{"id":1800,"date":"2014-04-02T15:12:12","date_gmt":"2014-04-02T15:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/impacto-do-cancro-de-cabeca-e-pescoco-na-qualidade-de-vida-analise-reflexiva\/"},"modified":"2021-05-04T09:23:14","modified_gmt":"2021-05-04T09:23:14","slug":"impacto-do-cancro-de-cabeca-e-pescoco-na-qualidade-de-vida-analise-reflexiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/impacto-do-cancro-de-cabeca-e-pescoco-na-qualidade-de-vida-analise-reflexiva\/","title":{"rendered":"Impacto do Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o na Qualidade de Vida &#8211; An\u00e1lise Reflexiva"},"content":{"rendered":"<p>Pretende-se com o presente artigo realizar uma an\u00e1lise reflexiva sobre a tem\u00e1tica do sobrevivente de Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o, analisando o impacto do cancro na pessoa e fam\u00edlia (pessoa significativa) e as altera\u00e7\u00f5es da qualidade de vida da\u00ed decorrentes, para a melhoria da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de enfermagem a estes doentes.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Impacto do Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o na Qualidade de Vida &#8211; An\u00e1lise Reflexiva<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Susana Miguel;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Servi\u00e7o de CCP\/ORL, IPO Lisboa<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Enfermeira Especialista<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"mailto:susanasamiguel@gmail.com\">susanasamiguel@gmail.com<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Mercedes Gudi\u00f1o,<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Servi\u00e7o de CCP\/ORL, IPO Lisboa<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"mailto:mercheg.aguilera@gmail.com\">mercheg.aguilera@gmail.com<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Andraia Silva<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Servi\u00e7o de CCP\/ORL, IPO Lisboa<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"mailto:acristianasilva@gmail.com\">acristianasilva@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><strong>Resumo:<\/strong> O impacto do Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o implica importantes altera\u00e7\u00f5es que condicionam significativamente o estilo de vida do doente, na medida em que podem existir mudan\u00e7as na imagem corporal, na respira\u00e7\u00e3o, na mastiga\u00e7\u00e3o e na comunica\u00e7\u00e3o. A sobrevida do Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o tem vindo a aumentar, em consequ\u00eancia do diagn\u00f3stico precoce e efic\u00e1cia do tratamento, em consequ\u00eancia cresce tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o com a Qualidade de Vida destas pessoas.<\/p>\n<p>Pretende-se reflectir sobre a tem\u00e1tica deste sobrevivente, analisando o impacto do cancro na pessoa e fam\u00edlia e as altera\u00e7\u00f5es da qualidade de vida da\u00ed decorrentes, com o objetivo da melhoria da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de enfermagem.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Impacto Cancro, Cancro Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o, Qualidade de Vida, Sobreviventes.<\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong>Head and Neck Cancer\u2019s impact implies important changes affecting patient\u2019s life style significantly, in the way that there may be changes in body image, breathing, mastication and communication. Head and Neck cancer survival has been increasing, as a result of an early diagnosis and treatment effectiveness, consequently increasing also the concern with these people\u2019s quality of life.<\/p>\n<p>We intend to reflect about this survivor\u2019s theme, analyzing the impact of cancer in the individual and his family and in the consequent quality of life changes, aiming a better nursing care.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Cancer Impact, Head and Neck Cancer, Quality of Life, Survivors.<\/p>\n<p><strong>I. O CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p>Com os avan\u00e7os cient\u00edficos, para muitas neoplasias foi poss\u00edvel obter a cura e para outras, prolongar a vida para al\u00e9m do que seria de esperar pela hist\u00f3ria natural da doen\u00e7a. Para muitos doentes o cancro deixou de ser uma doen\u00e7a iminentemente fatal, tornando-se uma doen\u00e7a cr\u00f3nica que dura meses ou anos, muitas vezes com tratamentos complexos (Pimentel, 2003).<\/p>\n<p>O desenvolvimento das novas terap\u00eauticas (cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terap\u00eautica biol\u00f3gica) permitiu um aumento consider\u00e1vel da sobreviv\u00eancia do doente oncol\u00f3gico, no entanto por vezes est\u00e3o presentes efeitos adversos graves (Pimentel, 2003).<\/p>\n<p>As terap\u00eauticas cir\u00fargicas e n\u00e3o cir\u00fargicas dos tumores malignos na \u00e1rea de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, com frequ\u00eancia originam um elevado grau de morbilidade, com importantes altera\u00e7\u00f5es funcionais ao n\u00edvel da respira\u00e7\u00e3o, mastiga\u00e7\u00e3o, degluti\u00e7\u00e3o, fona\u00e7\u00e3o, e altera\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas com graves implica\u00e7\u00f5es na vida de rela\u00e7\u00e3o do doente (Ca\u00e7ador, Ad\u00f3nis, Pacheco, Estribeiro e Olias, 2004).<\/p>\n<p>Pelo descrito, torna-se essencial incluir nos objetivos terap\u00eauticos a no\u00e7\u00e3o de qualidade de vida (Ca\u00e7ador, et al., 2004). A qualidade de vida de um doente oncol\u00f3gico \u201crepresenta a maneira como ele se v\u00ea a si pr\u00f3prio, sendo portanto uma no\u00e7\u00e3o totalmente subjetiva e individual, influenciada pela sua cultura, diferencia\u00e7\u00e3o, cren\u00e7as, religi\u00e3o e expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a e terap\u00eautica\u201d (Ca\u00e7ador et al., 2004).