{"id":1635,"date":"2012-09-11T18:15:43","date_gmt":"2012-09-11T18:15:43","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/aleitamento-materno-no-concelho-de-portimao-aos-6-meses-de-vida-do-bebe\/"},"modified":"2021-05-04T09:24:23","modified_gmt":"2021-05-04T09:24:23","slug":"aleitamento-materno-no-concelho-de-portimao-aos-6-meses-de-vida-do-bebe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/aleitamento-materno-no-concelho-de-portimao-aos-6-meses-de-vida-do-bebe\/","title":{"rendered":"Aleitamento materno no concelho de Portim\u00e3o aos 6 meses de vida do beb\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>O aleitamento materno tem implica\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias \u00e1reas, nomeadamente na antropologia, na epidemiologia, na nutri\u00e7\u00e3o, na economia e na demografia<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p>Aleitamento materno no concelho de Portim\u00e3o aos 6 meses de vida do beb\u00e9: Fatores condicionantes<\/p>\n<p>Breastfeeding in the municipality of Portim\u00e3o to 6 months of life of the baby: Conditioning factors<\/p>\n<p><em>Nursing n\u00ba277<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autores<\/strong><\/h4>\n<p><em>P. Silva Carneiro\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio &#8211; Servi\u00e7o de Urg\u00eancia; Enfermeira especialista na \u00e1rea da Enfermagem Comunit\u00e1ria; Mestranda em Enfermagem &#8211; Especializa\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Unidades de Sa\u00fade na Escola Superior de Sa\u00fade de Portalegre.<\/p>\n<p><em>D. Garcia Galv\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Professora Coordenadora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra; P\u00f3s-Doutoranda em Enfermagem na Escola de Enfermagem da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado\u00a0junto de\u00a0m\u00e3es de crian\u00e7as com 6 meses de idade, que recorreram ao Centro de Sa\u00fade de Portim\u00e3o \u2013 Unidade de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Resumo:<\/strong><\/h4>\n<p>Constatando-se a inexist\u00eancia de estudos sobre a realidade da amamenta\u00e7\u00e3o no Concelho de Portim\u00e3o pretendeu-se dar resposta \u00e0\u00a0quest\u00e3o\u00a0\u201cQue fatores interferem na manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9\u00a0aos 6 meses de idade de m\u00e3es\/crian\u00e7as do Concelho de Portim\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p><strong>Objetivo:<\/strong>\u00a0Estudar a preval\u00eancia da amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos 6 meses de idade no Concelho de Portim\u00e3o; conhecer alguns fatores que levaram ao desmame precoce e relacionar alguns fatores que interferem na manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos 6 meses de idade de m\u00e3es\/crian\u00e7as do Concelho de Portim\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todos:<\/strong>\u00a0O estudo de\u00a0metodologia quantitativa, descritivo-correlacional e transversal, sob a forma de question\u00e1rio, junto de uma amostra n\u00e3o probabil\u00edstica-acidental, de 200 m\u00e3es, que recorreram a um Centro de Sa\u00fade de Portim\u00e3o, entre\u00a0Outubro de 2009 e Fevereiro de 2010.<\/p>\n<p><strong>Resultados:<\/strong>\u00a0Revelou elevada incid\u00eancia de aleitamento materno ao nascimento (99,0%) e percentagem (35,8%) de introdu\u00e7\u00e3o de leite artificial ao 1\u00bam\u00eas de vida.<\/p>\n<p>Aos 6 meses 44,5% das m\u00e3es continuavam a amamentar e apenas 18,7% exclusivamente. As tr\u00eas principais raz\u00f5es apontadas para o desmame precoce foram: \u201cquantidade leite insuficiente\u201d\u00a0(65,2%), \u201cregresso ao trabalho\u201d\u00a0 (38,6%) e \u201cleite fraco\u201d\u00a0(36,7%).<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es:<\/strong>\u00a0Foram encontrados fatores associados a uma maior dura\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o, nomeadamente: m\u00e3es com n\u00edvel socioecon\u00f3mico e n\u00edvel de escolaridade mais elevado, decis\u00e3o em amamentar antes da gravidez, opini\u00e3o favor\u00e1vel do marido\/companheiro face ao fato da mulher amamentar, opini\u00e3o da m\u00e3e favor\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que recebeu sobre AM, precocidade da coloca\u00e7\u00e3o do beb\u00e9 \u00e0 mama e refor\u00e7o de ensinos realizados sobre amamenta\u00e7\u00e3o nas consultas de vigil\u00e2ncia de sa\u00fade infantil.<\/p>\n<p>E como fatores associados com uma menor dura\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o: uso de chupeta pelo beb\u00e9\u00a0e ter feito suplemento com leite artificial na maternidade.