{"id":1518,"date":"2011-07-12T11:18:24","date_gmt":"2011-07-12T11:18:24","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/perturbacoes-pos-stress-traumatico-nos-enfermeiros-de-emergencia-pre-hospitalar\/"},"modified":"2021-04-28T15:38:58","modified_gmt":"2021-04-28T15:38:58","slug":"perturbacoes-pos-stress-traumatico-nos-enfermeiros-de-emergencia-pre-hospitalar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/perturbacoes-pos-stress-traumatico-nos-enfermeiros-de-emergencia-pre-hospitalar\/","title":{"rendered":"Perturba\u00e7\u00f5es P\u00f3s-Stress Traum\u00e1tico nos enfermeiros de emerg\u00eancia pre-hospitalar"},"content":{"rendered":"<p>As v\u00edtimas de PPST podem manifestar reviv\u00eancia persistente do evento traum\u00e1tico, evic\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos associados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o traumatizante (locais, actividades e pessoas), tristeza prolongada, depress\u00e3o e ainda embotamento afectivo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong style=\"font-size: 1em;\">Autoria:<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Jorge Miguel Bai\u00e3o Pereira (Enfermeiro de Cuidados Gerais no Hospital Jos\u00e9 Joaquim Fernandes, Beja<\/p>\n<p align=\"justify\">Ex-Provedor do Estudante do Instituto Polit\u00e9cnico de Beja<\/p>\n<p align=\"center\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Um estudo recente elaborado por Marcelino e Figueiras (2007), vem demonstrar que at\u00e9 64% dos enfermeiros de emerg\u00eancia pr\u00e9-hospitalar (EEPH) podem apresentar perturba\u00e7\u00f5es p\u00f3s-stress traum\u00e1tico (PPST). V\u00e1rias causas s\u00e3o apontadas para a instala\u00e7\u00e3o dos sintomas, estando elas n\u00e3o s\u00f3 dependentes da gravidade das situa\u00e7\u00f5es em que os enfermeiros t\u00eam de intervir, mas tamb\u00e9m de caracter\u00edsticas que lhes s\u00e3o intr\u00ednsecas. Os autores apontam ainda algumas medidas preventivas para o desenvolvimento de PPST, bem como as principais estrat\u00e9gias para o seu tratamento.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Abstract:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A recent study made by Marcelino and Figueiras (2007), has shown that up to 64% of pre-hospital emergency nurses (PHEN) may have post-traumatic stress disorder (PTSD). Several reasons are cited for the onset of symptoms, which are dependent not only on the severity of the situations in which the nurses has to intervene, but also on their intrinsic characteristics. The authors also suggest some preventive measures for the development of PTSD as well as key strategies for its treatment.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Perturba\u00e7\u00f5es p\u00f3s-stress traum\u00e1tico (PPST); Enfermeiros de emerg\u00eancia pr\u00e9-hospitalar (EEPH); Sentido interno de coer\u00eancia (SIC); Terapia de grupo; Psicoterapia cognitivo-comportamental.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> Post-traumatic stress disorder (PTSD); Pre-hospital emergency nurses (PHEN); Internal sense of coherence (ISC); Group therapy; Cognitive-behavioral psychotherapy.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Metodologia:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Este artigo que no fundo se concretiza como o resultado de uma revis\u00e3o da literatura, teve por base a an\u00e1lise do \u00fanico estudo cient\u00edfico portugu\u00eas recente, que se dedicou a caracterizar e compreender as PPST nos profissionais de emerg\u00eancia pr\u00e9-hospitalar, tendo-se inferido os resultados e as conclus\u00f5es para a classe de enfermagem. Os autores aplicaram 4 question\u00e1rios e escalas a uma amostra de 56 elementos (31 mulheres e 25 homens), com idades compreendidas entre os 18 e os 51 anos e que exercem esta actividade h\u00e1 cerca de 4 anos. No sentido de refor\u00e7ar e\/ou contrariar as conclus\u00f5es apontadas pelo estudo e revestir o presente artigo de conclus\u00f5es mais rigorosas, recorreu-se a outras fontes bibliogr\u00e1ficas, cujos autores se dedicaram igualmente a estudar as PPST.