{"id":1432,"date":"2010-11-10T13:25:24","date_gmt":"2010-11-10T13:25:24","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-terapeutica-com-o-doente-com-perturbacoes-psiquiatricas\/"},"modified":"2021-05-04T09:31:05","modified_gmt":"2021-05-04T09:31:05","slug":"comunicacao-terapeutica-com-o-doente-com-perturbacoes-psiquiatricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-terapeutica-com-o-doente-com-perturbacoes-psiquiatricas\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o Terap\u00eautica com o Doente com Perturba\u00e7\u00f5es Psiqui\u00e1tricas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">O grande problema, para al\u00e9m de outros factores reside no facto de os pr\u00f3prios n\u00e3o terem cr\u00edtica para cooperarem no tratamento, tendo assim reca\u00eddas frequentes e um eventual agravamento progressivo<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p>Comunica\u00e7\u00e3o Terap\u00eautica com o Doente com Perturba\u00e7\u00f5es Psiqui\u00e1tricas<\/p>\n<p>Therapeutic Communication with the Patient with Psychiatric Disorders<\/p>\n<p><em>Nursing n\u00ba262<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autora<\/strong><\/h4>\n<p>Maria Carolina Trigo Cunha<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>As doen\u00e7as do foro psiqui\u00e1trico s\u00e3o uma das que provocam mais sofrimento aos pacientes e familiares. Aqueles porque nem sempre t\u00eam cr\u00edtica para a sua descompensa\u00e7\u00e3o, o que dificulta o diagn\u00f3stico precoce e a ades\u00e3o ao tratamento e estes porque nem sempre conseguem compreender e lidar com o seu doente.<\/p>\n<p>Estamos na primeira d\u00e9cada do terceiro mil\u00e9nio e verifica-se que ainda persiste o problema da estigmatiza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o inerente \u00e0queles que padecem destas enfermidades, comparativamente a doentes que sofrem de outras patologias.<\/p>\n<p>Como profissional n\u00e3o penso por enquanto em perspectivas de cura, mas no al\u00edvio dos seus sintomas, diminui\u00e7\u00e3o do sofrimento e na obten\u00e7\u00e3o de uma qualidade de vida o mais aceit\u00e1vel poss\u00edvel. Uma boa rela\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica, escuta activa, o respeito e proximidade afectiva, entre enfermeiro e doente s\u00e3o por vezes t\u00e3o valiosos, como um f\u00e1rmaco. Neste artigo menciono algumas formas de comunica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica e estrat\u00e9gias de actua\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de doentes potencialmente violentos.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p>The physichiatries diseases area are the one that causes more pain to the patients and the familier. Those, because they don\u00b4t not always have a critic for it\u2019s descompensation, wich males the earloy diagnosis and the envollment to the treatment and these because do not always reach the understanding how to deal with his patient we are on the tirst decade of the third millennium and we can still notice the problem of stigmatization and discrimination to wards the one that suffer from theses discases comparatively to the patients that suffer from other pathologies. As a professional I don\u2019t mean while think in perspectives of cure, but in the relief of their symptons, the diminishing of their suffering and they have of a quality of life the more acceptable as possible. A goad empatic, relationship, active listening, the respect and affective proximity between nurse and patient are as such so valuable as a prescripton drug. In this article I present some forms of therapeutics communication and strategies of acting in situations with potentially violent patients.