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0Aleitamento Materno; Preval\u00eancia; Fatores Condicionantes.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Introduction:\u00a0<\/strong>Noting is the lack of studies on the reality of breastfeeding in the Portim\u00e3o Municipality was intended to answer the question &#8220;What factors influence the continuation of breastfeeding until 6 months of age of mothers \/ children of the Portim\u00e3o Municipality?&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Objectives:<\/strong>\u00a0To study the prevalence of breastfeeding until 6 months of age in the Municipality; know some factors that led to early weaning and list some factors that interfere with the maintenance of breastfeeding up to 6 months of age of mothers and children of the Portim\u00e3o Municipality.<\/p>\n<p><strong>Methods:<\/strong>\u00a0The study of quantitative methodology, descriptive-correlational and cross in the form of a questionnaire with a sample non-probability accidental, 200 mothers, who resorted to a Health Centre in Portim\u00e3o, between October 2009 and February 2010.<\/p>\n<p><strong>Results:<\/strong>\u00a0Found a high incidence of breastfeeding at birth (99.0%) and percentage (35.8%) of introduction of formula milk to the 1st month of life.<\/p>\n<p>At 6 months 44.5% of mothers continued to breastfeed exclusively and only 18.7%. The three main reasons for early weaning were &#8220;insufficient milk quantity&#8221; (65.2%), &#8220;return to work&#8221; (38.6%) and &#8220;weak milk&#8221; (36.7%).<\/p>\n<p><strong>Conclusions:<\/strong>\u00a0They were found factors associated to a bigger duration of the breastfeeding, namely: mothers with level partner economics and level of schooling more elevated, decision in breast-feed before of the pregnancy, favorable opinion of the husband\/companion face to the fact of the woman breast-feed, opinion of the favorable mother regarding the information that received about breastfeeding, precocity of the placement of the baby to the mother and reinforcement of educations carried out about breastfeeding in the childlike health vigilance consultations.\u00a0 And as factors associated with a smaller duration of the breastfeeding: use of pacifier by the baby and have deed supplement with artificial milk in the maternity.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0Breastfeeding; Prevalence; Conditioning factors.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/h4>\n<p>O aleitamento materno tem implica\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias \u00e1reas, nomeadamente na antropologia, na epidemiologia, na nutri\u00e7\u00e3o, na economia e na demografia<sup>1<\/sup>. Pode ser, considerado um comportamento, uma perce\u00e7\u00e3o, um padr\u00e3o nutricional e mesmo um fator decisivo para o crescimento e para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>O leite materno \u00e9\u00a0o \u00fanico alimento que garante ao lactente o melhor estado poss\u00edvel de sa\u00fade f\u00edsica, de desenvolvimento evolutivo e psicossocial<sup>2\u00a0<\/sup>pelo que \u00e9 consensual entre as v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es internacionais e nacionais, nomeadamente a OMS, UNICEF, Conselho de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o e as Sociedades de Pediatria, recomendarem com base em pressupostos cient\u00edficos, o aleitamento materno exclusivo at\u00e9 aos 6 meses de vida do beb\u00e9, sempre que poss\u00edvel<sup>3,4<\/sup>, competindo a cada pa\u00eds desenvolver pol\u00edticas e estrat\u00e9gias que visem atingir estas recomenda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste sentido o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade Portugu\u00eas<sup>15<\/sup>, elaborou o Plano Nacional de Sa\u00fade Orienta\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas para 2004-2010 estabelecendo como meta priorit\u00e1ria para 2010, que pelo menos 50% das mulheres amamentem exclusivamente at\u00e9 aos 6 meses.<\/p>\n<p>Segundo a mesma fonte<sup>15<\/sup>,\u00a0estudos realizados revelam que a totalidade das m\u00e3es conhece as vantagens do aleitamento materno e est\u00e1 empenhada em iniciar, que 95% dos beb\u00e9s saem das maternidades com uma amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva ou mista, mas que este valor decresce a partir do 15\u00ba dia de vida, motivado por falsas quest\u00f5es, relacionadas com problemas t\u00e9cnicos, inseguran\u00e7a, receios e\u00a0stress.