{"id":1633,"date":"2012-09-11T18:10:41","date_gmt":"2012-09-11T18:10:41","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/bullying-versus-mobbing-investigacoes-em-profissionais\/"},"modified":"2021-05-04T09:24:44","modified_gmt":"2021-05-04T09:24:44","slug":"bullying-versus-mobbing-investigacoes-em-profissionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/bullying-versus-mobbing-investigacoes-em-profissionais\/","title":{"rendered":"Bullying versus Mobbing: Investiga\u00e7\u00f5es em Profissionais"},"content":{"rendered":"<p>Atualmente, as institui\u00e7\u00f5es revelam interesse sobre a qualidade de vida no trabalho, pelo que, a viol\u00eancia em contexto laboral \u00e9 motivo de estudo<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo:<\/strong><\/h4>\n<p>Bullying Versus Mobbing: Investiga\u00e7\u00f5es em Profiissionais<br \/>\nBullying versus mobbing: Investigations in Professionals<\/p>\n<p><em>Nursing n\u00ba279<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autores:<\/strong><\/h4>\n<p>PINTO P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Higiene e Seguran\u00e7a no Trabalho<\/p>\n<p>D. SARAIVA Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem M\u00e9dico-Cir\u00fargica<\/p>\n<h4><strong><span style=\"line-height: 1.3em;\">Resumo<\/span><\/strong><\/h4>\n<p>Atualmente, as institui\u00e7\u00f5es revelam interesse sobre a qualidade de vida no trabalho, pelo que, a viol\u00eancia em contexto laboral \u00e9 motivo de estudo. O mobbing e o bullying enquanto fen\u00f3menos associados \u00e0 viol\u00eancia assumiram, nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, crescente interesse da comunidade cient\u00edfica internacional, nomeadamente entre os profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade, uma vez que este fen\u00f3meno tem consequ\u00eancias altamente negativas, quer do ponto de vista individual, organizacional e social.<\/p>\n<p>Para facilitar o entendimento do bullying e mobbing, t\u00eam sido realizadas investiga\u00e7\u00f5es a n\u00edvel mundial em v\u00e1rios profissionais, no entanto, \u00e9 necess\u00e1rio mais pesquisas para que ocorram mudan\u00e7as positivas nas institui\u00e7\u00f5es. \u00c9 neste sentido que surge este trabalho, atrav\u00e9s de uma pesquisa bibliogr\u00e1fica que analisa e clarifica estes dois conceitos. Ap\u00f3s uma breve abordagem concetual, ser\u00e3o mencionados estudos em enfermeiros e outros profissionais, bem como programas de preven\u00e7\u00e3o e formas de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong> Palavras-Chave:<\/strong> Bullying; Mobbing; Preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p>Currently, the institutions, reveal concern about the quality of work life, so that the violence in workplace is cause for study. Mobbing and bullying are associated with violence, in the last two decades have taken increasing interest in the international scientific community, particularly among health professionals, because it has highly negative consequences, both in terms of individual, organizational and social.<\/p>\n<p>To understanding of bullying and mobbing, investigations have been conducted worldwide in several professional, however, more research is needed to make positive changes occur in institutions. This is what comes up this work, through a literature that analyzes and clarifies these two concepts. After a brief conceptual approach, studies will be mentioned in nurses and other professionals as well as prevention programs and ways of intervention.<strong>Keywords:<\/strong> Bullying; Mobbing; Prevention.<strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Na sociedade atual os fen\u00f3menos de bullying e mobbing articulam-se dentro de um tema mais vasto que diz respeito ao amplo espetro da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da viol\u00eancia aparece nos dias de hoje como grande amea\u00e7a \u00e0 vida em sociedade, domina as conversas, monopoliza a aten\u00e7\u00e3o dos m\u00eddia e figura como um tema s\u00e9rio de estudo entre investigadores de todo o Mundo.<\/p>\n<p>Bradaschia (2007) citando Johnson e Indivik (2001) refere que a cada semana atingimos um novo patamar de incivilidade e que segundo Agamben (2002) citado pelo mesmo autor temos hoje diante de n\u00f3s uma vida exposta a uma viol\u00eancia sem precedentes precisamente nas formas mais profanas e banais.<\/p>\n<p>Trata-se de uma viol\u00eancia excessiva que visa suprimir n\u00e3o somente o indiv\u00edduo, mas o seu pr\u00f3prio sentido, traduzindo um importante problema de Sa\u00fade P\u00fablica, devido \u00e0s consequ\u00eancias para as v\u00edtimas, ao impacto que causa na comunidade e ao seu enorme custo para a sociedade.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Nos \u00faltimos anos, a viol\u00eancia no trabalho tem sido objeto de in\u00fameros estudos especificamente no campo das Ci\u00eancias Sociais. N\u00e3o obstante a prolifera\u00e7\u00e3o destes dentro e fora do pa\u00eds, constata-se que a investiga\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea est\u00e1 segmentada e dispersa por diferentes \u00e1reas do conhecimento (Medicina, Psicologia, Administra\u00e7\u00e3o etc.).