{"id":1496,"date":"2011-05-11T17:46:56","date_gmt":"2011-05-11T17:46:56","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/cuidar-uma-conduta-etica\/"},"modified":"2021-05-04T09:29:41","modified_gmt":"2021-05-04T09:29:41","slug":"cuidar-uma-conduta-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/cuidar-uma-conduta-etica\/","title":{"rendered":"Cuidar &#8211; Uma Conduta \u00c9tica"},"content":{"rendered":"<p>Os profissionais de sa\u00fade, para al\u00e9m de dominarem conhecimentos, t\u00e9cnicas e habilidades, devem ter compaix\u00e3o para compreender como o doente vivencia o processo de doen\u00e7a, n\u00e3o descurando os seus valores e cren\u00e7as<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">CUIDAR \u2013 UMA CONDUTA \u00c9TICA<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">CARE &#8211; ETHICAL CONDUCT<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba265<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Autora:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">R. M. A. Coelho<\/p>\n<p align=\"justify\">Enfermeira<\/p>\n<p align=\"justify\">Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa \u2013 Instituto de Bio\u00e9tica<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Chamar a aten\u00e7\u00e3o para o que se designa por \u00e9tica do cuidar \u00e9 o imperativo deste trabalho, at\u00e9 porque se reveste de import\u00e2ncia vital ao n\u00edvel da concep\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia humana e de desempenho profissional. Cuidar \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil e que s\u00f3 pode ser encarada sob uma perspectiva \u00e9tica<sup>(1)<\/sup>. Prestar cuidado a algu\u00e9m implica lidar com cren\u00e7as e valores do pr\u00f3prio e do outro, que constituem refer\u00eancias sobre a forma de estar e viver, na rela\u00e7\u00e3o com os outros e com o mundo<sup>(2)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">O ideal do cuidado baseia-se numa actividade de relacionamento, da compreens\u00e3o e da resposta \u00e0s necessidades uns dos outros, \u201cde tomar conta do mundo buscando a manuten\u00e7\u00e3o e o aprimoramento da teia de conex\u00e3o de modo a que ningu\u00e9m seja deixado sozinho ou sofra danos\u201d<sup> (3) <\/sup>(2006:133).<\/p>\n<p align=\"justify\">Actualmente, ningu\u00e9m pode estar alheio ao que se passa no mundo gra\u00e7as ao fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o, e \u00e9 na rela\u00e7\u00e3o com o mundo, que cada um deve encontrar a grande disponibilidade que o cuidado deste exige. Mais que uma inten\u00e7\u00e3o ou uma vontade, torna-se necess\u00e1rio cada um colocar algo de si mesmo na rela\u00e7\u00e3o com o mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">To call attention for what it\u2019s designated for ethic of taking care is the imperative of this work, even because it has an essencial importance for the conception of human being and professional performance. Take care is a difficult task and it only can be faced under an ethical perspective<sup>(1)<\/sup>. To take care of someone implies to deal with beliefs and values of each one, that establishe references about the way of being and living, in the relationship with the others and the world<sup>(2)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">The ideal of the care is based on an activity of relationship, between the understanding and the reply to necessities of each others, &#8220;to take care of the world, searching the management and the improvement of the web connection in order that nobody be alone or suffers damages&#8221;<sup>(3)<\/sup> (2006:133).<\/p>\n<p align=\"justify\">Nowadays, no one can be away to what it\u00b4s happens in the world due to the globalization fenomony, and it\u00b4s in the relation with the world, that each one must find a great availability that the care of this demands. More than an intent or a will, it\u2019s necessary that each one put something of itself in the relation with the world.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Coloca-se como quest\u00e3o inicial: o que se entende por cuidado? No desenvolvimento desta no\u00e7\u00e3o, t\u00eam concorrido v\u00e1rias abordagens, como a mitol\u00f3gica, a religiosa, a filos\u00f3fica, a psicol\u00f3gica e a teol\u00f3gica. Todas influenciam orienta\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e comportamentos morais<sup>(3)<\/sup>. Quando escrita no singular, a palavra cuidado, significa a aten\u00e7\u00e3o dada a, a preocupa\u00e7\u00e3o com, transmitindo a ideia de protec\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o no sentido de se ocupar de. Hesbeen<sup>(4)<\/sup> (2004:25) define cuidado como \u201cfermento essencial \u00e0 vida e ao futuro do mundo\u201d; acrescenta ainda que a humanidade necessita de cuidado para existir aqui e agora no mundo bem como para se perpetuar.