{"id":1903,"date":"2014-09-04T01:15:49","date_gmt":"2014-09-04T01:15:49","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/os-enfermeiros-na-1-guerra-mundial-ontem-e-hoje\/"},"modified":"2014-09-04T01:15:49","modified_gmt":"2014-09-04T01:15:49","slug":"os-enfermeiros-na-1-guerra-mundial-ontem-e-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/os-enfermeiros-na-1-guerra-mundial-ontem-e-hoje\/","title":{"rendered":"Os Enfermeiros na 1\u00aa Guerra Mundial, ontem e hoje"},"content":{"rendered":"<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1902\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/e6cb2a5506395dfc85edb65c735c90cf.jpg\" alt=\" Ana Paula Pires, \"Cuidados de Sa\u00fade\", A Guerra de 1914 - 1918, www.portugal1914.org\" class=\"caption\" title=\"Os Enfermeiros na 1\u00aa Guerra Mundial\" width=\"589\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/e6cb2a5506395dfc85edb65c735c90cf.jpg 589w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/e6cb2a5506395dfc85edb65c735c90cf-300x196.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/>\n<p><em><span style=\"text-decoration: underline;\">Era ao Posto de Socorros, que competia a aplica\u00e7\u00e3o dos primeiros cuidados de sa\u00fade aos feridos ca\u00eddos em combate.<\/span><\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)&nbsp;<em style=\"font-size: 11px;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Os trabalhos eram por norma desempenhados por um m\u00e9dico e dois enfermeiros do Batalh\u00e3o<\/span><\/em><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para n\u00e3o pensarmos que a Hist\u00f3ria come\u00e7ou apenas quando nascemos e estando n\u00f3s no Ano do Centen\u00e1rio do in\u00edcio da 1\u00aa Guerra Mundial, deixo aqui dois artigos descobertos por &#8220;a\u00ed&#8221;, num projecto cujos autores agradecer\u00e3o de certeza novos contributos&#8230; a quem o quiser e souber fazer:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.portugal1914.org\/portal\/pt\/memorias\/participe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.portugal1914.org\/portal\/pt\/memorias\/participe<\/a><\/p>\n<p><em>&#8220;O portal Portugal 1914 promovido pelo Instituto de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea (IHC) da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da UNL em parceria e com a colabora\u00e7\u00e3o de diversas institui\u00e7\u00f5es inscreve-se num programa plural e diversificado dedicado \u00e0 evoca\u00e7\u00e3o da passagem do centen\u00e1rio da Guerra. <\/em><\/p>\n<p><em>Pretende-se criar um espa\u00e7o de reflex\u00e3o e partilha destinado a estimular o estudo e \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o do conhecimento da hist\u00f3ria e dos legados da I Guerra Mundial, beneficiando da colabora\u00e7\u00e3o de uma grande diversidade de institui\u00e7\u00f5es (arquivos, bibliotecas, universidades, museus, escolas, c\u00e2maras municipais&#8230;), e pessoas da mais variada forma\u00e7\u00e3o e actividade profissional, envolvendo o p\u00fablico em geral.<\/em><\/p>\n<p><em> Este programa visa, justamente, a promo\u00e7\u00e3o de uma cidadania activa e empenhada na promo\u00e7\u00e3o da defesa, preserva\u00e7\u00e3o e salvaguarda de um patrim\u00f3nio colectivo.&#8221; IN:http:\/\/www.portugal1914.org\/portal\/pt\/inicio-pt\/apresentacao<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O primeiro, o qual \u00e9 relativo \u00e0 imagem deste post e que \u00e9 simplesmente uma ambul\u00e2ncia cedida pela Casa Burnay ao Ex\u00e9rcito Portugu\u00eas e que descreve j\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o dos Enfermeiros na 1\u00aa Linha de Assist\u00eancia na frente de Combate, o que \u00e9 hoje muito comum ao &#8220;Pr\u00e9-Hospitalar&#8221;:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8221; Junto a cada batalh\u00e3o funcionava um Posto de Socorros Avan\u00e7ado. Alojava um pequeno n\u00famero de doentes e feridos. <span style=\"text-decoration: underline;\">Era ao Posto de Socorros, que competia a aplica\u00e7\u00e3o dos primeiros cuidados de sa\u00fade aos feridos ca\u00eddos em combate.