{"id":222,"date":"2006-05-04T12:41:04","date_gmt":"2006-05-04T12:41:04","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/enfermagem-contextos-e-percepcoes\/"},"modified":"2021-05-04T10:12:43","modified_gmt":"2021-05-04T10:12:43","slug":"enfermagem-contextos-e-percepcoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/enfermagem-contextos-e-percepcoes\/","title":{"rendered":"Enfermagem: Contextos e Percep\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Enfermagem: reflectir o passado, compreender o presete e projectar o futuro<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>Autores<\/strong><\/h4>\n<p>C\u00e9lia Maria Gon\u00e7alves de Sousa<\/p>\n<p>Enfermeira Generalista<\/p>\n<p>Hospital de Santar\u00e9m, S.A. \u2013 Servi\u00e7o de Urg\u00eancia;<\/p>\n<p>Fernando Miguel Nogueira Santos<\/p>\n<p>Enfermeiro Generalista<\/p>\n<p>Hospital Egas Moniz, S.A. \u2013 Bloco Operat\u00f3rio Central<\/p>\n<p>M\u00e1rcia Sofia Patr\u00edcio Costa<\/p>\n<p>Enfermeira Generalista<\/p>\n<p>Hospital de Santar\u00e9m S.A. \u2013 Servi\u00e7o de Cardiologia<\/p>\n<p>Marco Alexandre Oliveira Rodrigues<\/p>\n<p>Enfermeiro GeneralistaCentro Hospitalar do M\u00e9dio Tejo, SA \u2013 Hospital de Tomar \u2013 Unidade de Cuidados P\u00f3s-Cir\u00fargicos<\/p>\n<h4><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p>As imagens e percep\u00e7\u00f5es que a sociedade possui, relativamente \u00e0 enfermagem t\u00eam sofrido altera\u00e7\u00f5es ao longo dos tempos, sendo proporcional \u00e0s constantes exig\u00eancias sociais e a evolu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio papel da mulher na sociedade.<\/p>\n<p>Actualmente ainda se verifica, neste grupo profissional uma indefini\u00e7\u00e3o do seu papel espec\u00edfico, o que contribui para uma imagem nem sempre clara. Por vezes, s\u00e3o os pr\u00f3prios enfermeiros que n\u00e3o valorizam determinadas actividades aut\u00f3nomas, sendo aquelas que gozam de menor prest\u00edgio social delegadas a grupos que lhes est\u00e3o subordinados.<\/p>\n<p>De modo a dar resolu\u00e7\u00e3o a tais quest\u00f5es \u00e9 necess\u00e1rio que os enfermeiros d\u00eaem mais visibilidade aos racioc\u00ednios anal\u00edtico-interpretativos inerentes ao processo de cuidados presentes em cada situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Se assim o fizerem estaremos a contribuir para a melhoria da percep\u00e7\u00e3o da imagem\/estatuto da enfermagem.<\/p>\n<p>De modo a compreender a diversidade de imagens com que a profiss\u00e3o se depara no presente h\u00e1 que pensar o passado com a finalidade de o compreender e projectar coerentemente o futuro, pois a forma como a enfermagem se continua a desenvolver face aos desafios contempor\u00e2neos depende, n\u00e3o s\u00f3 da forma como se compreende as tradi\u00e7\u00f5es do passado mas, em grande parte, do comportamento dos enfermeiros de hoje e de amanha, ou seja, depende de todos n\u00f3s.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-221\" title=\"Esquema Enfermagem\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/05\/esquemaenfermagem.jpg\" alt=\" \" width=\"300\" height=\"274\" \/><\/div>\n<p>Enfermagem: reflectir o passado, compreender o presente e projectar o futuro.<\/p>\n<p>Desta forma, e nesta reflex\u00e3o, a linha de pensamento adoptada, ir\u00e1 rodar em torno de tr\u00eas eixos que s\u00e3o considerados fundamentais: a identidade, a autonomia e o processo de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, no que se refere \u00e0 identidade profissional, a enfermagem depara-se com uma indefini\u00e7\u00e3o do seu papel espec\u00edfico, contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de uma imagem nem sempre clara, em que ainda n\u00e3o se encontrou um campo de ac\u00e7\u00e3o espec\u00edfico, o que leva a constantes incertezas, tanto para os pr\u00f3prios enfermeiros como para os outros profissionais de sa\u00fade e at\u00e9 para a sociedade, com quem interagimos.<\/p>\n<p>Desta forma, para uma efectiva percep\u00e7\u00e3o desta problem\u00e1tica, as identidades, que caracterizaram a profiss\u00e3o de enfermagem no passado, devem ser tidas em conta, para compreender o processo de constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria do presente e reflectirmos sobre quais as identidades que se querem e se pretendem construir no futuro.<\/p>\n<p>Assim, se pensarmos um pouco no passado da enfermagem, veremos que a identidade e consequentemente a imagem da disciplina e da profiss\u00e3o foi crescendo em torno do papel das mulheres que desenvolviam o \u201ccuidar como acto de amor\u201d e que n\u00e3o era sujeito a remunera\u00e7\u00e3o, estando esta imagem sujeita as oscila\u00e7\u00f5es sociais do estatuto feminino (Amendoeira, 1999).