{"id":1442,"date":"2011-03-08T23:31:40","date_gmt":"2011-03-08T23:31:40","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/suplementacao-hidrica-no-recem-nascido-beneficio-ou-maleficio\/"},"modified":"2021-05-04T09:30:37","modified_gmt":"2021-05-04T09:30:37","slug":"suplementacao-hidrica-no-recem-nascido-beneficio-ou-maleficio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/suplementacao-hidrica-no-recem-nascido-beneficio-ou-maleficio\/","title":{"rendered":"Suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica no rec\u00e9m-nascido &#8211; benef\u00edcio ou malef\u00edcio?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Os m\u00e9todos de alimenta\u00e7\u00e3o infantil s\u00e3o significativamente influenciados pelas cren\u00e7as e as pr\u00e1ticas culturais<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p>Suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica no rec\u00e9m-nascido \u2013 benef\u00edcio ou malef\u00edcio?<\/p>\n<p>Water supplementation in newborns in the newborn &#8211; benefit or risk<\/p>\n<p><em>Nursing n\u00ba264<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autores<\/strong><\/h4>\n<p>N. C. Ferreira Gomes<\/p>\n<p>Enfermeira no Servi\u00e7o de Cirurgia Especialidades do Hospital Eduardo Santos Silva (Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia\/Espinho, EPE)<\/p>\n<p>D. A. Gouveia Pereira<\/p>\n<p>Enfermeira na Cl\u00ednica Santa Helena, Ltd. (Porto)<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>A pr\u00e1tica de suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica no rec\u00e9m-nascido \u00e9\u00a0muito comum em v\u00e1rias regi\u00f5es do globo. O objectivo deste trabalho \u00e9\u00a0aprofundar esta quest\u00e3o, que suscita muitas d\u00favidas na pr\u00e1tica de cuidados, como tamb\u00e9m sensibilizar enfermeiros e prestadores de cuidados sobre o tema.<\/p>\n<p>Foi realizada uma extensa revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica baseada em livros de texto e artigos, seleccionados na base de dados PubMed, Cinahl e Medline.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, as cren\u00e7as e pr\u00e1ticas culturais s\u00e3o as principais influ\u00eancias para a pr\u00e1tica de suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica no beb\u00e9 nos primeiros meses. Mesmo em circunst\u00e2ncias especiais, que promovam a desidrata\u00e7\u00e3o, os lactentes com menos de 6 meses n\u00e3o devem realizar suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, pois a composi\u00e7\u00e3o do leite materno e artificial tem a quantidade de \u00e1gua suficiente para satisfazer as suas necessidades. A ingest\u00e3o h\u00eddrica precoce pode desenvolver consequ\u00eancias nefastas no estado nutricional, crescimento e desenvolvimento do beb\u00e9. Assim, a forma\u00e7\u00e3o dos enfermeiros sobre o tema \u00e9 essencial, para dotar as fam\u00edlias de conhecimento para que possam tomar uma decis\u00e3o consciente e informada sobre a suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e negociar com as fam\u00edlias a altera\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas culturais e religiosas prejudiciais \u00e0 sa\u00fade do beb\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Rec\u00e9m-nascido; Suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica; Aleitamento materno; Aleitamento artificial; Desidrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Abstract:<\/strong><\/h4>\n<p>The practice of water supplementation in newborns is very common in several regions of the globe. The aim of this work is to explore this issue, which raises many questions in the practice of care, but also sensitize nurses and cariers on the subject.<\/p>\n<p>We carried out an extensive literature review based on the textbooks and articles, selected in the database PubMed, Cinahl and MedLine.<\/p>\n<p>The orientation of health professionals, beliefs and cultural practices are the main influences to the practice of water supplementation in the infant in the first months. Even in special circumstances, which promote dehydration, infants under 6 months should not carry out water supply, because the composition of breast milk and artificial has sufficient water to meet their needs. Water intake can develop early adverse effects on nutritional status, growth and development of the baby. Therefore, the training of nurses on the topic is essential, to empower families with knowledge so they can make an informed decision about the water supply and negotiate with families to change the cultural and religious practices detrimental to the health of the baby.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Infant newborn; Water supply; Breastfeeding; Artificial feeding; Dehydration.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A pr\u00e1tica de oferecer \u00e1gua, infus\u00f5es ou sumos, ao lactente (com menos de seis meses de vida) a realizar aleitamento materno e\/ou artificial, \u00e9 comum em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>Na tentativa de prevenir a desidrata\u00e7\u00e3o, ou mesmo, por pr\u00e1ticas culturais comuns, diversas sociedades e autores defendem a suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica ao aleitamento do rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>Os enfermeiros, como profissionais de sa\u00fade, s\u00e3o uma pe\u00e7a fundamental nesta pr\u00e1tica. Muitos, por falta de conhecimento, cren\u00e7as ou pr\u00e1ticas culturais, aconselham a utiliza\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos como suplemento ao aleitamento, em muitas comunidades e locais de presta\u00e7\u00e3o de cuidados (hospitais, centros de sa\u00fade, entre outros).