<\/p>\n<p>Pretende-se com o presente artigo realizar uma an\u00e1lise reflexiva sobre a tem\u00e1tica do sobrevivente de Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o, analisando o impacto do cancro na pessoa e fam\u00edlia (pessoa significativa) e as altera\u00e7\u00f5es da qualidade de vida da\u00ed decorrentes, para a melhoria da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de enfermagem a estes doentes. Na medida em que sabemos que o enfermeiro tem um importante papel no apoio e orienta\u00e7\u00e3o ao doente e fam\u00edlia na viv\u00eancia do processo de doen\u00e7a, tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o afetando definitivamente a qualidade de vida futura (Instituto Nacional do C\u00e2ncer, 2008).<\/p>\n<p>Importa antes de prosseguir contextualizar do ponto de vista estat\u00edstico a realidade do doente com cancro de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. Segundo dados do Globocan referentes a 2008, no mundo, existem 12.662 novos casos de cancro e est\u00e3o estimados 7.564 casos de morte por cancro, (Globocan 2008: Section of Cancer Information \u2013 World). Na tabela podemos ver a incid\u00eancia e a mortalidade dos principais tumores na \u00e1rea de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o, no Mundo e em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1<\/strong> &#8211; Taxa de incid\u00eancia e mortalidade em Portugal e no resto do Mundo dos principais tumores de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"6\" valign=\"top\" width=\"566\">Incid\u00eancia de Cancro na Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">L\u00e1bio e cavidade oral<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">Nasofaringe<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">Laringe<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">Tiroide<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"104\">Incid\u00eancia %<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"85\">Mundo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">2.1.<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">0.7<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">1.2<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">1.7<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"85\">Portugal<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">2.4<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">0.3<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">1.4<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">1.5<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"104\">Mortalidade %<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"85\">Mundo<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">1.7<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">0.7<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">1.1<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">0.5<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"85\">Portugal<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">2.3<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">0.3<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">1.7<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"94\">0.3<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fontes: dados relativos a Portugal: Globocan 2008. Section of Cancer Information \u2013 Portugal. International Agency for Research Cancer. In http:\/\/globocan.iarc.fr\/factsheet.aspp<\/p>\n<p>Dados relativos ao resto do Mundo: Globocan 2008. Section of Cancer Information \u2013 World. International Agency for Research Cancer. In http:\/\/globocan.iarc.fr\/factsheet.aspp<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o, s\u00e3o esperados para o ano 2013, 41.380 novos casos de cancro da cavidade oral e faringe, nos Estados Unidos (American Cancer Society, 2013). A taxa de incid\u00eancia \u00e9 duas vezes maior nos homens do que nas mulheres (American Cancer Society, 2013). Recentemente tem sido atribu\u00edda import\u00e2ncia a novos fatores de risco como o v\u00edrus de Epstein-Barr ou o V\u00edrus do Papiloma Humano especialmente nos tumores da nasofaringe e laringe, respetivamente (Herchenhorn e Dias, 2004).<\/p>\n<p>Por outro lado, de 2005 a 2009, as taxas de mortalidade diminu\u00edram 1,3% por ano nos homens e 2,2% por ano nas mulheres (American Cancer Society, 2013).<\/p>\n<p>O cancro altera todos os dom\u00ednios da Qualidade de Vida, as sequelas dos tratamentos, que podem surgir ou persistir durante anos, muitas vezes repercutem-se no bem-estar dos sobreviventes (Pinto e Ribeiro, 2006). Englobando todas as fases, cerca de 84% das pessoas com cancro da cavidade oral e faringe sobrevive ap\u00f3s um ano de diagn\u00f3stico. As taxas de sobrevida relativa aos 5 e 10 anos situam-se nos 62% e 51%, respetivamente (American Cancer Society, 2013).<\/p>\n<p><strong>II. Sobrevivente de Cancro<\/strong><\/p>\n<p>A terminologia de sobrevivente de cancro surge na d\u00e9cada dos 80, como consequ\u00eancia da melhoria na efic\u00e1cia nas terapias curativas, bem como, na mudan\u00e7a de progn\u00f3stico da doen\u00e7a oncol\u00f3gica (Pinto e Ribeiro, 2007).<\/p>\n<p>A Sobreviv\u00eancia ao cancro pode ser definida de diversas maneiras, segundo diferentes autores. The National Cancer Institute (2004) define a sobreviv\u00eancia ao cancro dando \u00eanfase \u201c\u00e0 sa\u00fade e a vida de uma pessoa depois do tratamento do cancro, at\u00e9 ao final da vida. Aborda quest\u00f5es relacionadas com aspetos f\u00edsicos, psicossociais e econ\u00f3micos relacionados com o cancro, al\u00e9m das fases de tratamento e diagn\u00f3stico. Sobreviv\u00eancia inclui quest\u00f5es relacionadas com a capacidade de obter cuidados de sa\u00fade, acompanhamento do tratamento, efeitos tardios do tratamento, segundos cancros, e qualidade de vida\u201d, nesta perspetiva os membros da fam\u00edlia, amigos os prestadores de cuidados fazem tamb\u00e9m parte do processo de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Miller (2011) considera que a defini\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia ao cancro engloba \u201caus\u00eancia de doen\u00e7a ap\u00f3s a conclus\u00e3o do tratamento\u201d, e \u201co processo de viver com, atrav\u00e9s e al\u00e9m de cancro\u201d. Segundo esta defini\u00e7\u00e3o a sobreviv\u00eancia do cancro come\u00e7a no momento do diagn\u00f3stico, inclui as pessoas que continuam a ter tratamento para reduzir o risco de recorr\u00eancia ou para controlar a doen\u00e7a cr\u00f3nica (Miller, 2011). Para Funk, Karnell e Christensen (2012) a sobreviv\u00eancia a longo prazo come\u00e7a nos 5 anos ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, com a implica\u00e7\u00e3o que o cancro foi curado.