<\/p>\n<p align=\"justify\">O voc\u00e1bulo cuidar vem do latim cogitare, que sugere pensar, reflectir, conceber, preparar. Petit<sup>(1)<\/sup> (2004:87) define cuidar como sendo \u201cuma atitude, uma maneira de estar na vida que induz a um verdadeiro olhar para o outro e para o mundo\u201d. \u00c9 atrav\u00e9s da aten\u00e7\u00e3o dispensada ao outro e ao mundo, que cada um cuida, com a finalidade que n\u00e3o tem apenas em vista a sua pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento pessoal mas tamb\u00e9m o do outro, o da sociedade e do mundo, numa atitude altru\u00edsta e respons\u00e1vel que visa fazer o bem. Assim, cuidar neste mundo, significa esfor\u00e7ar-se por agir da melhor forma poss\u00edvel, debru\u00e7ar-se sobre a vida, dando-lhe aten\u00e7\u00e3o, questionando sobre a interven\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica no homem e na natureza, e sobre o que \u00e9 o homem, o que \u00e9 a natureza, o corpo\u2026 S\u00e3o estas e outras quest\u00f5es a n\u00e3o esquecer, caso haja inten\u00e7\u00e3o de cuidar de si pr\u00f3prio, dos outros e do mundo enquanto habitat do homem.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Cuidar neste Mundo<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Cuidar neste mundo diz respeito a todo o corpo social, ao cidad\u00e3o comum, aos fil\u00f3sofos, antrop\u00f3logos, juristas, pol\u00edticos, m\u00e9dicos, gestores, agricultores, pedreiros, bem como qualquer actividade humana, quer seja f\u00edsica ou intelectual. No entanto, aquele que cuida ambiciona por vezes poder supremo, n\u00e3o existindo assim, um verdadeiro encontro com o outro, reciprocidade, compreens\u00e3o, empatia e equil\u00edbrio. Sob o pretexto de querer o bem do outro, o cuidador apropria-se do outro para a satisfa\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios desejos de poder, que acabam por ser jamais satisfeitos. \u201cO cuidado \u00e9, desta feita, uma viol\u00eancia exercida por aquele que det\u00e9m o saber, indo de encontro \u00e0quele que \u00e9 vulner\u00e1vel\u201d (idem:93). Cuidar de algu\u00e9m \u201caparece-me, assim, como a express\u00e3o da minha humanidade dentro da pr\u00f3pria humanidade, quer dizer, o cuidado da minha presen\u00e7a no mundo, tendo em vista contribuir, modestamente, do lugar que ocupo, para um universo mais cuidador, para uma atmosfera humana mais rica e mais extensa\u201d<sup> (4)<\/sup> (2004:25). A profiss\u00e3o de cuidar \u00e9 considerada como altru\u00edsta, isto \u00e9, centrada nos outros e para o bem dos outros, n\u00e3o esquecendo que ajudar os outros \u00e9 tamb\u00e9m contribuir para a satisfa\u00e7\u00e3o de si mesmo<sup>(5)<\/sup>. De real\u00e7ar tamb\u00e9m, o facto do cuidar ser uma incessante procura de si pr\u00f3prio, isto \u00e9, ao cuidar do outro, o sujeito procura conhecer-se; atrav\u00e9s das dificuldades do outro ele questiona as suas dificuldades, de maneira que o outro \u00e9 um espelho da sua imagem que revela as suas capacidades, os seus limites, os seus desejos e desgostos<sup>(1)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por um lado, o processo do cuidar demora o seu tempo, por outro o cuidado situa-se numa esp\u00e9cie de espa\u00e7o, ou seja, um lugar de encontro entre quem cuida e quem \u00e9 cuidado, onde h\u00e1 partilha, onde se articulam as diferen\u00e7as. \u201cQuem cuida ir\u00e1, ent\u00e3o, recolher a imagem do outro ao oferecer a sua, apropriar-se um pouco do seu corpo, abrindo as suas m\u00e3os numa troca de sensa\u00e7\u00f5es, onde ningu\u00e9m pode intervir\u201d (idem:94). Aquele que cuida deve estar atento a cada gesto, a cada m\u00edmica, a cada postura. A linguagem corporal ir\u00e1 permitir compreender o outro estabelecendo com ele uma liga\u00e7\u00e3o e onde as palavras acabar\u00e3o por circular.