{"id":1434,"date":"2010-11-10T13:44:37","date_gmt":"2010-11-10T13:44:37","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/cuidar-do-recem-nascido-com-cardiopatia-congenita-e-sua-familia-numa-uci-de-neonatologia\/"},"modified":"2021-05-04T09:30:51","modified_gmt":"2021-05-04T09:30:51","slug":"cuidar-do-recem-nascido-com-cardiopatia-congenita-e-sua-familia-numa-uci-de-neonatologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/cuidar-do-recem-nascido-com-cardiopatia-congenita-e-sua-familia-numa-uci-de-neonatologia\/","title":{"rendered":"Cuidar do rec\u00e9m-nascido com cardiopatia cong\u00e9nita e sua fam\u00edlia numa UCI de Neonatologia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">A transi\u00e7\u00e3o da vida intra-uterina para a vida extra-uterina consiste numa s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es que ocorrem nas primeiras seis a oito horas de vida, sendo a mais importante o in\u00edcio da respira\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p>Cuidar do rec\u00e9m-nascido com cardiopatia cong\u00e9nita e sua fam\u00edlia numa Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia<\/p>\n<p>Care of newborn with congenital heart and his family in an Neonatal Intensive Care Unit<\/p>\n<p><em>Nursing n\u00ba261<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autores<\/strong><\/h4>\n<p>Ana Cristina Machado Gomes<\/p>\n<p>Enfermeira generalista,\u00a0Hospital Dr. N\u00e9lio Mendon\u00e7a &#8211; Funchal,\u00a0Servi\u00e7o de Cardiologia<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p>As cardiopatias cong\u00e9nitas t\u00eam uma elevada incid\u00eancia e s\u00e3o a principal causa de mortalidade no per\u00edodo neonatal nos pa\u00edses desenvolvidos. Existem v\u00e1rios tipos de cardiopatia cong\u00e9nita, desde simples liga\u00e7\u00f5es ou comunica\u00e7\u00f5es, que podem fechar-se por conta pr\u00f3pria com o crescimento da crian\u00e7a, ou requerer um procedimento cir\u00fargico ou cateterismo para correc\u00e7\u00e3o, at\u00e9 problemas complexos com m\u00faltiplas anomalias anat\u00f3micas que exigir\u00e3o m\u00faltiplos procedimentos cir\u00fargicos de modo a garantir a sobreviv\u00eancia destas crian\u00e7as. A hospitaliza\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido numa Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia (UCIN) \u00e9, muitas vezes, inevit\u00e1vel para assegurar a estabiliza\u00e7\u00e3o hemodin\u00e2mica e correc\u00e7\u00e3o cir\u00fargica da malforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Iniciar os cuidados parentais com um filho rec\u00e9m-nascido com cardiopatia cong\u00e9nita hospitalizado numa UCIN \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil. O enfermeiro, cuidador mais directo e pr\u00f3ximo do rec\u00e9m-nascido e seus pais, dever\u00e1 integrar os pais na presta\u00e7\u00e3o de cuidados, promover o desenvolvimento de atitudes parentais positivas e de maior autonomia, de modo a que no momento em que o rec\u00e9m-nascido pode ir para o domic\u00edlio, estejam preparados para assumir a responsabilidade pelos cuidados ao filho, nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Cardiopatias Cong\u00e9nitas; Unidade Cuidados Intensivos; Neonatologia; Fam\u00edlia.<\/p>\n<h4><strong>ABSTRACT<\/strong><\/h4>\n<p>Congenital heart disease have high incidence and represent the main mortality cause during the neonatal period in developed countries. The are several kinds of Congenital heart disease that can be simple connections or communications that close themselves with the infant growth or demand a surgical procedure or catheterization for correction or, opposite to that, complex problems with multiple anatomic anomalies that will require multiple surgical procedures to guarantee survival of these infants. The hospitalization of the newborn in a Neonatal Intensive Care Unit (NICU) is usually inevitable to assure hemodynamic stabilization and the malformation\u2019s surgical correction.<\/p>\n<p>To initiate parental care of a newborn with congenital heart disease hospitalized in a NICU is a difficult task. The nurse, closest caregiver to the newborn and his parents, should integrate the parents in care giving, promote the development of positive parental attitudes and their autonomy in a way that, by the time the newborn is able to go home they are prepared to assume care giving responsibility to their son, in the best possible conditions.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> Congenital Heart Disease; Neonatal; Intensive Care Unit; Family.