<\/p>\n<p>De que forma \u00e9 que a disciplina de enfermagem evoluiu?Os conhecimentos eram adquiridos e edificados pela mulher de uma forma autodidacta, ou seja, atrav\u00e9s da experi\u00eancia que cada mulher vivia em si mesma, saberes estes que estavam inerentes ao senso comum, e que posteriormente eram transmitidos de mulher para mulher.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 atrav\u00e9s da aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 medicina, que a enfermagem conquista o reconhecimento jur\u00eddico do exerc\u00edcio, a introdu\u00e7\u00e3o de carreiras profissionais e a forma\u00e7\u00e3o de diversos \u00f3rg\u00e3os representativos.<\/p>\n<p>Com os avan\u00e7os da medicina, nesta \u00e9poca, as actividades dos enfermeiros passam a ser substancialmente de car\u00e1cter t\u00e9cnico, sendo desenvolvidas tarefas delegadas pelo m\u00e9dico. Desta forma, surge uma enfermagem, onde imperava a necessidade da aprendizagem de t\u00e9cnicas espec\u00edficas ligadas ao avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, ficando a interven\u00e7\u00e3o de enfermagem extremamente pr\u00f3xima do campo da medicina, denotando-se assim, nesta \u00e9poca, a imagem de enfermeira auxiliar do m\u00e9dico (Amendoeira, 1999).<\/p>\n<p>J\u00e1 na \u00e9poca contempor\u00e2nea, a imagem da enfermagem continua a depender da forma como \u00e9 visto o estatuto da mulher, pois esta n\u00e3o \u00e9 considerada pela restante sociedade, nomeadamente pelos homens, como sendo o motor do desenvolvimento de uma disciplina, pois na maior parte das culturas, o papel das mulheres \u00e9 conotado como subalterno, papel este que foi muitas vezes refor\u00e7ado no ensino e na pr\u00e1tica dos cuidados de enfermagem (Hesbeen, 1997).<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os conhecimentos cient\u00edficos se come\u00e7aram a desenvolver e a enfermagem come\u00e7ou a controlar a sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o, que serve de refer\u00eancia \u00e0 pr\u00e1tica profissional, iniciou-se o processo de edifica\u00e7\u00e3o da sua autonomia.<\/p>\n<p>Actualmente \u201cos enfermeiros reivindicam mais autonomia e o direito de n\u00e3o se responsabilizarem por actividades por vezes perif\u00e9ricas, recusadas pelos m\u00e9dicos\u201d (Abreu, 2001, p.103).\u00a0Mas ent\u00e3o quando \u00e9 que a profiss\u00e3o \u00e9 reconhecida como aut\u00f3noma?<\/p>\n<p>A enfermagem ser\u00e1 ent\u00e3o reconhecida como profiss\u00e3o aut\u00f3noma, com a sua pr\u00f3pria base conceptual, quando indicar quais os fen\u00f3menos que lhe dizem respeito e quais os problemas de sa\u00fade que a enfermagem deve valorizar. Deste modo, os enfermeiros ir\u00e3o sentir-se plenos membros da equipa multidisciplinar e sentir-se satisfeitos pela interdepend\u00eancia, que \u00e9 relevante para os benefici\u00e1rios dos cuidados de sa\u00fade (Catarino et al, 1993), No entanto, h\u00e1 a referir o facto de que os outros profissionais tendem a n\u00e3o valorizar as fun\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas dos enfermeiros. N\u00e3o lhes reconhecem essa autonomia (Amendoeira, 1998).\u00a0\u00a0E n\u00e3o o reconhecem porqu\u00ea? Ser\u00e1, sinonimo de que as imagens e\/ou opini\u00f5es, que tem acompanhado a enfermagem ao longo dos tempos, se tem mantido?<\/p>\n<p>Ou o que as pessoas v\u00eam e pensam \u00e9 de facto o que realmente transmitimos?<\/p>\n<p>O n\u00e3o reconhecimento da autonomia assenta principalmente em tr\u00eas pontos: Primeiro denota-se muitas vezes uma dificuldade em implementar, nos contextos de trabalho, os referidos conhecimentos adquiridos durante o processo de forma\u00e7\u00e3o. Nesta perspectiva percepciona-se uma dial\u00e9ctica entre a teoria transmitida e a realidade de cada situa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Segundo, devido \u00e0 enfermagem entrar em zonas de incertezas, nomeadamente da esfera interdependente, o que leva h\u00e1 exist\u00eancia de uma vis\u00e3o confusa por parte dos utentes\/fam\u00edlia, n\u00e3o atribuindo assim o devido valor ao trabalho desenvolvido pelos enfermeiros.<\/p>\n<p>E, em terceiro, porque os pr\u00f3prios enfermeiros tamb\u00e9m n\u00e3o valorizam algumas actividades aut\u00f3nomas, identificando-se com as actividades mais vis\u00edveis para a sociedade e que se encontram no dom\u00ednio do saber-fazer, chegando mesmo a delegar actividades de menor prest\u00edgio para grupos profissionais que lhes est\u00e3o subordinados.