{"id":1569,"date":"2012-03-19T12:48:53","date_gmt":"2012-03-19T12:48:53","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/via-verde-para-o-seu-coracao\/"},"modified":"2021-05-04T09:25:34","modified_gmt":"2021-05-04T09:25:34","slug":"via-verde-para-o-seu-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/via-verde-para-o-seu-coracao\/","title":{"rendered":"Via verde para o seu cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">As doen\u00e7as cardiovasculares s\u00e3o um dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica mais importantes e a principal causa de mortalidade em Portugal<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p>Via Verde para o seu Cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><em>Nursing n\u00ba276<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autor<\/strong><\/h4>\n<p>M. A. Silva<\/p>\n<p>Enf. Especialista em Enfermagem M\u00e9dico-Cir\u00fargica<\/p>\n<p>Hospital St.\u00aa Maria Maior, E.P.E | Servi\u00e7o de Urg\u00eancia<\/p>\n<h4><strong>Resumo:<\/strong><\/h4>\n<p>A melhor solu\u00e7\u00e3o para o enfarte agudo de mioc\u00e1rdio (EAM) \u00e9 investir na sua preven\u00e7\u00e3o e no controlo dos factores de risco. No entanto, quando se instala, dada a sua grande mortalidade e morbilidade, tornou-se imperativo a cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias que permitissem um r\u00e1pido diagn\u00f3stico e tratamento destas situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Para responder a esta necessidade foram criadas as vias verdes para o EAM. Os enfermeiros t\u00eam um papel fundamental na diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de v\u00edtimas, intervindo em diversos n\u00edveis: atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, reconhecendo os sinais e sintomas de EAM e encaminhando correcta e rapidamente os doentes.\u00a0 Para isso \u00e9 imprescind\u00edvel que conhe\u00e7am o funcionamento da Via Verde para o EAM, tendo presente que para al\u00e9m de constituir uma obriga\u00e7\u00e3o profissional um dia o problema tamb\u00e9m nos poder\u00e1 bater \u00e0 porta.<\/p>\n<p>The best solution for acute myocardial stroke is to invest in prevention and control of the risk factors. However, when installed, given its high mortality and morbidity, it became imperative to develop strategies that would permit a rapid diagnosis and emergency treatment. To meet this need were created the greenways for myocardial stroke.<\/p>\n<p>Nurses have a key role in reducing the number of victims, intervening at several levels: through health education, early recognizing the signs and symptoms of stroke and referring patients correctly and quickly. For this it is essential that they know the operation of the greenway, bearing in mind that in addition to being a professional obligation, one day the problems could also knock on our door.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as cardiovasculares s\u00e3o um dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica mais importantes e a principal causa de mortalidade em Portugal, que apresenta uma das taxas mais elevadas da Europa e do Mundo. S\u00e3o um flagelo que afecta maioritariamente os pa\u00edses do mundo desenvolvido.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a coron\u00e1ria aguda \u00e9 uma urg\u00eancia uma vez que se perspectiva o aumento da sua incid\u00eancia, apontada internacionalmente at\u00e9 2025, que afecta maioritariamente o sexo masculino e aproximadamente um ter\u00e7o dos casos de enfarte agudo do mioc\u00e1rdio t\u00eam evolu\u00e7\u00e3o fatal e 80% das mortes ocorrem fora ou antes da chegada ao hospital, sobretudo porque os doentes desvalorizam os sinais e sintomas e solicitam ajuda muito tardiamente.<\/p>\n<p>O enfarte do mioc\u00e1rdio \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e morte de uma parte do cora\u00e7\u00e3o por falta de oxig\u00e9nio, provocada pela obstru\u00e7\u00e3o de uma das suas art\u00e9rias coron\u00e1rias e os factores de risco para a sua ocorr\u00eancia s\u00e3o a hipertens\u00e3o arterial, a dislipid\u00e9mia (colesterol elevado), o excesso de peso, a diabetes, o consumo de tabaco, o stress intenso e o sedentarismo.