<\/p>\n<p align=\"justify\">Cuidar \u00e9\u00a0 uma arte! O cuidador n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0um actor a desempenhar um papel mas sim um sujeito que adquire uma diversidade de h\u00e1bitos, que se introduz no mundo do outro numa atitude de empatia e se adapta. E porque tem a ver com a incerteza do ser e da sua fragilidade, o cuidar \u00e9 uma arte dif\u00edcil, em que cada experi\u00eancia \u00e9 \u00fanica, n\u00e3o podendo ser comparada. O cuidado exige, desta forma, compet\u00eancias e aptid\u00f5es v\u00e1rias que se traduzem numa conduta \u00e9tica que consiste em \u201c descobrir o outro na sua singularidade e em acompanh\u00e1-lo com a finalidade de proteger a sua vida, respeitando-o sempre, sem exercer sobre ele o poder\u201d (ibidem:101). O cuidado trata-se de uma obra de cria\u00e7\u00e3o sempre \u00fanica e, como tal, a pr\u00e1tica do cuidar \u00e9 uma arte e n\u00e3o uma ci\u00eancia<sup>(6)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Cuidar no Hospital<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A palavra cuidado representa a miss\u00e3o principal de qualquer institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Consequentemente, cuidar sintetiza a miss\u00e3o dos v\u00e1rios profissionais, sejam eles m\u00e9dicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dietistas, assistentes sociais, auxiliares de ac\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, entre outros. As tarefas destes profissionais devem ser dirigidas a um corpo sujeito ou a um corpo que se \u00e9 e n\u00e3o a um corpo objecto ou corpo que se tem. O primeiro \u00e9 aquele que n\u00e3o se pode limitar a um conjunto de \u00f3rg\u00e3os, de membros e de fun\u00e7\u00f5es, sendo mais que a soma das partes que o constituem. \u00c9 um ser com uma vida particular, com desejos e projectos, motiva\u00e7\u00f5es e decep\u00e7\u00f5es, alegrias e dores, n\u00e3o podendo ser submetido \u00e0 racionalidade dos profissionais nem correspondendo totalmente \u00e0s teorias e instrumentos utilizados por estes, uma vez que \u00e9 um ser excepcional. \u201cA doen\u00e7a, qualquer que ela seja, n\u00e3o ser\u00e1 vivida da mesma forma por cada pessoa, pois inscreve-se numa situa\u00e7\u00e3o de vida \u00fanica, animada por um desejo de viver tamb\u00e9m \u00fanico. \u00c9 que, por mais que a doen\u00e7a seja objectivada no corpo que se tem, ela n\u00e3o afecta, no fim de contas, sen\u00e3o o corpo que se \u00e9\u201d (idem:27).<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, o cuidar, que \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o dada ao outro, inscreve-se na complexidade, e desta forma, Hesbeen<sup>(6)<\/sup> (2000:34) cita Watts para a necessidade de \u201cver uma folha em toda a sua clareza sem perder de vista a sua rela\u00e7\u00e3o com a \u00e1rvore\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Todos os profissionais de sa\u00fade prestam cuidados aos doentes, ajudando-os, contribuindo para o seu bem estar, utilizando as compet\u00eancias e as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do exerc\u00edcio da sua profiss\u00e3o; mas, pela pr\u00f3pria natureza desta, os enfermeiros s\u00e3o os que disp\u00f5em de maiores oportunidades para o exerc\u00edcio da arte do cuidar. \u201cQuando se atingem os limites de interven\u00e7\u00e3o dos outros prestadores de cuidados, as enfermeiras e os enfermeiros ter\u00e3o sempre a possibilidade de fazer mais alguma coisa por algu\u00e9m, de o ajudar, de contribuir para o seu bem-estar, para a sua serenidade, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais desesperadas\u201d (idem:47).<\/p>\n<p align=\"justify\">Mais do que pela ci\u00eancia e t\u00e9cnica, os cuidados de enfermagem s\u00e3o marcados pela subtileza, espontaneidade, criatividade e pela intui\u00e7\u00e3o; sendo o seu reconhecimento dif\u00edcil num meio biomedicalizado e t\u00e9cnico-cient\u00edfico, onde resultam, apesar de essenciais, em ac\u00e7\u00f5es pouco vis\u00edveis e consequentemente traduzindo resultados pouco palp\u00e1veis (ibidem).<\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o v\u00e1rias as teorias redigidas sobre cuidados de enfermagem, no entanto, Dorothea Orem e Jean Watson, destacam-se no modelo do cuidado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Orem, no seu livro Nursing: Concepts of Practice (1971), formula o seu conceito de enfermagem em rela\u00e7\u00e3o ao auto-cuidado, adoptando uma perspectiva personalista, na concep\u00e7\u00e3o de cada pessoa como una e \u00fanica. Apresenta como teoria geral de enfermagem, a teoria do d\u00e9fice de auto-cuidado composta de tr\u00eas teorias relacionadas: a teoria do auto-cuidado, que descreve como e o porqu\u00ea das pessoas cuidarem de si pr\u00f3prias; a teoria do deficit de auto-cuidado, que descreve e explica porque raz\u00e3o as pessoas podem