<\/p>\n<p>O objectivo deste trabalho \u00e9\u00a0aprofundar a quest\u00e3o da suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica em rec\u00e9m-nascidos, que suscita muitas d\u00favidas na pr\u00e1tica de cuidados, por parte de enfermeiros e prestadores de cuidados.<\/p>\n<h4><strong>1. Necessidades h\u00eddricas no rec\u00e9m-nascido<\/strong><\/h4>\n<p>A ingest\u00e3o de l\u00edquidos \u00e9\u00a0um processo de suprimento em nutrientes l\u00edquidos e \u00e1gua, necess\u00e1rios ao crescimento, funcionamento normal e manuten\u00e7\u00e3o da vida<sup>1<\/sup>. A \u00e1gua representa, aproximadamente, cerca de 78% do peso corporal do rec\u00e9m-nascido de termo, mais do que na crian\u00e7a mais velha ou no adulto<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>As necessidades h\u00eddricas dos rec\u00e9m-nascidos durante o primeiro dia de vida s\u00e3o aproximadamente de 60 a 75 ml\/kg\/dia, pois j\u00e1\u00a0nascem com n\u00edveis de hidrata\u00e7\u00e3o tecidual relativamente altos. Na primeira semana de vida, as necessidades h\u00eddricas variam de 80-100 ml\/kg\/dia, e dos tr\u00eas aos seis meses aumentam para 140-160 ml\/kg\/dia. Contudo, estas necessidades dependem da concentra\u00e7\u00e3o dos alimentos, consumo de energia, humidade e temperatura do meio ambiente em que o lactente se encontra<sup>3,4<\/sup>.<\/p>\n<p>A ingest\u00e3o di\u00e1ria de \u00e1gua deve compensar as perdas insens\u00edveis da pele e respira\u00e7\u00e3o, as perdas sens\u00edveis da elimina\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria e intestinal e garantir a \u00e1gua necess\u00e1ria para o crescimento do rec\u00e9m-nascido<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Factores que influenciam as perdas insens\u00edveis de \u00e1gua no rec\u00e9m-nascido:<\/p>\n<p>&#8211; O aumento da temperatura corporal (causado por febre ou aumento da temperatura ambiente);<\/p>\n<p>&#8211; O aumento da actividade motora e choro (em que as perdas insens\u00edveis aumentam em cerca de 70%);<\/p>\n<p>&#8211; Les\u00f5es na pele que danificam a integridade cut\u00e2nea (resultantes da remo\u00e7\u00e3o de fitas adesivas ou da exposi\u00e7\u00e3o da pele a solu\u00e7\u00f5es desinfectantes);<\/p>\n<p>&#8211; A fototerapia (que aumenta em 50% as perdas insens\u00edveis de \u00e1gua)<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Contudo, como a fun\u00e7\u00e3o renal no rec\u00e9m-nascido de termo n\u00e3o est\u00e1 completamente desenvolvida, os t\u00fabulos renais s\u00e3o limitados na sua capacidade de absorver \u00e1gua e outros solutos. Consequentemente, \u00e9 importante que n\u00e3o sejam fornecidos ao rim solutos em excesso para excretar, prevenindo assim, uma sobrecarga renal. Com a ingest\u00e3o h\u00eddrica di\u00e1ria acima referida, o rec\u00e9m-nascido de termo produz em m\u00e9dia 100ml de urina<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de que se possa pensar, as necessidades h\u00eddricas do rec\u00e9m-nascido acima referidas, s\u00e3o satisfeitas apenas com a ingest\u00e3o de leite materno ou com a prepara\u00e7\u00e3o adequada do leite artificial, e sem o suplemento de \u00e1gua, infus\u00f5es ou sumos.<\/p>\n<h4><strong>2. Pr\u00e1tica de suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica<\/strong><\/h4>\n<p>A pr\u00e1tica de oferecer \u00e1gua, infus\u00f5es ou sumos, ao lactente com menos de seis meses, \u00e9 comum em muitas regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos indicam que o primeiro m\u00eas de vida \u00e9\u00a0o per\u00edodo mais cr\u00edtico na pr\u00e1tica de introdu\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos (\u00e1gua, \u00e1gua com a\u00e7\u00facar, ch\u00e1s, etc.) como suplemento ao aleitamento materno e artificial. Um estudo realizado no Peru revelou que com um m\u00eas de idade, apenas 12% dos lactentes eram alimentados exclusivamente com leite materno<sup>6<\/sup>. Numa pesquisa realizada na regi\u00e3o rural de Bilbeis (Egipto), 60% dos rec\u00e9m-nascidos receberam como suplementos ao leite materno, \u00e1gua com a\u00e7\u00facar, ch\u00e1 ou ambos, as principais raz\u00f5es apontadas foram: a falta de leite materno e a exaust\u00e3o materna ou doen\u00e7a na sequ\u00eancia do trabalho<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>Um estudo exaustivo na regi\u00e3o europeia da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade revelou que a Arm\u00e9nia \u00e9 o pa\u00eds com pr\u00e1ticas mais precoces de suplementa\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos durante os primeiros seis meses de vida do lactente. \u00c1gua e ch\u00e1s de ervas s\u00e3o introduzidos \u00e0 volta do primeiro e segundo m\u00eas, o ch\u00e1 aos dois a tr\u00eas meses e os sumos de fruta aos tr\u00eas a quatro meses<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p>Outras pesquisas demonstram que, a orienta\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade tamb\u00e9m influencia a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em muitas comunidades e hospitais. Por exemplo, um estudo realizado no Gana aponta que 93% das parteiras referia que, logo no primeiro dia de vida, se devia dar \u00e1gua a todos os rec\u00e9m-nascidos. No Egipto, muitas enfermeiras aconselhavam as m\u00e3es a dar \u00e1gua com a\u00e7\u00facar aos seus beb\u00e9s, logo ap\u00f3s o parto<sup>9<\/sup>. \u00c9 um facto interessante, pois tem-se vindo a comprovar que os l\u00edquidos a\u00e7ucarados em biber\u00e3o podem produzir no lactente c\u00e1ries graves<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>2.1 Cultura e cren\u00e7as<\/strong><\/h4>\n<p>Os m\u00e9todos de alimenta\u00e7\u00e3o infantil s\u00e3o significativamente influenciados pelas cren\u00e7as e as pr\u00e1ticas culturais.