{"id":1454,"date":"2011-03-08T23:39:41","date_gmt":"2011-03-08T23:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/emigrar-para-o-reino-unido\/"},"modified":"2021-05-04T09:02:16","modified_gmt":"2021-05-04T09:02:16","slug":"emigrar-para-o-reino-unido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/emigrar-para-o-reino-unido\/","title":{"rendered":"Emigrar para o Reino Unido"},"content":{"rendered":"<p>Testemunhos na primeira pessoa de colegas que decidiram emigrar para o Reino Unido<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ism\u00e1lia de Sousa<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Londres<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Est\u00e1vamos em Setembro de 2009. Depois de tr\u00eas meses de f\u00e9rias, a segunda \u201ccorrida \u00e0s capelinhas\u201d (sendo que a primeira \u00e9 aquela no dia que se segue \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos Enfermeiros). Naquela altura j\u00e1 mais nada restava a fazer sen\u00e3o esperar, esperar que as mil e uma \u201cfichinhas\u201d preenchidas dessem fruto ou, ent\u00e3o, que aquele algu\u00e9m que conhecemos num determinado hospital fizesse o \u201cjeitinho\u201d. A \u201ccunha\u201d sempre foi a maior ag\u00eancia de recrutamento nacional e o momento j\u00e1 era de crise!<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1448\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled.jpg\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"166\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Durante as f\u00e9rias enviei o curr\u00edculo para uma ag\u00eancia com sede na Finl\u00e2ndia que estava a recrutar enfermeiros para trabalhar em alguns hospitais de Londres. Duas entrevistas por telefone e, depois de uma promessa telef\u00f3nica de poss\u00edvel emprego, a empresa, curiosamente, nunca mais disse nada! A uma outra ag\u00eancia em Lisboa que estava a recrutar enfermeiros portugueses para o Reino Unido, enviei o curr\u00edculo em ingl\u00eas e fui \u00e0 entrevista. Fui seleccionada pela empresa, mas tudo ficou em \u00e1guas de bacalhau. At\u00e9 ao dia de hoje podia continuar \u00e0 espera\u2026<\/p>\n<p align=\"justify\">Num destes dias de f\u00e9rias como desempregada e sem direito a \u201cNovas Oportunidades\u201d, depois de ter interiorizado o quanto estava dif\u00edcil arranjar um emprego como Enfermeira em Portugal descobri, no Googl,e o site do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade Brit\u00e2nico, o NHS, e resolvi inscrever-me. O site permitia algo fant\u00e1stico: no aconchego do lar, com um simples clic, enviar curr\u00edculos para os diversos hospitais que estavam a recrutar enfermeiros. Recebi tantos N\u00e3os que lhes perdi a conta, mas fui persistente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na primeira vez que visitei Londres, apaixonei-me por esta cidade. Estava no princ\u00edpio da minha adolesc\u00eancia quando o meu irm\u00e3o veio para c\u00e1 viver e, para al\u00e9m dele, sempre houve algo mais que me ligava a esta cidade. Na Faculdade, candidatei-me ao Programa ERASMUS. Fui para Hels\u00ednquia, na Finl\u00e2ndia, durante 3 meses e experienciei a cultura n\u00f3rdica. O facto de ser filha do ERASMUS abriu-me, ainda mais o meu horizonte.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entretanto, em Setembro ofereceram-me emprego no meu \u00faltimo local de Ensino Cl\u00ednico. Comecei a pensar seriamente na minha carreira enquanto enfermeira e, irreversivelmente, no sal\u00e1rio. Recusei a oferta. Em finais de Setembro, num dos meus dias de desemprego\/f\u00e9rias recebo um e-mail do site do NHS a dizer que tinha sido seleccionada para uma entrevista no King\u2019s College Hospital, para um servi\u00e7o de Medicina. Depois, seguiu-se a do Imperial College Healthcare NHS Trust e a do Royal Bromptom Hospital. No final de Outubro de 2009 de tr\u00eas entrevistas, tinha sido aceite em duas delas. A minha escolha? O Imperial, onde iria abrir um dos 8 servi\u00e7os de doentes agudos com AVC.