{"id":1513,"date":"2011-07-12T11:10:38","date_gmt":"2011-07-12T11:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/demencia-de-alzheimer-impacto-na-pessoa-doente-e-na-familia\/"},"modified":"2021-05-04T09:29:24","modified_gmt":"2021-05-04T09:29:24","slug":"demencia-de-alzheimer-impacto-na-pessoa-doente-e-na-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/demencia-de-alzheimer-impacto-na-pessoa-doente-e-na-familia\/","title":{"rendered":"Dem\u00eancia de Alzheimer: Impacto na pessoa doente e na fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9\u00a0uma doen\u00e7a neurodegenerativa, em que as altera\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o do tecido nervoso s\u00e3o graduais e progressivas<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Dem\u00eancia\u00a0 de Alzheimer: Impacto na pessoa doente e na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Alzheimer disease: Impact on patient and family<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba268<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h4><strong>Autora:<\/strong><\/h4>\n<p>M. A. Costa<\/p>\n<p>Enfermeira Especialista na \u00c1rea de Enfermagem M\u00e9dico-Cir\u00fargica,<\/p>\n<p>Mestre em Observa\u00e7\u00e3o e An\u00e1lise da Rela\u00e7\u00e3o Educativa e Doutoranda em Enfermagem<\/p>\n<p>Assistente do 2\u00ba\u00a0Tri\u00e9nio na Escola Superior de Sa\u00fade de Beja<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>A doen\u00e7a de Alzheimer deteriora a pessoa em geral e em concreto a n\u00edvel cognitivo, mais tarde ou mais cedo, outros dom\u00ednios da vida mental s\u00e3o atingidos, e o funcionamento do organismo no seu todo acaba por ser afectado. Isto vai condicionar altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 do doente, mas tamb\u00e9m na fam\u00edlia ou meio onde est\u00e1 inserido, pois a perda progressiva de independ\u00eancia obriga sempre a que algu\u00e9m, de uma forma natural, ou n\u00e3o, assuma os cuidados ao doente. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a ponte que se deve manter entre cuidador e a pessoa com dem\u00eancia. Desta forma, o doente pode permanecer conectado consigo mesmo e com o mundo que o rodeia.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> D\u00e9fices Cognitivos; Fam\u00edlia; Cuidador; Habilidades de Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>ABSTRACT<\/strong><\/h4>\n<p>Alzheimer\u2019s disease deteriorates the people in generality and in specifically the cognitive level, more late or more early, in other dominions of mental life are affected, and the functioning of the organism, in his generality it finishes for being affected. This condition will change not only the patient but also her family or environment where it operates, as the progressive loss of independence requires that whenever someone in a way, or not, take care of the patient. Comunication is the bridge which should be maintained between caregiver and the people with dementia. In this way, the patient can stay connected with yourself and with the world around him.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Cognitive Limitations; Family; Caregivers; Comunication Abilities.<\/p>\n<h4><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es recentes das sociedades ocidentais reporta-se ao envelhecimento progressivo de um n\u00famero cada vez mais alargado de pessoas. Vive-se cada vez at\u00e9 mais tarde nos pa\u00edses ditos desenvolvidos, com a percep\u00e7\u00e3o de que pelo facto de se acrescentarem anos \u00e0 vida, isso nem sempre tem significado uma melhoria correspondente na qualidade de vida das pessoas idosas. Na verdade, sendo a idade um factor de risco para o decl\u00ednio cognitivo, o aumento da popula\u00e7\u00e3o idosa levar\u00e1 ao aparecimento de um cada vez maior n\u00famero de pessoas com s\u00edndromes demenciais, sobretudo com doen\u00e7a de Alzheimer, o que constituir\u00e1 um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica. Segundo as perspectivas epidemiol\u00f3gicas actuais, a partir dos 60 anos, a preval\u00eancia da doen\u00e7a aumenta de forma exponencial com a idade e, segundo alguns estudos epidemiol\u00f3gicos recentes, 4,6% das pessoas com mais de 65 anos, e 25% a 47% dos idosos com mais de 85 anos possuem a doen\u00e7a (Santana, 2005).