{"id":538,"date":"2006-12-01T03:00:53","date_gmt":"2006-12-01T03:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/hipertensao-arterial-um-problema-de-todos\/"},"modified":"2021-04-28T15:56:35","modified_gmt":"2021-04-28T15:56:35","slug":"hipertensao-arterial-um-problema-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/hipertensao-arterial-um-problema-de-todos\/","title":{"rendered":"Hipertens\u00e3o Arterial: Um Problema de Todos"},"content":{"rendered":"<p>Artigo de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica que aborda a quest\u00e3o da hipertens\u00e3o arterial e descreve os fatores envolvidos na ades\u00e3o ao tratamento anti-hipertensivo, as estrat\u00e9gias para melhor\u00e1-la e subsidiar a abordagem multiprofissional.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p><strong>Willi Wetzel Junior<\/strong> \u2013 Rua Mario Xavier Oliveira, 144 Bairro Tr\u00eas Vendas. Pelotas, RS, Brasil &#8211; CEP 96020 490 Telefone (053) 3273 4455 &#8211;\u00a0 9118 4587\u00a0 e-mail:\u00a0 <a href=\"mailto:williwetzel@hotmail.com\">williwetzel@hotmail.com<\/a><\/p>\n<p>Enfermeiro, p\u00f3s graduando em Farmacologia Clinica da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas\/RS.<\/p>\n<p>Enfermeiro da Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Pelotas e do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas<\/p>\n<p><strong>Marysabel Pinto Telis Silveira<\/strong>, rua Dom Pedrito, 842, Laranjal, Pelotas, RS, Brasil &#8211; CEP: 96090-230<\/p>\n<p>Telefone: (053) 32261927 &#8211; 99814029\u00a0\u00a0 e-mail:\u00a0<a href=\"mailto:marysabelfarmacologia@yahoo.com.br\">marysabelfarmacologia@yahoo.com.br<\/a><\/p>\n<p>Farmac\u00eautica-Bioquimica, professora e coordenadora do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Farmacologia Clinica e professora de Farmacologia da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas\/RS.<\/p>\n<h4><strong> RESUMO:<\/strong><\/h4>\n<p>Artigo de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica que aborda a quest\u00e3o da hipertens\u00e3o arterial e descreve os fatores envolvidos na ades\u00e3o ao tratamento anti-hipertensivo, as estrat\u00e9gias para melhor\u00e1-la e subsidiar a abordagem multiprofissional. A ades\u00e3o ao tratamento anti-hipertensivo tem sido um desafio no controle da hipertens\u00e3o arterial e conhecer como este assunto esta sendo enfocado na literatura pode contribuir para sua abordagem. S\u00e3o descritos os fatores e as estrat\u00e9gias envolvidas na ades\u00e3o, bem como a abordagem multiprofissional no tratamento da hipertens\u00e3o arterial, o que poder\u00e1 auxiliar na elabora\u00e7\u00e3o de programas de sa\u00fade, na abordagem e condu\u00e7\u00e3o do tratamento anti-hipertensivo e na integra\u00e7\u00e3o da equipe de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong> PALAVRAS-CHAVE:<\/strong> Hipertens\u00e3o arterial; ades\u00e3o ao tratamento; abordagem multiprofissional.<\/p>\n<h4><strong> ABSTRACT:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">This is an article of bibliographic review that approaches the question of hypertension and describes the involved factors to the adherence the anti-hypertension treatment, the strategies to make it better and subsidize to multiprofessional approach. The adherence to the anti-hypertension treatment has been being a challenge in the control of the hypertension and knowing how this subject is being focused in the literature can contribute to its approach. Factors and the involved strategies in the adherence are described, just like the multiprofessional approach in the hypertension treatment, which may help in the elaboration of health programs, in the approach and conduction of treatment anti-hypertension and integration of health team.<\/p>\n<p><strong> KEY WORDS:<\/strong> hypertension, adherence to the treatment, multiprofessional treatment.<\/p>\n<h4><strong> RESUMEN:<\/strong><\/h4>\n<p>Art\u00edculo de revisi\u00f3n bibliogr\u00e1fica que describe la hipertensi\u00f3n arterial y los factores relacionados con la adherencia al tratamiento antihipertensivo, as\u00ed como las estrategias para mejorarla y subsidiar la actuaci\u00f3n multiprofesional. La adherencia al tratamiento antihipertensivo ha sido un desaf\u00edo para el control de la hipertensi\u00f3n arterial, y conocer como este asunto esta siendo enfocado en la literatura puede contribuir para mejorarla. Son descriptos los factores y las estrategias relacionadas con la adherencia, as\u00ed como la actuaci\u00f3n multiprofesional para el tratamiento de la hipertensi\u00f3n arterial, lo que podr\u00e1 auxiliar en la elaboraci\u00f3n de programas de salud, conducci\u00f3n del tratamiento antihipertensivo e integraci\u00f3n del equipo de salud.