<\/p>\n<p>Apesar da exist\u00eancia de m\u00faltiplas medidas de promo\u00e7\u00e3o do aleitamento materno, quer junto dos profissionais de sa\u00fade, quer junto da comunidade, verifica-se que a preval\u00eancia n\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0satisfat\u00f3ria. Torna-se imperativo desenvolver estrat\u00e9gias adequadas para a promo\u00e7\u00e3o do aleitamento materno, tais como apoio domicili\u00e1rio durante o per\u00edodo neonatal precoce, bem como apoiar o projeto \u201cHospitais Amigos dos Beb\u00e9s\/Servi\u00e7os de Sa\u00fade Amigos dos Beb\u00e9s\u201d uma iniciativa da OMS e da UNICEF lan\u00e7ada em 1992. No nosso pa\u00eds respondendo a esta iniciativa o Governo portugu\u00eas, logo em Maio de 1992, nomeou uma Comiss\u00e3o Nacional tendo sido certificados os tr\u00eas primeiros \u00abHospitais Amigos dos Beb\u00e9s\u00bb, em 2005, 2007 e 2008, sendo neste \u00faltimo ano certificado o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA) e em Outubro de 2009 a Maternidade de J\u00falio Dinis no Porto.<\/p>\n<p>Ainda pouco se sabe sobre as determinantes de decis\u00e3o em amamentar e os fatores associados a uma maior ou menor dura\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3\u00a0 nos pa\u00edses desenvolvidos, mas sobretudo nos pa\u00edses em desenvolvimento.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Neste contexto, desconhecendo a exist\u00eancia de estudos que se tenham centrado sobre a realidade existente em Portim\u00e3o, uma quest\u00e3o nos surgiu: \u201cQue fatores interferem na manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9\u00a0aos 6 meses de idade de m\u00e3es\/crian\u00e7as do Concelho de Portim\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p>Assim, realizou-se um estudo que seguiu a metodologia quantitativa que visou estudar a preval\u00eancia da amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9\u00a0aos 6 meses de idade no Concelho de Portim\u00e3o, conhecer alguns fatores que levaram ao desmame precoce e relacionar alguns fatores que interferem na manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9\u00a0aos 6 meses de idade de m\u00e3es\/crian\u00e7as do Concelho de Portim\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Material e M\u00e9todos:<\/strong><\/h4>\n<p>No estudo de tipo descritivo-correlacional e transversal, utilizou-se um question\u00e1rio, junto de uma amostra n\u00e3o probabil\u00edstica-acidental, de 200 m\u00e3es, tendo como crit\u00e9rios de inclus\u00e3o serem mulheres residentes no concelho de Portim\u00e3o, cujos partos ocorreram no CHBA no intervalo de tempo compreendido entre 1 de Abril e 31 de Agosto de 2009, que tivessem amamentado ou ainda estivessem a amamentar e que soubessem ler e escrever portugu\u00eas, condi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para aplica\u00e7\u00e3o do instrumento de colheita de dados adotado, que recorreram a um Centro de Sa\u00fade de Portim\u00e3o \u2013 Unidade de vacina\u00e7\u00e3o, para vacinar os seus beb\u00e9s com 6 meses de vida, no per\u00edodo de 1 de Outubro de 2009 a 26 de Fevereiro de 2010.<\/p>\n<p>O question\u00e1rio, elaborado para o efeito, foi pr\u00e9-testado junto de uma amostra de 15 m\u00e3es com beb\u00e9s de 6 meses que recorreram ao mesmo Centro de Sa\u00fade para procederem \u00e0\u00a0vacina\u00e7\u00e3o e que correspondiam a todos os crit\u00e9rios de inclus\u00e3o da amostra do estudo, durante o m\u00eas de Fevereiro de 2009, ficou constitu\u00eddo por 33 quest\u00f5es na sua maior parte de respostas fechadas, e algumas perguntas de respostas abertas consideradas importantes face aos objetivos do estudo, distribu\u00eddas por duas partes. Na primeira, foi realizada a identifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o sociodemogr\u00e1fica das m\u00e3es, utilizou-se o \u00edndice de Graffar, e na segunda parte foram colocadas quest\u00f5es referentes \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos os question\u00e1rios foram por n\u00f3s entregues \u00e0s m\u00e3es de meninos com 6 meses que se encontravam na sala de espera do Centro de Sa\u00fade &#8211; Unidade de vacina\u00e7\u00e3o, enquanto aguardavam vacinar os seus beb\u00e9s, que cumprissem todos os crit\u00e9rios de inclus\u00e3o no estudo.