<\/p>\n<p>Na \u00cdndia, os rec\u00e9m-nascidos podem ser alimentados por l\u00edquidos (\u00e1gua, mel, \u00e1gua com a\u00e7\u00facar e ch\u00e1s), antes de ser iniciada a amamenta\u00e7\u00e3o. Algumas culturas acreditam que se deve adiar a amamenta\u00e7\u00e3o ate \u00e0 \u201csubida\u201d do leite, e at\u00e9 l\u00e1 os rec\u00e9m-nascidos recebem alimentos pr\u00e9-l\u00e1cteos<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p>Pesquisas realizadas na \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina indicam que a suplementa\u00e7\u00e3o com ch\u00e1s e \u00e1gua \u00e9 uma pr\u00e1tica comum. Os ch\u00e1s (como o de camomila e erva-doce) costumam ser introduzidos com frequ\u00eancia a partir da primeira semana de vida, na convic\u00e7\u00e3o de que v\u00e3o aliviar dor (por exemplo, de c\u00f3licas, dor de ouvido), prevenir e tratar constipa\u00e7\u00f5es e obstipa\u00e7\u00e3o, acalmar o rec\u00e9m-nascido e, sobretudo, p\u00f4r termo \u00e0 sede<sup>12, 13<\/sup>.<\/p>\n<p>A \u00e1gua pode ser vista como a fonte da vida, uma necessidade espiritual e fisiol\u00f3gica. Algumas culturas consideram que a oferta de \u00e1gua ao rec\u00e9m-nascido \u00e9 uma forma de o receber bem neste mundo<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>Em muitas sociedades existe a cren\u00e7a de que o leite materno n\u00e3o \u00e9 suficiente para promover o crescimento e desenvolvimento da crian\u00e7a. Este \u00e9 um dos factores mais frequentes para a suplementa\u00e7\u00e3o precoce do lactente amamentado ou, at\u00e9 mesmo, da interrup\u00e7\u00e3o do aleitamento materno<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>3. Alimenta\u00e7\u00e3o no rec\u00e9m-nascido<\/strong><\/h4>\n<p>A escolha do m\u00e9todo de alimenta\u00e7\u00e3o (aleitamento materno ou artificial) deve ser, idealmente, uma decis\u00e3o consciente e informada. Independentemente da escolha dos pais, pelo aleitamento materno ou artificial, os enfermeiros t\u00eam um papel fundamental na orienta\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia e acompanhamento dos pais, para que estes desempenhem o seu papel com os conhecimentos e habilidades necess\u00e1rios, provendo uma boa ingest\u00e3o nutricional ao rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<h4><strong>3.1 Aleitamento materno exclusivo<\/strong><\/h4>\n<p>A \u00eanfase na amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e9\u00a0um facto relativamente recente. Somente a partir dos anos 80 ficou evidente que o suplemento de \u00e1gua, infus\u00f5es, leite e sumos ao leite materno, pode ser prejudicial \u00e0 sa\u00fade da crian\u00e7a com menos de seis meses<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>Em 2001, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade recomenda que at\u00e9\u00a0aos seis meses de idade, a crian\u00e7a receba exclusivamente leite materno, sem ingest\u00e3o de nenhum s\u00f3lido ou l\u00edquido (\u00e1gua, infus\u00f5es, f\u00f3rmulas, sumos e outros leites), a n\u00e3o ser que exista indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica<sup>14<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>3.1.1 Composi\u00e7\u00e3o do leite<\/strong><\/h4>\n<p>O leite materno sofre v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es, adapta-se \u00e0s necessidades do beb\u00e9 e fornece toda a energia e nutrientes que um lactente necessita para os primeiros seis meses de vida. Cont\u00e9m cerca de 88% de \u00e1gua e satisfaz a necessidade h\u00eddrica da crian\u00e7a exclusivamente alimentada com leite materno<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>O colostro amarelado e espesso, rico em imunoglobulinas, hidratos de carbono, prote\u00ednas e minerais e baixo teor em gorduras e \u00e1gua, no entanto, est\u00e1 adaptado \u00e0s necessidades do rec\u00e9m-nascido ap\u00f3s o nascimento. \u00c9 produzido em quantidades reduzidas, evitando a sobrecarga renal, e actua como uma capa protectora do est\u00f4mago, evitando o aparecimento de infec\u00e7\u00f5es. O leite de transi\u00e7\u00e3o aparece por volta do terceiro a quinto dia de vida, \u00e9 produzido em maior quantidade e t\u00eam um maior teor em \u00e1gua<sup>5, 9, 11, 15<\/sup>.<\/p>\n<p>Outra das raz\u00f5es pelas quais o lactente at\u00e9\u00a0aos seis meses n\u00e3o necessita de suplementos h\u00eddricos, depreende-se do facto de o leite materno ter baixa quantidade de solutos (por exemplo, s\u00f3dio, pot\u00e1ssio, nitrog\u00e9nio e cloreto). E apesar de os rins ainda serem imaturos at\u00e9 aproximadamente os tr\u00eas meses, conseguem concentrar o excesso de solutos na urina para manter o corpo com uma qu\u00edmica saud\u00e1vel e equilibrada<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>A figura 1 indica os principais componentes do leite materno.<\/p>\n<h4><strong>3.2 Leite adaptado<\/strong><\/h4>\n<p>A decis\u00e3o de alimentar o lactente com leite artificial pode resultar de diferentes factores, tais como a prefer\u00eancia pessoal dos pais, aspectos relacionados com a sa\u00fade da m\u00e3e que n\u00e3o permitam o aleitamento materno, pode ser usado com suplemento \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o, entre outros<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p>Actualmente, a composi\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas para lactentes est\u00e1\u00a0mais pr\u00f3xima da do leite materno, o que proporciona uma maior seguran\u00e7a. Os leites artificiais est\u00e3o dispon\u00edveis em tr\u00eas formas: pronto a usar (mais caro), concentrado e em p\u00f3 (mais barato); os pais devem ser ajudados a escolher a f\u00f3rmula que melhor se adapta a si e \u00e0s necessidades do