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>As suas instala\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram mais do que um abrigo de a\u00e7o protegido dos ataques anti-g\u00e1s. <span style=\"text-decoration: underline;\">Os trabalhos eram por norma desempenhados por um m\u00e9dico e dois enfermeiros do Batalh\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Os feridos graves eram transferidos para os hospitais de rectaguarda, sendo o seu transporte assegurado pelas autoridades inglesas.<\/em><\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa e da Sec\u00e7\u00e3o Portuguesa do Tri\u00e2ngulo Vermelho, Portugal dispunha, de dois Hospitais de Base e de um Hospital Militar.<\/em><\/p>\n<p><em>A Guerra colocou os m\u00e9dicos portugueses em contacto directo com novos casos cl\u00ednicos, consequ\u00eancia vis\u00edvel e directa das novas armas &#8211; balas explosivas, obuses e metralhadoras \u2013 tornadas quotidianas na frente de combate.<\/em><\/p>\n<p><em>Ana Paula Pires (IHC)&nbsp;<\/em>&#8220;Cuidados de Sa\u00fade&#8221;, A Guerra de 1914 &#8211; 1918<\/p>\n<p><strong>O segundo a refer\u00eancia a um Portugu\u00eas, Ant\u00f3nio Travassos de Almeida, de quem sabe muito pouco mas que se sabe que era Enfermeiro. Se por acaso conseguirem acrescentar mais um ponto a este conto&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Travassos de Almeida nasceu a 17 de Janeiro de 1894, em Nogueira, Arganil, filho de Manoel Antunes Martins d\u2019Almeida e de Maria d\u2019Assun\u00e7\u00e3o Travassos. Ant\u00f3nio tinha 3 irm\u00e3os, Manoel, Francisco e Maria da Luz. Outros dois irm\u00e3os faleceram precocemente, deixando-o como o mais novo da fam\u00edlia.<\/em><\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio ter\u00e1 estudado na Universidade de Coimbra, pelo menos at\u00e9 1916. Angelo guarda ainda uma foto dele, que aparenta ser desses tempos de estudante. Contudo, e sem que se saiba porqu\u00ea, n\u00e3o ter\u00e1 conclu\u00eddo os seus estudos, tendo embarcado a 23 de Mar\u00e7o de 1917 para Fran\u00e7a, com apenas 23 anos. Ali ficou associado ao Regimento de Infantaria 14, com o qual permaneceu at\u00e9 ao seu regresso a casa, tal como refere a sua ficha de combatente, consult\u00e1vel no Arquivo Hist\u00f3rico Militar. <\/em><\/p>\n<p><em>Existem relatos diversos que o seu neto se recorda, contados por sua m\u00e3e, a filha mais nova de Ant\u00f3nio, e que ainda \u00e9 viva. Dizia ele que eram tr\u00eas no local onde atendiam. Ele, outra pessoa, possivelmente um enfermeiro, e o seu chefe, o m\u00e9dico. Este \u00faltimo teria gota, uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria de cariz reumatol\u00f3gico, e quando tinha ataques da doen\u00e7a, pedia a Ant\u00f3nio que tratasse dele. Isso teria desencadeado invejas da parte do seu outro camarada, ainda para mais que, como agradecimento, o m\u00e9dico lhe passava licen\u00e7a para ir a Paris por uma semana. Benesse de que poucos usufru\u00edam, diria ele, tal como nos reporta seu neto.<\/em><\/p>\n<p><em>Em outra ocasi\u00e3o, referia Ant\u00f3nio aos seus filhos, tiveram que fugir de um bombardeamento, provavelmente na trincheira ou ao posto onde ele auxiliava no atendimento, sendo que um dos seus companheiros se atirava constantemente para o ch\u00e3o. N\u00e3o sabia distinguir pelo barulho dos obuses e artilharia que ca\u00eda, se estavam aqueles mais ou menos longe, e ele mais ou menos em perigo, e \u00abcavava\u00bb para o ch\u00e3o a toda a hora. Ant\u00f3nio a dada altura ter-se-ia chateado, e com algumas interjei\u00e7\u00f5es t\u00edpicas dos homens de combate, ter-lhe-\u00e1 dito: \u201cVenha atr\u00e1s de mim, e s\u00f3 se atire para o ch\u00e3o quando eu o fizer! &#8220;. Recorda\u00e7\u00e3o que o atormentava, mas n\u00e3o mais que a de ver um soldado segurar nas m\u00e3os as suas pr\u00f3prias entranhas, pedindo-lhe ajuda, pois tinha mulher e filhos\u2026 E Ant\u00f3nio, em desespero, nada podia fazer por aquele homem. Porque, \u00e0 \u00e9poca, ferimentos gastrointestinais eram, na realidade, uma verdadeira senten\u00e7a de morte. Um tiro na barriga era morte certa para um soldado.<\/em><\/p>\n<p><em>A 4 de Outubro de 1918 Ant\u00f3nio viria a Portugal, para gozar-se de uma licen\u00e7a de 43 dias, n\u00e3o mais retornando \u00e0 Frente Ocidental. O Armist\u00edcio poupou-lhe uma viagem de regresso ao Inferno das linhas e dos feridos.