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Neste sentido, surge o presente artigo que visa a sistematiza\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o destes dois conceitos e a divulga\u00e7\u00e3o de formas de interven\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o nos variados dom\u00ednios.<\/span><\/p>\n<p><strong>Bullying versus Mobbing<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (Chapell e Di Martino, 2006), a viol\u00eancia pode-se categorizar em dois tipos:<\/span><\/p>\n<p>1) F\u00edsica &#8211; uso da for\u00e7a f\u00edsica contra uma pessoa ou grupo com resultados prejudiciais em termos f\u00edsicos, sexuais ou psicol\u00f3gicos, ou<\/p>\n<p>2) Psicol\u00f3gica \u2013 uso do poder de forma intencional, incluindo amea\u00e7a e a for\u00e7a f\u00edsica contra uma pessoa ou um grupo, podendo originar dano f\u00edsico, mental ou espiritual, moral ou social (caso do mobbing e bullying).<\/p>\n<p>Ao pretendermos definir conceptualmente o fen\u00f3meno bullying, v\u00e1rios s\u00e3o os aspetos a considerar; em primeiro lugar, uma defini\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno, em segundo lugar a caracteriza\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de comportamento de bullying existentes e, finalmente, a diferencia\u00e7\u00e3o face a outras situa\u00e7\u00f5es semelhantes que, n\u00e3o raras vezes, se confundem com o bullying.<\/p>\n<p>A palavra bullying deriva do verbo ingl\u00eas bully que significa usar a superioridade f\u00edsica para intimidar algu\u00e9m. Tamb\u00e9m pode ser empregue como adjetivo referindo-se a valent\u00e3o ou tirano (Duque et al. , 2008) e explica um fen\u00f3meno relacional comummente observado em grupos, sobretudo em escolas, caracterizado pela presen\u00e7a de comportamentos agressivos, cru\u00e9is, intencionais e repetitivos adotados por uma ou mais pessoas contra outras, sem motiva\u00e7\u00e3o evidente (fig.1).<\/p>\n<p>Destaca-se a palavra repetitivo, pois \u00e9 a persist\u00eancia do comportamento hostil, repulsivo e intimidador contra uma mesma pessoa ou grupo que determina o bullying (Fante, 2005; Duque et al. , 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1629\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-1.png\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"356\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-1.png 521w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-1-300x205.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Fig. 1 \u2013 Caracter\u00edsticas do bullying enquanto forma de agress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>\u00c9 um fen\u00f3meno caracter\u00edstico de adolescentes exclu\u00eddos e discriminados, agredidos por outra pessoa (Neto, 2005).<\/p>\n<p>Fante (2005: 9) refere que se vem \u201cdisseminando em meios escolares, cresce e envolve, de forma quase epid\u00e9mica, um n\u00famero cada vez maior de alunos. A sua a\u00e7\u00e3o mal\u00e9fica traumatiza o psiquismo das suas v\u00edtimas, provocando um conjunto de sinais e sintomas muito espec\u00edficos, caracterizando a S\u00edndrome dos Maus-Tratos Repetitivos\u201d.<\/p>\n<p>Neste contexto, constitui preocupa\u00e7\u00e3o de in\u00fameros pesquisadores, educadores e profissionais da Sa\u00fade do mundo inteiro por ocorrer em qualquer tipo de circunst\u00e2ncia: institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou privada, zona rural ou urbana, independente das condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas das pessoas envolvidas. De modo paradoxal, ocorre justamente no lugar em que, pela sua g\u00e9nese, as v\u00edtimas deveriam aprender o conv\u00edvio social com respeito ao outro e a exercitar e desenvolver a sua individualidade e subjetividade sem coer\u00e7\u00e3o (Duque, 2007).<\/p>\n<p>Em contrapartida, em contextos de trabalho, na Inglaterra e \u00c1ustria, h\u00e1 quem utilize o termo bullying in a adult ou bullying at work.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, Gonzalez-de-Rivera (2005) opina que o termo bullying, pode ser considerado sin\u00f3nimo de mobbing, sendo o primeiro termo mais utilizado em Inglaterra e o termo mobbing no resto da Europa e Estados Unidos.<\/p>\n<p>No entanto, Hirigoyen (2001) faz distin\u00e7\u00e3o entre mobbing e bullying. Segundo a autora, mobbing refere-se a persegui\u00e7\u00f5es coletivas ou a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia por parte da organiza\u00e7\u00e3o (fig. 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1630\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-2.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"403\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-2.png 560w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-2-300x216.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0Fig. 2 \u2013 Caracter\u00edsticas do mobbing\u00a0 enquanto forma de agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Bullying, por outro lado, \u00e9 um termo mais amplo, que abarca as piadas, condutas com conota\u00e7\u00f5es sexuais ou agress\u00f5es f\u00edsicas, sendo uma viol\u00eancia com car\u00e1ter mais individual do que organizacional.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Leymann (1996), sugere a utiliza\u00e7\u00e3o do termo bullying em casos de agress\u00e3o ou viol\u00eancia f\u00edsica, e o termo mobbing para o ass\u00e9dio de car\u00e1ter psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, Di Martino et al.