{"id":1446,"date":"2011-03-08T23:35:56","date_gmt":"2011-03-08T23:35:56","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-cuidar-de-enfermagem-ao-sistema-cliente-comunidade\/"},"modified":"2021-05-04T09:30:22","modified_gmt":"2021-05-04T09:30:22","slug":"o-cuidar-de-enfermagem-ao-sistema-cliente-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-cuidar-de-enfermagem-ao-sistema-cliente-comunidade\/","title":{"rendered":"O cuidar de enfermagem ao sistema cliente comunidade"},"content":{"rendered":"<p>Este artigo aborda a necessidade de cuidar da comunidade como um sistema aberto e em mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p>O cuidar de enfermagem ao sistema cliente comunidade<\/p>\n<p><em>Nursing n\u00ba263<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autoras:<\/strong><\/h4>\n<p>Cristina Rosa Jeremias. \u00a0 Professora Adjunta na ESEL<\/p>\n<p>Especialista em Sa\u00fade Infantil e Pedi\u00e1trica e Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade<\/p>\n<p>F\u00e1tima Moreira Rodrigues. \u00a0 Professora Adjunta na ESEL<\/p>\n<p>Especialista em Enfermagem de Sa\u00fade Comunit\u00e1ria e Mestre em Sa\u00fade P\u00fablica<\/p>\n<h4><strong>Resumo:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Trata-se de uma reflex\u00e3o sobre os paradigmas que norteiam a pr\u00e1tica de enfermagem em sistemas clientes agregados e geopol\u00edticos, tendo em conta a necessidade de mudan\u00e7a e de conceptualizar o cuidar numa constru\u00e7\u00e3o de formas integrativas da sa\u00fade, baseada no conhecimento transcultural e sustentada numa abordagem sist\u00e9mica.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Abstract:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">It is a reflection about the paradigms that orientate the nursing practice in the geopolitical and aggregate client systems, targeting the need of change and conception of care in a construction of the health integrate ways, based on the transcultural knowledge and sustained in a systemic approach.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Sa\u00fade da comunidade; abordagem sist\u00e9mica; mudan\u00e7a de paradigma do cuidar.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> Community&#8217;s health; approach systemic; care change paradigm.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Este artigo aborda a necessidade de cuidar da comunidade como um sistema aberto e em mudan\u00e7a. Tendo por base esta asser\u00e7\u00e3o, a enfermagem necessita de conceptualizar a sua pr\u00e1tica perspectivando as diferentes vari\u00e1veis que a comp\u00f5em, bem como as trocas energ\u00e9ticas que a comunidade estabelece com os sub sistemas organizacionais que a envolvem e apoiam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Herdamos um sistema de refer\u00eancia no qual as interac\u00e7\u00f5es dos profissionais com a comunidade traz resqu\u00edcios dos pressupostos do modelo biom\u00e9dico, no qual a abordagem com o cliente \u00e9 mesclada de autoritarismo de tipo parental e o paradigma de comunicacional tem o perfil perito\/leigo, que adopta os pressupostos de uma comunica\u00e7\u00e3o persuasiva e assim\u00e9trica, ao inv\u00e9s de um modelo de coopera\u00e7\u00e3o que tenha em conta as atitudes, os saberes, as cren\u00e7as e as expectativas do cliente. A concep\u00e7\u00e3o de cuidar baseada em modelos tradicionais leva a que a comunidade adopte com frequ\u00eancia atitudes passivas, dependentes e concordantes com as influ\u00eancias sociais de uma sub cultura tradicional, baseada na hierarquia das rela\u00e7\u00f5es entre os detentores do poder e do saber e os leigos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Actualmente a