equipas profissionais, dos objectivos de est\u00e1gio das diversas Escolas e dos diversos grupos alunos.<\/li>\n<li>Dificuldade de articula\u00e7\u00e3o docente\/supervisor<\/li>\n<li>Dificuldade na aplica\u00e7\u00e3o das grelhas de avalia\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Incompreens\u00e3o por parte dos colegas.<\/li>\n<li>Falta de reconhecimento por parte das administra\u00e7\u00f5es hospitalares do trabalho desenvolvido.<\/li>\n<li>Limita\u00e7\u00f5es de ordem econ\u00f3mica.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Pol\u00edtica de incentivos<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">No decurso das ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o realizadas ao abrigo dos protocolos assinados entre a ESSUA e as Institui\u00e7\u00f5es de Sa\u00fade que colaboram nos Est\u00e1gios Cl\u00ednicos v\u00eam sendo realizados trabalhos de grupo que nos t\u00eam proporcionado subs\u00eddios importantes para o aprofundamento das parcerias existentes e melhoria dos processos implementados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos aspectos cr\u00edticos com que se debatem as Institui\u00e7\u00f5es no momento da assinatura de protocolos de colabora\u00e7\u00e3o e da operacionaliza\u00e7\u00e3o dos est\u00e1gios prende-se com a pol\u00edtica de coopera\u00e7\u00e3o e atribui\u00e7\u00e3o de incentivos.<\/p>\n<p>Os aspectos que s\u00e3o frequentemente referidos como potenciais incentivos e que poder\u00e3o constituir factores motivadores para a assinatura de protocolos institucionais s\u00e3o:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Projectos de investiga\u00e7\u00e3o em parceria;<\/li>\n<li>Projectos conjuntos de forma\u00e7\u00e3o e estudos relacionados com as respectivas actividades;<\/li>\n<li>Presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os diferenciados de valoriza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica (sistemas de informa\u00e7\u00e3o, avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, etc.);<\/li>\n<li>Constitui\u00e7\u00e3o de equipas de estudo docentes\/profissionais;<\/li>\n<li>Contrapartidas financeiras.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Relativamente aos profissionais os incentivos que mais valorizam s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>Reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o curricular (admiss\u00e3o de cursos de complemento de forma\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es, mestrado, concursos e avalia\u00e7\u00f5es);<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o\/isen\u00e7\u00e3o de propinas na frequ\u00eancia de cursos, mestrados e doutoramentos;<\/li>\n<li>Incentivos financeiros;<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de servi\u00e7o para a supervis\u00e3o de alunos;<\/li>\n<li>Participa\u00e7\u00e3o em projectos de investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea das ci\u00eancias da sa\u00fade;<\/li>\n<li>Utiliza\u00e7\u00e3o de recursos pedag\u00f3gicos (laborat\u00f3rios, bibliotecas, etc.);<\/li>\n<li>Reconhecimento ao n\u00edvel da avalia\u00e7\u00e3o de desempenho;<\/li>\n<li>Certificados comprovativos de supervis\u00e3o cl\u00ednica.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Os dados obtidos refor\u00e7am, tamb\u00e9m, as ideias de Nunes e Rego (2002), para quem o incentivo ao desempenho, passa pelo refor\u00e7o dos factores emocionais e psicol\u00f3gicos e relegam para um plano paralelo, mas n\u00e3o necessariamente superior, os incentivos materiais, definindo um conceito inovador de sal\u00e1rio emocional, definindo-o como \u201cum contexto psico-motivacional em que o trabalhador \u2013 qualquer que seja a sua profiss\u00e3o ou o n\u00edvel de desempenho \u2013 se sente remunerado por factores n\u00e3o materiais\u201d (Nunes e Rego,2002:140).