<\/p>\n<p><strong> PALABRAS-CLAVE:<\/strong> Hipertensi\u00f3n arterial; adherencia al tratamiento; Actuaci\u00f3n multiprofesional.<\/p>\n<h4><strong> INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>No campo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, as doen\u00e7as cr\u00f4nicas est\u00e3o em ascens\u00e3o. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade ser\u00e3o as doen\u00e7as cr\u00f4nicas que ocupar\u00e3o a lideran\u00e7a das causas de incapacidades nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas que, conjuntamente com o aumento da popula\u00e7\u00e3o idosa, representar\u00e3o um contingente populacional marcado pelo conv\u00edvio com a cronicidade.<sup><a title=\"\" href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">1<\/a><\/sup><\/p>\n<p>No universo das doen\u00e7as cr\u00f4nico-degenerativas, ou seja, aquelas caracterizadas por historia natural prolongada, com multiplicidade de fatores de risco complexos, intera\u00e7\u00e3o de fatores etiol\u00f3gico e biol\u00f3gico conhecidos e\/ou desconhecidos, longo per\u00edodo de lat\u00eancia e longo curso assintom\u00e1tico, curso clinico em geral prolongado e permanente, manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas com per\u00edodos de remiss\u00e3o e exacerba\u00e7\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o para graus variados de incapacidades ou para morte, a hipertens\u00e3o arterial se destaca pela magnitude de suas m\u00faltiplas express\u00f5es<sup><a title=\"\" href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">2<\/a><\/sup>. Sendo, conceituada por Soares (1998), como: \u201cuma s\u00edndrome de origem multifatorial, caracterizada pelo aumento das cifras press\u00f3ricas arteriais, possibilitando anormalidades cardiovasculares e metab\u00f3licas que podem levar a altera\u00e7\u00f5es funcionais e\/ou estruturais de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os, principalmente cora\u00e7\u00e3o, c\u00e9rebro, rins e vasos perif\u00e9ricos\u201d.<sup><a title=\"\" href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">3<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Ocorre uma diferen\u00e7a fundamental entre pa\u00edses ricos e pobres em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mortalidade por doen\u00e7as cardiovasculares. Nos pa\u00edses ricos, a mortalidade por essas doen\u00e7as ocorre nas faixas et\u00e1rias acima dos 60-70 anos, enquanto nos pa\u00edses pobres, essa mortalidade ocorre precocemente, na meia idade, ou seja, entre 45-64 anos, em uma fase na qual o indiv\u00edduo \u00e9 economicamente ativo, representando grande \u00f4nus social e econ\u00f4mico.<sup><a title=\"\" href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">4<\/a>,<a title=\"\" href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">5<\/a>,<a title=\"\" href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">6<\/a><\/sup> No Brasil, o mais difundido \u00e9 o de que as doen\u00e7as cardiovasculares acometem estratos afluentes e ricos da nossa sociedade, sendo uma vis\u00e3o err\u00f4nea, pois, a doen\u00e7a cardiovascular ocorre, predominantemente, nas regi\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o pobre, em decorr\u00eancia da aus\u00eancia de assist\u00eancia m\u00e9dica e da falta de controle dos fatores de risco. Al\u00e9m disso, o risco da mulher brasileira morrer decorrente da doen\u00e7a cardiovascular est\u00e1 entre os mais elevados do mundo, dentre os quais, o principal fator de risco na realidade brasileira \u00e9 a hipertens\u00e3o arterial<sup>.<\/sup><sup> 4<\/sup><sup>,<\/sup><sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Nesse sentido, elencamos os fatores de risco conhecidos para doen\u00e7a cardiovascular, para melhor identifica\u00e7\u00e3o e controle destes, pois, \u00e9 fundamental o entendimento de suas classifica\u00e7\u00f5es. Eles podem ser classificados em: n\u00e3o modific\u00e1veis \u2013 idade, sexo e hist\u00f3rico familiar positivo para hipertens\u00e3o; modific\u00e1veis \u2013 dislipidemias (hipercolesterolemia), diabetes melito, hipertens\u00e3o arterial sist\u00eamica, tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse psicossocial; e novos \u2013 HDL colesterol menor que 35 mg\/dl, fibrinog\u00eanio, hemocisteina, microalbumin\u00faria e prote\u00edna C reativa, estes ainda em estudo.