<\/p>\n<p>No grupo das dem\u00eancias, a doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9\u00a0a mais frequente, sendo uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica degenerativa e irrevers\u00edvel, habitualmente com evolu\u00e7\u00e3o lenta e insidiosa. A etiologia \u00e9 desconhecida e n\u00e3o existem m\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o que permitam afirmar o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a. O diagn\u00f3stico definitivo s\u00f3 se alcan\u00e7a com o exame histol\u00f3gico do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Embora se considere que as dem\u00eancias s\u00e3o frequentes no idoso, representam de facto um grupo de patologias cujo diagn\u00f3stico \u00e9 muitas vezes omitido, ou colocado tardiamente devido \u00e0 aus\u00eancia de queixas da pessoa ou dos que a rodeiam. Uma deteriora\u00e7\u00e3o intelectual, mesmo que seja grave, \u00e9 considerada muitas vezes como normal e relacionada com a idade. A doen\u00e7a de Alzheimer deteriora a pessoa em geral e em concreto a n\u00edvel cognitivo, mais tarde ou mais cedo, outros dom\u00ednios da vida mental s\u00e3o atingidos, e o funcionamento do organismo no seu todo acaba por ser afectado. Os d\u00e9fices de ordem cognitiva e comportamental determinam a perda progressiva da capacidade para realizar de forma aut\u00f3noma as actividades de vida di\u00e1rias, at\u00e9 \u00e0 completa depend\u00eancia.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es decorrentes desta doen\u00e7a incapacitante t\u00eam repercuss\u00f5es a n\u00edvel f\u00edsico, ps\u00edquico e social e, consequentemente, diminuem a qualidade de vida n\u00e3o s\u00f3 da pessoa afectada, como do restante sistema familiar. Dada a extens\u00e3o e complexidade desta doen\u00e7a que atinge essencialmente os idosos, esta patologia repercute-se sobre a fam\u00edlia como um todo e, especialmente, sobre o cuidador. O cuidador de uma pessoa afectada pela doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9, na maioria das vezes, o parente pr\u00f3ximo que habitualmente com ele coabita, \u00e9 quem mant\u00e9m as necessidades b\u00e1sicas do doente, quem o orienta e quem o vigia.Cuidar de uma pessoa doente dependente com deteriora\u00e7\u00e3o cognitiva n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pode traduzir uma sobrecarga intensa que pode comprometer a sa\u00fade e o bem-estar emocional. Geralmente, os la\u00e7os afectivos que unem cuidador e pessoa doente, s\u00e3o na maioria das situa\u00e7\u00f5es fortes, o que traz igualmente factores positivos na rela\u00e7\u00e3o entre o cuidador e o doente, que favorecem uma rela\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria e geram sentimentos de prazer e de conforto.<\/p>\n<h4><strong>EST\u00c1DIOS NA EVOLU\u00c7\u00c3O DA DOEN\u00c7A DE ALZHEIMER<\/strong><\/h4>\n<p>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9\u00a0uma doen\u00e7a neurodegenerativa, em que as altera\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o do tecido nervoso s\u00e3o graduais e progressivas. Consequentemente, as suas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o a princ\u00edpio insidiosas e escapam muitas vezes \u00e0s pessoas que convivem com o doente. Garcia (2000) refere que, no in\u00edcio s\u00f3 os pr\u00f3prios doentes reconhecem a doen\u00e7a, mais tarde ela \u00e9 reconhecida pelos doentes, pelos familiares e pelos m\u00e9dicos e que, posteriormente, ela s\u00f3 \u00e9 reconhecida pelos familiares e pelos m\u00e9dicos e j\u00e1 n\u00e3o pelos pr\u00f3prios doentes.<\/p>\n<p>A dem\u00eancia consiste numa perda das fun\u00e7\u00f5es mentais, geralmente associada com a idade avan\u00e7ada, envolvendo problemas com a mem\u00f3ria e o racioc\u00ednio. A perda de capacidades mentais \u00e9 suficientemente grave para interferir com a capacidade de uma pessoa agir normalmente, no trabalho ou em sociedade. \u00c9 caracterizada por um defeito nas mem\u00f3rias de curto e longo prazo, e pela desintegra\u00e7\u00e3o da personalidade devido a altera\u00e7\u00f5es no discernimento e no julgamento. A dem\u00eancia \u00e9 um problema s\u00e9rio de sa\u00fade p\u00fablica, com impacto importante em milh\u00f5es de pessoas afectadas e nas suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>As dificuldades na mem\u00f3ria, no processamento da informa\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o, linguagem e no controlo motor que afecta a fala e a voz, classificam-se normalmente em est\u00e1dios ou fases. A dem\u00eancia segundo Santana (2005), pode ser classificada em: incipiente, ligeira, moderada e severa.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1dio de Dem\u00eancia Incipiente (Defeito Puro de Mem\u00f3ria)<\/strong><\/p>\n<p>Os doentes com Alzheimer come\u00e7am por apresentar um defeito de mem\u00f3ria que afecta predominantemente a mem\u00f3ria recente. A evoca\u00e7\u00e3o de factos antigos est\u00e1\u00a0relativamente preservada, relativamente \u00e0\u00a0capacidade para memorizar os acontecimentos do dia-a-dia. Neste est\u00e1dio, actualmente designado por defeito cognitivo ligeiro, os sintomas podem passar despercebidos aos familiares pr\u00f3ximos e a pessoa pode utilizar mecanismos de defesa (nega\u00e7\u00e3o, isolamento e regress\u00e3o) que os ajudam a enfrentar a doen\u00e7a, os sintomas tamb\u00e9m podem ser atribu\u00eddos a \u201cdepress\u00e3o\u201d. Em muitos casos, ambas a situa\u00e7\u00f5es concorrem para emerg\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es cognitivas. O doente nesta fase, n\u00e3o re\u00fane os crit\u00e9rios de dem\u00eancia porque est\u00e1 relativamente aut\u00f3nomo, e assim pode permanecer por um per\u00edodo relativamente longo.