{"id":547,"date":"2006-12-01T03:14:09","date_gmt":"2006-12-01T03:14:09","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/qualidade-de-vida-do-doente-oncologico\/"},"modified":"2021-04-28T15:56:18","modified_gmt":"2021-04-28T15:56:18","slug":"qualidade-de-vida-do-doente-oncologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/qualidade-de-vida-do-doente-oncologico\/","title":{"rendered":"Qualidade de Vida do Doente Oncol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-align: justify;\">A incerteza do diagn\u00f3stico, o medo do futuro e os tratamentos com os seus efeitos colaterais, contribuem para a diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do doente<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong>Ana Paula Figueiredo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">Enfermeira especialista de sa\u00fade mental e psiquiatria; IPO &#8211; Porto<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong>Palmira Maria Ara\u00fajo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">Enfermeira especialista de sa\u00fade infantil e pedi\u00e1trica<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">Respons\u00e1vel do servi\u00e7o de obstetr\u00edcia do Hospital S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus \u2013 Vila Nova de Famalic\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong>Pedro Emanuel Figueiredo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">Enfermeiro graduado; IPO -Porto<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"JUSTIFY\">Revista de Enfermagem Oncol\u00f3gica | Julho 2006 | N.\u00ba 36<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<h4 align=\"JUSTIFY\"><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"JUSTIFY\">O exerc\u00edcio da enfermagem em oncologia imp\u00f5e que as equipas de enfermagem dominem m\u00faltiplas \u00e1reas do conhecimento, assim como t\u00e9cnicas, muitas vezes invasivas. A incerteza do diagn\u00f3stico, o medo do futuro e os tratamentos com os seus efeitos colaterais, contribuem para a diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do doente. Todos estes factos s\u00e3o o motivo dos in\u00fameros estudos na \u00e1rea da qualidade de vida, realizados nos mais variados pa\u00edses e continentes. A elabora\u00e7\u00e3o do presente artigo surgiu na sequ\u00eancia de uma reflex\u00e3o e pesquisa acerca da doen\u00e7a oncol\u00f3gica e da qualidade de vida. Assim, efectuamos uma s\u00edntese de alguns conte\u00fados que, de alguma forma influenciam a qualidade de vida a n\u00edvel da sa\u00fade e, especificamente, no doente oncol\u00f3gico, nas suas variadas fases da doen\u00e7a e tratamento.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<h4 align=\"JUSTIFY\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"JUSTIFY\">Desde o tempo de Hip\u00f3crates, que a popula\u00e7\u00e3o tem reagido com medo, angustia e desespero ao diagn\u00f3stico de cancro. As descri\u00e7\u00f5es acerca desta doen\u00e7a e formas de a tratar, s\u00e3o muito antigas, desde que existem documentos escritos. A palavra cancro apresenta uma pesada conota\u00e7\u00e3o, simbolizando frequentemente dor, sofrimento e morte. Ao longo do tempo, esta patologia tem feito muitas v\u00edtimas, tornando-se assim uma das doen\u00e7as mais temidas da Humanidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O progresso da investiga\u00e7\u00e3o, associado ao desenvolvimento das t\u00e9cnicas terap\u00eauticas, permitiu aumentar a sobrevida dos doentes com esta patologia, proporcionando assim uma maior aten\u00e7\u00e3o para os aspectos relacionados com a qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<h4 align=\"JUSTIFY\"><strong>1. QUALIDADE DE VIDA: UM PERCURSO RECENTE<\/strong><\/h4>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo o Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano de 2001, elaborado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento, Portugal registou um significativo aumento a n\u00edvel da melhoria das condi\u00e7\u00f5es e qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, passando a ocupar a 28\u00aa posi\u00e7\u00e3o, num total de 162 pa\u00edses (Ganopa, 2001).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tem-se verificado que o envelhecimento populacional e o consequente aumento das doen\u00e7as cr\u00f3nicas nas ultimas d\u00e9cadas contribu\u00edram para a substitui\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos indicadores de mortalidade e expectativa de vida, por um maior interesse relativo \u00e1 qualidade de vida (Capit\u00e1n, 1996; Amorim &amp; Coelho, 1999; Pimentel, 2004)).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tamb\u00e9m o aumento da expectativa de vida, consequ\u00eancia do progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico (Duarte, 2002; Fagulha, Duarte &amp; Miranda, 2000), conduziram \u00e1 necessidade de prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e1 qualidade de vida dos indiv\u00edduos (Fagulha, Duarte &amp; Miranda, 2000). Este progresso cient\u00edfico tem contribu\u00eddo para o desenvolvimento do sentido de responsabilidade social e da opini\u00e3o p\u00fablica acerca dos novos poderes que tais progressos representam sobre a vida humana e qualidade de vida (Restrepo, 1998).