\u00a0 (2003) mencionam diferen\u00e7a nos termos bullying e mobbing, o primeiro \u00e9 usado para situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio individual enquanto o \u00faltimo est\u00e1 relacionado com situa\u00e7\u00f5es em que o ass\u00e9dio parte de um grande n\u00famero de agressores (ass\u00e9dio coletivo).<\/p>\n<p>Chappel e Di Martino (2006) sugerem, no entanto, que nalgumas circunst\u00e2ncias os termos auto-assimilam-se e alguns investigadores utilizam indiscriminadamente os dois conceitos independente do n\u00famero de agressores envolvidos.<\/p>\n<p><strong>Analisando cada um dos fen\u00f3menos per si:<\/strong><\/p>\n<p>Relativamente \u00e0s caracter\u00edsticas pessoais dos autores de bullying, frequentemente podem ser citadas as disposi\u00e7\u00f5es como a impulsividade, agressividade, irresponsabilidade, ansiedade, inseguran\u00e7a e elevada auto-estima. A inseguran\u00e7a traduz-se justamente na manuten\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o que muitas vezes inibe as rela\u00e7\u00f5es interpessoais e processos proximais, mas que no contexto em que ocorre \u00e9 encorajado e valorizado, tornando os autores de bullying reconhecidos, ainda que pelo medo que inspiram. Possivelmente por n\u00e3o terem experienciado padr\u00f5es relacionais diferentes, esses indiv\u00edduos n\u00e3o puderam desenvolver a habilidade \u2013 recursos &#8211; de relacionar-se de forma rec\u00edproca e afetiva. Entre os atributos dos autores de bullying geralmente encontram-se: beleza, alta estatura, utiliza\u00e7\u00e3o de roupas e acess\u00f3rios da moda (Duque et al. , 2008).<\/p>\n<p>Aqueles que somente sofrem bullying s\u00e3o chamados de v\u00edtimas ou alvos de bullying (sendo a \u00faltima a denomina\u00e7\u00e3o mais frequente na literatura) e podem ser v\u00edtimas passivas ou v\u00edtimas provocadoras, no caso das que provocam e desafiam os autores. Algumas pessoas, entretanto, podem tanto sofrer quanto pratic\u00e1-lo. Estas s\u00e3o denominadas alvos-autores. No que concerne aos alvos ou v\u00edtimas de bullying passivas apresentam, em geral, caracter\u00edsticas como fragilidade, timidez, baixa auto-estima e, por vezes, apatia. De modo geral, s\u00e3o consideradas pelos demais como pertencentes a um status social inferior e transformadas em objeto de divers\u00e3o e prazer por meio de \u2018brincadeiras\u2019 maldosas e intimidadoras realizadas por um indiv\u00edduo ou grupo. J\u00e1 os alvos ou v\u00edtimas provocadores podem possuir disposi\u00e7\u00f5es como hiperatividade, inquieta\u00e7\u00e3o, dispers\u00e3o e condutas ofensivas (idem).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 categoriza\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de comportamento de bullying, nomeadamente a sua forma de express\u00e3o, parece consensual pela maioria dos autores uma primeira grande divis\u00e3o entre comportamentos diretos e indiretos (Fontaine e R\u00e9veill\u00e8re, 2004; Griffin e Gross, 2004).<\/p>\n<p>O bullying direto ocorre \u201cface a face\u201d, ou seja, caracteriza-se por comportamentos de confronta\u00e7\u00e3o direta face ao sujeito-alvo (mais frequentemente f\u00edsicos, verbais, de amea\u00e7a ou de intimida\u00e7\u00e3o). Neste caso os indiv\u00edduos envolvidos conhecem a identidade um do outro (o agressor e a v\u00edtima) e assume-se como o tipo de bullying mais f\u00e1cil de reconhecer porque, na maioria dos casos, existem sinais observ\u00e1veis de dano.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do bullying indireto, n\u00e3o h\u00e1 uma confronta\u00e7\u00e3o direta entre os sujeitos envolvidos e, como tal, \u00e9 mais dif\u00edcil de reconhecer porque a v\u00edtima pode n\u00e3o se aperceber seja da identidade do agressor seja de quando o comportamento de bullying ocorreu. O principal objetivo do bullying indireto \u00e9 excluir socialmente a v\u00edtima do seio do grupo (Seixas, 2006).<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos sugerem que, tanto o bullying como o mobbing afetam de forma negativa a sa\u00fade psicol\u00f3gica e f\u00edsica das suas v\u00edtimas. Assim, os alvos de bullying escolar, por exemplo, podem ser reconhecidos por apresentar, com frequ\u00eancia, desculpas para faltar \u00e0s aulas ou indisposi\u00e7\u00f5es, como dores de cabe\u00e7a, de est\u00f4mago, v\u00f3mitos e diarreia antecedendo o hor\u00e1rio de ir \u00e0 escola; solicita\u00e7\u00e3o para mudar de sala ou de escola, sem apresentar motivos convincentes; desmotiva\u00e7\u00e3o com os estudos, queda do rendimento escolar ou dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o e de aprendizagem; regresso da escola irritado ou triste, com as roupas ou materiais escolares sujos ou danificados; aspeto contrariado, deprimido, com medo de voltar sozinho da escola; com dificuldades de relacionamento com os colegas, de fazer amizades; e isolamento, sem desejo de contacto com outras pessoas, incluindo os familiares, etc. (Centro Multidisciplinar de Estudos e Orienta\u00e7\u00e3o sobre o Bullying Escolar, 2008).