{"id":1524,"date":"2011-11-13T02:39:00","date_gmt":"2011-11-13T02:39:00","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/a-investigacao-clinica-em-cardiologia-no-norte-de-portugal\/"},"modified":"2021-05-04T09:26:27","modified_gmt":"2021-05-04T09:26:27","slug":"a-investigacao-clinica-em-cardiologia-no-norte-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/a-investigacao-clinica-em-cardiologia-no-norte-de-portugal\/","title":{"rendered":"A investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em Cardiologia no norte de Portugal"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">No decorrer deste estudo consegue-se perceber que ambas as classes profissionais inquiridas est\u00e3o de acordo relativamente aos pormenores da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">A investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em Cardiologia no norte de Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Clinical research in cardiology in northern Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba269<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autora<\/strong><\/h4>\n<p>S. NUNES<\/p>\n<p>Enfermeira Hospital de S. Jo\u00e3o &#8211; Porto; Mestre em Bio\u00e9tica e Doutoranda em Biomedicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto; Coordenadora do N\u00facleo Enfermagem em Cardiologia (Sociedade Portuguesa de Cardiologia)<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Existe um dever para com a comunidade (cient\u00edfica e sociedade comum) em evoluir no campo da sa\u00fade e consecutivamente na investiga\u00e7\u00e3o para dar respostas a eventuais problemas. Existem conhecimentos sobre algumas patologias, mas parece que elas se tornam realmente mais complexas com o decorrer do tempo possivelmente porque queremos como profissionais de sa\u00fade saber sempre mais.<\/p>\n<p><strong>Metodologia:<\/strong> Neste estudo de car\u00e1cter descritivo exploraram-se conceitos como a investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e a colabora\u00e7\u00e3o entre equipas multidisciplinares, e encontraram-se dificuldades.<\/p>\n<p><strong>Discuss\u00e3o:<\/strong> O estudo permitiu uma imagem da situa\u00e7\u00e3o actual em investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em Cardiologia no norte de Portugal.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o:<\/strong> Tal como o caminho que a investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica tem de percorrer, existem algumas dificuldades a ultrapassar. Torna-se necess\u00e1rio efectuar um planeamento de ac\u00e7\u00e3o para que os profissionais que t\u00eam essa convic\u00e7\u00e3o se tornem cada vez mais fi\u00e9is. Isto passa pela forma\u00e7\u00e3o de equipas equilibradas (sendo que haja uma multidisciplinaridade de profiss\u00f5es, graus acad\u00e9micos, conhecimentos e ac\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica; Cardiologia; Equipas multidisciplinares.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Background:<\/strong> There is a duty to the community (scientific and common society) to advance in the field of health and consecutively in research to provide answers to possible problems. There are knowledge of some diseases, but it seems that they actually become more complex over time possibly because we want as health professionals to know more.<\/p>\n<p><strong>Methodology:<\/strong> In this study of descriptive nature were explored concepts such as clinical research and collaboration with multidisciplinary teams, and it was found difficulties.<\/p>\n<p><strong>Discussion:<\/strong> The study provided a picture of the current situation of clinical research in cardiology in the northern of Portugal.<\/p>\n<p><strong>Conclusion:<\/strong> Like the way that clinical research has to go, there are some difficulties to exceed. It is necessary to do an action planning for those professionals who have this belief. This involves the formation of balanced teams (where there is a multidisciplinary of professions, academic degrees, knowledge and actions).<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Clinical research; Cardiology; Multidisciplinary teams.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica ocupa uma parte extremamente importante da defini\u00e7\u00e3o da sa\u00fade no panorama que atravessamos em pleno s\u00e9culo XXI. S\u00e3o realizados v\u00e1rios esfor\u00e7os no sentido de optimizar diversos crit\u00e9rios, entre os quais a forma\u00e7\u00e3o de equipas devidamente creditadas. Talvez impulsionada pela complexidade ou ent\u00e3o pela vontade em saber cada vez mais, a investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica come\u00e7a-se a revelar, se bem que existe uma realidade e um percurso longo e tenso a percorrer. A verdade \u00e9 que, sem qualquer tipo de d\u00favidas, a investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica \u00e9 um marco importante no campo da sa\u00fade e tende a ganhar cada vez mais adeptos.