lactente<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0\u00a0prepara\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas, \u00e9\u00a0deveras importante que esta seja misturada adequadamente. Uma f\u00f3rmula demasiadamente concentrada pode fornecer prote\u00ednas e minerais em quantidades que excedem a capacidade excretora do rim, ainda imaturo. No entanto, se forem excessivamente dilu\u00eddas o beb\u00e9 n\u00e3o ingere as quantidades nutricionais necess\u00e1rias para um bom desenvolvimento, e pode sofrer uma sobrecarga h\u00eddrica<sup>5, 11<\/sup>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua a utilizar na prepara\u00e7\u00e3o, pode utilizar-se a \u00e1gua engarrafada ou a \u00e1gua da torneira, ambas pr\u00f3prias para o consumo humano. A primeira pode ser mineral ou de nascente, e n\u00e3o sofre processo de tratamento, a segunda \u00e9 mais barata e sofre um processamento para obedecer \u00e0s exig\u00eancias da legisla\u00e7\u00e3o e uma s\u00e9rie de testes peri\u00f3dicos para garantir os padr\u00f5es de qualidade<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p>Segundo um estudo realizado no nosso pa\u00eds, o consumo de \u00e1gua engarrafada subiu 56% na \u00faltima d\u00e9cada e o marketing ajuda, ao criar tipos de \u00e1gua espec\u00edfica para lactentes<sup>17<\/sup>. No entanto, a \u00e1gua das redes p\u00fablicas e saneamento t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es ideais para o consumo e, por conseguinte, para a prepara\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas de leite artificial.<\/p>\n<p>Contudo, quando a \u00e1gua \u00e9\u00a0proveniente de po\u00e7os privados ou de redes p\u00fablicas de seguran\u00e7a duvidosa (que podem contribuir para a morbilidade infantil, doen\u00e7as diarreicas, em particular), os pais devem ser aconselhados a ferver a \u00e1gua durante 15 minutos antes de efectuar a mistura ou dilui\u00e7\u00e3o<sup>5<\/sup>. N\u00e3o \u00e9 aconselhada a fervura de f\u00f3rmulas j\u00e1 preparadas, uma vez que, ao ferver, a \u00e1gua evapora e o soluto torna-se mais concentrado, o que n\u00e3o \u00e9 apropriado para o rim ainda imaturo do rec\u00e9m-nascido<sup>18<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>4. Circunst\u00e2ncias especiais<\/strong><\/h4>\n<p>Existem sociedades, culturas e autores que defendem a suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica ao aleitamento do lactente com menos de seis meses, numa tentativa de prevenir a desidrata\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo, por pr\u00e1ticas culturais comuns.<\/p>\n<p>Um consumo h\u00eddrico inferior ao requerido pode levar \u00e0\u00a0desidrata\u00e7\u00e3o, com um aumento da osmolaridade s\u00e9rica e urin\u00e1ria. No entanto, como as concentra\u00e7\u00f5es de s\u00f3dio, cloro, pot\u00e1ssio e nitrog\u00e9nio do leite materno s\u00e3o baixas (ligeiramente mais altas no leite artificial para lactentes<sup>19<\/sup>), n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios volumes acrescidos de ingest\u00e3o h\u00eddrica para a excre\u00e7\u00e3o renal, e satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades h\u00eddricas em situa\u00e7\u00f5es de desidrata\u00e7\u00e3o<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos comprovam que, mesmo em situa\u00e7\u00f5es especiais de desidrata\u00e7\u00e3o, o lactente com menos de seis meses, n\u00e3o necessita de qualquer suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica al\u00e9m do leite materno ou de f\u00f3rmula, para colmatar as perdas de \u00e1gua.<\/p>\n<h4><strong>4.1 Climas quentes e secos<\/strong><\/h4>\n<p>Estudos comprovam que um lactente saud\u00e1vel, alimentado exclusivamente pelo leite materno ou de f\u00f3rmula (adequadamente preparado), nos primeiros seis meses de vida n\u00e3o necessita de l\u00edquidos adicionais, mesmo em ambientes com temperaturas extremamente elevadas e baixa humidade (Quadro I).<\/p>\n<p>Assim, pode concluir-se que a suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica na tentativa de aumentar a ingest\u00e3o de l\u00edquidos, e consequentemente promover a hidrata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o produz resultados e pode ainda conduzir a uma redu\u00e7\u00e3o de ingest\u00e3o total de l\u00edquidos, contribuindo para o estado de desidrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>4.2 Diarreia<\/strong><\/h4>\n<p>Devido \u00e0\u00a0elevada perda de \u00e1gua durante per\u00edodos de diarreia, existe a cren\u00e7a e pr\u00e1tica frequente de oferecer ao lactente, suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica para combater a desidrata\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios estudos demonstram que esta \u00e9 uma pr\u00e1tica errada e prejudicial \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do lactente com menos de seis meses de idade.<\/p>\n<p>Num estudo realizado no Peru, verificou-se que a preval\u00eancia e incid\u00eancia de diarreia em crian\u00e7as com menos de seis meses de idade foi maior naquelas que receberam outros l\u00edquidos para al\u00e9m do leite materno, do que nas que receberam aleitamento materno exclusivo. O mesmo estudo tamb\u00e9m demonstra que a taxa de preval\u00eancia de diarreia duplica com a suplementa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, sumos e ch\u00e1s ao aleitamento materno<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>No caso de diarreia ligeira, recomenda-se o aumento da frequ\u00eancia das refei\u00e7\u00f5es. Se a diarreia for de moderada a grave, deve procurar-se de imediato o aconselhamento com um profissional de sa\u00fade e continuar a amamentar<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>Os beb\u00e9s que pare\u00e7am estar desidratados podem necessitar de Terapia de Reidrata\u00e7\u00e3o Oral, que consiste em ingest\u00e3o controlada de Solu\u00e7\u00f5es de Reidrata\u00e7\u00e3o Oral, que, por sua vez, intensificam e promovem a reabsor\u00e7\u00e3o de s\u00f3dio e \u00e1gua, reduzindo eficazmente a perda de h\u00eddrica pela diarreia. No entanto, deve apenas ser administrada sob aconselhamento de um profissional de sa\u00fade<sup>22<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>4.3 Fototerapia<\/strong><\/h4>\n<p>A icter\u00edcia \u00e9\u00a0uma patologia muito comum no per\u00edodo neonatal (atinge cerca de 60% dos rec\u00e9m-nascidos), caracterizada por uma hiperbilirrubinemia clinicamente detect\u00e1vel nos primeiros dias de vida<sup>23<\/sup>.