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Pesquisa realizada pela Secretaria Estadual de Sa\u00fade de Porto Alegre\/RS em 1986\/87, constatou que 77% dos homens e 78% das mulheres apresentavam um ou mais fatores de risco modific\u00e1veis associados.<sup><a title=\"\" href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">7<\/a><\/sup> Entre os fatores de risco primordiais para hipertens\u00e3o arterial, encontra-se o aumento do peso corporal, o excesso de ingest\u00e3o de bebida alco\u00f3lica e o consumo excessivo de sal.<sup>4<!-- [if gte mso 9]><xml>  <w:data>08D0C9EA79F9BACE118C8200AA004BA90B02000000080000000D0000005F00520065006600340034003400320034003600350036000000<\/w:data> <\/xml><![endif]-->,5<\/sup><\/p>\n<p><!-- [if gte mso 9]> <![endif]--> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hipertens\u00e3o arterial, o seu diagnostico \u00e9 simples, basta \u00e0 aferi\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial com aparelho e condi\u00e7\u00f5es adequadas. Entretanto, deve-se considerar no diagn\u00f3stico, al\u00e9m dos n\u00edveis tencionais, os fatores de risco, a les\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os alvo, as comorbidades associadas e a presen\u00e7a de hipertens\u00e3o do avental branco.6<!-- [if gte mso 9]><xml>  <w:data>08D0C9EA79F9BACE118C8200AA004BA90B02000000080000000D0000005F00520065006600340034003400320034003800390036000000<\/w:data> <\/xml><![endif]--> Para uma melhor compreens\u00e3o dos valores referentes \u00e0 press\u00e3o arterial, s\u00e3o apresentados na Tabela 1, os crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos e classifica\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos adultos acima de 18 anos, de acordo com seus n\u00edveis tencionais.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p><center><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"594\">Tabela 1 &#8211; Classifica\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial (&gt; 18 anos)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">Classifica\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">Press\u00e3o sist\u00f3lica (mmHg)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">Press\u00e3o diast\u00f3lica(mmHg)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">\u00d3tima<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">&lt;120<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">&lt;80<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">Normal<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">&lt;130<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">&lt;85<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">Lim\u00edtrofe<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">130-139<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">85-89<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"594\">Hipertens\u00e3o:<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">Est\u00e1gio 1 (leve)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">140-159<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">90-99<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">Est\u00e1gio 2 (moderado)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">160-179<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">100-109<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">Est\u00e1gio 3 (grave)<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">\u2265180<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">\u2265110<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"173\">Sist\u00f3lica isolada<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"182\">\u2265140<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"240\">&lt;90<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"594\">O valor mais alto da sist\u00f3lica ou diast\u00f3lica estabelece o est\u00e1gio do quadro hipertensivo. Quando as press\u00f5es sist\u00f3lica e diast\u00f3lica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classifica\u00e7\u00e3o do est\u00e1gio.