<\/p>\n<h4><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil informar e cuidar num dom\u00ednio t\u00e3o complexo, como s\u00e3o as misteriosas doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, sobretudo a Psicose Man\u00edaco Depressiva e a Esquizofrenia. Gomes Ant\u00f3nio 2005, p\u00e1g.4, refere que temos muito que aprender sobre as doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas porque s\u00e3o as que mais dizem sobre a natureza humana, um livro por abrir sobre os nossos limites e fragilidades.<\/p>\n<p>Os problemas n\u00e3o resultam apenas das doen\u00e7as em si, mas tamb\u00e9m dos preconceitos enraizados contra as enfermidades mentais e contra a Psiquiatria. Ju\u00edzos que s\u00e3o fruto da ignor\u00e2ncia, de concep\u00e7\u00f5es ultrapassadas e dos medos ancestrais da loucura. No fundo uma forma de xenofobia.<\/p>\n<p>Primeiro que tudo, h\u00e1 que sublinhar que estas doen\u00e7as s\u00e3o como quaisquer outras. T\u00eam causas, mecanismos patog\u00e9nicos, uma evolu\u00e7\u00e3o natural, sinais e sintomas que permitem um diagn\u00f3stico, evolu\u00e7\u00e3o e um tratamento.<\/p>\n<p>O sentimento de inseguran\u00e7a no emprego, os contratos prec\u00e1rios, as exig\u00eancias emocionais, a tens\u00e3o e a hostilidade, s\u00e3o alguns dos factores que est\u00e3o a promover o stress e a depress\u00e3o. E, com tend\u00eancia para aumentarem (Gabbardo O. Glen 2009, P\u00e1g 377). Existem pessoas que sofrem, se perturbam, se desadaptam e que entram em crise mas que a podem superar total ou parcialmente (Stuart 1997,P\u00e1g 128).<\/p>\n<p>Em todas estas patologias h\u00e1\u00a0 formas mais ou menos graves. E, na \u00e9poca em que vivemos, de avan\u00e7os terap\u00eauticos importantes, conv\u00e9m lembrar, que a evolu\u00e7\u00e3o destas enfermidades depende em muito da precocidade da sua detec\u00e7\u00e3o, da boa ades\u00e3o ao tratamento e do apoio familiar, entre outros. Se por vezes usam o termo \u00abesquizofr\u00e9nico\u00bb como ep\u00edteto depreciativo para caracterizar advers\u00e1rios pol\u00edticos, por exemplo, fazem-no por arrevesada pedantice mas sem \u00e9tica, pois o nome destas patologias que afligem tanto as pessoas e as fam\u00edlias deve ser respeitado e n\u00e3o usado para depreciar.<\/p>\n<p>O grande problema, para al\u00e9m de outros factores reside no facto de os pr\u00f3prios n\u00e3o terem cr\u00edtica para cooperarem no tratamento, tendo assim reca\u00eddas frequentes e um eventual agravamento progressivo. Mas muitos destes doentes pensam, sentem, avaliam, agem e possuem as suas pr\u00f3prias ideias sobre o que se passa consigo (Lyll Portugal 2005, Pag.99). Alguns t\u00eam desejos e ter\u00e3o naturalmente projectos. A pessoa pode, e deve saber, ter informa\u00e7\u00e3o no momento certo acerca das particularidades que envolvem as doen\u00e7as. Sendo portadores destas perturba\u00e7\u00f5es t\u00eam direito \u00e0 palavra, a ser ouvidos e interpretados, mesmo no seu desacerto tempor\u00e1rio ou persistente. (Serra Adriano Vaz e Outros 2008, P\u00e1g 201)<\/p>\n<p>Este trabalho est\u00e1 dividido, basicamente, em tr\u00eas partes:<\/p>\n<p>Na primeira apresento de uma forma simples alguns princ\u00edpios elementares que visam melhorar a comunica\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 atrav\u00e9s desta que se transmitem e recebem mensagens, e nos relacionamos.<\/p>\n<p>Na segunda, abordo o conte\u00fado em contexto de comunica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica que no momento de redigir este trabalho me pareceu mais pertinente e que procuro usar no dia-a-dia da minha profiss\u00e3o afecta \u00e0 \u00e1rea da Psiquiatria e que tem resultado. Na terceira e \u00faltima parte menciono algumas estrat\u00e9gias de actua\u00e7\u00e3o a doentes suscept\u00edveis de apresentarem alguma perigosidade.