sa\u00fade n\u00e3o tem a ver apenas com a reconstru\u00e7\u00e3o de processos homeost\u00e1ticos, como defendiam os fil\u00f3sofos e os m\u00e9dicos da antiguidade, mas tamb\u00e9m com a din\u00e2mica de equil\u00edbrios e desequil\u00edbrios sucessivos (heterostasia) em que se pretende que o equil\u00edbrio seja restaurado (Nichols &amp; Gobble, 1990)<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">A interven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade nas comunidades deve orientar-se, cada vez mais, para capacitar as popula\u00e7\u00f5es a lidar com as fontes de stress, de modo a conseguirem restabelecer um novo equil\u00edbrio, saud\u00e1vel e cada vez mais complexo, com um m\u00ednimo de danos causado pela exposi\u00e7\u00e3o ao risco. O paradigma transformativo emergente na d\u00e9cada de 70 perspectiva os fen\u00f3menos como \u00fanicos mas em interac\u00e7\u00e3o com o que os rodeia. As mudan\u00e7as ocorrem por est\u00e1dios de organiza\u00e7\u00e3o\/desorganiza\u00e7\u00e3o, mas apontando sempre para n\u00edveis superiores (Newman, 1992)<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta perspectiva \u00e9\u00a0fundamental quando se fala de comportamentos, uma vez que nem sempre \u00e9\u00a0poss\u00edvel eliminar ou prevenir todo o tipo de riscos. Como \u00e9 quase imposs\u00edvel evitar o confronto das pessoas com for\u00e7as disruptivas do equil\u00edbrio, \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento de compet\u00eancias pessoais e sociais para um restabelecimento r\u00e1pido de novos equil\u00edbrios (Matos, 2004)<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">1. A mudan\u00e7a de paradigma para cuidar no s\u00e9culo XXI<\/p>\n<p align=\"justify\">A ci\u00eancia baseada num paradigma cartesiano\/newtoniano, postula a racionalidade, objectividade e quantifica\u00e7\u00e3o como forma de melhorar o conhecimento, em que o todo deve decompor-se em partes para melhor disseca\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na perspectiva cartesiana, o processo do conhecimento racional implicava uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es de decomposi\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno a conhecer, procurando reduzi-lo a componentes mais simples. O modelo prot\u00f3tipo do objecto de conhecimento, que se pretendia hegem\u00f3nico, nesse modo de produ\u00e7\u00e3o do saber era o &#8220;mecanismo aut\u00f3mato&#8221;, justificando assim o reconhecimento do mundo como essencialmente mecanicista (L\u00e9vy, 1987, apud Filho, 1997)<sup>4<\/sup>. Neste sentido, conhecer implicava uma etapa inicial de fragmenta\u00e7\u00e3o ou de destrui\u00e7\u00e3o do todo para ser transformado em objecto de conhecimento. Esta constru\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ocidentalizada gerou naturalmente uma crise na ci\u00eancia, na interpreta\u00e7\u00e3o dos fen\u00f3menos patol\u00f3gicos e no estudo da influ\u00eancia dos factores determinantes da sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A aten\u00e7\u00e3o dos profissionais centrava-se nas partes que comp\u00f5em os subsistemas esquadrinhando-os, fragmentando-os perdendo a ideia de unidade, integridade e de interac\u00e7\u00e3o dos sujeitos em constante troca energ\u00e9tica com os sistemas adjacentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A \u00eanfase dada aos processos de sa\u00fade doen\u00e7a reca\u00edam na estrutura biol\u00f3gica do indiv\u00edduo e nas altera\u00e7\u00f5es das trocas f\u00edsico-qu\u00edmicos sustentadas pelo modelo biom\u00e9dico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar dos esfor\u00e7os desenvolvidos no s\u00e9culo XX pela segunda revolu\u00e7\u00e3o