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/p>\n<p>Fonte: IV Diretrizes Brasileiras de Hipertens\u00e3o Arterial, 2002.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a hipertensiva n\u00e3o controlada causa les\u00f5es em \u00f3rg\u00e3os alvo como sistema cardiovascular, nervoso e renal, ocasionando morte s\u00fabita, angina do peito, infarto do mioc\u00e1rdio e o agravamento de suas complica\u00e7\u00f5es, tais como acidente vascular encef\u00e1lico isqu\u00eamico e\/ou hemorr\u00e1gico, insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica, dissec\u00e7\u00e3o da aorta, arteriopatia obliterante perif\u00e9rica entre outras.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Existe um arsenal medicamentoso para o tratamento da hipertens\u00e3o arterial, o qual permite interven\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios sistemas e mecanismos envolvidos na g\u00eanese e na sustenta\u00e7\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial, permitindo o seu controle adequado. Entretanto, representam desafios o controle da press\u00e3o arterial e sua manuten\u00e7\u00e3o em longo prazo.<sup><a title=\"\" href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">8<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Para o controle da hipertens\u00e3o arterial, a ades\u00e3o ao tratamento \u00e9 imprescind\u00edvel. Seu conceito refere-se ao grau de cumprimento das medidas terap\u00eauticas indicadas, sejam elas medicamentosas ou n\u00e3o, com o objetivo de manter a press\u00e3o arterial em n\u00edveis normais.<sup>5<\/sup> Em outra defini\u00e7\u00e3o, Horwitz e Horwitz<sup><a title=\"\" href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">9<\/a><\/sup> colocam que, a ades\u00e3o pode ser caracterizada como a extens\u00e3o em que o comportamento do indiv\u00edduo em termos de tomar o medicamento, seguir a dieta, realizar mudan\u00e7as no estilo de vida e comparecer \u00e0s consultas m\u00e9dicas coincide com o conselho m\u00e9dico ou de sa\u00fade. Sob aspecto abrangente, Miller et al apud Pierin<sup>5<\/sup> definem ades\u00e3o ao tratamento como sendo \u201cum meio para alcan\u00e7ar um fim, uma abordagem para a manuten\u00e7\u00e3o ou melhora da sa\u00fade, buscando diminuir os sinais e sintomas de uma doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Embora existam v\u00e1rios m\u00e9todos de medida de ades\u00e3o do paciente ao tratamento, classificados em indiretos (auto-relato, opini\u00e3o do m\u00e9dico, di\u00e1rio do paciente, contagem dos comprimidos, reabastecimento de comprimidos, resposta cl\u00ednica e monitoriza\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica) e diretos (analise biol\u00f3gica e composto tra\u00e7ador), o fracasso terap\u00eautico \u00e9 evidente, e sua(s) raz\u00e3o(\u00f5es) representam um grande desafio.<sup>5,<a title=\"\" href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">1<\/a>0<\/sup><\/p>\n<p>A falta de ades\u00e3o ao tratamento anti-hipertensivo continua sendo um dos maiores problemas na \u00e1rea da hipertens\u00e3o arterial<sup>5,<\/sup><sup> 10<\/sup><sup>,<a title=\"\" href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">1<\/a>1<\/sup>. Como a hipertens\u00e3o arterial \u00e9 uma doen\u00e7a multifatorial, que envolve orienta\u00e7\u00f5es voltadas para v\u00e1rios objetivos, seu tratamento requer o apoio de diferentes profissionais da sa\u00fade al\u00e9m do m\u00e9dico.<sup>4-6<\/sup> Ressalta-se a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o da equipe multiprofissional no atendimento ao hipertenso.<sup>6<\/sup> Entretanto, segundo Sasquis<sup>11<\/sup>,o n\u00famero de trabalhos indexados sobre ades\u00e3o ao tratamento na hipertens\u00e3o arterial de 1991 a 1995 foram somente dois na Am\u00e9rica Latina, sendo um no Brasil e outro na Argentina. Atualmente, em consulta \u00e0 base de dados Bireme,<sup><a title=\"\" href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">12<\/a><\/sup> foram encontrados treze refer\u00eancias sobre ades\u00e3o ao tratamento anti-hipertensivo abordado por equipe multidisciplinar, atrav\u00e9s da pesquisa \u201chypertension and team and adherence or compliance and drugs or agents\u201d, demonstrando assim, a recente preocupa\u00e7\u00e3o com a ades\u00e3o e a abordagem por equipe multiprofissional.