{"id":204,"date":"2006-04-04T05:01:48","date_gmt":"2006-04-04T05:01:48","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/material-de-penso-i-parte\/"},"modified":"2021-04-28T16:03:44","modified_gmt":"2021-04-28T16:03:44","slug":"material-de-penso-i-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/material-de-penso-i-parte\/","title":{"rendered":"Material de Penso &#8211; I Parte"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">O desenvolvimento cient\u00edfico no \u00e2mbito das ci\u00eancias m\u00e9dicas verificado nos \u00faltimos anos contribuiu de forma significativa para o conhecimento da fisiologia da cicatriza\u00e7\u00e3o. Aliado a esse conhecimento, e ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico, come\u00e7aram a surgir na d\u00e9cada de 80 materiais de penso de especificidade crescente.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Assim, presentemente est\u00e3o dispon\u00edveis uma grande diversidade de pensos, cujas caracter\u00edsticas permitem prevenir e tratar diferentes tipologias de feridas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Constitui pois, um desafio permanente para os profissionais de sa\u00fade, seleccionar o material de penso mais custo-efectivo adequado aos diferentes tipos de feridas a tratar, tornando-se imperativo, o conhecer das propriedades dos diversos tipos de material de penso actualmente dispon\u00edveis no mercado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesse \u00e2mbito este artigo tem por objectivo sistematizar, classificar e caracterizar os materiais de penso actualmente dispon\u00edveis.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Breve perspectiva hist\u00f3rica\u2026<\/p>\n<p align=\"justify\">O recuo na hist\u00f3ria permite verificar que o registo mais antigo de um penso data de 1.700 a.c. e refere como curativos &#8211; graxa, mel, fios de linho para sutura, carne fresca e \u00f3leo fervente.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, o empirismo ao servi\u00e7o da medicina levou \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o das mais variadas subst\u00e2ncias de origem animal, vegetal e mineral em les\u00f5es cut\u00e2neas \u2013 resina, mel, a\u00e7\u00facar, malaquite, vinagre, terbintina, gema de ovo, etc.<br \/>\nNos anos 60, o cl\u00e1ssico trabalho de George D. Winter, (publicado em 1962), revolucionou esses conceitos tradicionais e emp\u00edricos no tratamento de feridas ao demonstrar que feridas de porcos com perda parcial de tecido, cobertas com filme de polietileno, evitavam a forma\u00e7\u00e3o de crosta e mantinham o leito h\u00famido, epitelizando quase duas vezes mais rapidamente do que aquelas mantidas em exposi\u00e7\u00e3o ao ar, ou seja, secas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa percep\u00e7\u00e3o mudou o rumo do desenvolvimento do material de penso, sendo que esse deixou de constituir apenas uma barreira mec\u00e2nica protectora, passando ent\u00e3o a estabelecer interac\u00e7\u00e3o com a ferida e por isso actualmente muitas vezes designado por Material de Penso Interactivo.<br \/>\nAssim, a ap\u00f3s alguns anos decorridos desde as experi\u00eancias de Winter e de muitos estudos experimentais efectuados chegou-se ao consenso de que um ambiente h\u00famido e uma temperatura amena na superf\u00edcie da ferida s\u00e3o factores essenciais ao processo de cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">E foi precisamente com base nesses estudos que Turner, em 1982, estabeleceu as principais caracter\u00edsticas que um penso deve possuir de forma a tratar uma les\u00e3o:<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<blockquote><p>1. Manter o ambiente h\u00famido na interface ferida\/penso;<br \/>\n2. Remover o excesso de exsudado e componentes t\u00f3xicos;<br \/>\n3. Permitir trocas gasosas;<br \/>\n4. Manter a temperatura a 37\u00baC, permitindo a actividade dos macr\u00f3fagos e a mitose durante a granula\u00e7\u00e3o e epiteliza\u00e7\u00e3o;<br \/>\n5. Ser imperme\u00e1vel \u00e0s bact\u00e9rias;<br \/>\n6. Permitir a remo\u00e7\u00e3o sem causar traumatismos;<br \/>\n7. Ser isento de part\u00edculas t\u00f3xicas.