{"id":1516,"date":"2011-07-12T11:14:32","date_gmt":"2011-07-12T11:14:32","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/empowerment-modelo-de-capacitacao-para-uma-nova-filosofia-de-cuidados\/"},"modified":"2021-05-04T09:28:11","modified_gmt":"2021-05-04T09:28:11","slug":"empowerment-modelo-de-capacitacao-para-uma-nova-filosofia-de-cuidados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/empowerment-modelo-de-capacitacao-para-uma-nova-filosofia-de-cuidados\/","title":{"rendered":"EMPOWERMENT: modelo de capacita\u00e7\u00e3o para uma nova filosofia de cuidados\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">No contexto portugu\u00eas, a participa\u00e7\u00e3o do utente\/cidad\u00e3o no seu processo de cura assume invariavelmente um car\u00e1cter consultivo, ou seja, uma participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vinculativa<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">EMPOWERMENT: modelo de capacita\u00e7\u00e3o para uma nova filosofia de cuidados<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">EMPOWERMENT : training model for a new philosophy of care<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba267<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<h4><strong>Autores<\/strong><\/h4>\n<p>C., Pereira<\/p>\n<p>Enfermeira Licenciada; Mestranda em Ci\u00eancias de Enfermagem.<\/p>\n<p>A exercer fun\u00e7\u00f5es no Centro Hospitalar do Porto: Hospital Geral de Sto. Ant\u00f3nio, EPE.<\/p>\n<p>L., Fernandes<\/p>\n<p>Enfermeira Licenciada; P\u00f3s-Graduada em Supervis\u00e3o Cl\u00ednica; Mestranda em Ci\u00eancias de Enfermagem.<\/p>\n<p>A exercer fun\u00e7\u00f5es no Centro Hospitalar de V. N. de Gaia\/Espinho, EPE.<\/p>\n<p>M., Tavares<\/p>\n<p>Enfermeira Licenciada; P\u00f3s-Graduada em Gest\u00e3o de Unidades de Sa\u00fade; Mestranda em Ci\u00eancias de Enfermagem. A exercer fun\u00e7\u00f5es no Centro Hospitalar de V. N. de Gaia\/Espinho, EPE e no Hospital de S. Jo\u00e3o, EPE.<\/p>\n<p>O., Fernandes<\/p>\n<p>Enfermeira, Professora Doutora, Escola Superior de Enfermagem do Porto.<\/p>\n<p>Trabalho realizado no \u00e2mbito do XV Mestrado em Ci\u00eancias de Enfermagem &#8211; Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas Abel Salazar, Universidade do Porto<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>Nos \u00faltimos trinta anos t\u00eam-se verificado importantes altera\u00e7\u00f5es nos sistemas de Sa\u00fade, quer ao n\u00edvel da concep\u00e7\u00e3o do conceito de Sa\u00fade e doen\u00e7a quer ao n\u00edvel das pol\u00edticas de Sa\u00fade. Tanto nacional como internacionalmente, foram v\u00e1rios os acontecimentos que contribuiriam para todo este processo. Actualmente, o modelo vigente centra-se na promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade com foco no cidad\u00e3o, perspectivando-o como algu\u00e9m livre com capacidades e habilidades de lideran\u00e7a do seu processo de vida e de sa\u00fade. Nesta nova filosofia surgiu o conceito de Empowerment\u00a0 entendido como um processo de \u201cdar poder\u201d que, induzido ou conquistado, permite aos indiv\u00edduos ou unidades familiares aumentarem a efic\u00e1cia do seu exerc\u00edcio de cidadania. Todas estas altera\u00e7\u00f5es nos paradigmas da Sa\u00fade implicam uma redefini\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is, nomeadamente das equipas de Sa\u00fade, cujas interven\u00e7\u00f5es dever\u00e3o passar pelo estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o de ajuda, promo\u00e7\u00e3o da ades\u00e3o ao esquema terap\u00eautico, capacita\u00e7\u00e3o, advocacy e educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade como formas de potenciar o Empowerment \u00a0libertando o cidad\u00e3o para que possa atingir uma maior autonomia e ganhos em Sa\u00fade. Implicam, por isso, que o modelo centrado no hospital se reformule na direc\u00e7\u00e3o de uma parceria entre o servi\u00e7o de Sa\u00fade e o cidad\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Empoderamento; Enfermagem; Cidadania; Estrat\u00e9gias.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p>In the last thirty years we verify important changes in the health system, including the concept of health and disease and also in the health politics. Such national as international measures were important in this changing process. Actually the enforce model is the health promotion were citizens are recognize as free, competent and with abilities of leadership in his health and life process. Policy centered in the hospital must be replaced by a model of partnership between the citizens and the health system. In this new philosophy arise the concept of Empowerment understanding as the process of \u201cgiving power\u201d, conquest or inducted, who makes individuals or families increase their citizenship exercise. All this changes imply a papers redefinition specially of the health team who must use strategies as help relation, promotion of adhesion, advocacy, qualification and health education to promote Empowerment and free the citizen, improving his autonomy and his health indicators.