<\/p>\n<h4><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>O nascimento de um rec\u00e9m-nascido com cardiopatia cong\u00e9nita consiste numa dura prova para os pais, induzindo a modifica\u00e7\u00f5es nos seus pap\u00e9is parentais de modo a se adaptarem a uma nova situa\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n<p>Algumas cardiopatias cong\u00e9nitas induzem a situa\u00e7\u00f5es de elevado risco para o rec\u00e9m-nascido sendo imprescind\u00edvel para a sua sobreviv\u00eancia a imediata correc\u00e7\u00e3o cir\u00fargica da malforma\u00e7\u00e3o e a presta\u00e7\u00e3o de cuidados especializados numa Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia (UCIN).<\/p>\n<p>Os enfermeiros que, habitualmente, s\u00e3o os profissionais que mais contacto t\u00eam com a crian\u00e7a e pais, desempenham um papel essencial na promo\u00e7\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o dos pais ao seu beb\u00e9 e aos cuidados a serem prestados, fomentando o desenvolvimento de atitudes parentais positivas e de maior autonomia.<\/p>\n<h4><strong>CARDIOPATIAS CONG\u00c9NITAS<\/strong><\/h4>\n<p>Cerca de uma em cada cem crian\u00e7as nasce com uma cardiopatia, o que faz com que as cardiopatias cong\u00e9nitas sejam das malforma\u00e7\u00f5es mais frequentes, constituindo 15 a 20 por cento de todas as malforma\u00e7\u00f5es nas crian\u00e7as e consistindo na principal causa de mortalidade no per\u00edodo neonatal nos pa\u00edses desenvolvidos (Soares-Costa &amp; Kaku, 2005).<\/p>\n<p>Algumas cardiopatias cong\u00e9nitas s\u00e3o t\u00e3o graves que tornam o feto invi\u00e1vel, enquanto que outras s\u00e3o bem toleradas na vida intra-uterina e permitem o nascimento de um beb\u00e9 aparentemente saud\u00e1vel (Monterroso, 2004). Algumas destas patologias tornam-se uma imediata amea\u00e7a \u00e0 sobreviv\u00eancia logo ap\u00f3s o nascimento, sendo essencial a presta\u00e7\u00e3o de cuidados intensivos e a realiza\u00e7\u00e3o de cirurgia card\u00edaca correctiva de modo a garantir a sobreviv\u00eancia do rec\u00e9m-nascido (Magalh\u00e3es &amp; Nunes, 2005).<\/p>\n<p>Actualmente \u00e9 poss\u00edvel, com uma morbilidade e mortalidade baixas, corrigir definitivamente muitas cardiopatias cong\u00e9nitas ou proceder a interven\u00e7\u00f5es paliativas que permitem a sobreviv\u00eancia destas crian\u00e7as at\u00e9 \u00e0 idade em que ser\u00e1 poss\u00edvel a sua correc\u00e7\u00e3o total (Teles, 2000). Os avan\u00e7os significativos a n\u00edvel m\u00e9dico e cir\u00fargico das \u00faltimas d\u00e9cadas induziram a que a cardiopatia cong\u00e9nita seja, actualmente, a doen\u00e7a cr\u00f3nica mais comum na inf\u00e2ncia e na vida adulta (Tak &amp; McCubbin, 2002).<\/p>\n<p>Os factores de risco para as cardiopatias cong\u00e9nitas, podem ser classificados segundo quatro grupos de risco, nomeadamente: risco familiar; risco materno; risco ambiental e risco fetal (Massa et al., 1997 e Wong et al. , 2006). O risco familiar consiste na exist\u00eancia de hist\u00f3ria familiar de cardiopatia cong\u00e9nita; doen\u00e7as heredit\u00e1rias; cromossomopatias (ex.: S\u00edndroma de Down) ou s\u00edndromas familiares. Relativamente ao risco materno, este engloba as seguintes especificidades: idade materna avan\u00e7ada (superior a quarenta anos); diabetes; rub\u00e9ola durante a gravidez; doen\u00e7as do colag\u00e9nio e fenilceton\u00faria. O risco fetal consiste nas malforma\u00e7\u00f5es fetais (ex.: fistula traqueoesof\u00e1gica, agen\u00e9sia renal e h\u00e9rnia diafragm\u00e1tica); cromossomopatia; restri\u00e7\u00e3o do crescimento intra-uterino; altera\u00e7\u00f5es do l\u00edquido amni\u00f3tico e hidropsia fetal.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o fetal, a sua transi\u00e7\u00e3o e aberra\u00e7\u00f5es associadas \u00e0s cardiopatias cong\u00e9nitas, mant\u00eam-se essenciais para aqueles que cuidam destes rec\u00e9m-nascidos criticamente doentes (Fineman &amp; Soifer, 1998).<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o da vida intra-uterina para a vida extra-uterina consiste numa s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es que ocorrem nas primeiras seis a oito horas de vida, sendo a mais importante o in\u00edcio da respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na vida fetal, n\u00e3o h\u00e1\u00a0uma separa\u00e7\u00e3o clara entre sangue venoso e sangue arterial, porque o sangue oxigenado na placenta entra na circula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da veia umbilical progredindo para o cora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da veia cava inferior que desemboca na aur\u00edcula direita (Fineman &amp; Soifer, 1998 e Wong et al., 2006). Ao entrar na aur\u00edcula direita uma pequena prega existente no seu interior, assim como a press\u00e3o mais elevada, orientam esse sangue para a aur\u00edcula esquerda atrav\u00e9s do foramen oval. Este sangue oxigenado vai posteriormente ser bombeado para a cabe\u00e7a e extremidades superiores atrav\u00e9s da aorta. \u00c0 aur\u00edcula direita tamb\u00e9m chega o sangue venoso procedente da cabe\u00e7a e extremidades superiores, conduzido pela veia cava superior. Esse sangue passa para o ventr\u00edculo direito e da\u00ed para a art\u00e9ria pulmonar. Como os pulm\u00f5es est\u00e3o cheios de l\u00edquido amni\u00f3tico e t\u00eam press\u00f5es elevadas s\u00f3 uma pequena parte desse sangue vai nutrir os pulm\u00f5es sendo o restante dirigido para a aorta, atrav\u00e9s do canal arterial. Esse sangue vai atrav\u00e9s da aorta para as art\u00e9rias umbilicais e novamente para a placenta, onde \u00e9 oxigenado. Deste modo, na circula\u00e7\u00e3o fetal h\u00e1 press\u00f5es mais elevadas no lado direito do cora\u00e7\u00e3o do que no lado esquerdo, pelo que a resist\u00eancia da art\u00e9ria pulmonar \u00e9 superior \u00e0 da art\u00e9ria aorta.