<\/p>\n<p>O principal objetivo do tratamento anti-hipertensivo \u00e9 reduzir a morbidade e a mortalidade das doen\u00e7as cardiovasculares associados aos n\u00edveis elevados da press\u00e3o arterial,<sup>4-6,10<\/sup> pois, existem evid\u00eancias de que o controle da hipertens\u00e3o reduz de modo significativo a morbidade e a mortalidade cardiovascular. Por\u00e9m, t\u00eam se observado que o controle da hipertens\u00e3o arterial, de modo geral, apresenta-se pouco satisfat\u00f3rio, necessitando rever sua abordagem.<sup>5,6,10,11<\/sup> Enfim, diversos esfor\u00e7os t\u00eam sido empregados para desenvolver formas de preven\u00e7\u00e3o e tratamento dessa patologia.<\/p>\n<p>Este artigo tem como objetivo descrever os fatores envolvidos na ades\u00e3o ao tratamento da hipertens\u00e3o arterial, abordar estrat\u00e9gias para melhorar a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica proposta e proporcionar subs\u00eddios para uma abordagem multiprofissional, atrav\u00e9s de levantamento bibliogr\u00e1fico.<\/p>\n<h4><strong> FATORES ENVOLVIDOS NA ADES\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A literatura \u00e9 un\u00e2nime ao colocar como fundamental o papel da ades\u00e3o no sucesso do tratamento anti-hipertensivo e seus consider\u00e1veis riscos ao ser humano na sua aus\u00eancia, o que pode tornar o problema mais complexo. V\u00e1rios fatores exercem influ\u00eancia no processo da ades\u00e3o ao tratamento, os quais podem estar relacionados ao paciente, \u00e0 doen\u00e7a, ao tratamento, a aspectos institucionais ou at\u00e9 mesmo ao relacionamento m\u00e9dico-paciente.<sup>5,10<\/sup> Sloan e Chmel<sup><a title=\"\" href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">1<\/a>3<\/sup> acrescentam que qualquer diagnostico feito sem as devidas considera\u00e7\u00f5es sobre o estilo de vida e avalia\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas do paciente, deve ser considerado limitado e incompleto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os \u00edndices de controle da hipertens\u00e3o arterial divergem entre autores, por exemplo, conforme Pierin,<sup>5<\/sup> o \u00edndice de controle nos Estados Unidos \u00e9 de 29%, na Alemanha 22%, na Austr\u00e1lia 19%, na Esc\u00f3cia 17%, no Canad\u00e1 16% e na Inglaterra 6%. Os dados de Mion <sup> <a title=\"\" href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\"> 14<\/a><\/sup> revelam que nos Estados Unidos e na Alemanha o \u00edndice de controle da hipertens\u00e3o arterial \u00e9 de 27%, na Fran\u00e7a 24%, na Espanha 20%, na Esc\u00f3cia 17%, na \u00cdndia 16% e na Inglaterra 7%. No Brasil n\u00e3o sabemos, devido \u00e0 falta de publica\u00e7\u00f5es a respeito. Contudo, o \u00edndice de controle da hipertens\u00e3o arterial \u00e9 baixo e necessita ser revertido.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com Pierin<sup>5<\/sup> e Nobre<sup>10<\/sup>, os problemas de ades\u00e3o nem sempre s\u00e3o f\u00e1ceis de detectar, e ainda mais dif\u00edcil \u00e9 qualifica-los. A fim de melhorar o controle da hipertens\u00e3o arterial, \u00e9 importante reunir esfor\u00e7os no sentido de identificar os pacientes que n\u00e3o aderem ao tratamento proposto,<sup>5,10<\/sup> e tamb\u00e9m, dos que n\u00e3o sabem do diagn\u00f3stico.<sup>4<\/sup> Os principais fatores que podem influenciar na ades\u00e3o dos pacientes ao tratamento est\u00e3o relacionados na Tabela 2. Conhec\u00ea-los \u00e9 pe\u00e7a fundamental para o planejamento das a\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. Ali\u00e1s, a participa\u00e7\u00e3o ativa do paciente no processo de ades\u00e3o \u00e9 importante, inclusive opinando quanto ao tratamento proposto.<sup>5<\/sup> No entanto, vale lembrar a import\u00e2ncia do conhecimento integrado ao abordar a problem\u00e1tica da ades\u00e3o, o repasse deste conhecimento, relacionando os fatores nocivos para a sa\u00fade do individuo aliando os diferentes saberes (cultural, cient\u00edfico, religioso&#8230;) ao trabalho em equipe, para tratar as enfermidades desde a forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Tabela 2 &#8211; Fatores que interferem na ades\u00e3o ao tratamento.