{"id":2030,"date":"2015-05-31T21:48:17","date_gmt":"2015-05-31T21:48:17","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/gilles-dussault-e-marta-temido-ganhos-potenciais-resultantes-da-prescricao-por-enfermeiros\/"},"modified":"2015-05-31T21:48:17","modified_gmt":"2015-05-31T21:48:17","slug":"gilles-dussault-e-marta-temido-ganhos-potenciais-resultantes-da-prescricao-por-enfermeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/gilles-dussault-e-marta-temido-ganhos-potenciais-resultantes-da-prescricao-por-enfermeiros\/","title":{"rendered":"Gilles Dussault e Marta Temido: ganhos potenciais resultantes da prescri\u00e7\u00e3o por enfermeiros"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2029\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/a843e5bbab793e287c606e6259993b2f.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/a843e5bbab793e287c606e6259993b2f.jpg 600w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/a843e5bbab793e287c606e6259993b2f-300x219.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/a843e5bbab793e287c606e6259993b2f-575x420.jpg 575w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Esta op\u00e7\u00e3o tem suscitado hesita\u00e7\u00f5es em termos do impacto na qualidade e na seguran\u00e7a dos cuidados. Mas existe evid\u00eancia dispon\u00edvel para a sustentar.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Com diferentes grada\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses, a prescri\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica por enfermeiros \u00e9 hoje uma realidade na Austr\u00e1lia, no Canad\u00e1, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, na Finl\u00e2ndia, na Irlanda, na Noruega, na Nova Zel\u00e2ndia, no Reino Unido, na Su\u00e9cia e, mais recentemente, na Espanha e na Holanda. Com efeito, v\u00e1rios sistemas de servi\u00e7os de sa\u00fade procuraram, atrav\u00e9s de uma combina\u00e7\u00e3o mais eficiente da for\u00e7a de trabalho em sa\u00fade, contributos para responder \u00e0s necessidades de melhoria do acesso, da efic\u00e1cia, da integra\u00e7\u00e3o e da qualidade dos cuidados e de redu\u00e7\u00e3o da despesa. Uma das estrat\u00e9gias utilizadas foi a de, em circunst\u00e2ncias espec\u00edficas, atribuir \u00e0 profiss\u00e3o de enfermagem o poder de prescri\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica, tradicionalmente inclu\u00eddo apenas na jurisdi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Esta op\u00e7\u00e3o tem suscitado hesita\u00e7\u00f5es em termos do impacto na qualidade e na seguran\u00e7a dos cuidados. Mas existe evid\u00eancia dispon\u00edvel para a sustentar. Uma recente revis\u00e3o sistem\u00e1tica da literatura comparou o impacto da prescri\u00e7\u00e3o por enfermeiros e por m\u00e9dicos em termos de quantidade, tipos de medicamentos e resultados em sa\u00fade obtidos pelos doentes, e analisou 35 estudos quantitativos, n\u00e3o obtendo diferen\u00e7as significativas \u2013 os enfermeiros recorriam \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica em n\u00famero de casos semelhante ao dos m\u00e9dicos; os enfermeiros prescreviam, por doente, um n\u00famero de medicamentos compar\u00e1vel ao dos m\u00e9dicos; os enfermeiros demostravam um perfil de prescri\u00e7\u00e3o, em termos de tipo e dosagem de medicamentos, id\u00eantico aos dos m\u00e9dicos, obtendo resultados em sa\u00fade equipar\u00e1veis. A satisfa\u00e7\u00e3o dos doentes tendia a ser igual ou superior nos cuidados prestados por enfermeiros mas o consumo de tempo por ato era tamb\u00e9m mais elevado neste caso (Kroezen, 2014).