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando voltei a Portugal tinha um emprego que me oferecia melhores oportunidades de carreira. Tinha um melhor sal\u00e1rio e, talvez este meu emprego n\u00e3o me iria deixar com aquele sentimento de estagna\u00e7\u00e3o no tempo que eu tinha medo de sentir se trabalhasse em Portugal. A rotina do dia-a-dia, sem mudan\u00e7as, sem forma\u00e7\u00f5es em servi\u00e7o, a subordina\u00e7\u00e3o ao Sr. Doutor, o n\u00e3o reconhecimento do enfermeiro como sujeito imprescind\u00edvel na equipa multidisciplinar, a presta\u00e7\u00e3o de cuidados que em nada reflectiam os meus quatro anos de aprendizagem devido ao r\u00e1cio enfermeiro-doente.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o acredito que tenha havido um dia, um momento em que tomei uma decis\u00e3o. Acho que a fui tomando com o desenrolar do tempo. Acho que me fui preparando para uma eventual sa\u00edda da zona de conforto. N\u00e3o digo que seja f\u00e1cil. \u00c9 dif\u00edcil! \u00c9 dif\u00edcil abdicar daquilo a que j\u00e1 estamos habituados N\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o que se tome de um dia para o outro. \u00c9 preciso ter coragem, q.b de loucura e ser-se inteligente o suficiente para se perceber que este n\u00e3o \u00e9 o nosso pa\u00eds e que, no meio de tantos, h\u00e1 dois caminhos poss\u00edveis: ser-se mais um no meio de muitos ou um no meio de muitos!<\/p>\n<p align=\"justify\">Posso dizer que n\u00e3o tive uma integra\u00e7\u00e3o \u00e0 vida profissional como pensava que ia ter. Turnos sem doentes, atr\u00e1s de um colega que j\u00e1 trabalha no servi\u00e7o h\u00e1 mais tempo? N\u00e3o soube o que era isso! Escolhi um servi\u00e7o que estava a abrir, disse onde queria os monitores card\u00edacos, escolhi o local onde iria ser guardada a medica\u00e7\u00e3o, como iria ser armazenada, onde iriam ficar as m\u00e1scaras de Oxig\u00e9nio, os cateteres de aspira\u00e7\u00e3o, e por a\u00ed fora. No meu primeiro dia de trabalho, fui deixada \u00e0 solta, com doentes para cuidar. Lan\u00e7aram-me aos lobos e esperaram que eu me desenrascasse. Para al\u00e9m de prestar cuidados ainda tinha de estar, ao mesmo tempo, a perceber toda a papelada. Termos t\u00e9cnicos, que n\u00e3o tinha estudado, nomes de medicamentos que eram diferentes, folhas de registo que nunca tinha visto na vida. Numa palavra: o p\u00e2nico. O meu primeiro doente morreu na v\u00e9spera de Natal e a partir do dia de Natal, passado a trabalhar, o servi\u00e7o tornou-se tamb\u00e9m meu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de nunca, em momento algum ter posto a hip\u00f3tese de regressar a Portugal, como muitos dos meus novos colegas acharam que eu iria fazer, como acredito que muitos seriam capazes de fazer se tivessem na mesma situa\u00e7\u00e3o que eu, acho que lhes mostrei que sou uma sobrevivente e que n\u00e3o desisto t\u00e3o facilmente. A minha convic\u00e7\u00e3o, o meu desejo em aprender, a minha capacidade de superar os obst\u00e1culos, ali\u00e1s, de dar cabo deles deu frutos. A chefe de equipa com que fiquei na minha primeira semana e que me disse, por outras palavras, que eu n\u00e3o era boa enfermeira, agora diz-me que fa\u00e7o um \u00f3ptimo trabalho e que agiu como agiu comigo no princ\u00edpio por achar que era parecida como ela\u2026 Whatever! E, quanto \u00e0s enfermeiras que come\u00e7aram depois de mim, integrei algumas, eu, a rec\u00e9m-licenciada que veio de Portugal e que, talvez, no meio de todas as minhas outras colegas era a que sabia menos. Hoje \u00e9 diferente, at\u00e9 porque j\u00e1 me pedem conselhos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Passou um ano desde a minha mudan\u00e7a de vida, desde que sa\u00ed\u00a0da minha zona de conforto e me mudei para Londres. Arrisquei e vim para aqui. Depois de j\u00e1\u00a0ter voltado a Portugal, n\u00e3o me arrependo da decis\u00e3o que tomei. Acho que nunca me vou arrepender. Perguntam muitas vezes se penso em voltar e n\u00e3o sei responder. Nunca sabemos o dia de Amanh\u00e3, mas sinto que a minha miss\u00e3o neste pa\u00eds e no servi\u00e7o onde trabalho ainda n\u00e3o acabou. E, para al\u00e9m disso, h\u00e1 muito de encanto nas terras de Sua Majestade!