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Desenvolvimento e Resultados:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Para Ballone (2011, p.1), fazendo refer\u00eancia ao Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV), as PPST definem-se como \u201c(\u2026) o desenvolvimento de sintomas caracter\u00edsticos ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o a um extremo estressor traum\u00e1tico, envolvendo a experi\u00eancia pessoal directa de um evento real ou amea\u00e7ador que envolve morte, s\u00e9rio ferimento ou outra amea\u00e7a \u00e0 pr\u00f3pria integridade f\u00edsica (\u2026)\u201d ou causadas pelo facto de \u201c(\u2026) ter testemunhado um evento que envolve morte, ferimentos ou amea\u00e7a \u00e0 integridade f\u00edsica de outra pessoa (\u2026)\u201d. Esses sintomas, que mais n\u00e3o s\u00e3o que a somatiza\u00e7\u00e3o de ansiedade associada ao evento, contemplam mais concretamente a hipervigil\u00e2ncia e a reac\u00e7\u00e3o exagerada ao susto, sendo estes os que se manifestam com maior frequ\u00eancia e que constituem crit\u00e9rios para diagnosticar a doen\u00e7a, sempre que se encontrem presentes por um per\u00edodo superior a um m\u00eas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para al\u00e9m destes sintomas, as v\u00edtimas de PPST podem manifestar reviv\u00eancia persistente do evento traum\u00e1tico, evic\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos associados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o traumatizante (locais, actividades e pessoas), tristeza prolongada, depress\u00e3o e ainda embotamento afectivo. Ballone (2002, p.7) explica que os indiv\u00edduos com PPST \u201c(\u2026) separam os aspectos cognitivos dos emocionais na experiencia psicol\u00f3gica e percebem somente os primeiros.\u201d. Esta anestesia emocional acaba por deteriorar as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, uma vez que a pessoa se torna menos am\u00e1vel. Todos os sintomas acima referidos acabam por ter repercuss\u00f5es negativas a n\u00edvel pessoal, familiar, social e laboral, com consequente diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do indiv\u00edduo e de quem o rodeia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar da defini\u00e7\u00e3o de PPST deixar passar a ideia que esta patologia se desenvolve de forma linear, \u00e9 importante referir que perante o mesmo est\u00edmulo potencialmente traum\u00e1tico, existem pessoas que desenvolvem sintomatologia patol\u00f3gica, enquanto que outras parecem \u201cimunes\u201d \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Este acontecimento deixa perceber que \u201c(\u2026) o desenvolvimento de PPST n\u00e3o depende somente da gravidade do trauma em si, parecendo evidente que as experi\u00eancias subjectivas s\u00e3o, no m\u00ednimo, t\u00e3o importantes como as caracter\u00edsticas objectivas do trauma.\u201d. (Ballone, 2002, p.5) O mesmo autor, continua explicando que a experi\u00eancia traum\u00e1tica \u00e9 filtrada atrav\u00e9s de processos cognitivos e emocionais antes de poder ser avaliada como amea\u00e7a externa, o que quer dizer que a pessoa s\u00f3 apresenta sintomatologia, quando fruto da avalia\u00e7\u00e3o que faz da situa\u00e7\u00e3o, a percepciona como algo que excede as suas capacidades\/ recursos para lhe dar resposta. \u00c9 portanto devido \u00e0s diferen\u00e7as individuais neste processo de avalia\u00e7\u00e3o, que pessoas diferentes parecem ter diferentes limiares de trauma, estando umas mais protegidas e outras mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na mesma linha de racioc\u00ednio, Marcelino e Figueiras (2007) identificam, no seu estudo, as principais caracter\u00edsticas subjectivas (intr\u00ednsecas) que t\u00eam influ\u00eancia no processo de avalia\u00e7\u00e3o supracitado, sendo elas as estrat\u00e9gias de coping adoptadas pela pessoa, o grau de neuroticismo presente na sua personalidade e ainda e muito importante, o sentido interno de coer\u00eancia (SIC), que segundo Antonovsky (1987), deve ser compreendido como uma aptid\u00e3o interna e global para percepcionar, interpretar e dar sentido \u00e0s experi\u00eancias stressantes da vida, posicionando a pessoa numa orienta\u00e7\u00e3o de sa\u00fade f\u00edsica e mental. Desta forma, conclui-se que quanto mais adequadas forem as estrat\u00e9gias de coping, quanto menores forem os tra\u00e7os de neuroticismo presentes na personalidade da pessoa e quanto maior for o seu SIC, menor ser\u00e1 a sua predisposi\u00e7\u00e3o para desenvolver PPST.