{"id":349,"date":"2006-10-01T00:29:27","date_gmt":"2006-10-01T00:29:27","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/alimentacao-num-doente-com-paralisia-cerebral\/"},"modified":"2021-04-28T16:00:38","modified_gmt":"2021-04-28T16:00:38","slug":"alimentacao-num-doente-com-paralisia-cerebral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/alimentacao-num-doente-com-paralisia-cerebral\/","title":{"rendered":"Alimenta\u00e7\u00e3o num doente com paralisia cerebral"},"content":{"rendered":"<p>O tratamento dos sintomas apresentados pela pessoa com paralisia cerebral, deve ser realizado precocemente quando h\u00e1 somente suspeitas de PC. Muitas vezes preventivamente j\u00e1 podem ser tratados antes de aparecer, pois os sintomas evoluem gradualmente.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong>Ana Rita Santos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">Curso de Licenciatura em Terapia da Fala<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\">Alcoit\u00e3o<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A Paralisia Cerebral \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o do controlo neuro-muscular, da postura e do equil\u00edbrio, resultante de uma les\u00e3o est\u00e1tica, que afecta o c\u00e9rebro em per\u00edodo de desenvolvimento, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 primeira inf\u00e2ncia. Esta perturba\u00e7\u00e3o engloba um grupo de situa\u00e7\u00f5es de desvantagem ou disfun\u00e7\u00e3o variadas no que diz respeito aos aspectos motores e sensoriais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os dist\u00farbios da comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o vari\u00e1veis de acordo com os graus de comprometimento encef\u00e1lico, aparecendo em fun\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es provenientes de m\u00edmica facial, reflexos orais, alimenta\u00e7\u00e3o, respira\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o, fona\u00e7\u00e3o, linguagem, voz e audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Devido a tantas altera\u00e7\u00f5es verifica-se que \u00e9 indispens\u00e1vel a interven\u00e7\u00e3o do Terapeuta da Fala em casos de Paralisia Cerebral. Este profissional tem como fun\u00e7\u00e3o, entre outras, avaliar e intervir a n\u00edvel da alimenta\u00e7\u00e3o. Uma vez que, muitos indiv\u00edduos com paralisia cerebral apresentam uma altera\u00e7\u00e3o da motricidade oro-facial<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao longo do artigo ser\u00e1 abordada a defini\u00e7\u00e3o de paralisia cerebral e as diferentes t\u00e9cnicas de interven\u00e7\u00e3o do terapeuta da fala, no que respeita \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Paralisia Cerebral<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A paralisia cerebral (PC) \u00e9 um transtorno persistente do movimento e da postura, causado por uma les\u00e3o n\u00e3o evolutiva do sistema nervoso central (SNC), durante o per\u00edodo precoce do desenvolvimento cerebral (Eicher e Batshaw, 1993, citado por Arg\u00fcelles, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">Mc Carthy (1987, citado por Sakata, 1999) alega que apesar da les\u00e3o n\u00e3o ser progressiva, as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas podem mudar com o decorrer do tempo, devido \u00e0 plasticidade do c\u00e9rebro em desenvolvimento.<\/p>\n<p align=\"justify\">A incid\u00eancia de PC situa-se \u00e0 volta de 2 por 1000 rec\u00e9m-nascidos vivos. Nos \u00faltimos anos, observou-se um ligeiro aumento de incid\u00eancia, bem como uma mudan\u00e7a na frequ\u00eancia dos diversos subtipos de PC. Este aumento atribui-se \u00e0 maior sobreviv\u00eancia de rec\u00e9m-nascidos com peso muito baixo ao nascer (Hagberg e Cols, 1989, citado por Arg\u00fcelles, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">As causas de PC s\u00e3o m\u00faltiplas e ocorrem concomitantemente, sendo dif\u00edcil determinar a etiologia espec\u00edfica e, portanto, conseguir uma preven\u00e7\u00e3o eficaz. As diversas causas podem ser causas pr\u00e9-natais, peri-natais ou p\u00f3s-natais. As causas pr\u00e9-natais englobam factores heredit\u00e1rios (geneticamente transmitidos) e factores adquiridos, como infec\u00e7\u00f5es intra-uterinas, atrasos no crescimento intra-uterino,intoxica\u00e7\u00f5es, exposi\u00e7\u00e3o a radia\u00e7\u00f5es, anomalias gen\u00e9ticas, cardiopatias cong\u00e9nitas, prematuridade, altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas. As causas peri-natais cont\u00eam um conjunto de altera\u00e7\u00f5es devidas a hip\u00f3xia ou anoxia, infec\u00e7\u00e3o do SNC, hemorragia intracraniana, incompatibilidade sangu\u00ednea fetomaterna (causadora de icter\u00edcia no rec\u00e9m-nascido), obstru\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, uso indevido de analg\u00e9sicos ou anest\u00e9sicos. Por fim, as causas p\u00f3s-natais englobam tumores