<\/p>\n<p>\u00c9 meu objectivo:<\/p>\n<p>&#8211; Veicular alguma informa\u00e7\u00e3o com vista a uma pr\u00e1tica mais humanizada.<\/p>\n<p>&#8211; Enfatizar a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica como facilitadora do acto de cuidar.<\/p>\n<h4><strong>Alguns Princ\u00edpios que Visam Melhorar a Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Para melhorar a comunica\u00e7\u00e3o interpessoal, quer como emissor, quer com receptor, devemos regermo-nos por alguns princ\u00edpios, nomeadamente:<\/p>\n<ul>\n<li>Falar de forma clara, correcta e simples, n\u00e3o nos expressarmos demasiado alto nem muito baixo.<\/li>\n<li>Concentrarmo-nos na mensagem e induzirmos os outros tamb\u00e9m a faz\u00ea-lo.<\/li>\n<li>Ser breve; manter uma postura correcta, um rosto aberto, simp\u00e1tico atencioso, receptivo e prest\u00e1vel. Mostrar interesse. \u00c9 sem d\u00favida alguma, importante e influenciador n\u00e3o tanto a comunica\u00e7\u00e3o em si mas a qualidade da mesma, no que se reporta \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do nosso bem-estar e qualidade de vida. Ainda inserido no contexto da comunica\u00e7\u00e3o interpessoal existe um factor deveras importante, a quest\u00e3o das dist\u00e2ncias.<\/li>\n<li>Todos n\u00f3s temos o nosso espa\u00e7o social e psicol\u00f3gico que n\u00e3o desejamos invadido. Este tipo de doentes (Neuroses Obsessivas de Limpeza, Esquizofrenias, entre outras), tendem adoptar uma postura de afastamento (Stuart M.1998, P\u00e1g 87) pelo que adquirem maior relev\u00e2ncia, assim:<\/li>\n<li>As \u00edntimas que se distanciam do interlocutor, meio metro, as sociais que v\u00e3o de um a um metro e meio e, finalmente a dist\u00e2ncia p\u00fablica que \u00e9 a mais extensa e vai de dois a trinta metros. Existe a comunica\u00e7\u00e3o verbal e a n\u00e3o verbal, esta pode assumir duas formas: &#8211; A comunica\u00e7\u00e3o prox\u00e9mica, em que a pessoa afastada ex: namoro, um segredo; e a cin\u00e9tica, em que a transmiss\u00e3o \u00e9 feita atrav\u00e9s de movimentos do corpo tais como; sorrir, acenar, expressar alegria e ou tristeza. E os sil\u00eancios que podem ser um momento de profunda troca de emo\u00e7\u00f5es e sentimentos.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Comunica\u00e7\u00e3o Terap\u00eautica com o Doente com Perturba\u00e7\u00f5es Psiqui\u00e1tricas<\/strong><\/h4>\n<p>Se em qualquer doente a primeira entrevista \u00e9 essencial, com estes pacientes o primeiro contacto \u00e9 onde se decide o estabelecimento do processo emp\u00e1tico e em que existe a possibilidade de criar a confian\u00e7a para o futuro.<\/p>\n<p>Assim, no \u00e2mbito da entrevista, aquando da sua entrada, o enfermeiro deve:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0Apresentar-se, explicar os motivos da entrevista, proporcionar privacidade e dar \u00eanfase \u00e0 confidencialidade. Fazer avalia\u00e7\u00e3o f\u00edsica e obter toda a informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel virada para os objectivos terap\u00eauticos. Terminando com um gesto de agradecimento pela coopera\u00e7\u00e3o recebida.<\/li>\n<li>\u00a0Mostrar empatia afim de compreender os pensamentos do doente. N\u00e3o basta compreend\u00ea-los se n\u00e3o formos capazes de o transmitir. A empatia diz respeito a uma compreens\u00e3o profunda e partilhada com o doente (Rosylan C 1997, P\u00e1g 49). Tem como finalidade compreend\u00ea-lo e permitir-lhe que evolua e se desenvolva em conformidade com o seu desejo. Para ser emp\u00e1tico, o enfermeiro deve possuir flexibilidade suficiente para p\u00f4r de lado o seu quadro de refer\u00eancia habitual e inserir-se no doente a fim de identificar e compreender as suas mensagens expl\u00edcitas e impl\u00edcitas, identificar n\u00e3o s\u00f3 as emo\u00e7\u00f5es como tamb\u00e9m o contexto em que as vive, (Rosylan Corney 1997, P\u00e1g 50).