<\/p>\n<p>No momento do nascimento, o rec\u00e9m-nascido experimenta v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas. As principais e mais precoces altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o a separa\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o materna com a expuls\u00e3o da placenta e a transfer\u00eancia de um ambiente l\u00edquido para um ambiente gasoso. Imediatamente \u00e0 laquea\u00e7\u00e3o do cord\u00e3o umbilical, o rec\u00e9m-nascido torna-se independente do ponto de vista cardio-respirat\u00f3rio. Com o primeiro choro do beb\u00e9 os pulm\u00f5es expandem-se, o que diminui a sua resist\u00eancia e aumenta a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea nas art\u00e9rias pulmonares. Em consequ\u00eancia, mais sangue circula da aur\u00edcula direita para o ventr\u00edculo direito e depois para as art\u00e9rias pulmonares, sendo menor a quantidade de fluxo sangu\u00edneo entre as aur\u00edculas atrav\u00e9s do foramen oval. Nos pulm\u00f5es, a oxigena\u00e7\u00e3o faz-se com efic\u00e1cia e o sangue da\u00ed proveniente entra no cora\u00e7\u00e3o na aur\u00edcula esquerda atrav\u00e9s das veias pulmonares, aumentado a press\u00e3o no lado esquerdo e obrigando o foramen oval a encerrar. O canal arterial tamb\u00e9m vai encerrar gradualmente, conforme vai existindo maior concentra\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio no sangue e a press\u00e3o do ventr\u00edculo direito, assim como, as resist\u00eancias pulmonares v\u00e3o diminuindo progressivamente, atingindo valores pr\u00f3ximos dos do adulto no primeiro m\u00eas de vida. Com o crescimento, o ventr\u00edculo esquerdo vai aumentando a sua import\u00e2ncia e, por volta, dos seis meses ter\u00e1 a domin\u00e2ncia sobre o ventr\u00edculo direito que persistir\u00e1 para o resto da vida.<\/p>\n<p>As cardiopatias cong\u00e9nitas podem ser classificadas em quatro grupos fisiol\u00f3gicos, nomeadamente: obst\u00e1culos esquerdos, obst\u00e1culos direitos, transposi\u00e7\u00e3o das grandes art\u00e9rias e retorno venoso pulmonar an\u00f3malo total (Magalh\u00e3es &amp; Nunes, 2005).<\/p>\n<p>Os obst\u00e1culos esquerdos s\u00e3o o grupo de malforma\u00e7\u00f5es frequentes, em que a circula\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica est\u00e1 gravemente obstru\u00edda a um ou v\u00e1rios n\u00edveis, que contemplam as seguintes patologias: estenose valvular a\u00f3rtica; coarta\u00e7\u00e3o da aorta; interrup\u00e7\u00e3o do arco a\u00f3rtico e o s\u00edndroma do cora\u00e7\u00e3o hipopl\u00e1sico. Neste grupo de les\u00f5es, a circula\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica est\u00e1 dependente do canal arterial, pelo que se incluem no grupo correntemente denominado de Cardiopatias Cong\u00e9nitas Ductus-Dependentes. As crian\u00e7as que apresentam com esta patologia, s\u00e3o doentes graves e requerem diagn\u00f3stico e institui\u00e7\u00e3o de terap\u00eautica urgente, dado o risco da situa\u00e7\u00e3o se tornar irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Nos obst\u00e1culos direitos, de acordo com os autores supra citados, h\u00e1\u00a0 uma obstru\u00e7\u00e3o ao fluxo sangu\u00edneo pulmonar, que pode ocorrer em v\u00e1rios n\u00edveis do cora\u00e7\u00e3o direito. As cardiopatias cong\u00e9nitas inclu\u00eddas nos obst\u00e1culos direitos s\u00e3o: atr\u00e9sia da tric\u00faspide, tretralogia de Fallot; atr\u00e9sia ou estenose pulmonar cr\u00edtica, comunica\u00e7\u00e3o interauricular. Nestas patologias, a exist\u00eancia de d\u00e9bito sangu\u00edneo pulmonar diminu\u00eddo, com consequente limita\u00e7\u00e3o da extrac\u00e7\u00e3o de oxig\u00e9nio a n\u00edvel dos pulm\u00f5es, condiciona uma menor entrega do mesmo \u00e0 circula\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica. Ap\u00f3s o nascimento, estes beb\u00e9s apresentam insatura\u00e7\u00e3o e cianose, que tende a agravar-se com o encerramento progressivo do canal arterial, induzindo \u00e0 hipoxia grave. O canal arterial \u00e9, assim, o determinante anat\u00f3mico major do fluxo sangu\u00edneo pulmonar, e a oxigena\u00e7\u00e3o tecidular\u00e9 dependente da sua pat\u00eancia (Cardiopatia Ductus-Dependente)<\/p>\n<p>\u201cA