<\/p>\n<p>Neste sentido, a investiga\u00e7\u00e3o ganha duas vertentes:<\/p>\n<p>&#8211; a primeira diz respeito \u00e0\u00a0vertente acad\u00e9mica exclusivamente, sendo que os profissionais investigam para comprovar e o conhecimento \u00e9\u00a0gerado separadamente por categorias sejam elas por profiss\u00e3o ou por interesses dentro de determinadas \u00e1reas;<\/p>\n<p>&#8211; a segunda diz respeito \u00e0\u00a0investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica propriamente dita, onde v\u00e1rias profiss\u00f5es se conjugam para gerar conhecimento e forma\u00e7\u00e3o tornando a vida dos cidad\u00e3os em geral mais apraz\u00edvel.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo Deontol\u00f3gico da Ordem dos Enfermeiros<sup>1<\/sup> \u00e9 soberano no que diz relativamente \u00e0 responsabilidade dos enfermeiros na \u00e1rea da sa\u00fade em geral, reportando para a responsabilidade do desenvolvimento da profiss\u00e3o atrav\u00e9s da investiga\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m pela colabora\u00e7\u00e3o com outras profiss\u00f5es (Artigo 76.\u00ba, Artigo 80.\u00ba, Artigo 91.\u00ba). Tamb\u00e9m o C\u00f3digo Deontol\u00f3gico da Ordem dos M\u00e9dicos refere no seu artigo 11.\u00ba que \u201cO m\u00e9dico deve cuidar da permanente actualiza\u00e7\u00e3o da sua cultura cient\u00edfica e da sua prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.\u201d.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Segundo o INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Sa\u00fade, I.P.), \u201cEntende-se por investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica qualquer estudo sistem\u00e1tico, planeado e concebido para seres humanos, que visa avaliar o desempenho de determinado dispositivo e\/ou a sua seguran\u00e7a. A investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica com dispositivos m\u00e9dicos dever\u00e1 ser conduzida de forma a assegurar os direitos, a seguran\u00e7a e o bem-estar dos sujeitos que nela participem.\u201d (\u2026) Considera-se dispositivo m\u00e9dico para investiga\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas qualquer dispositivo m\u00e9dico destinado a ser colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de um m\u00e9dico da especialidade, com vista a ser submetido a investiga\u00e7\u00f5es num meio cl\u00ednico humano adequado. Os dispositivos m\u00e9dicos destinados a investiga\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas t\u00eam que ser devidamente marcados com a men\u00e7\u00e3o exclusivo para investiga\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, e s\u00f3 podem ser utilizados no \u00e2mbito da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica a que ir\u00e3o ser submetidos, sob a responsabilidade de pessoal autorizado para a mesma investiga\u00e7\u00e3o.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>No final pode-se traduzir a seguinte explica\u00e7\u00e3o: seja a n\u00edvel da investiga\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica ou da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, os enfermeiros, m\u00e9dicos e todos os profissionais de sa\u00fade em geral, t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o e a responsabilidade de se inteirarem dos novos conhecimentos, colaborando na sua pr\u00f3pria \u201cprodu\u00e7\u00e3o\u201d. Existe tamb\u00e9m um dever de trabalhar em equipa, equipa esta com diversos conhecimentos e com profissionais de diferentes \u00e1reas, a chamada equipa multidisciplinar.<\/p>\n<h4><strong>Materiais e m\u00e9todos<\/strong><\/h4>\n<p>Este foi um estudo de an\u00e1lise descritiva porque se apuraram determinadas caracter\u00edsticas ao n\u00edvel da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em Cardiologia no norte de Portugal. Teoricamente, \u00e9 como se fosse uma \u201cfotografia\u201d da situa\u00e7\u00e3o do panorama actual.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que esteve na base deste estudo de investiga\u00e7\u00e3o foi a seguinte: \u201cDe que modo e por quem \u00e9 realizada a investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em Cardiologia no norte de Portugal?\u201d Assim sendo, o objectivo primordial foi a an\u00e1lise dos factos e descri\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas gerais. O instrumento de colheita de dados foi o question\u00e1rio, onde foram colocadas quest\u00f5es abertas e fechadas. Os objectivos principais do estudo foram \u201cidentificar o panorama da situa\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica no norte de Portugal\u201d e \u201capurar as principais dificuldades da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica\u201d.