<\/em><\/p>\n<p><em>Dedicar-se-ia depois a ensinar no Col\u00e9gio de S. Pedro, em Coimbra, que pertencia e era dirigido pelo seu primo direito, Jos\u00e9 da Fonseca Travassos. Por motivos de sa\u00fade, o seu pai perder\u00e1 o andar, e como era j\u00e1 vi\u00favo, Ant\u00f3nio viu-se na conting\u00eancia de regressar a Nogueira, para cuidar do pai e administrar os bens de fam\u00edlia. Ali viria a assistir \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica do progenitor e \u00e0 sua subsequente morte, assim como perderia igualmente a irm\u00e3 Maria da Luz Travassos d\u00b4Almeida.<\/em><\/p>\n<p><em>Casaria com a jovem de 23 anos, Maria Nunes Travassos, em 1937. Consta que ela ter\u00e1 ajudado Ant\u00f3nio nos \u00faltimos anos ou meses de vida de seu pai, tendo ido para a casa para auxiliar ao tratamento do mesmo. Ant\u00f3nio teve com sua esposa quatro filhos: Maria Dulce, Maria de Lurdes, Ant\u00f3nio Manuel e Maria Clara. N\u00e3o chegaria a ver os filhos adultos pois falaceria poucos anos depois.<\/em><\/p>\n<p><em>Refere seu neto Angelo, que o av\u00f4 trouxe da guerra conhecimento e traumas. Sua m\u00e3e refere que lhe contaram a forma como ele lidava com os familiares, em especial os filhos, n\u00e3o permitindo que as crian\u00e7as saissem para a rua sem in\u00fameras advert\u00eancias e pedidos de cuidados extra, mesmo que fossem seus sogros a leva-los, pois a dada altura teriam ido viver com a filha e o genro. Conhecia ele bem a doen\u00e7a, as formas de cont\u00e1gio, tratando de todos em casa, e temendo igualmente pelos pequenos, que tentava assim proteger. <\/em><\/p>\n<p><em>Contava ainda a sua esposa que a sua maior preocupa\u00e7\u00e3o, quando acamado, j\u00e1 no seu leito de morte, padecendo de um tumor intestinal, seria a de n\u00e3o acompanhar o crescimento dos seus filhos. E que lhe escorreriam as l\u00e1grimas pelo rosto quando pegava ou via a rec\u00e9m-nascida Maria Clara, que ficaria \u00f3rf\u00e3 de pai com poucos meses. Raz\u00e3o pela qual deixou um pedido final a seu irm\u00e3o Manoel e cunhada Maria Clara Bernardes dos Santos que apadrinhassem a pequena crian\u00e7a, pois temia pelo seu futuro e pela falta que faria aos seus outros filhos e \u00e0 esposa, vi\u00fava ainda t\u00e3o jovem.<\/em><\/p>\n<p><em>Maria Nunes n\u00e3o voltaria a casar. Ter\u00e1 sempre ajudado as pessoas da casa e da zona de Nogueira, com os conhecimentos que aprendeu com o marido, ao n\u00edvel da enfermagem, e passando o legado a todos os que quisessem aprender, at\u00e9 falecer em 1998. Foi uma alma caridosa e boa, reconhecida no pr\u00f3prio jornal &#8220;Comarca de Arganil&#8221;, que refere a sua morte. Quanto \u00e0 sua filha mais nova, Maria Clara, ainda \u00e9 viva. O seu pai faleceu quando ela tinha apenas 5 meses. Hoje \u00e9 ela o reposit\u00f3rio destas e de outras mem\u00f3rias de fam\u00edlia.<\/em><\/p>\n<p><em>Seu pai faleceu em Nogueira, Arganil, a 18 de Setembro de 1943. Angelo, seu neto, guarda hoje a sua fotografia, tirada em Fran\u00e7a, em 24 de Agosto de 1917. Um jovem de rosto belo, com uma bra\u00e7adeira do servi\u00e7o m\u00e9dico, que deixa antever uma cruz vermelha, deixa-se fotografar com ar sereno, em meio a uma guerra que, de serenidade e calmaria nada teria. <span style=\"text-decoration: underline;\">E que marcou a sua vida, como a de tantos jovens, portugueses e estrangeiros, at\u00e9 ao fim dos seus dias.<\/span><\/em><\/p>\n<p>Retirado de:&nbsp;http:\/\/www.portugal1914.org\/portal\/pt\/memorias\/historias\/item\/7221-enfermeiro-durante-a-grande-guerra-as-memorias-de-antonio-travassos-de-almeida<br \/><span style=\"color: #252525; font-family: sans-serif; font-size: 14px; line-height: 22.399999618530273px;\"><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #252525; font-family: sans-serif; font-size: 14px; line-height: 22.399999618530273px;\">&#8220;Aqueles que n\u00e3o se lembram do passado, est\u00e3o condenados a repeti-lo&#8221;<\/span><a href=\"http:\/\/www.portugal1914.org\/portal\/pt\/memorias\/historias\/item\/7221-enfermeiro-durante-a-grande-guerra-as-memorias-de-antonio-travassos-de-almeida\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era ao Posto de Socorros, que competia a aplica\u00e7\u00e3o dos primeiros cuidados de sa\u00fade aos feridos ca\u00eddos em combate. 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