<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p><strong>Diana Bernardino<\/strong><\/p>\n<p>Norwich<\/p>\n<p align=\"justify\">A minha hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 de aventura, mas sim de sobreviv\u00eancia e de realiza\u00e7\u00e3o, talvez uma hist\u00f3ria com a qual muitos dos colegas se identifiquem. Em Julho de 2009 completei a minha licenciatura em enfermagem, como muitos de voc\u00eas, e estava preparada para entrar no mundo do trabalho, como muitos de voc\u00eas. O monte de CVs e envelopes no banco do passageiro do carro e l\u00e1 fui eu em procura de emprego. O entusiasmo era muito no inicio, mas depressa esmoreceu. Quatro longos meses passados e nada. Todos os dias (varias vezes por dia) ia verificar se havia novas propostas no f\u00f3rum, e nada. Ate que um dia uma colega de faculdade, (numa daquelas conversas de \u201cj\u00e1 tiveste alguma resposta?\u201d) atirou para o ar: \u201ce que tal tentarmos Reino Unido?\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">E tentamos. No f\u00f3rum havia imensos an\u00fancios de emprego para o estrangeiro, escolhemos um, e entramos em contacto com uma ag\u00eancia (HCL). Em espa\u00e7o de dias entraram em contacto comigo, traduzi o CV com a ajuda do Google Translate, e esperei fervorosamente por uma resposta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi uma experiencia surreal. Depois de v\u00e1rias entrevistas por telefone, em ingl\u00eas, no espa\u00e7o de duas semanas estava a voar para Londres para uma entrevista de emprego, que devo dizer que n\u00e3o correu muito bem. Aprendi a minha custa que ser sincero numa entrevista n\u00e3o funciona, facto em que muito inocentemente eu acreditava. Felizmente tive uma segunda oportunidade, que correu bem. Ofereceram-me um emprego, que eu aceitei de bom grado. Custou deixar a fam\u00edlia e o namorado em Portugal, mas a minha realiza\u00e7\u00e3o profissional e sanidade mental estavam primeiro na minha lista de prioridades.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tive sorte quando vim para Norwich, \u00e9ramos um grupo de 8 enfermeiras, e tivemos muito apoio da parte do hospital. Acompanharam-nos em tudo, desde abrir conta banc\u00e1ria, registo no centro de sa\u00fade, acomoda\u00e7\u00e3o, e ate tivemos direito a uma volta pela cidade. No inicio tivemos tamb\u00e9m duas semanas de introdu\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o em ambiente hospitalar e sess\u00f5es para revermos politicas do hospital, estrutura dos cuidados de sa\u00fade do pais, etc. No aspecto financeiro, o hospital ajudou-nos, e no inicio havia a hip\u00f3tese de pedir um avan\u00e7o, para ajudar em despesas relativas a acomoda\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1449\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/norwich.jpg\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"289\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Posso com orgulho dizer que trabalho h\u00e1 um ano no Norfolk and Norwich University Hospital como Recovery Nurse, adoro o meu trabalho e mesmo se pudesse, n\u00e3o voltava atr\u00e1s com a minha decis\u00e3o. O grupo de enfermeiros portugueses no NNUH j\u00e1 cresceu, e somos agora perto de 20. Apenas um de nos voltou para Portugal, e v\u00e1rios colegas trouxeram os respectivos parceiros para c\u00e1. A lguns aspectos s\u00e3o mais dif\u00edceis de ultrapassar, como a chuva e a dist\u00e2ncia, mas o facto de termos cerca de 7 semanas de f\u00e9rias durante o ano ajuda, e torna-se relativamente f\u00e1cil voltar a Portugal e matar as saudades.