{"id":1797,"date":"2014-03-26T11:10:41","date_gmt":"2014-03-26T11:10:41","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/macedo-o-melhor-ministro-deste-governo\/"},"modified":"2014-03-26T11:10:41","modified_gmt":"2014-03-26T11:10:41","slug":"macedo-o-melhor-ministro-deste-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/macedo-o-melhor-ministro-deste-governo\/","title":{"rendered":"Macedo, o melhor ministro deste Governo"},"content":{"rendered":"<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1796\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/b574a0ae91fb70e737fbed289783496a.jpg\" alt=\"\" class=\"caption\" title=\"Macedo, o melhor ministro deste Governo\" width=\"1160\" height=\"773\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/b574a0ae91fb70e737fbed289783496a.jpg 1160w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/b574a0ae91fb70e737fbed289783496a-300x200.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/b574a0ae91fb70e737fbed289783496a-768x512.jpg 768w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/b574a0ae91fb70e737fbed289783496a-630x420.jpg 630w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/b574a0ae91fb70e737fbed289783496a-640x426.jpg 640w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/b574a0ae91fb70e737fbed289783496a-681x454.jpg 681w\" sizes=\"auto, (max-width: 1160px) 100vw, 1160px\" \/>\n<p>Olhando para a realidade da Enfermagem portuguesa parece evidente uma contradi\u00e7\u00e3o entre as ac\u00e7\u00f5es e o discurso do Ministro da Sa\u00fade. N\u00e3o se pode tratar t\u00e3o mal uma classe, e simultaneamente, consider\u00e1-la um dos pilares fundamentais do SNS. <!--more--> <\/p>\n<p>Logo a seguir \u00e0s \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es legislativas, vi com bons olhos o facto de o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade passar a ser liderado por algu\u00e9m que n\u00e3o era profissional da \u00e1rea. Contudo, atendendo ao passado de Paulo Macedo no sector privado, nomeadamente como administrador da M\u00e9dis, fiquei algo apreensivo em rela\u00e7\u00e3o ao que viria a ser a sua governa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Junho de 2013, o Expresso dava conta de uma sondagem que classificava o Ministro da Sa\u00fade como o melhor deste Governo. Em Dezembro, Helena Garrido admitia que Paulo Macedo tinha conseguido controlar a despesa na \u00e1rea da sa\u00fade, mas faltava saber se as reformas necess\u00e1rias estavam a ser feitas.<\/p>\n<p>Alguns epis\u00f3dios recentes, mostram-nos que o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade n\u00e3o est\u00e1 a funcionar como n\u00f3s desejar\u00edamos. E aten\u00e7\u00e3o, eu fa\u00e7o parte daqueles que consideram que os recursos s\u00e3o finitos, sobretudo, estando Portugal a viver um per\u00edodo de assist\u00eancia financeira.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o acredito que o Hospital de S. Jo\u00e3o, o Hospital de Santo Ant\u00f3nio ou o CHUC n\u00e3o pudessem receber o doente que veio de Chaves at\u00e9 ao Santa Maria, em Lisboa.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios como o do doente que andou 262 km entre 5 hospitais (Coimbra, Santar\u00e9m, Torres Novas, Abrantes e Tomar), ou da doente que teve de esperar 2 anos por uma colonoscopia (Amadora), ou do doente que s\u00f3 foi internado ap\u00f3s 50 horas numa maca (Porto), ou do hospital que foi inaugurado sem estarem conclu\u00eddas parte das obras relativas \u00e0s acessibilidades (Loures), ou do doente que esteve 7 dias em jejum a aguardar por cirurgia urgente (Urg\u00eancia Metropolitana \u2013 Lisboa), ou do doente (das Caldas) que viu recusada a sua admiss\u00e3o em UCI em 4 hospitais e acabou por morrer em Abrantes, ou do advogado que morreu (na P\u00f3voa de Varzim) enquanto praticava desporto porque a chamada para o 112 demorou 15 minutos a ser atendida (a central de Braga h\u00e1 muito est\u00e1 identificada como problem\u00e1tica)\u2026 s\u00e3o inaceit\u00e1veis!<\/p>\n<p>T\u00eam raz\u00e3o Ant\u00f3nio Ferreira (CHSJo\u00e3o), Francisco George e Paulo Macedo, ao dizer que estamos a falar de casos pontuais?<\/p>\n<p>Se h\u00e1 sector da sociedade onde o conceito de excep\u00e7\u00e3o assume uma dimens\u00e3o especial, \u00e9 na sa\u00fade. Se o melhor enfermeiro, do melhor servi\u00e7o, do mais moderno hospital portugu\u00eas, administrar um f\u00e1rmaco errado ao doente, pode, simplesmente, causar-lhe a morte. Pode ter sido o \u00fanico erro ao longo da sua vida, mas vai causar um dano irrepar\u00e1vel.<\/p>\n<p>Julgo que seria mais sensato que algumas personalidades ligadas \u00e0 Sa\u00fade, adoptassem outro tipo de discurso. Ali\u00e1s, um pouco ao abrigo da l\u00f3gica das regras da empresarializa\u00e7\u00e3o dos hospitais, fica-se com a sensa\u00e7\u00e3o que o Ministro e o Director Geral da Sa\u00fade sacodem a \u00e1gua do capote face ao que est\u00e1 a acontecer, tentando empurrar a culpa para os Conselhos de Administra\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es envolvidas. <br \/>Olhando para a realidade da Enfermagem portuguesa parece evidente uma contradi\u00e7\u00e3o entre as ac\u00e7\u00f5es e o discurso do Ministro da Sa\u00fade. N\u00e3o se pode tratar t\u00e3o mal uma classe, e simultaneamente, consider\u00e1-la um dos pilares fundamentais do SNS. Quanto achar\u00e1 o Dr. Paulo Macedo que deve ser um sal\u00e1rio digno para um enfermeiro?