{"id":451,"date":"2006-11-18T18:48:44","date_gmt":"2006-11-18T18:48:44","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/por-entre-algalias-e-algaliacoes\/"},"modified":"2021-04-28T15:57:56","modified_gmt":"2021-04-28T15:57:56","slug":"por-entre-algalias-e-algaliacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/por-entre-algalias-e-algaliacoes\/","title":{"rendered":"Por entre alg\u00e1lias e algalia\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-align: justify;\">A aparente simplicidade da sua execu\u00e7\u00e3o oculta um grande n\u00famero de vari\u00e1veis te\u00f3ricas e de situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que se podem colocar diante de quem a executa<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A algalia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das t\u00e9cnicas que os enfermeiros executam mais ami\u00fade. A sua t\u00e9cnica b\u00e1sica \u00e9 algo que est\u00e1 perfeitamente padronizada e aceite, tendo sido j\u00e1 suficientemente discutida. No entanto, a sua execu\u00e7\u00e3o correcta n\u00e3o garante por si o sucesso da algalia\u00e7\u00e3o em muitos dos casos uma vez que este procedimento n\u00e3o \u00e9 linear . A aparente simplicidade da sua execu\u00e7\u00e3o oculta um grande n\u00famero de vari\u00e1veis te\u00f3ricas e de situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que se podem colocar diante de quem a executa. Foi para debelar e ultrapassar algumas situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis e delicadas que a enfermagem foi desenvolvendo e adoptando t\u00e9cnicas e saberes acess\u00f3rios que permitem obter o sucesso em algalia\u00e7\u00f5es complicadas e gerir com efic\u00e1cia muitas das complica\u00e7\u00f5es associadas a esta pr\u00e1tica. Esses saberes n\u00e3o se encontram explanados na bibliografia sendo portanto um dos desideratos deste artigo o de cristalizar alguns desses saberes. Uma vers\u00e3o alargada deste artigo pode ser encontrada na revista Nursing n\u00ba193.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">TUDO \u00c9 DIFERENTE!<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora os princ\u00edpios b\u00e1sicos sejam os mesmos existem diferen\u00e7as acerca dos m\u00e9todos usados na algalia\u00e7\u00e3o mediante se trate de um paciente do sexo masculino ou feminino. O procedimento realizado em doentes do sexo feminino geralmente n\u00e3o oferece contrariedades face ao trajecto curto e recto da uretra. O mesmo j\u00e1 n\u00e3o se passa com utentes do sexo masculino, uma vez que nestes a uretra tem uma longitude maior, oferecendo angula\u00e7\u00f5es e zonas em que diversos processos patol\u00f3gicos ou fisiol\u00f3gicos podem provocar apertos uretrais dificultando assim a passagem de uma sonda vesical.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O TAMANHO CONTA!<\/p>\n<p align=\"justify\">O tamanho neste caso \u00e9 importante!. Nas mulheres o tamanho trivial \u00e9 o 14Fr e para os homens \u00e9 o 16Fr. No entanto o tamanho pode variar consoante existam estenoses uretrais ou co\u00e1gulos a serem drenados. Muitas vezes existe o falso conceito de que uma sonda fina passa com mais facilidade por uma regi\u00e3o com aperto do que uma mais calibrosa. Por outro lado, se queremos usar uma sonda de baixo calibre devemos optar por uma sonda semi-r\u00edgida a n\u00e3o ser que tenhamos a garantia de uma uretra livre de obstru\u00e7\u00f5es. Lembre-se tamb\u00e9m que o potencial de desenvolver espasmos vesicais ou intoler\u00e2ncia \u00e0 sonda \u00e9 maior com sondas mais calibrosas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">ESCOLHA O TIPO DE SONDA ADEQUADA<\/p>\n<p align=\"justify\">A sonda vesical escolhida tem de estar consonante com o objectivo da algalia\u00e7\u00e3o. Para algalia\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias a sonda de l\u00e1tex \u00e9 a indicada, podendo permanecer no local por 7 dias. No entanto ela tem um potencial al\u00e9rgico acrescido. As sondas de silicone s\u00e3o uma alternativa mais onerosa mas apresentam uma vida de 3 meses, s\u00e3o mais r\u00edgidas do que as de l\u00e1tex negociando a sua passagem por zonas estreitas mais facilmente do que estas. As de PVC s\u00e3o semi-r\u00edgidas e usualmente usadas para algalia\u00e7\u00f5es intermitentes ou manobras especiais. As sondas de uma s\u00f3 via como as de B\u00e9quille n\u00e3o t\u00eam sistema de auto-reten\u00e7\u00e3o necessitando de fixa\u00e7\u00e3o externa. Para sondas do mesmo calibre, as de 2 vias apresentam uma via de drenagem com maior di\u00e2metro do que as de 3 vias uma vez que n\u00e3o partilham a sec\u00e7\u00e3o total da sonda com a via de irriga\u00e7\u00e3o. As sondas com ponta angulada ditas de Coud\u00e9 ( Delinotte, B\u00e9quille, Tiemann) s\u00e3o \u00fateis para casos de estenose e aperto da uretra prost\u00e1tica. Devem ser introduzidas com a extremidade orientada superiormente, podendo no ponto de resist\u00eancia proceder-se a rota\u00e7\u00f5es bilaterais de 90\u00ba. As sondas hemat\u00faricas devem esse nome ao facto de possu\u00edrem uma ponta biselada (de Couvellaire) permitindo a passagem de fragmentos e co\u00e1gulos e concomitantemente a sua aspira\u00e7\u00e3o com uma seringa de alimenta\u00e7\u00e3o contanto para isso com uma estrutura que impede o colapso quando se aplica uma press\u00e3o negativa. As sondas de Gouverneur s\u00e3o multiperfuradas e t\u00eam a sua utilidade na evacua\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos co\u00e1gulos intravesicais. As de Foley t\u00eam orif\u00edcios terminais, sendo usadas nas situa\u00e7\u00f5es triviais que bem conhecemos; n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria para lavagens vesicais ou hemat\u00farias.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-447\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3.jpg 600w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3-300x225.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3-560x420.jpg 560w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3-80x60.jpg 80w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3-100x75.jpg 100w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3-180x135.jpg 180w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia3-238x178.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Sonda Hemat\u00farica de tr\u00eas vias (notar a ponta em bisel, para maior facilidade na aspira\u00e7\u00e3o de co\u00e1gulos ou outro material)<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-448\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1.jpg 600w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1-300x225.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1-560x420.jpg 560w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1-80x60.jpg 80w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1-100x75.jpg 100w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1-180x135.jpg 180w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia1-238x178.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Sonda de Foley de Silicone (superior) e Sonda de B\u00e9quille (inferior)<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p><!--pagebreak--><\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-449\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2.jpg 600w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2-300x225.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2-560x420.jpg 560w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2-80x60.jpg 80w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2-100x75.jpg 100w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2-180x135.jpg 180w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia2-238x178.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Gouverneur (para lavagens vesicais, notar os v\u00e1rios orificios)<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-450\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia4.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia4.jpg 600w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia4-300x264.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/11\/algalia4-478x420.jpg 478w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Sonda de Tiemann: notar a ponta curva olivar e a presen\u00e7a de bal\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">DECIDA COM PONDERA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p align=\"justify\">A decis\u00e3o de algaliar deve ser encarada como um recurso. Deve ser ponderada a sua utiliza\u00e7\u00e3o de um modo judicioso e quando os m\u00e9todos n\u00e3o invasivos falharam. Usa-se principalmente em casos de reten\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria renitente aos m\u00e9todos tradicionais, em hemat\u00farias marcadas e em \u00faltimo recurso em incontin\u00eancia urin\u00e1ria.