<\/p>\n<p align=\"justify\">Trabalhar no UK \u00e9 uma experiencia fant\u00e1stica, multicultural, quer queiram uma vida sossegada num s\u00edtio calmo como em Norwich, ou uma vida mais agitada e glamorosa num s\u00edtio fant\u00e1stico como Londres. Recomendo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p><strong>Ana Valinho<\/strong><\/p>\n<p>Norwich<\/p>\n<p align=\"left\">\n<p align=\"justify\">Vamos por completamente de parte as labels, shall we? N\u00e3o progredi na vida, aventurando-me numa grande mudan\u00e7a, para ter uma label como emigrante, que mais me faz lembrar as paletes de portugueses em Fran\u00e7a que anualmente desde h\u00e1 uns 30 anos v\u00e3o a Portugal esbanjar o muito dinheiro que ganham, ricos eles! Vamos esquecer os tantos coment\u00e1rios, mitos, testemunhos que toda a gente ouve e se fascina ou se choca. E tudo precipitadamente leva \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de ideias feitas, que n\u00e3o s\u00e3o minhas nem tuas, s\u00e3o s\u00f3 a experi\u00eancia de algu\u00e9m.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1450\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/image001.png\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"279\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Portanto, isto \u00e9 s\u00f3 o que se passou comigo, e continua a ser t\u00e3o bom que espero que mais pessoas tenham tanta ou mais sorte e ousadia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A decis\u00e3o de querer viajar \u00e9 t\u00e3o remota como a de vir a ser enfermeira. N\u00e3o vim para fora do meu pa\u00eds pelos problemas de empregabilidade, as degradantes condi\u00e7\u00f5es de trabalho, ou a n\u00e3o-perspectiva de progress\u00e3o na carreira. Sei o que \u00e9 lutar pelos direitos dos estudantes de enfermagem e pelos direitos na profiss\u00e3o. Passei 4 anos a faz\u00ea-lo. Simplesmente queria trabalhar l\u00e1 fora.<\/p>\n<p align=\"justify\">No dia seguinte a entusiasmadamente recebermos o diploma em Julho\/2009, Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Lisboa, desatei a enviar CV\u2019s e o diploma digitalizado por mail, para diversas ag\u00eancias de recrutamento para Londres\/Inglaterra. Atra\u00eda-me outros pa\u00edses como a Su\u00e9cia, onde fiz Erasmus, contudo convinha ter um sueco fluente quando s\u00f3 tenho o b\u00e1sico. Pela l\u00edngua e pela consci\u00eancia de que o National Health Service (NHS, o SNS ingl\u00eas) prima, pelo menos, pela justi\u00e7a perante o empregado, pela garantia de progress\u00e3o de carreira, pelos esfor\u00e7os concretos de melhoria e por ter dinheiro, optei por Inglaterra. Londres porque \u00e9 a NY da Europa!<\/p>\n<p align=\"justify\">Tratei o mais rapidamente da papelada para a Nursing and Midwifery Council (NMC, a OE inglesa), decidi faze-lo autonomamente, sem o envolvimento de nenhuma ag\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entrevistas por telefone quase me levaram a um dos maiores hospitais p\u00fablicos de London, onde come\u00e7aria em Setembro desse ano, quando a ProfCo cancela a 3\u00aa e ultima entrevista porque o hospital entretanto optou por colocar enfermeiros ingleses. Fine. Next! Iniciei processos com a Best Personnel, Kate Cowhig International, etc. e n\u00e3o tive sorte pois as propostas que iam surgindo ou n\u00e3o me interessavam ou simplesmente n\u00e3o estavam a andar para a frente, ou n\u00e3o me suscitavam confian\u00e7a, e eu, incansavelmente, a insistir. Pediam de tudo, documenta\u00e7\u00e3o oficial e tamb\u00e9m outros como descri\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias adquiridas em cada est\u00e1gio do curso.