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Empowerment; Nursing; Citizenship; Strategies.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Ao longo dos tempos tem-se observado um aumento da complexidade dos problemas de Sa\u00fade, do n\u00famero e sofistica\u00e7\u00e3o das tecnologias \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e de mudan\u00e7as ao n\u00edvel das pol\u00edticas de Sa\u00fade. Esta evolu\u00e7\u00e3o veio implicar por parte dos profissionais de Sa\u00fade, nomeadamente dos Enfermeiros, o desafio de corresponder com cuidados flex\u00edveis, inovadores e proactivos atrav\u00e9s de uma interven\u00e7\u00e3o concreta e efectiva de sistemas de refor\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o. Neste sentido tem vindo a crescer a import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0 filosofia da promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade e do movimento de Empowerment.<\/p>\n<p>O conceito de Empowerment pode ser definido genericamente como \u201c(\u2026) um processo social de reconhecimento, promo\u00e7\u00e3o e aumento da capacidade dos cidad\u00e3os irem de encontro \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das suas pr\u00f3prias necessidades, resolverem os seus problemas e mobilizarem os recursos necess\u00e1rios no sentido de controlarem a sua vida\u201d (Gibson, 1991cit. por Ouschan [et al.], 2000).<\/p>\n<p>Este artigo de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica tem como objectivo aprofundar conhecimentos sobre o empowerment e suas estrat\u00e9gias como forma de contribuir para uma melhoria dos cuidados de enfermagem prestados ao cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicialmente ser\u00e3o abordados o conceito de promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade no contexto das novas pol\u00edticas, de onde emerge o conceito de Empowerment. De seguida \u00e9 abordado este conceito no \u00e2mbito da Sa\u00fade, nomeadamente no dom\u00ednio da enfermagem. Por \u00faltimo ser\u00e3o identificadas estrat\u00e9gias promotoras do Empowerment \u00a0no \u00e2mbito da Sa\u00fade e a sua aplica\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio da cidadania.<\/p>\n<h4><strong>Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade<\/strong><\/h4>\n<p>O sistema de Sa\u00fade portugu\u00eas sofreu ao longo dos tempos grandes evolu\u00e7\u00f5es sustentadas por diferentes filosofias e modelos de Sa\u00fade. Os conceitos de Sa\u00fade, doen\u00e7a e o papel do doente t\u00eam assim evolu\u00eddo at\u00e9 aos nossos dias.<\/p>\n<p>Actualmente, a aten\u00e7\u00e3o est\u00e1\u00a0mais voltada para o modelo da promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade e estilos de vida, assente em premissas tais como a adop\u00e7\u00e3o de estilos de vida saud\u00e1veis, controlo dos comportamentos, protec\u00e7\u00e3o contra acidentes, preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as que visem aumentar a energia e o potencial de ac\u00e7\u00e3o para a vida quotidiana.<\/p>\n<p>As origens deste modelo remontam a 1973 em documentos do ministro Canadense Marc Lalond (Pastor Ruiz [et al.], 1999). Este conceito foi fortalecido e clarificado em 1978, na Confer\u00eancia de Alma-Ata, tornando-se imperativo o desenvolvimento progressivo das comunidades para a resolu\u00e7\u00e3o dos seus problemas de Sa\u00fade (Direc\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade, cit. por Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2008).<\/p>\n<p>Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade \u00e9 ent\u00e3o perspectivada como um processo participativo, facilitador da adop\u00e7\u00e3o de estilos de vida saud\u00e1veis e do desenvolvimento das capacidades de agir com, e sobre o meio.<\/p>\n<p>Os enfermeiros, t\u00eam um importante papel na promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, uma vez que podem assumir o papel de mediadores dos diferentes interesses da sociedade, intervir concreta e efectivamente na comunidade, estabelecendo prioridades, delineando estrat\u00e9gias, tomando decis\u00f5es no conjunto da equipa multidisciplinar, sempre com o objectivo de prossecu\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade (Almeida, 2003 cit. por Antunes, 2005). Podem ainda participar nas tomadas de decis\u00e3o relativas ao planeamento e gest\u00e3o dos servi\u00e7os de Sa\u00fade a n\u00edvel local; podem dinamizar a popula\u00e7\u00e3o a adquirirem mais confian\u00e7a na sua capacidade de tomarem sobre si o encargo do desenvolvimento da pr\u00f3pria Sa\u00fade e podem exercer uma influ\u00eancia positiva sobre a popula\u00e7\u00e3o porque educam e prestam informa\u00e7\u00f5es claras, fundamentadas sobre as consequ\u00eancias favor\u00e1veis ou desfavor\u00e1veis de certos comportamentos e modos de vida (Pinhel, 2006).