{"id":2129,"date":"2020-03-31T08:02:00","date_gmt":"2020-03-31T08:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/prisao-e-pandemia-o-verdadeiro-distanciamento-social\/"},"modified":"2020-03-31T08:02:00","modified_gmt":"2020-03-31T08:02:00","slug":"prisao-e-pandemia-o-verdadeiro-distanciamento-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/prisao-e-pandemia-o-verdadeiro-distanciamento-social\/","title":{"rendered":"Pris\u00e3o e pandemia: o verdadeiro \u201cdistanciamento social\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2128\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6914a151182c8959dad4d75700a4db6b.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6914a151182c8959dad4d75700a4db6b.jpg 1200w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6914a151182c8959dad4d75700a4db6b-300x158.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6914a151182c8959dad4d75700a4db6b-768x403.jpg 768w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6914a151182c8959dad4d75700a4db6b-800x420.jpg 800w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6914a151182c8959dad4d75700a4db6b-640x336.jpg 640w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6914a151182c8959dad4d75700a4db6b-681x358.jpg 681w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<div>A sobrelota&ccedil;&atilde;o, apesar de diminu&iacute;da em recentes anos, continua a ser a norma em muitas cadeias. Esta implica que celas e camaratas sejam espa&ccedil;os de intensa, mas prec&aacute;ria, conviv&ecirc;ncia onde reclusos, na sua maioria privados de ocupa&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o a ver e a ouvir os mesmos notici&aacute;rios que n&oacute;s.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/feeds.feedburner.com\/~r\/PublicoSaude\/~4\/cuPoMGHQMrI\" height=\"1\" width=\"1\" alt=\"\"><\/div>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<div data-io-article-url=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/03\/31\/p3\/cronica\/prisao-pandemia-verdadeiro-distanciamento-social-1909068\">\n<p>Por estes dias perpassa o pa&iacute;s um assinal&aacute;vel consenso sobre a necessidade de enfrentar colectivamente uma emerg&ecirc;ncia de sa&uacute;de p&uacute;blica. Por todo o lado somos exortados a manter um &ldquo;distanciamento social&rdquo; &mdash; um termo equ&iacute;voco que parece significar distanciamento f&iacute;sico &mdash; e a cumprir uma cidadania activa atrav&eacute;s da auto-reclus&atilde;o. Sabemos, no entanto, que essa reclus&atilde;o &eacute; relativa e imposta apenas pelo bom senso. Quando precisamos, sa&iacute;mos. J&aacute; a reclus&atilde;o absoluta continua em vigor para cerca de 13 mil pessoas em Portugal e as suas priva&ccedil;&otilde;es e sofrimentos aumentam em devida propor&ccedil;&atilde;o com as nossas.<\/p>\n<p>A minha experi&ecirc;ncia de trabalho de campo permite-me fazer uma especula&ccedil;&atilde;o informada acerca dos enormes desafios que se colocam &agrave;s pris&otilde;es portuguesas nesta altura. Pensemos, primeiro, na impossibilidade de haver &ldquo;distanciamento f&iacute;sico&rdquo; &mdash; esse, sim, necess&aacute;rio &mdash; entre reclusos\/as. A sobrelota&ccedil;&atilde;o, apesar de diminu&iacute;da em recentes anos, continua a ser a norma em muitas cadeias. Esta implica que celas e camaratas sejam espa&ccedil;os de intensa, mas prec&aacute;ria, conviv&ecirc;ncia onde reclusos, na sua maioria privados de ocupa&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o a ver e a ouvir os mesmos notici&aacute;rios que n&oacute;s. A sentir o mesmo terror e t&eacute;dio. Mas a multiplicar. Na eventualidade de uma contamina&ccedil;&atilde;o, que solu&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o encontradas para o isolamento desses doentes? Que espa&ccedil;os ser&atilde;o inventados? E a que custo? E, mesmo antes de tudo disso, que meios de preven&ccedil;&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis a institui&ccedil;&otilde;es que, em tempos de normalidade, disp&otilde;em de escassas respostas m&eacute;dicas?<\/p>\n<div><\/div>\n<p>Depois, ponderemos sobre a interrup&ccedil;&atilde;o das visitas vindas do exterior, colmatadas apenas por tr&ecirc;s chamadas telef&oacute;nicas di&aacute;rias, cada uma de cinco minutos. Na pris&atilde;o, que est&aacute; do outro lado de um imenso fosso digital, saudade e ansiedade geram filas de reclusos\/as para cabines telef&oacute;nicas partilhadas, todos\/as entretidos\/as a escolher a quem ligar desta vez. Tudo a acontecer numa popula&ccedil;&atilde;o que est&aacute; desproporcionalmente em risco de suic&iacute;dio. Finalmente, e retendo tudo isto, pensemos no pico da vulnerabilidade que representa a popula&ccedil;&atilde;o encarcerada com mais de 60 anos. Em 2018 eram cerca de mil.Noutros pa&iacute;ses apelam-se indultos e liberta&ccedil;&otilde;es selectivas. Seguir&aacute; Portugal o conselho da ONU?<\/p>\n<p>Escrevo em jeito de interpela&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o de queixa. Pretendo sobretudo chamar a aten&ccedil;&atilde;o para os desafios que directores\/as, guardas prisionais, t&eacute;cnicos\/as, reclusos\/as e outro <em>staff<\/em> v&atilde;o ser chamados a enfrentar. A pandemia ir&aacute; tornar apenas mais saliente o que j&aacute; sab&iacute;amos: a pris&atilde;o &eacute; muito menos imperme&aacute;vel do que se pensa; &eacute; atravessada por, e muitas vezes depende de, bens, pessoas e informa&ccedil;&atilde;o vindos do exterior. Durante este per&iacute;odo iremos ter a oportunidade de provar que as pessoas reclusas s&atilde;o, de facto, concidad&atilde;os e concidad&atilde;s, usufruindo igualmente de todos os direitos menos de um. Ou ent&atilde;o este ser&aacute; apenas um tempo para inventar novos castigos e de refor&ccedil;ar, esse sim, o verdadeiro &ldquo;distanciamento social&rdquo;.<\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"info\"><a href=\"http:\/\/feedproxy.google.com\/~r\/PublicoSaude\/~3\/cuPoMGHQMrI\/prisao-pandemia-verdadeiro-distanciamento-social-1909068\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FONTE &#8211; P\u00fablico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sobrelota&ccedil;&atilde;o, apesar de diminu&iacute;da em recentes anos, continua a ser a norma em muitas cadeias. 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