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m desses, outros aspectos devem ainda ser considerados como sejam:<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<blockquote><p>Esterilidade;<br \/>\nConforto para o doente;<br \/>\nCapacidade de ades\u00e3o \u00e0 pele circundante;<br \/>\nProtec\u00e7\u00e3o contra o trauma;<br \/>\nDisponibilidade;<br \/>\nVariedade de tamanhos;<br \/>\nResist\u00eancia \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o e humidade;<br \/>\nConforma\u00e7\u00e3o e flexibilidade;<br \/>\nFacilidade de manuseio;<br \/>\nCusto-efetividade.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"justify\">Estando dispon\u00edveis na actualidade diversos materiais de penso que obedecem as esses pressupostos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o e Sistematiza\u00e7\u00e3o do Material de Penso<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A crescente emerg\u00eancia de novos materiais de penso torna necess\u00e1ria a sua sistematiza\u00e7\u00e3o de forma a facilitar uma selec\u00e7\u00e3o racional. Dessa forma, e atendendo \u00e0s caracter\u00edsticas desses pensos, podem ser classificados em:<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-193\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image004.gif\" alt=\"Caixa de texto: \u2022\tMaterial Absorvente  \u2022\tMaterial Desbridante  \u2022\tMaterial Impregnado  \u2022\tPromotores da Cicatriza\u00e7\u00e3o  \u2022\tFilmes  \" width=\"291\" height=\"172\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Material Absorvente<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Como o pr\u00f3prio nome indica estes pensos caracterizam-se primariamente pela sua capacidade de absor\u00e7\u00e3o e\/ou gest\u00e3o dos exsudados. Dentro deste grupo podem-se incluir:<\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-194\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image005.gif\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"169\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Alginatos<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os alginatos s\u00e3o constitu\u00eddos por fibras derivadas do \u00e1cido alg\u00ednico, extra\u00eddo a partir algas marinhas da esp\u00e9cie Laminaria.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando colocados na ferida, actuam por troca i\u00f3nica entre os i\u00f5es c\u00e1lcio presentes no penso e os i\u00f5es s\u00f3dio dos tecidos, processo esse, associado \u00e0 absor\u00e7\u00e3o do exsudado por capilaridade. Em contacto com o exsudado o alginato transforma-se num gel viscoso criando um ambiente h\u00famido na superf\u00edcie da ferida, o qual favorece a sua cicatriza\u00e7\u00e3o, alivia a dor (por humedecimento das termina\u00e7\u00f5es nervosas evitando assim uma propaga\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos de grande intensidade), facilita o desbridamento autolitico do tecido necrosado e permite ainda as trocas gasosas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por esse motivo os alginatos est\u00e3o indicados em feridas altamente exsudativas infectadas ou n\u00e3o, nomeadamente \u00falceras de press\u00e3o e da perna (venosas e\/ou arteriais), queimaduras do 1.\u00ba e 2.\u00ba graus e ainda zonas de enxertos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apresentam-se sob a forma de ap\u00f3sitos (ver Figura 1) de diversas dimens\u00f5es e sob a forma de tiras (ver Figura 2) para feridas estreitas e profundas.<br \/>\nPara fixa\u00e7\u00e3o ao local da ferida requerem a aplica\u00e7\u00e3o de um penso secund\u00e1rio (ver Figura 3 A, B e C).<br \/>\nO tempo de perman\u00eancia na ferida \u00e9 vari\u00e1vel podendo ir de 1 a 7 dias, sendo que a sua mudan\u00e7a est\u00e1 dependente da quantidade de exsudado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aginatos comercializados: Algisite M\u00ae (Smith &amp; Nephew); Askina\u00ae Sorb (B.Braun); Askina\u00ae Sorbsan Plus (B.Braun); Kaltostat\u00ae (Convatec); Sorbalgon\u00ae (Hartmann); Suprasorb A\u00ae (Novamed); 3M Tegagen (3M).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-195\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image006.jpg\" alt=\"\" width=\"111\" height=\"105\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Figura 1 \u2013 Ap\u00f3sito de alginato de s\u00f3dio.