<\/p>\n<p align=\"justify\">Actualmente, quando as PPST s\u00e3o discutidas em p\u00fablico, surgem invariavelmente associadas \u00e0s v\u00edtimas de cat\u00e1strofes naturais, de viol\u00eancia e de guerras. Este \u00e9 realmente um importante problema de sa\u00fade nestas popula\u00e7\u00f5es, pelo enorme sofrimento que os sintomas, anteriormente descritos, acarretam, ainda pra mais quando Ballone (2011) afirma que a preval\u00eancia de PPST nestes indiv\u00edduos pode atingir os 58%. Contudo, e este foi o principal motivo que levou \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do presente artigo, um estudo realizado a n\u00edvel nacional por Marcelino e Figueiras em 2007, p\u00f4s a nu a realidade da preval\u00eancia das PPST nos EEPH: &#8211; estima-se que a mesma possa atingir os 64%.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ora se os n\u00fameros relacionados com as restantes popula\u00e7\u00f5es mencionadas j\u00e1\u00a0se afiguravam como gravemente preocupantes, este \u00faltimo surpreende e preocupa ainda mais. Dadas estas diferen\u00e7as num\u00e9ricas, importa identificar tamb\u00e9m um factor diferenciador entre os diversos grupos supracitados e os EEPH. Enquanto os primeiros pertencerem \u00e0 categoria dos que desenvolvem PPST por terem estado expostos a um stress traum\u00e1tico extremo, envolvendo a sua experi\u00eancia pessoal directa, os segundos (EEPH) est\u00e3o na categoria daqueles que desenvolvem a patologia por terem assistido a um evento que envolveu sofrimento ou amea\u00e7a \u00e0 integridade f\u00edsica de outra pessoa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ainda no que diz respeito aos resultados do estudo, Marcelino e Figueiras (2007) acrescentam que, embora sem diferen\u00e7as significativas, as mulheres manifestaram ser mais suscept\u00edveis que os homens para o desenvolvimento de PPST, ainda que ao longo da sua vida contactem com um menor n\u00famero de situa\u00e7\u00f5es potencialmente traum\u00e1ticas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora j\u00e1\u00a0abordados os factores determinantes para o desenvolvimento de PPST nos v\u00e1rios grupos populacionais, os autores supracitados conclu\u00edram que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 actividade profissional dos EEPH, quanto maior for o n\u00famero de horas de trabalho sem descanso\/ f\u00e9rias, a sobrecarga f\u00edsica, psicol\u00f3gica e emocional, os anos de trabalho, o contacto com casos graves, a falta de meios e recursos para dar resposta \u00e0s necessidades das v\u00edtimas, o compromisso de optimizar o tempo da interven\u00e7\u00e3o e de tomar as decis\u00f5es acertadas e quanto menor for a qualidade das rela\u00e7\u00f5es no local de trabalho, a satisfa\u00e7\u00e3o com a actividade profissional e a estabilidade emocional, maior ser\u00e1 a propens\u00e3o para o desenvolvimento de PPST. (Amaro &amp; Neves, 2008) Para al\u00e9m das consequ\u00eancias negativas, j\u00e1 apontadas, que estas perturba\u00e7\u00f5es acarretam para os mais diversos planos da vida das pessoas em geral, Marcelino e Figueiras (2007) acrescentam que os EEPH ficam mais suscept\u00edveis a apresentar uma menor capacidade diagn\u00f3stica, com correspondente aumento da propens\u00e3o para o erro e para as falhas na actua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar do cen\u00e1rio apresentado ser na realidade preocupante, ainda pra mais pelo facto de