<\/p>\n<p><strong>Dem\u00eancia Ligeira<\/strong><\/p>\n<p>Nesta fase o doente come\u00e7a a demonstrar dificuldades em planear e executar as tarefas profissionais mais complexas (orientar as finan\u00e7as, organizar o trabalho di\u00e1rio, conferir trocos, etc.). Uma altera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m frequente \u00e9 o \u201cdefeito de nomea\u00e7\u00e3o\u201d (evocar nomes de objectos e de pessoas). Nesta fase, a pessoa perde alguma da sua autonomia e os d\u00e9fices s\u00e3o notados pelos familiares.<\/p>\n<p><strong>Dem\u00eancia Moderada<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 medida que os d\u00e9fices descritos se tornam progressivamente mais incapacitantes, come\u00e7am tamb\u00e9m a evidenciar-se dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o e de orienta\u00e7\u00e3o espacial, o doente torna-se repetitivo (persevera\u00e7\u00e3o), deixa de reconhecer as pessoas menos \u00edntimas (prosapagnosia), confunde os objectos menos habituais (agnosia), fica mais lento e mais ap\u00e1tico e n\u00e3o reconhece os seus d\u00e9fices (anosognosia). S\u00e3o tamb\u00e9m muito frequentes nesta fase algumas altera\u00e7\u00f5es do comportamento e outros sintomas psiqui\u00e1tricos: displic\u00eancia com a sua apresenta\u00e7\u00e3o pessoal e higiene, agita\u00e7\u00e3o vs. apatia, ins\u00f3nia, desconfian\u00e7a e agressividade.<\/p>\n<p><strong>Dem\u00eancia Severa<\/strong><\/p>\n<p>O defeito de mem\u00f3ria \u00e9\u00a0muito grave, n\u00e3o existindo praticamente reten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o; o discurso, quando existe, \u00e9\u00a0fragmentado e vazio, o doente n\u00e3o reconhece os familiares pr\u00f3ximos, \u00e9\u00a0incapaz de assegurar as actividades de vida di\u00e1ria. S\u00e3o tamb\u00e9m habituais as altera\u00e7\u00f5es do ritmo de sono, agita\u00e7\u00e3o vs. apatia, e alguns sintomas psic\u00f3ticos (alucina\u00e7\u00f5es e agressividade). Na fase terminal o doente fica acamado, incontinente e sem comunica\u00e7\u00e3o verbal.<\/p>\n<p>O facto de ser uma doen\u00e7a que se manifesta por altera\u00e7\u00f5es cognitivas, da conduta social e psicopatol\u00f3gicas, que provocam perda progressiva da capacidade funcional, vai agravar ainda mais as consequ\u00eancias dependentes do envelhecimento. As altera\u00e7\u00f5es cognitivas (mem\u00f3ria, orienta\u00e7\u00e3o no tempo e espa\u00e7o, linguagem, planeamento, ju\u00edzo cr\u00edtico, apraxia e agnosia, etc.) interferem na capacidade da pessoa exercer a sua profiss\u00e3o, de planear a sua vida quotidiana, de lidar com diversos instrumentos que fazem parte do funcionamento social e at\u00e9 das actividades b\u00e1sicas da vida di\u00e1ria. O doente vai perdendo progressivamente a sua independ\u00eancia, necessitando cada vez mais de ajuda de outra pessoa. \u00c9 referido por Schulz (2000), que para valorizar adequadamente o impacto familiar e pessoal da Doen\u00e7a de Alzheimer devemos considerar que se trata de uma patologia neurol\u00f3gica cr\u00f3nica, incur\u00e1vel e degenerativa, pelo que os seus sintomas s\u00f3 pioram e \u00e9 inevit\u00e1vel a invalidez funcional do doente, levando a uma maior depend\u00eancia dos seus cuidadores e exigindo uma dedica\u00e7\u00e3o cada vez mais exclusiva.<\/p>\n<h4><strong>REPERCUSS\u00d5ES DA DOEN\u00c7A DE ALZHEIMER<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Na Din\u00e2mica Familiar<\/strong><\/p>\n<p>No contexto sociocultural actual, a fam\u00edlia continua a desempenhar um papel fundamental e a ser a unidade b\u00e1sica em que nos desenvolvemos e socializamos. \u00c9 essencialmente nela e com ela que cada indiv\u00edduo procura o apoio necess\u00e1rio para ultrapassar os momentos de crise que surgem ao longo da sua vida. A doen\u00e7a, nomeadamente uma doen\u00e7a incapacitante como \u00e9 o caso da Doen\u00e7a de Alzheimer, exige um reajustamento enorme, com implica\u00e7\u00f5es frequentes na din\u00e2mica familiar, Lezaun e Salanova (2001) sublinham que n\u00e3o h\u00e1 doen\u00e7a cr\u00f3nica que requeira tanto ajuste familiar como a dem\u00eancia. Quando uma fam\u00edlia \u00e9 confrontada com a doen\u00e7a de um dos seus membros, todos os elementos v\u00e3o sofrer de ansiedade e stress, assim, o in\u00edcio da doen\u00e7a constitui uma situa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a para o sistema familiar, pois implica um processo de reajustamento da estrutura, pap\u00e9is, padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o e das rela\u00e7\u00f5es afectivas dos membros da fam\u00edlia. O aparecimento de uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, como a dem\u00eancia de Alzheimer, no seio de uma fam\u00edlia altera completamente a din\u00e2mica familiar. A perda das capacidades funcionais observadas em idosos com doen\u00e7a cr\u00f3nico-degenarativa, implicam reorganiza\u00e7\u00e3o do n\u00facleo familiar no sentido de redefinir pap\u00e9is e responsabilidades, al\u00e9m de desarticular a din\u00e2mica familiar e desestabilizar as rela\u00e7\u00f5es interpessoais experimentadas no seu quotidiano (Lezaun e Salanova, 2001).