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-196\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image009.jpg\" alt=\"\" width=\"111\" height=\"105\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Figura 2 \u2013 Tira de alginato de s\u00f3dio.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<table border=\"0\" align=\"justify\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-197\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image015.jpg\" alt=\"\" width=\"132\" height=\"132\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-198\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image013.jpg\" alt=\"\" width=\"132\" height=\"132\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-199\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image011.jpg\" alt=\"\" width=\"132\" height=\"132\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Figura 3 \u2013 Aplica\u00e7\u00e3o de um ap\u00f3sito de alginato.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Hidrofibras<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Compostas por fibras de carboximetilcelulose, caracterizam-se por apresentarem um mecanismo de absor\u00e7\u00e3o vertical, sendo o exsudado absorvido para o interior da fibra, a qual se transforma num gel criando dessa forma, uma ambiente h\u00famido favor\u00e1vel ao processo cicatricial, sem no entanto macerar a pele circundante \u00e0 ferida.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sua capacidade de absor\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante elevada sendo cerca de 25 vezes superior ao seu peso. Esse factor faz com que as hidrofibras estejam indicadas em feridas muito exsudativas, tais como \u00falceras de press\u00e3o ou vasculares, abras\u00f5es e lacera\u00e7\u00f5es, incis\u00f5es, zonas dadoras de enxertos e queimaduras do 1 e 2.\u00aa graus.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c0 semelhan\u00e7a dos alginatos requerem um penso secund\u00e1rio para fixa\u00e7\u00e3o \u00e0 zona lesionada e existem sob a forma de ap\u00f3sitos (de diferentes dimens\u00f5es) e tiras.<\/p>\n<p align=\"justify\">A frequ\u00eancia de mudan\u00e7a \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o da quantidade de exsudado (ou situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas especificas), podendo permanecer na ferida de 1 a 7 dias. Ocasionalmente poder\u00e1 ser necess\u00e1rio irrigar a ferida com uma solu\u00e7\u00e3o salina para remover algum gel residual sem danificar o tecido de granula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hidrofibras comercializadas: Aquacel\u00ae (Convatec)<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Hidrocol\u00f3ides<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o constitu\u00eddos geralmente por duas camadas, uma interna (que contacta directamente com a ferida), composta por subst\u00e2ncias hidrofilicas \u2013 carboximetilcelulose, pectinas, gelatina &#8211; e uma externa \u00e0 base de espuma ou filme de poliuretano, oclusiva ou semiperme\u00e1vel (dependendo da marca comercial) aos gases, l\u00edquidos e bact\u00e9rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em contanto com o exsudado da ferida, este \u00e9 absorvido formando um gel que se expande paulatinamente em direc\u00e7\u00e3o ao leito da les\u00e3o, aplicando firme press\u00e3o sobre sua base, especialmente em feridas mais profundas, estimulando assim a produ\u00e7\u00e3o de tecido de granula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, promovem o desbridamento do tecido necr\u00f3tico e auxiliam na remo\u00e7\u00e3o dos componentes t\u00f3xicos provenientes da destrui\u00e7\u00e3o celular e bacteriana, actuando na limpeza por aut\u00f3lise. De salientar que o gel formado apresenta um cheiro caracter\u00edstico, normalmente desagrad\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesse seguimento, t\u00eam v\u00e1rias indica\u00e7\u00f5es, profil\u00e1ticas e terap\u00eauticas, que v\u00e3o desde as les\u00f5es em estadios iniciais at\u00e9 aos mais avan\u00e7ados, com baixa a moderada quantidade de exsudado. Assim, podem ser utilizados em \u00falceras de press\u00e3o, vasculares ou diab\u00e9ticas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Est\u00e3o no entanto contra-indicados em feridas