<\/li>\n<li>\u00a0Escutar, pois a capacidade de escuta segundo Rosylan 1997, P\u00e1g 51, constitui o fulcro da rela\u00e7\u00e3o de ajuda, pelo que \u00e9 indissoci\u00e1vel da aquisi\u00e7\u00e3o das diferentes capacidades (de respeito, empatia, congru\u00eancia e clarifica\u00e7\u00e3o) inerentes a essa rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma arte que todos os enfermeiros devem desenvolver. Escutar, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 simplesmente ouvir. \u00c9 descobrir todos os indicadores fornecidos pelo doente. O que requer do T\u00e9cnico de Sa\u00fade uma grande abertura \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o obrigando-o a um empenhamento total que possa captar todos os indicadores emitidos pelo paciente, tanto verbal como n\u00e3o verbalmente.<\/li>\n<li>\u00a0Compreender os doentes com especificidades pr\u00f3prias, que j\u00e1 foram consultados por v\u00e1rios m\u00e9dicos e lhes disseram que n\u00e3o tinham nada receitando-lhes placebos (no caso dos Hipocondr\u00edacos).<\/li>\n<li>\u00a0Aceit\u00e1-lo como doente, pois padece de uma doen\u00e7a se bem que a Medicina ainda n\u00e3o esteja preparada para lhe dar uma solu\u00e7\u00e3o definitiva (Stuart M. 1998, P\u00e1g 36)<\/li>\n<li>\u00a0Inform\u00e1-lo de que o seu problema pode ter componentes org\u00e2nicos, psicossociais, mas n\u00e3o desanimar. \u00c9 importante diminuir-lhe o stress de forma a melhorar a sua qualidade de vida.<\/li>\n<li>\u00a0Algumas vezes s\u00e3o doentes com baixa auto-estima, sentimentos de menos valia, que tiveram pouco \u00eaxito a n\u00edvel familiar, social ou laboral, sedentos de afecto e famintos de vida, e por isso a nossa ajuda e carinho s\u00e3o sempre ben\u00e9ficos.<\/li>\n<li>\u00a0Estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a. O \u00eaxito das nossas actua\u00e7\u00f5es depender\u00e1 grandemente da percep\u00e7\u00e3o que o doente tiver da nossa rela\u00e7\u00e3o com ele, sendo a compreens\u00e3o e empatia imprescind\u00edvel para facilitar o processo terap\u00eautico evolutivo.<\/li>\n<li>\u00a0 Mostrar naturalidade, ambiente sossegado e seguro.<\/li>\n<li>\u00a0Promover uma \u00abcerta dist\u00e2ncia\u00bb, pois n\u00e3o deve existir confus\u00e3o de pap\u00e9is e envolvimento emocional, j\u00e1 que podem ser condicionadores da pr\u00e1tica terap\u00eautica.<\/li>\n<li>\u00a0Facilitar a conduta verbal e n\u00e3o verbal, ajudando-o a iniciar e prosseguir a conversa sem indicar nem sugerir conte\u00fados; respeitando os seus sil\u00eancios.<\/li>\n<li>\u00a0Tranquiliz\u00e1-lo, se necess\u00e1rio inform\u00e1-lo da natureza e progn\u00f3stico da sua doen\u00e7a, em fun\u00e7\u00e3o do seu grau de compreens\u00e3o, bem como dos condicionamentos que a informa\u00e7\u00e3o lhe pode causar.<\/li>\n<li>\u00a0N\u00e3o lhe criar falsas expectativas. Ajud\u00e1-lo a aliviar os sintomas, a diminuir o sofrimento obtendo, assim, uma qualidade de vida aceit\u00e1vel.<\/li>\n<li>\u00a0A incerteza quanto \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a incute no doente e fam\u00edlia inseguran\u00e7a, medo de reca\u00edda, perda da autonomia em alguns casos super protec\u00e7\u00e3o. Devemos pois esclarec\u00ea-los de forma a minimizar este tipo de sentimentos e adoptarem atitudes mais terap\u00eauticas.<\/li>\n<li>\u00a0Tentar incutir no doente de que os sentimentos negativos que manifestam, quando est\u00e3o mais em baixo, ir\u00e3o ser superados gradualmente, j\u00e1 que os anti depressivos, sobretudo os Tric\u00edclicos (Anafranil, Trazadone, Ludiomil entre outros. N\u00e3o produzem efeitos imediatos, s\u00f3 ao fim de 15 a 20 dias \u00e9 que come\u00e7am actuar (Gabbardo O. Glen 2009, P\u00e1g 549). Provocam efeitos secund\u00e1rios diferentes em pessoas diferentes. Assegurar-lhes que n\u00e3o induzem habitua\u00e7\u00e3o. (Gabbardo. O. Glen 2009, P\u00e1g 549).