<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio dos 3,96\u20ac\/hora na ARS de LVT \u00e9 inqualific\u00e1vel. O mesmo se aplica \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Cunha Ribeiro dizendo que \u201ctinha de adjudicar a contrata\u00e7\u00e3o de enfermeiros pelos valores mais baixos, em nome de uma boa gest\u00e3o do dinheiro dos contribuintes\u201d. Recordo que foi a mesma ARS que contratou uma consultora por 400 mil euros para fazer um trabalho que as outras ARS fizeram com os seus pr\u00f3prios meios. Tamb\u00e9m foi Cunha Ribeiro, por ajuste directo, que contratou Miguel Oliveira (e a esposa) para o assessorar.<br \/>Paulo Macedo n\u00e3o pode ficar indiferente \u00e0 falta de equil\u00edbrio entre capacidade formativa das escolas de Enfermagem e oportunidades de emprego em Portugal. Os n\u00fameros da emigra\u00e7\u00e3o mostram que tem de juntar esfor\u00e7os com o Ministro do Ensino Superior para, pelo menos, controlar o problema. E se o pa\u00eds n\u00e3o precisa dos enfermeiros que se v\u00e3o embora, o Governo deve assumir a responsabilidade pelo impacto que isso ter\u00e1 no futuro do pa\u00eds. Como \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o admitir enfermeiros em muitas das institui\u00e7\u00f5es do SNS e continuar a haver SIGIC\u00b4s? E naquelas onde houve alguma contrata\u00e7\u00e3o de efectivos, ser\u00e1 que tem havido preocupa\u00e7\u00e3o por garantir igualdade de oportunidades?<\/p>\n<p>Ainda no \u00faltimo Expresso da Meia Noite em que participou, o Ministro mentiu aos portugueses. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 falta de anestesistas. N\u00e3o podemos \u00e9 permitir que os recursos humanos formados no SNS sejam capturados pelo sector privado. Ali\u00e1s, a discuss\u00e3o sobre exclusividade, pode estar inquinada\u2026<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m custa a compreender como \u00e9 poss\u00edvel que o Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as d\u00ea luz verde a um suplemento para as 40 horas m\u00e9dicas, e o mesmo n\u00e3o aconte\u00e7a para os enfermeiros. <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o: a medida das 40 horas (pelo valor das 35) \u00e9 p\u00e9ssima para a economia. Mas se o Governo acha que a medida vale os riscos, jamais deveria abrir excep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O despacho 9635\/2013 de 23 de Julho, parece remeter-nos para um certo clima de censura\u2026 Que est\u00e1 em linha com uma filosofia vigente nos servi\u00e7os de sa\u00fade, onde faltam momentos de di\u00e1logo, seja entre profiss\u00f5es, seja dentro da mesma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se escolhem os elementos que integram os CA\u00b4s? E todas as outras nomea\u00e7\u00f5es que da\u00ed decorrem? Para quando uma (genu\u00edna) parceria p\u00fablico privada (unidades de sa\u00fade, universidades e empresas de tecnologias de informa\u00e7\u00e3o), para se elaborar um sistema inform\u00e1tico moderno e eficiente?<\/p>\n<p>E sobre o SNS? Paulo Macedo \u00e9 ou n\u00e3o um defensor de um servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade com qualidade? Que reformas s\u00e3o necess\u00e1rias implementar (no que diz respeito ao financiamento, oferta de cuidados e preven\u00e7\u00e3o)? Para quando uma clarifica\u00e7\u00e3o definitiva do papel da ADSE em rela\u00e7\u00e3o ao sector privado? E para quando um discurso de verdade aos portugueses: quanto dos nossos impostos vai para a despesa em sa\u00fade (que neste momento, equivale ao que pagamos pelos juros da d\u00edvida)? Ser\u00e1 que conv\u00e9m ao Governo que cada vez mais, os cidad\u00e3os recorram ao sector privado, de forma a n\u00e3o onerar em demasia o Estado? <\/p>\n<p>Frequentemente ouvimos cr\u00edticas aos servi\u00e7os de sa\u00fade: parece que s\u00e3o m\u00e9dico-c\u00eantricos. O que quer isto dizer? N\u00e3o deveria o Sr. Ministro democratizar e clarificar o modo de funcionamento das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade? H\u00e1 profissionais de sa\u00fade que parecem ter pouca voz, e h\u00e1 outros que nem sequer s\u00e3o ouvidos. Faz falta sentar \u00e0 mesma mesa os v\u00e1rios intervenientes. E j\u00e1 agora, quem ouve os utentes? N\u00e3o estar\u00e3o os profissionais de sa\u00fade demasiado ocupados com os \u201cjogos de poder\u201d, ao inv\u00e9s de se focarem na ess\u00eancia da sua miss\u00e3o: servir os cidad\u00e3os?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olhando para a realidade da Enfermagem portuguesa parece evidente uma contradi\u00e7\u00e3o entre as ac\u00e7\u00f5es e o discurso do Ministro da Sa\u00fade. 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