<\/p>\n<p>Mullan descreve a experi\u00eancia de cancro em tr\u00eas fases, (Pinto e Ribeiro, 2007):<\/p>\n<p>FASE AGUDA &#8211; inicia-se com o diagn\u00f3stico e continua at\u00e9 ao fim do tratamento. Nesta fase existe presen\u00e7a dos efeitos colaterais dos tratamentos. Em termos sociais, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de papel na estrutura familiar e no trabalho, em termos espirituais pensamentos sobre a vida e morte, muitas vezes existe a necessidade de apoio psicossocial.<\/p>\n<p>FASE INTERM\u00c9DIA &#8211; come\u00e7a com o fim do tratamento &#8211; tamb\u00e9m denominada fase de remiss\u00e3o da doen\u00e7a. A pessoa move-se entre o \u201cestar doente\u201d e \u201cestar bem\u201d, existe alguma esperan\u00e7a cautelosa e tamb\u00e9m presen\u00e7a do medo da recidiva.<\/p>\n<p>FASE PERMANENTE &#8211; engloba a dura\u00e7\u00e3o de vida do sobrevivente, quando o risco de recorr\u00eancia \u00e9 pequeno, em que se pode considerar equivalente a uma cura, ou uma remiss\u00e3o controlada. Nesta fase, o doente experimenta um aumento da confian\u00e7a na sobrevida.<\/p>\n<p>O enfermeiro inserido na equipa multidisciplinar tem um papel muito importante em todas estas fases. Na medida em que tem em conta as caracter\u00edsticas espec\u00edficas do doente (condi\u00e7\u00f5es de vida, diversidade cultural, papel social, valores e cren\u00e7as individuais, entre outros), individualizando os cuidados; de maneira sequencial informa dos procedimentos dos tratamentos a realizar, e trabalha com a pessoa promovendo o seu autocuidado (Pastor, Alonso, Basallote, Cabello, Contreras, Cubillo, et al, 2011<sup>12<\/sup>). O enfermeiro, devido \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 um profissional que pode participar no planeamento e execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es preventivas, de dete\u00e7\u00e3o precoce, ou de promo\u00e7\u00e3o de estilos de vida saud\u00e1veis na popula\u00e7\u00e3o de sobreviventes, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.<\/p>\n<p>III. <strong>Que Qualidade de Vida?<\/strong><\/p>\n<p>A qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade e a sua avalia\u00e7\u00e3o tem-se tornado progressivamente mais importante nos cuidados de sa\u00fade, especialmente no dom\u00ednio das doen\u00e7as cr\u00f3nicas. Tradicionalmente, a meta dos cuidados m\u00e9dicos para os doentes oncol\u00f3gicos foca-se na sua sobreviv\u00eancia e no controlo local de sintomas e complica\u00e7\u00f5es, assentando num modelo biom\u00e9dico. Contudo esta abordagem \u00e9 deficit\u00e1ria em conhecimento e compreens\u00e3o do bem-estar mental e emocional dos doentes.<\/p>\n<p>A qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade refere-se \u00e0 perce\u00e7\u00e3o do doente acerca dos efeitos da sua doen\u00e7a e o impacto da mesma nas suas atividades de vida di\u00e1ria, e assenta em duas premissas: Primeiro, \u00e9 um conceito multidimensional, que incorpora os dom\u00ednios f\u00edsico, psicol\u00f3gico, social e emocional; segundo \u00e9 subjetiva e deve centrar-se no doente refletindo as suas experi\u00eancias (Leung, Lee, Chien, Chao, Tsai e Fang, 2011). Pimentel (2003, p.19<sup>1<\/sup>) salienta que n\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o \u00fanica de qualidade de vida relacionada com sa\u00fade, descrevendo-a como \u201ca perce\u00e7\u00e3o dos doentes sobre as suas capacidades em quatro grandes dimens\u00f5es: bem-estar f\u00edsico e atividades quotidianas, bem-estar psicol\u00f3gico, rela\u00e7\u00f5es sociais e sintomas.\u201d<\/p>\n<p>A Qualidade de Vida assume particular relev\u00e2ncia nas pessoas com cancro da Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o porque, a intera\u00e7\u00e3o social e a express\u00e3o emocional dependem em grande parte da estrutura funcional e integridade dessa parte do corpo. Fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas como a capacidade de emiss\u00e3o de voz, a respira\u00e7\u00e3o, a saliva\u00e7\u00e3o, a mastiga\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m lhe est\u00e3o associadas (Pinto e Ribeiro, 2006).<\/p>\n<p>Neste contexto um doente oncol\u00f3gico de cabe\u00e7a e pes\u00adco\u00e7o sofre modifica\u00e7\u00f5es pluridimensionais que podem condicionar consideravelmen\u00adte a sua qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade, justificando a import\u00e2ncia da integra\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o deste par\u00e2metro na pr\u00e1tica cl\u00ednica em oncologia (Silveira, Gon\u00e7alves, Sequeira, Ribeiro, Montes\u00a0 e Pimentel, 2012).<\/p>\n<p>Tanto o diagn\u00f3stico como o tratamento do cancro t\u00eam um grande impacto na Qualidade de Vida do doente, pois ir\u00e3o produzir altera\u00e7\u00f5es muito importantes e duradouras no tempo. A avalia\u00e7\u00e3o da qualidade \u00e9 importante na compreens\u00e3o das diferen\u00e7as individuais na resposta \u00e0 doen\u00e7a, com objetivo de desenvolver interven\u00e7\u00f5es preventivas, intervindo precocemente de forma a maximizar a qualidade de vida (Pinto e Ribeiro, 2007<sup>8<\/sup>).