transposi\u00e7\u00e3o das grandes art\u00e9rias \u00e9 a cardiopatia cian\u00f3tica mais frequente do rec\u00e9m-nascido\u201d (Magalh\u00e3es &amp; Nunes, 2005: 859), na qual a aorta emerge do ventr\u00edculo direito e a art\u00e9ria pulmonar do ventr\u00edculo esquerdo, o que resulta em duas circula\u00e7\u00f5es paralelas, independentes entre si. Deste modo, todo o sangue insaturado proveniente das veias cavas, volta \u00e0 circula\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica pela aorta, sem circular nos pulm\u00f5es. O sangue venoso pulmonar bem oxigenado \u00e9 de novo ejectado na pequena circula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da art\u00e9ria pulmonar, sem ser distribu\u00eddo na circula\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a vida, se n\u00e3o existirem comunica\u00e7\u00f5es que permitam a mistura entre as duas circula\u00e7\u00f5es. Na maioria das vezes, o rec\u00e9m-nascido com transposi\u00e7\u00e3o das grandes art\u00e9rias com septo interventricular \u00edntegro, o foramen oval est\u00e1 perme\u00e1vel ou existe uma comunica\u00e7\u00e3o interauricular associada, que facilita a troca bidireccional de sangue a n\u00edvel auricular. Ap\u00f3s alguns dias do nascimento, a tend\u00eancia de encerramento do canal arterial induz ao agravamento da cianose, que nestas crian\u00e7as est\u00e1 presente desde o nascimento.<\/p>\n<p>O retorno venoso pulmonar an\u00f3malo total, \u00e9\u00a0uma patologia rara e de dif\u00edcil diagn\u00f3stico. Nesta patologia as veias pulmonares drenam em conjunto ou separadamente para a aur\u00edcula direita, utilizando conductos venosos que se ligam \u00e0 veia cava superior, \u00e0 veia cava inferior, \u00e0 veia porta ou ao seio coron\u00e1rio. Os rec\u00e9m-nascidos apresentam-se com cianose, taquipneia e instabilidade hemodin\u00e2mica, que pode induzir rapidamente a uma hipox\u00e9mia sist\u00e9mica mantida com progress\u00e3o para uma acidose metab\u00f3lica grave e insufici\u00eancia card\u00edaca de dif\u00edcil controlo m\u00e9dico, sendo uma situa\u00e7\u00e3o de verdadeira urg\u00eancia cir\u00fargica.<\/p>\n<p>A abordagem diagn\u00f3stica destas patologias deve ser idealmente \u201c(\u2026) uma atitude pr\u00e9-natal pois, atrav\u00e9s da programa\u00e7\u00e3o periparto, ficam assegurados: o local e o tipo de parto; as terap\u00eauticas m\u00e9dica e cir\u00fargica; a estabiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9-operat\u00f3ria; uma maior informa\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o dos pais no processo\u201d (Magalh\u00e3es &amp; Nunes, 2005: 854).<\/p>\n<h4><strong>CUIDAR DO REC\u00c9M-NASCIDO EM PARCERIA COM OS PAIS NA UCIN<\/strong><\/h4>\n<p>A presta\u00e7\u00e3o de cuidados \u00e0\u00a0crian\u00e7a com uma cardiopatia cong\u00e9nita, come\u00e7a logo que o diagn\u00f3stico \u00e9\u00a0suspeitado (Wong et al. , 2006). O diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a grave e consequente hospitaliza\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido numa UCIN corresponde, muitas vezes, a uma situa\u00e7\u00e3o imprevista e dolorosa que perturba o equil\u00edbrio familiar.<\/p>\n<p>A UCIN \u00e9\u00a0um servi\u00e7o que procura valorizar \u201c(\u2026) tanto a satisfa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica (\u2026) como os cuidados hol\u00edsticos e humanistas que visam salvaguardar a qualidade de vida e promover o desenvolvimento dos tr\u00eas grupos humanos que se entrecruzam nesses servi\u00e7os: beb\u00e9s, pais e profissionais\u201d (Barros, 2001c: 299). \u00c9 um servi\u00e7o que tamb\u00e9m representa \u201c(\u2026) uma fonte de stress muito importante, tanto para o beb\u00e9, que pela sua imaturidade tem mais dificuldade em se adaptar \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o intensiva e continuada, como para os pr\u00f3prios pais que t\u00eam de se adaptar ao seu novo papel numa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o artificial e estranha\u201d (Barros, 2001a: 240).<\/p>\n<p>O rec\u00e9m-nascido deixa o \u00fatero materno, um lugar sossegado e acolhedor, que lhe transmitia seguran\u00e7a e protec\u00e7\u00e3o, para ingressar num mundo repleto de ru\u00eddos altos e s\u00fabitos, luzes intensas, um lugar impessoal onde \u00e9\u00a0exposto a experi\u00eancias adversas e dolorosas (Wolke, 1995).<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dos pais que vivem o internamento do seu rec\u00e9m-nascido numa UCIN, pode comportar diversas perdas: \u201c(\u2026) a perda de uma gravidez que se esperava normal; a perda de uma crian\u00e7a saud\u00e1vel e, por vezes, a perda real do beb\u00e9\u201d (Barros, 2001b: 264). Os pais ao adquirirem conhecimento do diagn\u00f3stico de cardiopatia cong\u00e9nita do filho, quer seja logo depois do nascimento ou num per\u00edodo posterior enfrentam inicialmente um per\u00edodo de choque, seguido de grande ansiedade e medo que a crian\u00e7a morra (Wong et al. , 2006). O enfermeiro pode ser fundamental no suporte aos pais na sua perda do filho imagin\u00e1rio, avaliando o seu n\u00edvel de entendimento, fornecendo a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e ajudando os outros membros da equipa de cuidados de sa\u00fade a entender a reac\u00e7\u00e3o dos pais (Wong et al. , 2006).