<\/p>\n<p>A principal forma de tratamento envolve o uso de fototerapia. Um dos seus efeitos secund\u00e1rios \u00e9 o aumento da perda insens\u00edvel de \u00e1gua corporal por aumento da temperatura, que pode levar \u00e0 desidrata\u00e7\u00e3o. Muitos autores e profissionais de sa\u00fade defendem, que para prevenir a desidrata\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial o aumento da oferta h\u00eddrica ao rec\u00e9m-nascido<sup>22, 23<\/sup>.<\/p>\n<p>Estudos comprovam que a suplementa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua a rec\u00e9m-nascidos amamentados, que se encontrem a realizar fototerapia n\u00e3o influencia o decr\u00e9scimo dos n\u00edveis s\u00e9ricos de bilirrubina<sup>24<\/sup>. Pelo contr\u00e1rio, demonstram que a hidrata\u00e7\u00e3o suplementar provoca a diminui\u00e7\u00e3o da ingest\u00e3o do leite materno e, consequentemente, interfere com a excre\u00e7\u00e3o de bilirrubina pelos intestinos, al\u00e9m de diminuir o aporte nutricional proveniente do leite, essencial ao bom desenvolvimento do beb\u00e9<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<p>A American Academy Of Pediatrics recomenda o aumento da oferta de l\u00edquidos, atrav\u00e9s do aleitamento materno ou de f\u00f3rmulas l\u00e1cteas apropriadas (de pelo menos oito a dez vezes por dia), j\u00e1 que, al\u00e9m de promover a reidrata\u00e7\u00e3o, diminui a circula\u00e7\u00e3o \u00eantero-hep\u00e1tica de bilirrubina, ajuda a baixar os n\u00edveis s\u00e9ricos de bilirrubina, e consequentemente, aumenta a excre\u00e7\u00e3o dos metabolitos da bilirrubina<sup>25<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>5. Consequ\u00eancias da ingest\u00e3o h\u00eddrica em lactentes com menos de seis meses<\/strong><\/h4>\n<p>Diversos autores defendem que o principal argumento contra a ingest\u00e3o h\u00eddrica precoce \u00e9 o aumento da morbilidade e mortalidade infantil, especialmente em locais com condi\u00e7\u00f5es de higiene prec\u00e1rias. As consequ\u00eancias da suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica mais referenciadas pelos autores est\u00e3o relacionadas com aspectos relativos ao aleitamento materno e artificial, intoxica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua, risco de diarreia e absor\u00e7\u00e3o de ferro.<\/p>\n<h4><strong>5.1 Aleitamento materno e artificial<\/strong><\/h4>\n<p>Como j\u00e1\u00a0tem vindo a ser referenciado, entende-se por suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica qualquer l\u00edquido que seja ingerido pelo lactente, que n\u00e3o o leite materno ou artificial.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma vasta an\u00e1lise bibliogr\u00e1fica, apur\u00e1mos que v\u00e1rios autores defendem que a pr\u00e1tica de suplementa\u00e7\u00e3o com l\u00edquidos com pouco ou nenhum valor nutricional pode ter um impacto negativo no estado nutricional do lactente (com menos de seis meses de idade), na sua sobreviv\u00eancia, crescimento e desenvolvimento.<\/p>\n<p>Os l\u00edquidos oferecidos podem preencher o est\u00f4mago (capacidade do est\u00f4mago do rec\u00e9m-nascido \u00e9\u00a0limitada a cerca de 90ml<sup>22<\/sup>) do beb\u00e9, reduzindo o seu apetite para o leite materno ou artificial, privando-o de nutrientes essenciais, de componentes imunol\u00f3gicos (do leite materno; maior propens\u00e3o para infec\u00e7\u00f5es), comprometendo a lacta\u00e7\u00e3o (menos suc\u00e7\u00e3o, menor est\u00edmulo para a produ\u00e7\u00e3o de leite) e a dura\u00e7\u00e3o do aleitamento materno<sup>9, 15, 26<\/sup>.<\/p>\n<p>Estudos realizados mostram que a suplementa\u00e7\u00e3o com \u00e1gua antes dos seis meses pode reduzir a ingest\u00e3o de leite materno at\u00e9\u00a0cerca de 11%. Os autores defendem que a perda cal\u00f3rica de 8-10% no cen\u00e1rio de um pa\u00eds em desenvolvimento poder\u00e1\u00a0revelar-se uma importante insufici\u00eancia nutricional<sup>21<\/sup>.<\/p>\n<p>Outros autores tamb\u00e9m referem que a suplementa\u00e7\u00e3o com l\u00edquidos na primeira semana de vida tem sido associada com maior perda de peso e maior tempo de estadia no hospital<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>5.2 Intoxica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua<\/strong><\/h4>\n<p>Actualmente, a pr\u00e1tica da suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica do leite materno ou artificial, realizada entre curtos espa\u00e7os de tempo (90 minutos a 48 horas) tem vindo a tornar-se preocupante, devido ao aumento da frequ\u00eancia de casos de crian\u00e7as com intoxica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua. Esta manifesta-se por hiponatremia, altera\u00e7\u00e3o do estado mental (agita\u00e7\u00e3o e sonol\u00eancia), edema, n\u00e1useas, v\u00f3mitos, diarreia, poli\u00faria ou olig\u00faria e at\u00e9 mesmo convuls\u00f5es<sup>11, 18, 27<\/sup>.