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p><center><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Paciente<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Sexo<\/p>\n<p>Idade<\/p>\n<p>Etnia<\/p>\n<p>Estado civil<\/p>\n<p>Escolaridade<\/p>\n<p>N\u00edvel socioecon\u00f4mico<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Aspectos psicossociais<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Auto-efici\u00eancia<\/p>\n<p>Auto-motiva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Auto-estima<\/p>\n<p>Personalidade<\/p>\n<p>Depress\u00e3o<\/p>\n<p>Ansiedade<\/p>\n<p>Suporte social<\/p>\n<p>Percep\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios do tratamento<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Doen\u00e7a<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Cronicidade<\/p>\n<p>Aus\u00eancia de sintomas<\/p>\n<p>Conseq\u00fc\u00eancias tardias<\/p>\n<p>Hipertens\u00e3o secund\u00e1ria<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Cren\u00e7as, h\u00e1bitos de vida<\/p>\n<p>e culturais<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Percep\u00e7\u00e3o da seriedade do problema<\/p>\n<p>Desconhecimento<\/p>\n<p>Experi\u00eancia com a doen\u00e7a<\/p>\n<p>Contexto familiar<\/p>\n<p>Conceito sa\u00fade\/doen\u00e7a<\/p>\n<p>Auto-estima<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Tratamento<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Custo<\/p>\n<p>Efeitos indesej\u00e1veis<\/p>\n<p>Esquemas complexos<\/p>\n<p>Qualidade de vida<\/p>\n<p>Sele\u00e7\u00e3o indesejada das drogas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Institui\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Pol\u00edtica de sa\u00fade<\/p>\n<p>Acesso ao servi\u00e7o de sa\u00fade<\/p>\n<p>Dist\u00e2ncia<\/p>\n<p>Tempo de espera\/tempo de atendimento<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Relacionados com a equipe<\/p>\n<p>de sa\u00fade<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Envolvimento<\/p>\n<p>Relacionamento inadequado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"233\">Condi\u00e7\u00f5es concomitantes<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"324\">Insufici\u00eancia renal<\/p>\n<p>Obesidade<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/p>\n<p>Fonte: Pierin A. et al, 2004<\/p>\n<h4><strong>ESTRAT\u00c9GIAS PARA MELHORAR A ADES\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Qualificar a assist\u00eancia \u00e0 pessoa com hipertens\u00e3o arterial pressup\u00f5e acrescer ao modelo cl\u00ednico vigente, projetos de atua\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 subjetividade dessa experi\u00eancia vital. Principalmente, os avan\u00e7os dos esquemas terap\u00eauticos atuais, incluindo os preceitos comportamentais voltados para a promo\u00e7\u00e3o e a preven\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, visando estender a longevidade humana,<sup><a title=\"\" href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">15<\/a><\/sup> pois, \u00e9 poss\u00edvel reiterar que \u201cdeterminados estilos de vida s\u00e3o perigosos, seja para o pr\u00f3prio indiv\u00edduo, seja para os que lhe cercam. Assim, estes demandam inven\u00e7\u00f5es apropriadas. \u00c9 essencial, contudo, n\u00e3o perder de vista a perspectiva de vida, sob o risco de serem adotadas medidas que conduzem a a\u00e7\u00f5es insens\u00edveis, culpabilizantes, limitantes e, conforme o caso, de afetividade restrita\u201d.<sup><a title=\"\" href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">16<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Sobretudo, o conhecimento da forma como vem sendo discutida a problem\u00e1tica da ades\u00e3o no tratamento da hipertens\u00e3o parece importante para o direcionamento das a\u00e7\u00f5es da equipe de sa\u00fade.<sup>11<\/sup> Portanto, a obten\u00e7\u00e3o do controle permanece um desafio para todos os profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade que atuam junto aos hipertensos.<sup>5,6<\/sup> Contudo, v\u00e1rios recursos podem ser adotados para melhorar o controle da hipertens\u00e3o e promover a ades\u00e3o ao tratamento. Os principais est\u00e3o elencados na Tabela 3.