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Pelo que acabamos de analisar, a motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno psicol\u00f3gico extremamente complexo e de dif\u00edcil controlo, sugerindo A colabora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na defini\u00e7\u00e3o das metas da organiza\u00e7\u00e3o e das responsabilidades e dos crit\u00e9rios de incentivos apresenta-se como uma estrat\u00e9gia importante no envolvimento e compromisso com as organiza\u00e7\u00f5es e com o processo formativo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A reflex\u00e3o realizada permite-nos fazer um balan\u00e7o positivo do modelo adoptado na ESSUA para o acompanhamento dos alunos nos ensinos cl\u00ednicos. No entanto, com a finalidade de desenvolver um programa baseado em compet\u00eancias, as estrat\u00e9gias de ensino tamb\u00e9m devem evoluir e serem aperfei\u00e7oadas. Assim, as m\u00e9todos adoptados devem situar-se na mesma l\u00f3gica de integra\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es cognitiva, comunicacional, atitudinal e t\u00e9cnica. Phaneuf (2003) defende duas estrat\u00e9gias que entende serem particularmente adequadas a estes programas: a resolu\u00e7\u00e3o de problemas e a aprendizagem por problemas, sendo este o caminho que temos vindo a percorrer e a aprofundar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Relativamente ao acompanhamento dos alunos em est\u00e1gio, a mesma autora destaca ser fundamental o docente certificar-se de que os estudantes executam exclusivamente as interven\u00e7\u00f5es que correspondem ao seu n\u00edvel de compet\u00eancia. Da\u00ed ser imperioso haver um esfor\u00e7o partilhado pelos docentes e pelos supervisores para que exista uma presen\u00e7a efectiva dos docentes e\/ou supervisores cont\u00ednua e constante nos ensinos cl\u00ednicos. \u00c9 urgente desenvolver reflex\u00f5es entre os enfermeiros e os docentes sobre a rela\u00e7\u00e3o em contexto supervisivo, devendo os enfermeiros cooperantes participem na elabora\u00e7\u00e3o do planeamento do ensino cl\u00ednico e em outras actividades que possam facilitar a integra\u00e7\u00e3o da teoria na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">ALARC\u00c3O, I.; TAVARES, J. \u2013 Supervis\u00e3o da Pr\u00e1tica Pedag\u00f3gica \u2013 Uma perspectiva de desenvolvimento e aprendizagem. Coimbra: Livraria Almedina, 1987.<\/p>\n<p align=\"justify\">COTTRELL, Steve (2000) &#8211; A comparision of the roles of leader, manager and clinical supervisor.\u00a0 http:\\\\www.clinical_supervision.com\/role%20comparison.htm<\/p>\n<p align=\"justify\">LONGARITO, Clementina P. F. S. \u2013 O ensino cl\u00ednico: dificuldades, recursos e profissionalidade. Subs\u00eddios para uma abordagem interactiva. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Porto: Universidade do Porto, 1999.<\/p>\n<p align=\"justify\">MUNSON, Carlton E. &#8211; Handbook of Clinical Social Work Supervision. 3rd Edition. Binghamton: The Haworth Press, 2002.<\/p>\n<p align=\"justify\">PHANEUF, Margot \u2013 Tend\u00eancias actuais da forma\u00e7\u00e3o em Enfermagem. In GADBOIS, C. \u2013 Gest\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o em Enfermagem: partilha de experi\u00eancias. Vol 2. Coimbra: Direc\u00e7\u00e3o de Enfermagem dos HUC, 2003.<\/p>\n<p align=\"justify\">McCARTHY, Margaut &#8211; Mudan\u00e7as nos cuidados de sa\u00fade e forma\u00e7\u00e3o dos enfermeiros no s\u00e9culo XXI. Luxemburgo: Comiss\u00e3o das Comunidades, 1987.<\/p>\n<p align=\"justify\">OLIVEIRA, Irene; NEVES, L\u00facia \u2013 Fosso teoria\/pr\u00e1tica na forma\u00e7\u00e3o de enfermagem: mito ou realidade? Informar, N\u00ba1 (Abril\/Junho, 1985), p. 7-10.<\/p>\n<p>SILVA, D. M.\u00a0; BATOCA, E. M. V. \u2013 O ensino cl\u00ednico na forma\u00e7\u00e3o em enfermagem. Revista Millenium, 30 (Outubro, 2004), p. 103-118.<\/p>\n<p align=\"justify\">SIM\u00d5ES, Jo\u00e3o F. L. \u2013 Supervis\u00e3o em ensino cl\u00ednico de enfermagem: a perspectiva dos enfermeiros cooperantes. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Aveiro: Universidade de Aveiro \u2013 Departamento de Did\u00e1ctica e Tecnologia Educativa, 2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A forma\u00e7\u00e3o e a supervis\u00e3o cl\u00ednica dos alunos devem ser encaradas como um projecto conjunto incluindo m\u00faltiplos actores: alunos, docentes e supervisores cl\u00ednicos. 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