<\/p>\n<p>As exig\u00eancias de tratamento m\u00e9dico face \u00e0 gravidade da situa\u00e7\u00e3o nem sempre permitem a disponibiliza\u00e7\u00e3o de muito tempo para a adapta\u00e7\u00e3o dos pais, necessitando que estes d\u00eaem o mais breve poss\u00edvel o seu consentimento informado para a realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos diagn\u00f3sticos e para a pr\u00f3pria interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica (Magalh\u00e3es &amp; Nunes, 2005).<\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o da malforma\u00e7\u00e3o card\u00edaca requer a utiliza\u00e7\u00e3o de meios complementares de diagn\u00f3stico sofisticados e alguns invasivos. O cateterismo card\u00edaco \u00e9 um dos exames complementares mais frequentemente utilizados e que causa grande ang\u00fastia na fam\u00edlia, isto porque n\u00e3o \u00e9 isento de riscos, o que \u00e9 informado aos pais antes de cederem o consentimento formal para a realiza\u00e7\u00e3o do mesmo. A prepara\u00e7\u00e3o para este procedimento \u00e9 da responsabilidade do cardiologista mas tamb\u00e9m do enfermeiro, que refor\u00e7a e esclarece d\u00favidas e tranquiliza a fam\u00edlia (Wong et al. , 2006).<\/p>\n<p>Os pais destas crian\u00e7as temem, habitualmente, a realiza\u00e7\u00e3o da cirurgia, uma vez que o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o nobre do corpo e \u00e9 tido, culturalmente, como o mais importante para a sobreviv\u00eancia. No entanto, reconhecem a sua necessidade, apesar dos riscos, pois a sua n\u00e3o concretiza\u00e7\u00e3o levar\u00e1 \u00e0 morte da crian\u00e7a. A prepara\u00e7\u00e3o para a cirurgia card\u00edaca deve ser realizada da forma mais individualizada poss\u00edvel e os pais devem ter oportunidade de conhecer o enfermeiro de refer\u00eancia que lhe prestar\u00e1 cuidados no per\u00edodo p\u00f3s-operat\u00f3rio, tomar conhecimento do meio onde ficar\u00e1 a crian\u00e7a, equipamento e procedimentos utilizados durante o p\u00f3s-operat\u00f3rio (Wong et al. , 2006).<\/p>\n<p>Para minimizar os efeitos colaterais da hospitaliza\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido, a equipa de sa\u00fade respons\u00e1vel pela presta\u00e7\u00e3o de cuidados, dever\u00e1 integrar os pais na sua presta\u00e7\u00e3o. O enfermeiro, cuidador mais directo e pr\u00f3ximo do rec\u00e9m-nascido e dos pais, \u00e9 o elemento da equipa de sa\u00fade que se encontra privilegiadamente preparado e posicionado para agir como promotor do processo de aproxima\u00e7\u00e3o e interac\u00e7\u00e3o pais \u2013 rec\u00e9m-nascido, envolvendo-os nos cuidados.<\/p>\n<p>Durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o, os enfermeiros devem promover o cuidado centrado na fam\u00edlia, que consiste numa \u201c(&#8230;) filosofia do cuidado em que o papel pivot da fam\u00edlia \u00e9 reconhecido e respeitado na vida das crian\u00e7as com necessidades especiais. Nesta filosofia a fam\u00edlia deve receber suporte em sua forma natural de cuidar e nos pap\u00e9is de tomada de decis\u00e3o para construir suas for\u00e7as como pessoas e fam\u00edlias. Nesta filosofia pais e profissionais s\u00e3o vistos como iguais em uma parceria para desenvolver \u00f3ptima qualidade em todos os n\u00edveis de cuidados da sa\u00fade\u201d (Dunst &amp; Trivette, 1996; citado por Caetano, 2004: 336). Deste modo, \u00e9 determinante a valoriza\u00e7\u00e3o do papel da fam\u00edlia como principal cuidador, o que implica a exist\u00eancia de uma profunda rela\u00e7\u00e3o entre o enfermeiro respons\u00e1vel e a fam\u00edlia, com o intuito de promover a partilha de compet\u00eancias entre ambos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o parto e antes de transferir o rec\u00e9m-nascido para a UCIN, a equipa de cuidados de sa\u00fade deve permitir aos pais ver e tocar o seu filho, uma vez que esta interven\u00e7\u00e3o parece diminuir sentimentos de culpa e ressentimentos, ajudando os pais a se adaptarem \u00e0 situa\u00e7\u00e3o (Shields-Poe &amp; Pinelli, 1997; referidos por Aita &amp; Snider, 2003).