<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es decorrentes da doen\u00e7a incapacitante como a dem\u00eancia de Alzheimer t\u00eam repercuss\u00f5es a n\u00edvel f\u00edsico, ps\u00edquico e social e, consequentemente, diminuem a qualidade de vida n\u00e3o s\u00f3 da pessoa em causa, como do restante sistema familiar (Evans et al., 1992). Uma pessoa dependente na esfera familiar altera indiscutivelmente o movimento natural do ciclo vital familiar, podendo ocorrer mudan\u00e7as a n\u00edvel da individualidade e da autonomia de todos os elementos da fam\u00edlia, como tamb\u00e9m alguns poder\u00e3o ter necessidade de alterar ou de desistir de alguns projectos de vida, contribuindo tudo isto para modificar a estrutura familiar e para criar novas rela\u00e7\u00f5es entre os seus membros (Imagin\u00e1rio, 2003).<\/p>\n<p>De alguma maneira, a patologia individual converte-se em patologia familiar, porque todos sentem a influ\u00eancia negativa do sofrimento. A fam\u00edlia, como tal, n\u00e3o \u00e9 a mesma antes, durante e depois da doen\u00e7a. Esta \u201cnova fam\u00edlia\u201d surgir\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o da sua estrutura anterior, mas tamb\u00e9m do momento evolutivo da hist\u00f3ria familiar, do membro afectado pela doen\u00e7a, da gravidade, do tipo do processo patol\u00f3gico e das cren\u00e7as associadas a essa doen\u00e7a em concreto. Na perspectiva de Martins (2003), a funcionalidade conseguida vai, sem d\u00favida, interferir na forma como a fam\u00edlia integra a doen\u00e7a e a crise subsequente, bem como na reorganiza\u00e7\u00e3o que consegue implementar.<\/p>\n<p>Face \u00e0s repercuss\u00f5es da doen\u00e7a, h\u00e1\u00a0necessidade de uma aten\u00e7\u00e3o integral \u00e0\u00a0fam\u00edlia, tendo em conta todas as suas necessidades biol\u00f3gicas, psicol\u00f3gicas, sociais e espirituais, e todo o seu contexto familiar. Pensamos ser necess\u00e1rio promover a maior colabora\u00e7\u00e3o de todos por forma a considerarmos a fam\u00edlia a institui\u00e7\u00e3o fundamental na vida das pessoas e da sociedade. Como parceiros do cuidar, os familiares poder\u00e3o ter um papel activo na presta\u00e7\u00e3o de cuidados ao doente, assim como na tomada de decis\u00f5es no cuidado ao mesmo. No que se refere \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos familiares como receptores de cuidados, eles requerem informa\u00e7\u00e3o e acompanhamento por parte dos profissionais, de forma a reunirem as melhores condi\u00e7\u00f5es para lidarem com a situa\u00e7\u00e3o\/problema.<\/p>\n<p><strong>No Cuidador<\/strong><\/p>\n<p>A doen\u00e7a de Alzheimar vai condicionar altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3\u00a0no doente, mas tamb\u00e9m na fam\u00edlia ou meio onde est\u00e1\u00a0inserido, pois a perda progressiva de independ\u00eancia obriga sempre a que algu\u00e9m, de uma forma natural ou n\u00e3o, assuma os cuidados ao doente. A depend\u00eancia funcional sendo consequ\u00eancia de uma defici\u00eancia e\/ou de uma incapacidade\/restri\u00e7\u00e3o da actividade, constitui uma desvantagem social\/restri\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o, que leva \u00e0 necessidade de ajuda de terceiros para a execu\u00e7\u00e3o de determinadas actividades (Botelho, 1999). O cuidador \u00e9 a pessoa que mant\u00e9m as necessidades b\u00e1sicas do doente, que o orienta, que o vigia, podemos dizer que \u00e9 um instrumento muito valioso no seu tratamento. O conceito de cuidador \u00e9 muito discutido, pode ser designado como algu\u00e9m que assume a responsabilidade de cuidar, dar suporte ou assistir alguma necessidade da pessoa cuidada, visando a melhoria da sua sa\u00fade (Duarte, 2000). Pode acontecer que o cuidador n\u00e3o se encare a si mesmo como tal nem goste do termo, vendo-se mais como companheiro, filho ou amigo. A origem do cuidador pode ser determinada pela proximidade parental, proximidade f\u00edsica e proximidade afectiva (Martins, 2003). A pessoa que presta cuidados a um doente afectado de doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9, na maioria das vezes, o parente pr\u00f3ximo que habitualmente com ele coabita, em cerca de 70% das situa\u00e7\u00f5es \u00e9 o marido ou a mulher quem cuida, com o aux\u00edlio dos filhos de outros parentes e vizinhos, ou sem qualquer outra ajuda. Esta rela\u00e7\u00e3o doente-cuidador \u00e9 considerada normal segundo as regras sociais e, por isso, considerada na maioria das situa\u00e7\u00f5es como natural e inevit\u00e1vel. Estima-se que cerca de 40% dos cuidadores n\u00e3o recebam ajuda de ningu\u00e9m, at\u00e9 mesmo de parentes pr\u00f3ximos mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que eles tendem a rejeitar o apoio externo, por vezes por sentimentos de culpa ou obriga\u00e7\u00e3o moral (Fl\u00f3rez, 1997).