<\/p>\n<p>Diversos mecanismos fisiol\u00f3gicos t\u00eam sido propostos para explicar por que lactentes jovens, particularmente aqueles com menos de 6 meses de idade, est\u00e3o em risco para o desenvolvimento intoxica\u00e7\u00e3o h\u00eddrica. Como j\u00e1 foi referido anteriormente, a imaturidade da fun\u00e7\u00e3o renal na inf\u00e2ncia \u00e9 um factor significativo, na medida em que, os lactentes tem menor capacidade de excretar \u00e1gua por unidade de tempo que as crian\u00e7as mais velhas e os adultos<sup>27<\/sup>.<\/p>\n<p>Estudos comprovam que a sobrecarga de l\u00edquidos (que conduz \u00e0\u00a0intoxica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua) \u00e9\u00a0provocada pela suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica (\u00e1gua, ch\u00e1s, sumos) do leite materno ou artificial e\/ou pela excessiva dilui\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas de leite artificial<sup>5, 27<\/sup>.<\/p>\n<p>O aparecimento da \u00e1gua engarrafada especial para lactentes tamb\u00e9m est\u00e1\u00a0na base do aumento da frequ\u00eancia desta condi\u00e7\u00e3o, tornando-se assim, uma potencial amea\u00e7a para a sa\u00fade das crian\u00e7as com idades inferiores a seis meses. Num estudo realizado nos EUA, os participantes referiram que os r\u00f3tulos das embalagens possuem indica\u00e7\u00f5es que sugerem a quantidade nutrientes suficientes para uso como um suplemento alimentar infantil<sup>27<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>5.3 Risco de diarreia<\/strong><\/h4>\n<p>O risco de diarreia com a suplementa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua a lactentes com menos de seis meses de idade tem vindo a ser estudado com resultados preocupantes.<\/p>\n<p>Estudos comprovam que quanto maior o n\u00famero de mamadas (aleitamento exclusivo), maior a protec\u00e7\u00e3o para diarreia. A simples introdu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e ch\u00e1 na alimenta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a (aleitamento predominante) est\u00e1 associada a um aumento de risco de diarreia<sup>28<\/sup>.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada nas Filipinas concluiu que a adi\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0ingest\u00e3o de leite materno de \u00e1gua, de ch\u00e1s e outros l\u00edquidos n\u00e3o nutritivos duplicaram ou triplicaram o risco de diarreia<sup>29<\/sup>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que foi referido, a \u00e1gua, os biber\u00f5es e utens\u00edlios de cozinha (copos, ch\u00e1venas, colheres, etc.) s\u00e3o um ve\u00edculo ideal para a entrada de agentes patog\u00e9nicos. Assim sendo, os lactentes correm um risco maior de exposi\u00e7\u00e3o a organismos causadores de diarreia, especialmente em locais com baixos \u00edndices de higiene<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>5.4 Absor\u00e7\u00e3o de ferro<\/strong><\/h4>\n<p>Os rec\u00e9m-nascidos nascem com reservas de ferro que foram depositadas durante a vida intra-uterina (independentemente do estado nutricional da m\u00e3e), que utilizam at\u00e9 se esgotarem, por volta dos seis aos doze meses. A quantidade de ferro contida no leite materno \u00e9 baixa, mas melhor absorvida (50%) do que a do leite de f\u00f3rmula (5%)<sup>5, 10<\/sup>.<\/p>\n<p>Os lactentes alimentados exclusivamente pelo leite materno normalmente t\u00eam os n\u00edveis adequados de hemoglobina nos primeiros quatro a seis meses de vida. A partir da\u00ed, devem receber uma fonte de ferro adicional (introdu\u00e7\u00e3o de alimentos, como os cereais fortificados com ferro)<sup>5, 18<\/sup>.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as que s\u00e3o alimentadas atrav\u00e9s de f\u00f3rmulas (muitas enriquecidas em ferro), apesar de s\u00f3\u00a0uma pequena por\u00e7\u00e3o de ferro ser absorvida \u00e9\u00a0suficiente para satisfazer as suas necessidades<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>Estudos t\u00eam demonstrado que a suplementa\u00e7\u00e3o do aleitamento materno ou artificial, com ch\u00e1s inibe a absor\u00e7\u00e3o de ferro pelo intestino. Os taninos s\u00e3o constituintes do ch\u00e1\u00a0que estabelecem liga\u00e7\u00e3o com i\u00f5es met\u00e1licos com bastante facilidade, por essa raz\u00e3o, s\u00e3o considerados potentes inibidores da absor\u00e7\u00e3o de ferro e de outros minerais, como o zinco e o c\u00e1lcio<sup>30<\/sup>.<\/p>\n<p>Contrariamente aos taninos, a presen\u00e7a de vitamina C e lactose no leite materno facilita a absor\u00e7\u00e3o de ferro pelo organismo do beb\u00e9. No entanto, para obter este efeito e tamb\u00e9m hidratar, o uso de sumos (como o de laranja) est\u00e1 contra-indicado para crian\u00e7as com menos de 6 meses. Segundo a American Academy Of Pediatrics, ao oferecer sumos antes da introdu\u00e7\u00e3o de alimentos s\u00f3lidos na dieta, corre-se o risco do sumo vir a substituir o leite materno ou f\u00f3rmula infantil na dieta. Isso pode resultar na redu\u00e7\u00e3o da ingest\u00e3o de prote\u00ednas, gorduras, vitaminas e sais minerais (como o ferro, c\u00e1lcio e zinco)<sup>31<\/sup>.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias descritas para a priva\u00e7\u00e3o de ferro na dieta est\u00e3o relacionadas com atrasos no desenvolvimento (atraso na fala, dificuldade de coordena\u00e7\u00e3o de movimentos e capacidade motora diminu\u00edda) dificuldades de aprendizagem moderadas e infec\u00e7\u00f5es virais recorrentes<sup>32<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>6. Como alterar as pr\u00e1ticas de suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica<\/strong><\/h4>\n<p>Os factores relacionados com a pr\u00e1tica da suplementa\u00e7\u00e3o com \u00e1gua e outros l\u00edquidos est\u00e3o associados \u00e0\u00a0 falta de conhecimentos e habilidades dos profissionais de sa\u00fade sobre a tem\u00e1tica, pr\u00e1ticas e cren\u00e7as influenciadas pela cultura, promo\u00e7\u00e3o inapropriada de produtos (\u00e1gua para lactentes) e falta de apoio e orienta\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade aos prestadores de cuidados.