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apresentando uma esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida \u00e1 nascen\u00e7a de 75,5 anos, Portugal apresenta \u00e1reas menos favor\u00e1veis, das quais se destaca a \u00e1rea da sa\u00fade. A n\u00edvel da Uni\u00e3o Europeia, este mostra ser um dos pa\u00edses com menores taxas de desenvolvimento e com taxas de incid\u00eancia de doen\u00e7as perigosas mais elevadas (Ganopa, 2001).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os conceitos de bem-estar f\u00edsico, mental e social, frequentemente associados \u00e1 qualidade de vida n\u00e3o s\u00e3o novos. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, na sua Carta Magna de 1946, defendia a sa\u00fade como um estado de completo bem estar f\u00edsico, mental e social, e n\u00e3o apenas como aus\u00eancia de doen\u00e7a (OMS, 1958; Duarte, 2002; Amorim &amp; Coelho, 1999, Neves, 2000). Esta defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade desencadeou novas orienta\u00e7\u00f5es a n\u00edvel das pol\u00edticas de sa\u00fade (Fagulha, Duarte &amp; Miranda, 2000; Neves, 2003) uma vez que associou a sa\u00fade pela primeira vez ao estado funcional do indiv\u00edduo e \u00e0s actividades de vida di\u00e1rias. Outro marco tamb\u00e9m importante foi o estabelecido pelo American College of Physicians em 1988, ao afirmar que a fun\u00e7\u00e3o fundamental dos m\u00e9dicos n\u00e3o era apenas a de tratar problemas biol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m a de olhar para o bem estar funcional (Neves, 2000).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tamb\u00e9m o modelo biom\u00e9dico que se refere \u00e1 doen\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros biol\u00f3gicos (os cuidados prestados aos doentes centram-se nos cuidados m\u00e9dicos, na disfun\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, na identifica\u00e7\u00e3o e correc\u00e7\u00e3o dos problemas de sa\u00fade), menospreza os aspectos psicossociais (Duarte, 2002; Neves, 2000) e foca a sua aten\u00e7\u00e3o na preven\u00e7\u00e3o de cada uma das doen\u00e7as assim como na remedia\u00e7\u00e3o de cada situa\u00e7\u00e3o. Este facto foi fortemente criticado, dando origem \u00e1 conhecida &#8220;Segunda Revolu\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade&#8221; (Ribeiro, 1997).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Passou a existir uma crescente preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade positiva, com a satisfa\u00e7\u00e3o a n\u00edvel do funcionamento f\u00edsico e\/ou psicol\u00f3gico, assim como uma valoriza\u00e7\u00e3o dos aspectos relacionados com a adaptabilidade e ajustamentos sociais (Fagulha, Duarte &amp; Miranda, 2000). Neste contexto, Dickson, Hargie e Morrow (1989), referem que os cuidados de sa\u00fade devem ser cada vez mais orientados para a pessoa e a sa\u00fade reconceptualizada no sentido de incluir os aspectos intelectuais, emocionais, sociais e espirituais, frequentemente esquecidos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Efectuar a avalia\u00e7\u00e3o da Qualidade de Vida na sa\u00fade constitui uma tarefa complexa, uma vez que esta engloba m\u00faltiplas vis\u00f5es: para um doente a maior dificuldade poder\u00e1 ser aceder sempre que necess\u00e1rio a um m\u00e9dico, para os profissionais de sa\u00fade a prioridade poder\u00e1 estar relacionada com a qualidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica, enquanto que, para um director de um hospital a qualidade poder\u00e1 depender de uma gest\u00e3o eficiente onde interessa diminuir o tempo de espera ou motivar e responsabilizar os profissionais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Neste contexto, Ganopa (2001) diz que a qualidade de vida a n\u00edvel da sa\u00fade depende da satisfa\u00e7\u00e3o de todos os elos da cadeia, tornando-se assim dif\u00edcil de gerir.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A Qualidade de Vida n\u00e3o se limita apenas aos aspectos econ\u00f3micos e pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m a um amplo conjunto de factores que englobam a cultura e educa\u00e7\u00e3o (Machado, 1992; Amorim &amp; Coelho, 1999), os transportes, meio ambiente, vestu\u00e1rio, habita\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia (Cabral, 1992), as cren\u00e7as, mitos, valores e sa\u00fade (Pinto, 1992). \u00c9 portanto um conceito que abrange aspectos f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos e sociais, proporcionando assim, nos \u00faltimos anos uma tend\u00eancia para a avalia\u00e7\u00e3o global desta no indiv\u00edduo (Neves, 2003, Bowling, 1995; Lopez, Mejia &amp; Espinar, 1996b).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Corroborando com esta opini\u00e3o encontram-se Amorim e Coelho (1999), ao afirmarem que o bem-estar \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o pessoal, sendo o seu significado e defini\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel de pessoa para pessoa, de acordo com o que cada um considera normal, inserido no grupo s\u00f3cio-cultural em que se integra, assim como das suas pr\u00f3prias experi\u00eancias.