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 permitido \u00e0 enfermagem uma maior especializa\u00e7\u00e3o do seu campo de exerc\u00edcio e uma maior visibilidade social dos seus saberes especializados, como tamb\u00e9m lhes permite gerar grupos subordinados, sobre os quais exercem autoridade t\u00e9cnica e social (Lopes, 2001).<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o como poderemos dar visibilidade ao campo aut\u00f3nomo da enfermagem? Pensamos que se tornar\u00e1 vis\u00edvel atrav\u00e9s da incorpora\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas, metodologias e saberes espec\u00edficos da disciplina de enfermagem, no processo de cuidados que desenvolvemos, para que estas sejam vis\u00edveis e valorizadas pelos benefici\u00e1rios dos cuidados.<\/p>\n<p>Deste modo, \u00e9 imperativo que se desenvolva uma atitude que permita o crescimento de uma disciplina que caminhe para a autonomia, ou seja, que domine um corpo de conhecimentos pr\u00f3prios e espec\u00edficos, que permita uma pr\u00e1tica reflectida em que o utente\/fam\u00edlia sejam o principal centro dos cuidados de enfermagem e que se adquiram e continuem a construir cada vez mais os conhecimentos cient\u00edficos necess\u00e1rios a uma pr\u00e1tica reflectida e suportada pelos mesmos.<\/p>\n<p>Neste sentido \u00e9 relevante que os enfermeiros atribuam cada vez mais visibilidade aos racioc\u00ednios anal\u00edticos e interpretativos que fazem em cada situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e que est\u00e3o inerentes ao processo de cuidados, transmitindo assim o corpo de conhecimentos cient\u00edficos que suportam a pr\u00e1tica da disciplina de enfermagem.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio implementar, de forma mais veemente, os conhecimentos que os enfermeiros possuem, em prol do utente\/fam\u00edlia e da pr\u00f3pria auto-valoriza\u00e7\u00e3o dos cuidados de enfermagem; ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio que sejam os pr\u00f3prios profissionais a valorizar o conte\u00fado profissional espec\u00edfico da disciplina de enfermagem, bem como o processo de constru\u00e7\u00e3o do mesmo.<\/p>\n<p>Deste modo \u00e9 imperativo que estes profissionais desenvolvam uma atitude que permita o crescimento de uma disciplina que caminhe para a autonomia, ou seja, que domine um corpo de conhecimentos pr\u00f3prios e espec\u00edficos, que permita uma pr\u00e1tica reflectida em que o utente\/fam\u00edlia sejam o principal centro dos cuidados de enfermagem.<\/p>\n<p>Pois se nada se muda, ent\u00e3o n\u00e3o vamos esperar que o estatuto e a imagem mudem e melhorem porque, se n\u00e3o formos n\u00f3s pr\u00f3prios a contribuir decisivamente e activamente para a mudan\u00e7a e para a melhoria da imagem, n\u00e3o s\u00e3o com certeza nem os outros profissionais nem os pr\u00f3prios utentes.<\/p>\n<p>Nota: Texto adaptado da comunica\u00e7\u00e3o oral realizada no dia 18\/10\/03 nas Jornadas Nacionais da Urg\u00eancia\/ Emerg\u00eancia.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p>ABREU, Wilson (2001) \u2013 Identidade forma\u00e7\u00e3o e trabalho \u2013 das culturas locais \u00e0s estrat\u00e9gias identit\u00e1rias dos enfermeiros. Coimbra: Formasau.<\/p>\n<p>AMENDOEIRA, Jos\u00e9\u00a0 \u2013 O estatuto dos cuidados de enfermagem. Pensar Enfermagem, n\u00ba 2 (1998), p. 18-22.<\/p>\n<p>AMENDOEIRA, Jos\u00e9 (1999) \u2013 A forma\u00e7\u00e3o em enfermagem. Que conhecimentos? Que contextos?. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em sociologia. Universidade Nova de Lisboa. Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas. (N\u00e3o publicado \u2013 Centro de Documenta\u00e7\u00e3o ESEnfS).<\/p>\n<p>BOLANDER, V. (1998) \u2013 Enfermagem Fundamental \u2013 Abordagem psicofisiologica. Lisboa: Lusodidacta.\u00a0CATARINO, Helena, et al \u2013 Enfermagem, uma profiss\u00e3o aut\u00f3noma. Servir, n\u00ba 41 (1993), p. 300-305<\/p>\n<p>HESBEEN, Walter (1997) \u2013 Cuidar no Hospital \u2013 Enquadrar os cuidados de enfermagem numa perspectiva de cuidar. Lisboa: Lusoci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enfermagem: reflectir o passado, compreender o presete e projectar o futuro<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[97,85,96,94,95],"class_list":["post-222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-contextos","tag-enfermagem","tag-percepcoes","tag-profissao","tag-reflexao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2814,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222\/revisions\/2814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}