<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma teoria que domine a investiga\u00e7\u00e3o ou a pr\u00e1tica na promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade. A escolha deve variar face a cada situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Os enfermeiros est\u00e3o capacitados para observar as necessidades em termos de Sa\u00fade e, assim, delinear estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o que podem ser utilizadas na elabora\u00e7\u00e3o de objectivos de Sa\u00fade, de modo a estabelecer uma articula\u00e7\u00e3o mais eficaz entre a promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade e outras estruturas de Sa\u00fade ao n\u00edvel local.<\/p>\n<p>Pretende-se que os cuidados de enfermagem facultem \u00e0s pessoas a aquisi\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias de Sa\u00fade vividas a t\u00edtulo individual pela pessoa, fam\u00edlia ou grupo e para a promo\u00e7\u00e3o da sua Sa\u00fade (Regulamento do Exerc\u00edcio Profissional de Enfermagem, 1996 cit. por Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2000).<\/p>\n<p>A n\u00edvel nacional, a Ordem dos Enfermeiros, na procura permanente da excel\u00eancia do exerc\u00edcio profissional preconiza que o enfermeiro ajude os cidad\u00e3os a alcan\u00e7arem o m\u00e1ximo potencial de Sa\u00fade. Para tal os enfermeiros devem: identificar a situa\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e dos recursos do cidad\u00e3o\/fam\u00edlia e comunidade; criar e aproveitar oportunidades para promover estilos de vida saud\u00e1veis identificados; promover o potencial de Sa\u00fade do cidad\u00e3o atrav\u00e9s da optimiza\u00e7\u00e3o do trabalho adaptativo aos processos de vida, crescimento e desenvolvimento; fornecer informa\u00e7\u00e3o geradora de aprendizagem cognitiva e de novas capacidades pelo cidad\u00e3o (Ordem dos Enfermeiros, 2002).<\/p>\n<p>Foi ainda um marco importante neste processo a realiza\u00e7\u00e3o da Primeira Confer\u00eancia Internacional sobre Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade em Ottawa (1986), no Canad\u00e1, onde foi elabora a carta de Ottawa.<\/p>\n<p>Um dos conceitos que emerge dessa carta \u00e9 o de \u201cEmpowerment\u201d, impl\u00edcita ou explicitamente, no interior das premissas e estrat\u00e9gias mencionadas, corporificando a raz\u00e3o de ser da Promo\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade enquanto processo que procura possibilitar que, indiv\u00edduos e grupos, aumentem o controlo sobre os determinantes da Sa\u00fade, para desta maneira, terem uma melhor Sa\u00fade. Este \u00e9 um modelo que surge como alternativa de mudan\u00e7a ao modelo m\u00e9dico tradicional (Leal, 2006)<\/p>\n<h4><strong>Empowerment<\/strong><\/h4>\n<p>O movimento do Empowerment iniciou-se nos Estados Unidos em 1970 mas em Portugal tem uma abordagem, ainda, incipiente. Foi adoptado a n\u00edvel dos cuidados de Sa\u00fade (Health Empowerment) com o objectivo de capacitar o cidad\u00e3o para assumir o controlo da gest\u00e3o da sua Sa\u00fade\/doen\u00e7a. Surge, assim, como corol\u00e1rio de uma evolu\u00e7\u00e3o na concep\u00e7\u00e3o de autonomia e responsabilidade dos indiv\u00edduos, ultrapassando a tenta\u00e7\u00e3o de atitudes paternalistas, de protec\u00e7\u00e3o excessiva e de tomadas de decis\u00e3o unilaterais por parte dos profissionais (Fazenda, n. d.).<\/p>\n<p>O Empoderamento (Empowerment) \u00e9 um<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) processo pelo qual uma pessoa que se encontra em condi\u00e7\u00f5es mais ou menos incapacitantes, desenvolve, por meio de ac\u00e7\u00f5es concretas, o sentimento de que lhe \u00e9 poss\u00edvel exercer um maior controlo sobre os aspectos da sua realidade psicol\u00f3gica e social\u201d (Le Boss\u00e9 e Laval\u00e9e, 1993 cit. por Anaut, 2005: 77).<\/p>\n<p>Segundo Frederico (2006: 124), o Empowerment \u00e9<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) um processo de reconhecimento, cria\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de recursos e de instrumentos pelos indiv\u00edduos, grupos e comunidades, em si mesmos e no meio envolvente, que se traduz num acr\u00e9scimo de poder \u2013 psicol\u00f3gico, sociocultural, pol\u00edtico e econ\u00f3mico \u2013 que lhes permite aumentar a efic\u00e1cia do exerc\u00edcio da sua cidadania\u201d.<\/p>\n<p>Podemos considerar para o Empowerment tr\u00eas n\u00edveis de an\u00e1lise e pr\u00e1tica: o n\u00edvel individual, o organizacional e o comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O conceito traduz na sua ess\u00eancia \u201c(\u2026) o conjunto de mecanismos de compreens\u00e3o e influ\u00eancia sobre for\u00e7as pessoais, sociais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas, com impactos diversos nas situa\u00e7\u00f5es de vida do indiv\u00edduo, grupo ou comunidade\u201d (Schulz [et al.], 1995 cit. por Gomes, 2007).