Coperniciana, \u201c(\u2026) sendo a primeira uma revolu\u00e7\u00e3o do mundo exterior e a segunda, uma revolu\u00e7\u00e3o do mundo interior da consci\u00eancia humana\u201d, ainda n\u00e3o obtivemos a mudan\u00e7a desejada (Harman, 1991; apud Watson 2002, p. 10)<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa an\u00e1lise retrospectiva verific\u00e1mos que j\u00e1 no s\u00e9culo XIX o movimento de Medicina Social de 1849 chama a aten\u00e7\u00e3o para as determinantes sociais nos processos de sa\u00fade doen\u00e7a. Teixeira (1997)<sup>6<\/sup> refere que em 1926 o fil\u00f3sofo Jan Smuts define a teoria hol\u00edstica, como uma continuidade evolutiva entre mat\u00e9ria, vida e mente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na d\u00e9cada de trinta surgiu uma linha de pensamento, que se oponha \u00e0 tend\u00eancia fragmentadora vigente, defendida por Ludwing Von Bertallanfy, pioneiro da Teoria Geral dos Sistemas (T.G.S.).<\/p>\n<p align=\"justify\">A Medicina Comportamental descrita nos anos 70, do s\u00e9culo passado, por Schwartz &amp; Weiss e por Pomerleau &amp; Brady n\u00e3o s\u00f3 se afastou do modelo biom\u00e9dico como o confrontou. Na d\u00e9cada de 80 Engel desenvolve o modelo biopsicossocial da sa\u00fade e da doen\u00e7a e Matarazzo ensina-nos a distinguir a influ\u00eancia dos comportamentos patog\u00e9nicos, dos imunog\u00e9nicos na sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es (Ogdan, 1999)<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este novo paradigma emergente no final do s\u00e9culo XX contrap\u00f5e-se ao cartesiano, foca a totalidade do sistema, considerando que este s\u00f3\u00a0pode ser compreendido n\u00e3o por espartilhamento, mas pela rela\u00e7\u00e3o que se estabelece atrav\u00e9s de v\u00e1rios conceitos comuns, destacado, entre outros:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">a globalidade _ uma mudan\u00e7a numa parte afecta o todo;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">a n\u00e3o somatividade _ o sistema n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0apenas a soma das partes; \u00e9\u00a0mais que a soma dos componentes;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">a homeostase _ tend\u00eancia \u00e0 auto-regula\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m o sistema.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Outro ramo do conhecimento surge decorrente da T.G.S. \u00e9\u00a0a cibern\u00e9tica, entendida como a ci\u00eancia do controle e da comunica\u00e7\u00e3o, que estuda os processos de re-alimenta\u00e7\u00e3o, auto-regula\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o dos sistemas (Capra, 2000)<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>O desenvolvimento da Enfermagem Comunit\u00e1ria<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O processo evolutivo anteriormente descrito, \u00e9\u00a0relevante para a pr\u00e1tica da Enfermagem Comunit\u00e1ria uma vez que estes pressupostos s\u00e3o inerentes ao sistema como um todo e n\u00e3o se encontram nas partes que o formam. A cibern\u00e9tica desenvolveu os princ\u00edpios gerais relativos \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos sistemas que foram extrapolados para v\u00e1rios contextos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O pensamento sist\u00e9mico estrutura-se como \u201cuma am\u00e1lgama entre a Teoria Geral dos Sistemas e a Teoria Cibern\u00e9tica\u201d, (Souza &amp; Dallalana, 2004, p. 159)<sup>9<\/sup>. Desta fus\u00e3o surge como mais valia o reconhecimento dos fen\u00f3menos da contextualiza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, passa a considerar-se as interac\u00e7\u00f5es din\u00e2micas e significativas que as partes estabelecem com o sistema, sendo estes abertos \u00e0 permuta energ\u00e9tica com o ambiente que pode ser interno, externo ou recriado (Neuman, 1995)<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Isolar os fen\u00f3menos do seu contexto \u00e9, de certo modo, descaracteriz\u00e1-los, retir\u00e1-los das fontes que os alimentam, dos leitos que os drenam e das chuvas que os revitalizam.