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 uma raz\u00e3o para tudo. Nessa \u00e9poca despoletava a Gripe A, acabei por entrar para a Linha Sa\u00fade 24 e ter uma experi\u00eancia de enfermagem curiosamente interessante, numa equipa pr\u00f3-activa que tanto fez, e faz, pelo SNS. O tempo ia passando, outras raz\u00f5es fundamentavam o facto de eu continuar em Lisboa, e n\u00e3o havia problema. A certa altura j\u00e1 sabia que haveria de ir, mais cedo, ou mais tarde, quando fosse devido. Apesar da underlying revolta, tranquilizou-me pensar assim. Ter a Sa\u00fade 24 como sustenta\u00e7\u00e3o ajudou claro. Estava a fazer 4 meses a trabalhar na central.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ligaram-me da HCL International a propor emprego no Norfolk and Norwich University Hospital (NNUH). A impress\u00e3o imediata de desagrado era \u00f3bvia, eu queria Londres. L\u00e1 me falaram das pequenas maravilhas de Norwich, mesmo como quem, legitimamente (sublinho!), vende o peixe, at\u00e9 que acabei por aceitar a entrevista (mal eu sabia que esse telefonema j\u00e1 era a primeira entrevista). Mais telefonemas subtis a entrevistar-me at\u00e9 \u00e0 marca\u00e7\u00e3o da entrevista ao vivo com a ag\u00eancia, os recursos humanos do hospital e algumas enfermeiras seniores que vinham a Portugal, mais precisamente ao Porto. Perguntas estrat\u00e9gicas, avalia\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas em simult\u00e2neo, teste escrito de ingl\u00eas, teste de drug calculation\u2026 Estava a acontecer. Agora Maria volta para Lisboa e depois ligamos-te a informar o resultado. Esperei dias. No \u00faltimo turno da Sa\u00fade 24 recebi O telefonema. O NNUH tem todo o prazer em oferecer-lhe emprego (!).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1451\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/image002.jpg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"342\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Tive 2 semanas para me orientar no tempo, espa\u00e7o e pessoa. Custa dizer at\u00e9 j\u00e1 \u00e0s pessoas que mais amamos e adoramos, claro que custa, mas \u00e9 uma mega aventura que a\u00ed vem! E a ambi\u00e7\u00e3o nesse momento, \u00e9 tudo.<\/p>\n<p align=\"justify\">You can have anything you want in your life, if you sacrifice everything else.<\/p>\n<p align=\"justify\">A adapta\u00e7\u00e3o foi deveras f\u00e1cil. Depende da personalidade da pessoa, principalmente. Depende do facto de se gostar do hospital\/servi\u00e7o. Depende de haver pessoas \u00e0 volta com quem podemos come\u00e7ar a confiar a nossa amizade e sentirmo-nos confortavelmente mais apoiados. Havia mais portugueses a come\u00e7ar comigo e mais outros que j\u00e1 c\u00e1 estavam e nos receberam, o que tornou tudo mais familiar.<\/p>\n<p align=\"justify\">O hospital foi impec\u00e1vel na integra\u00e7\u00e3o dos profissionais estrangeiros, j\u00e1 est\u00e1 treinado nesse processo. 2 dias depois a chegar \u00e0 cidade, tivemos a primeira reuni\u00e3o no hospital, onde cada um foi informado em que servi\u00e7o\/unidade iria trabalhar e assin\u00e1mos o contrato. 2 semanas de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 NHS e ao NNUH: interioriza\u00e7\u00e3o de muitos protocolos, regras, guidelines\u2026 seguindo-se o come\u00e7o de cada um no seu servi\u00e7o. N\u00e3o posso dizer que foi piece of cake, porque sinceramente n\u00e3o foi. Estou numa unidade muito busy dentro do departamento de urg\u00eancia e nem a minha experiencia de ambul\u00e2ncia e servi\u00e7o de urg\u00eancia em Portugal me valeu! Ajudou claro! Mas os desafios foram muitos. Genericamente, todos os meus colegas apoiaram, ora admirando a coragem de quem se aventura assim, ora mostrando alguma condescend\u00eancia perante uma mi\u00fada ousada demais. Leva tempo, e \u00e9 o tempo que mais ajuda. Digam o que disserem, facilita dominar o ingl\u00eas. Isto parece-me \u00f3bvio e decerto que trabalha num meio como o hospital compreende facilmente a imprescindibilidade de falar e compreender a l\u00edngua usada. Vejam o ER ou a Grey\u2019s Anatomy sem legendas avalia o quanto compreendes!