<\/p>\n<p>O processo de Empowerment exige tempo e oportunidades para exercitar capacidades e direitos, e fazer uma aprendizagem de novas atitudes. Adoptando a abordagem do Empowerment, Anderson, Fitzgerald [et al.] (2000) cit. por Leal (2006), propuseram um modelo de interven\u00e7\u00e3o baseado em quatro passos:<\/p>\n<ul>\n<li>Identifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas problem\u00e1ticas pelo pr\u00f3prio;<\/li>\n<li>Explora\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es associadas a essas \u00e1reas problem\u00e1ticas;<\/li>\n<li>Desenvolvimento de um conjunto de objectivos e estrat\u00e9gias para superar essas barreiras e atingir os objectivos propostos;<\/li>\n<li>Determinar o n\u00edvel de motiva\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o para se comprometer com o plano de mudan\u00e7a de comportamentos.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Empowerment e Sa\u00fade<\/strong><\/h4>\n<p>Com a filosofia do Empowerment as escolhas mais importantes que afectam a Sa\u00fade e o bem-estar da pessoa s\u00e3o feitas pelo pr\u00f3prio cidad\u00e3o. Este torna-se consciente do seu pr\u00f3prio poder para alcan\u00e7ar os seus objectivos e resolver problemas, mesmo quando enfrenta uma posi\u00e7\u00e3o, e aumentar o controlo que tem sobre a sua pr\u00f3pria Sa\u00fade, melhorando-a. Esta perspectiva pressup\u00f5e, assim, um processo de educa\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o e reciprocidade entre os envolvidos, nomeadamente, os profissionais de Sa\u00fade (Leal, 2006).<\/p>\n<p>Assim, a adop\u00e7\u00e3o desta abordagem implica necessariamente uma mudan\u00e7a no papel do profissional de Sa\u00fade que, de controlador, dever\u00e1 passar a algu\u00e9m que tem por fun\u00e7\u00e3o ajudar, apoiar e\/ou criar condi\u00e7\u00f5es para que o cidad\u00e3o assuma o controlo sobre a sua vida (Adolfson [et al.], 2004).<\/p>\n<p>A transmiss\u00e3o do poder para o utente exige que os profissionais de Sa\u00fade maximizem o conhecimento deste sobre os auto-cuidados, recursos e compet\u00eancias para lidar com a doen\u00e7a no sentido da autonomia pessoal e auto-efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>Os profissionais passam a ter como prop\u00f3sito da sua interven\u00e7\u00e3o a capacita\u00e7\u00e3o dos seus interlocutores para adquirirem poder sobre as suas vidas e o reconhecimento da deten\u00e7\u00e3o desse poder, aumentando o n\u00famero de escolhas dispon\u00edveis, assim como a sua capacidade para influenciar os cidad\u00e3os e as organiza\u00e7\u00f5es que afectam as suas vidas (Leal, 2006).<\/p>\n<p>Segundo a mesma fonte o papel do utente \u00e9 o de um parceiro bem informado e activo que acredita nas suas capacidades para agir de forma independente e eficaz, ou seja, passa a ser um solucionador activo dos seus problemas. O papel do profissional \u00e9 o de ajud\u00e1-lo a tomar decis\u00f5es informadas para alcan\u00e7ar os seus objectivos e ultrapassar barreiras.<\/p>\n<h4><strong>Empowerment e Enfermagem<\/strong><\/h4>\n<p>A Ordem dos Enfermeiros (2003) definiu como uma das compet\u00eancias b\u00e1sicas dos enfermeiros de cuidados gerais o actuar \u201cde forma de a dar poder ao indiv\u00edduo, fam\u00edlia e comunidade para adoptarem estilos de vida saud\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Na perspectiva do Empowerment \u00e9 fundamental que o enfermeiro adquira compet\u00eancias e conhecimentos que lhe permitam implementar din\u00e2micas de interven\u00e7\u00e3o promotoras da Sa\u00fade, da autonomia e do Empowerment do cidad\u00e3o (indiv\u00edduo, fam\u00edlia e comunidade) na, e para, a constru\u00e7\u00e3o dos seus projectos de Sa\u00fade. Assim se compreende que o papel do enfermeiro nesta \u00e1rea esteja a ganhar cada vez mais visibilidade j\u00e1 que esta \u00e9 uma das \u00e1reas de excel\u00eancia do exerc\u00edcio da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta filosofia d\u00e1\u00a0\u00eanfase \u00e0\u00a0interac\u00e7\u00e3o entre o enfermeiro e o utente, no qual existem 3 dimens\u00f5es (Quadro I).<\/p>\n<p>O Empowerment dos cidad\u00e3os alvo dos cuidados de Enfermagem inclui:<\/p>\n<ul>\n<li>Estrat\u00e9gias e mecanismos de envolvimento e participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os no diagn\u00f3stico, concep\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e avalia\u00e7\u00e3o dos cuidados prestados;<\/li>\n<li>Envolvimento dos cidad\u00e3os em processos de auto-representa\u00e7\u00e3o (self-advocacy); coopera\u00e7\u00e3o, nos processos de tomada de decis\u00e3o, numa auto-responsabiliza\u00e7\u00e3o pelo seu estado de Sa\u00fade;<\/li>\n<li>Desenvolvimento pessoal para a autonomia, autoconfian\u00e7a e capacidade de iniciativa dos cidad\u00e3os dos cuidados de Enfermagem s\u00e3o conceitos fundamentais de Empowerment.