cerebrais, traumatismos cr\u00e2nio-encef\u00e1licos, estados convulsivos, desidrata\u00e7\u00e3o grave, paragem cardio-respirat\u00f3ria, ingest\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 importante ressaltar, que as principais causas de paralisia cerebral s\u00e3o a prematuridade e a anoxia peri-natal, seguida de infec\u00e7\u00f5es como a meningite ou a encefalite (Pinho, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Na PC podem-se considerar as seguintes caracter\u00edsticas gerais:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">perturba\u00e7\u00e3o global da postura e do movimento;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">altera\u00e7\u00f5es das reac\u00e7\u00f5es de equil\u00edbrio e extens\u00e3o protectiva;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">padr\u00f5es de movimentos disfuncionais;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">persist\u00eancia de actividade reflexa;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">d\u00e9fices sensoriais (vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es da sensibilidade);<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">perturba\u00e7\u00f5es da comunica\u00e7\u00e3o, linguagem e fala;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">problemas perceptivos;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">altera\u00e7\u00f5es cognitivas;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">altera\u00e7\u00f5es emocionais e de comportamento.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">H\u00e1 cinco tipos cl\u00ednicos de crian\u00e7as com PC, que s\u00e3o: esp\u00e1stico, atet\u00f3sico, dist\u00f3nico, at\u00e1xico e hipot\u00f3nico.<\/p>\n<p align=\"justify\">A PC esp\u00e1stica \u00e9 a mais frequente e \u00e9 causada por uma les\u00e3o da via piramidal. As crian\u00e7as com este tipo cl\u00ednico, geralmente, apresentam tetrapar\u00e9sia, hemipar\u00e9sia ou diplegia. Manifesta-se por hipertonia muscular e reflexos exaltados, n\u00e3o se verificando varia\u00e7\u00f5es de t\u00f3nus. H\u00e1 desenvolvimento de deformidades e contracturas, devidas \u00e0 persist\u00eancia de padr\u00f5es desajustados, est\u00e1ticos e din\u00e2micos (Arg\u00fcelles, 2001 &amp; Pinho, 1999). H\u00e1, ainda, d\u00e9fices sensoriais associados (normalmente visuais) e disfun\u00e7\u00e3o comunicativa grave, atraso do desenvolvimento da linguagem, disartria e anartria. Estas crian\u00e7as, normalmente, s\u00e3o passivas e fechadas, n\u00e3o s\u00e3o agressivas, mas tamb\u00e9m n\u00e3o demonstram iniciativa. Por norma, sentem-se inseguras e com medo, tendo dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a e um d\u00e9fice de interac\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">No tipo atet\u00f3sico h\u00e1 comprometimento do sistema extrapiramidal (n\u00facleos da base). As crian\u00e7as portadoras deste tipo apresentam tetrapar\u00e9sia ou hemipar\u00e9sia, com mudan\u00e7as de t\u00f3nus imprevis\u00edveis, tendo flutu\u00e7\u00f5es entre o normal e o baixo, mantendo-se normalmente baixo (Sakata, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Estas crian\u00e7as raramente desenvolvem contracturas ou deformidades, havendo um excesso de mobilidade articular. Assim, verifica-se uma deficiente coordena\u00e7\u00e3o e gradua\u00e7\u00e3o de movimentos, com dificuldade em manter posturas. Existem d\u00e9fices sensoriais associados (a surdez \u00e9 o mais frequente), dificuldades na sustenta\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o e atraso do desenvolvimento da linguagem, disartria, anartria. Na PC atet\u00f3sica, as crian\u00e7as s\u00e3o inst\u00e1veis e com imaturidade emocional, sendo extrovertidos com varia\u00e7\u00f5es s\u00fabitas de humor. S\u00e3o destemidos, mas inseguros, adaptando-se melhor \u00e0s mudan\u00e7as. Estas s\u00e3o mais agressivas e audazes do que as crian\u00e7as esp\u00e1sticas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na PC dist\u00f3nica, o t\u00f3nus tem flutua\u00e7\u00f5es entre alto e baixo, com falta de cocontrac\u00e7\u00e3o e excesso de mobilidade articular por deficiente fixa\u00e7\u00e3o proximal. Portanto, h\u00e1 uma excessiva extens\u00e3o ou flex\u00e3o. As deformidades que ocorrem frequentemente s\u00e3o: luxa\u00e7\u00e3o das ancas, contracturas, escoliose e cifose. Estas crian\u00e7as tamb\u00e9m t\u00eam d\u00e9fices sensoriais associados, atraso do desenvolvimento da linguagem, anartria.<\/p>\n<p align=\"justify\">A crian\u00e7a at\u00e1xica apresenta uma les\u00e3o do cerebelo ou das vias de conex\u00e3o, tendo tetrapar\u00e9sia. A cl\u00ednica mais evidente \u00e9 a descoordena\u00e7\u00e3o dos movimentos, transtornos do equil\u00edbrio e hipotonia, variando o t\u00f3nus entre o baixo e o normal (Arg\u00fcelles, 2001). Para al\u00e9m destas situa\u00e7\u00f5es, verifica-se, ainda, tremor intensional, dismetria, nistagmo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os casos de hipotonia, com o crescimento, evoluem para quadros de atetose e raramene espasticidade. As crian\u00e7as hipot\u00f3nicas apresentam t\u00f3nus fl\u00e1cido, pernas em flex\u00e3o. As crian\u00e7as at\u00e1xicas e hipot\u00f3nicas s\u00e3o simp\u00e1ticas, parecem confort\u00e1veis em qualquer posi\u00e7\u00e3o e raramente choram.