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o foi constitu\u00edda pelos principais hospitais do norte do pa\u00eds: Hospital de S. Jo\u00e3o, EPE; Hospital Geral de Santo Ant\u00f3nio, EPE; Hospital Pedro Hispano (ULS); Instituto Portugu\u00eas de Oncologia do Porto (IPO), EPE; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, EPE; Centro Hospitalar Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro, EPE; Centro Hospitalar do T\u00e2mega e Sousa, EPE; Centro Hospitalar do Alto Ave, EPE; Hospital de S. Marcos \u2013 Braga; Hospital Militar Regional n.\u00ba 1 \u2013 Porto.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o-alvo foi composta pelas equipas de investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica na \u00e1rea da Cardiologia, isto \u00e9, o \u201calvo\u201d principal de explora\u00e7\u00e3o de conhecimento ser\u00e3o os m\u00e9dicos que trabalham dentro desta \u00e1rea e o(a) enfermeiro(a) que trabalhe em colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Foram enviados question\u00e1rios a cada equipa de Cardiologia dos referidos hospitais do norte de Portugal. Para al\u00e9m dos question\u00e1rios m\u00e9dicos, foi solicitado a cada uma das equipas que escolhesse um elemento de enfermagem para responder tamb\u00e9m a um question\u00e1rio. Neste sentido deve-se referir que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ades\u00e3o das equipas m\u00e9dicas, ela foi de 90%, considerando que 10% s\u00e3o referentes \u00e0 situa\u00e7\u00e3o particular do IPO (n\u00e3o possui investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em Cardiologia). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa de ades\u00e3o dos elementos de enfermagem ela situa-se nos 40%.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos question\u00e1rios enviados aos m\u00e9dicos que fazem parte de equipas de investiga\u00e7\u00e3o em Cardiologia, foram colocadas quest\u00f5es inicialmente de caracteriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de idades dos m\u00e9dicos inquiridos ela foi de 46,1 anos de idade. A forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica que todos possuem passa pela licenciatura e doutoramento, e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional houveram v\u00e1rias respostas tais como: professores associados, assistentes graduados, especialistas em Cardiologia, assistentes convidados e ainda chefes de servi\u00e7o de Cardiologia. Em rela\u00e7\u00e3o ao tempo de exerc\u00edcio profissional, a m\u00e9dia entre os inquiridos foi de 21,8 anos, e o servi\u00e7o onde actualmente exercem fun\u00e7\u00f5es \u00e9 no servi\u00e7o de Cardiologia.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos question\u00e1rios enviados aos enfermeiros que fazem parte de equipas de investiga\u00e7\u00e3o com os m\u00e9dicos em Cardiologia, tamb\u00e9m foram colocadas quest\u00f5es de caracteriza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de idades dos enfermeiros inquiridos ela foi de 30,2 anos de idade. A forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica que todos possuem \u00e9 a licenciatura, e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional houveram v\u00e1rias respostas tais como: P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bio\u00e9tica e \u00c9tica de Enfermagem; Clinical Research Skills \u2013 Workshop for Investigators, Curso de Coordena\u00e7\u00e3o e Organiza\u00e7\u00e3o de Ensaios Cl\u00ednicos num Centro de Investiga\u00e7\u00e3o; Mestrando na \u00e1rea de Enfermagem M\u00e9dico-cir\u00fargica; Licenciada em Gest\u00e3o, P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o P\u00fablica; P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Emerg\u00eancia. Em rela\u00e7\u00e3o ao tempo de exerc\u00edcio profissional, a m\u00e9dia entre os inquiridos foi de 8,4 anos, e o servi\u00e7o onde actualmente exercem fun\u00e7\u00f5es \u00e9 na Cardiologia (inclusive Unidade de Cuidados Intensivos) e apenas um dos respondentes refere que est\u00e1 em licen\u00e7a sem vencimento.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados ser\u00e3o apresentadas apenas algumas respostas que se consideraram mais oportunas devido \u00e0 natureza do estudo. Assim sendo, aos m\u00e9dicos e enfermeiros foram colocadas quest\u00f5es id\u00eanticas para haver a possibilidade de compara\u00e7\u00e3o de respostas. Desta forma, ser\u00e3o referenciadas apenas algumas respostas.<\/p>\n<p>Na primeira quest\u00e3o, \u201cO que \u00e9 para si a investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica?\u201d, os m\u00e9dicos optaram por respostas como \u201can\u00e1lise e desenvolvimento do conhecimento aplicado ao estudo das patologias humanas (\u2026) M5\u201d ou \u201cContribuir para a melhoria dos tratamentos prestados aos doentes; contribuir para o avan\u00e7o da Medicina (\u2026) M7\u201d, enquanto que os enfermeiros optaram por responder da seguinte forma: \u201cInvestiga\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo sistem\u00e1tico cient\u00edfico e rigoroso que procura incrementar o conhecimento numa determinada disciplina respondendo a quest\u00f5es ou resolvendo problemas para benef\u00edcio de utentes, fam\u00edlias e comunidades, prevenindo a doen\u00e7a e promovendo a sa\u00fade. E1\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0segunda quest\u00e3o, \u201cPara si, qual a diferen\u00e7a entre a investiga\u00e7\u00e3o (inv.) cient\u00edfica e cl\u00ednica?\u201d, as respostas dadas pelos m\u00e9dicos foram: \u201cA inv. cl\u00ednica \u00e9 um tipo de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que procura respostas a problemas cl\u00ednicos podendo articular-se com a inv. b\u00e1sica (\u2026) O desenvolvimento desta (IC) afecta-se nos princ\u00edpios da \u00e9tica experiente nas boas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas e no colocar em 1.\u00ba lugar o benef\u00edcio do doente. A aplica\u00e7\u00e3o do consentimento informado no doente \u00e9 um passo primordial. Rigoroso controlo das entidades reguladoras, autoridades de sa\u00fade nacionais e internacionais.M9\u201d. J\u00e1 os enfermeiros responderam da seguinte forma: \u201cA investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 um processo de pesquisa sistem\u00e1tica que visa fornecer informa\u00e7\u00e3o para a resolu\u00e7\u00e3o de um problema ou quest\u00e3o complexa de \u00e1reas diversas do conhecimento (\u2026) E4\u201d e \u201cA investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica (ou ensaio cl\u00ednico) centra-se na observa\u00e7\u00e3o dos efeitos que um determinado f\u00e1rmaco ou dispositivo t\u00eam no sujeito participante. Embora ambas pretendam dar resposta a um problema, t\u00eam metodologias diferentes. E3\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima pergunta foi questionado se \u201cDesde que \u00e9 m\u00e9dico\/enfermeiro, sempre se interessou pela investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica?\u201d. Oito m\u00e9dicos responderam que sim enquanto que um respondeu que n\u00e3o. As justifica\u00e7\u00f5es foram: \u201cMelhorar a pr\u00e1tica cl\u00ednica; acesso a tratamentos\/tecnologia inovadora e de \u201cponta\u201d. M4; A complexidade das doen\u00e7as e dos doentes motiva a busca constante de novas metodologias na abordagem diagn\u00f3stica, a necessidade de saber escolher as melhores op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas e conhecer com rigor o resultado da nossa pr\u00e1tica m\u00e9dica. M5. Em rela\u00e7\u00e3o aos enfermeiros, tr\u00eas responderam que sim (\u201cPorque s\u00f3 atrav\u00e9s da investiga\u00e7\u00e3o o conhecimento pode evoluir. Esta convic\u00e7\u00e3o foi-me transmitida ao longo do processo formativo. E4\u201d) e um que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0quest\u00e3o\u00a0\u201cGostaria de se dedicar exclusivamente \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica? Porqu\u00ea?\u201d, nove m\u00e9dicos responderam que n\u00e3o, ao passo que em rela\u00e7\u00e3o aos enfermeiros tr\u00eas responderam que n\u00e3o e um que sim. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s justifica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, podem-se descrever as seguintes: \u201c\u00c9 para mim fundamental a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dessa investiga\u00e7\u00e3o. M4; N\u00e3o porque a IC \u00e9 apenas um lado do tri\u00e2ngulo profissional (assist\u00eancia e a doc\u00eancia). M9\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o do enfermeiro que respondeu que sim, este referiu: \u201c\u00c9 uma \u00e1rea bastante completa: permite contacto com os doentes; envolve trabalho de equipa multidisciplinar; obriga a uma constante aquisi\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos e permite a participa\u00e7\u00e3o numa \u00e1rea t\u00e3o importante como o desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos\/aplica\u00e7\u00f5es. E3\u201d. Os restantes enfermeiros que responderam que n\u00e3o justificaram-se da seguinte forma: \u201cPorque a minha motiva\u00e7\u00e3o pessoal passa pelo desempenho na \u00e1rea pr\u00e1tica. E1\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuais foram as vantagens que viu em ingressar no mundo da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica?\u201d, foi outra das quest\u00f5es colocadas. Em rela\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o pode-se afirmar que ambas as classes profissionais inquiridas responderam com as mesmas justifica\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, raz\u00f5es de ordem da melhoria da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e de factores pessoais e intelectuais. No seguimento da quest\u00e3o anterior, surge a seguinte: \u201cQuais foram as principais dificuldades que encontrou dentro da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica?\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o ambas as classes profissionais referiram dificuldades das seguintes formas: tempo e sobrecarga de trabalho, falta de apoios objectivos de financiamento e pessoal, falta de apoio das entidades superiores e falta de perspectivas de futuro.<\/p>\n<p>Na pergunta seguinte foi questionado se \u201cAcha importante haver envolvimento por parte dos enfermeiros em investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica?\u201d. Todos os profissionais inquiridos responderam que sim. As justifica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas foram as seguintes: \u201cS\u00e3o parte integrante da minha equipe de trabalho; tem \u00e1reas pr\u00f3prias de interesse, que contribuem sempre para um melhor resultado final do nosso trabalho. M4; Executam um importante papel de interface entre m\u00e9dico e doente, desempenham fun\u00e7\u00f5es por vezes morosas. M7; (\u2026) n\u00e3o h\u00e1 boa actividade assistencial sem enfermeiros. M8\u201d. As justifica\u00e7\u00f5es dos enfermeiros foram: \u201cSomos um elo fundamental da presta\u00e7\u00e3o de cuidados. A vis\u00e3o dos cuidados meramente cl\u00ednica nem sempre transparece toda a ess\u00eancia dos cuidados. E2; Pela experi\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o profissional\/doente que os enfermeiros t\u00eam, fruto da sua prepara\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica; pelos conhecimentos partilhados no trabalho de equipa pluridisciplinar e porque permite estar na linha da frente da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, desmistificando assim a ideia de que a sua voca\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas assistencial. A investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica \u00e9 multidisciplinar e os enfermeiros t\u00eam os requisitos necess\u00e1rios para participar nas equipas de investiga\u00e7\u00e3o. E3\u201d.<\/p>\n<p>Aos m\u00e9dicos foram ainda colocadas quest\u00f5es relativamente \u00e0s dificuldades por que passam os enfermeiros na investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, e quais as principais valias na participa\u00e7\u00e3o dos mesmos. Mediante a opini\u00e3o m\u00e9dica, os enfermeiros passam por incompreens\u00e3o das entidades superiores, incapacidades t\u00e9cnico-cient\u00edficas, e ainda dificuldades associadas a disponibilidade e falta de motiva\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s valias, as respostas passaram por proximidade do doente, vis\u00e3o diferente e complementar da abordagem cl\u00ednica, etc.<\/p>\n<p>Foi ainda aplicado um question\u00e1rio aos servi\u00e7os de Cardiologia no sentido de saber a quantidade e natureza dos estudos de investiga\u00e7\u00e3o em cada hospital (a decorrer em 2009). Desta forma, 66,7% dos centros responderam que existe investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica organizada em Cardiologia, ao contr\u00e1rio de 33,3% que responderam que n\u00e3o. Aos centros que responderam que sim na pergunta anterior, foi questionado quantas pessoas est\u00e3o envolvidas na equipa. Os inquiridos que responderam que sim t\u00eam uma m\u00e9dia de 8,3 pessoas envolvidas. Quanto \u00e0s diferentes classes profissionais, 55,2% s\u00e3o m\u00e9dicos, 24,1% s\u00e3o enfermeiros e 20,7% s\u00e3o outros profissionais. Foi questionado quantos projectos de investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica estavam a decorrer e, portanto, a m\u00e9dia \u00e9 de 8,5 estudos em 8 hospitais (pois um deles n\u00e3o tem projectos a decorrer). Em rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1cter dos projectos, 35% s\u00e3o multic\u00eantricos internacionais, 11,7% s\u00e3o multic\u00eantricos nacionais e 53,3% s\u00e3o locais. Relativamente \u00e0s \u00e1reas em que est\u00e3o a ser desenvolvidos esses projectos, 19% s\u00e3o na insufici\u00eancia card\u00edaca \u2013 miocardiopatia &#8211; transplante, 30,1% s\u00e3o na doen\u00e7a coron\u00e1ria, 14,3% s\u00e3o na \u00e1rea de interven\u00e7\u00e3o, 14,3% s\u00e3o na \u00e1rea de arritmia \u2013 pacing \u2013 CDI (cardiodesfibrilador implant\u00e1vel), 3,2% na hipertens\u00e3o arterial, 3,2 % na \u00e1rea relacionada com os factores de risco cardiovascular e finalmente 15,9% em outros.