<\/p>\n<p><strong><em>Instrumentos de Medida da Qualidade de Vida (QoL)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Existem question\u00e1rios de avalia\u00e7\u00e3o da qualidade de vida espec\u00edficos para doentes com cancro de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. \u00c9 feita uma breve apresenta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas destes instrumentos que se encontram validados para portugu\u00eas, o que torna estas ferramentas dispon\u00edveis para serem aplicados com seguran\u00e7a na nossa popula\u00e7\u00e3o, visando melhor entender o real impacto do cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o na vida dos indiv\u00edduos afetados, o que pode ajudar na escolha terap\u00eautica e auxiliar no direcionamento dos programas de reabilita\u00e7\u00e3o e suporte psicossocial (Vartanian, Carvalho, Furia, Junior, Rocha, Sinitcovisky, et al, 2007).<\/p>\n<p>&#8211; Question\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o de Qualidade de Vida da Universidade de Washington (UW-QOL). A vers\u00e3o atual \u00e9 composta por doze quest\u00f5es relacionadas com fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o: apar\u00eancia, atividades, recrea\u00e7\u00e3o, degluti\u00e7\u00e3o, mastiga\u00e7\u00e3o, fala e fun\u00e7\u00e3o do ombro. Assim como relacionadas com a atividade, recrea\u00e7\u00e3o, dor, humor e ansiedade.<\/p>\n<p>&#8211; Question\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o de Qualidade de Vida: Functional Assessment of Cancer Therapy (FACT-H&amp;N). Inclu\u00ed 5 dom\u00ednios: f\u00edsico, sociofamiliar, emocional, funcional e doze quest\u00f5es espec\u00edficas do Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8211; Question\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o de Qualidade de Vida: European Organization for Research and Treatment of Cancer (EORTC). Avalia sete dom\u00ednios: dor, degluti\u00e7\u00e3o, sentidos, fala, comer social, contacto social e sexualidade, al\u00e9m de apresentar onze itens espec\u00edficos sobre problemas dent\u00e1rios, trismo, xerostomia, saliva espessa, tosse, mal-estar, consumo de analg\u00e9sicos, suplementos nutricionais, sonda para a alimenta\u00e7\u00e3o e perda\/ganho de peso. Deve ser aplicado conjuntamente com o question\u00e1rio Quality of Life Questionnaire Core-30 da EORTC, (avalia a qualidade de vida global em indiv\u00edduos portadores de neoplasia em geral).<\/p>\n<p>Preferencialmente o question\u00e1rio deve ser preenchido pelo doente, e na eventualidade de n\u00e3o ser poss\u00edvel, poder\u00e1 ser um profissional de sa\u00fade treinado a aplic\u00e1-lo. Apesar de n\u00e3o existir um consenso na elei\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio mais adequado, v\u00e1rios autores recomendam que seja curto, conciso, f\u00e1cil de entender, autoaplicado pelo doente, baixo custo, m\u00ednimo tempo de preenchimento e com crit\u00e9rios de valida\u00e7\u00e3o psicom\u00e9trica bem estabelecidos.<\/p>\n<p><strong><em>Impacto do Cancro na Qualidade de Vida<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A American Cancer Society (2012), tendo por base as premissas de Ferrell (1997), define a qualidade de vida como um conceito amplo, multidimensional que considera o bem-estar social, f\u00edsico, psicol\u00f3gico e espiritual de uma pessoa, todos eles interrelacionados (Figura 1).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1799\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" title=\"Dimens\u00f5es da Qualidade de Vida, segundo a American Cancer Society \" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Tabela-qualidade-de-vida_artigo-2.png\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Tabela-qualidade-de-vida_artigo-2.png 618w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Tabela-qualidade-de-vida_artigo-2-300x149.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 1 \u2013 Dimens\u00f5es da Qualidade de Vida, segundo a American Cancer Society (2012).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O bem-estar f\u00edsico \u00e9 o grau com que os sintomas e os efeitos colaterais como dor, fadiga, m\u00e1 qualidade do sono, altera\u00e7\u00f5es corporais, entre outros, podem afetar a capacidade de realizar as atividades di\u00e1rias normais. A dimens\u00e3o emocional ou psicol\u00f3gica refere-se \u00e0 capacidade de manter o controlo sobre a ansiedade, depress\u00e3o, medo de recorr\u00eancia do cancro, problemas de mem\u00f3ria e concentra\u00e7\u00e3o, incapacidade para fazer planos de futuro e vulnerabilidade, entre os principais. Na dimens\u00e3o social salienta-se principalmente as rela\u00e7\u00f5es com familiares e amigos, incluindo a intimidade e sexualidade, as altera\u00e7\u00f5es na rotina da vida di\u00e1ria, assim como, preocupa\u00e7\u00f5es com o emprego, seguros e impacto financeiro que tamb\u00e9m afetam o bem-estar social. Por fim, a dimens\u00e3o espiritual \u00e9 derivada do significado da experi\u00eancia do cancro, quer no contexto da religi\u00e3o quer atrav\u00e9s da manuten\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a e resist\u00eancia em face da incerteza sobre a sa\u00fade no futuro, valoriza\u00e7\u00e3o da vida e algumas mudan\u00e7as nos valores e objetivos na vida. Por isto, o cancro \u00e9 uma das doen\u00e7as mais temidas da humanidade, pois altera de uma forma ou outra todas as dimens\u00f5es da pessoa.<\/p>\n<p>Mas apesar dos efeitos enunciados e de todas as mudan\u00e7as, que a pessoa tem que fazer ap\u00f3s um diagn\u00f3stico e consequente tratamento do cancro, tamb\u00e9m existem descritos, efeitos positivos que os doentes experimentam: \u201cmuitos sobreviventes relatam que ganharam maior apre\u00e7o pela vida, melhoraram as rela\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia e amigos, sentem um acentuado senso de significado e prop\u00f3sito na sua vida, e tornaram-se mais eficazes a lidar com o stresse e outros desafios da vida, como um resultado da sua experi\u00eancia com o cancro\u201d (American Cancer Society, 2012).