<\/li>\n<li>\u00a0Motiv\u00e1-los a cuidar da sua imagem, a sair de casa, ir \u00e0s compras, ao caf\u00e9. Evitar o isolamento. Todos estes factores tendem a aumentar a auto-estima.<\/li>\n<li>\u00a0Se as crises forem c\u00edclicas anotar quando surgem os epis\u00f3dios, a fim de pedirem ajuda e evitar situa\u00e7\u00f5es potencialmente gravosas, como endividamentos excessivos e outros problemas. Incentivar os doentes bipolares a entregar as chaves do carro, os cart\u00f5es de cr\u00e9dito e o livro de cheques aos familiares, quando se aperceberem de que est\u00e3o a sentir os sinais da doen\u00e7a.<\/li>\n<li>\u00a0Desculpabiliz\u00e1-los, alguns, dado a especificidade da doen\u00e7a, tendem a sentir-se poderosos, empreendedores e desinibidos. Posteriormente, sentem-se tristes e com sentimentos de culpa por terem tido contra\u00eddo dividas excessivas e tido comportamentos prepotentes e indelicados para com os seus superiores hier\u00e1rquicos e colegas.<\/li>\n<li>\u00a0Alertar para os principais sintomas de aviso, manifestados por: Nervosismo, ins\u00f3nia, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, isolamento social, perda de interesse por actividades anteriormente prazerosas, humor depressivo e descuido a n\u00edvel de higiene (Akiskal H S. and Others 2001, P\u00e1g.34).<\/li>\n<li>\u00a0Incentiv\u00e1-los a n\u00e3o abusar de subst\u00e2ncias estimulantes \u00abcaf\u00e9, \u00e1lcool, ch\u00e1, coca-cola\u00bb.<\/li>\n<li>\u00a0Nunca omitir as tomas da medica\u00e7\u00e3o e negligenciar as consultas m\u00e9dicas de rotina. N\u00e3o obstante, se se esquecer, n\u00e3o deve tomar a dose dupla na toma seguinte.<\/li>\n<li>\u00a0Comunicar com um tom de voz suave e baixo atrav\u00e9s de frases curtas, reiterativas e simples (Rozylan C. 1997, P\u00e1g 103), porque est\u00e3o fragilizados, com dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o de muita informa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>\u00a0Faz\u00ea-lo entender dos benef\u00edcios do exerc\u00edcio f\u00edsico, promover leituras, conviver, ver televis\u00e3o, ouvir r\u00e1dio e manter contacto com amigos e familiares. Se \u00e9 estudante, motiv\u00e1-lo para regressar \u00e0s aulas.<\/li>\n<li>\u00a0Estimular a higiene regular do sono. Se este \u00e9 imprescind\u00edvel para repor o equil\u00edbrio energ\u00e9tico entre mente, corpo e emo\u00e7\u00f5es, despendido diariamente devido ao ritmo de vida que levamos, nestes doentes dada a sua venerabilidade as suas necessidades s\u00e3o maiores, pelo que devem repousar e dormir o mais poss\u00edvel.<\/li>\n<li>\u00a0Manter proximidade f\u00edsica e mostrar-se o mais natural poss\u00edvel, uma vez que s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0s rela\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es, tanto positivas como negativas. (Cassano M G Bahssonho 1996, P\u00e1g 32).<\/li>\n<li>\u00a0Ouvir o paciente sem o criticar, n\u00e3o lhe dirigir frases taxativas, \u201cdo tipo\u201d: tudo est\u00e1 na sua cabe\u00e7a, aceitando a situa\u00e7\u00e3o dos doentes com depress\u00e3o tal qual a descrevem, tentar convenc\u00ea-los do contr\u00e1rio s\u00f3 serve para deixarem de ter confian\u00e7a em n\u00f3s.<\/li>\n<li>\u00a0Incentiv\u00e1-los a inscrever-se em associa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas das suas patologias, com o fim de partilharem experi\u00eancias e ajuda de forma a n\u00e3o sentirem o problema da estigmatiza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o social.