<\/p>\n<p>Relativamente ao efeito do mobbing sobre a sa\u00fade das v\u00edtimas, Pi\u00f1uel y Zabala (2003) refere: efeitos cognitivos e hiper-rea\u00e7\u00e3o ps\u00edquica: perdas de mem\u00f3ria; sintomas psicossom\u00e1ticos: pesadelos; dores abdominais; diarreias\/colite; v\u00f3mitos; n\u00e1useas; anorexia; isolamento; sintomas de altera\u00e7\u00f5es do sistema nervoso aut\u00f3nomo: dores no peito; sudorese; boca seca; palpita\u00e7\u00f5es; falta de ar; hipertens\u00e3o arterial; sintomas de desgaste f\u00edsico resultantes de stress prolongado: dores nas costas e nuca; dores musculares; dist\u00farbios do sono: dificuldades para dormir; ins\u00f3nias; cansa\u00e7o e debilidade: fadiga cr\u00f3nica; astenia; debilidade; desmaios e tremores.<\/p>\n<h4><strong> Mobbing &#8211; Investiga\u00e7\u00f5es em Profissionais<\/strong><\/h4>\n<p>A OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho), menciona que, no ano 2000, 13 milh\u00f5es de trabalhadores europeus foram v\u00edtimas de mobbing (Yerro et al. , 2002).<\/p>\n<p>Estudos levados a cabo por ILO (2000), revelam que na Finl\u00e2ndia, Alemanha e Portugal, 70% ou mais dos agressores s\u00e3o colegas de trabalho do mesmo n\u00edvel hier\u00e1rquico.<\/p>\n<p>Pi\u00f1uel y Zabala (2004) realizou v\u00e1rios estudos, em trabalhadores espanh\u00f3is. Os resultados dos relat\u00f3rios &#8211; Cisneros I e Cisneros II &#8211; conclu\u00edram que aproximadamente 2,3 milh\u00f5es de trabalhadores espanh\u00f3is foram v\u00edtimas de mobbing nos \u00faltimos seis meses, ou seja, 15% da popula\u00e7\u00e3o ativa daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Di Martino et al.\u00a0 (2003) analisou o tema de viol\u00eancia no trabalho e comparou os resultados das pesquisas sobre mobbing (estudo chamado de intimida\u00e7\u00e3o) nos v\u00e1rios pa\u00edses da Europa. Apesar das pesquisas n\u00e3o terem sido conduzidas pelos mesmos pesquisadores e seguirem procedimentos distintos na colheita de dados, verificou-se que a Finl\u00e2ndia e Holanda s\u00e3o os pa\u00edses que t\u00eam mais v\u00edtimas de mobbing e Portugal e It\u00e1lia os que t\u00eam menos v\u00edtimas.<\/p>\n<p>De referir, no entanto, que em Portugal h\u00e1 poucos estudos sobre o tema, ao contr\u00e1rio do que ocorre noutros pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o quarto inqu\u00e9rito europeu sobre condi\u00e7\u00f5es de trabalho realizado em 2005, pela Funda\u00e7\u00e3o Europeia para a Melhoria das Condi\u00e7\u00f5es de Vida e de Trabalho concluiu que: 5% (1 em cada 20) dos trabalhadores Europeus referem ter sofrido exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia ou amea\u00e7as de viol\u00eancia; essa percentagem \u00e9 referida aos \u00faltimos 12 meses e as mulheres s\u00e3o mais atingidas (6%) que os homens (4%). Relativamente aos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, \u00e9 mencionado que a exposi\u00e7\u00e3o ao mobbing ocorre: 17% na Finl\u00e2ndia; 12% na Holanda, 2% na It\u00e1lia ou na Bulg\u00e1ria e Portugal tem um n\u00edvel inferior \u00e0 m\u00e9dia comunit\u00e1ria, mas mais elevado que a It\u00e1lia ou a Espanha (EFILWC, 2007).<\/p>\n<p>Salin (2005) estudou especificamente a incid\u00eancia deste fen\u00f3meno em executivos e verificou que 11,6% das mulheres executivas se consideravam v\u00edtimas versus 5% dos homens. Estes dados s\u00e3o congruentes com os alcan\u00e7ados por Hirigoyen (2001) ao demonstrar que as mulheres est\u00e3o mais sujeitas ao ass\u00e9dio psicol\u00f3gico que os homens. No entanto, na investiga\u00e7\u00e3o realizada por Pi\u00f1uel y Zabala (2003) os homens e as mulheres s\u00e3o assediados de igual forma. Hirigoyen (2002) menciona que existe maior preval\u00eancia de mobbing em trabalhadores com idades superiores a 50 anos, n\u00e3o tendo sido encontrado nenhum caso em menores de 25 anos.<\/p>\n<p>Pi\u00f1uel y Zabala (2003), discorda com a autora supracitada, ao referir que nos jovens com menos de 30 anos o mobbing \u00e9 mais elevado. O autor menciona que este fen\u00f3meno ocorre devido a uma maior prepara\u00e7\u00e3o a n\u00edvel acad\u00e9mico (predomin\u00e2ncia de licenciados e p\u00f3s-graduados), o que causa nos indiv\u00edduos mais velhos sentimentos de inseguran\u00e7a. Ainda segundo o mesmo autor, os que trabalham h\u00e1 menos de um ano e os que trabalham h\u00e1 mais de 10 anos manifestam ser v\u00edtimas de maior ass\u00e9dio moral: os primeiros pelo sentimento de amea\u00e7a nos mais velhos e os que trabalham h\u00e1 mais de dez anos,porque muitas vezes a pr\u00f3pria empresa quer livrar-se deles.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 classe profissional, Hirigoyen (2002) cita que este fen\u00f3meno est\u00e1 presente em quase todos os setores laborais: tendo maior preval\u00eancia 26% na \u00e1rea da gest\u00e3o, contabilidade e fun\u00e7\u00f5es administrativas; 9% na \u00e1rea da sa\u00fade; 9% no ensino; 9% em secretariados, balc\u00f5es e centrais telef\u00f3nicas; 9% em meios de pesquisa, investiga\u00e7\u00e3o, inform\u00e1tica e 9% nas \u00e1reas do com\u00e9rcio e vendas.<\/p>\n<p>Estudos recentes revelam que os setores mais afetados s\u00e3o: a seguran\u00e7a social (15,2%), os profissionais de Sa\u00fade (15,3%) e os servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o (14,5%), (EFILWC, 2007).<\/p>\n<p>O estudo de Barreto (2005, 96) menciona que o mobbing \u201cocorre em fun\u00e7\u00e3o da cor, orienta\u00e7\u00e3o sexual e religiosa, portadores de necessidades especiais, sero-positivos, sindicalistas ou dirigentes combativos, ter doen\u00e7a\/acidente de trabalho e at\u00e9 mesmo por ser solid\u00e1rio e ajudar o outro\u201d.