<\/p>\n<p>A prescri\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica por enfermeiros exige forma\u00e7\u00e3o e treino e assume v\u00e1rios formatos. Em alguns os enfermeiros s\u00e3o prescritores independentes, sendo respons\u00e1veis pela avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do doente, pela fixa\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico e pela defini\u00e7\u00e3o do tratamento a seguir, nomeadamente, em termo dos medicamentos a tomar e considerando, ou n\u00e3o, uma lista fechada de f\u00e1rmacos. Noutros, como no seguimento de doentes cr\u00f3nicos est\u00e1veis, os enfermeiros s\u00e3o prescritores complementares, assumindo a renova\u00e7\u00e3o do receitu\u00e1rio no \u00e2mbito de uma parceria com um m\u00e9dico que realizou a avalia\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e prescri\u00e7\u00e3o inicial. Noutros ainda, os enfermeiros podem prescrever medicamentos no quadro de protocolos para o tratamento de grupos espec\u00edficos de doentes, em situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas previamente descriminadas.<\/p>\n<p>Qualquer que seja o modelo assumido \u2013 resultado do desenho concreto de cada sistema de sa\u00fade para responder \u00e0s necessidades assistenciais da popula\u00e7\u00e3o que serve \u2013 a prescri\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica por enfermeiros pode representar ganhos potenciais. Para os enfermeiros, na medida em que estimula a satisfa\u00e7\u00e3o profissional com base numa maior autonomia decis\u00f3ria. Para os m\u00e9dicos, na medida em que liberta tempo de trabalho despendido a assinar prescri\u00e7\u00f5es na realidade j\u00e1 assumidas pelo enfermeiro da equipa. Para os doentes, na medida em que obt\u00eam melhor acesso e cuidados menos fraccionados. Para o sistema de sa\u00fade, na medida em que reflecte uma utiliza\u00e7\u00e3o mais eficiente dos recursos dispon\u00edveis da qual resultam melhores n\u00edveis de cuidados.<\/p>\n<p>Em Portugal, a exequibilidade desta op\u00e7\u00e3o tem conhecidas limita\u00e7\u00f5es legais face ao quadro normativo que regulamenta as profiss\u00f5es m\u00e9dica e de enfermagem, no qual a prescri\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica constitui uma reserva m\u00e9dica absoluta, competindo ao enfermeiros apenas a administra\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica institu\u00edda, excepto em situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia. Assim, para que os enfermeiros possam prescrever medicamentos em Portugal \u00e9 necess\u00e1rio que, primeiro, se introduzam modifica\u00e7\u00f5es legais, que dever\u00e3o ser acompanhadas de forma\u00e7\u00e3o complementar da enfermagem adequada a preservar a seguran\u00e7a e qualidade dos cuidados. Por outro lado, junto das profiss\u00f5es, a aceitabilidade social da adequa\u00e7\u00e3o desta solu\u00e7\u00e3o ao contexto do sistema de sa\u00fade portugu\u00eas carece de um forte investimento em consensualiza\u00e7\u00e3o, embora, em certas \u00e1reas da actividade assistencial, algumas equipas revelem uma maior disponibilidade para a inova\u00e7\u00e3o. A atribui\u00e7\u00e3o de incentivos remunerat\u00f3rios a estas equipas de sa\u00fade e de pagamento diferenciado aos enfermeiros prescritores s\u00e3o um dos recursos poss\u00edveis para fomentar esta redistribui\u00e7\u00e3o do trabalho e para compensar o acr\u00e9scimo de responsabilidade, no quadro de modelos organizacionais que j\u00e1 contemplam o pagamento pelo desempenho.