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Empowerment: Estrat\u00e9gias<\/strong><\/h4>\n<p>A considera\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o para a Cidadania como eixo de refer\u00eancia estrat\u00e9gica da pol\u00edtica educativa em Portugal vem suscitar uma reflex\u00e3o atenta sobre os actuais quadros conceptuais resultantes das transforma\u00e7\u00f5es em curso nas experi\u00eancias de cidadania (sobre os objectivos pretendidos neste contexto em mudan\u00e7a e sobre as estrat\u00e9gias mais adequadas \u00e0 plena consecu\u00e7\u00e3o desses objectivos). Assim, podemos encontrar na bibliografia algumas estrat\u00e9gias potenciadoras do Empowerment, tais como: parceria de cuidados, rela\u00e7\u00e3o de ajuda, capacita\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o da ades\u00e3o, advocacy; educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Parceria Enfermeiro Cidad\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o modelo evolutivo de Rodgers (2000) e Gallant [et al.] (2002) citados por Idalina Gomes (2002) existem tr\u00eas atributos de parceria principais:<\/p>\n<ol>\n<li>A estrutura da rela\u00e7\u00e3o e o processo do fen\u00f3meno;<\/li>\n<li>A partilha de poder e a negocia\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>O Empowerment (que se compreende como a melhoria das habilidades da pessoa para agir em seu pr\u00f3prio proveito, atrav\u00e9s de elementos de controlo, auto-efic\u00e1cia, compet\u00eancia, confian\u00e7a e auto-estima).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A parceria enfermeiro cidad\u00e3o \u00e9 um processo de negocia\u00e7\u00e3o em que a autonomia da pessoa \u00e9 respeitada acima de tudo. \u00c9 um processo que envolve a participa\u00e7\u00e3o activa do cidad\u00e3o no processo de cuidados de harmonia com o seu estilo de vida, em que o lugar do profissional de Sa\u00fade consiste em promover na pessoa doente o processo de reflex\u00e3o, de autonomia, de tomada de decis\u00e3o, portanto como ve\u00edculo para o Empowerment (Gomes, 2002).<\/p>\n<p>Pode, pois, ser encarada como um processo de ac\u00e7\u00e3o conjunta entre v\u00e1rios actores protagonistas individuais e\/ou colectivos que se aglutinam \u00e0 volta de um objectivo partilhado para, em comum, definirem, negociarem estrat\u00e9gias e caminhos que viabilizem o referido objectivo e, avaliarem continuamente os seus resultados (Pinhel, 2006).<\/p>\n<p>De acordo com Gomes (2002) numa rela\u00e7\u00e3o de parceria est\u00e1 impl\u00edcito o reconhecimento da compet\u00eancia de cada parceiro isto \u00e9, por parte dos enfermeiros deve existir o reconhecimento de que tamb\u00e9m o cidad\u00e3o \u00e9 um perito, pois \u00e9 quem melhor sabe de si pr\u00f3prio. \u00c9 no reconhecimento destes saberes que o planeamento do processo de cuidados pode permitir assegurar, a cada um, determinado poder que leva \u00e0 equidade nos ganhos na ac\u00e7\u00e3o conjunta, visando atingir objectivos comuns.<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00e3o de Ajuda<\/strong><\/p>\n<p>Segundo BRAMMER (1975) citado por LAZURE (1994), rela\u00e7\u00e3o de ajuda \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o na qual o que ajuda fornece ao cliente certas condi\u00e7\u00f5es de que ele necessita para satisfazer as suas necessidades b\u00e1sicas. \u00c9 pessoal, centrada no cidad\u00e3o e dirigida para a concretiza\u00e7\u00e3o de objectivos, onde se procura levar o cidad\u00e3o a dominar as suas pr\u00f3prias capacidades, ou seja, encontrar a autonomia e o controlo da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>O papel do enfermeiro n\u00e3o pode pois, ser um papel substitutivo. Segundo Phaneuf (1995), a ajuda n\u00e3o requer que se ofere\u00e7am ao cidad\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es prontas, mas sim orient\u00e1-la e facilitar-lhe a descoberta dos seus recursos e assisti-la na sua evolu\u00e7\u00e3o nas diferentes fases da resolu\u00e7\u00e3o de problemas. O objectivo principal \u00e9 a capacita\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o para ele pr\u00f3prio cuidar da sua Sa\u00fade e n\u00e3o criar uma depend\u00eancia dos profissionais de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o de ajuda s\u00e3o importantes os contributos de cada um dos intervenientes, tais como:<\/p>\n<ul>\n<li>Contributos do enfermeiro: a sua experi\u00eancia, a sua compreens\u00e3o, a sua intelig\u00eancia, os seus conhecimentos e compet\u00eancias, os seus valores e cren\u00e7as, as suas motiva\u00e7\u00f5es para conduzir \u00e0 mudan\u00e7a;<\/li>\n<li>Contributos do cidad\u00e3o: a sua experi\u00eancia de vida, a sua intelig\u00eancia, os conhecimentos adquiridos, valores e cren\u00e7as, motiva\u00e7\u00e3o para mudar.