ser ajudadas atrav\u00e9s da enfermagem; e a teoria dos sistemas de enfermagem, que descreve e explica as rela\u00e7\u00f5es que t\u00eam de ser criadas e mantidas para que se produza enfermagem<sup>(7)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Jean Watson publica, em 1979, Nursing: The Philosophy and Science of Caring, onde apresenta os principais pressupostos da ci\u00eancia do cuidar em enfermagem. Prop\u00f5e dez factores do cuidar em que cada um possui um componente fenomenol\u00f3gico din\u00e2mico. De acordo com esta teoria, o cuidar \u00e9 um termo de enfermagem que representa os factores que os enfermeiros usam na presta\u00e7\u00e3o de cuidados a diversos doentes. A pessoa que cuida entende os sentimentos do outro e reconhece a sua singularidade<sup>(8)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Alicerces do Cuidar em Enfermagem<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O conceito de pessoa tem a sua origem etimol\u00f3gica em persona, que se refere \u00e0 m\u00e1scara teatral usada na trag\u00e9dia grega para ampliar a voz dos actores, passando a designar a pr\u00f3pria personagem. Neste sentido Nunes et al.<sup>(9)<\/sup> (2005:142) citam Silva, ao definir pessoa como sendo \u201co sujeito, o protagonista da ac\u00e7\u00e3o que pressup\u00f5e a trama de reac\u00e7\u00f5es intersubjectivas no interior da sociedade e est\u00e1 na base do conceito de pessoa social\/jur\u00eddica, enquanto pertencente a uma comunidade com direitos e deveres\u201d. Relativamente ao conceito de pessoa, Kant, no final do s\u00e9culo XIX, considerava que cada ser humano \u00e9 um fim em si mesmo e nunca um meio ou instrumento de outra vontade. O que caracteriza a pessoa e o que a dota de dignidade especial \u00e9 ser um fim em si mesmo, \u00fanico e insubstitu\u00edvel, tendo em conta a rela\u00e7\u00e3o e a inter-rela\u00e7\u00e3o como sendo conceitos constitutivos da din\u00e2mica do ser humano. A pessoa caracteriza-se pela racionalidade (consci\u00eancia racional) e pela liberdade (livre vontade).<\/p>\n<p align=\"justify\">O ser humano, como sujeito moral, \u00e9 possuidor de uma dignidade absoluta. A rela\u00e7\u00e3o entre o cuidador e quem recebe os cuidados estabelece-se por princ\u00edpios e valores, em que a dignidade humana \u201c\u00e9 o verdadeiro pilar do qual decorrem os outros princ\u00edpios e que tem de estar presente de forma inequ\u00edvoca em todas as interven\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es\u201d (idem:61). De acordo com Savater referenciado por Nunes et al.<sup>(9)<\/sup>, a dignidade humana implica a inviolabilidade de cada pessoa, isto \u00e9, o reconhecimento de que n\u00e3o pode ser utilizada ou sacrificada pelos outros, implica o reconhecimento de autonomia de cada um e o reconhecimento de que cada um deve ser socialmente tratado, n\u00e3o segundo factores aleat\u00f3rios (ra\u00e7a, etnia, sexo, entre outros), mas de acordo com a sua conduta. Por outro lado, implica a exig\u00eancia de solidariedade para com a infelicidade e o sofrimento dos outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">Utilizar o conceito de cuidar como um valor \u00e9\u00a0situ\u00e1-lo no plano do desej\u00e1vel. O valor \u00e9\u00a0aquilo a que se atribui import\u00e2ncia, \u00e9 algo de que n\u00e3o se quer separar ou algo de que se tende a aproximar<sup>(6)<\/sup>. Chama-se valor ou valores a um conjunto de termos que significam entidades abstractas, ou seja, que n\u00e3o s\u00e3o objectos. S\u00e3o exemplo: a paz, a justi\u00e7a, a solidariedade, felicidade, bem, liberdade. Os valores podem ser mais abstractos e consequentemente absolutos ou podem ser mais concretos, encarados como relativos<sup>(10)<\/sup>. A hierarquiza\u00e7\u00e3o de valores foi estudada por alguns autores (como \u00e9 exemplo Max Scheller) que propuseram escalas de import\u00e2ncia crescente para a sociedade e para as pessoas. Os valores s\u00e3o \u201ccrit\u00e9rios segundo os quais valorizamos ou desvalorizamos as coisas e expressam-se nas raz\u00f5es que justificam ou motivam as nossas ac\u00e7\u00f5es, tornando-as prefer\u00edveis a outras (\u2026) s\u00e3o conceitos que traduzem as nossas prefer\u00eancias\u201d<sup>(9) <\/sup>(2005:62).