<\/p>\n<p>Moreno-Jim\u00e9nez et al.\u00a0 (2005) e Nakamura e Fern\u00e1ndez (2005) demonstram que o mobbing est\u00e1 associado a altas taxas de absent\u00edsmo e turnover e que os funcion\u00e1rios p\u00fablicos apresentam mais probabilidades de ser assediados, quando comparados aos funcion\u00e1rios de empresas privadas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o estudo de EFILWC (2007) confirma que os maiores n\u00edveis de mobbing se observam em institui\u00e7\u00f5es de grande dimens\u00e3o, sendo o setor p\u00fablico o mais atingido. Cerca de 23% dos trabalhadores inquiridos referem absentismo e doen\u00e7a, nos 12 meses anteriores ao inqu\u00e9rito, dos quais 7% atribui o facto a causas relacionadas com o trabalho.<\/p>\n<p>O estudo Cisneros V, realizado com 6.800 funcion\u00e1rios p\u00fablicos (com 4.120 question\u00e1rios v\u00e1lidos), revelou que 22% dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos espanh\u00f3is sofreram mobbing, sendo a frequ\u00eancia semanal ou di\u00e1ria, e que 53% destes apresentavam sintomas f\u00edsicos ou psicol\u00f3gicos (Pi\u00f1uel y Zabala, 2004).<\/p>\n<h4><strong>Mobbing em Enfermeiros<\/strong><\/h4>\n<p>O estudo Cisneros III de Pi\u00f1uel y Zabala (2004), realizado em Espanha, com trabalhadores da \u00e1rea de Sa\u00fade, mostrou que 33% das enfermeiras espanholas estavam sujeitas a fen\u00f3menos de mobbing.<\/p>\n<p>Carvalho (2007) realizou um estudo na Unidade Hospitalar de Bragan\u00e7a e refere que dos 70 enfermeiros inquiridos, 64 experimentaram pelo menos uma conduta de ass\u00e9dio. As condutas mais experimentadas foram: \u201cinterrup\u00e7\u00f5es quando fala\u201d (73%), \u201ccr\u00edticas acerca do seu trabalho\u201d (66%), \u201ccaluniam-no\/a e falam nas suas costas\u201d (53%), \u201ccriticam a sua vida privada\u201d (50%) e \u201cgritam-lhe ou repreendem-no em voz alta\u201d (40%).<\/p>\n<p>Posteriormente, a mesma autora deu continuidade ao estudo tendo constitu\u00eddo uma amostra de 399 enfermeiros, a exercerem fun\u00e7\u00f5es no Centro Hospitalar do Nordeste e Centro Hospitalar de Tr\u00e1s-os-montes e Alto Douro. Verificou que 89,5% dos enfermeiros experimentaram pelo menos uma conduta de mobbing, 75,1% mencionam que o \u201cinterrompem quando falam\u201d, 67,5% mencionam que \u201ccriticam o seu trabalho\u201d, 55,5% queixam-se que \u201cos seus superiores n\u00e3o os deixam expressar ou dizer aquilo que t\u00eam para dizer\u201d, 52,9% citam que os \u201ccaluniam e falam nas suas costas\u201d, 48,2% exp\u00f5em que \u201ccriticam a sua vida privada\u201d, 42,3% apontam que \u201cquando solicitam uma autoriza\u00e7\u00e3o para um semin\u00e1rio ou forma\u00e7\u00e3o \u00e9-lhe negado\u201d, entre outras (Carvalho, 2010).<\/p>\n<p>Um estudo realizado por S\u00e1 (2009) em v\u00e1rias unidades Hospitalares da regi\u00e3o norte de Portugal, com 107 enfermeiros, mostrou que a maioria dos enfermeiros assediados t\u00eam entre 31 e 40 anos de idade (57%). Os tipos de ass\u00e9dio moral mais experimentados foram: \u201cser obrigado a realizar tarefas abaixo das suas compet\u00eancias\u201d (50%); \u201cserem-lhe retiradas \u00e1reas de responsabilidade ou serem substitu\u00eddas por outras mais triviais ou indesej\u00e1veis\u201d (50%); \u201cestar exposto a uma quantidade de trabalho imposs\u00edvel de realizar\u201d, (50%); \u201cpress\u00f5es para n\u00e3o reclamar aquilo a que tem direito\u201d (43%) e \u201cexcessiva monitoriza\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d (36%).<\/p>\n<h4><strong>Preven\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o no Bullying \/ Mobbing<\/strong><\/h4>\n<p>Atendendo \u00e0 incid\u00eancia destes processos no \u00e2mbito laboral e n\u00e3o s\u00f3, e \u00e0s implica\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel da sa\u00fade decorrentes da viv\u00eancia de epis\u00f3dios de bullying e mobbing, atr\u00e1s descritas, e \u00e0s repercuss\u00f5es que se estendem igualmente ao grupo de pares, ao clima das institui\u00e7\u00f5es e \u00e0 comunidade em geral (sob a forma de criminalidade e problemas de sa\u00fade mental) a preven\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o precoce exige uma aten\u00e7\u00e3o privilegiada.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 diversidade de pessoas e sistemas envolvidos e \u00e0s suas m\u00faltiplas intera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode reduzir o bullying apenas \u00e0s caracter\u00edsticas individuais dos sujeitos em quest\u00e3o e, t\u00e3o pouco, a uma intera\u00e7\u00e3o autor-alvo que ignore a teia complexa de rela\u00e7\u00f5es envolvidas na manuten\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio investigar as condi\u00e7\u00f5es e implica\u00e7\u00f5es do sujeito ao se colocar nas posi\u00e7\u00f5es de alvo, autor e\/ou testemunha dos epis\u00f3dios de bullying.<\/p>\n<p>Por fim, deve considerar-se a hist\u00f3ria e a cultura de cada sujeito participante, bem como a hist\u00f3ria de cada rela\u00e7\u00e3o existente no contexto estabelecido (Catini, 2004). Salientando que a preven\u00e7\u00e3o pode ser considerada a diferentes n\u00edveis, com diferentes graus de interven\u00e7\u00e3o, alguns autores t\u00eam caracterizado algumas medidas preventivas a n\u00edvel prim\u00e1rio, secund\u00e1rio e terci\u00e1rio (Elinoff, Chafouleas e Sassu, 2004; Mooij, 1998; Spivak e Prothrow-Stith, 2001; citados por Seixas, 2006) (fig. 