infectadas e naquelas com exposi\u00e7\u00e3o de tend\u00f5es ou ossos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Existem comercializados sob a forma de ap\u00f3sitos (ver Figura 4) de dimens\u00f5es v\u00e1rias e com diferentes formas anat\u00f3micas adaptadas a zonas corporais espec\u00edficas (ex. sagrada) com ou sem rebordo e ainda, de pastas especialmente indicadas para feridas cavit\u00e1rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desenvolvimentos recentes apresentam materiais de penso hidrocol\u00f3ides associados a alginatos, permitindo a sua utiliza\u00e7\u00e3o em feridas muito exsudativas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A aplica\u00e7\u00e3o destes pensos \u00e9 f\u00e1cil, podendo permanecer na ferida de 1 a 7 dias, dependendo da quantidade de exsudado. Na altura da remo\u00e7\u00e3o essa facilidade mant\u00e9m-se, sendo atraum\u00e1ticos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hidrocoloides comercializados: Askina Hydro\u00ae (B.Braun); Askina\u00ae Biofilm Paste (B.Braun); Hydrocoll\u00ae (Hartmann); Suprasorb\u00ae H (Novamed); Varihesive\u00ae Gel control (Convatec); Varihesive\u00ae Pasta (Convatec).<\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-200\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image017.jpg\" alt=\"\" width=\"147\" height=\"111\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image017.jpg 147w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image017-80x60.jpg 80w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image017-100x75.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 147px) 100vw, 147px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Figura 4 \u2013 Ap\u00f3sito de hidrocol\u00f3ide.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Espumas<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Fisicamente apresentam-se com estruturas multilaminares. A camada mais interna, que contacta directamente com a superf\u00edcie da ferida, \u00e9 adesiva e perfurada, a camada interm\u00e9dia \u00e9 composta por uma espuma hidrocelular \u00e0 base de subst\u00e2ncias hidrof\u00edlicas com capacidade de absor\u00e7\u00e3o de exsudados, e finalmente a camada mais externa \u00e9 \u00e0 base de poliuretano sendo imperme\u00e1vel \u00e0s bact\u00e9rias mas perme\u00e1vel ao vapor de \u00e1gua e ao oxig\u00e9nio.<\/p>\n<p align=\"justify\">As espumas mant\u00eam o isolamento t\u00e9rmico, mant\u00eam um ambiente h\u00famido e s\u00e3o confort\u00e1veis para o doente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Est\u00e3o indicadas como penso prim\u00e1rio em feridas pouco a moderadamente exsudativas, em especial com tecido de epiteliza\u00e7\u00e3o e\/ou granula\u00e7\u00e3o, e como penso secund\u00e1rio em feridas cavit\u00e1rias previamente preenchidas com outro material de penso (pasta, p\u00f3, gel) destinado a tratar infec\u00e7\u00f5es ou tecido necrosado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apresentam-se sob a forma de ap\u00f3sitos com ou sem rebordo (ver Figura 5), com diferentes formas anat\u00f3micas adaptadas \u00e0 regi\u00e3o do calc\u00e2neo ou \u00e0 regi\u00e3o sagrada (ver Figura 6) ou em \u201cestruturas esf\u00e9ricas\u201d para feridas cavit\u00e1rias profundas (ver Figura 7).<\/p>\n<p align=\"justify\">As espumas de poliuretano podem permanecer na ferida at\u00e9 um m\u00e1ximo de 7 dias, sendo que a frequ\u00eancia de mudan\u00e7a est\u00e1 dependente da quantidade de exsudado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Espumas comercializadas: Allevyn\u00ae (Smith &amp; Nephew); Allevyn\u00ae Cavity Circular (Smith &amp; Nephew); PermaFoam\u00ae (Hartmann); Suprasorb\u00ae P (Novamed); Tielle\u00ae (Johnson &amp; Johson); 3M Foam (3M).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-201\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image019.jpg\" alt=\"\" width=\"144\" height=\"144\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Figura 5 \u2013 Ap\u00f3sito de poliuretano com rebordo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-202\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image021.jpg\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"144\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Figura 6 \u2013 Ap\u00f3sito de poliuretano anatomicamente adaptado \u00e0 regi\u00e3o sagrada.