\u00a0As m\u00e3es foram informadas e esclarecidas sobre os objetivos do estudo, e participaram nele de forma volunt\u00e1ria. Foi-lhes assegurado, de forma verbal, confidencialidade e anonimato da informa\u00e7\u00e3o colhida no question\u00e1rio, tendo sempre presente os princ\u00edpios \u00e9ticos e deontol\u00f3gicos de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o do estudo foi feito o pedido formal de autoriza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-teste\/question\u00e1rio \u00e0\u00a0Administra\u00e7\u00e3o Regional de Sa\u00fade do Algarve, realizada reuni\u00e3o com a respons\u00e1vel pela \u00e1rea do aleitamento materno desta Administra\u00e7\u00e3o e reuni\u00e3o com a Senhora Enfermeira Chefe do Centro de Sa\u00fade onde decorreu a pesquisa.<\/p>\n<p>O tratamento de toda a informa\u00e7\u00e3o foi realizado por computador atrav\u00e9s do programa de tratamento estat\u00edstico SPSS,\u00a0na vers\u00e3o 18.0, e os procedimentos estat\u00edsticos utilizados foram a determina\u00e7\u00e3o de medidas de tend\u00eancia central e de dispers\u00e3o que nos permitiu caracterizar a amostra do estudo e as vari\u00e1veis de estudo.<\/p>\n<p>Atendendo \u00e0\u00a0natureza das vari\u00e1veis em estudo e distribui\u00e7\u00e3o dos resultados, com base no teste de Kolmogorov-Smirnov, utiliz\u00e1mos testes n\u00e3o param\u00e9tricos, teste de\u00a0c<sup>2<\/sup>de forma a analisarmos a signific\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o entre as vari\u00e1veis estudadas. Foram considerados estatisticamente significativos valores de signific\u00e2ncia menor que 0,05.<\/p>\n<h4><strong>Resultados:<\/strong><\/h4>\n<p><em>Caracteriza\u00e7\u00e3o da Amostra<\/em><\/p>\n<p>A\u00a0idade\u00a0das inquiridas variou entre os 19 e os 42 anos. Um total de 36% (n=72) tinha idades compreendidas entre os 24-29 anos, seguindo-se de 24% (n=48) com idades entre os 29-34 anos. A m\u00e9dia das idades foi de 28,6 anos com um desvio padr\u00e3o de 5,096 anos, sendo que a mediana se localizou nos 28 anos e a moda nos 29 anos.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0\u00a0nacionalidade\u00a0das m\u00e3es verificou-se que 71,5% (n=143) era de nacionalidade Portuguesa, 7,5% (n=15) Brasileira, 5,0% (n=5) Romena e as restantes de outras nacionalidades oriundas de outros pa\u00edses (Moldavia, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Cabo-Verde, Marrocos, \u00edndia, Mo\u00e7ambique e Guin\u00e9) o que demonstra a grande variedade cultural existente no concelho de Portim\u00e3o.<\/p>\n<p>Relativamente ao\u00a0estado civil,\u00a0cerca de metade, 54,0% (n=108), era casada, seguindo-se 30,0% (n= 60) que as que viviam em uni\u00e3o de facto.<\/p>\n<p>Observ\u00e1mos que quanto \u00e0s\u00a0\u201chabilita\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias\u201d se tratou de um grupo heterog\u00e9neo em termos de forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, sendo que houve respostas que oscilaram desde o 4\u00ba ano de escolaridade \u00e0 licenciatura. De salientar que 34,5% das m\u00e3es era detentora do 12\u00baano, 28,5% da licenciatura, 18,0% do 9\u00baano e apenas 4% tinha o 4\u00baano de escolaridade.<\/p>\n<p>As\u00a0condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f3micas\u00a0foram avaliadas atrav\u00e9s da escala do\u00a0\u00cdndice de Graffar. Os valores obtidos variaram entre 8 e 19. Constat\u00e1mos que 41,0% (n=82) das inquiridas pertence a uma classe social m\u00e9dia, 28,0% (n=56) a classe social alta, 23,5% (n=47) m\u00e9dia alta, 7,5% (n=15) m\u00e9dia baixa e n\u00e3o encontramos nenhuma m\u00e3e pertencente \u00e0 classe baixa.<\/p>\n<p><em>Amamenta\u00e7\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sensivelmente a totalidade das senhoras desejou a gravidez, 92,0%, e cerca de metade, 57,0%, afirmou ter sido uma gravidez planeada.<\/p>\n<p>&#8211; Um total de 98,0% (n=196) das m\u00e3es teve uma gravidez vigiada, observando-se que as consultas de vigil\u00e2ncia de sa\u00fade foram realizadas no Centro de Sa\u00fade, 79,6% (n=156), no m\u00e9dico particular, 53,6% (n=105) e no hospital 11,3% (n=22). O n\u00famero de consultas realizadas oscilou entre 4 e 10 sendo que a m\u00e9dia foi de 7,04 e o desvio padr\u00e3o de 1,502 consultas.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o tinha experi\u00eancia anterior de amamenta\u00e7\u00e3o 61,5% (n=123) das m\u00e3es e 38,5% (n=77) j\u00e1\u00a0tinha amamentado antes. Decidiu amamentar antes de engravidar 83,0% das m\u00e3es, 15,0% durante a gravidez e apenas 2,0% f\u00ea-lo ap\u00f3s o parto. A decis\u00e3o de amamentar para 97,0% foi tomada por iniciativa pr\u00f3pria, 10,0% f\u00ea-lo por conselho da fam\u00edlia, 2,0% por conselho m\u00e9dico e apenas 1,0% atrav\u00e9s dos meios audiovisuais.<\/p>\n<p>&#8211; Para 61,0% das m\u00e3es o seu marido\/companheiro concorda plenamente com o facto de elas amamentarem, 36,0% deles concorda e apenas 3,0% n\u00e3o concorda nem discorda.