<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1\u00a0 valores tidos como universais numa perspectiva do cuidar, tais como:<\/p>\n<ul>\n<li>a igualdade, em que todos nascem iguais em direitos e em dignidade, da\u00ed a premissa cuidar de todos sem distin\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>a liberdade respons\u00e1vel, em que a responsabilidade \u00e9 uma das no\u00e7\u00f5es \u00e9ticas fundamentais e \u00e9 correlativa da liberdade, na medida em que s\u00f3 se \u00e9 respons\u00e1vel pelas ac\u00e7\u00f5es que se escolheu voluntariamente realizar e onde a liberdade est\u00e1 intimamente ligada com a autenticidade, isto \u00e9, viver de acordo consigo mesmo e de acordo com os seus princ\u00edpios;<\/li>\n<li>a verdade, isto \u00e9, refer\u00eancia \u00e0s coisas tal como elas s\u00e3o, correspondendo \u00e0 realidade tal como ela \u00e9 vivida pelo ser humano e manifesta-se na unidade do pensar, agir e ser;<\/li>\n<li>a justi\u00e7a, esta trata-se de dar a cada um o que lhe \u00e9 devido, na conformidade com o direito (legalidade) e sendo uma propor\u00e7\u00e3o (igualdade), trata-se da igualdade dos direitos quer sejam eles estabelecidos juridicamente ou moralmente exigidos;<\/li>\n<li>o altru\u00edsmo \u00e9 um outro valor a designar, que \u00e9 aquele que resulta da ac\u00e7\u00e3o realizada em fun\u00e7\u00e3o do interesse do outro, isto \u00e9, surge como valor do beneficio do outro em vez de si mesmo;<\/li>\n<li>a solidariedade, enquanto comunh\u00e3o de interesses, este \u00e9 um valor de perten\u00e7a a um conjunto que implica o respeito pelo outro, bem como a partilha de conhecimentos e saberes;<\/li>\n<li>a compet\u00eancia profissional, caracterizada por Leddy, citado por Nunes et al.<sup>(9)<\/sup> (2005:65) como \u201cju\u00edzo e ac\u00e7\u00e3o sensata em situa\u00e7\u00f5es complexas, \u00fanicas e incertas, com valores em conflito [\u2026] tamb\u00e9m requer conhecimento reflexivo para lidar com \u00e1reas que n\u00e3o se prestam a solu\u00e7\u00f5es comuns\u201d. Por outro lado, como caminho da constru\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, surge o aperfei\u00e7oamento profissional. A autoforma\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e o processo de avalia\u00e7\u00e3o de desempenho, constituem formas de operacionalizar e promover o desenvolvimento pessoal e profissional.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A profiss\u00e3o de enfermagem tem um mandato social, isto \u00e9, a sociedade espera alguma coisa dos enfermeiros. Desta forma, a enfermagem assume uma dimens\u00e3o moral, onde o respeito, o servi\u00e7o, a compet\u00eancia e a justi\u00e7a constituem virtudes institucionais. Oguisso<sup>(11)<\/sup> (2006:88) cita Peixoto ao afirmar que \u201co respeito que a sociedade ter\u00e1 ao enfermeiro s\u00f3 se justificar\u00e1 se, al\u00e9m de o sentir capaz, o souber respons\u00e1vel\u201d. Responsabilidade \u00e9 um termo com origem nas palavras latinas respondere e responsus, de responder ou ser respons\u00e1vel e significa responder pelos seus actos e\/ou de outras pessoas envolvidas na realiza\u00e7\u00e3o de um determinado acto. Se desse acto resultar dano f\u00edsico, moral ou patrimonial para algu\u00e9m, haver\u00e1 responsabilidade legal (civil, penal, \u00e9tico-profissional) dos envolvidos. A reflex\u00e3o sobre a responsabilidade e compet\u00eancia torna-se num instrumento orientador para a tomada de decis\u00f5es com base em normas legais e princ\u00edpios \u00e9tico-profissionais. Enquanto enfermeiro, com a miss\u00e3o de cuidar, assume a responsabilidade de agir de determinado modo, tendo a preocupa\u00e7\u00e3o da defesa da dignidade e liberdade da pessoa de quem cuida.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Autonomia, Privacidade e Confidencialidade<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Diante dos dilemas de natureza \u00e9tica que surgem no quotidiano das pr\u00e1ticas em sa\u00fade, os profissionais s\u00e3o solicitados a analisar as situa\u00e7\u00f5es concretas e a posicionar-se de acordo com princ\u00edpios e valores, dando respostas coerentes. A autonomia, a privacidade e a confidencialidade das informa\u00e7\u00f5es podem ser destacadas de entre os princ\u00edpios \u00e9ticos que norteiam as rela\u00e7\u00f5es humanas e o agir na \u00e1rea da sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">O termo autonomia adv\u00e9m do grego autos (pr\u00f3prio) e nomos (lei, regra, norma), referindo-se ao poder da pessoa de tomar decis\u00f5es que afectem a sua vida, a sua sa\u00fade e o seu bem-estar, de acordo com valores, cren\u00e7as, expectativas e prioridades, de forma livre e esclarecida, dentre as alternativas a ela apresentadas<sup>(12)<\/sup>. Para garantir a liberdade de consentir, o profissional de sa\u00fade tem de respeitar a autonomia do doente, reconhecendo-o com um sujeito e n\u00e3o como um objecto. O doente passa a ser um sujeito que discute e emite opini\u00f5es sobre o seu estado de sa\u00fade, tratamento e bem-estar. No entanto, nem sempre a decis\u00e3o que o doente toma \u00e9 a que o profissional de sa\u00fade tomaria, gerando dificuldade por parte deste em aceitar essa decis\u00e3o. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o justifica o desrespeito \u00e0 decis\u00e3o do doente, quando esta foi tomada de forma livre e esclarecida.<\/p>\n<p align=\"justify\">A autonomia concretiza-se mediante a formaliza\u00e7\u00e3o de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; este deve ser volunt\u00e1rio, consciente, sem coac\u00e7\u00e3o ou manipula\u00e7\u00e3o. Neste sentido, o consentimento esclarecido \u00e9 um acto resultante da decis\u00e3o volunt\u00e1ria, realizado por uma pessoa competente, ou seu representante legal, aceitando ou recusando a proposta de ac\u00e7\u00e3o que lhe afecte, ap\u00f3s o entendimento das informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias (idem).<\/p>\n<p align=\"justify\">Para que a ac\u00e7\u00e3o seja aut\u00f3noma s\u00e3o exigidos tr\u00eas requisitos: liberdade, isto \u00e9, ter possibilidade de escolha; compet\u00eancia, ou seja, ser capaz de entender e avaliar a informa\u00e7\u00e3o recebida sobre o procedimento que ir\u00e1 ser realizado; e esclarecimento, que significa ter todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para tomar uma decis\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1\u00a0ainda que fazer refer\u00eancia \u00e0s condi\u00e7\u00f5es limitantes da autonomia, tais como a ansiedade, o medo de saber, o desinteresse, a dificuldade ou incapacidade de compreens\u00e3o e at\u00e9 mesmo a excessiva confian\u00e7a nos profissionais de sa\u00fade, fazem com que os doentes n\u00e3o se importem ou n\u00e3o queiram ser informados, limitando a possibilidade de manifesta\u00e7\u00e3o da sua autonomia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quanto ao princ\u00edpio da privacidade, este adv\u00e9m do princ\u00edpio da autonomia. Etimologicamente, a palavra privacidade origina-se no adjectivo privatividade que significa o car\u00e1cter do que \u00e9 privativo, pr\u00f3prio de algu\u00e9m, s\u00f3 dele, n\u00e3o p\u00fablico, do foro \u00edntimo. Assim, cabe \u00e0 pessoa aut\u00f3noma decidir a quem e como deseja expor o seu corpo para procedimentos m\u00e9dicos ou informa\u00e7\u00f5es a respeito do seu estado de sa\u00fade (ibidem).<\/p>\n<p align=\"justify\">A confidencialidade relaciona-se com a garantia de que as informa\u00e7\u00f5es dadas n\u00e3o sejam reveladas sem a pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o das pessoas em quest\u00e3o. Se por um lado a privacidade das informa\u00e7\u00f5es \u00e9 um direito dos doentes, por outro a confidencialidade \u00e9 um dever dos profissionais relativamente \u00e0s informa\u00e7\u00f5es recolhidas no relacionamento de ambos. No trabalho em equipe, a troca de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 necess\u00e1ria, no entanto, deve ser limitada \u00e0quelas informa\u00e7\u00f5es que cada profissional precisa saber para poder exercer a sua actividade em beneficio do cuidado do doente<sup>(12)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">A preserva\u00e7\u00e3o da privacidade e confidencialidade encoraja a procura dos servi\u00e7os de sa\u00fade, onde as pessoas se sintam protegidas de poss\u00edveis abusos que agridam a sua dignidade. Por outro lado, a privacidade e a confidencialidade n\u00e3o s\u00e3o princ\u00edpios absolutos, apresentando \u201climites fundamentados na possibilidade de causar dano \u00e0 sa\u00fade ou \u00e0 seguran\u00e7a da colectividade ou de pessoas identific\u00e1veis, requerendo um balan\u00e7o entre interesses individuais e p\u00fablicos, entre riscos individuais e benef\u00edcios sociais\u201d (idem:147).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Humanizar a Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Humanizar a sa\u00fade \u00e9\u00a0necess\u00e1rio e urgente. O doente clama por uma maior humaniza\u00e7\u00e3o, solicitando n\u00e3o ser considerado como algo, mas como algu\u00e9m, respeitado na sua dignidade e liberdade. Desta forma, o profissional cuida a pessoa como pessoa, d\u00e1-lhe aten\u00e7\u00e3o e responde de forma positiva a toda a sua esperan\u00e7a, num encontro entre uma confian\u00e7a e uma compet\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Humanizar \u00e9\u00a0 \u201crefor\u00e7ar o clima humano, de inter-rela\u00e7\u00e3o confiante e confidencial, entre pessoa (utente, doente, familiar) e pessoa (profissional de sa\u00fade). Humanizar \u00e9 atender com cortesia, benevol\u00eancia e paci\u00eancia: \u00e9 ter compreens\u00e3o com quem se encontra angustiado, tenso, apavorado, (\u2026) \u00e9 informar com verdade e delicadeza, \u00e9 acolher com simpatia\u201d<sup>(13)<\/sup> (2004:62).