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tabith (1995, citado por Pinho, 1999) refere que a paralisia cerebral, de acordo com o grau de incapacidade, pode ser classificada como leve, moderada e severa. Assim, h\u00e1 quadros t\u00e3o graves que impedem a autonomia do paciente, at\u00e9 outros, muito leves, nos quais o d\u00e9fice limita-se a uma inaptid\u00e3o motora (Arg\u00fcelles, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 dificuldade na avalia\u00e7\u00e3o da PC, sendo necess\u00e1rio um apoio terap\u00eautico especializado, ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio a participa\u00e7\u00e3o de uma equipa transdisciplinar. Dessa equipa participam os pais e outros membros da fam\u00edlia, m\u00e9dicos e enfermeiros, terapeutas da fala, fisipterapeutas e terapeutas ocupacionais, professores e educadores, pic\u00f3logos, t\u00e9cnicos de servi\u00e7o social, radiologistas, dietistas e ortoprot\u00e9sicos.<\/p>\n<p align=\"justify\">As \u00e1reas de avalia\u00e7\u00e3o na PC passam pela avalia\u00e7\u00e3o do comportamento adaptativo, audi\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o, capacidade comunicativa (linguagem e fala), motricidade global, morticidade oral e respirat\u00f3ria e, por fim, alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9, frequentemente, muito dif\u00edcil estabelecer um diagn\u00f3stico de paralisia cereral antes do final do quarto m\u00eas e, mesmo ent\u00e3o, pode ser imposs\u00edvel dizer que tipo de paralisia a crian\u00e7a pode desenvolver e qual ser\u00e1 o resultado final em termos de distribui\u00e7\u00e3o e gravidade da patologia (Sakata, 1999). Entre os quatro e os seis meses j\u00e1 come\u00e7a a ser poss\u00edvel diagnosticar a paralisia cerebral.<\/p>\n<p align=\"justify\">Meyerhof e Prado (1998, citado por Sakata, 1999) afirmam que a \u00e9poca para iniciar o tratamento \u00e9 essencial, para que o beb\u00e9 tenha mais for\u00e7a para superar as suas defici\u00eancias, al\u00e9m de refor\u00e7ar uma auto-imagem positiva desde o in\u00edcio da sua vida extra-uterina, e motiv\u00e1-la para que possa recuperar ou atingir uma melhor funcionalidade. Para superar e conviver com as suas dificuldade, as crian\u00e7as com PC usam movimentos compensat\u00f3rios. Por exemplo, como refere Arg\u00fcelles (2001), se h\u00e1 uma certa tend\u00eancia \u00e0 protrus\u00e3o, a crian\u00e7a, quando tenta ingerir alimentos, p\u00f5e a l\u00edngua para fora, cada vez mais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Portanto, os pontos essenciais no despiste precoce da paralisia cerebral s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">avalia\u00e7\u00e3o da motricidade oral e respirat\u00f3ria;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">reac\u00e7\u00e3o \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o oral\/digital;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">observa\u00e7\u00e3o da interac\u00e7\u00e3o m\u00e3e\/crian\u00e7a;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">avalia\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, posicionamento, e comportamento motor;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">fona\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9-verbal.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O tratamento dos sintomas apresentados pela pessoa com paralisia cerebral, deve ser realizado precocemente quando h\u00e1 somente suspeitas de PC. Muitas vezes preventivamente j\u00e1 podem ser tratados antes de aparecer, pois os sintomas evoluem gradualmente (Pinho, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Para atendimento da sintomatologia da paralisia cerebral \u00e9 muito importante a ac\u00e7\u00e3o integrada de uma s\u00e9rie de profissionais, onde seja essencial que exista uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre eles, para assegurar que o tratamento global de cada crian\u00e7a seja coordenado e que se alcance o m\u00e1ximo de benef\u00edcio. Isto, s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado se todos os que est\u00e3o interessados no tratamento da crian\u00e7a se sintam como membros de uma equipa, cada um contribuindo para o trabalho dos outros e para o bem-estar da crian\u00e7a como um todo (Bobath &amp; Finnie).<\/p>\n<p align=\"justify\">As mesmas autoras afirmam que os terapeutas se preocupam com dois problemas principais no tratamento da PC, cada um intimamente relacionado com o outro. S\u00e3o eles:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">A postura e os padr\u00f5es de movimentos anormais das crian\u00e7as associados a graus e distribui\u00e7\u00e3o do t\u00f3nus anormais.