<\/p>\n<p>Marques (2012<sup>18<\/sup>), tamb\u00e9m ele sobrevivente de cancro, descreve no seu livro algumas destas altera\u00e7\u00f5es, a n\u00edvel do impacto f\u00edsico que o cancro tem na qualidade de vida da pessoa, patentes em express\u00f5es \u201cs\u00f3 me faltavam os cheiros. N\u00e3o pude sentir &#8211; mas sei que estavam l\u00e1 &#8211; os odores do campo, da terra molhada, das plantas\u2026.\u201d (Marques, 2012), ou o impacto psicol\u00f3gico: \u201ccostumo dizer que vou vivendo entre a esperan\u00e7a, o esquecimento e o medo\u201d (Marques, 2012), ou at\u00e9 mesmo o impacto espiritual: \u201cpara a aprendizagem desta nova situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 dois par\u00e2metros de transcendente import\u00e2ncia: a f\u00e9 e o tempo [\u2026] sinto ter ganho alguma qualidade humana neste tr\u00e2nsito da doen\u00e7a, isso reside justamente na aquisi\u00e7\u00e3o de um grau superior de paci\u00eancia e de toler\u00e2ncia. Passei a viver o dia-a-dia\u201d (Marques, 2012).<\/p>\n<p><em><strong>Impacto do Cancro no Doente e familiares<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os efeitos tardios do cancro e dos seus tratamentos (cirurgia e\/ou radioterapia e\/ou quimioterapia) s\u00e3o uma realidade, com impacto significativo nos doentes na \u00e1rea de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o. Os doentes tratados a tumores do trato aerodigestivo superior, podem ficar com alguma disfun\u00e7\u00e3o, podendo existir problemas com alimenta\u00e7\u00e3o e hidrata\u00e7\u00e3o, e em casos espec\u00edficos mesmo ter necessidade de ser alimentados por sonda (National Institute for Clinical Excellence, 2004).<\/p>\n<p>Funk, Karnell e Christensen, (2012), conclu\u00edram que ap\u00f3s 5 anos, 50% dos indiv\u00edduos apresentavam problemas de alimenta\u00e7\u00e3o, 28,5% sintomas depressivos, 17,3% dor. Em termos de comportamentos de risco 13,6% continuavam a fumar e 38,9% mantinham h\u00e1bitos alco\u00f3licos.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m cirurgias em que \u00e9 necess\u00e1rio a presen\u00e7a de traqueostomia ou traqueotomia, em que o doente tem de lidar com o estoma (definitivo ou tempor\u00e1rio) e com a necessidade de reabilita\u00e7\u00e3o da fala. No caso de tumores da l\u00edngua e boca podem tamb\u00e9m surgir problemas a longo prazo com a fala e alimenta\u00e7\u00e3o. Estes doentes podem tamb\u00e9m apresentar, em resultado do esvaziamento cervical, muitas vezes associado a este tipo de cirurgia, problemas ao n\u00edvel do pesco\u00e7o e ombro. A realiza\u00e7\u00e3o de radioterapia pode originar problemas dent\u00e1rios, xerostomia e altera\u00e7\u00f5es da mucosa (National Institute for Clinical Excellence, 2004).<\/p>\n<p>A doen\u00e7a oncol\u00f3gica n\u00e3o afeta apenas o doente, na medida em que ocorre num contexto de um sistema familiar produzindo efeitos negativos no funcionamento do sistema e em cada um dos seus elementos (Caleiras, 2012). Caleiras (2012) refere ainda que o diagn\u00f3stico de cancro num individuo \u201c\u00e9 capaz de afetar todo o sistema familiar e os seus elementos, a forma mais ou menos ajustada e adaptada como estes reagem e o modo como comunicam refletir-se-\u00e1 em efeitos positivos ou negativos no doente. A fam\u00edlia em especial o cuidador, passa a integrar nas suas rotinas di\u00e1rias o apoio ao doente, nomeadamente, no vestir, alimentar-se, administra\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o financeira, transporte entre outras. O controlo dos sintomas, a administra\u00e7\u00e3o de terap\u00eautica e a articula\u00e7\u00e3o com os profissionais de sa\u00fade s\u00e3o tamb\u00e9m atividades que necessitam de apoio (Caleiras 2012).<\/p>\n<p>N\u00e3o esquecendo as importantes altera\u00e7\u00f5es que o cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o produz, a fam\u00edlia vai promover compet\u00eancias para lidar com as novas situa\u00e7\u00f5es, sejam elas definitivas ou tempor\u00e1rias. Vai servir de aux\u00edlio para o doente e para enfermeiros, nas situa\u00e7\u00f5es de fragilidade que o doente viver\u00e1 ao longo do seu percurso no sistema de sa\u00fade e na comunidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es decorrentes do tratamento oncol\u00f3gico no doente com cancro de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, importa tamb\u00e9m salientar pela sua especificidade as altera\u00e7\u00f5es\/complica\u00e7\u00f5es que podem ocorrer na cavidade oral.<\/p>\n<p><strong><em>Complica\u00e7\u00f5es orais da terapia do Cancro Cabe\u00e7a-Pesco\u00e7o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>As complica\u00e7\u00f5es orais (Tabela 2) resultam do cancro e das terapias usadas no tratamento causando efeitos agudos e cr\u00f3nicos e toxicidades que s\u00e3o sub-reportadas, sub-reconhecidas e sub-tratadas (Epstein, Thariat, Bensadoun, Barasch, Murphy, Kolnick, et al 2012), com elevado grau de complexidade e interfer\u00eancia no dia-a-dia.<\/p>\n<p><strong>Tabela 2 &#8211; Complica\u00e7\u00f5es orais do cancro e das terapias usadas no cancro de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o <\/strong><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"89\"><\/td>\n<td width=\"169\">COMPLICA\u00c7\u00d5ES<\/td>\n<td width=\"344\">SINTOMAS<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" valign=\"top\" width=\"89\">CR\u00d3NICAS<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">DOR NA MUCOSA<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Atrofia da mucosa, dor neurop\u00e1tica<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">SALIVA<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Viscosidade da saliva, hiposialia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">ALTERA\u00c7\u00c3O NEUROSSENSORIAL<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Altera\u00e7\u00e3o do paladar, halitose, altera\u00e7\u00e3o da mucosa<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">LIMITA\u00c7\u00c3O DO MOVIMENTO<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Abertura e movimento dos l\u00e1bios limitado; altera\u00e7\u00f5es na