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1631\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-3.png\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"375\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-3.png 520w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-3-300x216.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0Fig. 3 \u2013 Estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o do Bullying.<\/p>\n<p>Assim de acordo com Seixas (2006: 191-192), \u201ca preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria dos comportamentos de bullying que decorrem em escolas destina-se a toda a comunidade escolar e \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do clima da institui\u00e7\u00e3o, procurando eliminar os fatores que promovem os comportamentos de bullying e de vitimiza\u00e7\u00e3o, e promovendo o desenvolvimento de compet\u00eancias pr\u00f3-sociais de intera\u00e7\u00e3o interpessoal. Inclui geralmente medidas complementares ou modifica\u00e7\u00f5es no plano curricular, de forma a incentivar o desenvolvimento de compet\u00eancias lingu\u00edsticas, s\u00f3cio-comunicativas e procurando alcan\u00e7ar uma certa estabilidade emocional e psicol\u00f3gica por parte dos alunos\u201d.<\/p>\n<p>Neste dom\u00ednio, defende que devem ser feitos esfor\u00e7os para alterar as normas sociais acerca do bullying, nomeadamente atrav\u00e9s do desenvolvimento de regras claras e san\u00e7\u00f5es ou consequ\u00eancias decorrentes da sua infra\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no que se refere \u00e0 preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, \u00e9 fundamentalmente dirigida a alunos em risco (que exibam sinais de desordens ou problem\u00e1ticas), no sentido de lhes proporcionar apoio e suporte complementar em dom\u00ednios espec\u00edficos, de modo a prevenir o desenvolvimento de problemas sociais mais severos. \u201cAo n\u00edvel dos comportamentos de bullying, as estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o focalizam-se nos alunos identificados como de risco ou com alguns sintomas emergentes de agressividade ou de vitimiza\u00e7\u00e3o\u201d (idem, 2006: 192).<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a preven\u00e7\u00e3o terci\u00e1ria, dirigida a alunos que manifestam comportamentos anti-sociais e necessitam da implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias interventivas com o intuito de reduzir o seu comportamento agressivo. Na sua tese de Doutoramento a autora refere que, merece particular realce os trabalhos que, ao abordarem as estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o face ao bullying, se focalizam num abrangente plano de interven\u00e7\u00e3o que contempla uma diversidade de passos com in\u00edcio numa avalia\u00e7\u00e3o do problema, na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o para o fen\u00f3meno, na supervis\u00e3o dos espa\u00e7os pelos adultos, no incentivo de uma cultura de escola com regras e san\u00e7\u00f5es que transmitam uma atitude de intoler\u00e2ncia face ao bullying, no treino de professores e funcion\u00e1rios, no incentivo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o parental, e na interven\u00e7\u00e3o direta com os alunos, de acordo com o seu envolvimento em comportamentos de bullying. \u00c0 semelhan\u00e7a deste processo, tamb\u00e9m a abordagem do mobbing requer um enfoque multidisciplinar, na preven\u00e7\u00e3o e tratamento.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es podem centrar-se em dois campos: a resolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de ass\u00e9dio psicol\u00f3gico e a abordagem das consequ\u00eancias do ass\u00e9dio para o pr\u00f3prio sujeito (fig. 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1632\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-4.png\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"299\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-4.png 520w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/n279-4-300x173.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0Fig. 4 \u2013 Estrat\u00e9gias de abordagem do mobbing.<\/p>\n<p>Como primeira estrat\u00e9gia a institui\u00e7\u00e3o de trabalho tem de estabeler planos preventivos, de informa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, a implementa\u00e7\u00e3o de protocolos de a\u00e7\u00e3o. Estes protocolos permitem a abordagem dos seguintes aspetos: a) Criar uma cultura organizacional que minimize e evite o mobbing; b) Gerar estilos de gest\u00e3o do conflito e de lideran\u00e7a participativos; c) Dotar as potenciais v\u00edtimas de instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o formal do problema na organiza\u00e7\u00e3o; e d) Dispor de indicadores que circunscrevam a situa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao ass\u00e9dio psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O planeamento de estrat\u00e9gias para a avalia\u00e7\u00e3o dos riscos psicossociais da institui\u00e7\u00e3o, a avalia\u00e7\u00e3o dos riscos ocupacionais de origem psicol\u00f3gica, psicossocial e organizacional, a cria\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de projetos para o desenvolvimento da qualidade de vida profissional. A segunda estrat\u00e9gia de tratamento do ass\u00e9dio psicol\u00f3gico na organiza\u00e7\u00e3o requer a ativa\u00e7\u00e3o de planos de a\u00e7\u00e3o paliativos dos efeitos do mobbing e a minimiza\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias que este processo tenha causado aos trabalhadores. O assediado necessita, na maior parte dos casos, de tratamento de urg\u00eancia (Blanco e L\u00f3pez, 2002; Vel\u00e1squez, 2001).