<\/p>\n<p>&#8211; Em rela\u00e7\u00e3o a se considerarem informadas sobre AM verificou-se que as respostas foram quase un\u00e2nimes com 99,0% das m\u00e3es a referirem que sim.<\/p>\n<p>&#8211; Analisando as respostas sobre se necessitavam de mais informa\u00e7\u00e3o sobre aleitamento materno, 99,0% referiu que n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Relativamente ao momento em que a informa\u00e7\u00e3o sobre aleitamento materno foi realizada 87,0% das m\u00e3es referiu ter recebido durante a gravidez, 99,0% durante o internamento e somente 64,0% no Centro de Sa\u00fade aquando as consultas ou nos momentos de vacina\u00e7\u00e3o dos beb\u00e9s. Apenas 1,0% afirmou ter sido no domic\u00edlio, ap\u00f3s o nascimento do beb\u00e9.<\/p>\n<p>&#8211; Quanto ao conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o recebida pelas m\u00e3es: 93,0% recebeu informa\u00e7\u00e3o sobre as vantagens do AM, 85,5% sobre t\u00e9cnica de amamenta\u00e7\u00e3o, 8,5% referiu ter recebido informa\u00e7\u00e3o sobre legisla\u00e7\u00e3o que promove o AM e apenas 2,0% sobre contraindica\u00e7\u00f5es do AM. Sendo que 47,5% consideram-na esclarecedora, 39,5% bastante esclarecedora, 12,0% muito esclarecedora e somente 1,0% pouco esclarecedora.<\/p>\n<p>&#8211; Relativamente \u00e0\u00a0experi\u00eancia de amamenta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o nascimento apurou-se que: 74,5% (n=149) dos beb\u00e9s estiveram em contacto direto pele a pele com a sua m\u00e3e na 1\u00aa vez que colocaram o beb\u00e9 a mamar, 99,0% das m\u00e3es receberam ajuda do enfermeiro e 1,0% do m\u00e9dico obstetra, e apenas 0,5% iniciou imediatamente a seguir ao parto, 76,8% na sala de partos e 22,7% ap\u00f3s a primeira hora.<\/p>\n<p>&#8211; Observ\u00e1mos ainda que 99,0% (n=198) das m\u00e3es iniciaram AM no hospital.<\/p>\n<p>&#8211; Decidiram maioritariamente amamentar por considerarem que o leite materno \u00e9\u00a0o mais adequado para o beb\u00e9\u00a0(73,5%) e por considerarem que protege o beb\u00e9\u00a0de infe\u00e7\u00f5es (69,0%).<\/p>\n<p>&#8211; Das 200 m\u00e3es inquiridas, 99,0% (n=198) responderam de forma afirmativa que lhes tinham ensinado a amamentar na maternidade, sendo que 99,9% salientam que lhes foi ensinado a colocar\/posicionar o beb\u00e9\u00a0\u00e0\u00a0 mama, 96,7% falaram-lhes sobre os intervalos entre cada mamada em simult\u00e2neo com os cuidados a ter com as mamas, 85,4% sobre os poss\u00edveis problemas que possam surgir com a mama e mamilos e apenas 36,9% referiu a extra\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do leite.<\/p>\n<p>&#8211; Embora 4,5% das m\u00e3es n\u00e3o soubesse referir se os seus beb\u00e9s tomaram leite artificial durante a perman\u00eancia na maternidade a 82,5% dos beb\u00e9s n\u00e3o foi oferecido suplemento alimentar.<\/p>\n<p>&#8211; Aos 6 meses de idade apenas 45,5% (n=91) das m\u00e3es continuam a amamentar. Destas, 74,7% alimenta os seus beb\u00e9s com leite materno e alimenta\u00e7\u00e3o complementar, 18,7% apenas com leite materno e 6,6% com leite materno e leite artificial.<\/p>\n<p>&#8211; Um total de 65,2% das m\u00e3es que j\u00e1\u00a0n\u00e3o amamentam apontaram como causa do desmame a perce\u00e7\u00e3o de leite insuficiente, 38,6% o regresso ao trabalho e 36,7% perce\u00e7\u00e3o de leite fraco.<\/p>\n<p>&#8211; Apur\u00e1mos que 24 m\u00e3es iniciou a introdu\u00e7\u00e3o do leite artificial aos 120 dias, 18 m\u00e3es iniciou aos 90 dias e 15 m\u00e3es introduziu aos 30 dias. Podemos salientar que a moda de introdu\u00e7\u00e3o de leite artificial localiza-se aos 120 dias, a m\u00e9dia aos 67,49 dias, mediana de 60 dias e um desvio padr\u00e3o de 48,363 dias.<\/p>\n<p>&#8211; Constat\u00e1mos que 38 m\u00e3es come\u00e7aram a dar \u00e1gua ao seu beb\u00e9\u00a0aos 120 dias, enquanto 37 m\u00e3es aos 30 dias e 23 m\u00e3es aos 60 dias. Assim, temos uma m\u00e9dia de introdu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de 71,7 dias, mediana de 60 dias, uma moda de 120 dias e um desvio padr\u00e3o de 49,116 dias.<\/p>\n<p>&#8211; Das 134 m\u00e3es que responderam dar ao seu beb\u00e9\u00a0leite artificial, 46,3% f\u00ea-lo por conselho do pediatra, 15,0% do farmac\u00eautico e 11,2% por conselho do m\u00e9dico de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8211; Usa chupeta 66% (n=132) dos beb\u00e9s tendo iniciado o seu uso 96,2% j\u00e1\u00a0 em casa.<\/p>\n<p>&#8211; Apur\u00e1mos que aos 6 meses de vida do beb\u00e9\u00a068,0% das m\u00e3es apresenta uma atividade laboral ativa.