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No entanto, existem autores que se referem \u00e1 qualidade de vida em termos dos seus componentes, enquanto que outros se referem de uma forma global. Osoba (1991) relaciona-a com o sentido de satisfa\u00e7\u00e3o que um indiv\u00edduo tem pela vida, Shumaker et al (1990), citados por Amorim e Coelho (1999), refere-se a esta como uma satisfa\u00e7\u00e3o global com a vida e sensa\u00e7\u00e3o pessoal de bem-estar e Shiper et al (1990), citados por Amorim e Coelho (1999), v\u00eam a qualidade de vida como o efeito de uma doen\u00e7a ou do tratamento num doente e percepcionada pelo mesmo em quatro dom\u00ednios: funcionamento f\u00edsico e ocupacional; estado psicol\u00f3gico; interac\u00e7\u00e3o social e sensa\u00e7\u00e3o som\u00e1tica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tem-se verificado que os principais objectivos dos servi\u00e7os de sa\u00fade se centram na preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, nos seus tratamentos, alivio de sintomatologia assim como prolongamento da vida (Farguar, 1995), n\u00e3o sendo, no entanto, f\u00e1cil estabelecer crit\u00e9rios de qualidade de vida a este n\u00edvel. Nem todas as doen\u00e7as s\u00e3o cur\u00e1veis, e quando s\u00e3o podem deixar sequelas ou altera\u00e7\u00f5es irrevers\u00edveis a n\u00edvel da imagem corporal. A import\u00e2ncia da doen\u00e7a, associada ao estilo de vida e ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o tem tornado evidente que os cuidados de sa\u00fade podem n\u00e3o salvar vidas, mas prolongar o tempo de vida e\/ou aumentar a qualidade da mesma (Neves, 2000).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tamb\u00e9m a selec\u00e7\u00e3o dos tratamentos, com alguns efeitos colaterais indesej\u00e1veis, sofrem a influ\u00eancia dos conceitos que doentes e t\u00e9cnicos de sa\u00fade t\u00eam acerca da qualidade de vida, n\u00e3o sendo estes de menosprezar (Bowling, 1994). Verifica-se ent\u00e3o a necessidade de avaliar e estudar a qualidade de vida dos indiv\u00edduos. Os question\u00e1rios de qualidade de vida t\u00eam sido, cada vez mais introduzidos nos estudos cl\u00ednicos com o objectivo de medir os problemas que de alguma forma interferem no bem estar e no estilo de vida dos doentes. Estes t\u00eam, progressivamente, ocupado um espa\u00e7o importante como medidas efectivas na avalia\u00e7\u00e3o de grupos de doentes, na efic\u00e1cia terap\u00eautica e caracteriza\u00e7\u00e3o geral das popula\u00e7\u00f5es estudadas (Neves, 2000).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Existe um aspecto cr\u00edtico apontado por v\u00e1rios autores a n\u00edvel da qualidade de vida que consiste na dificuldade de se efectuar uma avalia\u00e7\u00e3o quantitativa, quando o conceito que se utiliza apresenta um car\u00e1cter subjectivo. Segundo Osoba (1991), as teorias psicom\u00e9tricas permitem a obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o subjectiva, no entanto os instrumentos de medida utilizados devem ser rigorosos e testados quanto \u00e1 sua fiabilidade, sensibilidade, especificidade e validade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<h4 align=\"JUSTIFY\"><strong>2. QUALIDADE DE VIDA NO DOENTE ONCOL\u00d3GICO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"JUSTIFY\">A doen\u00e7a oncol\u00f3gica reveste-se de um car\u00e1cter altamente estigmatizante na sociedade, sentida particularmente pelo doente e fam\u00edlia, com n\u00edveis de mortalidade significativos variando conforme a patologia em causa e o est\u00e1dio em que se encontra. Este facto, associado muitas vezes \u00e1 incerteza do diagn\u00f3stico, progn\u00f3stico e ao sofrimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico, levantam importantes quest\u00f5es a n\u00edvel da qualidade de vida dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O principal objectivo dos cidad\u00e3os consiste na maximiza\u00e7\u00e3o da qualidade de vida, independentemente dos efeitos da doen\u00e7a. Tanto os cuidados de apoio como a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, envolvem quest\u00f5es espec\u00edficas que devem ser correctamente abordadas para a maximiza\u00e7\u00e3o da qualidade de vida (McCray, 2000).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O interesse em encontrar indicadores que abranjam o Homem na sua totalidade (F\u00edsica, psicol\u00f3gica, cultural e social), assim como a compreens\u00e3o da grande variedade de factores que integram a sa\u00fade e qualidade de vida \u00e9 uma const\u00e2ncia na literatura. Verifica-se um consenso acerca da n\u00e3o exist\u00eancia de uma medida padr\u00e3o para a qualidade de vida. Este \u00e9 um conceito din\u00e2mico que apresenta v\u00e1rias dimens\u00f5es que envolvem factores objectivos (funcionalidade, compet\u00eancia cognitiva e interac\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o meio) e subjectivos (sentimento de satisfa\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o da sa\u00fade), alterando-se com o tempo, acontecimentos e experi\u00eancias vividas, notando-se tamb\u00e9m que difere com a idade, escolaridade e tradi\u00e7\u00e3o cultural de cada indiv\u00edduo (Santos, 2003; Capit\u00e1n, 1996; Lopez et al, 1996; Farguhar, 1995; McCray, 2000; Santos &amp; Ribeiro, 2001).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">V\u00e1rias s\u00e3o as dimens\u00f5es que importa considerar na avalia\u00e7\u00e3o da qualidade de vida (McCray, 2000; Restrepo, 1998):<\/p>\n<ul>\n<li>Dimens\u00e3o f\u00edsica e biol\u00f3gica \u2013 Destacam-se todos os aspectos que se relacionam com a doen\u00e7a e suas implica\u00e7\u00f5es, nomeadamente sintomas, tratamentos e desconfortos, onde se incluem a dor, fadiga, n\u00e1useas, v\u00f3mitos e outros.