<\/p>\n<p>Os sinais de alarme s\u00e3o a presen\u00e7a de uma dor intensa no peito que irradia para o pesco\u00e7o, queixo, bra\u00e7os ou costas, uma sensa\u00e7\u00e3o de peso, queimadura ou aperto no peito em simult\u00e2neo com mal-estar, suores frios e sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e1useas ou v\u00f3mitos e esta dor n\u00e3o varia com a respira\u00e7\u00e3o nem com a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 frequente ocorrer a meio da noite, em repouso e sem uma causa aparente, e se estes sinais durarem mais de cinco minutos a v\u00edtima deve procurar ajuda ligando de imediato o 112!<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que fazem a maioria dos doentes, que recorrem ao hospital pelos pr\u00f3prios meios, este procedimento est\u00e1 incorrecto. Ao contactar esse n\u00famero, o Instituto Nacional de Emerg\u00eancia M\u00e9dica (INEM) inicia o diagn\u00f3stico e o tratamento, enquanto orienta os doentes para o hospital mais adequado, que pode n\u00e3o corresponder ao hospital mais pr\u00f3ximo. \u00c9 esta a forma mais r\u00e1pida de se tratarem. Assim, estamos esclarecidos sobre a necessidade de aumentar a rapidez no acesso destes doentes aos cuidados de sa\u00fade e para dar resposta a essa necessidade foram implementadas as Vias Verdes Coron\u00e1rias.<\/p>\n<p>A via verde coron\u00e1ria \u00e9 uma estrat\u00e9gia implementada por todo o pa\u00eds, e este programa coordenado pelo Instituto Nacional de Emerg\u00eancia M\u00e9dica e que outras entidades, permite a melhoria da acessibilidade precoce dos doentes em situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a card\u00edaca aguda aos cuidados m\u00e9dicos mais adequados. \u00c9 accionada pelos cidad\u00e3os, atrav\u00e9s do n\u00famero de emerg\u00eancia nacional (112) que desta forma activa a interven\u00e7\u00e3o do Instituto.<\/p>\n<p>A chamada recebida no centro de orienta\u00e7\u00e3o de doentes urgentes (CODU) \u00e9 triada sob supervis\u00e3o m\u00e9dica, e caso se verifique que as queixas sugerem uma prov\u00e1vel doen\u00e7a coron\u00e1ria aguda, \u00e9 enviado de imediato um meio de socorro ao local onde se encontra o doente.<\/p>\n<p>Os meios do Instituto Nacional de Emerg\u00eancia M\u00e9dica t\u00eam a capacidade de intervir prematuramente, e ap\u00f3s chegada ao local, perante o quadro cl\u00ednico e o electrocardiograma, caso se estabele\u00e7a o diagn\u00f3stico, decidem em conjunto com o centro de orienta\u00e7\u00e3o de doentes urgentes o tratamento pr\u00e9-hospitalar, a terap\u00eautica a instituir, assim como o encaminhamento para hospitais com unidades especializadas, aumentando a probabilidade de sucesso terap\u00eautico.<\/p>\n<p>Os objectivos do tratamento precoce s\u00e3o o al\u00edvio dos sintomas, a preserva\u00e7\u00e3o do mioc\u00e1rdio e a resolu\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es e a repermeabiliza\u00e7\u00e3o precoce da art\u00e9ria oclu\u00edda \u00e9 primordial na limita\u00e7\u00e3o do dano mioc\u00e1rdio. A op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica est\u00e1 condicionada por diversos factores como os antecedentes pessoais do doente, a exist\u00eancia de contra-indica\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da tromb\u00f3lise e a proximidade ao centro hospitalar especializado.<\/p>\n<p>Os hospitais envolvidos na Via Verde Coron\u00e1ria encontram-se organizados internamente, sem barreiras burocr\u00e1ticas, de modo a que \u00e0 rapidez de interven\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hospitalar corresponda um atendimento intra-hospitalar simples, eficaz e r\u00e1pido, funcionando como um corredor para acelerar a chegada do doente a uma equipa m\u00e9dica preparada para as interven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>O factor tempo \u00e9 fundamental! Metade das mortes ocorrem nas primeiras tr\u00eas a quatro horas ap\u00f3s in\u00edcio dos sintomas. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, maiores as probabilidades de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o imediata conduz a ganhos em sa\u00fade e a redu\u00e7\u00e3o dos tempos de diagn\u00f3stico e tratamento reflectem-se na diminui\u00e7\u00e3o da mortalidade e das complica\u00e7\u00f5es e relaciona-se com uma melhoria no progn\u00f3stico destes doentes. Esta realidade toma maiores propor\u00e7\u00f5es em locais distantes dos grandes centros hospitalares, nomeadamente o interior do pa\u00eds, onde o atendimento pr\u00e9-hospitalar promove uma interven\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida e adequada.<\/p>\n<p>Infelizmente permanece muito elevada a preval\u00eancia dos factores de risco das doen\u00e7as cardiovasculares e cabe a cada um de n\u00f3s ser pr\u00f3-activo em prole da sua sa\u00fade e da sua vida. Como enfermeiros, o nosso papel \u00e9 fundamental na diminui\u00e7\u00e3o destes n\u00fameros e a nossa interven\u00e7\u00e3o ocorre nos diversos n\u00edveis de preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 certo que a maioria das pessoas reconhece a necessidade de modificar os seus comportamentos e atitudes de risco, mas muitas continuam a adiar as correc\u00e7\u00f5es alimentares como a redu\u00e7\u00e3o do consumo de sal, a\u00e7\u00facar, gorduras e calorias, assim como a elimina\u00e7\u00e3o do consumo de tabaco e a redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Temos a obriga\u00e7\u00e3o de educar a popula\u00e7\u00e3o sobre todas estes aspectos. Incentiv\u00e1-los a adoptarem desde hoje um estilo de vida mais saud\u00e1vel. A controlarem o peso, os n\u00edveis de colesterol e a\u00e7\u00facar no sangue, a submeterem-se a exames peri\u00f3dicos de sa\u00fade, e\u2026 mexerem-se! S\u00f3 assim lutaremos juntos contra este problema e muitas outras doen\u00e7as cr\u00f3nicas, e viveremos com mais sa\u00fade, mais bem-estar e melhor qualidade de vida, at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<h4><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<p>. DIREC\u00c7\u00c3O GERAL DA SA\u00daDE. Direc\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os e Planeamento. Rede de Referencia\u00e7\u00e3o Hospitalar de Interven\u00e7\u00e3o Cardiol\u00f3gica. Lisboa. 2001. ISBN 972-675-079-2.<\/p>\n<p>. DIREC\u00c7\u00c3O GERAL DA SA\u00daDE. Direc\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os de Presta\u00e7\u00e3o de Cuidados de Sa\u00fade. Circular Normativa N\u00ba3. Lisboa. 2006.<\/p>\n<p>. FERREIRA. M, Lurdes &#8211; O Cardiologista e a Medicina Intensiva. Revista Portuguesa de Medicina Intensiva. Lisboa. ISSN 0872-3087.N\u00ba 2 (Fevereiro 2001), p. 211-212.<\/p>\n<p>. LINO, Irineia; GARCIA, Jo\u00e3o; COSTA, S\u00f3nia &#8211; Via verde Coron\u00e1ria &#8211; uma perspectiva da actua\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hospitalar.\u00a0 ViAverde para a Vida. Lisboa: INEM. ISSN 1645-3751. N\u00ba 25 (Maio 2009), p.10.<\/p>\n<p>. MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. Coordena\u00e7\u00e3o Nacional para as Doen\u00e7as Cardiovasculares. Alto Comissariado da Sa\u00fade. Panfleto da Campanha Nacional SEJA MAIS R\u00c1PIDO QUE UM ENFARTE. Lisboa. 2007.<\/p>\n<p>. Via Verde Coron\u00e1ria ganha tempo tamb\u00e9m no Norte. ViAVerde para a Vida. Lisboa: INEM. ISSN 1645-3751. N\u00ba 25 (Maio de 2009), p. 3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As doen\u00e7as cardiovasculares s\u00e3o um dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica mais importantes e a principal causa de mortalidade em Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[815,816,81,817,821,818,98,820,819],"class_list":["post-1569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-coracao","tag-eam","tag-emergencia","tag-enfarte","tag-enfarte-agudo-miocardio","tag-miocardio","tag-mortalidade","tag-peito","tag-via-verde"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1569"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2718,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1569\/revisions\/2718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}