<\/p>\n<p>Os cuidados ao doente v\u00e3o variando com a progress\u00e3o e caracter\u00edsticas da doen\u00e7a. Na fase inicial s\u00e3o os problemas e as consequ\u00eancias do diagn\u00f3stico, que mais afectam ambos (doente e cuidador). As dificuldades em tarefas mais complexas e instrumentais da vida di\u00e1ria v\u00e3o obrigando o cuidador a assumir e\/ou orientar tarefas complexas que o doente est\u00e1 incapaz de cumprir e que, muitas vezes, o cuidador n\u00e3o est\u00e1 habituado a realizar. \u00c1 medida que a doen\u00e7a evolui, o doente vai tendo cada vez mais dificuldades e o cuidador tem de assumir todas as tarefas que competiam ao doente e a orienta\u00e7\u00e3o em tarefas mais simples. A tarefa de cuidar de uma pessoa com doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 \u00e1rdua, fatigante e dif\u00edcil, muito alargada no tempo, normalmente sem descansos e, \u00e0s vezes, com responsabilidades que ultrapassam o razo\u00e1vel (S\u00e1nchez, 2004).<\/p>\n<p>A desorienta\u00e7\u00e3o, a perda da cr\u00edtica e as altera\u00e7\u00f5es da conduta social, obrigam a uma vigil\u00e2ncia quase constante do doente, isto vai exigir muito dos prestadores de cuidados e\u00a0 afectar-lhes a sa\u00fade f\u00edsica,\u00a0 mental, a vida familiar, o trabalho e as finan\u00e7as. Cuidar de uma pessoa com dem\u00eancia \u00e9 diferente de cuidar de outros doentes, visto que esta doen\u00e7a requer mais tempo e tem um maior impacto no emprego, na for\u00e7a do cuidador, na sua sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica e nos conflitos familiares (Mittelman,1995). Cuidar de uma pessoa doente dependente com deteriora\u00e7\u00e3o cognitiva n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pode traduzir uma sobrecarga intensa que pode comprometer a sa\u00fade, a vida social e o bem-estar emocional do cuidador, cujo papel est\u00e1 bem evidente nos diferentes estudos realizados por Schneider (1999), Grand (1999), Rodriguez (2003), Sansoni (2004), citados por Garrett (2005), para a identifica\u00e7\u00e3o dos factores que contribuem para os sentimentos de sobrecarga e depress\u00e3o neste grupo.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do enorme impacto psicol\u00f3gico de ver um ente pr\u00f3ximo perder a sua capacidade intelectual e compostura social, segundo Garrett (2005), outras raz\u00f5es existem para a sobrecarga do cuidador:<\/p>\n<ol>\n<li>Perda de liberdade, incapacidade de usufruir de tempos de lazer, de f\u00e9rias de fins-de-semana, etc.;<\/li>\n<li>Sobrecarga de trabalho e muitas vezes o ter de assumir tarefas nunca realizadas;<\/li>\n<li>Desconhecimento sobre a forma como a doen\u00e7a se manifesta e da forma de lidar com essas manifesta\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>Dificuldades financeiras;<\/li>\n<li>Presen\u00e7a de altera\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para al\u00e9m destas, existem sobrecargas \u201cescondidas\u201d(WHO, 2001):<\/p>\n<ol>\n<li>Rejei\u00e7\u00e3o social que leva ao isolamento do doente e do cuidador;<\/li>\n<li>Dificuldade de acesso a uma vida familiar e social normal para ambos;<\/li>\n<li>Dificuldade no acesso ao apoio m\u00e9dico e a redes de suporte sociais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Quando a doen\u00e7a progride, os cuidadores ficam frequentemente sem contacto com o resto da fam\u00edlia, os amigos e fora das actividades sociais habituais. Mesmo os cuidadores mais dedicados lutam com sentimentos de culpa, ressentimento ou frustra\u00e7\u00e3o quando lidam com as dif\u00edceis mudan\u00e7as comportamentais que a dem\u00eancia causa. \u00c9 referido por Coen e Swanwick (1997) que o doente come\u00e7a a apresentar altera\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas tais como agressividade e agita\u00e7\u00e3o, falsas interpreta\u00e7\u00f5es e alucina\u00e7\u00f5es que v\u00e3o dificultar a sua rela\u00e7\u00e3o com quem o cuida.<\/p>\n<p>Contudo, os cuidadores diferem na forma como lidam com a situa\u00e7\u00e3o, sendo uns melhor sucedidos que outros, num estudo realizado por Vugt et al (2004) conclu\u00edram que o sexo, a educa\u00e7\u00e3o e a personalidade do cuidador s\u00e3o determinantes importantes na gest\u00e3o dos cuidados. A forma como o cuidador lida com a pessoa doente \u00e9 um factor preditivo de agita\u00e7\u00e3o no doente e exaust\u00e3o do pr\u00f3prio cuidador.