<\/p>\n<p>Durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o do beb\u00e9 numa UCIN, muitas m\u00e3es conformam-se em deixar os cuidados maternos para a equipa de enfermagem, porque julgam que esta ter\u00e1 maior compet\u00eancia para cuidar do seu filho, sem coloc\u00e1-lo em maior risco (Klaus &amp; Kennell, 1993). Os sentimentos de impot\u00eancia e de incapacidade das m\u00e3es podem ser agravados pelas barreiras f\u00edsicas colocadas ao contacto com o beb\u00e9, nomeadamente a incubadora e os aparelhos de monitoriza\u00e7\u00e3o, os quais reduzem a possibilidades de interac\u00e7\u00e3o (Barros, 2001b). \u201cEstas m\u00e1quinas s\u00e3o, por isso, sentidas, simultaneamente, como imprescind\u00edveis \u00e0 sobreviv\u00eancia do beb\u00e9 e amea\u00e7adoras, porque anulam o papel da m\u00e3e\u201d (Barros, 2001b: 264). A m\u00e3e ao sentir-se incapaz ou insegura para cuidar do filho, poder\u00e1 afastar-se, perdendo ou diminuindo o sentimento de vincula\u00e7\u00e3o pela crian\u00e7a, o que pode induzir \u00e0 descren\u00e7a na recupera\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido e consequente abandono (Brazelton, 2000).<\/p>\n<p>Atendendo \u00e0\u00a0import\u00e2ncia da presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o dos pais nos cuidados prestados \u00e0s crian\u00e7a, em 1977 a World Health Organization \u201c(\u2026) recomendou que as crian\u00e7as, no hospital, tivessem visitas ilimitadas dos pais e que as crian\u00e7as mais pequenas fossem admitidas com as m\u00e3es\u201d (Jorge, 2004: 35). Deste modo, procuravam minorar o efeito do afastamento da crian\u00e7a do seu meio natural, n\u00e3o a privando por completo dos seus la\u00e7os afectivos habituais e tendo igualmente em vista a colabora\u00e7\u00e3o, responsabilidade e apoio da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em Portugal, o direito ao acompanhamento dos seus pais ao filho rec\u00e9m-nascido durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 asseverado Lei n.\u00ba 21\/81 e pelo Decreto-Lei n.\u00ba 26\/87. O acompanhamento est\u00e1 previsto no per\u00edodo diurno e, em situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a grave, com risco de vida, tamb\u00e9m no per\u00edodo nocturno, implicando o respeito pelas instru\u00e7\u00f5es e regras t\u00e9cnicas relativas aos cuidados de sa\u00fade, sem preju\u00edzo do normal funcionamento dos servi\u00e7os, de modo a adaptar as unidades existentes \u00e0 presen\u00e7a dos pais. No entanto, o acompanhamento das crian\u00e7as pelos pais \u201c(\u2026) continua a n\u00e3o ser facilitado pelas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de internamento (o espa\u00e7o \u00e9 muitas vezes restrito, s\u00f3 em raras institui\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel aos pais pernoitarem com a crian\u00e7a em condi\u00e7\u00f5es de conforto minimamente adequadas, cont\u00ednua a haver grandes dificuldades para os pais obterem dispensas de servi\u00e7os necess\u00e1rias a esses acompanhamentos)\u201d (Barros, 1998: 12).<\/p>\n<p>Os enfermeiros, em conformidade com alguns autores, devem promover os seguintes cuidados com o intuito de minimizar os efeitos da hospitaliza\u00e7\u00e3o na UCIN no rec\u00e9m-nascido e nos seus pais:<\/p>\n<ul>\n<li>Evitar a manipula\u00e7\u00e3o excessiva dos rec\u00e9m-nascidos para execu\u00e7\u00e3o de rotinas m\u00e9dicas e de enfermagem, recomendando a cria\u00e7\u00e3o de protocolos de manipula\u00e7\u00e3o m\u00ednima, nos quais os procedimentos m\u00e9dicos e rotinas s\u00e3o agrupados e definidos per\u00edodos de repouso ap\u00f3s esses procedimentos.<\/li>\n<li>Promover hor\u00e1rios flex\u00edveis de visita e as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que os pais se sintam bem-vindos;<\/li>\n<li>Incentivar os pais a participarem nos cuidados;<\/li>\n<li>Ajudar os pais a adaptarem-se \u00e0 imagem do rec\u00e9m-nascido real;<\/li>\n<li>Explicar aos pais todo o equipamento envolvido nos cuidados ao rec\u00e9m-nascido;<\/li>\n<li>Contribuir para a diminui\u00e7\u00e3o de sentimentos de culpa por ter um rec\u00e9m-nascido que necessita de cuidados de sa\u00fade especializados;<\/li>\n<li>Incentivar a personaliza\u00e7\u00e3o do ambiente envolvente ao filho com fotos e adornos;<\/li>\n<li>Promover a forma\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo afectivo com o rec\u00e9m-nascido, enfatizando a interac\u00e7\u00e3o m\u00fatua de modo a que no dia-a-dia percepcionem as necessidades do filho;<\/li>\n<li>Incentivar os pais a estabelecerem contacto f\u00edsico com o rec\u00e9m-nascido e explicar as formas de comunica\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido;<\/li>\n<li>Manter os pais sempre informados sobre o estado cl\u00ednico do rec\u00e9m-nascido.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"right\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0(Jorge, 2004; Barros, 2001c e Klaus &amp; Kennell, 1993)<\/p>\n<h4><strong>PREPARA\u00c7\u00c3O PARA OS CUIDADOS CONTINUADOS NO DOMIC\u00cdLIO<\/strong><\/h4>\n<p>Uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, como \u00e9\u00a0o caso das cardiopatias cong\u00e9nitas, constitui uma preocupa\u00e7\u00e3o ao longo da vida, pelo que \u00e9 essencial que os profissionais de sa\u00fade sejam capazes de apoiar efectivamente estas fam\u00edlias na mobiliza\u00e7\u00e3o de energias e recursos, promotores de uma robustez psicol\u00f3gica capaz de fazer face aos desafios que esta experi\u00eancia de vida acarreta durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o ou nos cuidados a serem prestados no domic\u00edlio.