{"id":2165,"date":"2020-11-29T08:22:00","date_gmt":"2020-11-29T08:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/annus-horribilis-ansiedade-e-depressao\/"},"modified":"2020-11-29T08:22:00","modified_gmt":"2020-11-29T08:22:00","slug":"annus-horribilis-ansiedade-e-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/annus-horribilis-ansiedade-e-depressao\/","title":{"rendered":"Annus horribilis, ansiedade e depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2164\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/907dbc2318bc3ec3c5bfaecf410c75ff.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/907dbc2318bc3ec3c5bfaecf410c75ff.jpg 1200w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/907dbc2318bc3ec3c5bfaecf410c75ff-300x158.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/907dbc2318bc3ec3c5bfaecf410c75ff-768x403.jpg 768w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/907dbc2318bc3ec3c5bfaecf410c75ff-800x420.jpg 800w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/907dbc2318bc3ec3c5bfaecf410c75ff-640x336.jpg 640w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/907dbc2318bc3ec3c5bfaecf410c75ff-681x358.jpg 681w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div>Daqui a uns anos, quando nos lembrarmos de 2020, vamos lembrar-nos de muitas coisas pouco positivas e, certamente, muitas dessas coisas estar&atilde;o tamb&eacute;m em livros que n&atilde;o nos deixar&atilde;o esquecer. Spoiler: a grande vil&atilde; ser&aacute; a covid-19.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/feeds.feedburner.com\/~r\/PublicoSaude\/~4\/WWi92dYfTsQ\" height=\"1\" width=\"1\" alt=\"\"><\/div>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<div data-io-article-url=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/11\/29\/p3\/cronica\/annus-horribilis-ansiedade-depressao-1940297\">\n<p>Costumo brincar e dizer que este ano comec&#807;ou a dar para o torto a partir do momento em que o Papa Francisco se irritou e deu aquela valente palmada na ma&#771;o da mulher que o agarrou nas celebrac&#807;o&#771;es da passagem de 2019 para 2020. Talvez, num universo supersticioso, ate&#769; tenha sido por causa disso.<\/p>\n<p>Tomo a liberdade de dizer que, para muitos de no&#769;s, o ano de 2020 tem sido como o ano de 1992 para a Rainha Isabel II: problemas de todos os tipos, trage&#769;dias, esca&#770;ndalos e castelos a pegarem fogo. Ha&#769; 28 anos, no dia 24 de Novembro, Isabel II recitava um dos seus mais sinceros e dolorosos discursos, atribuindo a&#768;quele ano a qualidade de <em>annu<\/em><em>s horribilis<\/em>.<\/p>\n<p>Na&#771;o sou realeza, mas, neste momento, tenho o mesmo sentimento. Daqui a uns anos, quando nos lembrarmos de 2020, vamos lembrar-nos de muitas coisas pouco positivas e, certamente, muitas dessas coisas estara&#771;o tambe&#769;m em livros que na&#771;o nos deixara&#771;o esquecer. <em>Spoiler<\/em>: a grande vila&#771; sera&#769; a covid-19.<\/p>\n<p>Para ale&#769;m do vi&#769;rus e dos mais de um milh&atilde;o de mortos associados, este foi o ano em que tivemos, entre outras desgrac&#807;as: uma ameac&#807;a de guerra, apo&#769;s a morte do general iraniano Qasem Soleimani; ince&#770;ndios florestais de proporc&#807;o&#771;es nunca antes vistas, tanto na Austra&#769;lia como na Amazo&#769;nia; os terramotos das Carai&#769;bas, do Me&#769;xico e da Turquia; os assassinatos assistidos de diversos negros nos Estados Unidos e no mundo, incluindo o de George Floyd e, mais recentemente no Brasil, o de Joa&#771;o Alberto; uma gigantesca e incontrola&#769;vel nuvem de gafanhotos, um ciclone-bomba e a presenc&#807;a de vespas assassinas no continente americano; a explosa&#771;o de Beirute, no Li&#769;bano; a morte de diversas personalidades importantes nas suas respectivas &aacute;reas; e danos irrepara&#769;veis na economia global.