<\/p>\n<p>Tabela 3 &#8211; Estrat\u00e9gias para facilitar a ades\u00e3o<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p><center><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"169\">Paciente<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"460\">Identifica\u00e7\u00e3o de grupos de risco<\/p>\n<p>Motiva\u00e7\u00e3o do paciente<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Autocuidado<\/p>\n<p>Medida de press\u00e3o em casa<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"169\">Tratamento<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"460\">Drogas com menos efeitos indesej\u00e1veis<\/p>\n<p>Baixo custo<\/p>\n<p>Monoterapia<\/p>\n<p>Comodidade posol\u00f3gica<\/p>\n<p>Combina\u00e7\u00e3o terap\u00eautica<\/p>\n<p>Orienta\u00e7\u00e3o sobre efeitos indesej\u00e1veis<\/p>\n<p>Prescri\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es por escrito, f\u00e1cil entendimento<\/p>\n<p>Familiariza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos com esquemas terap\u00eauticos<\/p>\n<p>Tratamento para grupos diferenciados<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"169\">Equipe multidisciplinar<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"460\">Convoca\u00e7\u00e3o de faltosos, desistentes.<\/p>\n<p>Visita domiciliar<\/p>\n<p>Reuni\u00e3o em grupo<\/p>\n<p>Estabelecer objetivos junto com o paciente<\/p>\n<p>Estabelecer contrato com direitos e deveres do paciente e da equipe<\/p>\n<p>Flexibilidade na ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias<\/p>\n<p>Fixar equipe de atendimento<\/p>\n<p>Obedecer a hor\u00e1rio das consultas<\/p>\n<p>Estabelecer v\u00ednculo com o paciente<\/p>\n<p>Considerar cren\u00e7as, h\u00e1bitos e cultura do paciente.<\/p>\n<p>Atendimento no local de trabalho<\/p>\n<p>Sistema de contato telef\u00f4nico<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/center><\/p>\n<p>Fonte: Pierin A. et al, 2004<\/p>\n<p>Um conjunto substancial de evid\u00eancias sugere que a g\u00eanese do processo de doen\u00e7a tem muito a ver com pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e estilo de vida e a prescri\u00e7\u00e3o preferida deve ser uma abordagem combinada de orienta\u00e7\u00f5es a respeito do estilo de vida e tratamento cl\u00ednico da doen\u00e7a. Sobretudo, tomar uma iniciativa pessoal para permanecer saud\u00e1vel requer um compromisso com o aprendizado por toda vida. Nosso corpo e as necessidades de cuidados com a nossa sa\u00fade mudam \u00e0 medida que envelhecemos. Reiteramos que, quanto mais uma pessoa sabe de sua sa\u00fade, em qualquer idade, melhor ela est\u00e1 preparada para cuidar-se, pois, a educa\u00e7\u00e3o confere poderes.<sup>13<\/sup><\/p>\n<h4><strong> ABORDAGEM MULTIPROFISSIONAL<\/strong><\/h4>\n<p>O setor sa\u00fade tem que responder a uma pluralidade de necessidades de alta complexidade e especificidade e tamb\u00e9m deve atuar nos espa\u00e7os onde as pessoas vivem o seu cotidiano, de modo a proporcionar uma vida saud\u00e1vel. A aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade deve levar em conta a integralidade do ser humano, a qualidade de vida e a promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade como seus fundamentos b\u00e1sicos. Entretanto, surge a necessidade de mudan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos em sa\u00fade para o trabalho multidisciplinar.<\/p>\n<p>Pelo fato da hipertens\u00e3o ser multifatorial,<sup>4<\/sup>por n\u00e3o acarretar na maioria das vezes sintomas ao paciente, e, por envolver orienta\u00e7\u00f5es voltadas para v\u00e1rios objetivos, o sucesso na consecu\u00e7\u00e3o dessas metas \u00e9 bastante limitado quando decorre da a\u00e7\u00e3o de um \u00fanico profissional. Este fato talvez justifique o baixo \u00edndice de sucesso e de ades\u00e3o obtidos quando os cuidados ao paciente s\u00e3o realizados por um \u00fanico profissional de sa\u00fade, classicamente o m\u00e9dico.<sup>5<\/sup> Objetivos m\u00faltiplos exigem diferentes abordagens e a forma\u00e7\u00e3o de uma equipe multiprofissional, que ir\u00e1 proporcionar essa a\u00e7\u00e3o diferenciada.<sup><a title=\"\" href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">17<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Segundo as diretrizes brasileiras de hipertens\u00e3o arterial (2002), a equipe multiprofissional deve ser constitu\u00edda por profissionais que lidam com pacientes hipertensos: m\u00e9dicos, enfermeiros, nutricionistas, psic\u00f3logos, assistentes sociais, professores de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, farmac\u00eauticos, t\u00e9cnicos e auxiliares de enfermagem, funcion\u00e1rios administrativos e agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de todo esse grupo para forma\u00e7\u00e3o da equipe.