{"id":1664,"date":"2013-09-25T20:31:43","date_gmt":"2013-09-25T20:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-de-mas-noticias\/"},"modified":"2013-09-25T20:31:43","modified_gmt":"2013-09-25T20:31:43","slug":"comunicacao-de-mas-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-de-mas-noticias\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1663\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/cbeae29db803645f5b715199396d8d52.jpg\" alt=\"\" class=\"caption\" title=\"Comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/cbeae29db803645f5b715199396d8d52.jpg 450w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/cbeae29db803645f5b715199396d8d52-300x225.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/cbeae29db803645f5b715199396d8d52-80x60.jpg 80w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/cbeae29db803645f5b715199396d8d52-100x75.jpg 100w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/cbeae29db803645f5b715199396d8d52-180x135.jpg 180w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/cbeae29db803645f5b715199396d8d52-238x178.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cPerhaps the greatest problem with human communication in health care is the assumption that communication is an easy thing to do well\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Thornton Kreps<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas o que \u00e9 comunicar?<\/strong><\/p>\n<p>Etimologicamente, <em>comunicar<\/em> \u00e9 uma palavra origin\u00e1ria do latim <em>communicare<\/em> que significa tornar comum, comungar, participar, estabelecer. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil encontrar uma defini\u00e7\u00e3o padr\u00e3o para o conceito de comunica\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque existem v\u00e1rias teorias e escolas que estudam e adotam diferentes defini\u00e7\u00f5es, tal como a escola de Frankfurt ou a escola de Palo Alto.<\/p>\n<p>Desde os tempos mais remotos, o Homem sentiu necessidade de comunicar, mesmo atrav\u00e9s de c\u00f3digos, desenhos ou gestos. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 assim, um fator de interliga\u00e7\u00e3o de povos e de uni\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso da comunica\u00e7\u00e3o aplicada \u00e0 \u00e1rea da sa\u00fade, a sua import\u00e2ncia \u00e9 de tal forma consider\u00e1vel que a psique do doente faz com que ele melhore, como \u00e9 o caso flagrante do efeito de placebo.<\/p>\n<p>Podemos aquilatar esta import\u00e2ncia na s\u00e1bia afirma\u00e7\u00e3o de Hip\u00f3crates: \u201calguns pacientes, apesar de conscientes de que a sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa, recuperam a sa\u00fade apenas com a satisfa\u00e7\u00e3o que lhes adv\u00e9m do bem que o m\u00e9dico lhes faz\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A medicina \u00e9 uma arte?<\/strong><\/p>\n<p>Nunca, em toda a hist\u00f3ria, a arte esteve t\u00e3o omnipresente numa ci\u00eancia como na medicina. Ou ser\u00e1 que a presen\u00e7a da ci\u00eancia nunca esteve t\u00e3o omnipresente numa arte?! Hip\u00f3crates, \u00e0 luz dos padr\u00f5es atuais, seria (fatalmente) um m\u00e9dico extremamente invulgar. O fundador da medicina provava regularmente a urina dos doentes, recolhia amostras de pus e de cera dos ouvidos e cheirava e observava as fezes. Avaliava a viscosidade do suor, examinava o sangue, a expetora\u00e7\u00e3o, as l\u00e1grimas e o v\u00f3mito dos seus pacientes. Conhecia os seus temperamentos, as suas casas, as suas fam\u00edlias e, ainda, estudava as suas express\u00f5es faciais.<\/p>\n<p>Quando tinha que decidir, Hip\u00f3crates recordava e tomava em devida considera\u00e7\u00e3o os h\u00e1bitos alimentares, a esta\u00e7\u00e3o do ano, os ventos predominantes no local, o abastecimento de \u00e1gua \u00e0 casa do paciente, etc. Partilhava toda a informa\u00e7\u00e3o com o doente, documentava-se e registava as suas consultas no que se pode considerar o in\u00edcio dos \u201cregistos cl\u00ednicos\u201d. Tais registos visavam ser discutidos na Academia M\u00e9dica de C\u00f3s, da qual era dirigente, e que ensina a Arte da Medicina (escrevia sempre Arte com letra mai\u00fascula).<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da arte\/ci\u00eancia, atualmente os m\u00e9dicos apresentam uma rela\u00e7\u00e3o de maior distanciamento face ao seu doente\/fam\u00edlia. Como houve uma evolu\u00e7\u00e3o no diagn\u00f3stico e terap\u00eautica, tamb\u00e9m houve uma evolu\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o, a qual se veio a traduzir num efetivo hiato relacional entre m\u00e9dico e paciente. A ess\u00eancia da medicina assenta num esfor\u00e7o profundamente humano. A atitude diagn\u00f3stica de hoje est\u00e1 muito mais dependente da tecnologia, o que determinou um maior distanciamento na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-doente, consequ\u00eancia do encurtamento do tempo presencial desta rela\u00e7\u00e3o. Quando as linhas de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o abertas e os cantos mais escuros s\u00e3o iluminados, como em nossa casa\u2026 todos nos sentimos mais \u00e0 vontade\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que s\u00e3o not\u00edcias negativas?