<\/li>\n<li>Dimens\u00e3o psicol\u00f3gica \u2013 o impacto da doen\u00e7a a n\u00edvel emocional que se traduz por vezes em ansiedade e depress\u00e3o.<\/li>\n<li>Dimens\u00e3o social \u2013 Incluem-se as rela\u00e7\u00f5es a n\u00edvel familiar, laboral, social alargado e suas inter-rela\u00e7\u00f5es com a sua cultura, costumes e tradi\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Dimens\u00e3o espiritual \u2013 Inclui o bem-estar espiritual e significado da doen\u00e7a, esperan\u00e7a, transcend\u00eancia, incerteza, religiosidade e for\u00e7a interior. Santos (1999; 2003) acrescenta a estas, outras dimens\u00f5es que as define como:<\/li>\n<li>Estado funcional \u2013 Refere-se \u00e1 capacidade em executar actividades normalmente efectuadas pela maioria das pessoas, como o auto-cuidado, mobiliza\u00e7\u00e3o e desempenho do seu papel social.<\/li>\n<li>Avalia\u00e7\u00e3o global \u2013 Inclui uma avalia\u00e7\u00e3o global, que se deve limitar \u00e1 \u00e1reas relacionadas com a sa\u00fade.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os doentes portadores de cancro, passam por determinadas fases, quase sempre dif\u00edceis, ao longo do seu percurso de doen\u00e7a que, de alguma forma influenciam a sua qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>2.1 &#8211; Fase de diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na fase que antecede o diagn\u00f3stico, os doentes muitas vezes j\u00e1 experienciaram altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, tais como: altera\u00e7\u00f5es do tracto intestinal (obstipa\u00e7\u00e3o, tenesmo, retorragias ou diarreia) e\/ou dor (Ganzl, 1996).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A dor, constitui um dos sintomas mais importantes na avalia\u00e7\u00e3o da qualidade de vida de qualquer doente oncol\u00f3gico (Van-Knippenberg et al, 1992). Apresenta-se como um dos sintomas mais frequentes, encontrando-se em todas as fases da doen\u00e7a, inclusivamente na fase de diagn\u00f3stico. A sua frequ\u00eancia depende do tipo de tumor e do estadio da doen\u00e7a. Este sintoma encontra-se em 50% dos doentes oncol\u00f3gicos, no entanto a sua frequ\u00eancia aumenta quando nos referimos \u00e1 fase final da vida, atingindo valores de 75 a 85% (Murillo, 1996).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Considerado o sintoma mais temido, a dor \u00e9 vista como uma amea\u00e7a ao modo de vida e \u00e1 pr\u00f3pria exist\u00eancia (Carvalho &amp; Cardoso, 2000). \u00c9 uma causa profunda de perturba\u00e7\u00e3o da qualidade de vida, uma vez que frequentemente n\u00e3o atinge apenas um \u00f3rg\u00e3o, podendo irradiar para outras partes do corpo ou mesmo para todo o corpo, provocando perturba\u00e7\u00f5es das actividades, diminui\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, stress a n\u00edvel da c\u00e9lula familiar e empobrecimento das rela\u00e7\u00f5es sociais (Couvreur, 2001).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A interpreta\u00e7\u00e3o da dor faz-se de diferentes formas, sofrendo a influ\u00eancia da personalidade, cultura e meio social. A dor do doente oncol\u00f3gico tem tamb\u00e9m repercuss\u00f5es graves a n\u00edvel social, uma vez que contribuem para o absentismo e consequentemente para o agravamento dos problemas financeiros, sentimento de depend\u00eancia e inutilidade. Estes problemas podem terminar numa diminui\u00e7\u00e3o da auto-estima ou mesmo em depress\u00e3o, exercendo tamb\u00e9m influ\u00eancia a n\u00edvel da qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>2.2 &#8211; Fase de tratamento \/ Estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A fase de tratamento \u00e9 tamb\u00e9m uma fase muito problem\u00e1tica, onde o doente \u00e9 frequentemente confrontado com tratamentos mais ou menos invasivos, que podem afectar a imagem corporal, sexualidade e consequentemente o bem estar f\u00edsico e psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo Couvreur (2001), \u00e9 importante saber se um tumor se encontra localmente localizado ou se j\u00e1 se verifica a exist\u00eancia de metastiza\u00e7\u00e3o, uma vez que estas diferentes situa\u00e7\u00f5es exigem diferentes tratamentos e consequentemente diferentes repercuss\u00f5es a n\u00edvel da qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As consequ\u00eancias de uma cirurgia, da quimioterapia ou radioterapia produzem invariavelmente alguma ansiedade que, pode provocar alguma distor\u00e7\u00e3o do self (Altschuler, 1997; citado por Santos &amp; Ribeiro, 2001).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A n\u00edvel cir\u00fargico, no caso do cancro colo-rectal a ressec\u00e7\u00e3o do c\u00f3lon com margens livres de doen\u00e7a permanece como objectivo, no entanto o tamanho do tumor, localiza\u00e7\u00e3o e metastiza\u00e7\u00e3o adicionais determinam o tipo e extens\u00e3o da cirurgia, sendo muitas vezes necess\u00e1rio efectuar uma colostomia (Murphy, 2000; Ganzl, 1996).