<\/p>\n<p>&#8211; Apenas 39,0% (n=78) das m\u00e3es referiu que nas consultas de vigil\u00e2ncia de sa\u00fade infantil t\u00eam sido refor\u00e7ados os temas\/assuntos relacionados com a pr\u00e1tica do aleitamento materno e que o refor\u00e7o da tem\u00e1tica foi realizado em 65,4% pelo enfermeiro, 11,5% pelo m\u00e9dico de fam\u00edlia e 7,7% pelo m\u00e9dico pediatra.<\/p>\n<p>Sendo objetivo deste estudo relacionar algumas caracter\u00edsticas sociodemogr\u00e1ficas das m\u00e3es e os aspetos relacionados com a amamenta\u00e7\u00e3o com a dura\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o, como se referiu aplicou-se o teste de Qui-Quadrado e verificou-se:<\/p>\n<p>&#8211; Existir rela\u00e7\u00e3o significativa entre as vari\u00e1veis habilita\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o aos 6 meses. Observ\u00e1mos que foram as m\u00e3es com maiores habilita\u00e7\u00f5es que mais prolongaram a amamenta\u00e7\u00e3o sendo que das 57 m\u00e3es com Licenciatura 57,9% mantinham a amamenta\u00e7\u00e3o verificando-se diminui\u00e7\u00e3o destas percentagens nos meninos filhos de m\u00e3es com habilita\u00e7\u00f5es de n\u00edvel inferior.<\/p>\n<p>&#8211; Tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel socioecon\u00f3mico e a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o foi significativa. Das 56 m\u00e3es que apresentavam n\u00edvel socioecon\u00f3mico considerado alto, 57,1% continuavam a amamentar verificando-se que a percentagem de m\u00e3es que mantinham a amamenta\u00e7\u00e3o decresceu \u00e0 medida que diminui a classe social a que pertenciam.<\/p>\n<p>&#8211; Que a opini\u00e3o favor\u00e1vel do marido\/companheiro face ao facto da mulher amamentar (97%) mostrou significado estat\u00edstico com a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o, sendo esta tanto maior quanto maior foi o grau concord\u00e2ncia deste.<\/p>\n<p>&#8211; Existir uma rela\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre as vari\u00e1veis opini\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o recebida e a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o. Das 24 m\u00e3es que consideraram a informa\u00e7\u00e3o muito esclarecedora, 14 (58,3%) continuavam a amamentar, resultado semelhante ao de 46 (58,2%) m\u00e3es que consideraram a informa\u00e7\u00e3o muito esclarecedora num total de 79 m\u00e3es. As 2 (100,0%) m\u00e3es que salientaram que a informa\u00e7\u00e3o era pouco esclarecedora j\u00e1\u00a0n\u00e3o amamentavam. Isto vem demonstrar que as m\u00e3es que consideraram ter recebido informa\u00e7\u00e3o muito e bastante esclarecedoras amamentaram mais tempo do que as restantes.<\/p>\n<p>&#8211; Existir uma rela\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre a precocidade de decis\u00e3o em amamentar e a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o. Das 166 m\u00e3es que tomaram a decis\u00e3o em amamentar antes de engravidar 84 (49,4%) delas ainda mantinham a amamenta\u00e7\u00e3o aos 6 meses.<\/p>\n<p>&#8211; Ainda haver uma rela\u00e7\u00e3o entre a introdu\u00e7\u00e3o do suplemento na maternidade e a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o, com uma rela\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre as vari\u00e1veis. Verific\u00e1mos que dos 26 beb\u00e9s que tomaram suplemento no hospital apenas 3 (11,5%) deles continuavam a ser amamentados e que dos 165 beb\u00e9s que n\u00e3o tomaram suplemento 85 (51,5%) deles mantinham a amamenta\u00e7\u00e3o, ou seja, os beb\u00e9s que tomaram suplemento foram amamentados durante menos tempo.<\/p>\n<p>&#8211; Existir uma rela\u00e7\u00e3o com significado estat\u00edstico entre n\u00e3o uso de chupeta e a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o. Constat\u00e1mos que dos 132 beb\u00e9s que usavam chupeta, 49 (37,1%) mantinham a amamenta\u00e7\u00e3o e que dos 68 beb\u00e9s que n\u00e3o usavam chupeta, 42 (61,8%) continuavam a ser amamentados.<\/p>\n<p>&#8211; Existir uma rela\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre precocidade da coloca\u00e7\u00e3o do beb\u00e9\u00a0\u00e0\u00a0mama e a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o aos 6 meses. Verific\u00e1mos que o \u00fanico beb\u00e9\u00a0que foi colocado \u00e0\u00a0 mama imediatamente a seguir ao parto mantinha a amamenta\u00e7\u00e3o aos 6 meses de vida, das 155 m\u00e3es que colocaram o beb\u00e9\u00a0\u00e0\u00a0mama na sala de partos (antes da 1\u00aa\u00a0hora), 78 (51,3%) delas continuavam a amamentar e que das 45 m\u00e3es que iniciaram a amamenta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a 1\u00aa\u00a0hora do parto apenas 12 (26,7%) delas mantinham a amamenta\u00e7\u00e3o aos 6 meses de vida.