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Neste princ\u00edpio os terapeutas preocupam-se em melhorar a coordena\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e, para que isso seja conseguido, os padr\u00f5es anormais da crian\u00e7a t\u00eam que ser contrariados para melhorar o t\u00f3nus postural. Caso contr\u00e1rio, o movimento e a fala permanecer\u00e3o anormais e muitas das actividade mais finas do dia-a-dia ser\u00e3o imposs\u00edveis de realizar.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Assim, deve haver uma inibi\u00e7\u00e3o dos reflexos anormais, respons\u00e1veis pelo padr\u00e3o de hipertonia. Ou, a facilita\u00e7\u00e3o das reac\u00e7\u00f5es normais e altamente integradas de rectifica\u00e7\u00e3o e equil\u00edbrio ao longo do seu desenvolvimento, com progress\u00e3o para actividades especializadas (Semans, 1967 &amp; Maning, 1972, 1976, citados por Sakata, 1999).<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">O desenvolvimento atrasado, interrompido ou perturbado da crian\u00e7a. O desenvolvimento duma crian\u00e7a com paralisia cerebral ou est\u00e1 atrasado ou parou em determinada fase ou fases. Contudo, uma crian\u00e7a cujo envolvimento \u00e9 menos grave nalgumas partes do seu corpo alcan\u00e7ar\u00e1 nalgumas actividades uma fase de desenvolvimento mais avan\u00e7ada, tendo o seu desenvolvimento lacunas.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Para a Terapia da Fala, Marujo (1998, citado por Sakata, 1999) ressalta a import\u00e2ncia em desenvolver uma actividade muscular que proporciona \u00e0 crian\u00e7a com PC o funcionamento da actividade muscular oro-motora, respirat\u00f3ria-fonat\u00f3ria, e comunica\u00e7\u00e3o, assim como, enfatizam modifica\u00e7\u00f5es na ingest\u00e3o nutricional. E para melhor funcionamento destas actividades, \u00e9 necess\u00e1rio uma boa base de alinhamento corporal. Esta base \u00e9 caracterizada por alongamento do pesco\u00e7o, com flex\u00e3o neutra da cabe\u00e7a, uma depress\u00e3o est\u00e1vel da cintura escapular, alongamento sim\u00e9trico do tronco, uma posi\u00e7\u00e3o neutra da p\u00e9lvis sim\u00e9trica e est\u00e1vel, uma estabilidade de quadril com adu\u00e7\u00e3o e rota\u00e7\u00e3o meutra e, finalmente,uma posi\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica e est\u00e1vel dos p\u00e9s.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta progress\u00e3o d\u00e1-lhe a possibilidade de explorar o mundo que a rodeia, de experimentar as rela\u00e7\u00f5es espaciais do seu corpo com as coisas \u00e0 sua volta, ajudando-a a desenvolver a percep\u00e7\u00e3o. O uso das m\u00e3os para brincar com o seu pr\u00f3prio corpo, cara e boca, d\u00e1-lhe a percep\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio corpo e, ao mesmo tempo, prepara-a para a independ\u00eancia na alimenta\u00e7\u00e3o, no vestir e despir, no lavar-se. O uso das m\u00e3os para brincar com os seu l\u00e1bios e l\u00edngua, enquanto vocaliza e palra, prepara-a para a fala (Bobath &amp; Finnie).<\/p>\n<p align=\"justify\">Se, eventualmente, o posicionamento adequado com um bom alinhamento do corpo n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ado, o controlo motor funcional fino durante a alimenta\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o ser o esperado (Sakata, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Desde o nascimento, que para a maioria das crian\u00e7as com paralisia cerebral, a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 dos problemas mais notados (Hellen Mueller, citado por Pinho, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Seguidamente, ser\u00e3o destacados os estadios de desenvolvimento da alimenta\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a normal em compara\u00e7\u00e3o aos de uma crian\u00e7a com PC.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Pinho (1999), o beb\u00e9 toma o alimento, nos primeiros meses, atrav\u00e9s do reflexo de suc\u00e7\u00e3o-degluti\u00e7\u00e3o. Com este reflexo, o alimento pode tornar-se insuficiente em beb\u00e9s com PC, sendo as refei\u00e7\u00f5es dif\u00edceis tanto para o beb\u00e9 como para a m\u00e3e, visto que o beb\u00e9 se torna impaciente, tenso e chora, ou pode ficar com sonol\u00eancia durante a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s as primeiras semanas, os beb\u00e9s j\u00e1 conseguem sugar o l\u00edquido de uma colher e, ap\u00f3s os seis meses, quando o beb\u00e9 se come\u00e7a a sentar, est\u00e1 pronto para aprender a tomar l\u00edquido ou alimento de uma colher com os l\u00e1bios, fazendo a degluti\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a com PC, nesta fase, tamb\u00e9m, parece estar a sugar pelos movimentos de abertura e fechamento da boca, mas as suas tentativas s\u00e3o ineficazes (Pinho, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">A mesma autora refere que o beb\u00e9 normal come\u00e7a a mascar com seis ou sete meses, estando a preparar-se para morder e mastigar alimentos s\u00f3lidos; engasga-se com menos frequ\u00eancia e a baba surge somente durante o per\u00edodo de erup\u00e7\u00e3o dos dentes; isto tudo, significa que o controlo oral se est\u00e1 a desenvolver. A crian\u00e7a com paralisia cerebral, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 capaz de mastigar e, em vez de mastigar, faz movimentos para a frente com a l\u00edngua, empurrando o alimento de volta para fora da boca ou colocando-o no c\u00e9u da boca; o alimento pode ser amassado, mas n\u00e3o \u00e9 mastigado e quando este alcan\u00e7a a parte posterior da boca, n\u00e3o est\u00e1 controlado, ent\u00e3o, a crian\u00e7a acaba por se engasgar ou \u00e9 desencadeado o reflexo de v\u00f3mito.<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois de ter aprendido a receber alimento da colher, na posi\u00e7\u00e3o sentada e ter realizado esta actividade durante um m\u00eas, o beb\u00e9 estar\u00e1 pronto para beber l\u00edquidos de uma ch\u00e1vena ou de um copo. Nos estadios iniciais pode haver alguma incoordena\u00e7\u00e3o, resultando na sa\u00edda do l\u00edquido pelos lados da boca. A crian\u00e7a com PC n\u00e3o \u00e9 capaz de manter os l\u00e1bios unidos ao copo ou \u00e0 ch\u00e1vena, a sua l\u00edngua provavelmente far\u00e1 protrus\u00e3o por cima ou por baixo do copo (Pinho, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">O tipo de suc\u00e7\u00e3o usado quando se bebe por uma palha, segundo Pinho (1999), requer uma coordena\u00e7\u00e3o mais fina dos l\u00e1bios, do que o necess\u00e1rio para o reflexo de sugar usado pelo beb\u00e9. Beber pela palha \u00e9 uma tarefa que raramente uma crian\u00e7a com paralisia cerebral consegue realizar; em vez de segurar a palha com os l\u00e1bios, ela morde-a ou mant\u00e9m-na levantada para que o l\u00edquido escorra passivamente dentro dele.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os problemas mais comuns que tornam a alimenta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com PC t\u00e3o dif\u00edcil s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">a protrus\u00e3o de l\u00edngua;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">o reflexo de morder prolongado e exagerado;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">reflexo de v\u00f3mito normalmente forte;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">hipersensibilidade t\u00e1ctil na \u00e1rea da boca;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">baba.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Interven\u00e7\u00e3o do Terapeuta da Fala a este n\u00edvel<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Uma vez que a base de controlo corporal tenha sido conseguida, usando-se manuseamento durante o tratamento e o funcionamento adequado durante a alimenta\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o pode ser voltada directamente na apresenta\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos para a modifica\u00e7\u00e3o do funcionamento oro-motor mais espec\u00edfico (Sakata, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Para come\u00e7ar o treino da alimenta\u00e7\u00e3o deve-se ter em conta n\u00e3o s\u00f3 a postura mas, tamb\u00e9m, o controlo oral. Para que este seja eficaz deve ser firme, o que n\u00e3o significa que seja exercida for\u00e7a. Verifica-se que, atrav\u00e9s desta t\u00e9cnica, h\u00e1 um controlo da cabe\u00e7a, do maxilar, dos l\u00e1bios e da l\u00edngua, aumentando o controlo postural e respirat\u00f3rio. O controlo oral pode ser feito de frente ou de lado para a crian\u00e7a, o que possibilita as interac\u00e7\u00f5es. Assim sendo, esta t\u00e9cnica normaliza a motricidade e o t\u00f3nus orofacial, facilitando a abertura e o encerramento da boca, e diminui os reflexos patol\u00f3gicos (suc\u00e7\u00e3o, degluti\u00e7\u00e3o, morder, v\u00f3mito e quatro pontos cardeais).<\/p>\n<p align=\"justify\">O objectivo do controlo oral \u00e9 a facilita\u00e7\u00e3o do funcionamento \u201cnormalizado\u201d dos \u00f3rg\u00e3os que interv\u00eam na alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e9 realizado com tr\u00eas dedos: o indicador, polegar e dedo m\u00e9dio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos dedos \u00e9 colocado debaixo do l\u00e1bio inferior, que permite controlar a abertura e o encerramento da boca. O segundo dedo \u00e9 colocado debaixo e atr\u00e1s do queixo, estabilizando a l\u00edngua, o que facilita a degluti\u00e7\u00e3o e funciona como contra resposta \u00e0 press\u00e3o exercida pela colher. O \u00faltimo dedo, que \u00e9 colocado na articula\u00e7\u00e3o temporo-mandibular, permite corrigir um poss\u00edvel desvio.