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A cria\u00e7\u00e3o de um estoma parece exercer um efeito profundo no indiv\u00edduo e na sua sa\u00fade percebida. O seu \u00eaxito no \u00e2mbito da qualidade de vida depende fundamentalmente da forma como ele se adapta em termos psicol\u00f3gicos ao estoma. Embora normalmente tranquilizados de que ser\u00e3o capazes de reencontrar uma vida normal, alguns doentes nunca chegam a aceitar esta nova condi\u00e7\u00e3o, sentindo-se estigmatizados e marginalizados pela sociedade (Santos, 1999).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 no primeiro ano ap\u00f3s a cirurgia que o doente manifesta maiores dificuldades, sendo estas provocadas por a sua nova condi\u00e7\u00e3o (Wade, 1989). Estes doentes demonstram algumas situa\u00e7\u00f5es de ansiedade, depress\u00e3o e pessimismo provocadas pela perda de parte do seu corpo (Altschuler, 1997; citado por Santos &amp; Ribeiro, 2001). Em muitas situa\u00e7\u00f5es, a sua angustia \u00e9 dirigida para o \u00f3rg\u00e3o perdido, verificandose por vezes que a cicatriz cir\u00fargica passa a funcionar como um sinal permanente da sua presen\u00e7a, tornando-se mesmo a pr\u00f3pria identidade da doen\u00e7a. Nas situa\u00e7\u00f5es onde foi necess\u00e1rio a presen\u00e7a de um estoma, verifica-se tamb\u00e9m a altera\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o, provocando medo e vergonha da perda involunt\u00e1ria de conte\u00fado intestinal, o que promove o isolamento social. Instala-se ent\u00e3o uma crise emocional que se caracteriza por tristeza, ang\u00fastia e raiva (Santos, 1999).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tamb\u00e9m a actividade social parece ser inferior, no plano do desporto, trabalho, viagens e outras actividades de lazer (Osoba, 1991). Antes de reiniciarem o trabalho, estes doentes necessitam de um per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o, geralmente de um ano, no entanto, um pequeno numero de doentes deixa definitivamente de trabalhar (Whates &amp; Irving, 1984 ; Wyhe et al, 1988; citados por Santos, 1999). Verifica-se tamb\u00e9m que, \u00e1 medida que a doen\u00e7a e o seu tratamento v\u00e3o sendo mais exigentes, o impacto financeiro tende a aumentar (Santos, 2003).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As rela\u00e7\u00f5es interpessoais parecem deteriorar-se devido \u00e1 n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o por parte do parceiro, assim como v\u00e3o surgindo alguns problemas sexuais. S\u00e3o referidos a este n\u00edvel problemas funcionais como a impot\u00eancia, problemas com a ejacula\u00e7\u00e3o e dispareunia, bem como alguns problemas emocionais tais como diminui\u00e7\u00e3o do prazer, interesse e motiva\u00e7\u00e3o sexual. (Gutman &amp; Reiss, 1995; LaMonica et al, 1985; Macdonald &amp; Anderson, 1984; Van de Wiel et al, 1991; citado por Santos, 1999).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia produzem tamb\u00e9m alguns efeitos na qualidade de vida do indiv\u00edduo. A quimioterapia \u00e9 frequentemente usada no tratamento da doen\u00e7a oncol\u00f3gica, podendo ser utilizado de forma neo-adjuvante, adjuvante ou paliativa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No percurso dos tratamentos, o doente oncol\u00f3gico experiencia sinais e sintomas que v\u00e3o influenciar a sua concep\u00e7\u00e3o de imagem corporal: dor, perda de peso, anorexia, fadiga, n\u00e1useas, v\u00f3mitos e mau estar geral. Estes, s\u00e3o promotores das altera\u00e7\u00f5es na apar\u00eancia f\u00edsica, nas fun\u00e7\u00f5es corporais, no controlo das actividades de vida di\u00e1ria (Esteves, 1994) e consequentemente na qualidade de vida (Hann, Jacobsen, Martin, Azzarelo &amp; Greenberg, 1998; Svedlund, Sullivan, Sjoedin &amp; Liedman, 1996). Embora a fadiga, as perturba\u00e7\u00f5es do sono, as n\u00e1useas, os v\u00f3mitos e a perda de apetite tendam a aumentar com a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, a dor parece diminuir, devido ao efeito de medica\u00e7\u00e3o (Blasco &amp; Bays, 1992; Santos, 2003).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Neste sentido, Santos (2003) refere que os tratamentos tradicionais utilizados na doen\u00e7a oncol\u00f3gica (cirurgia, quimioterapia e radioterapia), contribuem para uma representa\u00e7\u00e3o mais cr\u00f3nica da doen\u00e7a. Refere ainda que, sendo estes tratamentos agressivos a n\u00edvel f\u00edsico, devido aos seus efeitos colaterais, tendem a induzir refer\u00eancias negativas. O tratamento de Radioterapia, apesar de n\u00e3o se apresentar t\u00e3o doloroso a n\u00edvel f\u00edsico, provoca algumas marcas a n\u00edvel psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo Clark e Fallowfield, citado por Couvreur (2001), os tratamentos agressivos n\u00e3o devem ser considerados como ben\u00e9ficos para o doente se os meses de sobreviv\u00eancia forem acompanhados de sintomas muito fortes, tais como alop\u00e9cia, n\u00e1useas e v\u00f3mitos. Consideram que as terapias agressivas s\u00e3o v\u00e1lidas, apesar da sua toxicidade, nas situa\u00e7\u00f5es onde os tratamentos ser\u00e3o de car\u00e1cter curativo. Estes autores constataram nos seus estudos, que quando os doentes recebem todas as informa\u00e7\u00f5es sobre os poss\u00edveis efeitos colaterais dos tratamentos e as estimativas de possibilidade de sobreviv\u00eancia, recusam frequentemente esses tratamentos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Blasco e Bayes (1992), referem-se a esta situa\u00e7\u00e3o de forma diferente, segundo estes autores a quimioterapia de car\u00e1cter paliativo tem consequ\u00eancias favor\u00e1veis para a qualidade de vida (diminui\u00e7\u00e3o da dor), quando comparada com a quimioterapia adjuvante.