<\/p>\n<p>Algumas das medidas preventivas que a European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions (Seco, 2003) cita, como sugeridas pelo Parlamento Europeu, s\u00e3o: distribuir revistas sobre o ass\u00e9dio moral para informar as pessoas dos seus direitos e dos perigos que podem enfrentar no trabalho; publicar artigos em jornais e revistas internas da empresa ou mesmo na internet; apresentar v\u00eddeos sobre ass\u00e9dio moral; organizar exposi\u00e7\u00f5es e debates sobre o ass\u00e9dio moral; abordar o tema em reuni\u00f5es da empresa.<\/p>\n<p>Neste contexto, Carvalho (2007) menciona que a preven\u00e7\u00e3o deve atender a situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do trabalho, tais como: proporcionar um baixo n\u00edvel de stress, autonomia, atender ao comportamento dos l\u00edderes (devem desenvolver habilidades para reconhecer conflitos e geri-los adequadamente, conhecer os sinais e sintomas do mobbing), assim como atender \u00e0 posi\u00e7\u00e3o social do indiv\u00edduo (desenvolvimento de regras claras, expl\u00edcitas, escritas e p\u00fablicas sobre a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos pessoais, que garantam o direito \u00e0 queixa, ao anonimato e a exist\u00eancia de sistemas de media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<p>Os estudos sobre bullying e mobbing realizados nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, por pesquisadores dos mais diversos pa\u00edses, t\u00eam demonstrado que estes fen\u00f3menos se encontram presentes no quotidiano das institui\u00e7\u00f5es, constituindo um problema real e grave para uma percentagem significativa da popula\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n<p>Com consequ\u00eancias a n\u00edvel individual e organizacional, caracterizam-se por uma alta preval\u00eancia em v\u00e1rias profiss\u00f5es, nomeadamente nos enfermeiros.<\/p>\n<p>Para evitar o seu aparecimento e desenvolvimento \u00e9 necess\u00e1rio conhecer as suas manifesta\u00e7\u00f5es e intervir precocemente enquanto abordagem coletiva e organizacional e n\u00e3o como um problema individual. Assim, \u00e9 imperativo que as institui\u00e7\u00f5es de trabalho implementem medidas de preven\u00e7\u00e3o bem como os fatores protetores que possam atenuar o impacto e minimizar o risco.<\/p>\n<p>Para lutar eficazmente contra este problema, \u00e9 necess\u00e1rio: repensar a cultura organizacional, a postura frente aos colegas e estimular a cidadania. Tamb\u00e9m neste \u00e2mbito, consideramos essencial a realiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00f5es que possibilitem caracterizar a incid\u00eancia e abrang\u00eancia do problema e favore\u00e7am o diagn\u00f3stico atempado e interven\u00e7\u00e3o precoce.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p>Barreto, M. Ass\u00e9dio moral: a viol\u00eancia sutil. An\u00e1lise epidemiol\u00f3gica e psicossocial no trabalho no Brasil. Tese (doutorado em psicologia social) Pontif\u00edcia universidade cat\u00f3lica, S\u00e3o Paulo, 2005.<\/p>\n<p>Blanco, M.; L\u00f3pez, F. La v\u00eda penal integrada en el Tratamiento de Urgencia contra el acoso moral en el trabajo, 2002. Acedido a 18\/06\/2010, em: <a href=\"http:\/\/www.laley.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.laley.net<\/a>.<\/p>\n<p>Bradaschia, C. Ass\u00e9dio Moral no Trabalho: A sistematiza\u00e7\u00e3o dos estudos sobre um campo em constru\u00e7\u00e3o\u201d. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo, 2007.<\/p>\n<p>Carvalho, G. Mobbing nos enfermeiros, estudo preliminar. ISLA, Bragan\u00e7a, 2007.<\/p>\n<p>Carvalho, G. Mobbing: ass\u00e9dio moral em contexto de enfermagem. Revista de Investiga\u00e7\u00e3o em Enfermagem, 21, 2010, p. 28-42.<\/p>\n<p>Catini, N. Problematizando o bullying para a realidade brasileira. Tese de Doutoramento em Psicologia. Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Campinas, 2004.<\/p>\n<p>Centro Multidisciplinar de Estudos e Orienta\u00e7\u00e3o Sobre o Bullying Escolar \u2013 Cemeobes, 2008. Acedido em 24\/06\/201 em: <a href=\"http:\/\/www.bullying.pro.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.bullying.pro.br<\/a>.<\/p>\n<p>Chappel, D.; Di Martino, V. Violence at work. Genebra: International Labour Office, 2006.<\/p>\n<p>Di Martino, V. et. al. Preventing violence and harassment in the workplace. European foundation for the improvement of living and working conditions, Ireland, 2003.<\/p>\n<p>Duque, D. Bullying &#8211; A viol\u00eancia invis\u00edvel. Revista Dimens\u00e3o, 49, 2007, p. 24-25.