<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Gafo<sup>(14)<\/sup> (1996:14), o que constitui o principal problema bio\u00e9tico \u00e9 \u201ccomo humanizar a rela\u00e7\u00e3o entre aquelas pessoas que t\u00eam conhecimentos m\u00e9dicos e o ser humano, fr\u00e1gil (\u2026), que vive o duro transe de uma doen\u00e7a que afecta profundamente a sua pessoa\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Falar de humaniza\u00e7\u00e3o em sa\u00fade sup\u00f5e a concretiza\u00e7\u00e3o feita a cinco n\u00edveis: humaniza\u00e7\u00e3o dos cuidados, s\u00f3 poss\u00edvel com a compet\u00eancia, a actualiza\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o constante; humaniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, que sup\u00f5e o culto das virtudes sociais da toler\u00e2ncia, respeito pela diferen\u00e7a, conviv\u00eancia amiga, di\u00e1logo sincero e fraterno e solidariedade efectiva; humaniza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os, que requer um ambiente limpo e agrad\u00e1vel que favore\u00e7a uma atitude positiva quer para o doente quer para o profissional; humaniza\u00e7\u00e3o dos equipamentos, que se querem proporcionais \u00e0s necessidades espec\u00edficas dos tratamentos; e por \u00faltimo, a humaniza\u00e7\u00e3o das estruturas, suficientemente respeitadoras das pessoas que nelas interv\u00eam<sup>(15)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">A humaniza\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0da responsabilidade de todos os que exercem a sua profiss\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e \u00e9\u00a0tamb\u00e9m responsabilidade dos pr\u00f3prios doentes, na forma como se relacionam com os profissionais e com os outros doentes. A humaniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 no dar e receber. Em sa\u00fade, \u201cser realizado e feliz est\u00e1 muito pr\u00f3ximo do cuidar e fazer felizes os outros\u201d (idem:126).<\/p>\n<p align=\"justify\">Como regra de ouro, surge o enunciado: n\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti, reformulado pela positiva no ensinamento de Cristo: em tudo proceder\u00e1s com os outros como queres que procedam contigo<sup>(16)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A rela\u00e7\u00e3o com o doente \u201c\u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre pessoas totalmente inserida no universo \u00e9tico\u201d<sup>(17)<\/sup> (1998:31).<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u201cA \u00e9tica no exerc\u00edcio de uma profiss\u00e3o deve iniciar-se bem antes da pr\u00e1tica, porque imp\u00f5e princ\u00edpios, valores e cren\u00e7as pessoais. No entanto, os valores universais (a pessoa como um valor em si, a dignidade humana, a liberdade, a igualdade e a fraternidade) observados na rela\u00e7\u00e3o profissional s\u00f3 ter\u00e3o na pr\u00e1tica a express\u00e3o correspondente se forem conhecidos e compreendidos, e, mais do que isso, incorporados pelos profissionais no seu universo de saberes\u201d<sup> (2)<\/sup> (2006:66).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Os profissionais de sa\u00fade, para al\u00e9m de dominarem conhecimentos, t\u00e9cnicas e habilidades, devem ter compaix\u00e3o para compreender como o doente vivencia o processo de doen\u00e7a, n\u00e3o descurando os seus valores e cren\u00e7as. Colland \u00e9 citado por Hesbeen<sup>(6)<\/sup> (2000:105) ao anotar que compadecer-se \u00e9 \u201cdeixar-se habitar pelas ang\u00fastias e pelas dores de quem sofre, \u00e9 estar ali, escutar, receber os gritos de revolta e de dor. A compaix\u00e3o \u00e9 de uma total inefic\u00e1cia t\u00e9cnica mas de um infinito valor humano\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m de serem compassivos existem tamb\u00e9m outras virtudes indispens\u00e1veis aos profissionais de sa\u00fade, tais como, honestidade, fidelidade, coragem, temperan\u00e7a, justi\u00e7a, sabedoria, prud\u00eancia, entre outras. Dos profissionais virtuosos espera-se que coloquem o bem do