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p>Os prestadores dos servi\u00e7os de sa\u00fade tamb\u00e9m precisam ser habilitados para uma abordagem multiprofissional com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica,<sup>13,<a title=\"\" href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">18<\/a><\/sup> pelo fato de o trabalho em equipe ser uma id\u00e9ia nova nos servi\u00e7os de sa\u00fade. Sobretudo, a hipertens\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a multifatorial,4 exige diferentes abordagens, e a aten\u00e7\u00e3o de uma equipe multiprofissional, ampliando as possibilidades de sucesso do tratamento anti-hipertensivo e do controle dos demais fatores de risco envolvidos, tais como os cardiovasculares, em que profissionais de sa\u00fade e pacientes s\u00e3o parceiros no tratamento,<sup>5,13 <\/sup>levando em conta que o tratamento com menos interfer\u00eancia \u00e9 o preferido pelos pacientes, porque ningu\u00e9m deseja intromiss\u00e3o em seus pensamentos ou seu estilo de vida.<sup>13<\/sup><\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade preconiza a multidisciplinaridade na sa\u00fade, onde o conjunto de profissionais trabalha em benef\u00edcio do doente. Dentre as principais vantagens desse tipo de atua\u00e7\u00e3o, conforme as diretrizes brasileiras de hipertens\u00e3o arterial de 2002, temos o aumento do n\u00famero de indiv\u00edduos atendidos em seus diversos modos de abordagem; maior ades\u00e3o ao tratamento; maior n\u00famero de pacientes hipertensos controlados e adotando h\u00e1bito de vida saud\u00e1vel; possibilidade de o paciente ser replicador de conhecimentos sobre tais h\u00e1bitos e o favorecimento de a\u00e7\u00f5es de pesquisa em servi\u00e7o. Ainda existem vantagens adicionais, como o crescimento profissional por constante troca de informa\u00e7\u00f5es e maior confian\u00e7a no servi\u00e7o.<sup>6<\/sup>Enfim, a problem\u00e1tica da ades\u00e3o ao tratamento anti-hipertensivo consiste em um grande desafio a ser enfrentado por todos: pessoa hipertensa, familiares, profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade, institui\u00e7\u00f5es e comunidade.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Assim sendo, a defini\u00e7\u00e3o do papel exercido pelos diferentes profissionais \u00e9 embasada na legisla\u00e7\u00e3o profissional vigente, bem que, em algumas circunst\u00e2ncias as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas s\u00e3o comuns a todos e isso deve acontecer de maneira natural. As a\u00e7\u00f5es comuns a todos os membros da equipe multidisciplinar s\u00e3o: promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade (a\u00e7\u00f5es educativas com \u00eanfase em mudan\u00e7a no estilo de vida, corre\u00e7\u00e3o dos fatores de risco e produ\u00e7\u00e3o de material educativo); treinamento de profissionais; encaminhamento a outros profissionais quando indicado; a\u00e7\u00f5es assistenciais individuais e em grupo; participa\u00e7\u00e3o em projetos de pesquisa e gerenciamento do programa.<sup>5,6,10<\/sup><\/p>\n<p>Entretanto, o controle da press\u00e3o arterial \u00e9 um desafio a ser enfrentado por todos. Apesar dos esfor\u00e7os dos profissionais da sa\u00fade, muito se descobriu a respeito, mas, pouco se avan\u00e7ou na obten\u00e7\u00e3o da ades\u00e3o ao tratamento e conseq\u00fcente controle, pois o paciente n\u00e3o adere a mudan\u00e7as recomendadas no modo de vida. Enfim, muitos estudos tem descrito os fatores que interferem na ades\u00e3o ao tratamento, enquanto outros abordam as estrat\u00e9gias para facilit\u00e1-la conduzindo a uma abordagem multiprofissional, por ser uma doen\u00e7a multifatorial, demonstrando a necessidade da atua\u00e7\u00e3o em equipe.<\/p>\n<div>\n<h4><strong> REFER\u00caNCIAS BIBLIOGRAFICAS<\/strong><\/h4>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"> 1. World Health Organization. Home care issues at the approach of 21<sup>st<\/sup> century from a World Health Organization Perspective: a literature review. Geneva: WHO, 1999<\/a><\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\"> 2. LESSA, I. O adulto brasileiro e as doen\u00e7as da modernidade: epidemiologia das doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1998. p. 29-42<\/a><\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\"> 3. SOARES, AM. Geriatria para o neurologista: hipertens\u00e3o arterial. 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