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">N\u00c3O DESCURE A LUBRIFICA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p align=\"justify\">A lubrifica\u00e7\u00e3o da uretra \u00e9 um passo que muitas vezes \u00e9 efectuado de um modo incorrecto. Uma boa lubrifica\u00e7\u00e3o minora os danos caudas pela algalia\u00e7\u00e3o e favorece uma introdu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil e indolor. Deve-se usar gel urol\u00f3gico, que tem na sua constitui\u00e7\u00e3o um anest\u00e9sico que permite , para al\u00e9m da anestesia um relaxamento da uretra. Deve-se instilar o gel na uretra e n\u00e3o coloc\u00e1-lo apenas sobre a sonda . Deve-se aguardar alguns minutos clampando-se a glande manualmente ou com um clampe peniano a fim de que o componente anest\u00e9sico surta efeito. A vaselina, para al\u00e9m de ser um m\u00e9todo at\u00e1vico \u00e9 desaconselhada uma vez que forma \u201dgrumos\u201d que podem obstruir os orif\u00edcios terminais de drenagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">SIGA A T\u00c9CNICA<\/p>\n<p align=\"justify\">O cumprimento dos princ\u00edpios b\u00e1sicos da t\u00e9cnica padr\u00e3o \u00e9 uma regra incontorn\u00e1vel uma vez que s\u00f3 assim se procede com a assepsia necess\u00e1ria, objectivo prim\u00e1rio da mesma. No entanto ela pode ser adaptada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es existentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A SONDA N\u00c3O \u00c9 UMA BROCA<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta \u00e9 uma das m\u00e1ximas de urologia mais importantes. A algalia\u00e7\u00e3o \u00e9 acima de tudo um exerc\u00edcio de paci\u00eancia e sensibilidade. A sonda n\u00e3o deve ser introduzida \u00e0 custa de for\u00e7a. Algalia\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas resultam em falsos trajectos (que impossibilitam algalia\u00e7\u00f5es subsequentes), estenoses da uretra, infec\u00e7\u00f5es etc., com consequ\u00eancias desastrosas para o doente. Se a sonda oferece resist\u00eancia \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o, recue-a um pouco e volte a tentar. Primeiro de tudo, segure a sonda correctamente:. Tente ler a anatomia da uretra atrav\u00e9s da alg\u00e1lia interpretando todas as resist\u00eancias encontradas. Oriente o p\u00e9nis do paciente perpendicularmente ao corpo e exer\u00e7a franca trac\u00e7\u00e3o na tentativa de retilinizar a uretra e posteriormente curve-o na direc\u00e7\u00e3o caudal. Relaxe o paciente. Tente efectuar movimentos de rota\u00e7\u00e3o com a sonda. Se n\u00e3o conseguir algaliar, tente com uma sonda mais pequena, ou com uma sonda de B\u00e9quille. Em alternativa chame outra pessoa mais habilitada: isto n\u00e3o \u00e9 sinal de falta de per\u00edcia, antes de sensatez. Anote o ponto em que sente resist\u00eancia: isto indicar\u00e1 se estamos perante uma hiperplasia da pr\u00f3stata , uma estenose uretral ou uma resist\u00eancia ao n\u00edvel do colo da bexiga. Muitas vezes o problema est\u00e1 na zona prost\u00e1tica, e a sonda n\u00e3o se consegue orientar convenientemente no \u00e2ngulo de transi\u00e7\u00e3o entre a uretra prost\u00e1tica e membranosa. Palpe o per\u00edneo e tente sentir a ponta da sonda e verifique se esta n\u00e3o est\u00e1 desviada do percurso normal.. Se o problema for uma estenose uretral, insira uma sonda B\u00e9quille de pequeno di\u00e2metro (8 FR) e deixe-a permanecer alguns minutos no local. Substitua-a por outra de tamanho acima e assim sucessivamente at\u00e9 um tamanho funcional. Se o doente j\u00e1 est\u00e1 algaliado, tem um historial de algalia\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e o intuito \u00e9 substituir a alg\u00e1lia, reduza ao m\u00ednimo o tempo entre a retirada da sonda antiga e a inser\u00e7\u00e3o da nova sonda para que o trajecto tutorizado pela sonda anterior n\u00e3o se oclua ou diminua de di\u00e2metro. Se apesar destes esfor\u00e7os a algalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exequ\u00edvel, considere a algalia\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel; provavelmente o \u00e9 verdadeiramente.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">ATEN\u00c7\u00c3O AO BAL\u00c3O<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos erros comuns \u00e9 interromper a progress\u00e3o da sonda vesical logo ap\u00f3s refluxo de urina. Por vezes, isto acontece quando o bal\u00e3o ainda est\u00e1 na uretra. Insuflando-o nesta posi\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m de uma dor apreci\u00e1vel que o doente experimenta de imediato, provoca mau funcionamento da sonda e traumatismo local. Se isto suceder, nunca devemos retirar a sonda e tentar introduzi-la novamente pois o edema intempestivo que se instalar\u00e1 impede a passagem de qualquer sonda mas antes proceder \u00e0 sua introdu\u00e7\u00e3o total na bexiga ap\u00f3s esvaziar o bal\u00e3o. Para prevenir situa\u00e7\u00f5es destas, deve-se introduzir a sonda completamente na bexiga. .Nunca use soro fisiol\u00f3gico pois este forma cristais que obstruem a via do bal\u00e3o e impedem o seu posterior esvaziamento; utilize \u00e1gua destilada ou mesmo ar. No caso de um bal\u00e3o que n\u00e3o esvazia, nunca se deve cortar a sonda pela zona de bifurca\u00e7\u00e3o suspeitando-se de uma v\u00e1lvula que n\u00e3o funciona pois desta maneira se impede toda e qualquer ac\u00e7\u00e3o sobre este e em alguns casos a sonda pode-se recolher totalmente dentro da uretra ou vesicalmente. Primeiramente deve-se verificar se n\u00e3o existe nada que cause o estrangulamento da sonda. Instilar cerca de 5cc rapidamente pode ser \u00fatil para remover pequenos cristais incrustados nas paredes da via do bal\u00e3o. Em alguns casos pode-se cortar a extens\u00e3o da v\u00e1lvula se aqui residir a sede do problema. Em alternativa pode-se encher o bal\u00e3o at\u00e9 um volume que cause a sua ruptura ou introduzir um fino fio-guia pela via do bal\u00e3o at\u00e9 causar a sua ruptura.