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Teoria Geral dos Sistemas (T.G.S.) pode ser aplicada a diversos fen\u00f3menos desde o sistema solar ao corpo humano (Leddy &amp; Pimenta, 1993)<sup>11<\/sup>. Tem como ideia central que cada sistema \u00e9 formado por sub sistemas e supra sistemas. Do mesmo modo a pessoa \u00e9 composta por sistemas menores tais como o aparelho circulat\u00f3rio, m\u00fasculo-esquel\u00e9tico, digestivo, etc., e estabelece trocas energ\u00e9ticas com os supra sistemas fam\u00edlia, amigos, colegas e servi\u00e7os comunit\u00e1rios, entre outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">A teoria sist\u00e9mica pode ser aplicada aos modelos dos cuidados de Enfermagem, compostos por diversos conceitos inter relacionados que d\u00e3o forma \u00e0 parte e ao todo, tendo por objectivo estudar as interac\u00e7\u00f5es entre eles.<\/p>\n<p align=\"justify\">A enfermeira que utiliza esta abordagem na sua pr\u00e1tica est\u00e1 atenta \u00e0 resposta do cliente face \u00e0s mudan\u00e7as internas e externas, porque este \u00e9 parte do sistema que ele pr\u00f3prio influencia e uma mudan\u00e7a no ambiente interno causa mudan\u00e7as no ambiente externo e vice-versa, (Leddy &amp; Pimenta, 1993)<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">2. A comunidade como cliente<\/p>\n<p align=\"justify\">O conceito de comunidade como cliente \u00e9\u00a0muito abrangente, o Conselho Internacional dos Enfermeiros (2005, p.171)<sup>12 <\/sup>na CIPE define-a como:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0 \u201cGrupo com caracter\u00edsticas espec\u00edficas: Um grupo de seres humanos vistos como uma unidade social ou um todo colectivo, composta por membros ligados pela partilha geogr\u00e1fica, de condi\u00e7\u00f5es, ou interesses comuns. A unidade social constitu\u00edda pela comunidade como um todo \u00e9 vista como algo para al\u00e9m dos indiv\u00edduos e da sua rela\u00e7\u00e3o de proximidade geogr\u00e1fica, partilha de condi\u00e7\u00f5es, ou interesses comuns que constituem as partes do grupo.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Considerando a perspectiva diferenciadora de Beddome (1995)<sup>13<\/sup>, a comunidade \u00e9 entendida sob dois focos de abordagem: o sistema cliente geopol\u00edtico ou o sistema cliente agregado. No primeiro a comunidade corresponde a um lugar, a uma \u00e1rea geogr\u00e1fica espec\u00edfica e delimitada, como os utentes do bairro, de uma aldeia, de uma freguesia ou concelho; no segundo referimo-nos a grupos de indiv\u00edduos associados por caracter\u00edsticas semelhantes ou experi\u00eancias comuns dentro de um sistema geopol\u00edtico, como os alunos de uma escola, os trabalhadores de uma empresa ou os utentes de um centro comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com os pressupostos do modelo te\u00f3rico de Neuman (1995, p. 46)<sup>10<\/sup> a Enfermagem \u201c(\u2026) \u00e9 a \u00fanica profiss\u00e3o interessada no modo como as diferentes vari\u00e1veis afectam os clientes no seu ambiente\u201d. Considerando que o sistema cliente \u00e9 constitu\u00eddo pelas vari\u00e1veis: fisiol\u00f3gica, psicol\u00f3gica, desenvolvimento, s\u00f3cio cultural e espiritual. Os stessores podem afectar o sistema de diferentes modos, \u201c(\u2026) por excesso, priva\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7a e intoler\u00e2ncia\u201d (Neuman, 1982, p. 84)<sup>14<\/sup>. Estes podem atingir em maior ou menor profundidade o sistema que \u00e9 constru\u00eddo por v\u00e1rios n\u00edveis, o &lt;I&gt;core&lt;I&gt;, as linhas de resist\u00eancia e as linhas de defesa, podendo as interven\u00e7\u00f5es de Enfermagem orientar-se no sentido de fortalecer o cliente, de reduzir os efeitos dos stressores ou de restaurar a estabilidade do sistema, (figura 1).