articula\u00e7\u00e3o temporo-mandibular; altera\u00e7\u00e3o da mobilidade da l\u00edngua<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\" valign=\"top\" width=\"89\">INFEC\u00c7\u00c3O<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">MUCOSA<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Dor, halitose<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">DENTAL<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Desmineraliza\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria, c\u00e1ries<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">PERIODONTAL<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Perda da inser\u00e7\u00e3o periodontal<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" valign=\"top\" width=\"89\">RISCO DE LES\u00c3O DA MUCOSA<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">NECROSE<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Necrose do tecido mole e \u00f3sseo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">IMPACTO EST\u00c9TICO<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Isolamento social, baixa qualidade de vida, depress\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">DISCURSO<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Isolamento social, depress\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"169\">MASTIGA\u00c7\u00c3O\/DISFAGIA<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"344\">Impacto sobre a ingest\u00e3o de energia ou nutrientes<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: Epstein et al, 2012<\/p>\n<p>Desta forma, reiteramos a necessidade dos profissionais da sa\u00fade, nomeadamente os enfermeiros, estarem atentos a estes aspetos, atuando com medidas preventivas para amenizar os efeitos secund\u00e1rios da radioterapia, fornecendo informa\u00e7\u00f5es sobre o tratamento, considerando os desconfortos e orientando medidas para alivi\u00e1-los, al\u00e9m de promover suporte para reduzir a ansiedade e depress\u00e3o, promovendo uma melhor rea\u00e7\u00e3o do doente ao tratamento (Sawada, Dias, e Zago, 2006).<\/p>\n<p><strong>IV. Sobreviventes de cancro de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, que implica\u00e7\u00e3o para A PR\u00c1TICA de cuidados?<\/strong><\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da Qualidade de Vida fornece avalia\u00e7\u00e3o individual do impacto da doen\u00e7a na perspetiva da pessoa. Permite compreender as diferen\u00e7as individuais nas respostas \u00e0 doen\u00e7a, desenvolvendo interven\u00e7\u00f5es preventivas ou precoces de forma a potenciar a qualidade de vida (Pinto e Ribeiro, 2007). Deste modo pode resultar em altera\u00e7\u00e3o dos procedimentos terap\u00eauticos e de reabilita\u00e7\u00e3o, e consequentemente, auxiliar na decis\u00e3o terap\u00eautica (Vartanian, Carvalho, Furia, Junior, Rocha, Sinitcovisky, et al, 2007).<\/p>\n<p>Perante estes factos emerge a necessidade de se avaliar a Qualidade de Vida, tornando-a cada vez mais uma ferramenta imprescind\u00edvel na orienta\u00e7\u00e3o das melhores alternativas de tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o do doente.<\/p>\n<p>O cancro afeta muitas dimens\u00f5es de sa\u00fade e bem-estar. Idealmente, o tratamento dever\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 prolongar a vida mas tamb\u00e9m diminuir os efeitos secund\u00e1rios da doen\u00e7a e potenciar a capacidade da pessoa retomar a sua vida normal (Pinto e Ribeiro, 2006).<\/p>\n<p>Perante a complexidade de todo o processo de reabilita\u00e7\u00e3o o enfermeiro tem um papel muito importante no ensino ao doente e fam\u00edlia, procurando minimizar e\/ou detetar precocemente estas altera\u00e7\u00f5es. Como real\u00e7a Fisher (2006, p.97) o enfermeiro \u00e9 visto \u201c\u2026como professor, mentor, facilitador\u201d.<\/p>\n<p>O fornecimento de informa\u00e7\u00e3o aos doentes \u00e9 um dos fatores mais importantes do \u201csuportive c\u00e2ncer care\u201d ao longo de todo o continuum de cancro. O objetivo \u00e9 preparar os doentes para o seu tratamento, aumentar a ader\u00eancia ao tratamento, aumentar as suas capacidades de coping em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a e promover a recupera\u00e7\u00e3o do doente (Husson, Mols e Poll-Franse, 2011).<\/p>\n<p>O crescente movimento de sobreviv\u00eancia fez centralizar de novo a preocupa\u00e7\u00e3o na vida, ap\u00f3s as necessidades do tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o dos doentes de cancro. O trabalho para viver com doen\u00e7a residual ou com os efeitos do tratamento define as necessidades de reabilita\u00e7\u00e3o (McCray, 2000).<\/p>\n<p>O processo de reabilita\u00e7\u00e3o deve incluir saneamento dent\u00e1rio, terapia de degluti\u00e7\u00e3o, fisioterapia, apoio psicol\u00f3gico e social. O doente deve ser tratado por uma equipa multidisciplinar, existindo uma inter-rela\u00e7\u00e3o entre a equipa hospitalar, os cuidados prim\u00e1rios e os servi\u00e7os sociais (Pastor, Alonso, Basallote, Cabello, Contreras, Cubillo, et al, 2011).<\/p>\n<p>Neste processo importa tambem detectar e tratar depend\u00eancias nomeadamente \u00e1lcool e tabaco (Pastor, et al, 2011). Num estudo realizado em Portugal (Silveira, Gon\u00e7alves, Sequeira, Ribeiro, Montes\u00a0 e Pimentel, 2012) verificou-se que\u00a0 50% eram ex-fumadores, os autores salientam ainda os ex-fumadores abandonaram os h\u00e1bitos tab\u00e1gicos frequentemente, ap\u00f3s a data de diagn\u00f3stico da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Neste contexto o profissional de enfermagem tem um papel muito importante na promo\u00e7\u00e3o dos estilos de vida saud\u00e1veis podendo influenciar positivamente a sa\u00fade da sociedade, ajudando as pessoas a fazerem escolhas informadas de estilos de vida saud\u00e1veis: nas \u00e1reas da nutri\u00e7\u00e3o, do exerc\u00edcio e do uso do \u00e1lcool e do tabagismo, (Sands e Wilson, 2003), isto porque a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade \u00e9 uma meta importante para as pessoas de todas as idades e situa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade (Sands e Wilson, 2003).