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-203\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/image023.jpg\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"137\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Figura 7 \u2013 Pliuretano \u201cCavity\u201d para feridas cavit\u00e1rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Carv\u00e3o Activado<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os ap\u00f3sitos de carv\u00e3o activado s\u00e3o constitu\u00eddos por duas camadas (interna e externa) de tecido n\u00e3o tecido no interior das quais existe uma camada interm\u00e9dia de carv\u00e3o activado. Este caracteriza-se por apresentar uma elevada capacidade de desodoriza\u00e7\u00e3o uma vez que adsorve \u00e0 sua superf\u00edcie as mol\u00e9culas respons\u00e1veis pelo mau cheiro. Para al\u00e9m dessas mol\u00e9culas, absorve \u00e1gua, bact\u00e9rias e outros componentes presentes no exsudado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essas propriedades fazem com que estes ap\u00f3sitos estejam indicados em feridas com mau odor, infectadas ou com quantidade moderada de exsudados nomeadamente \u00falceras de press\u00e3o e de perna (de origem vasculares ou diab\u00e9tica), bem como em feridas oncol\u00f3gicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">No caso de feridas pouco exsudativas o penso pode aderir \u00e0 pele pelo que, pode ser aplicado hidrogel na ferida previamente \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do penso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para que o carv\u00e3o permane\u00e7a activo durante mais tempo alguns pensos associam ao carv\u00e3o activado alginatos e carboximetilcelulose (ex. Carboflex\u00ae) para absor\u00e7\u00e3o de exsudados. Outros pensos associam ao carv\u00e3o activado prata, a qual tem propriedades bactericidas (Actisorb Silver\u00ae).<\/p>\n<p align=\"justify\">Estes ap\u00f3sitos n\u00e3o devem ser cortados, devido ao risco de dispersam das part\u00edculas de carv\u00e3o na ferida constituindo corpos estranhos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Requerem um penso secund\u00e1rio e a sua mudan\u00e7a deve ser di\u00e1ria em feridas infectadas, podendo permanecer mais tempo nos casos e feridas pouco exsudativas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3sitos de Carv\u00e3o Activado comercializados: Askina Carbosorb\u00ae (B.Braun); Vliwaktiv\u00ae (Novamed).<\/p>\n<p align=\"justify\">Bibliografia Consultada:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Dealey, C.. The Care of wounds. A guide for nurses. Blackwell.1996.<br \/>\n\u2022 Flanagan, M.. Wound manegment. Churchill Linvingstone. 1.ed. 1997.<br \/>\n\u2022 Folhetos Informativos do Materiais de Penso.<br \/>\n\u2022 Informa\u00e7\u00e3o disponibilizada pelos laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos fornecedores do Material de Penso.<br \/>\n\u2022 Subgrupo Hospitalar Capuchos\/Desterro &#8211; Comiss\u00e3o de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar. Grupo de Trabalho de \u00falceras de Press\u00e3o. Preven\u00e7\u00e3o e Tratamento das \u00dalceras de Press\u00e3o. 2.\u00aa ed.. 1999.<br \/>\n\u2022 Rocha, M.J.; Cunha, E.; Dinis, A.P. et all. Feridas &#8211; Uma Arte Secular. 1.\u00aa. 2000.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A Parte II deste artigo ser\u00e1 publicada oportunamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><span style=\"text-align: justify;\">* Farmac\u00eautica<\/span><br style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"text-align: justify;\">Especialista em Farm\u00e1cia Hospitalar<\/span><br style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"text-align: justify;\">T\u00e9cnica Superior de Sa\u00fade &#8211; Centro Hospitalar de Coimbra<\/span><a style=\"text-align: justify;\" href=\"mailto:apd@injectaveis.com\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenvolvimento cient\u00edfico no \u00e2mbito das ci\u00eancias m\u00e9dicas verificado nos \u00faltimos anos contribuiu de forma significativa para o conhecimento da fisiologia da cicatriza\u00e7\u00e3o. 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