<\/p>\n<p>Um question\u00e1rio aplicado a profissionais de sa\u00fade em servi\u00e7os de Pediatria, Obstetr\u00edcia e Ginecologia, revelou que dos 34 enfermeiros que participaram, 97% defendiam que era necess\u00e1ria suplementa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua durante o Ver\u00e3o. A frequ\u00eancia de suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica recomendada pelos enfermeiros foi de uma a 24 vezes por dia, com um volume de 180-240 ml\/dia<sup>21<\/sup>. Estas concep\u00e7\u00f5es v\u00eam contra ao que foi comprovado por v\u00e1rios estudos anteriormente referidos.<\/p>\n<p>Para alterar esta pr\u00e1tica muito comum, os profissionais de sa\u00fade devem ter uma forma\u00e7\u00e3o adequada, relativamente aos aspectos culturais que envolvem esta pr\u00e1tica, aos constituintes do leite materno e artificial, \u00e0s necessidades h\u00eddricas do lactente e \u00e0s consequ\u00eancias da suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica ao aleitamento do lactente com menos de seis meses de idade. Poder\u00e3o tamb\u00e9m, necessitar de treino sobre como comunicar, passar as mensagens e negociar as mudan\u00e7as de h\u00e1bitos com os prestadores de cuidados<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>Relativamente aos aspectos culturais e religiosos, \u00e9\u00a0necess\u00e1rio trabalhar junto das fam\u00edlias e desmistificar conceitos e ideias, com a finalidade de dotar as fam\u00edlias de conhecimento para que possam tomar uma decis\u00e3o consciente e informada acerca da suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica.<\/p>\n<p>Tudo isto, com a finalidade de criar as condi\u00e7\u00f5es \u00f3ptimas para o crescimento e desenvolvimento saud\u00e1vel da crian\u00e7a.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Ap\u00f3s consulta bibliogr\u00e1fica e reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o tema podemos concluir que a suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica no rec\u00e9m-nascido \u00e9 uma pr\u00e1tica desnecess\u00e1ria e contra-indicada, mesmo em casos de desidrata\u00e7\u00e3o (climas quentes e secos, diarreia e fototerapia). Est\u00e1 comprovado que o leite materno e artificial tem a quantidade de \u00e1gua suficiente para satisfazer as necessidades do rec\u00e9m-nascido, em qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pr\u00e1tica que pode ter um impacto negativo na sa\u00fade do lactente com menos de 6 meses, na medida em que pode interferir com o aleitamento materno e artificial, aumentar o risco de diarreia, inibir a absor\u00e7\u00e3o de ferro no intestino, e a sobrecarga de l\u00edquidos (provocada pela suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e\/ou pela excessiva dilui\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas de leite artificial) pode conduzir \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua.<\/p>\n<p>O passo fundamental para a altera\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica no rec\u00e9m-nascido e lactente \u00e9\u00a0o investimento na forma\u00e7\u00e3o e treino dos profissionais de sa\u00fade, promovendo, assim, o crescimento e desenvolvimento saud\u00e1vel da crian\u00e7a.<\/p>\n<h4><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<p>1. Internacional Council of Nurses \u2013 Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a Pr\u00e1tica de Enfermagem (CIPE\/ICNP). Vers\u00e3o beta 2. 3\u00aaEdi\u00e7\u00e3o. Lisboa: Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Enfermeiros, 2005, p.21.<\/p>\n<p>2. Kopelman, B.I. et al &#8211; Diagn\u00f3stico e tratamento em neonatologia. S\u00e3o Paulo. Atheneu, 2004, p.291-293.<\/p>\n<p>3. Sachdev H.P., Krishna J., Puri R.K. &#8211; Do exclusively breast fed infants need fluid supplementation?. Indian Pediatr. 1992 Apr; 29(4):535-40.<\/p>\n<p>4. Galv\u00e3o, D.- Amamenta\u00e7\u00e3o bem sucedida: Alguns factores determinantes. Loures. Lusoci\u00eancia, 2006, p.74.<\/p>\n<p>5. Bobak, I.M., Lowdermilk, D.L., Jensen, M.D.\u2013 Enfermagem na Maternidade. 4\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. Loures: Lusoci\u00eancia, 1999, p.426-429 e 447.<\/p>\n<p>6. Brown K.H., Black R.E., Lopez de Roma\u00f1a G., Creed de Kanashiro H. &#8211; Infant-feeding practices and their relationship with diarrheal and other diseases in Huascar (Lima), Peru. Pediatrics 1989 Jan;83(1):31-40.<\/p>\n<p>7. Hossain M.M., Radwan M.M., Arafa S.A., Habib M., DuPont H.L. &#8211; Prelacteal infant feeding practices in rural Egypt. J Trop Pediatr 1992 Dec; 38(6):317-22.<\/p>\n<p>8. World Health Organization (WHO) &#8211; Complementary feeding and the control of iron deficiency anaemia in the newly independent states. Geneva, Switzerland, 1999.<\/p>\n<p>9. Linkages, Academy For Educational Development &#8211; Aleitamento Exclusivo: A \u00danica Fonte de \u00c1gua que os Beb\u00e9s de Tenra Idade Necessitam. 2002, p.1-3. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.linkagesproject.org\/media\/publications\/frequently%20asked%20questions\/FAQWaterPort.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.linkagesproject.org\/media\/publications\/frequently%20asked%20questions\/FAQWaterPort.pdf<\/a><\/p>\n<p>10. Gonz\u00e1lez C. &#8211; Manual pr\u00e1tico do aleitamento materno. Cane\u00e7as. Mama Mater \u2013 Associa\u00e7\u00e3o, 2004, p.102.<\/p>\n<p>11. Lowdermilk, D.L. \u2013 O Cuidado em Enfermagem Materna. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002, p.557-560,575 e 579.