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Estrat\u00e9gias de Actua\u00e7\u00e3o a Doentes Suscept\u00edveis de Apresentarem Alguma Perigosidade<\/strong><\/h4>\n<p>A maior parte de agress\u00f5es a Enfermeiros e a outros t\u00e9cnicos de sa\u00fade ocorrem nas primeiras fases das suas carreiras. Pensa-se que por um lado reflecte a falta de experi\u00eancia, mas tamb\u00e9m ser\u00e3o de considerar o facto de o pessoal mais novo ter mais contacto com os doentes e os colegas mais velhos estarem mais ocupados em actividades administrativas ou outras (Rosylan Corney 1997, P\u00e1g.99).<\/p>\n<p>Alguns locais apresentam risco mais elevado. Rosylan C1997, P\u00e1g 110, cita os: SU, as Pris\u00f5es, o per\u00edodo nocturno nos Hospitais Psiqui\u00e1tricos e o domic\u00edlio. Neste \u00faltimo, porque o doente conhece e controla melhor o ambiente. Esta afirma\u00e7\u00e3o, segundo Rosylan C. 1997, Pag 104, torna claro que a forma\u00e7\u00e3o de todas as profiss\u00f5es ligadas aos cuidados de Sa\u00fade exigem treino na avalia\u00e7\u00e3o e controle dos doentes potencialmente violentos.<\/p>\n<p>Perante um doente descompensado e possivelmente agressivo n\u00e3o se deve actuar com autoritarismo ou contra-agress\u00e3o porque isso pode aumentar a sua viol\u00eancia. N\u00e3o obstante, pode ser necess\u00e1rio recorrer ao uso da for\u00e7a, com o prop\u00f3sito de cont\u00ea-lo em estado de crise. \u00c9 importante avaliar objectivamente o que se sabe do doente e n\u00e3o o rotular de \u00abmuito perigoso\u00bb quando n\u00e3o h\u00e1 a certeza de o ser. Mas agir sempre com prud\u00eancia pois \u00e9 tolice minimizar os riscos \u00f3bvios decorrentes da informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel e n\u00e3o se tomarem as precau\u00e7\u00f5es adequadas.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es de Enfermagem n\u00e3o s\u00e3o estandardizadas porque o que pode ser um \u00eaxito para um, pode n\u00e3o resultar noutro com a mesma doen\u00e7a. Basta considerar o facto de muitos n\u00e3o terem insight e deste modo interpretarem o tratamento e o internamento como um castigo, mas com alguma per\u00edciae treino os problemas v\u00e3o sendo solucionados: Cintra Pedro e Outros 2008, P\u00e1g 80, acrescentam que a experi\u00eancia profissional melhora substancialmente as per\u00edcias da comunica\u00e7\u00e3o, isto leva a que o enfermeiro se sinta mais seguro quando tem de enfrentar as dificuldades decorrentes de situa\u00e7\u00f5es de agressividade latente em fase de descompensa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pretende dizer com isto que os profissionais que possuem mais pr\u00e1tica sejam sempre bem sucedidos, como \u00e9 \u00f3bvio.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 prudente que o enfermeiro se sente em frente de um doente com estas caracter\u00edsticas, que \u00e0 priori se sabe ser agressivo, numa posi\u00e7\u00e3o de \u00abolhos nos olhos\u00bb. Porque a maior parte tende a evitar o contacto ocular interpretando-o como algo amea\u00e7ador (Schwartz G. e Al. 1982, P\u00e1g 227). A porta n\u00e3o deve ter a chave por dentro, nem estar acess\u00edvel ao doente.<\/p>\n<p>Alguns doentes do sexo masculino s\u00e3o facilmente controlados por uma enfermeira confiante e com estilo maternal, em situa\u00e7\u00f5es em que um enfermeiro suscitaria franca hostilidade. Por outro lado, para um doente com uma hist\u00f3ria de ideias paran\u00f3ides sobre mulheres ou de abusos sexuais a mulheres adultas pode n\u00e3o ser ben\u00e9fico.<\/p>\n<p>Os psicopatas excepcionalmente perigosos e aqueles que nada t\u00eam a perder com o seu comportamento s\u00e3o capazes de infligir consider\u00e1veis maus-tratos para efectivar os seus objectivos. Nestas circunst\u00e2ncias deve-se:<\/p>\n<ul>\n<li>Promover o auto-controlo face a situa\u00e7\u00f5es cujos doentes apresentam queixas injustificadas, desnecess\u00e1rias e demasiado exigentes.