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Capacita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma das chaves do sentido do conceito de Empowerment est\u00e1 na palavra \u201ccapacitar\u201d, que no original significa fornecer meios e oportunidades, tornar poss\u00edvel, pr\u00e1tico, simples, e dar poder legal, autorizar para\u2026 (Ribeiro, 1994). Neste sentido, implica devolver ao cidad\u00e3o o poder de decis\u00e3o em mat\u00e9ria de Sa\u00fade, retirando \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, aos dirigentes, aos profissionais e \u00e0 tecnologia grande parte da sua responsabilidade (Ribeiro, 1994).<\/p>\n<p>O objectivo dos cuidados de enfermagem dever\u00e1\u00a0ser o de CAPACITAR (enabling) \u2013 os cidad\u00e3os dos cuidados de enfermagem de forma a criar oportunidades para que se sintam mais competentes, independentes e auto-confiantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas capacidades para irem de encontro \u00e0s necessidades e \u201cAUMENTAR O PODER\u201d (Empowerment).<\/p>\n<p><strong>Promo\u00e7\u00e3o da Ades\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a OMS (2004), ades\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0a extens\u00e3o para a qual o comportamento de uma pessoa (por exemplo: tomar medica\u00e7\u00e3o, seguir uma dieta e executar altera\u00e7\u00f5es no estilo de vida) corresponde com as recomenda\u00e7\u00f5es acordadas com o prestador de cuidados de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ades\u00e3o pode ainda ser definida como uma atitude de<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) voli\u00e7\u00e3o com as caracter\u00edsticas espec\u00edficas: ac\u00e7\u00e3o auto-iniciada para promo\u00e7\u00e3o do bem-estar, recupera\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o, seguindo as orienta\u00e7\u00f5es sem desvios, empenhado num conjunto de ac\u00e7\u00f5es ou comportamentos. Cumpre o regime de tratamento, toma os medicamentos como prescrito, muda o comportamento para melhor, sinais de cura, procura os medicamentos na data indicada, interioriza o valor de um comportamento de Sa\u00fade e obedece \u00e0s instru\u00e7\u00f5es relativas ao tratamento. (Frequentemente associado ao apoio da fam\u00edlia e de pessoas que s\u00e3o importantes para o cliente, conhecimento sobre os medicamentos e processo de doen\u00e7a, motiva\u00e7\u00e3o do cliente, rela\u00e7\u00e3o entre o profissional de Sa\u00fade e o cliente)\u201d (CIPE, 2005: 81).<\/p>\n<p>S\u00e3o descritos v\u00e1rios factores nos diagn\u00f3sticos da NANDA como promotores da n\u00e3o ades\u00e3o: os sistemas de valores do cidad\u00e3o, sejam as cren\u00e7as de Sa\u00fade, influ\u00eancias culturais ou os valores espirituais, bem como as rela\u00e7\u00f5es cidad\u00e3o\/prestador de cuidados, o medo ou ansiedade. Outros factores que podem interferir na ades\u00e3o s\u00e3o factores financeiros, aspectos relacionados com o tratamento nomeadamente a dura\u00e7\u00e3o e complexidade do tratamento ou por altera\u00e7\u00e3o nos h\u00e1bitos de vida di\u00e1ria. Para uma melhor compreens\u00e3o apresentamos de uma forma esquem\u00e1tica os factores determinantes da ades\u00e3o (Figura 1).<\/p>\n<p><strong>Advocacy<\/strong><\/p>\n<p>Este conceito traduz, segundo Carmo (1999: 161) \u201c(&#8230;)\u00a0 a ac\u00e7\u00e3o do sistema &#8211; interventor em defesa ou em representa\u00e7\u00e3o do sistema &#8211; cliente\u201d. No entanto, merece uma chamada de aten\u00e7\u00e3o pois se o sistema -interventor se limitar a representar o sistema -cliente junto dos decisores sociais (pol\u00edticos, administrativos, econ\u00f3micos, etc.) corre o risco de criar uma nova forma de assistencialismo, ainda que sofisticado (Pinhel, 2006).<\/p>\n<p>Para que tal n\u00e3o aconte\u00e7a a advocacy deve juntar \u00e0 sua componente de representa\u00e7\u00e3o, uma perspectiva s\u00f3cio &#8211; educativa, de modo a que o sistema &#8211; interventor caminhe de um papel representativo de cunho mais directivo, para um progressivo apagamento desse papel, \u00e1 medida em que o sistema &#8211; cidad\u00e3o assume a sua self \u2013 advocacy (Carmo, 1999 cit. por Pinhel, 2006).<\/p>\n<p>Quando falamos de advocacy, n\u00e3o podemos perder de vista o cidad\u00e3o como centro dos cuidados de Enfermagem. O enfermeiro ao advogar a favor do cidad\u00e3o assume a protec\u00e7\u00e3o dos seus interesses, defendendo-o, protegendo-o na sua dignidade e no respeito pelos seus interesses e decis\u00f5es, de acordo com a carta dos direitos do doente.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o deste termo em Enfermagem passa pelos termos de Empowerment, self-advocacy, citizen advocacy. (Gates, 1994; Teasdale, 1998; cit. por Wheeler, 2000).<\/p>\n<p>Segundo a mesma fonte, o conceito de advocacy \u00e9 usado para os cidad\u00e3os que est\u00e3o aptos a tomar conta da sua Sa\u00fade. Refere-se ainda, \u00e0 necessidade de capacitar os cidad\u00e3os para self-advocate, desde que devidamente informados e apoiados ao longo de todo o processo de advocacy. A grande fatia das interven\u00e7\u00f5es de Enfermagem, residem na advocacy, como tal os enfermeiros dever\u00e3o estar preparados e desenvolver compet\u00eancias que a facilitem e promovam como actividade inerente aos cuidados de Enfermagem.