<\/p>\n<p>A American Cancer Society em termos de guidlines para sobreviventes de cancro, recomenda um conjunto de medidas com enfase na nutri\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio f\u00edsico: alcan\u00e7ar e manter um peso saud\u00e1vel ao longo da vida, manter uma dieta saud\u00e1vel, adotar um estilo de vida fisicamente ativo, e limitar o consumo de \u00e1lcool (Kushi, Doyle, McCullough, Rock, Demark-Wahnefried, Bandera, et al 2012).<\/p>\n<p>Jacobs, Palmer, Schwartz, DeMichele, Mao, Carver et al (2009) tendo por base os pressupostos do Instituto of Medicine of the Nacional Academy, referemque a sobreviv\u00eancia do cancro \u00e9 uma das fases que tem sido negligenciada na \u00e1rea da pr\u00e1tica cl\u00ednica, educa\u00e7\u00e3o ou investiga\u00e7\u00e3o, pelo que considera quatro componentes essenciais centrados nos cuidados ao sobrevivente e dez recomenda\u00e7\u00f5es para melhorar os cuidados prestados:<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Principais componentes dos cuidados aos sobreviventes:<\/span><\/p>\n<p>1-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Preven\u00e7\u00e3o de recidivas e novos cancros e outros efeitos tardios;<\/p>\n<p>2-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vigil\u00e2ncia da evolu\u00e7\u00e3o do cancro, recidiva, ou tumores secund\u00e1rios; avalia\u00e7\u00e3o de efeitos cl\u00ednicos e psicol\u00f3gicos tardios;<\/p>\n<p>3-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Interven\u00e7\u00e3o\u00a0 sobre consequ\u00eancias\/sequelas do cancro e seu tratamento;<\/p>\n<p>4-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Coordena\u00e7\u00e3o entre os profissionais especializados e os cuidados de saude prim\u00e1rios para assegurar que todas as necessidades de sa\u00fade dos sobreviventes s\u00e3o supridas.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Recomenda\u00e7\u00f5es para cuidar dos sobreviventes:<\/span><\/p>\n<p>1-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aumentar a consciencializa\u00e7\u00e3o sobre os sobreviventes de cancro;<\/p>\n<p>2-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fornecer um plano de cuidados para os sobreviventes;<\/p>\n<p>3-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desenvolver diretrizes de pr\u00e1tica cl\u00ednica para sobreviventes de cancro;<\/p>\n<p>4-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Definir os cuidados de Sa\u00fade de Qualidade para os sobreviventes de cancro;<\/p>\n<p>5-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Superar os desafios do Sistema de Sa\u00fade;<\/p>\n<p>6-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Encarar a sobreviv\u00eancia como um problema de Sa\u00fade P\u00fablica;<\/p>\n<p>7-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fornecer forma\u00e7\u00e3o sobre a sobreviv\u00eancia aos profissionais de sa\u00fade;<\/p>\n<p>8-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Preocupa\u00e7\u00f5es com o emprego dos sobreviventes de todas as idades;<\/p>\n<p>9-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Melhorar o acesso aos seguros de sa\u00fade tornando-os adequados e acess\u00edveis;<\/p>\n<p>10-\u00a0 Investir na investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>V. Considera\u00e7\u00f5es Finais <\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas tem-se verificado uma melhoria significativa do progn\u00f3stico da pessoa com cancro. Os recentes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, na \u00e1rea da radioterapia, quimioterapia, cirurgia, e reconstru\u00e7\u00e3o, acompanhado de uma maior sensibiliza\u00e7\u00e3o das pessoas para esta patologia, tem proporcionado diagn\u00f3sticos mais precoces, tendo o decurso da doen\u00e7a melhorado significativamente.<\/p>\n<p>0 cancro deixou de ser uma fatalidade, pois em muitas da fases da doen\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel o controlo, permitindo grandes per\u00edodos de sobrevida. Os sobreviventes de cancro representam deste modo uma nova realidade nos servi\u00e7os de sa\u00fade, assim os profissionais de sa\u00fade, devem conhecer as suas necessidades de forma a desenvolver interven\u00e7\u00f5es adequadas, dirigidas aos processos educacionais e apoio psicossocial, \u00e0 pessoa e \u00e0 fam\u00edlia, com vista ao bem-estar e qualidade de vida ap\u00f3s a viv\u00eancia de um cancro (Pinto e Ribeiro, 2007).<\/p>\n<p>O enfermeiro \u00e9 o profissional mais habilitado e dispon\u00edvel para apoiar e orientar o doente e fam\u00edlia na viv\u00eancia do processo de doen\u00e7a, tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o, tendo impacto na qualidade de vida futura (Instituto Nacional do C\u00e2ncer, 2008).<\/p>\n<p>A monitoriza\u00e7\u00e3o das necessidades espec\u00edficas dos sobreviventes de cancro torna-se fundamental para minimizar a morbilidade que lhe est\u00e1 associada e contribuir para ganhos em sa\u00fade, pelo que o aumento da sobrevida de pessoas portadoras de doen\u00e7a cr\u00f3nica coloca a t\u00f3nica na premissa da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, n\u00e3o chega \u201cdar anos \u00e0 vida\u201d, mas \u00e9 crucial que se d\u00ea \u201cvida aos anos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pimentel, F. (2003). Qualidade de vida do doente oncol\u00f3gico. Porto: Tipografia Nunes Lda.<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ca\u00e7ador, M., Ad\u00f3nis, C, Pacheco, R., Estibeiro, H. e Olias, J. (2204) Qualidade de vida no tratamento conservador da laringe \u2013 M\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o. Revista Portuguesa de ORL. 42 N.\u00ba 4: 305-313.