{"id":14262,"date":"2026-02-04T06:33:23","date_gmt":"2026-02-04T06:33:23","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ajuda-portuguesa-faz-diferenca-num-centro-com-deslocados-das-cheias-em-mocambique\/"},"modified":"2026-02-04T06:33:23","modified_gmt":"2026-02-04T06:33:23","slug":"ajuda-portuguesa-faz-diferenca-num-centro-com-deslocados-das-cheias-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ajuda-portuguesa-faz-diferenca-num-centro-com-deslocados-das-cheias-em-mocambique\/","title":{"rendered":"Ajuda portuguesa faz diferen\u00e7a num centro com deslocados das cheias em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>C\u00e1tia Ven\u00e2ncio, 26 anos, vive naquele centro h\u00e1 quase tr\u00eas semanas, com 12 pessoas da mesma fam\u00edlia, desde que as cheias, as maiores em d\u00e9cadas em Mo\u00e7ambique, invadiram as casas no seu bairro, em Ch\u00f3kw\u00e8, a 250 quil\u00f3metros de Maputo.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Na ter\u00e7a-feira teve a sua primeira consulta, com os militares portugueses destacados no mesmo dia para aquele centro, tomado por centenas de tendas. Ali, da For\u00e7a de Rea\u00e7\u00e3o Imediata (FRI) enviada por Portugal, na opera\u00e7\u00e3o &#8220;Kanimanbo&#8221; (obrigado, em l\u00edngua nacional changana), que chegou a Mo\u00e7ambique na sexta-feira, est\u00e3o um m\u00e9dico, duas enfermeiras, dois socorristas, dois militares de apoio de servi\u00e7os e um m\u00e9dico veterin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Atenderam no primeiro dia 120 pessoas, como C\u00e1tia: &#8220;Estou a sentir [dor de] cabe\u00e7a, mais tosse, mais asma&#8221;.<\/p>\n<p>Saiu do atendimento feito pelo contingente portugu\u00eas, com medicamentos e recomenda\u00e7\u00f5es, ao fim de alguns minutos de consulta.<\/p>\n<p>&#8220;Gostei&#8221;, diz, envergonhada, assumindo que regressa &#8220;satisfeita&#8221; \u00e0 tenda transformada em casa, com as panelas do lado de fora. Ainda assim, confessa n\u00e3o ver a hora de voltar ao bairro, que as cheias destru\u00edram, a cerca de 40 quil\u00f3metros daquele centro de acomoda\u00e7\u00e3o de deslocados.<\/p>\n<p>&#8220;Ficou tudo mal. Tem \u00e1gua, matope [lama]. Est\u00e1 cheiro de matope&#8221;, explica, admitindo o susto que viveu em 15 de janeiro, com a \u00e1gua a tomar conta da cidade de Ch\u00f3kw\u00e8 e do seu bairro.<\/p>\n<p>&#8220;Sim, porque temos medo de \u00e1gua&#8221;, confessa.<\/p>\n<p>Naquele centro, que conta com quase um ter\u00e7o de todos os deslocados pelas cheias em Mo\u00e7ambique, o administrador do distrito de Ch\u00f3kw\u00e8, Narciso Nhamuhuco, coordena as opera\u00e7\u00f5es e admite o al\u00edvio de mais uma equipa no apoio no terreno, agora com t\u00e9cnicos de sa\u00fade, de Portugal.<\/p>\n<p>&#8220;Para n\u00f3s \u00e9 mais um al\u00edvio e uma gratifica\u00e7\u00e3o que n\u00f3s queremos fazer ao Governo portugu\u00eas&#8221;, diz \u00e0 Lusa, sublinhando o apoio que no terreno \u00e9 dado por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, nacionais e internacionais, para minimizar as dificuldades destes deslocados, fam\u00edlias inteiras e milhares de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 neste momento mais fundamental que esta equipa chega, que para n\u00f3s tamb\u00e9m \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o (&#8230;) tamb\u00e9m vai nos ajudar em advocacia do conhecimento, nos pontos de retorno da popula\u00e7\u00e3o que a\u00e7\u00f5es devem ser desenvolvidas com anteced\u00eancia antes que a popula\u00e7\u00e3o se fa\u00e7a, neste caso, aos bairros&#8221;, diz Narciso Nhamuhuco.<\/p>\n<p>Entretanto, na fila para o tratamento m\u00e9dico no posto rapidamente montado, assegurado pela equipa militar portuguesa destacada em Mo\u00e7ambique, Rodrigues Cundane, 25 anos, espera pela vez.<\/p>\n<p>&#8220;Sim, tenho um problema de sa\u00fade (&#8230;) Agora posso dizer tosse. Mas n\u00e3o sei porque estou assim&#8221;, explica \u00e0 Lusa.<\/p>\n<p>Vive numa das tendas daquele centro, mas est\u00e1 separado da restante fam\u00edlia que fugiu de Conhane, a poucos quil\u00f3metros, pela estrada Nacional 101.<\/p>\n<p>&#8220;Estou correndo \u00e0s cheias. Estou numa tenda onde n\u00e3o estou com a minha fam\u00edlia. S\u00e3o fam\u00edlias juntadas e doen\u00e7as s\u00e3o muitas&#8221;, desabafa, para logo a seguir afirmar que mesmo na condi\u00e7\u00e3o de deslocado, est\u00e1 a ajudar os outros.<\/p>\n<p>&#8220;Estou servindo pessoas, ornamentando casas de banho para necessidades menores e maiores. Eu constru\u00ed tr\u00eas, com os meus comparsas que vivem comigo na tenda (&#8230;) N\u00e3o temos assist\u00eancia e n\u00f3s estamos a lutar por n\u00f3s. \u00c9 tudo o que podemos fazer por enquanto&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A chamada para ser visto pela equipa portuguesa aproxima-se e Rodrigues agradece esse apoio: &#8220;\u00c9 muito importante&#8221;.