<\/p>\n<h4><strong>Empowerment e Cidadania<\/strong><\/h4>\n<p>O conceito de Empowerment poder\u00e1 ainda ser analisado numa perspectiva de capacita\u00e7\u00e3o com a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na vida da comunidade, a que cada indiv\u00edduo pertence. Neste sentido pode ser entendido como um processo de cidadania.<\/p>\n<p>Esta inter-rela\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica do exerc\u00edcio da cidadania com a Sa\u00fade deve-se \u00e0s exig\u00eancias da realidade contempor\u00e2nea e da nova perspectiva da Sa\u00fade que prop\u00f5es metodologias mais consent\u00e2neas com a complexidade humana, em que o profissional de Sa\u00fade deve respeitar e promover a autonomia e a individualidade da pessoa. Torna-se assim imprescind\u00edvel incrementar a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e o exerc\u00edcio activo do direito e dever de cidadania que promove um acr\u00e9scimo de poder e controlo que fa\u00e7a emergir o Empowerment (Ramos, 2003).<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>No contexto portugu\u00eas, a participa\u00e7\u00e3o do utente\/cidad\u00e3o no seu processo de cura assume invariavelmente um car\u00e1cter consultivo, ou seja, uma participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vinculativa. Para ter uma participa\u00e7\u00e3o activa, \u00e9 necess\u00e1rio que o utente\/cidad\u00e3o sinta algum tipo de poder e influ\u00eancia, pois s\u00f3 desta forma ser\u00e1 capaz de se aperceber que o seu investimento pessoal se traduzir\u00e1 numa mais-valia futura. Esta influ\u00eancia ter\u00e1 que ter graus vari\u00e1veis e poder-se-\u00e1 exercer a n\u00edvel individual ou colectivo tendo na sua base o processo de aprendizagem cont\u00ednua. Para tal, a formula\u00e7\u00e3o de objectivos e o desenvolvimento de estrat\u00e9gias s\u00e3o fundamentais porque s\u00f3 dessa forma se conseguem consolidar posi\u00e7\u00f5es consensuais que est\u00e3o na origem da aquisi\u00e7\u00e3o do poder: Empowerment.<\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a do paradigma no contexto dos cuidados de Sa\u00fade consiste assim, nadevolu\u00e7\u00e3o do poder ao utente e numa valoriza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia atribu\u00edda a este no processo de colabora\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o e reciprocidade atrav\u00e9s do desenvolvimento de estrat\u00e9gias de Empowerment.<\/p>\n<p>Exige portanto uma redefini\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is e responsabilidades. Os profissionais de Sa\u00fade, nomeadamente os Enfermeiros, devem ver no cliente um parceiro no processo de tomada de decis\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o \u00e9 esperado que estes resolvam os problemas pelo cliente, mas sim que os resolvam em colabora\u00e7\u00e3o com ele.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p>&#8211; <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/sites\/entrez?Db=pubmed&amp;Cmd=Search&amp;Term=%22Adolfsson%20ET%22%5BAuthor%5D&amp;itool=EntrezSystem2.PEntrez.Pubmed.Pubmed_ResultsPanel.Pubmed_DiscoveryPanel.Pubmed_RVAbstractPlus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> ADOLFSSON ET<\/a>.; <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/sites\/entrez?Db=pubmed&amp;Cmd=Search&amp;Term=%22Smide%20B%22%5BAuthor%5D&amp;itool=EntrezSystem2.PEntrez.Pubmed.Pubmed_ResultsPanel.Pubmed_DiscoveryPanel.Pubmed_RVAbstractPlus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> SMIDE B<\/a>.; <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/sites\/entrez?Db=pubmed&amp;Cmd=Search&amp;Term=%22Gregeby%20E%22%5BAuthor%5D&amp;itool=EntrezSystem2.PEntrez.Pubmed.Pubmed_ResultsPanel.Pubmed_DiscoveryPanel.Pubmed_RVAbstractPlus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> GREGEBY E<\/a>.; <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/sites\/entrez?Db=pubmed&amp;Cmd=Search&amp;Term=%22Fernstr%C3%B6m%20L%22%5BAuthor%5D&amp;itool=EntrezSystem2.PEntrez.Pubmed.Pubmed_ResultsPanel.Pubmed_DiscoveryPanel.Pubmed_RVAbstractPlus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> FERNSTR\u00d6M L<\/a>.; <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/sites\/entrez?Db=pubmed&amp;Cmd=Search&amp;Term=%22Wikblad%20K%22%5BAuthor%5D&amp;itool=EntrezSystem2.PEntrez.Pubmed.Pubmed_ResultsPanel.Pubmed_DiscoveryPanel.Pubmed_RVAbstractPlus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> WIKBLAD K<\/a>. &#8211; Implementing empowerment group education in diabetes. 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[Consultado a 20 de Abril de 2008.].Dispon\u00edvel em: www:&lt;URL:<a href=\"http:\/\/translate.google.com\/translate?hl=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/translate.google.com\/translate?hl=pt<\/a>T&amp;sl=en&amp;u=<a href=\"http:\/\/www.Who.int\/&amp;sa=X&amp;oi=translate&amp;resnum=2&amp;ct=result&amp;prev=\/search?q=organiza%3%A7%C3%A3o++mundial+de+sa%C3%BAde&amp;hl=pt-PT%\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.Who.int\/&amp;sa=X&amp;oi=translate&amp;resnum=2&amp;ct=result&amp;prev=\/search%3Fq%3Dorganiza%253%25A7%25C3%25A3o%2B%2Bmundial%2Bde%2Bsa%25C3%25BAde%26hl%3Dpt-PT%<\/a> 26sa%3DX..