<\/p>\n<p>A sobrecarga do cuidador, segundo Braithwaite (1992) citado por Martins (2003), \u00e9\u00a0 uma perturba\u00e7\u00e3o resultante do lidar com a depend\u00eancia f\u00edsica e a incapacidade mental do indiv\u00edduo alvo da aten\u00e7\u00e3o dos cuidados. A autora descreve o processo de cuidar de um familiar idoso e\/ou dependente como cont\u00ednuo e quase sempre irrevers\u00edvel, comportando cinco situa\u00e7\u00f5es de crise: consci\u00eancia da degenera\u00e7\u00e3o, imprevisibilidade, limita\u00e7\u00f5es de tempo, rela\u00e7\u00e3o afectiva entre cuidador e sujeito alvo dos cuidados e a falta de alternativas de escolha.<\/p>\n<p>Se a tarefa de cuidar n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0compartilhada com outras pessoas, se o cuidador n\u00e3o tem ajuda ou folgas, podem surgir situa\u00e7\u00f5es de risco para o cuidador e para o utente, maus-tratos f\u00edsicos resultantes do stress e tens\u00e3o acumulados ao longo dos anos. O aparecimento das altera\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas agrava a sobrecarga sobre o cuidador e modifica a rela\u00e7\u00e3o entre eles. Esta \u00e9 a fase crucial para o cuidador, pois para al\u00e9m da sobrecarga provocada pelos cuidados ao doente, junta-se a frustra\u00e7\u00e3o pela inevitabilidade da progress\u00e3o da doen\u00e7a (Mendes, 2003). Envolver a fam\u00edlia e os amigos na tarefa de cuidar do doente, ajuda o cuidador e proporciona apoio \u00e0 pessoa que recebe os cuidados. Se na fam\u00edlia houver um clima de entreajuda s\u00f3 h\u00e1 que ser franco e esclarecer os outros membros como se poder\u00e3o tornar \u00fateis, quantas vezes as pessoas desejam poder ajudar mas desconhecem a situa\u00e7\u00e3o, ou receiam fazer ofertas nesse sentido.<\/p>\n<p>Deste modo, e dada a extens\u00e3o e complexidade desta doen\u00e7a que atinge essencialmente os idosos, esta patologia repercute-se de tal forma sobre a fam\u00edlia como um todo e, especialmente, sobre o cuidador. Este ir\u00e1 prestar os cuidados ao seu doente, muitas vezes sem conhecer as condutas adequadas face \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a e exig\u00eancias do cuidar. Assim, torna-se essencial a interven\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, n\u00e3o s\u00f3 para instruir o cuidador no acto de cuidar, mas tamb\u00e9m para avaliar as poss\u00edveis repercuss\u00f5es nesta pessoa que possam advir do acto de cuidar, bem como alert\u00e1-la para a ocorr\u00eancia das mesmas. As interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas junto dos prestadores de cuidados informais dever\u00e3o ser conduzidas em rela\u00e7\u00e3o a tr\u00eas vertentes principais: apoio psicol\u00f3gico, educa\u00e7\u00e3o\/informa\u00e7\u00e3o e sistemas sociais de apoio (Brito, 2002).<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias que tornam mais eficaz a comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0a forma que temos para nos relacionarmos uns com os outros, esta \u00e9 uma m\u00e1xima v\u00e1lida para todo o tipo de rela\u00e7\u00e3o, mais ainda para as pessoas com deteriora\u00e7\u00e3o cognitiva. A pessoa afectada pela doen\u00e7a de Alzheimer, se n\u00e3o pode comunicar verbalmente, \u00e9 sens\u00edvel ao meio que a rodeia e \u00e0 forma como as pessoas se relacionam com ela. Uma comunica\u00e7\u00e3o interpessoal apropriada pode evitar, por exemplo, a necessidade de medidas de conten\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou farmacol\u00f3gica (Hoewe e Lettieri, 1999).<\/p>\n<p>Uma comunica\u00e7\u00e3o adequada \u00e9\u00a0importante porque favorece a rela\u00e7\u00e3o e, fomenta a autonomia da pessoa com dem\u00eancia. A orienta\u00e7\u00e3o verbal e n\u00e3o verbal \u00e9 fundamental para a realiza\u00e7\u00e3o das tarefas nas pessoas com dem\u00eancia. Est\u00e1 documentado que quando surge compromisso da linguagem verbal, a utiliza\u00e7\u00e3o da linguagem n\u00e3o verbal, o toque e o contacto visual podem ser estrat\u00e9gias e constituir elementos eficazes na comunica\u00e7\u00e3o com a pessoa demente (Kelly, 1997). O conjunto de altera\u00e7\u00f5es que afectam a esfera cognitiva da pessoa com doen\u00e7a de Alzheimer fazem com que a rela\u00e7\u00e3o com estes doentes seja particularmente dif\u00edcil, necessitando os cuidadores n\u00e3o s\u00f3 de conhecimentos t\u00e9cnicos e espec\u00edficos sobre a doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m de habilidades relacionais e de comunica\u00e7\u00e3o para cuid\u00e1-los com compet\u00eancia.