<\/p>\n<p>Duque et al. A compreens\u00e3o sist\u00e9mica do Bullying. Trabalho realizado no \u00e2mbito do Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia do Centro de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas. Florian\u00f3polis, 2008.<\/p>\n<p>EFILWC. European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions \u2013 Fourth European Working Contitions Survey. 2007. Acedido em: 21\/06\/2010, em: <a href=\"http:\/\/www.eurofound.europa.eu\/pubdocs\/2006\/98\/en\/2\/ef0698en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.eurofound.europa.eu\/pubdocs\/2006\/98\/en\/2\/ef0698en.pdf<\/a>,<\/p>\n<p>Fante, C. Fen\u00f3meno bullying: como prevenir a viol\u00eancia nas escolas e educar para a paz, 2.\u00aa ed., Campinas, SP, Versus Editora, 2005.<\/p>\n<p>Fontaine, R. &amp; R\u00e9veill\u00e8re, C. Le bullying (ou victimisation) en milieu scolaire: description, retentissements vuln\u00e9rabilisants et psychopathologiques. Annales M\u00e9dico Psychologiques, 162, 2004, p. 588-594.<\/p>\n<p>Gonzalez-de-Rivera, J. El maltrato psicol\u00f3gico: como defenderse del mobbing y otras formas de acoso. Madrid, Espasa, 2005.<\/p>\n<p>Griffin, R. e Gross. Childhood bullying: current empirical findings and future directions for research. Aggression and Violent Behavior, 9, 2004, p.379-400.<\/p>\n<p>Hirigoyen, M. Ass\u00e9dio moral: a viol\u00eancia perversa no quotidiano. 2.\u00aa ed. Rio de Janeiro, Bertand, 2001.<\/p>\n<p>Hirigoyen, M. O Ass\u00e9dio no Trabalho: Como distinguir a verdade. Lisboa, Editora Pergaminho, 2002.<\/p>\n<p>ILO\/ICN\/WHO\/PSI. Framework Guidelines on Workplace Violence in the Health Sector. Geneva, 2000.<\/p>\n<p>Leymann, H. La persecution au travail. Paris, Edition Seuil, 1996.<\/p>\n<p>Moreno-Jim\u00e9nez, B. et al. Diferencias de g\u00e9nero en el acoso psicol\u00f3gico en el trabajo: un estudio en poblaci\u00f3n espa\u00f1ola. Psicologia em Estudo, Maring\u00e1, 10 (1), 2005, p. 3-10.<\/p>\n<p>Nakamura, A.; Fern\u00e1nez, R. Ass\u00e9dio moral: uma revis\u00e3o desde a perspectiva organizacional e psicol\u00f3gica. Academia Internacional de Psicologia, S\u00e3o Paulo, 2005. Acedido em 24\/06\/2010, em: <a href=\"http:\/\/www.cdc.gov\/spanish\/niosh\/docs\/2002-101sp.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.cdc.gov\/spanish\/niosh\/docs\/2002-101sp.html<\/a>.<\/p>\n<p>Neto, A. Bulying: comportamento agressivo entre estudantes. Jornal de pediatria, 81 (5) 2005, p. 164-172. Acedido 16\/06\/2010 em: http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sciarttext&amp;pid=S0021 75572005000700006&amp;Ing=pt&amp;nrm=iso&amp;ting=pt<\/p>\n<p>Pi\u00f1uel y Zabala, I. Mobbing: como sobreviver ao acoso psicol\u00f3gico en el trabajo. S\u00e3o Paulo, Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2003.<\/p>\n<p>Pi\u00f1uel y Zabala, I. Informe Cisneros V. La incidencia del mobbing o acoso psicol\u00f3gico en el trabajo en Espa\u00f1a. Universidad de Alcal\u00e1 de Henares. 2004<\/p>\n<p>Rayner, C. Tackling Workplace Bullying: The Challenge of Intervention. Papper presented at the 1\u00aa Confer\u00eancia Portuguesa sobre assedio moral: Assedio moral no local de trabalho, emerg\u00eancia de uma nova realidade, Lisboa Instituto Superior de Economia e Gest\u00e3o, 2007.<\/p>\n<p>S\u00e1, L. O impacto da viol\u00eancia psicol\u00f3gica no trabalho (ass\u00e9dio moral\/mobbing\/bullying) na sa\u00fade mental dos enfermeiros. Instituto Polit\u00e9cnico de Sa\u00fade do Norte &#8211; Escola Superior de Sa\u00fade do Vale do Ave, 2009.<\/p>\n<p>Salin, D. Workplace bullying among business professionals: prevalence, gender Differences and the Role of Organizational Politics. Pistes, 7 (3), 2005.<\/p>\n<p>Vel\u00e1squez, M. La respuesta jur\u00eddico legal ante el acoso moral en el trabajo o Mobbing. 2001. Acedido em 18\/06\/2010, em: <a href=\"http:\/\/www.uvigo.es\/webs\/ccoo\/AcosoMoralTraballo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.uvigo.es\/webs\/ccoo\/AcosoMoralTraballo.pdf<\/a>.<\/p>\n<p>Seco. Mobbing et autres tensions psychosociales sur le lieu de travail en Suisse. Relat\u00f3rio para a European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions. 2003. Acedido em 12\/06\/2010 em: <a href=\"http:\/\/www.seco.admin.ch\/dokumentation\/publikation\/00008\/00022\/01512\/index.html?lan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.seco.admin.ch\/dokumentation\/publikation\/00008\/00022\/01512\/index.html?lan<\/a>.<\/p>\n<p>Seixas, S. Comportamentos de Bullying entre Pares. Disserta\u00e7\u00e3o de Doutoramento em Psicologia da Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o de Coimbra, 2006.<\/p>\n<p>Vaz-Serra, A. A Escala Portuguesa de Mobbing. Psiquiatria Cl\u00ednica 26 (3), 2005, p. 189-211.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente, as institui\u00e7\u00f5es revelam interesse sobre a qualidade de vida no trabalho, pelo que, a viol\u00eancia em contexto laboral \u00e9 motivo de estudo<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[848,334,293,703,124],"class_list":["post-1633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-bullying","tag-estudo","tag-investigacao","tag-mobbing","tag-prevencao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1633"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2714,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1633\/revisions\/2714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}