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o para a alta deve, idealmente, ter in\u00edcio no momento da hospitaliza\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a para a cirurgia card\u00edaca, associada a uma cont\u00ednua avalia\u00e7\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o dos pais \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade alteradas do filho (Wong et al., 2006).<\/p>\n<p>As principais quest\u00f5es sobre as quais deve recair a prepara\u00e7\u00e3o para a alta e cuidados domicili\u00e1rios ao rec\u00e9m-nascido submetido a cirurgia card\u00edaca visam essencialmente capacitar os pais para reconhecer sintomatologia associada \u00e0 doen\u00e7a card\u00edaca e para tomar decis\u00f5es sobre a sua transitoriedade ou a necessidade de recorrer aos servi\u00e7os de sa\u00fade (Wong et al., 2006 e Figueiredo, 1999). A fam\u00edlia poder\u00e1 ainda necessitar de instru\u00e7\u00f5es escritas e verbais sobre a terap\u00eautica, nutri\u00e7\u00e3o, restri\u00e7\u00f5es de actividade, sintomatologia de complica\u00e7\u00f5es (Wong et al., 2006).<\/p>\n<p>A nutri\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a \u00e9 considerada uma \u00e1rea de grande investimento dos pais, pelas dificuldades de que se reveste e pela import\u00e2ncia para a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da crian\u00e7a (Figueiredo, 1999). Oferecer aos rec\u00e9m-nascidos com cardiopatia cong\u00e9nita uma nutri\u00e7\u00e3o adequada \u00e9 muitas vezes dif\u00edcil por causa das suas altas necessidades cal\u00f3ricas e incapacidade de sugar com efic\u00e1cia por causa da fadiga e da taquipneia (Wong et al., 2006). Os enfermeiros desempenham um papel essencial no ensino sobre a alimenta\u00e7\u00e3o com leite artificial ou amamenta\u00e7\u00e3o durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o, promovendo a autonomia e seguran\u00e7a dos pais para estes cuidados no domic\u00edlio.<\/p>\n<p>O cuidados a ter com o n\u00edvel de actividade f\u00edsica da crian\u00e7a no domic\u00edlio, consiste numa preocupa\u00e7\u00e3o frequente dos pais. As decis\u00f5es no que respeita \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de actividade devem ser feitas numa base individual sob o conselho do cardiologista. Habitualmente, as crian\u00e7as n\u00e3o necessitam de restringir a actividade e a melhor abordagem \u00e9 tratar a crian\u00e7a normalmente e permitir a actividade auto-limitada (Wong et al., 2006).<\/p>\n<p>Na prepara\u00e7\u00e3o para a alta hospitalar tamb\u00e9m deve ser salientada a import\u00e2ncia de favorecer o crescimento e desenvolvimento da crian\u00e7a, promovendo a normaliza\u00e7\u00e3o da sua vida e a dos pais, elucidando-os sobre o impacto que a doen\u00e7a tem no seu desenvolvimento f\u00edsico e emocional (Figueiredo, 1999). Outro problema que se pode desenvolver no \u00e2mbito dos relacionamentos da fam\u00edlia \u00e9 a depend\u00eancia da crian\u00e7a como resultado do medo dos pais de que a crian\u00e7a possa morrer (Wong et al., 2006). A melhor forma para lidar com este dilema \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o. Alguns pais necessitar\u00e3o de assist\u00eancia para que reconhe\u00e7am os perigos consequentes da depend\u00eancia continuada e sobre-protec\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que a crian\u00e7a cresce.<\/p>\n<p>Os enfermeiros devem ensinar aos pais a sintomatologia que devem estar alerta para detectar precocemente o surgimento de complica\u00e7\u00f5es, nomeadamente: dores no peito, paragem card\u00edaca s\u00fabita, cianose mais acentuada do que o habitual na crian\u00e7a (crises an\u00f3xicas), aumento do cansa\u00e7o aos esfor\u00e7os, descansar em posi\u00e7\u00e3o de c\u00f3coras ap\u00f3s esfor\u00e7os, falta de ar, tonturas e desmaios, palpita\u00e7\u00f5es, hipertens\u00e3o arterial e ganho de peso insuficiente (Monterroso, 2004).<\/p>\n<p>Atendendo \u00e0 ansiedade inerente no cuidar de um rec\u00e9m-nascido com cardiopatia cong\u00e9nita no domic\u00edlio e \u00e0 quantidade de informa\u00e7\u00e3o concedida pelos profissionais de sa\u00fade sobre os cuidados, os pais podem sentir dificuldade em apreender todos os ensinos efectuados. Corroborando este facto, um estudo de investiga\u00e7\u00e3o efectuado num hospital universit\u00e1rio canadiano com m\u00e3es de crian\u00e7as submetidas a cirurgia card\u00edaca, evidenciou a dificuldade das m\u00e3es em compreenderem toda a informa\u00e7\u00e3o recebida sobre os cuidados a ter com a crian\u00e7a no domic\u00edlio, apesar da amostra ser constitu\u00edda por mulheres com habilita\u00e7\u00f5es acima da m\u00e9dia (Stinson &amp; McKeever, 1995).