Ballone (2011), apoiando-se no DSM-IV, afirmar que as afec\u00e7\u00f5es na qualidade de vida destas pessoas podem arrastar-se por meses ou mesmo anos, existem actualmente conhecimentos de m\u00e9todos e t\u00e9cnicas que permitem quer prevenir a instala\u00e7\u00e3o dos sintomas e consequente sofrimento, quer tratar a pessoa quando estes j\u00e1 est\u00e3o presentes, auxiliando-a na sua recupera\u00e7\u00e3o. Como medidas preventivas para a instala\u00e7\u00e3o de PPST nos EEPH, torna-se \u00f3bvio que o principal ponto de partida deve ser a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o pertinente junto aos mesmos, no sentido de lhes dar a conhecer esta patologia e a sua sintomatologia. S\u00f3 assim se conseguir\u00e3o criar as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para o reconhecimento precoce da necessidade de adoptar medidas, que visem prevenir o desenvolvimento desta patologia. Para al\u00e9m deste primeiro passo, Marcelino e Figueiras (2007) e Grilo e Pedro (2005) sugerem, no seu estudo, a necessidade de implementar outras medidas de car\u00e1cter mais pr\u00e1tico, como s\u00e3o o gozo de per\u00edodos de descanso e de f\u00e9rias sem vencimento, a adop\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de relaxamento, a realiza\u00e7\u00e3o de momentos de descontrac\u00e7\u00e3o durante o servi\u00e7o, o h\u00e1bito de partilha frequente de sentimentos sobre experi\u00eancias potencialmente traumatizantes entre os elementos da equipa e ainda uma boa rela\u00e7\u00e3o interpessoal no local de trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa fase posterior e menos desej\u00e1vel, uma vez que o grande objectivo \u00e9\u00a0a preven\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o da patologia, \u00e9 necess\u00e1rio recorrer aos m\u00e9todos e t\u00e9cnicas actualmente preconizados pela bibliografia, como tratamentos de elei\u00e7\u00e3o nas v\u00edtimas de PPST. Para Santos (2005) existem dois tipos diferentes de tratamento, aplic\u00e1veis consoante a gravidade dos sintomas manifestados. Assim, nas situa\u00e7\u00f5es ligeiras a moderadas pode recorrer-se \u00e0 terapia de grupo, enquanto que nas situa\u00e7\u00f5es mais graves est\u00e1 indicada psicoterapia cognitivo-comportamental e ainda medica\u00e7\u00e3o antidepressiva como adjuvante, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta descri\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0 poss\u00edvel perceber que o tipo de tratamento adoptado para as situa\u00e7\u00f5es ligeiras a moderadas, acaba por ser semelhante ao tipo de medidas sugeridas por Marcelino e Figueiras (2007) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de PPST, nomeadamente no que toca \u00e0 partilha e express\u00e3o de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es acerca das situa\u00e7\u00f5es potencialmente traum\u00e1ticas, entre os elementos da equipa. Contudo, uma das diferen\u00e7as reside no facto das primeiras requererem a orienta\u00e7\u00e3o de um profissional devidamente preparado, nomeadamente um psic\u00f3logo, enquanto que as segundas podem ser mais informais\/ espont\u00e2neas, surgindo da iniciativa dos elementos da equipa.<\/p>\n<p align=\"justify\">No que diz respeito \u00e0\u00a0 psicoterapia cognitivo-comportamental, pode dizer-se que este m\u00e9todo representa um passo em frente no tratamento das PPST. Silva e Serra (2004) clarificam este m\u00e9todo, ao explicar que enquanto a psicoterapia cognitiva isolada visa compreender e ajudar a modificar a atribui\u00e7\u00e3o de significados aos acontecimentos da realidade, dando oportunidade ao indiv\u00edduo para contactar com novas vis\u00f5es da mesma situa\u00e7\u00e3o, a psicoterapia cognitivo-comportamental n\u00e3o procura somente o pensamento mais racional, mas sim expor a vitima \u00e0s situa\u00e7\u00f5es interpretadas de forma errada como sendo de risco, ajudando-a a modificar a representa\u00e7\u00e3o que tem das mesmas a n\u00edvel emocional. Tamb\u00e9m para este m\u00e9todo \u00e9 indispens\u00e1vel