<\/li>\n<li>Ainda que o paciente utilize uma linguagem col\u00e9rica e exagerada nunca se deve responder de forma rude. A rudeza revela-se uma conduta n\u00e3o profissional. \u00c9 fundamental manter a calma e agir com amabilidade, toler\u00e2ncia e gentileza.<\/li>\n<li>O profissional de Enfermagem necessita de uma actualiza\u00e7\u00e3o permanente, ao n\u00edvel dos conhecimentos cient\u00edficos, t\u00e9cnicos e relacionais, pois a aquisi\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente o segredo do \u00eaxito.<\/li>\n<li>Cassano M G Bahssonho 1996, P\u00e1g 98, acrescenta que aprender com a experi\u00eancia e a vida \u00e9 um lema que permite ao profissional de sa\u00fade enfrentar e solucionar mais facilmente os desafios quotidianos que lhes v\u00e3o surgindo no \u00e2mbito da sua profiss\u00e3o.<\/li>\n<li>\u00c9 necess\u00e1rio saber reconhecer as situa\u00e7\u00f5es potencialmente perigosas e aprender a lidar com elas, evitando a provoca\u00e7\u00e3o e a reac\u00e7\u00e3o aos insultos. Por vezes torna-se conveniente dizer \u00abse continuar assim a gritar n\u00e3o posso ajud\u00e1-lo\u00bb. N\u00e3o existem modelos r\u00edgidos aplic\u00e1veis a quaisquer indiv\u00edduos ou situa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Se o doente se apresenta altamente perturbado, com marcada agita\u00e7\u00e3o psicomotora e com perda do contacto com a realidade, n\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel estar a dirigir-lhe ordens, porque n\u00e3o est\u00e1 com capacidade para as assimilar e acatar. Nestas circunst\u00e2ncias imp\u00f5e-se a utiliza\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica em SOS com recurso eventual \u00e0 conten\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Esta s\u00f3 deve ser utilizada em \u00faltimo recurso porque tal como refere Castle e Outros 2003, P\u00e1g 196, aumenta o grau de agita\u00e7\u00e3o do doente.<\/li>\n<li>Obviamente que estas medidas requerem uma maior vigil\u00e2ncia e avalia\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e f\u00edsica do seu estado de consci\u00eancia, hemodin\u00e2mica. Posicionamentos regulares, suporte h\u00eddrico, alimentar e ambiente calmo e seguro.<\/li>\n<li>Com experi\u00eancia e confian\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel ser-se bem sucedido no controlo deste tipo de doentes. Uma grande percentagem est\u00e1 frequentemente muito perturbado, e, mais tarde, j\u00e1 compensados, sentem-se profundamente gratos pelo que fizemos por eles e pedem desculpa por terem sido menos correctos e indelicados.<\/li>\n<li>\u00a0\u00c9 fundamental proporcionar n\u00e3o s\u00f3 a estes mas extensivo a todos os doentes um ambiente caloroso; um cumprimento, um aceno, um sorriso, ou o transmitir de boa disposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o pr\u00e1ticas sempre bem aceites e podem trazer ricos dividendos, no sentido de levar o doente a aderir ao tratamento.<\/li>\n<li>Fomentar a interac\u00e7\u00e3o entre doente e fam\u00edlia para evitar que no decurso do internamento se d\u00ea a ruptura dos la\u00e7os familiares e para obter destes uma participa\u00e7\u00e3o activa no tratamento ap\u00f3s a alta. Gomes A. 2005, P\u00e1g 5, salienta que os familiares com ambiente caloroso e afectuoso t\u00eam taxas mais baixas de reca\u00edda.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Pelo descrito, torna-se claro que uma efectiva comunica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica com o doente funciona como uma esp\u00e9cie de ferramenta \u00fatil, no sentido de promover uma melhor ades\u00e3o ao tratamento e optimizar os nossos cuidados.<\/p>\n<p>Se por um lado alguns doentes apresentam discernimento para o seu estado de crise, pedindo ajuda, outros h\u00e1 que est\u00e3o totalmente destitu\u00eddos de ju\u00edzo cr\u00edtico, vendo o seu internamento como descabido e at\u00e9 mesmo em contexto de castigo, o que dificulta a ades\u00e3o ao tratamento, e por isso requerem do enfermeiro uma maior vigil\u00e2ncia pois conseguem esconder a medica\u00e7\u00e3o das formas mais mirabulantes.