<\/p>\n<p align=\"justify\">Este modelo conceptual \u00e9\u00a0adequado \u00e0 pr\u00e1tica da Enfermagem comunit\u00e1ria porque \u201c(\u2026) enfatiza uma abordagem da pr\u00e1tica hol\u00edstica na qual qualquer parte do sistema ou sub sistema pode organizar-se como um todo interrelacionado que idealmente funciona como um sistema total\u201d (Neuman, 1995, p. 410)<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">O sistema cliente agregado ou geopol\u00edtico articula-se com oito sub sistemas comunit\u00e1rios: pol\u00edtico jur\u00eddico, econ\u00f3mico, lazer e recreio, educativo, religioso, s\u00f3cio cultural, comunica\u00e7\u00e3o e transportes, sa\u00fade e seguran\u00e7a, (figura 2).<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com a teoria dos sistemas, um projecto de mudan\u00e7a dever\u00e1 contribuir para reduzir a tens\u00e3o que amea\u00e7a o relativo estado de equil\u00edbrio do sistema, sendo este tamb\u00e9m o objectivo final da ac\u00e7\u00e3o da Enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">A entrada de for\u00e7as estranhas no sistema \u00e9\u00a0interpretada e descodificada ocorrendo uma mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o inicial. O sistema ao ser atingido por um agente de stress, isto \u00e9, por uma for\u00e7a ou condi\u00e7\u00e3o capaz de causar instabilidade no sistema pela penetra\u00e7\u00e3o nas Linhas de Defesa, \u201cprovoca um aumento do potencial de energia e pode causar desequil\u00edbrio, crise, entropia ou matura\u00e7\u00e3o do sistema\u201d (Riehl. &amp; Roy, 1980, p. 160)<sup>15<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este output transforma-se numa nova situa\u00e7\u00e3o para o sistema cliente, quer este seja o indiv\u00edduo, a fam\u00edlia, o grupo, a comunidade ou uma organiza\u00e7\u00e3o. Os sistemas ficam diferentes do que eram antes da entrada de for\u00e7as estranhas. Este processo \u00e9 cont\u00ednuo e din\u00e2mico, porque os sistemas s\u00e3o abertos e est\u00e3o constantemente a responder \u00e0s trocas de energia com o inter e o extra sistema em mudan\u00e7a (Leddy &amp; Pimenta, 1993)<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">As mudan\u00e7as de comportamento dos membros de um grupo ser\u00e3o melhor compreendidos a partir de uma vis\u00e3o de causalidade circular do que linear. A causalidade linear \u00e9\u00a0definida como um evento (A) causa outro (B), sem que este tenha qualquer ac\u00e7\u00e3o sobre A. No modelo de causalidade circular, o evento B pode afectar o evento A. Neste caso, temos o evento A causando B, que refor\u00e7a A novamente, referem Wrigth, &amp; Leahey (2000)<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta compreens\u00e3o da circularidade foi prevista na teoria sist\u00e9mica, mas foi com a cibern\u00e9tica de primeira e de segunda ordem que o conceito foi aprofundado.<\/p>\n<p align=\"justify\">A elabora\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses compat\u00edveis com as cren\u00e7as, valores e percep\u00e7\u00f5es do grupo em rela\u00e7\u00e3o a uma dada situa\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0mais compat\u00edvel com a realidade e permite ao enfermeiro comunit\u00e1rio estruturar uma pr\u00e1tica enriquecedora baseada nas diferentes vari\u00e1veis que caracterizam aquela comunidade, abandonando pr\u00e1ticas estereotipadas e vis\u00f5es unilaterais e redutoras.