<\/p>\n<p>12. Carvalho, M.R.; Tamaz R.N. &#8211; Amamentar \u2013 bases cient\u00edficas para a pr\u00e1tica profissional. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2002, p.11, 14-15.<\/p>\n<p>13. World Health Organization (WHO). Breastfeeding and the use of water and teas. Division of Child Health and Development Update, No. 9 (reissued, Nov. 1997). Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.popline.org\/docs\/1540\/281423.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.popline.org\/docs\/1540\/281423.html<\/a><\/p>\n<p>14. World Health Organization (WHO) &#8211; Evidence for the ten steps to successful breastfeeding. Geneva, 1998. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/whqlibdoc.who.int\/publications\/2004\/9241591544_eng.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/whqlibdoc.who.int\/publications\/2004\/9241591544_eng.pdf<\/a><\/p>\n<p>15. Oliva, M.; Salgado, M. &#8211; Aleitamento materno \u2013 aspectos pr\u00e1ticos. Sa\u00fade Infantil Abr 2005; Coimbra \/1; N\u00ba27; 11-20.<\/p>\n<p>16. Nestl\u00e9\u00a0\u2013 \u00c1gua. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.nestle.pt\/bemestar\/presentation\/nutricao\/Alimentos.aspx?id=129\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.nestle.pt\/bemestar\/presentation\/nutricao\/Alimentos.aspx?id=129<\/a><\/p>\n<p>17. Jornal De Noticias (2008) &#8211; Beb\u00e9s nas m\u00e3os do saber popular. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/66.102.9.104\/search?q=cache:rnPcitc0eOkJ:jn.sapo.pt\/PaginaInicial\/Interior.aspx%3Fcontent_id%3D944154+agua+engarrafada+torneira+saneamento+lactentes&amp;hl=pt-PT&amp;ct=clnk&amp;cd=1&amp;gl=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/66.102.9.104\/search?q=cache:rnPcitc0eOkJ:jn.sapo.pt\/PaginaInicial\/Interior.aspx%3Fcontent_id%3D944154+agua+engarrafada+torneira+saneamento+lactentes&amp;hl=pt-PT&amp;ct=clnk&amp;cd=1&amp;gl=pt<\/a><\/p>\n<p>18. Mahan, Katheleen L.; Escott-Stump, Sylvia \u2013 Krause: Alimentos, Nutri\u00e7\u00e3o &amp; Dietoterapia. 11\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Roca Ltda, 2005, p.192.<\/p>\n<p>19. Ferreira, I. &#8211; Composi\u00e7\u00e3o do leite materno de mulher, do leite de vaca e das f\u00f3rmulas de alimenta\u00e7\u00e3o infantil. Acta Pediatr Port 200; Vol.36; N\u00ba6: 277-285.<\/p>\n<p>20. Almroth S, Bidinger PD. &#8211; No need for water supplementation for exclusively breast-fed infants under hot and arid conditions. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1990 Jul-Aug;84(4):602-4.<\/p>\n<p>21. Sachdev H.P., Krishna J., Puri R.K., Satyanarayana L., Kumar S. &#8211; Water supplementation in exclusively breastfed infants during summer in the tropics. Lancet 1991 April; 337:929-33.<\/p>\n<p>22. Hockenberry, Marilyn J. \u2013 Wong Fundamentos de Enfermagem Pedi\u00e1trica. 7\u00ba edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Editora Elsevier Ltda, 2006, p.177, 264, 843 e 847.<\/p>\n<p>23. Vieira, A.A., Lima, C.L., Carvalho, M., Moreira, M.E. \u2013 O uso da fototerapia em rec\u00e9m-nascidos: avalia\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica cl\u00ednica. Rev. Bras. Sa\u00fade Matern. Infant., Recife, 4 (4): 359-366, out. \/ dez., 2004<\/p>\n<p>24. Carvalho M.; Hall M.; Harvey D. &#8211; Effects of water supplementation on hysiological jaundice in breast-fed babies. Arch Dis Child. 1981 July; 56(7): 568\u2013569.<\/p>\n<p>25. AAP (American Academy of Pediatrics) &#8211; Practice parameter: management of hyperbilirrubinemia in the healthy term newborn. Pediatrics, Pediatrics 1994;94;558-565.<\/p>\n<p>26. Martines JC, Rea M, Dezoysa J. &#8211; Breastfeeding in the first six months. No needs for extra fluids. BMJ 1992; 304: 1068-1069.<\/p>\n<p>27. Bruce R.C.; Kliegman R.M. &#8211; Hyponatremic seizures secondary to oral water intoxication in infancy. Pediatrics Vol. 100 No. 6 December 1997, p.1-3.<\/p>\n<p>28. Vieira GO; Silva L.R.; Vieira T.O. &#8211; Alimenta\u00e7\u00e3o infantil e morbidade por diarreia. Jornal de Pediatria &#8211; Vol. 79, N\u00ba5, 2003, p.452.<\/p>\n<p>29. Popkin B.M. ,Adair L. ,Akin J.S. ,Black R. ,Briscoe J., Flieger W. &#8211; Breast-feeding and diarrheal morbidity. Pediatrics 1990 Dec; 86(6):874-82.<\/p>\n<p>30. Monteiro, J.M. et al. &#8211; Taninos: uma abordagem da qu\u00edmica \u00e0\u00a0ecologia. Quim. Nova, Vol. 28, No. 5, 892-896, 2005<\/p>\n<p>31. AAP (Committee on Nutrition) &#8211; The Use and Misuse of Fruit Juice in Pediatrics. Pediatrics Vol. 107 No. 5 May 2001, p.1211.<\/p>\n<p>32. Harris, R.J. Nutri\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XXI: o que est\u00e1\u00a0mal. Actualidade em Pediatria. 2004, XII, 75-81.<\/p>\n<p align=\"center\">Quadro I &#8211; Estudos sobre a suplementa\u00e7\u00e3o h\u00eddrica em lactentes, realizados em pa\u00edses com climas quentes e secos.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1441\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/264-1.gif\" alt=\"\" width=\"472\" height=\"624\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os m\u00e9todos de alimenta\u00e7\u00e3o infantil s\u00e3o significativamente influenciados pelas cren\u00e7as e as pr\u00e1ticas culturais<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[737,742,741,739,740,738,729,736],"class_list":["post-1442","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-aleitamento","tag-aleitamento-artificial","tag-aleitamento-materno","tag-artificial","tag-desidratacao","tag-materno","tag-recemnascido","tag-suplementacao-hidrica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1442"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2733,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1442\/revisions\/2733"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}