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Fig. 1 &#8211; Exemplo da posi\u00e7\u00e3o dos dedos durante o controlo oral<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-348\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/paralis.jpg\" alt=\"\" width=\"174\" height=\"187\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Treino de alimenta\u00e7\u00e3o pelo biberon\u00a0<\/strong>\n<\/p>\n<p align=\"justify\">Possibilita a (o):<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">normaliza\u00e7\u00e3o da sensibilidade facial e intra-oral;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">facilita a suc\u00e7\u00e3o e degluti\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do p\u00f4r e tirar a tetina de dentro da boca, usando controlo oral sempre que necess\u00e1rio para o encerramento labial;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">inibi\u00e7\u00e3o do impulso da l\u00edngua, fazendo press\u00e3o com a tetina na zona m\u00e9dia da l\u00edngua;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">posicionamento adequado, cm per\u00edodos de descanso e interac\u00e7\u00e3o verbal.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Mudar o tipo de tetina usado no biberon poder\u00e1 ajudar a crian\u00e7a a apresentar um padr\u00e3o de suc\u00e7\u00e3o mais eficiente. Se o furo da tetina \u00e9 aumentado para que o liquido flua rapidamente, uma suc\u00e7\u00e3o anormal e uma degluti\u00e7\u00e3o anormal poder\u00e3o aparecer. Uma tetina curta poder\u00e1 n\u00e3o oferecer uma superf\u00edcie que favore\u00e7a o encerramento necess\u00e1rio para que a suc\u00e7\u00e3o seja poss\u00edvel. Deve-se usar diversos tipos de tetinas para se observar, se ao mudar o tamanho, formato ou textura ir\u00e3o estimular movimentos orais mais activos, se a suc\u00e7\u00e3o continua a ser pobre ou a aparecer a \u201cmordida t\u00f3nica\u201d (Sakata, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Treino de alimenta\u00e7\u00e3o pela colher\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Deve ser executado segundo os seguintes pontos:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">a crian\u00e7a deve estar bem posicionada, com o tronco direito e sim\u00e9trico, cabe\u00e7a com ligeira flex\u00e3o e deve ser feito o controlo oral;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">partir com a colher de um plano inferior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a, evitando que ela se assuste e desencadeie hiperextens\u00e3o da cabe\u00e7a;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">atrav\u00e9s do controlo oral, dosear a abertura da boca;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">a colher entra e sai da boca sempre na horizontal, exercendo press\u00e3o na l\u00edngua da crian\u00e7a;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">quando a colher \u00e9 retirada da boca, ela n\u00e3o deve tocar nos dentes, dando-se tempo necess\u00e1rio para que a crian\u00e7a responda \u00e0 press\u00e3o exercida na l\u00edngua (trazendo os l\u00e1bios para a frente);<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">fazer o encerramento da boca com o controlo oral, confirmando que a l\u00edngua fica no seu interior.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Deve-se colocar pouca comida na colher e, inicialmente, na zona mais anterior para facilitar o movimento do l\u00e1bio superior para retirar a comida.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 importante escolher uma colher que caiba dentro da boca da crian\u00e7a, sem encostar nas gengivas ou nos dentes. A colher dever\u00e1 ser rasa o suficiente para que o l\u00e1bio seja usado para remover a comida da colher. Colheres de pl\u00e1stico ou com uma camada de pl\u00e1stico n\u00e3o devem ser usadas quando aparecem \u201cmordidas t\u00f3nicas\u201d (Sakata, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Treino de mastiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A estimula\u00e7\u00e3o da mastiga\u00e7\u00e3o pode ser feita antes da erup\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria com a utiliza\u00e7\u00e3o de pequenos peda\u00e7os de alimentos semi-s\u00f3lidos, que podem ser colocados entre as gengivas da crian\u00e7a. Assim, estar\u00e3o a ser propiciados alguns factores, como: for\u00e7a na musculatura da mastiga\u00e7\u00e3o, instaura\u00e7\u00e3o de movimentos verticais e laterais da mand\u00edbula, e lateraliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua. Quando o controlo dos \u00f3rg\u00e3os fonoarticulat\u00f3rios \u00e9 muito prec\u00e1rio; o terapeuta usa algumas manobras facilitadoras para a retirada do alimento da colher e tamb\u00e9m fornece algumas orienta\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00e3e da crian\u00e7a. As posturas usadas durante a alimenta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o orientadas de acordo com a idade da crian\u00e7a e com o grau de comprometimento (Pinho, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Para a sua