<\/p>\n<h4><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<p>AITA, Marilyn &amp; SNIDER, Laurie \u2013 The art of developmental care in the NICU: a concept analysis. Journal of Advanced Nursing. Oxford. ISSN: 0309-2402. Vol. 41, n.\u00ba 3 (2003) p. 223-231.<\/p>\n<p>BARROS, Lu\u00edsa \u2013 As consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas da hospitaliza\u00e7\u00e3o infantil: preven\u00e7\u00e3o e controlo. An\u00e1lise Psicol\u00f3gica. Lisboa. ISSN 0870-8231. 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Disserta\u00e7\u00e3o para admiss\u00e3o ao concurso de provas p\u00fablicas para professor coordenados da Escola de Enfermagem Cidade do Porto. 149 p.<\/p>\n<p>FINEMAN, Jeffrey &amp; SOIFER, Scott \u2013 \u201cThe fetal and neonatal circulations\u201d In CHANG, Anthony [et al.] \u2013 Pediatric Cardiac Intensive Care. Canad\u00e1: Williams &amp; Wilkins, 1998. ISBN: 0-683-01508-7. p. 17-23.<\/p>\n<p>JORGE, Ana \u2013 Fam\u00edlia e hospitaliza\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a: (re) pensar o cuidar em enfermagem. Loures: Lusoci\u00eancia, 2004. ISBN: 972-8383-79-7. 192 p.<\/p>\n<p>Klaus, Marshall &amp; KENNELL, John \u2013 Pais\/Beb\u00e9: A forma\u00e7\u00e3o do apego. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1993. CDU: 159.922.7-1053.3. 329 p.<\/p>\n<p>LEI N.\u00ba 21\/81 de 19 de Agosto \u2013 Di\u00e1rio da Rep\u00fablica n.\u00ba 189 \u2013 I S\u00e9rie, 1981: 2129<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES, Manuel &amp; NUNES, Maria \u2013 \u201cCardiopatias cong\u00e9nitas cr\u00edticas no rec\u00e9m-nascido\u201d In GRA\u00c7A, Lu\u00eds \u2013 Medicina Materno Fetal 2.2\u00aa ed. Lisboa: Lidel \u2013 Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas, 2005. ISBN: 972-757-148-4. p. 853-865.<\/p>\n<p>MASSA, Ros\u00e1rio [et al.] \u2013 Rec\u00e9m-nascido com cardiopatia: diagn\u00f3stico pr\u00e9 e p\u00f3s-natal. Acta Pedi\u00e1trica Portuguesa. Lisboa. ISSN: 0301-147X. Vol. 28, n.\u00ba 6 (1997) p. 499-503.<\/p>\n<p>MONTERROSO, Jos\u00e9\u00a0 \u2013 Um grande cora\u00e7\u00e3o: manual da crian\u00e7a com doen\u00e7a card\u00edaca. 3\u00aa ed. Lisboa: Gr\u00e1fica Vilar do Pinheiro, 2004. Dep\u00f3sito Legal: 205468\/04. 120 p.<\/p>\n<p>STINSON, J &amp; McKEEVER, P \u2013 Mother\u2019s information needs related to caring for infants at home following cardiac surgery. Pediatric Nursing. Harrow-on-the-Hill. ISSN: 00977-9805. Vol. 10, n.\u00ba 1 (1995) p. 48-57.<\/p>\n<p>SOARES-COSTA, J. &amp; KAKU, Sashicanta \u2013 Cardiopatias cong\u00e9nitas. Lisboa: Permanyer Portugal, 2005. ISBN: 972-733-069-X. 102 p.<\/p>\n<p>TAK, Young &amp; McCUBBIN, Marilyn \u2013 Family stress, perceived social support and coping following the diagnosis of a child\u2019s congenital heart disease. Journal of Advanced Nursing. Oxford. ISSN: 0309-2402. Vol. 39, n.\u00ba 2 (2002) p. 190-198.<\/p>\n<p>TELES, Vera \u2013 Cuidados Intensivos Pedi\u00e1tricos \u2013 A crian\u00e7a submetida a cirurgia card\u00edaca. Coimbra: Sinais Vitais, 2000. ISBN: 972-8485-14-X. p. 5 \u2013 11.<\/p>\n<p>WOLKE, Dieter \u2013 \u201cUm ambiente estimulante para os beb\u00e9s na Unidade de Cuidados Intensivos\u201d In PEDRO-GOMES, Jo\u00e3o &amp; PATR\u00cdCIO, Madalena \u2013 Beb\u00e9 XXI: crian\u00e7a e fam\u00edlia na viragem do s\u00e9culo. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 1995. ISBN: 972-31-0664-7. p. 251-270.<\/p>\n<p>WONG, Donna [et al.] \u2013 \u201cPediatric Nursing\u201d. In PERRY, Shamon; LOWDERMILK, Deltra &amp; WONG, Donna \u2013 Maternal child nursing care. 3\u00aa ed. St Louis: Copyright Material, 2006. ISBN: 0-323-02865-9. pp. 1578-1582.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/?name=d33be9805ff33117.jpg&amp;attid=0.1&amp;disp=vahi&amp;view=att&amp;th=12aeb91363226ad3\" alt=\"O seu browser pode n\u00e3o suportar a apresenta\u00e7\u00e3o desta imagem.\" width=\"1\" height=\"1\" border=\"0\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o da vida intra-uterina para a vida extra-uterina consiste numa s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es que ocorrem nas primeiras seis a oito horas de vida, sendo a mais importante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[727,730,232,397,728,230,729,731],"class_list":["post-1434","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-cardiopatia","tag-cardiopatia-congenita","tag-cuidados-intensivos","tag-familia","tag-intensivos","tag-neonatologia","tag-recemnascido","tag-uci"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1434"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2734,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1434\/revisions\/2734"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}