<\/p>\n<p>&#8211; Existir rela\u00e7\u00e3o com significado estat\u00edstico entre a informa\u00e7\u00e3o fornecida sobre AM nas consultas de vigil\u00e2ncia de sa\u00fade infantil e a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o. Das 78 m\u00e3es que receberam refor\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o sobre AM nas consultas de sa\u00fade infantil, 52 (66,7%) continuavam a amamentar aos 6 meses de vida do beb\u00e9, em contrapartida das 122 m\u00e3es que n\u00e3o receberam informa\u00e7\u00e3o apenas 39 (32,0%) delas mantinham a amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Sugest\u00f5es:<\/strong><\/h4>\n<p>Os resultados revelaram aus\u00eancia de visita domicili\u00e1ria efetuada pelo Centro de Sa\u00fade de Portim\u00e3o, para tal sugerimos a implementa\u00e7\u00e3o da visita domicili\u00e1ria de enfermagem de apoio ao AM.<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o de estudos ap\u00f3s a sua implementa\u00e7\u00e3o que avaliem a sua import\u00e2ncia no sucesso do AM.<\/p>\n<p>Desenvolvimento de programas\/projetos comunit\u00e1rios, que visem o envolvimento da comunidade na amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contactar via telefone todas as m\u00e3es na 1\u00aa\u00a0semana ap\u00f3s alta, para isso sugerimos que o Cantinho da Amamenta\u00e7\u00e3o do CHBA esteja aberto durante 4-6h di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Promo\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do pai nas consultas pr\u00e9-natais e de prepara\u00e7\u00e3o para o parto.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00f5es:<\/strong><\/h4>\n<p>Perante os resultados encontrados no nosso estudo parece-nos importante questionar as interven\u00e7\u00f5es educativas, as pr\u00e1ticas, procedimentos e atitudes realizadas pelos profissionais de sa\u00fade durante a vigil\u00e2ncia pr\u00e9\u00a0 natal, considerando a possibilidade de lacunas na forma como foram efetuadas as atividades educativas e de promo\u00e7\u00e3o do AM, pois a Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade emanam diretrizes claras para que se atinjam as metas propostas para 2004-2010. Neste sentido, ser\u00e1 necess\u00e1rio investir mais nas campanhas de promo\u00e7\u00e3o do AM e sensibilizar os m\u00e9dicos e enfermeiros da import\u00e2ncia da promo\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 pr\u00e1tica do AM.<\/p>\n<p>Para terminar e dando resposta \u00e0s quest\u00f5es formuladas no in\u00edcio do nosso estudo, conclu\u00edmos que aos 6 meses de vida do beb\u00e9, 44,5% das m\u00e3es continuavam a amamentar e apenas 18,7% o faziam com leite materno exclusivo, valor este que fica muito aqu\u00e9m da meta proposta pela OMS de 50% de crian\u00e7as com AM exclusivo at\u00e9\u00a0esta idade. Perante estes resultados \u00e9\u00a0necess\u00e1rio haver um maior investimento por parte dos profissionais de sa\u00fade (m\u00e9dicos obstetras, pediatras e de medicina geral e familiar, enfermeiros e restantes t\u00e9cnicos de sa\u00fade), principalmente os que trabalham na \u00e1rea dos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios em forma\u00e7\u00e3o sobre aleitamento materno, \u201cpara que todos possam falar a mesma linguagem\u201d de forma a manter o AM exclusivo at\u00e9 aos 6 meses de vida do beb\u00e9. Sugerem-se algumas estrat\u00e9gias como esclarecer, encorajar e apoiar a gr\u00e1vida e pu\u00e9rpera nesta pr\u00e1tica atrav\u00e9s de um acompanhamento sistem\u00e1tico, com o intuito de prevenir complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o, o que leva que haja uma interven\u00e7\u00e3o mais precoce.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0\u00a0segunda quest\u00e3o, as tr\u00eas principais raz\u00f5es apontadas pelas m\u00e3es para o desmame precoce, que v\u00e3o de encontro a outros estudos realizados, foram: \u201cquantidade leite insuficiente\u201d<sup>5,10,11<\/sup>\u00a0(65,2%), \u201co regresso ao trabalho\u201d<sup>12,13,14<\/sup>\u00a0(38,6%) e \u201cleite fraco\u201d<sup>5,10,11<\/sup>\u00a0(36,7%).<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0\u00a0terceira quest\u00e3o, os fatores sociodemogr\u00e1ficos maternos que se associaram \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o foram: m\u00e3es com n\u00edvel socioecon\u00f3mico<sup>1<\/sup>\u00a0e n\u00edvel de escolaridade mais elevado<sup>5,6,7<\/sup>, indo de encontro tamb\u00e9m a outros estudos consultados.