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0o elo que se deve manter entre cuidador e a pessoa com dem\u00eancia, desta forma, o doente pode permanecer conectado consigo mesmo e com o mundo que o rodeia. Segundo Castro-Caldas (2006) e Bermejo (1999) para que os cuidadores mantenham uma rela\u00e7\u00e3o adequada com uma pessoa doente devem utilizar habilidades de comunica\u00e7\u00e3o como:<\/p>\n<ul>\n<li>Identificar o doente pelo nome e identificar-se tamb\u00e9m pelo nome;<\/li>\n<li>Aproximar-se do doente pela frente, mantendo o contacto visual;<\/li>\n<li>Falar com o doente num local sossegado sem ru\u00eddos;<\/li>\n<li>Falar calmamente com clareza de forma gentil e tranquilizadora;<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Adequar a comunica\u00e7\u00e3o verbal ao n\u00edvel de compreens\u00e3o do doente, utilizar palavras familiares;<\/li>\n<li>Utilizar gestos para acompanhar as mensagens verbais;<\/li>\n<li>Dar tempo para o doente responder;<\/li>\n<li>Utilizar comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal (olhar, sorrir, tocar);<\/li>\n<li>Deve considerar-se o doente como um adulto, n\u00e3o infantilizar;<\/li>\n<li>Devem evitar-se est\u00edmulos e situa\u00e7\u00f5es que induzem perturba\u00e7\u00e3o de comportamento (posturas interpret\u00e1veis como agressivas ou amea\u00e7adoras);<\/li>\n<li>Quando o doente se apresentar irritado ou agressivo, procurar distrai-lo ou mudar a actividade para algo do seu interesse;<\/li>\n<li>A discuss\u00e3o com o doente \u00e9 in\u00fatil e a sua conten\u00e7\u00e3o f\u00edsica dever\u00e1 sempre que poss\u00edvel ser evitada;<\/li>\n<li>N\u00e3o corrigir o doente de forma sistem\u00e1tica;<\/li>\n<li>Utilizar frases na positiva, curtas e directas;<\/li>\n<li>Se n\u00e3o compreender o que o doente quer, tentar utilizar perguntas fechadas para respostas sim ou n\u00e3o;<\/li>\n<li>Dar refor\u00e7os positivos, n\u00e3o poupar elogios;<\/li>\n<li>Estimular comportamentos aut\u00f3nomos;<\/li>\n<li>Manter o doente ocupado e activo;<\/li>\n<li>Utilizar o humor;<\/li>\n<li>Utilizar a reformula\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Ajudar a comunicar atrav\u00e9s da leitura;<\/li>\n<li>Manter-se calmo, evitar exteriorizar a irrita\u00e7\u00e3o (contar at\u00e9 dez antes de responder).<\/li>\n<\/ul>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o efectiva entre cuidador e doente, \u00e9\u00a0crucial para a realiza\u00e7\u00e3o dos cuidados no quotidiano e o sucesso da comunica\u00e7\u00e3o depende, em grande parte, das capacidades do cuidador neste dom\u00ednio.<\/p>\n<h4><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/h4>\n<p>Quando se fala de dem\u00eancia tem-se em especial aten\u00e7\u00e3o o conjunto de altera\u00e7\u00f5es que afectam a esfera cognitiva, por serem essas as perturba\u00e7\u00f5es que mais precocemente chamam a aten\u00e7\u00e3o dos familiares. A doen\u00e7a de Alzheimer gera uma defici\u00eancia global que determina perda de independ\u00eancia e autonomia, bem como diminui\u00e7\u00e3o do papel social. A situa\u00e7\u00e3o evolui do d\u00e9fice cognitivo ligeiro ao d\u00e9fice cognitivo grave. Para os doentes e seus cuidadores, o decl\u00ednio funcional pode ser um aspecto problem\u00e1tico, dado que a perda de capacidade para realizar as Actividades de Vida Di\u00e1rias aumenta a necessidade de cuidados.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas que sobrevivem com problemas de certa forma incapacitantes como no caso da Doen\u00e7a de Alzheimer est\u00e1 a aumentar. Em termos sociais, a realidade que um doente dependente pode esperar n\u00e3o \u00e9 animadora. Mudan\u00e7as r\u00e1pidas e profundas no sistema de valores e nos estilos de vida, juntamente com a multiplica\u00e7\u00e3o dos problemas sociais, t\u00eam tornado mais complexa quer a vida social, quer a das pr\u00f3prias fam\u00edlias sujeitas a profundas transforma\u00e7\u00f5es e crises. Sendo a fam\u00edlia a primeira institui\u00e7\u00e3o a que normalmente recorremos para garantir o suporte necess\u00e1rio, esta necessita n\u00e3o s\u00f3 de conhecimentos t\u00e9cnicos e espec\u00edficos sobre a doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m necessita de habilidades relacionais e de comunica\u00e7\u00e3o para minimizar as incapacidades e maximizar as capacidades das pessoas que sofrem desta doen\u00e7a, que ainda n\u00e3o tem cura neste momento e que o melhor tratamento \u00e9 o cuidado e o afecto. O cuidador de um doente de Alzheimer, seja ele quem for, \u00e9 a pedra- chave do tratamento, com uma import\u00e2ncia social fundamental.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p>1- santana, Isabel. A Doen\u00e7a de Alzheimer e Outras Dem\u00eancias- Diagn\u00f3stico Diferencial. In Castro-Caldas, Alexandre. Mendon\u00e7a, Alexandre. (2005). A Doen\u00e7a de Alzheimer e Outras Dem\u00eancias em Portugal.