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os enfermeiros, face a novos contextos de trabalho e \u00e0s mudan\u00e7as que ocorrem nos padr\u00f5es demogr\u00e1ficos e nos sistemas de Sa\u00fade redimensionam as suas pr\u00e1ticas e as rela\u00e7\u00f5es com os clientes, assumindo a responsabilidade pelo reequil\u00edbrio dos indiv\u00edduos e das colectividades, tendo por refer\u00eancia, entre outros, indicadores epidemiol\u00f3gicos, padr\u00f5es de qualidade e objectivos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A vis\u00e3o hol\u00edstica da sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es necessita de ser estudada como um fen\u00f3meno multidimensional. Teixeira (1996, p. 289)<sup>6<\/sup> recorda-nos que \u201cHolismo e sa\u00fade provocam uma aproxima\u00e7\u00e3o com as abordagens n\u00e3o ortodoxas da sa\u00fade. H\u00e1 que encontrar as pontes necess\u00e1rias para unir tais saberes. As diversas terapias e saberes reconhecem a interdepend\u00eancia fundamental das manifesta\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, f\u00edsicas, mentais e emocionais\u201d. Na busca de pontes ou de estruturas de aproxima\u00e7\u00e3o, emerge a holoepistemiologia para sustentar uma evolu\u00e7\u00e3o do saber, compat\u00edvel com a do ser. Onde se cria um espa\u00e7o para o subjectivo e para o transpessoal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em grupos mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o como obesos, hipertensos, diab\u00e9ticos, alco\u00f3latras, toxicodependentes, etc., \u00e9 necess\u00e1rio fazer previamente um diagn\u00f3stico correcto e exaustivo da situa\u00e7\u00e3o, tendo em conta n\u00e3o s\u00f3 os aspectos fisiol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos e espirituais, como e particularmente os s\u00f3cio culturais, as expectativas, as cren\u00e7as e as representa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade doen\u00e7a que t\u00eam cristalizadas sob um diagn\u00f3stico m\u00e9dico que os rotula e define como pessoas estigmatizadas por aquela condi\u00e7\u00e3o. Cada vez mais, \u00e9 necess\u00e1rio adaptar a ci\u00eancia ao social e a sociedade ao cient\u00edfico e \u00e0s descobertas que ela nos proporciona.<\/p>\n<p align=\"justify\">O enfermeiro que trabalha com e para a comunidade \u00e9\u00a0um mediador entre o saber baseado na evidencia cient\u00edfica e a passagem dessa sabedoria para a inser\u00e7\u00e3o no quotidiano da vida das pessoas de diferentes culturas. \u00c9 necess\u00e1rio, passar para uma interven\u00e7\u00e3o centrada na rela\u00e7\u00e3o do cliente com os cen\u00e1rios e actores relevantes do seu quotidiano, e investir na compet\u00eancia das pessoas para se tornarem agentes activos dessa interac\u00e7\u00e3o, capazes de identificar necessidades de mudan\u00e7a e de as produzir a n\u00edvel pessoal, interpessoal e comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA relativiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0 preven\u00e7\u00e3o (muitas vezes n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afastar os indiv\u00edduos do contacto com factores de risco) e o equil\u00edbrio entre estrat\u00e9gias preventivas e estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias pessoais e sociais que permitam aos indiv\u00edduos, em certos casos, o conv\u00edvio com factores de risco sem que se deixem prejudicar a n\u00edvel individual ou colectivo\u201d (Matos, 2004, p. 