execu\u00e7\u00e3o do treino de mastiga\u00e7\u00e3o tem-se em conta os seguintes passos:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">O posicionamento neste treino deve ser sim\u00e9trico com controlo da cabe\u00e7a em ligeira flex\u00e3o e controlo oral, adequado a cada caso;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">introdu\u00e7\u00e3o de um peda\u00e7o de alimento, deslizando ao longo da gengiva inferior, do meio para tr\u00e1s. Este trabalho \u00e9 sempre bilateral;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">no espa\u00e7o a seguir ao \u00faltimo dente faz-se press\u00e3o, introduzindo a\u00ed o alimento, para estimular a mastiga\u00e7\u00e3o. O alimento n\u00e3o deve ir muito para tr\u00e1s porque pode desencadear reflexo de v\u00f3mito.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Conforme o estadio alimentar de cada crian\u00e7a, pode-se avan\u00e7ar com outro tipo de alimento, fazendo com que se desenvolvam movimentos dissociados dos l\u00e1bios e da l\u00edngua<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Treino de beber pelo copo\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Deve-se:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">posicionar a crian\u00e7a de forma sim\u00e9trica com controlo da cabe\u00e7a (em ligeira flex\u00e3o) e controlo oral, adequado a cada caso;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">colocar o bordo do copo sobre o l\u00e1bio inferior, flexionando a cabe\u00e7a para facilitar a protrus\u00e3o do l\u00e1bio superior;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">inclinar o copo (que deve ter bastante l\u00edquido para n\u00e3o ser necess\u00e1ria uma grande inclina\u00e7\u00e3o), e o l\u00edquido ao tocar o l\u00e1bio superior, estimula-o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">esperar para que a degluti\u00e7\u00e3o se processe sem nunca retirar o copo do l\u00e1bio inferior, graduando o ritmo de cada inclina\u00e7\u00e3o do copo;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">ajudar a crian\u00e7a a manter o ritmo entra a degluti\u00e7\u00e3o e a entrada de l\u00edquido;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">manter o controlo oral;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">utilizar de in\u00edcio l\u00edquidos mais espessos evitando bebidas \u00e1cidas, visto que estimulam a produ\u00e7\u00e3o de saliva e toda actividade patol\u00f3gica.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Quando introduzimos l\u00edquido com o copo, \u00e9 melhor que este seja de pl\u00e1stico e flex\u00edvel, com uma abertura pequena, pois n\u00e3o haver\u00e1 interfer\u00eancia no encerramento labial. A parte de cima do copo pode ser cortada para que o l\u00edquido seja directamente direccionado para a boca, sem que a crian\u00e7a precise levar a cabe\u00e7a para tr\u00e1s em hiperextens\u00e3o (Sakata, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Treino de beber pela palhinha\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Para a sua execu\u00e7\u00e3o tem-se em conta os seguintes passos:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">posicionar a crian\u00e7a de forma sim\u00e9trica com controlo da cabe\u00e7a (em ligeira flex\u00e3o) e controlo oral, adequado a cada caso;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">com uma palha de grossura e tamanho adequada a cada crian\u00e7a mergulha-se no l\u00edquido, colocando o dedo na outra extremidade, fazendo com que ela fique com l\u00edquido e introduz-se na boca da crian\u00e7a, actuando como se fosse uma pipeta ou um conta-gotas;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">a palhinha deve ser introduzida na vertical lateralmente entre os l\u00e1bios, por forma a evitar ser mordida;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">os l\u00e1bios fazem protrus\u00e3o, esbo\u00e7ando tentativas de aspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Um aspecto importante, ao qual se deve ter muita aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 a higiene oral da crian\u00e7a portadora de paralisia cerebral. A higiene oral pode ser feita em p\u00e9 ou sentado, conforme o grau de independ\u00eancia da crian\u00e7a. Deve continuar a ser uma postura sim\u00e9trica, em que pode ser necess\u00e1rio controlo de cabe\u00e7a e controlo oral.<\/p>\n<p align=\"justify\">O material \u00e9 o usado normalmente, em que a pasta de dentes deve ser de sabor normal (sem sabor a frutos); a escova pode ser manual ou el\u00e9ctrica, suave ou m\u00e9dia; e se a crian\u00e7a n\u00e3o tem denti\u00e7\u00e3o pode usar-se uma compressa esterilizada.