<\/p>\n<p>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Instituto Nacional do C\u00e2ncer. (2008). Interven\u00e7\u00f5es de Enfermagem no controlo do c\u00e2ncer. In Instituto Nacional do C\u00e2ncer. A\u00e7\u00f5es de enfermagem para controle do c\u00e2ncer \u2013 uma proposta de integra\u00e7\u00e3o ensino-servi\u00e7o. (pp.243-347). Rio de Janeiro: Esdeva. (3\u00aa edi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Globocan 2008. Section of Cancer Information \u2013 World. International Agency for Research Cancer. Consultado a 24 de abril de 2013: <a href=\"http:\/\/globocan.iarc.fr\/factsheet.asp.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/globocan.iarc.fr\/factsheet.asp.<\/a><\/p>\n<p>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Globocan 2008. Section of Cancer Information \u2013 Portugal. International Agency for Research Cancer. Consultado a 24 de abril de 2013: <a href=\"http:\/\/globocan.iarc.fr\/factsheet.asp.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/globocan.iarc.fr\/factsheet.asp.<\/a><\/p>\n<p>6.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 American Cancer Society (2013). Cancer Treatment and Survivorship Facts &amp; Figures 2013. Atlanta: American Cancer Society.<\/p>\n<p>7.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Herchenhorn, D. e Dias, J. (2004) \u2013 Advances in Radiochemotherapy in the treatment of head and neck cancer. Revista Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Paulo 59 (1): 39 \u2013 46.<\/p>\n<p>8.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pinto, C. e Ribeiro, J. (2007). Sobrevivente de Cancro: Uma outra realidade! Texto contexto Enfermagem Florianopolis. Janeiro\/Mar\u00e7o. 16(1) P. 142-148.<\/p>\n<p>9.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 National Cancer Institute. NCI Dictionary of Cancer terms. Consultado em 1 de Agosto de 2013. <a href=\"http:\/\/www.cancer.gov\/dictionary?cdrid=445089\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/Www.Cancer.Gov\/Dictionary?Cdrid=445089<\/a>.<\/p>\n<p>10.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, R.\u00a0 (2011). About Survivorship- Cancer.net &#8211; American Society of Clinical Oncology. Consultado em12 de abril de 2013: <a href=\"http:\/\/www.cancer.net\/survivorship\/about-survivorship.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cancer.net\/survivorship\/about-survivorship.<\/a><\/p>\n<p>11.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Funk, G.; Karnell, H. e Christensen, J. (2012). Long-term Health-Related Quality of Life in Survivors of Head and Neck Cancer. Archives of Otolaryngology Head and Neck Surgery. Vol. 138 (2). Fevereiro. P.123-133.<\/p>\n<p>12.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pastor, P., Alonso, E., Basallote, M., Cabello, M., Contreras, J., Cubillo, G. et al (2011). C\u00e2ncer de cabeza y cuello: processo asistencial integrado. Consejer\u00eda de Salud. Junta da Andaluzia. Acedido em: 13 de Janeiro de 2013:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.juntadeandalucia.es\/salud\/sites\/csalud\/contenidos\/Informacion_General\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.juntadeandalucia.es\/salud\/sites\/csalud\/contenidos\/Informacion_General\/<\/a><\/p>\n<p>13.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Leung, S., Lee, T., Chien, C, Chao, P., Tsai W. e Fang, F. (2011) \u2013 Health Related quality of life in 640 head and neck cancer survivors after radiotherapy using EORTC QLQ-30 and QLQ- H&amp;N35 questionnaires. BMC Cancer, 11:128. P.1-10.<\/p>\n<p>14.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pinto, C. e Ribeiro, J. (2006). A qualidade de vida dos sobreviventes de cancro. Revista Portuguesa de Sa\u00fade P\u00fablica. Vol.24 (1). P. 37-56.<\/p>\n<p>15.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Silveira, A, Gon\u00e7alves, J., Sequeira, T., Ribeiro, C., Lopes, C., Monteiro, E. e Pimentel, F. (2012). Oncologia de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o: enquadramento epidemiol\u00f3gico e cl\u00ednico na avalia\u00e7\u00e3o da qualidade de vida relacionada a sa\u00fade. Revista Brasileira de Epidemiologia. 15(1). p. 38-48.<\/p>\n<p>16.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vartanian, J., Carvalho, A., Furia, C., Junior G., Rocha, C., Sinitcovisky, L., et al. (2007).Question\u00e1rios para a avalia\u00e7\u00e3o de Qualidade de Vida em pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o validados no Brasil. Revista Brasileira Cirurgia Cabe\u00e7a Pesco\u00e7o. Vol. 36(2). P. 108 \u2013 115.<\/p>\n<p>17.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 American Cancer Society (2012). Cancer Treatment and Survivorship Facts &amp; Figures 2012. Atlanta: American Cancer Society.<\/p>\n<p>18.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Marques, J. (2012). Palavras Guardadas \u2013 Cr\u00f3nicas. Lisboa. ISBN 978-989-20-3027-2. 319 P.<\/p>\n<p>19.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 National Institute for Clinical Excellence. (2004). 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P. 391-410.<\/p>\n<p><strong>Nota do editor<\/strong><\/p>\n<p>Podem consultar mais artigos em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aeop.net\/RevistaOn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.aeop.net\/RevistaOn\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pretende-se com o presente artigo realizar uma an\u00e1lise reflexiva sobre a tem\u00e1tica do sobrevivente de Cancro de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o, analisando o impacto do cancro na pessoa e fam\u00edlia (pessoa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2223,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[955,265,954,266],"class_list":["post-1800","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-onco-news","tag-cabeca","tag-doente-oncologico","tag-pescoco","tag-qualidade-de-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1800"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1800\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2710,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1800\/revisions\/2710"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}