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, seja ela qual for, \u00e9\u00a0uma vertente que ainda tem um longo caminho a percorrer. Em Portugal, dever-se-ia investir cada vez mais na investiga\u00e7\u00e3o em todas as suas vertentes, pois o conhecimento s\u00f3 adv\u00e9m da cont\u00ednua pesquisa e incessante procura de resultados. Desta forma, quer seja apelidada de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou de investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, este campo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento tem de ser real e efectivo de forma a provocar resultados positivos e ganhos posteriores em sa\u00fade ou melhoria da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>No decorrer deste estudo consegue-se perceber que ambas as classes profissionais inquiridas est\u00e3o de acordo relativamente aos pormenores da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, uma vez que d\u00e3o opini\u00f5es semelhantes (mesmo tendo forma\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas diferentes). No entanto, consegue-se perceber que as equipas de investiga\u00e7\u00e3o s\u00f3 surtem o devido resultado e efeito se forem constitu\u00eddas por pessoas motivadas, formadas dentro duma equipa multidisciplinar. Estas equipas passam por muitas dificuldades actualmente, pois a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 associada \u00e0s ci\u00eancias da sa\u00fade como uma mais valia t\u00e9cnico-cient\u00edfica. Desta forma, pode-se dizer que quem faz investiga\u00e7\u00e3o tem que investir imenso tanto a n\u00edvel de recursos como de capacidades.<\/p>\n<p>Em suma, poder-se-\u00e1\u00a0 afirmar que investindo continuamente na sa\u00fade em todas as suas vertentes, com equipas multidisciplinares bem orientadas e formadas \u00e9 poss\u00edvel fazer da Medicina e da Enfermagem profiss\u00f5es com corpos de conhecimentos pr\u00f3prios, que ser\u00e3o diferentes (tendo em conta as suas diversas vertentes) mas ao mesmo tempo din\u00e2micas, uma vez que se podem interligar para levar ao melhor bem comum.<\/p>\n<h4><strong>Agradecimentos<\/strong><\/h4>\n<p>A todos os profissionais que colaboraram para a realiza\u00e7\u00e3o deste estudo, m\u00e9dicos e enfermeiros dos servi\u00e7os de Cardiologia dos hospitais do Norte de Portugal e ainda aos enfermeiros directores que se encontraram na disponibilidade de colaborar.<\/p>\n<p>Ao Sr. Professor Doutor Silva Cardoso pelo incentivo e inspira\u00e7\u00e3o no estudo.<\/p>\n<h4><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<p>Di\u00e1rio da Rep\u00fablica \u2013 I S\u00e9rie \u2013 A, n.\u00ba 93 \u2013 21\/04\/1998<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.fda.gov\/ora\/compliance_ref\/bimo\/clinguid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.fda.gov\/ora\/compliance_ref\/bimo\/clinguid.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.nortemedico.pt\/legislacao\/?imr=2&amp;imc=24n&amp;fmo=vl&amp;ano=&amp;l=1496\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.nortemedico.pt\/legislacao\/?imr=2&amp;imc=24n&amp;fmo=vl&amp;ano=&amp;l=1496<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ordemenfermeiros.pt\/images\/contents\/uploaded\/File\/sededestaques\/OE_InvestigEnfermPosCDTomadadePosiocao2604.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.ordemenfermeiros.pt\/images\/contents\/uploaded\/File\/sededestaques\/OE_InvestigEnfermPosCDTomadadePosiocao2604.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ordemdosmedicos.pt\/?lop=conteudo&amp;op=1700002963a49da13542e0726b7bb758&amp;id=9188905e74c28e489b44e954ec0b9bca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> https:\/\/www.ordemdosmedicos.pt\/?lop=conteudo&amp;op=1700002963a49da13542e0726b7bb758&amp;id=9188905e74c28e489b44e954ec0b9bca<\/a><\/p>\n<p>SERR\u00c3O, Daniel; NUNES, Rui (coord) \u2013 \u201c\u00c9tica em cuidados de sa\u00fade\u201d. Porto: Porto Editora, 1998<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No decorrer deste estudo consegue-se perceber que ambas as classes profissionais inquiridas est\u00e3o de acordo relativamente aos pormenores da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[348,87,334,293,790],"class_list":["post-1524","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-cardiologia","tag-equipas-multidisciplinares","tag-estudo","tag-investigacao","tag-multidisciplinar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1524"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1524\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2723,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1524\/revisions\/2723"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}