doente acima do seu ou da institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade em que se inserem<sup>(2)<\/sup>. Virtude surge como tradu\u00e7\u00e3o do termo grego &lt;I&gt;aret\u00e9&lt;I&gt; que significa qualquer forma de excel\u00eancia. Zoboli<sup>(3)<\/sup> faz refer\u00eancia a Drane ao considerar a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade como pr\u00e1tica virtuosa. A sa\u00fade implica em uma responsabilidade colectiva, do governo, da sociedade e de todos, actuando de forma solid\u00e1ria<sup>(18)<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, n\u00e3o conv\u00e9m esquecer que aquele que sai de si mesmo e se volta para o outro, se descuide a si pr\u00f3prio, at\u00e9 porque ningu\u00e9m d\u00e1 o que n\u00e3o possui. Frei Bernardo<sup>(19)<\/sup> (1988:239) refere que \u201cas pessoas, agentes, da humaniza\u00e7\u00e3o, devem humanizar-se a si mesmas, fazendo desabrochar as virtualidades pessoais e assimilando os valores humanos universais que tornam a pessoa adulta, auto e hetero-avaliativa, aberta, dispon\u00edvel, acolhedora e conscientemente participativa\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O compromisso do cuidado mobiliza o cuidador no sentido de uma responsabiliza\u00e7\u00e3o para com a promo\u00e7\u00e3o da pessoa, respeitando e promovendo a sua autonomia, cidadania, dignidade e sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cE a maioria de n\u00f3s tem este desejo: que os outros ajam em nosso beneficio n\u00e3o simplesmente pelo senso de dever, mas porque n\u00f3s realmente somos importantes para eles\u201d<sup>(20)<\/sup> (2005:118).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Petit, Corinne, \u00abCuidar neste Mundo: uma Exig\u00eancia da Humanidade\u00bb,\u00a0in Hesbeen, Walter, dir., Cuidar neste Mundo, Loures, Lusoci\u00eancia \u2013 Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas e Cient\u00edficas, 2004.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Schirmer, Janine, \u00ab\u00c9tica Profissional\u00bb, in Taka Oguisso, e Elma Zoboli, orgs., \u00c9tica e Bio\u00e9tica: Desafios para a Enfermagem e a Sa\u00fade, S\u00e3o Paulo, Editora Manole, S\u00e9rie Enfermagem, 2006.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Zoboli, Elma, \u00abBio\u00e9tica: G\u00e9nese, Conceitua\u00e7\u00e3o e Enfoques\u00bb,\u00a0in Oguisso, Taka, e Zoboli, Elma, orgs., \u00c9tica e Bio\u00e9tica: Desafios para a Enfermagem e a Sa\u00fade, S\u00e3o Paulo, Editora Manole, S\u00e9rie Enfermagem, 2006.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Hesbeen, Walter, Cuidar neste Mundo, Loures, Lusoci\u00eancia \u2013 Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas e Cient\u00edficas, 2004.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Gueibe, Raymond, \u00abO Sofrimento: uma Hist\u00f3ria na Vida de quem Cuida e de quem \u00e9\u00a0 Cuidado\u00bb,\u00a0in Hesbeen, Walter, dir., Cuidar neste Mundo, Loures, Lusoci\u00eancia \u2013 Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas e Cient\u00edficas, 2004.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Hesbeen, Walter, Cuidar no Hospital \u2013 Enquadrar os Cuidados de Enfermagem numa Perspectiva de Cuidar, Loures, Lusoci\u00eancia \u2013 Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas e Cient\u00edficas, 2000.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Taylor, Susan G., \u00abTeoria do D\u00e9fice de Auto-Cuidado de Enfermagem\u00bb,\u00a0in Tomey, Ann Marrner, e Alligood, Martha Raile, Te\u00f3ricas de Enfermagem e a Sua Obra (Modelos Teorias de Enfermagem), 5.\u00aa, Loures, Lusoci\u00eancia \u2013 Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas e Cient\u00edficas, 2004.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Neil, Ruth M., \u00abFilosofia e Ci\u00eancia do Cuidar\u00bb,\u00a0in Tomey, Ann Marrner, e Alligood, Martha Raile, Te\u00f3ricas de Enfermagem e a Sua Obra (Modelos Teorias de Enfermagem), 5.\u00aa ed., Loures, Lusoci\u00eancia \u2013 Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas e Cient\u00edficas, 2004.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Nunes, Luc\u00edlia, et al., C\u00f3digo Deontol\u00f3gico do Enfermeiro: dos Coment\u00e1rios \u00e0 An\u00e1lise de Casos, Lisboa, Ordem dos Enfermeiros, 2005.<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>Valc\u00e1rcel, Am\u00e9lia, \u00abValor\u00bb, in Cortina, Adela, dir., 10 Palavras Chave em \u00c9tica, Coimbra, G. 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