458)<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>S\u00edntese<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Na interac\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade com os parceiros comunit\u00e1rios e destes com as popula\u00e7\u00f5es, \u00e9\u00a0necess\u00e1rio abandonar modelos estereotipados e redutores. Estes novos, &#8220;operadores transdisciplinares da sa\u00fade\u201d, ser\u00e3o (ou s\u00e3o) promotores de mudan\u00e7as metodol\u00f3gicas, agentes transformadores e transformantes. \u201cA forma\u00e7\u00e3o desses agentes ser\u00e1 essencialmente \u00abanf\u00edbia\u00bb, com etapas sucessivas de treino _ socializa\u00e7\u00e3o_ encultura\u00e7\u00e3o em distintos campos cient\u00edficos\u201d (Filho, 1997, p. 16)<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aos enfermeiros colocam-se novos e multifacetados desafios para equilibrar ou melhorar a sa\u00fade e o bem-estar das comunidades. Ribeiro (1998)<sup>17<\/sup> refere, entre outros: aspectos de press\u00e3o social relacionados com o estilo de vida; as condi\u00e7\u00f5es de vida (pobreza, ignor\u00e2ncia, habita\u00e7\u00e3o, trabalho, stress laboral e familiar, migra\u00e7\u00e3o, isolamento, exclus\u00e3o social, ofertas a n\u00edvel de lazer, desigualdade no acesso aos servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade e de justi\u00e7a, qualidade do ar e do ambiente, agentes infecciosos, terrorismo nacional\/internacional); os estilos de vida relacionados com a sa\u00fade (bebida em excesso, consumo de drogas, alimenta\u00e7\u00e3o pouco cuidada, alimenta\u00e7\u00e3o excessiva ou fome, sedentarismo, recrea\u00e7\u00e3o, stress quotidiano, viol\u00eancia dom\u00e9stica e social sobre menores ou pessoas dependentes) e por fim as redes de apoio s\u00f3cio-cultural (fam\u00edlia, vizinhos, amigos, grupos na escola ou emprego, capital social, igreja, clubes, servi\u00e7os de sa\u00fade, apoio na doen\u00e7a e na incapacidade e desenvolvimento de compet\u00eancias pessoais e sociais).<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa perspectiva de cuidar transpessoal Crema (1989)<sup>18<\/sup> resumiu a aplica\u00e7\u00e3o dos pressupostos epistemol\u00f3gicos na seguinte f\u00f3rmula: VR= f (EC), significa que a Viv\u00eancia da Realidade (VR) est\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o (f) do Estado de Consci\u00eancia (EC) do grupo num dado momento da observa\u00e7\u00e3o e da interac\u00e7\u00e3o com os profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">O uso de um paradigma hol\u00edstico prop\u00f5e um reencontro entre as ci\u00eancias oficiais e entre estas e as tradi\u00e7\u00f5es de saberes locais, desvanecendo o separatismo entre os saberes cient\u00edficos e populares. Como sintetiza Schabbel, 1994, apud Teixeira (1996, p. 290)<sup>5<\/sup>, \u201ccom um p\u00e9 no antigo, avan\u00e7aremos para criar o novo, redescobrindo e resgatando a caixa de Pandora do universo, a filosofia perene, e novamente acatando os ensinamentos do velho s\u00e1bio cujo arqu\u00e9tipo vive dentro de n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Nichols, D., &amp; Gobble, D. _ On the importance of disregulatory processes in the models of health. American Psychologist, Vol. 45 (8). 1990, p. 981-982.<\/li>\n<li>Newman, M. A. _ Prevailing paradigm in nursing. Nursing Outlook, Vol. 40. 1992. p. 10-13.<\/li>\n<li>Matos, Margarida Gaspar _ Psicologia da sa\u00fade, sa\u00fade publica e sa\u00fade internacional. An\u00e1lise psicol\u00f3gica. Vol. 3, (XXII). 2004, p. 449-462.<\/li>\n<li>Filho, Naomar de Almeida _ Transdisciplinaridade e sa\u00fade colectiva. Revista Ci\u00eancia e Sa\u00fade Colectiva. Vol.11 (1\/2). 