<\/p>\n<p>Sabe que deixou tudo em casa, que acredita ter perdido para as cheias, mas relativiza.<\/p>\n<p>&#8220;Nem s\u00e3o t\u00e3o importantes, s\u00e3o materiais. Estou a falar de vidas. Por exemplo, na minha zona umas av\u00f3s [mulheres da fam\u00edlia mais velhas], duas av\u00f3s morreram, a terceira morreu mesmo aqui, estando aqui na zona dos refugiados. S\u00e3o as coisas que n\u00f3s choramos&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Com alguns deslocados a tentarem regressar a casa, face \u00e0 descida das \u00e1guas em certas zonas, Rodrigues tamb\u00e9m anseia pelo momento de partir, como os outros que j\u00e1 arriscaram: &#8220;Porque est\u00e3o a sofrer aqui, apesar de l\u00e1 em casa n\u00e3o ter assist\u00eancia m\u00e9dica, \u00e1gua (&#8230;) as pessoas regressaram, dizem que v\u00e3o ver como v\u00e3o sobreviver, porque aqui est\u00e1 muito pior&#8221;.<\/p>\n<p>O tenente-coronel Carlos Alonso, m\u00e9dico veterin\u00e1rio, coordena a equipa militar portuguesa no centro de acomoda\u00e7\u00e3o de Chiaquelane. Na miss\u00e3o que Portugal enviou para apoiar as autoridades mo\u00e7ambicanas nas cheias que desde janeiro j\u00e1 afetaram mais de 720 mil pessoas, est\u00e1 respons\u00e1vel pelo controle de seguran\u00e7a alimentar e apoio na qualidade das \u00e1guas, saneamentos e desinfe\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Para as pessoas que est\u00e3o aqui, do que n\u00f3s temos visto, \u00e9 que estamos a fazer alguma diferen\u00e7a, porque trazemos efetivamente material connosco, conseguimos dispensar. O que temos visto em alguns dos pontos, as equipas locais conseguem fazer o diagn\u00f3stico, mas n\u00e3o t\u00eam os f\u00e1rmacos necess\u00e1rios para poder fazer o tratamento. Estamos a conseguir ajudar alguma coisa a estas popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o deslocadas das suas casas e que est\u00e3o sem acesso a outros cuidados mais diferenciados&#8221;, conta o oficial.<\/p>\n<p>Acrescenta que no terreno, entre as necessidades &#8220;mais permanentes&#8221; identificadas em conjunto com as autoridades mo\u00e7ambicanas, est\u00e1 o apoio sanit\u00e1rio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Eles t\u00eam dois postos de atendimento m\u00e9dico. Um dos postos [neste campo] n\u00e3o estava guarnecido, por isso deslocou-se uma equipa com um m\u00e9dico, uma enfermeira e uma socorrista para outro posto m\u00e9dico (&#8230;) Neste posto ficou uma enfermeira e um socorrista, e um militar de apoio, que est\u00e3o a dar apoio sanit\u00e1rio direto, est\u00e3o a atender as pessoas, adultos e crian\u00e7as e a ver o que \u00e9 que podemos fazer com os meios que temos&#8221;, detalha.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea do trauma, a miss\u00e3o portuguesa consegue fazer tratamento, al\u00e9m disso est\u00e1 munida da f\u00e1rmacos, que dispensa em fun\u00e7\u00e3o das necessidades ap\u00f3s cada consulta e registo, inclusive, at\u00e9, alguns injet\u00e1veis intramusculares.<\/p>\n<p>&#8220;O que temos visto de forma transversal, h\u00e1 uma falta de formas medicamentosas para crian\u00e7as, ou seja, crian\u00e7as abaixo dos 5 anos que n\u00e3o tomam comprimidos, h\u00e1 uma falta de medicamentos em xarope. Alguns medicamentos, tudo o que \u00e9 pomadas, col\u00edrios, tudo o que \u00e9 de aplica\u00e7\u00e3o direta, sem ser comprimidos, n\u00e3o se est\u00e1 a conseguir, de forma geral, fazer chegar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es&#8221;, detalha, assumindo o esfor\u00e7o de coordenar com as autoridades mo\u00e7ambicanas o refor\u00e7o no acesso a medicamentos para este apoio.<\/p>\n<p>Apesar das habituais dificuldades neste tipo de cen\u00e1rio, n\u00e3o esconde satisfa\u00e7\u00e3o com a opera\u00e7\u00e3o no terreno.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos sempre fazer mais, mas dentro das possibilidades, creio que estamos a conseguir fazer alguma coisa e ajudar estas popula\u00e7\u00f5es a terem o m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma o tenente-coronel Carlos Alonso.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/mundo\/2932369\/ajuda-portuguesa-faz-diferenca-num-centro-com-deslocados-das-cheias-em-mocambique#utm_source=rss-ultima-hora&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=rssfeed\" class=\"info\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Leia na \u00edntegra em <b>Not\u00edcias ao Minuto<b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e1tia Ven\u00e2ncio, 26 anos, vive naquele centro h\u00e1 quase tr\u00eas semanas, com 12 pessoas da mesma fam\u00edlia, desde que as cheias, as maiores em d\u00e9cadas em Mo\u00e7ambique, invadiram as casas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14263,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1121],"tags":[],"class_list":["post-14262","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-profissao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14262\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}