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Referindo-se ao tratamento de Radioterapia, Salter (1997) refere que este tratamento provoca efeitos no &#8220;eu&#8221; f\u00edsico, desenvolve medos e ansiedade que, por sua vez influenciam a imagem corporal. Refere tamb\u00e9m que os doentes que efectuam este tratamento demonstram medo de sofrer queimaduras, de se tornarem radioactivos ou de poderem futuramente desenvolver outro tumor.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O tratamento de radioterapia associado ao tratamento de quimioterapia tende a aumentar a sobrevida do doente, no entanto, devido ao aumento da toxicidade provocada por estes dois tratamentos, a qualidade de vida vai diminuindo (Ahles, Silberfarb, Rundle &amp; Holland, 1994). No entanto, segundo os resultados da pesquisa efectuada por Santos (2003), apesar da magnitude de consequ\u00eancias associadas a esta doen\u00e7a e aos seus tratamentos, a qualidade de vida \u00e9 percepcionada pelos doentes oncol\u00f3gicos de forma positiva, sendo o funcionamento cognitivo e emocional o que demonstrou menor performance, antevendo-se assim implica\u00e7\u00f5es emocionais negativas na capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, destreza mental e mem\u00f3ria. Verifica-se tamb\u00e9m que, apesar da evolu\u00e7\u00e3o negativa a n\u00edvel do funcionamento f\u00edsico, com consequente aumento da sintomatologia associada \u00e0 patologia, estes doentes tendem a percepcionar melhor a sua qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tolero, Ferrero e Barreto (1996), tamb\u00e9m chegaram a uma conclus\u00e3o id\u00eantica, no seu trabalho com doentes oncol\u00f3gicos, numa fase p\u00f3s tratamento cir\u00fargico, tendo verificado que apesar da exist\u00eancia de deteriora\u00e7\u00e3o a n\u00edvel da imagem corporal e da sexualidade, estes doentes referiam apresentar uma boa qualidade de vida. No entanto, nem todos os trabalhos apontam para esta conclus\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A doen\u00e7a oncol\u00f3gica \u00e9 considerada como um agente de stress, o que implica a adop\u00e7\u00e3o de determinadas estrat\u00e9gias, que tem como objectivo melhorar a qualidade vida do doente. O doente apresenta-se como um agente activo na avalia\u00e7\u00e3o cognitivo\/emocional individual da situa\u00e7\u00e3o de stress e dos recursos pessoais para gerir a situa\u00e7\u00e3o amea\u00e7adora (avalia\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, secund\u00e1ria e reavalia\u00e7\u00e3o) e adopta estrat\u00e9gias espec\u00edficas, mut\u00e1veis, din\u00e2micas e com fun\u00e7\u00f5es determinadas (coping) (Lazarus, 1991; Lazarus, 2000; Lazarus &amp; Folkman, 1996, citado por Santos, Ribeiro &amp; Lopes, 2003).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Outras estrat\u00e9gias s\u00e3o tamb\u00e9m utilizadas ao longo do percurso da doen\u00e7a, quer pelo doente quer pelos familiares, amigos ou t\u00e9cnicos de sa\u00fade. Estas poder\u00e3o variar, uma vez que as diferentes etapas da doen\u00e7a assim o exigem (Couvreur, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, ao longo do tratamento verifica-se a exist\u00eancia de grupos de entreajuda, representantes religiosos, volunt\u00e1rios, nutricionistas, fisioterapeutas e psic\u00f3logos ou psiquiatras. Depois do tratamento, a ajuda mais difundida reporta-se aos problemas psicol\u00f3gicos, existindo tamb\u00e9m algumas dificuldades a n\u00edvel da integra\u00e7\u00e3o social. V\u00e1rios estudos efectuados em diferentes pa\u00edses real\u00e7am que mais de um quarto das pessoas com doen\u00e7a oncol\u00f3gica sofrem de um quarto das pessoas com doen\u00e7a oncol\u00f3gica sofrem de problemas psicossociais durante um per\u00edodo longo ou mesmo permanentemente, tornando muito importante a ajuda psicossocial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Alguns anos ap\u00f3s o tratamento, v\u00e1rios doentes continuam a sentir fadiga, sendo este um dos maiores problemas a longo prazo. Num estudo realizado na Gr\u00e3-Bretanha constatou-se que, no exerc\u00edcio das actividades existe uma diminui\u00e7\u00e3o da capaciadede de 87% para pegar em objectos pesados, de 60% para proceder a limpezas, de 56% para cuidar dos filhos e de 56% para subir e descer escadas. Esta situa\u00e7\u00e3o provoca algumas dificuldades nos empregadores, que nem sempre s\u00e3o sens\u00edveis \u00c0s situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a, dificultando o emprego aos doentes que tiveram cancro (Couvreur, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">O suporte social \u00e9 de primordial import\u00e2ncia para que se verifique uma adequada adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a oncol\u00f3gica, sendo necess\u00e1rio a disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos para esse fim, obtendo-se assim melhores resultados a n\u00edvel da sa\u00fade e consequentemente na qualidade de vida (Bishop, 1944).