a interven\u00e7\u00e3o de um t\u00e9cnico devidamente habilitado para o implementar, no sentido de promover o alcance de resultados satisfat\u00f3rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como nota final, importa sublinhar que desde 2004 o INEM conta com um servi\u00e7o denominado Centro de Apoio Psicol\u00f3gico e Interven\u00e7\u00e3o em Crise (CAPIC), cujos psic\u00f3logos, para al\u00e9m de serem accionadas para prestar apoio a v\u00edtimas de situa\u00e7\u00f5es extremamente traumatizantes, incorporam no seu referencial de actividades o apoio aos profissionais do instituto, nomeadamente ajudando \u201c(\u2026) as equipas de emerg\u00eancia em situa\u00e7\u00f5es potencialmente traum\u00e1ticas.\u201d. (INEM, 2009, p.1) Este facto demonstra que apesar da realidade descrita em termos de preval\u00eancia de PPST nos EEPH ser pouco conhecida\/ reconhecida ao n\u00edvel da sociedade em geral e at\u00e9 mesmo dos pr\u00f3prios profissionais, o INEM \u00e9 conhecedor deste risco real associado ao exerc\u00edcio de emerg\u00eancia pr\u00e9-hospitalar, assumindo uma postura de preocupa\u00e7\u00e3o perante os seus profissionais.<\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conclus\u00e3o:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Realizando uma leitura sequencial deste artigo, \u00e9 poss\u00edvel perceber que segundo os resultados e conclus\u00f5es dos estudos apresentados, a situa\u00e7\u00e3o real vivenciada pelos EEPH, ainda que pouco animadora ao n\u00edvel da preval\u00eancia das PPST e das consequ\u00eancias que estas acarretam a n\u00edvel pessoal, familiar, social e laboral, j\u00e1 come\u00e7am a surgir sinais de estarem criadas condi\u00e7\u00f5es para se realizar um trabalho s\u00e9rio de preven\u00e7\u00e3o e de tratamento das vitimas de PPST. \u00c9 de salientar que o INEM, enquanto principal organismo regulador da Emerg\u00eancia M\u00e9dica Pr\u00e9-Hospitalar em Portugal, criou o CAPIC, um servi\u00e7o que tem estipulado numa das suas principais linhas de actua\u00e7\u00e3o, o apoio psicol\u00f3gico aos seus profissionais. Este marco reveste-se de extrema import\u00e2ncia e representa um olhar s\u00e9rio para o futuro, uma vez que o Comit\u00ea do PHTLS (2007) prev\u00ea que as v\u00edtimas de trauma grave continuem a aumentar nos pr\u00f3ximos anos. Resta apenas fazer votos que um dia estejam criadas as condi\u00e7\u00f5es para que todos os profissionais e volunt\u00e1rios das restantes institui\u00e7\u00f5es de socorro do nosso pa\u00eds, para al\u00e9m do INEM, possam beneficiar destas medidas preventivas e dos tratamentos apresentados, como um direito adquirido.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Amaro, F. &amp; Neves, S. (2008). Vulnerabilidade ao stress em profissionais de emerg\u00eancia m\u00e9dica pr\u00e9-hospitalar. Consultado em 19 de Mar\u00e7o de 2011. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.chbalgarvio.min-saude.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.chbalgarvio.min-saude.pt<\/a>;<\/p>\n<p align=\"justify\">Antonovsky, A. (1987). Unraveling the mystery of health \u2013 how people manage stress and stay well. S\u00e3o Francisco: Jossey-Bass Publishers;<\/p>\n<p>Ballone, G. (2002). Transtorno de estresse p\u00f3s-taum\u00e1tico-1. Consultado em 2008, Abril 15. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.gballone.sites.uol.com.br\/voce\/postrauma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.gballone.sites.uol.com.br\/voce\/postrauma.html<\/a>;<\/p>\n<p align=\"justify\">Ballone, G. (2011). Psiqweb, psiquiatria geral \u2013 diagnostic and statistical manual of mental disorders. Consultado em: 2011, Mar\u00e7o 21. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.psicologia.com.pt\/instrumentos\/dsm_cid\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.psicologia.com.pt\/instrumentos\/dsm_cid\/<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">dsm.php;<\/p>\n<p align=\"justify\">Bezerra, R. &amp; Beresin, R. (2009). A s\u00edndrome de burnout em enfermeiros da equipe de resgate pr\u00e9-hospitalar. Consultado em 2009, Novembro 3. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/apps.einstein.br\/revista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/apps.einstein.br\/revista<\/a>;<\/p>\n<p align=\"justify\">Comit\u00ea\u00a0do PHTLS da NAEMT. (2007). Atendimento Pr\u00e9-Hospitalar ao Traumatizado \u2013 B\u00e1sico e Avan\u00e7ado. (6\u00aaedi\u00e7\u00e3o) (Ant\u00f3nio Crespo et al., trads.). Rio de Janeiro: Elsevier. (Obra original publicada em 1994);<\/p>\n<p align=\"justify\">Dantas, H. &amp; Andrade, A. (2008). Comorbidade entre transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e abuso e depend\u00eancia de \u00e1lcool e drogas: uma revis\u00e3o da literatura. Consultado em: 2005, Novembro 5. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-60832008000700012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-60832008000700012<\/a>;<\/p>\n<p align=\"justify\">Figueiras, M. &amp; Marcelino, D. (2007). A perturba\u00e7\u00e3o p\u00f3s-stress traum\u00e1tico nos socorristas de emerg\u00eancia pr\u00e9-hospitalar: influ\u00eancia do sentido interno de coer\u00eancia e da personalidade. Psicologia, Sa\u00fade &amp; Doen\u00e7as, 8 (1), 95-106;<\/p>\n<p align=\"justify\">Frasquilho, M. (2005). Medicina, M\u00e9dicos e Pessoas compreender o stress para prevenir o Burnout. Consultado em 2009, Novembro 4. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.actamedicaportuguesa.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.actamedicaportuguesa.com<\/a>;<\/p>\n<p align=\"justify\">Grilo, A. &amp; Pedro, H. (2005). Contributos da psicologia para as profiss\u00f5es da sa\u00fade. Psicologia, Sa\u00fade &amp; Doen\u00e7as, 6 (1), 81-83; Serra, A. V. (2003). O dist\u00farbio de Stress p\u00f3s-traum\u00e1tico (1\u00aa ed). Coimbra: Gr\u00e1fica de Coimbra;<\/p>\n<p align=\"justify\">INEM (2009). Servi\u00e7os \u2013 capic. Consultado em: 2011, Mar\u00e7o 21. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.inem.pt\/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27900\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.inem.pt\/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27900<\/a>;<\/p>\n<p align=\"justify\">Santos, M. (2005, Janeiro 16). Stress p\u00f3s-traum\u00e1tico. Consultado em 2008, Abril 15. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.medicoassistente.com\/modules\/smartsection\/item.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.medicoassistente.com\/modules\/smartsection\/item.php<\/a>?<\/p>\n<p align=\"justify\">itemid=144;<\/p>\n<p align=\"justify\">Silva, C. &amp; Serra, A. (2004, Maio). Terapias Cognitiva e Cognitivo-Comportamental em depend\u00eancia qu\u00edmica. Consultado em: 2011, Mar\u00e7o19. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.unioeste.br\/projetos\/teia\/docs\/terapias_cognitiva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.unioeste.br\/projetos\/teia\/docs\/terapias_cognitiva<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">_e_cognitivo_comportamental.pdf<\/p>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As v\u00edtimas de PPST podem manifestar reviv\u00eancia persistente do evento traum\u00e1tico, evic\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos associados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o traumatizante (locais, actividades e pessoas), tristeza prolongada, depress\u00e3o e ainda embotamento afectivo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[775,81,725,119,773,321,774],"class_list":["post-1518","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-eeph","tag-emergencia","tag-perturbacoes","tag-pre-hospitalar","tag-psicoterapia","tag-stress","tag-terapia-de-grupo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1518"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1518\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2418,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1518\/revisions\/2418"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}