<\/p>\n<p>Apresentam comportamentos diferentes e indesej\u00e1veis que n\u00e3o teriam se a sua mente fosse saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Frequentemente surgem conflitos com os colegas de trabalho e superiores hier\u00e1rquicos e o desemprego numa \u00e9poca de tanta falta de postos de trabalho surge demasiadas vezes.<\/p>\n<p>Deste modo, todos os doentes necessitam e merecem todo o nosso carinho, bem como, ser tratados com dignidade e m\u00e1ximo respeito. N\u00e3o \u00e9 demais refor\u00e7ar que dada a especificidade e complexidade destas doen\u00e7as, o enfermeiro deve estar minimamente familiarizado e actualizado para que o seu desempenho seja eficiente e eficaz.<\/p>\n<p>No que concerne ao tratamento, as psicoses e a depress\u00e3o, que est\u00e1 basicamente inserida em todas elas, mas tamb\u00e9m as neuroses obsessivas e outras, ainda n\u00e3o t\u00eam cura, apenas existe medica\u00e7\u00e3o para promover a remiss\u00e3o dos sinais e sintomas, para que o doente se sinta melhor, se consiga socializar com as outras pessoas e aprenda a viver com a doen\u00e7a o que nem sempre \u00e9 vi\u00e1vel, o que de certo modo lhe provoca duplo sofrimento: Padecer da doen\u00e7a e sentir a dor da estigmatiza\u00e7\u00e3o e dos preconceitos.<\/p>\n<p>As perspectivas relativamente a estas patologias n\u00e3o s\u00e3o animadoras, visto que a tend\u00eancia \u00e9 para aumentarem, sobretudo a depress\u00e3o doen\u00e7a cr\u00f3nica, sist\u00e9mica e recorrente, que est\u00e1 no centro das preocupa\u00e7\u00f5es da OMS.<\/p>\n<p>Assim, resta-nos viver na esperan\u00e7a de que a ci\u00eancia continue a envidar esfor\u00e7os e avance no sentido sen\u00e3o da cura, pelo menos na minimiza\u00e7\u00e3o do sofrimento e limita\u00e7\u00f5es por elas causadas, para benef\u00edcio de quem delas sofre bem como de todos os cuidadores.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p>&#8211; AMERICAN Psychiatric Association 1996) &#8211;\u00a0 Manual de Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico das Perturba\u00e7\u00f5es Mentais; DSM-IV Climepsi Editores, 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Lisboa.<\/p>\n<p>&#8211; AKISKAL HS. and Others (2OO1) &#8211; Proposed Multidimensional Struture of Mania: beyond the euphoric dys phoric dichotomy, J Affect Disord Jan 93( 1-2): 12-43 London.<\/p>\n<p>&#8211; AZEVEDO Macedo (1997) &#8211; Antecipa\u00e7\u00e3o Gen\u00e9tica nos Dist\u00farbios Psic\u00f3ticos Maiores: Uma investiga\u00e7\u00e3o no Dist\u00farbio Afectivo Bipolar; Disserta\u00e7\u00e3o do Doutoramento. Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>&#8211; AZEVEDO Macedo e Outros (1998) &#8211; in Revista de Psiqu\u00edatria; Gen\u00e9tica da Doen\u00e7a Afectiva Bipolar, Hospital J\u00falio de Matos n\u00ba 4,\u00a0 27-37 pag.<\/p>\n<p>&#8211; BEERCHERIE, P. (1998) &#8211; Os Fundamentos da Cl\u00ednica Hist\u00f3rica e Estrutura do Saber Psiqui\u00e1trico, Zahar 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&#8211; CASSANO M.G Bahssonho (1996) &#8211; Musetti Proposed Subtypes of Bipolar II Disor: With hypomanic episodes and hyperthymic temperament. London.<\/p>\n<p>-CASTLE J. David e Outros (2003)- As Mulheres Esquizofr\u00e9nicas, Climepsi Editores, 1\u00aa\u00a0edi\u00e7\u00e3o, Lisboa.<\/p>\n<p>-CINTRA Pedro e Outros (2008)- In Revista Psiqui\u00e1trica ,Mania Aguda, Evolu\u00e7\u00e3o no tratamento de Doentes Internados no Hospital Miguel Bombarda Vol. XXl, N\u00ba 2, p\u00e1g. 79-93 Lisboa<\/p>\n<p>&#8211; FONSECA A. 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