<\/p>\n<h4><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar de muito debatido, o conceito de qualidade de vida continua dif\u00edcil de definir, tornando-se por vezes ut\u00f3pico. No entanto, esta \u00e9 uma caracter\u00edstica que a popula\u00e7\u00e3o em geral pretende atingir, nomeadamente a popula\u00e7\u00e3o que se encontra doente.<\/p>\n<p>Cabe-nos a n\u00f3s, t\u00e9cnicos de sa\u00fade, em colabora\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia e pessoas significativas prestar o m\u00e1ximo contributo no sentido de ajudar o doente oncol\u00f3gico a atingir o m\u00e1ximo de qualidade ao longo da sua vida, por vezes curta.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">AMORIM, M. &amp; COELHO, R. (1999). Sa\u00fade, Doen\u00e7a e Qualidade de Vida. In<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Psiquiatria Cl\u00ednica. Coimbra. n\u00ba 20.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">BISHOP, G. (1994).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Healt Psycology:Integrating Mind and Body. Boston. Allynand Bacon.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">CABRAL, F. (1992). O que \u00e9 a Qualidade de Vida? Perspectiva Econ\u00f3mica. In W. OSSWALD.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Cadernos de Bio-\u00c9tica. Coimbra Edi\u00e7\u00e3o CEB<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">CAPIT\u00c1N, E. (1996). La calidad de vida del enfermo neopl\u00e1sico. In Bar\u00f3n, M.; ORD\u00d3NEZ, A.; FELIN, J.; ZAMORA, P. &amp; ESPINHOSA, E. (Eds.)<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Tratado de Medicina Paliativa y Tratamiento de Suporte en el enfermo con Cancer. Madrid. M\u00e9dica Panamericana, S.A.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">CARVALHO, A. &amp; CARDOSO, A. (2000). O Controlo da Dor e a Qualidade de Vida do Doente Oncol\u00f3gico. In<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Enfermagem Oncol\u00f3gica. n\u00ba 13 .<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">COUVREUR, C. (2001).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Qualidade de Vida : Arte para Viver no S\u00e9culo XXI. Loures. Lusoci\u00eancia.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">DICKSON, D.; HARGIE, O. &amp; MORROW, C. (1998).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Communication Skills Training for Health Professionals. London. Chapman &amp; hhHall.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">DUARTE, S. (2002).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Saberes de Sa\u00fade e de Doen\u00e7a. Coimbra. Quarteto.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">ESTEVES, R. (1994). Altera\u00e7\u00e3o da Imagem Corporal.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Divulga\u00e7\u00e3o. Revista de Enfermagem Oncol\u00f3gica. N\u00ba 31.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">FAGULHA, T.; DUARTE, M. &amp; MIRANDA, M. (2000). A Qualidade de Vida. Uma Nova dimens\u00e3o Psicol\u00f3gica.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Psycol\u00f3gica. N\u00ba 25.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">FARGUAR, M. (1995). Defenitions of Quality of Life: A Taxonomy.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Journal of Advenced Nursing. N\u00ba 22.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">GANOPA, C. (2001). Sa\u00fade: na base da Constru\u00e7\u00e3o da Qualidade de Vida. In<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Qualidade em Sa\u00fade. Lisboa. n\u00ba5.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">GANZL, R. (1996). C\u00e2ncer Colorretal. In MURARD, A. &amp; KATZ, A.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Oncologia. Bases Cl\u00ednicas do Tratamento. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">HANN, D.; JACOBSEN, P.; MARTIN, S.; AZZARELO, L. &amp; GREENBERG, H. (1998). Fatigue and Quality of Life Following Radiotherapy for Brest Cancer. A Comparative Study.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Journal of Clinical Psychology in Medical Setting. n\u00ba 5.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">L\u00d3PEZ, J.; MEJ\u00ccA, R. &amp; ESPINAR, A. (1996). La Calidad de Vida: um Tema de Investigacion Necess\u00e1rio. Concepto y M\u00e9todo.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Medicina Integral. vol. 27.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">MACHADO, J. (1992). O que \u00e9 a Qualidade de Vida? Uma Perspectiva Cultural. In W. OSSWALD.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Cadernos de Bio-\u00c9tica. Coimbra Edi\u00e7\u00e3o CEB.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">McCRAY, N. (2000). Quest\u00f5es Psicossociais e da Qualidade de Vida. In S. OTTO.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Enfermagem em Oncologia.Loures. Lusoci\u00eancia: 893 a 912. MACHADO, J. (1992). O que \u00e9 a Qualidade de Vida? Uma Perspectiva Cultural. In W. OSSWALD. Cadernos de Bio-\u00c9tica. Coimbra Edi\u00e7\u00e3o CEB.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">MURILLO, E. (1996). Incidencia y Prevalencia y Etiologia del Dolor. In G\u00d3MEZ-BATIST, X. Cuidados Paliativos en Oncologia. Barcelona. JIMS.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MURPHY, M. (2000). Cancro Colorrectal. In S.,OTTO.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Enfermagem em Oncologia. Loures. Lusoci\u00eancia.