1997, p. 1-18. [on line], consultado em Dezembro de 2007, no site: <a href=\"http:\/\/www.hc.ufmg.br\/gids\/textos_seminarios\/transdisciplinaridade_e_saude_coletiva.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.hc.ufmg.br\/gids\/textos_seminarios\/transdisciplinaridade_e_saude_coletiva.pdf<\/a>.<\/li>\n<li>Watson, Jean\u00a0 _ Enfermagem p\u00f3s-moderna\u00a0 e futura: Um novo paradigma de enfermagem. Loures: Lusoci\u00eancia. 2002.<\/li>\n<li>Teixeira, Elizabeth _ A reflection about the holistic paradigm and holistic and health. Revista da Escola Enfermagem da Universidade de S. Paulo. Vol. 30, n\u00ba 2. 1996,\u00a0 p. 286-290.<\/li>\n<li>Ogdan, Jane _ Psicologia da sa\u00fade. Lisboa: Editora Climepsi. 1999.<\/li>\n<li>Capra, F. _ A teia da vida: Uma nova compreens\u00e3o dos sistemas vivos. S. Paulo: Editora Cultrix. 2002.<\/li>\n<li>Souza, Nei Ricardo &amp; Dallalana, T\u00e2nia Madureira _ Enfoque sist\u00e9mico: uma discuss\u00e3o sobre mudan\u00e7as de modelos no PSF. Revista Fam\u00edlia Sa\u00fade e Desenvolvimento. Curitiba. Vol. 6, n\u00ba 2. 2004, p. 154-165.<\/li>\n<li>Neuman, Betty _ The Neuman systems model. (Third ed.). Stamford: Appleton &amp; Lange. 1995.<\/li>\n<li>Leddy, S. &amp; Pimenta, J. M. _ Bases conceptuais dos cuidados profissionais (3\u00aa ed.). Filad\u00e9lfia: J.B. Lippincott Companhia. 1993.<\/li>\n<li>Conselho Internacional dos Enfermeiros _ CIPE: Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a Pr\u00e1tica de Enfermagem. Vers\u00e3o 01. Genebra: Publicado para Portugal pela Ordem dos Enfermeiros. 2005.<\/li>\n<li>Beddome, Gail _ Community-as-client Assessment. A Neuman-Based Guide for Education and Practice in: Neuman, B. _ The Neuman Systems Model, (Third ed.). Norwalk: Appleton e Lange. Capitulo 40. 1995, p. 567-589.<\/li>\n<li>Neuman, Betty _ The Neuman systems model. (3\u00aa ed.). Stamford: Appleton &amp; Lange.1982.<\/li>\n<li>Riehl, J. &amp; Roy, C. _ Conceptual models for nursing pratice, (2\u00aa ed.). New York: Appleton Century Croft. 1980.<\/li>\n<li>Wright L. M. &amp; Leahey, M. _ Nurses and families: a guide to family assessment and intervention. (Third ed.). Philadelphia: F. A. Davis Company. 2002.<\/li>\n<li>Ribeiro, Jos\u00e9 Lu\u00eds Pais _ Psicologia e Sa\u00fade. Lisboa: ISPA. 1998.<\/li>\n<li>Crema, Roberto _ Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 vis\u00e3o holfstica. (2\u00aa ed.). S. Paulo: Editora Summos.1989.<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"center\"><strong>Figura 1. Vari\u00e1veis do intra sistema comunit\u00e1rio\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1444\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/263-1.gif\" alt=\"\" width=\"556\" height=\"420\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><strong>Figura 2. Articula\u00e7\u00e3o da comunidade com os subsistemas.<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1445\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/263-2.gif\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"411\" border=\"0\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo aborda a necessidade de cuidar da comunidade como um sistema aberto e em mudan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[541,540,488,743,238,247],"class_list":["post-1446","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-cliente","tag-comunidade","tag-cuidar","tag-enfermagem-comunitaria","tag-paradigma","tag-sistema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1446"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1446\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2732,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1446\/revisions\/2732"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}