<\/strong><\/p>\n<p>Uma not\u00edcia negativa \u00e9 qualquer not\u00edcia que altera &#8211; de forma dr\u00e1stica e negativa &#8211; a vis\u00e3o do paciente sobre o seu presente ou em rela\u00e7\u00e3o ao seu futuro, naturalmente influenciada pelo contexto psicossocial que o rodeia. Esse tipo de not\u00edcias provoca no recetor um d\u00e9fice cognitivo, comportamental e\/ou emocional durante o tempo em que ela \u00e9 percecionada, e prolonga-se mais ou menos no tempo consoante a rea\u00e7\u00e3o do paciente. Muitos profissionais da sa\u00fade tendem a definir \u201cnot\u00edcias negativas \u201d como os piores cen\u00e1rios, como seria o caso de dizer a um paciente que ele tem cancro ou comunicar uma morte a um c\u00f4njuge. Mas uma not\u00edcia negativa n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma not\u00edcia que diminui os anos de vida, mas antes qualquer uma que possa determinar modifica\u00e7\u00f5es na vida. Por exemplo, um problema na cartilagem de um joelho a requerer repouso a uma cozinheira estabelecida por conta pr\u00f3pria n\u00e3o seria por certo t\u00e3o problem\u00e1tico, mesmo significando n\u00e3o ter trabalho enquanto estivesse de repouso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias negativas<\/strong><\/p>\n<p>O maior desafio comunicativo de um profissional de sa\u00fade \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias negativas. A educa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica n\u00e3o tem vindo a contemplar uma prepara\u00e7\u00e3o formal para esse desiderato, n\u00e3o dotando os seus profissionais de ferramentas e mesmo de <em>guidelines<\/em> tidas como de <em>minimis<\/em> para almofadar o desconforto aquando de uma situa\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias negativas (CNN). Numerosos estudos mostram que os pacientes desejam geralmente ter uma comunica\u00e7\u00e3o franca e emp\u00e1tica sempre que em causa esteja um diagn\u00f3stico que interfira de forma significativa com as suas vidas. Apesar de tudo, as v\u00e1rias t\u00e9cnicas existentes emergem como facilitadoras da comunica\u00e7\u00e3o e t\u00eam-se revelado positivas na satisfa\u00e7\u00e3o do paciente e no conforto m\u00e9dico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual a dificuldade em comunicar not\u00edcias negativas?<\/strong><\/p>\n<p>Existem muitas raz\u00f5es pelas quais os profissionais de sa\u00fade t\u00eam dificuldade em fazer passar not\u00edcias negativas, sendo uma preocupa\u00e7\u00e3o comum a forma como esta poder\u00e1 afetar o paciente. Tal condiciona muitas vezes a comunica\u00e7\u00e3o baseada em pressupostos de antigas escolas de \u00c9tica:<\/p>\n<p>&#8220;A vida de uma pessoa doente pode ser abreviada, n\u00e3o s\u00f3 pelos atos, mas tamb\u00e9m pelas palavras e\/ou pela postura do profissional de sa\u00fade. \u00c9, portanto, um dever essencial proteger-se a este prop\u00f3sito, e evitar tudo o que possa desencorajar o \u00e2nimo do paciente e o possa deprimir\u201d.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os modelos tradicionais paternalistas da presta\u00e7\u00e3o de cuidados t\u00eam dado lugar a uma \u00eanfase gradual na autonomia e <em>empowerment<\/em> do paciente. De v\u00e1rios estudos feitos \u00e9 poss\u00edvel concluir que a grande maioria dos pacientes deseja ser informada, de forma aberta e esclarecida, o seu estado de sa\u00fade. Assim, o profissional de sa\u00fade precisa estar dotado de sensibilidade para conhecer a forma como o paciente gostaria de ver abordada a not\u00edcia, tornando-se um desafio individualizado.<\/p>\n<p>As m\u00e1s not\u00edcias s\u00e3o muitas vezes comunicadas em ambientes menos apropriados (favor\u00e1veis) em detrimento de conversas \u00edntimas. O ritmo fren\u00e9tico da pr\u00e1tica cl\u00ednica pode \u201cobrigar\u201d um profissional de sa\u00fade a comunicar not\u00edcias negativas debaixo de evidentes falhas de prepara\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que outras responsabilidades se intrometem, debitando constantes inputs desviantes da necessidade de aten\u00e7\u00e3o do profissional de sa\u00fade. Apreender compet\u00eancias comunicativas pode permitir que os profissionais de sa\u00fade, em geral, comuniquem as m\u00e1s not\u00edcias de uma forma menos desconfort\u00e1vel (e penalizante) para eles e mais satisfat\u00f3ria para os seus pacientes e\/ou familiares. Os enfermeiros s\u00e3o os profissionais que est\u00e3o mais bem preparados para comunica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias negativas e pode ser resultado de serem os que os profissionais de sa\u00fade que t\u00eam maior tempo de contato e de empatia com o doentes. Mas pensarmos que somos comunicativos e que somos bons a comunicar not\u00edcias negativas pode ser o primeiro passo para falharmos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPerhaps the greatest problem with human communication in health care is the assumption that communication is an easy thing to do well\u201d. Thornton Kreps &nbsp; Mas o que \u00e9 comunicar? 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