<\/p>\n<p>&#8211; ORDEM DOS ENFERMEIROS \u2013 Padr\u00f5es de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem. Edi\u00e7\u00e3o da Ordem dos Enfermeiros: 2002.<\/p>\n<p>&#8211; Compet\u00eancias m\u00ednimas do enfermeiro de cuidados gerais. In Revista da Ordem dos Enfermeiros, Novembro 2003.<\/p>\n<p>&#8211; OUSCHAN, R.; SWEENEY, J.; JONHSON, L. \u2013 Dimensions of patient \u201cEmpowerment\u201d: Implications for Professional services Marketing. Health Marketing Quarterly. 2000.<\/p>\n<p>&#8211; PASTOR RUIZ, Y; BALAGUR SOL\u00c1, I; GARCIA-MERITA, M. &#8211; Estilo de vida e salud. Val\u00eancia: Albatos Educacion, 1999.<\/p>\n<p>&#8211; PRIMEIRA CONFER\u00caNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMO\u00c7\u00c3O DA SA\u00daDE \u2013 Carta de Ottawa. Ottawa: 1986. [Consultado a 2 de Fevereiro de 2008]. Dispon\u00edvel em www:&lt;URL: <a href=\"http:\/\/www.opas.org.br\/promocao\/uploadArq\/ottawa.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.opas.org.br\/promocao\/uploadArq\/ottawa.pdf<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>&#8211; PINHEL, M. \u2013 Experi\u00eancias de cidadania em contexto Comunit\u00e1rio. Porto. 2006. Tese de Mestrado.<\/p>\n<p>&#8211; PHANEUF, M. \u2013 Rela\u00e7\u00e3o de Ajuda: elemento da compet\u00eancia da enfermeira. Coimbra: Edi\u00e7\u00e3o do Cuidar, 1995.<\/p>\n<p>&#8211; RIBEIRO, J. &#8211; Psicologia da Sa\u00fade e a revolu\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade. In MCINTYRE, T.M. &#8211; Psicologia da Sa\u00fade: \u00c1reas de Interven\u00e7\u00e3o Perspectivas Futuras. Braga: Apport, 1994.<\/p>\n<p>&#8211; RAMOS, A. \u2013 Empowerment do cidad\u00e3o, em Sa\u00fade: Qual o papel do profissional de Sa\u00fade? Qual a percep\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o?. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa \u2013 Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica, 2003. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado.<\/p>\n<p>&#8211; WHEELER, P. \u2013 Is advocacy at the heart of Professional practice?. Revista Nursing\u00a0 Standard. 2000.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1515\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/nurs-fig.gif\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"401\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/?name=d33be9805ff33117.jpg&amp;attid=0.1&amp;disp=vahi&amp;view=att&amp;th=12ea01db681589f2\" alt=\"O seu browser pode n\u00e3o suportar a apresenta\u00e7\u00e3o desta imagem.\" width=\"1\" height=\"1\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Quadro 1<\/strong><\/p>\n<div align=\"center\">\n<table border=\"2\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"3\" height=\"24\">\n<p align=\"center\">Modelo de Empowerment para a Enfermagem<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td height=\"37\">Dom\u00ednio do utente<\/td>\n<td>Interac\u00e7\u00e3o Enfermeiro-<br \/>\n-Utente<\/td>\n<td>Dom\u00ednio da enfermagem<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Auto-determina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Auto-efic\u00e1cia<\/p>\n<p>Controlo<\/p>\n<p>Motiva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Aprendizagem<\/p>\n<p>Crescimento<\/p>\n<p>Dom\u00ednio\/Poder<\/p>\n<p>Maior qualidade de vida<\/p>\n<p>Melhor Sa\u00fade<\/p>\n<p>Justi\u00e7a social<\/td>\n<td>Confian\u00e7a<\/p>\n<p>Empatia<\/p>\n<p>Participa\u00e7\u00e3o no processo de decis\u00e3o<\/p>\n<p>Estabelecimento m\u00fatuo de objectivos<\/p>\n<p>Coopera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Negocia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Legitimidade<\/p>\n<p>Vencer barreiras organizacionais<\/td>\n<td>Ajuda<\/p>\n<p>Suporte<\/p>\n<p>Conselheiro<\/p>\n<p>Educador<\/p>\n<p>Facilitador<\/p>\n<p>Defensor\/Protector<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto portugu\u00eas, a participa\u00e7\u00e3o do utente\/cidad\u00e3o no seu processo de cura assume invariavelmente um car\u00e1cter consultivo, ou seja, uma participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vinculativa<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[772,770,282,768,769,464,771,316,284],"class_list":["post-1516","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-capacitacao","tag-cidadania","tag-cuidados","tag-empoderamento","tag-empowerment","tag-estrategias","tag-filosofia","tag-modelo","tag-promocao-da-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1516"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2727,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1516\/revisions\/2727"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}