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0\u00a0quarta quest\u00e3o, os fatores de hist\u00f3ria de vida da m\u00e3e que influenciaram a manuten\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o foram: decis\u00e3o em amamentar antes da gravidez<sup>5<\/sup>, opini\u00e3o favor\u00e1vel do marido\/companheiro face ao facto da mulher amamentar<sup>5,8,9<\/sup>, opini\u00e3o da m\u00e3e favor\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que recebeu sobre AM, precocidade da coloca\u00e7\u00e3o do beb\u00e9 \u00e0 mama<sup>5<\/sup>\u00a0e refor\u00e7o de ensinos realizados sobre amamenta\u00e7\u00e3o nas consultas de vigil\u00e2ncia de sa\u00fade infantil<sup>5<\/sup>. E como fatores associados com uma menor dura\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o: uso de chupeta pelo beb\u00e9<sup>5<\/sup>\u00a0e ter feito suplemento com leite artificial na maternidade<sup>5<\/sup>, factos estes comprovados em estudos anteriormente publicados.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia:<\/strong><\/h4>\n<p>1.Levy, Leonor (1994). A alimenta\u00e7\u00e3o no primeiro ano de vida. Revista Portuguesa de Pediatria &#8211; Lisboa. n\u00ba\u00a025. p.191-204.<\/p>\n<p>2. American Academy of Pediatrics (2005). Policy statement: breastfeeding and use of human milk. Pediatrics. Elk Grove Village. vol. 115. p.496-506.<\/p>\n<p>3. Levy, Leonor\u00a0et al. (1994). Atitudes e conhecimentos dos adolescentes face ao aleitamento materno. Revista Portuguesa de Pediatria. Lisboa. n\u00ba 25, p. 205-211.<\/p>\n<p>4. Loureiro, Isabel (1997 b). O seu leite para o seu beb\u00e9. Crescer. Lisboa. Ano 4, n\u00ba\u00a038. p. 22-24.<\/p>\n<p>5.Galv\u00e3o, Dulce M. P. Garcia (2006). Amamenta\u00e7\u00e3o bem-sucedida: alguns fatores determinantes. Loures: Lusoci\u00eancia<\/p>\n<p>6. Pereira, Maria Adriana (2006). Aleitamento materno- Import\u00e2ncia da corre\u00e7\u00e3o da pega no sucesso. Loures: Lusoci\u00eancia<\/p>\n<p>7.Sarafana, Sofia;\u00a0et al. (2006). Aleitamento materno: evolu\u00e7\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada. Ata Pedi\u00e1trica Portuguesa. n\u00ba1(37). p.9-14<\/p>\n<p>8.Royal College of Midwives (1994). Lactancia materna: Manual para profissionales. 1\u00aaed. Barcelona: Assocaci\u00f3\u00a0Catalana Pro Alletament Matern<\/p>\n<p>9. Giugliani, Elsa R.J. (2000). O aleitamento materno na pr\u00e1tica. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro.n\u00ba76(3). p.238-252<\/p>\n<p>10.\u00a0Albuquerque, M.\u00a0et al. (1996). \u2013 Aleitamento materno: A pr\u00e1tica hospitalar e o sucesso do aleitamento materno at\u00e9 aos 6 meses de vida. Nascer e Crescer. Porto. Vol. 5, n\u00ba2.p.107-111.<\/p>\n<p>11. Caram\u00e9s, Elena\u00a0et al. (1999) \u2013 Aleitamento no 1\u00ba ano de vida. Estudo descritivo de caracteriza\u00e7\u00e3o do aleitamento materno nas crian\u00e7as nascidas em 1997 inscritos na Unidade de S\u00e1ude de Caxias- Vila do Conde. Nascer e Crescer. Porto. Vol. 8, n\u00ba 4, p.247-250.<\/p>\n<p>12.Cardoso, Lidia (2006). Aleitamento materno \u2013\u00a0Uma pr\u00e1tica de educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade no \u00e2mbito da enfermagem obst\u00e9trica. (Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o &#8211; Especializa\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade). Braga<\/p>\n<p>13.Sandes, Ana Rita;\u00a0et al. (2007). Aleitamento materno: preval\u00eancia e fatores condicionantes. Ata M\u00e9dica Portuguesa. n\u00ba 20, p. 193-200<\/p>\n<p>14.King, F. Savage (1991). Como ajudar as m\u00e3es a amamentar. Edi\u00e7\u00f5es Revista. s. 1.: Universidade Estatual de Londrina<\/p>\n<p>15. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u2013\u00a0Dire\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade (2004). Plano nacional de sa\u00fade 2004-2010- orienta\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aleitamento materno tem implica\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias \u00e1reas, nomeadamente na antropologia, na epidemiologia, na nutri\u00e7\u00e3o, na economia e na demografia<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[741,331,851,234,776,849,852,103,106,850],"class_list":["post-1635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-aleitamento-materno","tag-amamentacao","tag-amamentar","tag-bebe","tag-chupeta","tag-fatores-condicionantes","tag-leite","tag-maternidade","tag-obstetricia","tag-prevalencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1635"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2713,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1635\/revisions\/2713"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}