<\/p>\n<p align=\"justify\">11 meses depois fa\u00e7o um balan\u00e7o altamente positivo. S\u00f3 c\u00e1 estou porque continuo cheia de entusiasmo, se n\u00e3o j\u00e1 teria mudado! Nada \u00e9 irrevers\u00edvel, portanto, mais vale arriscar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Agrade\u00e7o ao F\u00f3rum Enfermagem a oportunidade de poder partilhar este peda\u00e7o da minha vida em tamanha escala, esperando que seja \u00fatil aos enfermeiros e wanna be\u2019s que o leram.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Claudia Fernandes Soares<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Londres e Galiza\/Can\u00e1rias<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O meu nome \u00e9 Cl\u00e1udia Soares, tenho 26 anos sou enfermeira desde 2007 e neste momento trabalho no Royal Brompton Hospital, na unidade de cuidados intensivos, em Londres.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1452\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled11.png\" alt=\"\" width=\"353\" height=\"273\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled11.png 353w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled11-300x232.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 353px) 100vw, 353px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Toda a minha experiencia profissional \u00e9 no estrangeiro, primeiramente em Espanha e mais recentemente em Inglaterra. Considero que n\u00e3o seja uma decis\u00e3o f\u00e1cil, acabar o curso e decidir trabalhar para outro pa\u00eds, mas atendendo aos dias de hoje e as dificuldades que a nossa profiss\u00e3o atravessa, s\u00e3o poucas as alternativas que nos restam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Espanha, Inglaterra e Fran\u00e7a, s\u00e3o hoje as alternativas mais comuns para os enfermeiros portugueses. S\u00e3o pa\u00edses que nos proporcionam boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e desenvolvimento profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Da minha experiencia quer de Espanha quer de Inglaterra, posso dizer que os primeiros passos s\u00e3o muito semelhantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Primeiro de tudo procurar uma ag\u00eancia de emprego. No meu caso quando decidi vir trabalhar para Londres, entrei em contacto com a HCL international, atrav\u00e9s de um an\u00fancio postado no Forumenfermagem. A HCL ajudou-me e todo o processo, orientou-me em termos de documentos adquirir, na prepara\u00e7\u00e3o para a entrevista no Hospital, o que fez com que tudo fosse muito mais f\u00e1cil. Considero que ter uma entrevista de trabalho em Maio em Londres e em Agosto ter come\u00e7ado a trabalhar, tenha sido um tempo razo\u00e1vel de espera. Pelo que considerei de certa forma todo o processo muito simples.<\/p>\n<p align=\"justify\">A adapta\u00e7\u00e3o a Inglaterra foi um bocado dif\u00edcil, \u00e9 uma cultura muito diferente da nossa, \u00e9 uma cultura mais fria. Mesmo no que diz respeito ao trabalho considero bastante diferente, comparando com Espanha e com Portugal, o que a princ\u00edpio causa alguma ansiedade e preocupa\u00e7\u00e3o, especialmente por causa da barreira lingu\u00edstica. Mas tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo e de capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a novos ambientes. Como estou aqui relativamente h\u00e1 pouco tempo, n\u00e3o tenho ainda muita experiencia a relatar, uma vez que ainda sou uma turista nesta cidade, em fase de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1453\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled10.png\" alt=\"\" width=\"298\" height=\"220\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled10.png 298w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled10-80x60.png 