<\/p>\n<p align=\"justify\">O procedimento dever\u00e1 ser o seguinte:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul type=\"disc\">\n<li>\n<p align=\"justify\">para as crian\u00e7as sem denti\u00e7\u00e3o, deve-se limpar as gengivas e retirar os res\u00edduos alimentares com a compressa. Esta pode ser embebida em tantum verde. Os movimentos na gengiva com a compressa devem ser rotativos, no sentido do rel\u00f3gio, do meio para tr\u00e1s, nas gengivas internas e externas;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">nas crian\u00e7as com denti\u00e7\u00e3o, os movimentos executados com a escova nos dentes, interior e exteriormente, s\u00e3o basicamente os mesmos que se fazem com a compress\u00e3o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">a press\u00e3o \u00e9 vari\u00e1vel conforme a crian\u00e7a (+ sensibilidade + press\u00e3o \/ \u2013 sensibilidade\u00a0 \u2013 press\u00e3o) e com rapidez.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">As aquisi\u00e7\u00f5es funcionais, que aparecem no decurso da educa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica e da reeduca\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, sugerem a possibilidade de pronunciar fonemas, que o terapeuta da fala estimular\u00e1 e aperfei\u00e7oar\u00e1 com a ajuda dos familiares da crian\u00e7a, desde o momento em que manifeste interesse pela linguagem (Arg\u00fcelles, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A paralisia cerebral \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o do controlo neuro-muscular, da postura e do equil\u00edbrio, resultante de uma les\u00e3o est\u00e1tica, que afecta o c\u00e9rebro em per\u00edodo de desenvolvimento pr\u00e9, peri e p\u00f3s-natal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta perturba\u00e7\u00e3o engloba um grupo de situa\u00e7\u00f5es de desvantagem ou disfun\u00e7\u00e3o neuro-motora, n\u00e3o progressiva, alter\u00e1vel, secund\u00e1ria a uma les\u00e3o cerebral e ocorre em estadios precoces do desenvolvimento. Assim, os preju\u00edzos causados aos indiv\u00edduos portadores de paralisia cerebral dizem respeito, fundamentalmente, \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es do movimento ou da postura, podendo estas apresentar-se em maior ou menor grau, variando de pessoa para pessoa (Pinho, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 uma enorme diversidade cl\u00ednica e etiol\u00f3gica, mas com aspectos comuns relativamente \u00e0 habilita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento socio-familiar. As causas da paralisia cerebral podem ser pr\u00e9, peri ou p\u00f3s-natais, tendo em conta a fase em que surge a perturba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para um tratamento eficaz dos comprometimentos consequentes da paralisia cerebral \u00e9, geralmente, necess\u00e1rio o trabalho integrado de uma equipa de profissionais e de um trabalho conjunto com a fam\u00edlia. Para isso, n\u00e3o dever\u00e1 haver limita\u00e7\u00f5es de esfor\u00e7os de nenhuma das partes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os objectivos do tratamento e a dura\u00e7\u00e3o do mesmo variam, em fun\u00e7\u00e3o das necessidades de cada crian\u00e7a (Arg\u00fcelles, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">A Alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo pelo qual os organismos obt\u00eam e assimilam alimentos ou nutrientes para as suas fun\u00e7\u00f5es vitais, incluindo o crescimento, movimento, reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta \u00e9 uma das \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o do terapeuta da fala em crian\u00e7as com paralisia cerebral. Para que a interven\u00e7\u00e3o seja eficaz recorre-se a diversos tipos de treino de alimenta\u00e7\u00e3o, como por exemplo, treino pelo biberon, pela colher, pelo copo e pela palhinha, e, ainda, treino da mastiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que se pretende do tratamento da crian\u00e7a com paralisia cerebral \u00e9 procurar que ela consiga integrar-se na sociedade (Arg\u00fcelles, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Arg\u00fcelles, P. P. (2001). Paralisia Cerebral. In Arg\u00fcelles, P. P., Basil, C., M\u00e9tayer M. Le &amp; Puyuelo M. (Eds.), A Fonoaudiologia na Paralisia Cerebral: Diagn\u00f3stico e Tratamento (pp. 1-15). Brasil: Livraria Santos Editora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Lewalle, P., Manuila, A., Manuila, L. &amp; Nicoulin, M. (2004). Dicion\u00e1rio M\u00e9dico (3\u00aa ed.). Portugal: Climepsi Editores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pinho, G. K O. (1999). Paralisia cerebral: altera\u00e7\u00f5es e atua\u00e7\u00e3o fonoaudiol\u00f3gicas. Curitiba: CEFAC.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sakata, S. H. (1999). Disfagia em crianas com paralisia cerebral. S\u00e3o Paulo: CEFAC.<\/p>\n<p align=\"justify\">http:\/\/pt.wikipedia.org<\/p>\n<p align=\"right\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tratamento dos sintomas apresentados pela pessoa com paralisia cerebral, deve ser realizado precocemente quando h\u00e1 somente suspeitas de PC. 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