<\/p>\n<p>Todavia, para mim, este ano ficara&#769; certamente ainda mais marcado pelas constantes indisponibilidades de ansioli&#769;ticos e antidepressivos no mercado. Essas indisponibilidades &ndash; que muito afectaram os respectivos utilizadores, incluindo eu &ndash; reflectem na&#771;o apenas o qua&#771;o doente esta&#769; grande parte da nossa sociedade, mas tambe&#769;m o qua&#771;o negativamente impactante foi este ano para a nossa sau&#769;de mental.<\/p>\n<p>Felizmente, o tema &ldquo;sau&#769;de mental&rdquo; ja&#769; na&#771;o e&#769; ta&#771;o tabu como era ha&#769; dez anos, apesar de, em alguns ci&#769;rculos, continuar a ser. Trata-se de um problema de sau&#769;de pu&#769;blica que tem de ser triplamente acompanhado e mitigado: por no&#769;s mesmos, pelos que nos rodeiam e, sim, pelo Estado. Dentro das nossas capacidades, temos de tentar desenvolver a coragem para sermos suficientemente vulnera&#769;veis a ponto de admitirmos que na&#771;o estamos bem e procurarmos ajuda; as pessoas a&#768; nossa volta te&#770;m de perceber o papel fulcral que desempenham na melhoria da nossa sau&#769;de e o Estado tem de ser mais incisivo no que diz respeito ao apoio me&#769;dico e a campanhas de combate ao preconceito e ao estigma social desencadeados por essas enfermidades.<\/p>\n<div data-value=\"newsletter-box\"><\/div>\n<div><\/div>\n<p>Estamos a falar de doenc&#807;as que podem na&#771;o ser visi&#769;veis, mas que podem ser ta&#771;o dolorosas como uma fractura exposta. A falta de ar, o aperto no peito, as febres que duram segundos e a sensac&#807;a&#771;o de estarmos a percorrer, sem qualquer protecc&#807;a&#771;o ou fato espacial, a o&#769;rbita da Terra (que, ja&#769; agora, e&#769; redonda), na&#771;o podem ser sintomas negligenciados. E apesar da comunicac&#807;a&#771;o do nosso estado interior depender, em grande parte, de no&#769;s, e&#769; tambe&#769;m importante que as pessoas a&#768; nossa volta saibam prestar mais atenc&#807;a&#771;o aos poucos sinais que vamos emitindo. Isso porque, la&#769; esta&#769;, dependemos do bem-estar uns dos outros e na&#771;o podemos tentar solucionar problemas na&#771;o identificados.<\/p>\n<p>Honestamente, gostava de poder dizer ao meu &ldquo;eu de h&aacute; um ano&rdquo; algumas coisinhas: compra duas ou tre&#770;s caixas a mais de certos medicamentos; na&#771;o planeies tantas viagens; compra uma passadeira para correres em casa; e sempre que fores ao supermercado traz um pacote de papel higie&#769;nico (na&#771;o me perguntes porque&#770;). Por sorte, na&#771;o foi preciso dizer-lhe para ir adoptar um ca&#771;o &ndash; esta&#769; aqui a <em>Oli<\/em><em>via <\/em>a ladrar que na&#771;o me deixa mentir.<\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"info\"><a href=\"http:\/\/feedproxy.google.com\/~r\/PublicoSaude\/~3\/WWi92dYfTsQ\/annus-horribilis-ansiedade-depressao-1940297\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FONTE &#8211; P\u00fablico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daqui a uns anos, quando nos lembrarmos de 2020, vamos lembrar-nos de muitas coisas pouco positivas e, certamente, muitas dessas coisas estar&atilde;o tamb&eacute;m em livros que n&atilde;o nos deixar&atilde;o esquecer. 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