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">N\u00c3O SE ESQUE\u00c7A DA ALGALIA\u00c7\u00c3O!<\/p>\n<p align=\"justify\">Pelo facto de uma algalia\u00e7\u00e3o ser bem sucedida, isso n\u00e3o significa que o risco de complica\u00e7\u00f5es se esgota ou que a\u00ed acaba a aten\u00e7\u00e3o do enfermeiro. De facto, algumas delas come\u00e7am imediatamente ap\u00f3s o seu t\u00e9rminos. Uma delas \u00e9 o esquecimento vulgar de n\u00e3o colocar o prep\u00facio na sua posi\u00e7\u00e3o original. Isto pode ocasionar uma situa\u00e7\u00e3o denominada parafimose. A alg\u00e1lia pode ser conectada a um saco colector ou ser clampada. A clampagem \u00e9 uma medida mais c\u00f3moda para o doente independente, n\u00e3o sendo por\u00e9m poss\u00edvel em algumas situa\u00e7\u00f5es como hemat\u00faria, monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da diurese, etc. O saco de urina deve estar sempre abaixo do n\u00edvel da uretra e se poss\u00edvel estar munido de uma v\u00e1lvula anti-refluxo. No caso de n\u00e3o haver drenagem de urina poder\u00e3o ser aventadas v\u00e1rias hip\u00f3teses: A tuboladura poder\u00e1 estar dobrada (Kinking), a sonda obstru\u00edda por co\u00e1gulos ou outro material como sedimento (alguns advogam a toma de suplementos de vitamina C para acidificar a urina) podendo-se neste caso instilar-se pela via de drenagem 50cc de SF recorrendo a uma seringa de alimenta\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 existir mau posicionamento da sonda, resolvido pela sua mobiliza\u00e7\u00e3o ou simplesmente podemos estar perante uma situa\u00e7\u00e3o de an\u00faria. Para despistagem da exterioriza\u00e7\u00e3o parcial da sonda devemos averiguar se a por\u00e7\u00e3o exteriorizada da sonda n\u00e3o aumentou, o que poderia indicar uma desinsufla\u00e7\u00e3o expont\u00e2nea do bal\u00e3o e consequente migra\u00e7\u00e3o dos orif\u00edcios de drenagem para a uretra ou colo vesical onde a drenagem n\u00e3o \u00e9 eficaz. A Infec\u00e7\u00e3o em indiv\u00edduos algaliados \u00e9 muito frequente e ser\u00e1 ut\u00f3pico almejarmos uma urina est\u00e9ril nestes doentes. O risco de infec\u00e7\u00e3o \u00e9 de 3,5%\/dia ou seja passados menos de 30 dias os doentes invariavelmente apresentam sinais francos ou discretos de infec\u00e7\u00e3o . A hidrata\u00e7\u00e3o oral abundante pode protelar esta situa\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o se esque\u00e7a de verificar o padr\u00e3o miccional ap\u00f3s retirar a sonda vesical.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A algalia\u00e7\u00e3o, como ficou demonstrado n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica linear, apresentando muitas nuances e vari\u00e1veis. \u00c8 importante que n\u00f3s, enfermeiro saibamos abord\u00e1-las com idoneidade e compet\u00eancia, com rigor cient\u00edfico e com uma atitude esclarecida. A execu\u00e7\u00e3o de uma algalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pode cingir \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de uma norma, mesmo que correctamente executada. \u00c8 imperativo a leitura das circunst\u00e2ncias particulares de cada situa\u00e7\u00e3o de modo a que se adoptem as decis\u00f5es adequadas e se proceda tecnicamente em conformidade com cada caso. Boas algalia\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Walsh, P. C. et al.: Campbell\u00b4s Urology, 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Philadelphia, W. B. Saunders Company, 1985.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aparente simplicidade da sua execu\u00e7\u00e3o oculta um grande n\u00famero de vari\u00e1veis te\u00f3ricas e de situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que se podem colocar diante de quem a executa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[223,175,226,225,227,224],"class_list":["post-451","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-algalia","tag-algaliacao","tag-bequille","tag-bexiga","tag-foley","tag-sonda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=451"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2469,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451\/revisions\/2469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}