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">NEVES, C. (2000). Qualidade de Vida em Pessoas com Diabetes Tipo I.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Refer\u00eancia. Revista de Educa\u00e7\u00e3o em Enfermagem. Coimbra.E.S.E. Dr \u00c2ngelo da Fonseca. n\u00ba 11.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">OSOBA, D. (1991). Measuring the Effect of Cancer on Quality of life. In<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Efects of Cancer on Quality of Life. London. CRC Press.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">O.M.S. (1958). The first tem years. The health Organization. Geneve: World Health organization<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PIMENTEL, F. (2004).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Qualidade de Vida em Oncologia. Lisboa. Permanyer Portugal.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">PINTO, A. (1992). O que \u00e9 a Qualidade de Vida? Uma Perspectiva Cultural. In W. OSSWALD.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Cadernos de Bio-\u00c9tica. Coimbra Edi\u00e7\u00e3o CEB.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">RESTREPO, M. (1998). Calidad de Vida en el paciente en fase terminal. In E. IMEDIO.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Enfermer\u00eda en Cuidados Paliativos. Madrid. Panamericana.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">RIBEIRO, J. (1997). A Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade e da Qualidade de Vida em Pessoas com Doen\u00e7as Cr\u00f3nicas. In<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Acta do: 2\u00ba Congresso Nacional de Psicologia da Sa\u00fade. ISPA.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">SALTER, M. (1997). Aant-propos: \u00c0 prop\u00f4s de la qualit\u00e9 de vie.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Soins .<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">SANTOS, C. (1999).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sa\u00fade e Qualidade de Vida da Pessoa Portadora de Ostomia de Elimina\u00e7\u00e3o. Tese de Mestrado Apresentada \u00e1 Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o de Universidade do Porto. N\u00e3o P\u00fablicada.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">SANTOS, C. (2003).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Representa\u00e7\u00e3o Cognitiva e Emocional, Estrat\u00e9gias de Coping e Qualidade de Vida no Doente Oncol\u00f3gico e Fam\u00edlia. Tese de Doutoramento Apresentada \u00e1 Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto. N\u00e3o Publicada.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">SANTOS, C.; RIBEIRO, J. &amp; LOPES, C. (2003). Estudo de Adapta\u00e7\u00e3o da Escala de Ajustamento Mental ao Cancro de um Familiar. In SANTOS, C.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Representa\u00e7\u00e3o Cognitiva e Emocional, Estrat\u00e9gias de Coping e Qualidade de Vida no Doente Oncol\u00f3gico e Fam\u00edlia.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">SANTOS, C. &amp; RIBEIRO, J. (2001). A Qualidade de Vida do Doente Oncol\u00f3gico.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Refer\u00eancia. Revista de Educa\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o em Enfermagem. Coimbra. E.S.E.Dr Angelo da Fonseca. n\u00ba 7.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">SILBERFARB, P. MAURER, L. &amp; CROUTHAMEL, C. (1980). Psychosocial aspects of Neoplastic Disease. Funcional Status of Breast Cancer Patients During Different treatment Regimes. Psychiatry. n\u00ba 137.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">SVEDLUND, J.; SULLIVAN, M.; SJOEDIN, I. &amp; LIEDMAN, B. (1996). Quality of Life in Gastric Cancer Prior to Gastrrectomy.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quality of Life Research: An International Journal of Quality of Life Aspects of Tratament, Care and Rehabilitation. n\u00ba 5.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">TOLERO, M.; FERRERO, J. &amp; BARRETO, M. (1996). Cirurgia del Cancer de mama y Valoracion de la Calidad de Vida Global.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Revista de Psicologia Universitas Tarraconensis. n\u00ba 18.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">VAN-KNIPPENBERG, F.; OUT, J.; TILANUS, H.: MUD, H.; HOP, W. &amp; VERHAGE, F. (1992). Quality of Life in Patients With Resected Oesophageal Cancer. Social Science and Medicine, n\u00ba 35.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">WADE, B. (1989). A Stoma is for Life. New York and London. Harrow Santani Press.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A incerteza do diagn\u00f3stico, o medo do futuro e os tratamentos com os seus efeitos colaterais, contribuem para a diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do doente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[268,265,264,267,266,115],"class_list":["post-547","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-cancro","tag-doente-oncologico","tag-oncologia","tag-paliativos","tag-qualidade-de-vida","tag-tratamentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=547"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/547\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2462,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/547\/revisions\/2462"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}