(p.61-82) Lisboa: Lidel- edi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, Lda.<\/p>\n<p>2 -Garcia, C. (2000). A Doen\u00e7a de Alzheimer. Mundo M\u00e9dico 2000; Janeiro- Fevereiro:20-21<\/p>\n<p>3 &#8211; Schulz, R. (2000). Manual sobre Cuidados \u00e0\u00a0Dem\u00eancia. Interven\u00e7\u00f5es em evid\u00eancias para cuidadores familiares. New York: SPC.<\/p>\n<p>4 &#8211; Lezaun J, Salanova, M. (2001). Apoio informal e dem\u00eancias. \u00c9\u00a0poss\u00edvel descobrir novos caminhos? Consultado em Novembro, 2006. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.matiaf.net\/professionales\/art\u00edculos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.matiaf.net\/professionales\/art\u00edculos<\/a>.<\/p>\n<p>5 &#8211; Evans, R. L; at al . (1992). The family\u2019s role in stroke rehabilitation. Rehabilitation, 71 p. 9-135<\/p>\n<p>6 &#8211; Imagin\u00e1rio, C. (2003). O idoso dependente em contexto familiar. Coimbra: Formasau. ISBN 972-8485- 7-38.<\/p>\n<p>7 &#8211; Martins,T; Ribeiro, J; Garrett, C. (2003). Estudo de valida\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio de avalia\u00e7\u00e3o da sobrecarga para cuidadores informais \u2013 Psicologia, Sa\u00fade e Doen\u00e7as.<\/p>\n<p>8 &#8211; Botelho, M. A. (1999). Autonomia Funcional em Idosos: caracteriza\u00e7\u00e3o multidimensional em idosos utentes de um centro de sa\u00fade urbano. Lisboa 1999.disserta\u00e7\u00e3o de Doutoramento apresentada \u00e0 Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n<p>9 &#8211;\u00a0 Duarte , A. (2000). Cuidadores de idosos: uma quest\u00e3o a ser analisada. O Mundo da Sa\u00fade. V. 21, n.4, p. 226- 230.<\/p>\n<p>10- Fl\u00f3rez, J.(1997). La familia de los ancianos con enfermedad de Alzheimer. Salud, 29 (5):86-103.<\/p>\n<p>11 &#8211; S\u00e1nchez, M.J.\u00a0 (2004). Atenci\u00f3n de Enfermeria hacia el Cuidador Principal del Paciente com Enfermedad de Alzheimer. Prevencion y Cuidados en el \u201cSindrome del Cuidador\u201d \u2013 Enfermeria Cientifica, Mar\u00e7o\/Abril.<\/p>\n<p>12 &#8211; Mittelman, M. S; Ferris, S. H; Shulman E. Et al. (1995). A comprehensive support program: effecton depressionin spouse-caregivers of AD patient. Gerontologist; 35: 792-802.<\/p>\n<p>13 &#8211; Garrett, Carolina. Impacto S\u00f3cio-Econ\u00f3mico da Doen\u00e7a de Alzheimer. In Castro-Caldas, Alexandre. Mendon\u00e7a, Alexandre. (2005). A Doen\u00e7a de Alzheimer e Outras Dem\u00eancias em Portugal. (p.227-236). Lisboa: Lidel- edi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, Lda.<\/p>\n<p>14 &#8211; WHO (2001). Mental Health Problems<\/p>\n<p>15 -Coen, R. F; Swanwick G, R. (1997). Beahviour disturbance and other predictors of carer burden in Alzheimer\u2019s disease. Int. J. Geriatric Psychiatry. 12(3): 331-6.<\/p>\n<p>16 &#8211; Vugt, M; Stevens, F; et al. (2004). Do caregiver menagement strategies influence patient behaviour in dementia? International Journal of Geriatric Psychiatric 19: 85-92<\/p>\n<p>17- Mendes, M. (2003). Depress\u00e3o e sentimentos de sobrecarga nos cuidados de doentes de Alzheimer. Psicologia. Porto: Instituto Superior da Maia.<\/p>\n<p>18 &#8211; Brito, L.(2002). A Sa\u00fade Mental dos Prestadores de Cuidados a Familiares Idosos. Coimbra: Quarteto.<\/p>\n<p>19 &#8211; Hoewe, E. G;\u00a0\u00a0 Lettieri, C. j. ( 1999). Health care rationing in the age: ethical and clinical perspectives. Drugs\u00a0 Aging. 15(1): 37-47.<\/p>\n<p>20 &#8211; Kelly, M. (1997). Social Interaction Among People with Dementia. Journal of Gerontological\u00a0 Nursing. 4: 16-20.<\/p>\n<p>21 &#8211; Castro- Caldas, Alexandre. (2006). A Doen\u00e7a de Alzheimer e Outras Formas de Dem\u00eancia. Lisboa (s. n.) Diapositivos da Forma\u00e7\u00e3o Avan\u00e7ada em Enfermagem. Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa. Instituto de Ci\u00eancias da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>22 &#8211; Bermejo, Jos\u00e9 Carlos. (1999).Humanizar\u00a0 Los Cuidados En La Relacion Con El Enfermo De Alzheimer. Consultado em Novembro, 2006. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.humanizar.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.humanizar.es<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9\u00a0uma doen\u00e7a neurodegenerativa, em que as altera\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o do tecido nervoso s\u00e3o graduais e progressivas<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[467,201,394,767,468,397],"class_list":["post-1513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-alzheimer","tag-comunicacao","tag-cuidador","tag-defices-cognitivos","tag-demencia","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1513"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2728,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1513\/revisions\/2728"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}