80w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/untitled10-100x75.png 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A minha experiencia profissional em Espanha, pode ser dividida em duas partes, n\u00e3o propriamente cronol\u00f3gicas mas sim geogr\u00e1ficas, uma vez que a parte da minha experiencia foi obtida no norte de Espanha , e outra parte nas ilhas Can\u00e1rias. No que concerne ao Norte de Espanha, refiro-me mais propriamente a Santiago de Compostela e a Vigo. Em Santiago de Compostela foi onde inicie a minha actividade profissional e Vigo foi a ultima cidade de Espanha onde trabalhei. Considero que a \u00fanica vantagem de trabalhar na Galiza, \u00e9 \u00fanica e exclusivamente a proximidade geogr\u00e1fica com o norte de Portugal. Digo isto porque as condi\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o s\u00e3o propriamente as melhores e assemelham-se um pouco \u00e0 realidade portuguesa, principalmente em termos de horas de trabalho e sal\u00e1rios. No que diz respeito \u00e0s ilhas Can\u00e1rias, trabalhei em Tenerife, mais propriamente em Santa Cruz, num Hospital pertencente \u00e0 Ordem S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus. Devo dizer que \u00e9 uma parte de Espanha onde realmente vale a pena trabalhar, primeiro a cultura, o clima e toda a envolvente fazem com que a adapta\u00e7\u00e3o ao meio seja muito f\u00e1cil, e segundo as condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o boas e o n\u00edvel de vida \u00e9 consideravelmente barato. A barreira lingu\u00edstica praticamente n\u00e3o existe, ou pelo menos considero mais f\u00e1cil que em Inglaterra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Devo sublinhar que nos dias que correm conseguir trabalho em Espanha, \u00e9 mais dif\u00edcil que h\u00e1 quatro anos atr\u00e1s, uma vez que o mercado por assim dizer est\u00e1 mais saturado e o pa\u00eds tamb\u00e9m atravessa uma grave crise econ\u00f3mica. Pelo que tamb\u00e9m hoje em dia uma das maiores dificuldades em Espanha \u00e9 conseguir trabalho permanente no Sistema de Sa\u00fade Publico, uma vez que as vagas s\u00e3o mais limitadas, e os concursos obrigam a fazer um exame nacional para qualquer posto permanente.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que limita a que a maior parte do trabalho seja no sistema de sa\u00fade privado, considero atendendo \u00e0 realidade de Tenerife que as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o boas no sistema de sa\u00fade privado, mas n\u00e3o posso dizer o mesmo da Galiza, uma vez que considero as condi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Comparando Espanha e Inglaterra, na minha opini\u00e3o o que torna Inglaterra um mercado de trabalho mais atractivo \u00e9 a possibilidade de desenvolvimento profissional, \u00e9 a grande facilidade em conseguir trabalho principalmente para enfermeiros com alguma experiencia, e a possibilidade de progress\u00e3o na carreira dentro do sistema publico.<\/p>\n<p align=\"justify\">E algo que considero aplicar-se a qualquer migra\u00e7\u00e3o \u00e9 a experiencia pessoal que se pode turnar muito enriquecedora para aqueles que decidem dar o dif\u00edcil passo de sair do pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunhos na primeira pessoa de colegas que decidiram emigrar para o Reino Unido<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1447,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[393,392,200,744,745,206],"class_list":["post-1454","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pessoas-locais","tag-emigracao","tag-emigrar","tag-experiencia","tag-inglaterra","tag-reino-unido","tag-testemunho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1454"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2619,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1454\/revisions\/2619"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}