<\/p>\n<p>Importa tamb\u00e9m real\u00e7ar que a necessidade de melhoria do skill mix da for\u00e7a de trabalho, nomeadamente, pela via de uma utiliza\u00e7\u00e3o mais eficiente das compet\u00eancias da profiss\u00e3o de enfermagem, constituiu uma das recomenda\u00e7\u00f5es que quer a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (WHO, 2010), quer o Memorando da Troika (Governo de Portugal et al, 2012), quer o relat\u00f3rio Um Futuro para a Sa\u00fade (Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2014), efectuaram para a melhoria do desempenho do sistema de sa\u00fade portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Em qualquer circunst\u00e2ncia, n\u00e3o poder\u00e1 esquecer-se que a prescri\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um ato e que o objetivo da obten\u00e7\u00e3o de um skill mix mais eficiente entre m\u00e9dicos e enfermeiros n\u00e3o \u00e9 a pr\u00e1tica de atos, tradicionalmente da esfera m\u00e9dica, e sim uma maior autonomia cl\u00ednica para a resposta \u00e0s necessidades assistenciais, num contexto do refor\u00e7o dos modelos colaborativos de cuidados (Phillips et al, 2002; Frenk et al, 2010; Nelson et al, 2014), em que o trabalho da equipa de sa\u00fade envolve confian\u00e7a, respeito m\u00fatuo, partilha do poder decis\u00f3rio e igualdade (Schadewaldt et al, 2013).<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>Frenk J, Chen L, Bhutta ZA, Cohen J, Crisp N, Evans T, Fineberg H, Garcia P, Ke Y, Kelley P, Kistnasamy B, Meleis A, Naylor D, Pablos-Mendez A, Reddy S, Scrimshaw S, Sepulveda J, Serwadda D, Zurayk H. 2010. Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world. Education of Health Professionals for the 21st century. Lancet 2010; 376: 1923\u201358. <a href=\"http:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736<\/a>(10)61854-5\/fulltext?_eventId=login.<br \/>Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian. 2014. Um Futuro para a Sa\u00fade. Todos temos um papel a desempenhar (Coordena\u00e7\u00e3o de Lord Nigel Crisp). Gr\u00e1fica Maiadouro S.A.<br \/>Governo de Portugal, Fundo Monet\u00e1rio Internacional, Comiss\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu. 2012. Memorandum of understanding on specific economic policy conditionality. Fourth update. Lisboa: Governo de Portugal. <a href=\"http:\/\/www.portugal.gov.pt\/media\/660539\/4r_mou_20120627.pdf.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.portugal.gov.pt\/media\/660539\/4r_mou_20120627.pdf.<\/a><br \/>Kroezen M. 2014. Nurse prescribing: A study on task substitution and professional jurisdictions. Utrecht: Wohrmann Print Service.<br \/>Nelson S, Turnbull J, Bainbridge L, Caufield T, Hudson G, Kendel D, Mowat D, Nasmith L, Postl B, Shamian J, Sketris I. 2014. Optimizing scopes of practice. New models of care for a new health care system. Canadian Academy of Health Sciences; Ottawa: 2014.<br \/>Phillips RL, Harper DC, Wakefield M, Green LA, Fryer GE. 2002. Can nurse practitioners and physicians beat parochialism into plowshares? Health Affairs; 21 (5): 133-142. Dispon\u00edvel: <a href=\"http:\/\/som202d.ucsd.edu\/HCS%20Course%20PDFs\/9_Plowshare.pdf.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/som202d.ucsd.edu\/HCS%20Course%20PDFs\/9_Plowshare.pdf.<\/a><br \/>Schadewaldt V, McInnes E, Hiller JE, Gardner A. 2013. Views and experiences of nurse practitioners and medical practitioners with collaborative practice in primary care \u2013 an integrative review. BMC Family Practice 2013; 14: 132.<br \/>WHO Regional Office for Europe. 2010 b). Evaluation of the National Health Plan of Portugal 2004-2010. Denmark. WHO Regional Office for Europe. <a href=\"http:\/\/pns.dgs.pt\/files\/2011\/01\/avaext.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/pns.dgs.pt\/files\/2011\/01\/avaext.pdf<\/a><a href=\"http:\/\/pns.dgs.pt\/files\/2011\/01\/avaext.pdf.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre>Fonte: Jornal M\u00e9dico&nbsp;<\/pre>\n<pre>URL:&nbsp;http:\/\/www.jornalmedico.pt\/2015\/05\/21\/gilles-dussault-e-marta-temido-ganhos-potenciais-resultantes-da-prescricao-por-enfermeiros\/<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta op\u00e7\u00e3o tem suscitado hesita\u00e7\u00f5es em termos do impacto na qualidade e na seguran\u00e7a dos cuidados. 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